31.8.09

Ilustração: Literatura e novas mídias


Esta ilustra foi feita em Ilustrator praticamente numa linha só.

Mais um brinde: Um cartum de João Zero


(Clique na imagem para ampliar e poder ler melhor a legenda do cartum)

30.8.09

Ilustração: Travesti


Esta ilustra foi feita para uma matéria sobre o fenômeno "travesti". Foi feita com pastel seco e lápis de cor sobre papel Schoeler Hammer rústico.
(clique sobre a imagem para ampliar e ver melhor)

29.8.09

Domingo tem Ligiana em Sampa


(Clique em cima da imagem para ampliar e ler melhor)
Recebi o seguinte e-mail do meu amigo Emiliano Castro:
Novo show em São Paulo da cantora, compositora e querida Ligiana.
E o discão já está na portinha, quase saindo!
Aguardem otimistas que vale a pena.

No "flyer voador" (aí em cima) vão todos os dados deste domingo.

Dica do Gerdal: Doces Cariocas neste domingo em Botafogo - um baleiro sortido de canções para freguesia de bom paladar


Nadador vencedor de travessias marítimas em Portugal, o "cantautor" Pierre Aderne - como gosta de definir-se - trocou a faculdade de educação física pela música popular, com fôlego renovado para se exercitar em "braçadas" rítmicas ao violão nas águas figuradas da criatividade. Nascido em Toulouse, na França - filho de pai português e mãe mineira que lá viviam nessa ocasião -, Pierre veio ainda menino para o Brasil e, com passagens por diferentes pontos do país, como Brasília e João Pessoa, além do adotivo Rio de Janeiro (mora, em Ipanema, perto do famoso número 107 da Rua Nascimento Silva, onde viveu Tom Jobim), teve, naturalmente, contato com timbres variados do nosso polirregionalismo cultural, bem assimilados no seu jamegão autoral. Após três CDs individuais, integra o Doces Cariocas - um coletivo de criação musical caudatário, por afinidade conceitual e estética, do espírito comunitário e inovador do Clube da Esquina e dos Novos Baianos -, juntamente com outros músicos de valor, como os irmãos Domenico e Alvinho Lancellotti, filhos do compositor Ivor Lancellotti, Wilson Simoninha, Luiz Carlinhos e Rogê, num movimento ainda embalado pela voz guia, inspiradora, da bela Alexia Bomtempo. Há poucos dias, o grupo, que tem premiado CD já lançado, gravou o primeiro DVD, no Jardim Botânico, materializando nesses suportes os saraus entre amigos que suscitaram toda essa interessante produção musical, como num baleiro sortido, desses de antigas padarias, só de canções sem nenhuma restrição dietética ("flyer" acima). O grupo se apresenta no Cinemathèque JamClub. A tempo: o endereço do Cinemathèque JamClub, em Botafogo, é Rua Voluntários da Pátria, 53.
         Um bom fim de semana a todos. Muito grato pela atenção à dica.
www.myspace.com/docescariocas

Ilustração : Encontro em fevereiro de 1999

28.8.09

Dica do Gerdal: Copacabana Palace celebra o Beco das Garrafas numa série de shows com grandes músicos


Prezados amigos,
 
        Abaixo, repasso a vocês o recado chique da amiga Monica Ramalho, jornalista, sobre o Copa Fest - uma programação musicalmente atraente em torno do Beco das Garrafas, ponto de visitação obrigatório em todo "flashback" relativo à bossa nova.

Copacabana Palace abre seus salões para o Copa Fest, 
dedicado ao inesquecível som do Beco das Garrafas
João Donato, Paulo Moura, Paulinho Trompete e Osmar Milito, entre as atrações, se apresentam no festival

Entre os dias 28 e 30 de agosto (de sexta a domingo), o Hotel Copacabana Palace vai escrever mais um capítulo na história da música instrumental brasileira. Músicos fabulosos que batiam ponto no legendário Beco das Garrafas, onde nasceram a bossa nova e o samba jazz, vão realizar o sonho de toda uma geração no Copa Fest. 

“Imagine você: Nat King Cole, Sarah Vaughan, Sammy Davis Jr. e outros ídolos da rapaziada do Beco se apresentavam no Copacabana Palace, a uma quadra de lá. Mas poucos da turma tocaram no hotel naqueles tempos. Temos cinco deles entre as atrações do nosso festival: os pianistas João Donato e Osmar Milito, o baixista Sérgio Barrozo, Paulinho Trompete e o clarinetista Paulo Moura. Aliás, o Beco era um lugar onde músicos do Brasil inteiro vinham para tocar.”, diz Bernardo Vilhena, que assina a direção musical do Copa Fest com Carolina Rosman.

É João Donato quem rebobina: “No final da década de 50, eu e João Gilberto andávamos tão juntos que éramos confundidos um com o outro pela semelhança física – éramos dois caras magros, compridos e que viviam trocando de roupa, não é? (risos). Nos intervalos dos showsem que tocava no Golden Room do Copacabana Palace, eu saía para tomar um ar e sempre encontrava o João me esperando, no meio-fio da calçada. Eu sentava ao lado dele e jogávamos conversa fora”. Naquele tempo, João Gilberto aprimorava o seu violão, cuja batida é um dos pilares da bossa nova.

Paulo Moura foi outra estrela do Beco das Garrafas que colocou seu instrumento (na época, um saxofone) a serviço dos hóspedes do Copacabana Palace, tradicionalmente um lugar onde sempre houve música de qualidade. Aliás, no quesito musical, o Rio de Janeiro tem a sorte de receber ótimos músicos do mundo inteiro. “Há quatro anos produzo shows de música instrumental pela cidade, sempre com casa cheia. Só aconteceu de ter casa vazia quando ocorreu dilúvio ou jogo do Brasil. E, mesmo assim, não era qualquer jogo não”, testemunha Carolina.

Por cerca de duas décadas – nos anos 50 e 60 –, o Beco reuniu músicos maravilhosos que tocavam por absoluto prazer até o dia raiar. Naquelas madrugadas, eles se divertiam e trocavam, avidamente, informações musicais. Todo aquele movimento resultou no samba jazz e na bossa nova. E resultou também numa mudança de posição dos instrumentistas. Explico: antes do Beco das Garrafas, eles se apresentavam em boates e dancings ambientando a dança e o namoro dos casais. No Beco e depois dele, os músicos passaram a tocar para serem escutados com atenção e admirados.

Sim, os instrumentistas eram as estrelas das boates Bacarat, Little Club e Bottle´s Bar, que ganharam fama de ‘templo da bossa nova’ quando o movimento do amor, do sorriso e da flor estourou nos anos 60. Havia uma infinidade de trios e quintetos (como Bossatrês, Tamba Trio, Sambalanço Trio, Quinteto Jazz Bossa...) se formando e fazendo música de gente grande apesar da pouca idade de seus integrantes, entre eles o baterista Edison Machado, o baixista Sérgio Barrozo, os pianistas Luiz Eça e Osmar Milito e os supracitados Donato e Moura.

O nome Beco das Garrafas tem uma origem ipsis literis. As casas eram pequenas e a garotada fazia a maior algazarra no lado de fora das boates, esperando a vez de entrar. O barulho incomodava tanto a vizinhança daqueles edifícios da Duvivier, que sempre choviam garrafas. Inspirado nesse comportamento coletivo, o jornalista Sérgio Porto batizou o lugar de Beco das Garrafadas, apelido simplificado logo depois. Músicos como o pianista David Feldman, o gaitista Gabriel Grossi, e o Pagode Jazz Sardinha’s Club vão mostrar, no Copa Fest, de que maneira o som do Beco influencia a atual música instrumental brasileira. O multiinstrumentista Zé Luis vem de Nova York especialmente para se apresentar no festival à frente da Banda Magnética, formada por novos talentos da música instrumental dos 14 aos 24 anos. O público conhecerá os arranjos que ele construiu por e-mail com a banda.

Além dos shows, haverá uma programação para contextualizar os áureos tempos do Beco das Garrafas: workshop para jovens estudantes de música (do Centro de Ópera de Acari e da Escola de Música da Rocinha) feito pelo jornalista e escritor Ruy Castro; projeção de imagens do estilo de vida da época; e o Salão Nobre será destinado ao Lounge Copa Fest, com bar e música ambiente do coletivo Vinil é Arte. Quem vai garantir essa festa toda é a M´Baraká Experiências Relevantes, com patrocínio da Terna Participações S.A.

PARA SABER MAIS SOBRE O COPA FEST E OUVIR AS ATRAÇÕES, VISITE O SITE/BLOG: WWW.COPAFEST.COM.BR

SEXTA, às 20h – David Feldman Trio e Gabriel Grossi
David Feldman reinventa uma formação completamente inspirada no Beco. Pianista, David será acompanhado por Sérgio Barrozo no baixo e Paulo Braga na bateria. Barrozo já tocou com todo mundo, de Egberto Gismonti a Caetano Veloso, e fez parte do legendário Rio 65 Trio, com Dom Salvador e Edison Machado. Braga também é bastante requisitado. Gravou o sensacional ‘Elis & Tom’, em 1973,e tocou muitos anos com Tom Jobim. David Feldman reproduz com alta fidelidade o som que nasceu e alcançou a maioridade no Beco das Garrafas. O gaitista Gabriel Grossi, elogiado pelos ases do instrumento, fará uma participação especial.

SEXTA, às 23h – Paulinho Trompete e Banda Sambop
Paulinho Trompete & Banda Sambop é a essência do Becodas Garrafas. Baseado no seu recente disco, ‘Tema feliz’, em homenagem ao grande compositor e violonista Durval Ferreira, este show mostra o seminal repertório que teve gravações históricas dos grandes nomes do jazz. Hamleto Stamato (piano), Ney Conceição (contrabaixo), Widor Santiago (saxofone) e Erivelton Silva (bateria) formam a Banda Sambop. O nome traduz com fidelidade a síntese entre o samba e o jazz, que continua sendo recriada ao vivo pela sensibilidade dos músicos.

SÁBADO, às 18h – Pagode Jazz Sardinha’s Club
Pagode Jazz Sardinha’s Club traz bom humor no nome e uma mistura de choro, jazz, funk, samba e jongo, que já vem sendo imitada no cenário da nova música instrumental carioca. O Sardinha’s Club é formado por excelentes músicos, contemporâneos da verdadeira revolução cultural da Lapa, e faz um som com técnica e brasilidade para dar e vender. São eles: Eduardo Neves (flauta e sax), Roberto Marques (trombone), Bernardo Bosísio (violão), Rodrigo Lessa (bandolim, bandarra e violão), Edson Menezes (baixo), Xande Figueiredo (bateria) e Marcos Esguleba (percussão).

SÁBADO, às 20h30 – Paulo Moura e João Donato
Paulo Moura e João Donato, no auge da forma, improvisam sobre temas próprios e clássicos inesquecíveis, dos anos 30 aos 50. Após uma longa carreira percorrida por cada um dos músicos, Paulo e Donato retomaram o espírito jazzístico dos anos 50 e fizeram um disco em 2006, chamado ‘Dois panos pra manga’. O encontro destes dois monstros sagrados promete um show de extrema delicadeza, harmonias surpreendentes e maravilhosas melodias.

SÁBADO, às 23h – Zé Luis e Banda Magnética
Zé Luis e Banda Magnética são a demonstração da vitalidade da nossa música instrumental. Nove jovens talentos são liderados por um multiinstrumentista com sólida formação, que construiu uma importante carreira no país (atuou em mais de 330 discos e 40 trilhas sonoras de filmes) e hoje conquista Nova York a bordo do Zé Luís Quartet. Radicado em NY desde 1990, Zé estudou composição e música contemporânea na Juilliard School e fez a direção musical do primeiro disco de Bebel Gilberto, “Tanto Tempo”, o maior sucesso brasileiro nos Estados Unidos desde a era de Sergio Mendes. No repertório do show no Copa Fest, grandes temas da Era do Beco e algumas releituras de sucessos de Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, artistas com quem Zé trabalhou intensamente.

DOMINGO, às 18h – Osmar Milito Trio
Osmar Milito pode ser considerado o ‘Real Book’ da bossa nova. Este sensacional pianista, que iniciou a carreira no Beco das Garrafas, em 1964, fez parte do Paulo Moura Quinteto e ficou responsável pela trilha sonora da varanda do Mistura Fina da Lagoa, faz o show de encerramento do Copa Fest com seu trio e, em seguida, recebe os participantes das outras noites para uma jam session inesquecível. Como o próprio festival.

LOUNGE COPA FEST
Será comandado pelos DJs Tuta e Pedro, do coletivo Vinil é Arte. Com uma coleção de mais de 5 mil discos, eles levam sua pesquisa ao público discotecando em festas, eventos e festivais, onde apresentam uma seleção de músicas nacionais e estrangeiras que são, de fato, o fino do vinil. Para o Copa Fest, a dupla preparou uma seleção especial de instrumental brasileiro, do samba ao jazz, do groove ao berro da cuíca, num show para ser visto e ouvido.

CONFIRA

Sobre o patrocinador
A Terna Participações S.A. é uma sociedade holding que opera por meio de 8 concessões de serviços públicos de transmissão de energia elétrica distribuídos em diferentes regiões do Brasil. Dentre as empresas subsidiárias do Grupo destacam-se, pelo porte, a Transmissora Sudeste–Nordeste S.A. e a Novatrans Energia S.A. Essas empresas executam o desenvolvimento de atividades na implantação, operação e manutenção de instalações de linhas de transmissão de energia elétrica no Brasil. 

SERVIÇO

Sexta, 28 de agosto

Salão Nobre
a partir das 19h
- Lounge Copa Fest com Vinil é Arte
Consumação mínima R$ 30
Liberação da consumação mediante a apresentação de Golden Room

20h
- David Feldman Trio e Gabriel Grossi
- R$ 60 (com meia entrada)

23h
- Paulinho Trompete e Banda Sambop
- R$ 80 (com meia entrada)

Sábado, 29 de agosto

Salão Nobre
a partir das 17h
- Lounge Copa Fest com Vinil é Arte
Consumação mínima R$ 30
Liberação da consumação mediante a apresentação de Golden Room

18h
- Pagode Jazz Sardinha’s Club
- R$ 60 (com meia entrada)

20h30
- João Donato e Paulo Moura
- R$ 80 (com meia entrada)

23h
- Zé Luis e Banda Magnética
- R$ 80 (com meia entrada)

Domingo, 30 de agosto

Golden Room
18h
- Osmar Milito Trio e Convidados Copa Fest
- R$ 80 (com meia entrada)
Lotação - Golden Room - 274 lugares

CONTATOS

ASSESSORIA DE IMPRENSA

Monica Ramalho
(21) 9163.0840 / 2556.7897
moniramalho@gmail.com
www.monicaramalho.com.br

Patt Simões
(21) 9394.5666 / 2224.2529
pattsimoes@yahoo.com.br

M’BARAKÁ (PRODUTORA)

Isabel Seixas
(21) 2279.4504
i.seixas@mbaraka.com.br
www.mbaraka.com.br

COPA FEST
Local: Copacabana Palace
Endereço: Av. Atlântica 1702, Copacabana
Haverá serviço de Vallet Park e acesso para portadores de
necessidades especiais.
VENDA DE INGRESSOS
http://www.ticketronic.com.br


       

Ilustração:Mundo cão

27.8.09

Nova edição da Revista OAB-MG já está na ágora - e começa debatendo Os desafios da Democracia e dos Direitos Humanos no Brasil


(Saiu agora da gráfica e está com aquele cheiro de tinta nova a atual edição da Revista OAB - Quarta Subseção - MG - Nº8 - Agosto-Setembro de 2009. A ilustração da capa é deste blogueiro que vos fala. Dela destacamos o artigo de Eduardo C. B. Bittar)
Ensaio
Os Desafios da Democracia e
dos Direitos Humanos no Brasil


As fáceis vulgarizações nos impedem de enxergar as coisas como elas são. Especialmente, de enxergar as complexas tramas históricas que estão por detrás de cada passo na civilização. Quando se fala em direitos humanos, no Brasil, sempre se evoca um imaginário segundo o qual estes são ‘direitos de bandidos’, no jargão vulgar. Essa idéia encobre a face de uma das mais importantes conquistas da história da modernidade. As lutas atreladas ao pensamento liberal trouxeram consigo direitos humanos. E o resultado que colhemos? Direitos de liberdade de expressão, de opinião, de religião, de ir e vir, de imprensa, à intimidade e à honra, de propriedade. Direitos ligados à esfera do indivíduo. As lutas ligadas ao pensamento social trouxeram consigo direitos humanos. E o resultado que colhemos? Direitos de liberdade de trabalho, de associação sindical, à educação, à saúde, ao lazer, à segurança, à assistência. Direitos ligados à esfera do grupo e do coletivo. Não são, ambas, formas de expressão de ambições humanas, que expressam valores legítimos, e, socialmente necessários?
Se estas duas facetas da história da modernidade se recobrem de importante caráter construtivo para a lógica de funcionamento da luta por direitos, poderia o cidadão de hoje abrir mão dos ‘direitos de bandido’? Assim, a vulgarização não presta serviço nenhum à opinião pública e deve ser reavaliada em seu uso social. O que são, então, os direitos humanos?
São direitos que consagram e expressam aquilo que melhor caracteriza a condição humana, e, exatamente por isso, os mais fundamentais dos direitos, porque sem estes, não é sequer possível proteger o ser humano. Assim, brancos, negros, pardos, índios, caboclos, jovens, idosos, mulheres, homossexuais, homens, pobres, ricos, policiais, presos, trabalhadores, crentes, agnósticos, todos, indistintamente todos, têm estes direitos, assim como carecem destes direitos para poderem se afirmar como pessoa, seguindo a lógica da dignidade da pessoa humana, inscrita como fundamento da República Federativa do Brasil, no art. 1º., inc. III da Constituição Federal de 1988, que neste ano comemora seus vinte e um anos de história.
Se o tema ainda carrega estigmas, estes se devem à forma autoritária com a qual foi tratado o tema no passado, e se deve, ainda, à reprodução simplista da visão que se tinha sobre a matéria. Atualmente, num contexto de democracia, liberdade de imprensa, cidadania e consolidação do projeto de inserção política relevante do país nas relações internacionais, o Brasil não pode mais se manter alheio aos progressos havidos na matéria e nem aos necessários avanços que ainda são ressentidos na prática neste campo. Defensores de direitos humanos ainda continuam a ser perseguidos, mulheres vítimas de violência continuam a sofrer dificuldades na consagração de sua proteção, pessoas são brutalmente assassinadas pelo crime organizado.
Normalmente, o debate sobre o tema costuma se refugiar na avaliação de que ONG´s de direitos humanos não se importam com os direitos dos agentes da segurança pública. Em verdade, estas entidades da sociedade civil representam a sociedade civil, em suas angústias, em seus temores, em seus direitos, em seus problemas, nitidamente sociais, e, por isso, não representam o Estado. Mas, toda morte é sempre uma tragédia, toda morte merece consideração humana, e, mais do que isto, toda morte, em sua causação social, deve ser interpretada com seriedade no plano da atenção que a ela se deve dar do ponto de vista das políticas públicas.
Por isso, temos de nos reconciliar, se quisermos que o país siga adiante em suas conquistas sociais, políticas, econômicas e culturais, que já não foram poucas, no plano dos últimos vinte anos. É necessário caminhar sempre olhando para a barbárie; ela é a outra face da civilização. Por isso, dinamitar o caminho que se constrói no sentido da afirmação de uma cultura de paz, tolerância, entendimento, democracia e direitos humanos, é impedir que realizemos os ideais contidos em nossa própria bandeira. Por isso, os direitos humanos querem um espaço ao sol, especialmente num país que costuma ser conhecido pela sua identidade hospitaleira e cordial. Costuma-se ver no brasileiro o exemplo da cordialidade. “Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será a cordialidade – daremos ao mundo o ‘homem cordial’ ”, afirma Sergio Buarque de Holanda, em seu Raízes do Brasil.
Verificar se este traço persevera na caracterização do brasileiro carece, antes de tudo, que se saiba o que é cordialidade. A cordialidade, como traço de um caráter hospitaleiro, talvez seja algo notável do povo brasileiro, de fato. Esta é uma forma de cordialidade, bem apreciada geralmente pelos estrangeiros. Mas, existe uma outra forma de se expressar cordialidade no trato com o outro, e esta outra idéia remete à consideração do outro pelo que se constrói de comum na vida compartilhada. Sabendo que o outro depende tanto quanto eu do que é institucional e comum, ser cordial significa contribuir para o fortalecimento das instituições públicas.
Então, se cordialidade for o respeito às instituições que dão substrato para o equilíbrio da vida em comum, da vida social, a resposta à pergunta acima é, certamente, negativa. Isto porque parece vir do mundo da cultura um decreto que tem força de lei em nosso meio social, e ele se exprime da seguinte forma: “Quem for mais esperto, terá mais chances de se dar bem neste país”. Isto tem força carnal entre nós, brasileiros! Isto está na boca das pessoas, como por vezes é até invocado pela mídia. De um ponto de vista mais crítico, pode-se traduzir esta mesma máxima como formação ética e antropológica brasileira, e expressá-la na forma de um imperativo categórico que lhe é subseqüente, qual seja: “Sê esperto, e faz do teu comportamento a base de teu próprio benefício”. Desta forma, a noção de dever, tão cara ao campo da ética, se vê expulsa de nossa realidade. Isto também produz a impossibilidade de qualquer universalismo, uma vez que a singularização dos interesses preside a forma como a lógica do mercado, mas também o modo de entrada no campo da política se dá.
Sem contar que este imperativo cultural brasileiro inverte o imperativo moral que remonta ao pensamento de Kant, como expresso na Crítica da razão prática, que exige o compromisso de cada um com todos (“Age de tal modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre ao mesmo tempo como princípio de uma legislação universal”), elemento este que serve de base para a ética e para a cidadania, ele é o caminho rápido e rasteiro para a dissolução da vida pública e compartilhada. É o famoso jeitinho. “Mas o uso do jeitinho e do sabe com quem você está falando? Acaba por engendrar um fenômeno muito conhecido e generalizado entre nós: a total desconfiança em relação a regras e decretos universalizantes”, como afirma Roberto Damatta, em seu Carnavais, malandros e heróis.
Quando um se arroga na condição de quem se torna o beneficiário (e nunca o devedor) máximo de tudo e, simultaneamente, age de modo a instrumentalizar tudo e todos em nome de seus interesses egoísticos, não há justiça possível. E isto haverá de se refletir em todos os extratos sociais e de muitas formas. Talvez tudo isso faça parte de um imaginário social formado a partir da originária forma de colonização expoliatória adotada na colônia (para onde pouco se leva e de onde tudo se traz), mas já é tempo de, proclamada a independência, revisarmos nossos valores. Isto porque são eles que continuam a influenciar ações sociais de todo gênero, tendentes à dissolução da vida compartilhada: a do corrupto que usa a máquina pública para seu benefício pessoal; a do criminoso, que vê no patrimônio alheio objetivo próprio; a do investidor oportunista, que vê com bons olhos a debilidade das políticas públicas e das instituições, disso tirando proveito para infiltrar seus interesses sobre interesses nacionais; a do funcionário público, que se exime de seu dever, em meio a culturas corporativas intransparentes e ineptas para a responsabilização; a do cidadão, que se afasta do que é público por considerá-lo assunto que não lhe seja afeto; a do corruptor, que se aproxima da máquina pública para colocá-la a seu serviço; a das elites descompromissadas, que se entendem acima de lei, da cidadania e da vida pública. Parece obra coletiva aquilo que se colhe como fruto disso: desordem social, impunidade, corrupção, mandonismo, violência, violação a direitos humanos.
Por isso, o que se constata é que não há nada de cordial no homem brasileiro se for considerado que, no período de 1980 a 2005, tenham ocorrido, em São Paulo, 7.659 casos de execução sumária pela polícia, que se registrem 1.329 casos de estupro, somente em 2003, no Rio Grande do Sul, ou de que, em 2003, se registrem 16,4% das crianças, entre 10 a 14 anos, ligadas ao trabalho infantil no Pará, ou que, no Mato Grosso, as denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes alcancem taxas de 7,25 denúncias por 100 mil habitantes, no período de 2003 a 2005, ou ainda, que, em 2003, 169 conflitos de terra tenham envolvido 92.390 pessoas, resultando em 12 mortes no Estado de Pernambuco, como registram os dados do 3o. Relatório Nacional sobre os Direitos Humanos no Brasil, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP). Se isto for cordialidade, é bom que comecemos a nos esforçar mais para demonstrá-la, em benefício de nós mesmos, mas também para que os relatórios mundiais de direitos humanos atestem cada vez menos que nosso país tem sido muito pouco capaz de consolidar uma cultura efetiva, concreta e eficaz, no plano dos direitos humanos.

NR: Eduardo C. B. Bittar é Advogado; Livre-Docente e Doutor, Professor Associado do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, nos cursos de graduação e pós-graduação. Professor e pesquisador do Mestrado em Direitos Humanos do UniFIEO. Presidente da Associação Nacional de Direitos Humanos (ANDHEP/ NEV-USP). Pesquisador-Sênior do Núcleo de Estudos da Violência da USP. Coordenador do Grupo de Pesquisa “Democracia, Justiça e Direitos Humanos: estudos de Escola de Frankfurt”.

Dica do Gerdal: Homenagem ao sonoplasta Geraldo José, 80 anos, nesta quinta, no Museu de Arte Moderna


Segue, excepcionalmente, entre tantas dicas que envio, sem nenhum fim lucrativo, para ajudar a divulgar a boa MPB, uma dica de média-metragem (52 minutos) que poderá interessar, em particular, àqueles cinéfilos existentes entre os nossos cantores, compositores e instrumentistas. Hoje, 27 de agosto, às 18h30, no Museu de Arte Moderna (MAM), será exibido o documentário "Geraldo José - O Som sem Barreira", dirigido por Severino Dadá ("flyer" acima). Geraldo José, que ontem completou 80 anos de idade, é meu pai e, ainda hoje, mesmo aposentado há muitos anos, é o nome mais atuante da história do cinema brasileiro, como técnico, atrás da câmera, como Wilson Grey, embora falecido, ainda o é diante dela. Som é a palavra-chave que, por décadas, animou o meu velho no sentido de um trabalho digno e benfeito, numa trajetória profissional que, começando, em 1946, na Rádio Tupi (RJ), como contra-regra, e passando pela TV Globo, por vários anos (sonorizando novelas e minisséries, como "Grande Sertão Veredas", com direção de Walter Avancini), pelo teatro (várias peças) e pela música popular (por exemplo, ruídos para a coleção infantil Disquinho, produzida por Braguinha, e para sambas de breque de Miguel Gustavo gravados por Moreira da Silva), teve no cinema, tanto em filmes intelectualizados como em filmes meramente comerciais, de acordo com a orientação político-filosófico-estética dos diretores com os quais trabalhava, a sua colaboração mais efetiva e constante. Vale a pena ver esse documentário não apenas por resumir, em larga medida, uma cinebiografia, a história de um homem comum que se destacou, com aplicação e engenho, na atividade que abraçou, mas também para que os interessados tenham ideia de como se desenvolvia no país, numa fase de produção quantitativamente forte, um ângulo da realização de filmes - a sonoplastia - sem as facilidades hodiernas trazidas pelo avanço da tecnologia.
              Sendo eu um aficionado da MPB e apreciador da boa integração entre ruído e música em atrações de rádio, cinema e tevê, aproveito a ocasião para fazer uma lembrança pessoal, carinhosa e de admiração, de músicos e compositores com os quais meu pai pôde trabalhar e dos quais se tornar amigo - até mesmo de longa data: Waltel Branco, Dori Caymmi, Geraldo Vespar, Guio de Moraes, Roberto Nascimento, Eustáquio Sena, Chico Batera e Dario Lopes (estes ex-produtores musicais da TV Globo, com os quais meu pai, naquela "fábrica de doidos", não raro passou noites em claro sonorizando programas da emissora), Sérgio Ricardo, Pedro Camargo e Ruy Guerra (ambos de presença "anfíbia", na música popular e na direção de filmes), Alceu Valença (ator em "A Noite do Espantalho", de 1974, de Sérgio Ricardo. Aliás, lembro-me, na minha adolescência, desses talentosos Alceu Valença e Geraldo Azevedo, lá em casa, no Bairro de Fátima, antes do sucesso a que merecidamente chegariam, mostrando músicas, como "Talismã", do primeiro elepê que fizeram, em dupla), Remo Usai, Jards Macalé, Zé Rodrix (fazendo trilha para comédia erótica de Carlos Imperial; este, uma figura, visitando-nos numa casa de vila onde morávamos, em Botafogo, com  a sua inseparável cadela, a Fresca), Durval Ferreira (na extinta Somil), Dom Salvador e o parceiro letrista Marco Versiani, Renato Andrade (que, por várias vezes, nessa mesma casa de vila, divertiu-nos com a sua viola e os seus "causos'), Fernando Lona (tão cedo falecido, autor, com Geraldo Vandré, de uma joia de marcha-rancho, "Porta-Estandarte"), os pianistas Édson Frederico (no teatro, numa comédia de Agildo Ribeiro) e Sérgio Sá (fazendo trlha para filme dos Trapalhões), David Tygel (também no cinema) e "tutti quanti". Na menção destes, sintam-se todos, especialmente os não citados por falha momentânea de memória - são muitos -, envolvidos por essa minha carinhosa lembrança. Nesse octogésimo aniversário do Geraldo José, reitero agradecimento especial ao compositor e escritor Nei Lopes pela generosa inclusão - até mesmo com foto - do nome do meu pai na sua "Enciclopédia Brasileira da Diáspora Negra", obra fundamental de referência e de fôlego.     
            Desculpem-me de linhas tão longas para uma dica concernente a alguém da minha família, de quem muito me orgulho por ser como é. Valeu, Luís Alberto, o envio do "flyer", que me surpreendeu. A todos, desejo um bom dia, com o meu obrigado pela atenção dispensada.
 

Ilustração: Torcida


Mais uma ilustração de um conto mínimo de Heloísa Seixas. Foi feita com ecoline e lápis de cor sobre papel Canson. Good times...

26.8.09

Dica do Gerdal : ABL retoma projeto musical, na hora do almoço e com entrada franca, homenageando o centenário de Ataulfo Alves


Amigo de Pancetti - tio da cantora Isaurinha Garcia e renomado pintor de marinas, que o homenageou com duas telas, "Pois É" e "Lagoa Serena", títulos de sambas seus -, o elegante Ataulfo Alves é oportunamente lembrado, hoje, 26 de agosto, às 12h30, pela Academia Brasileira de Letras para um homenagem que retoma, sob os auspícios da Petrobras, a viabilização de projeto musical de relevo nessa instituição. O ano corrente marca o centenário de nascença desse doutor em samba, a cuja cadência, sempre bonita, dava feitio não raro ralentado, muito influenciado pela toada rural da sua região mineira de origem, a Zona da Mata. Isso diferençava Ataulfo, filho de Severino violeiro, sanfoneiro e cantador, de outros vultos do samba na sua época, já no Rio de Janeiro, os quais o faziam de outro jeito, com ritmo mais marcado, talvez por vivência e interação mais prolongadas no Rio de Janeiro, como o campista Wilson Batista.  
        Contando com estátua e memorial em atividade no seu grandioso Miraí (ao menos numa hipotética reconfiguração geográfico-urbana do país à luz da importância dos seus rebentos na arte), Ataulfo é tema de livro biográfico escrito pelo jornalista Sergio Cabral, de lançamento bem próximo. Este é ainda apresentador do show de logo mais, na hora do almoço, na ABL, do qual participa Ataulfo Alves Jr. Entre as músicas do seu pai escolhidas para o roteiro (abaixo), consta "Você Passa, Eu Acho Graça", com coautoria de Carlos Imperial, numa das mais curiosas e insólitas parcerias da nossa discografia. Vale a pena recordar esse sucesso nacional gravado em 1968 por Clara Nunes - e bem relido há pouco na voz de Teresa Cristina -, assim como os demais previstos para o aplauso do respeitável público.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.  
           
ACADEMIA  RETOMA SÉRIE 'MPB NA ABL"
COM   SHOW EM H0MENAGEM AO
CENTENÁRIO DE ATAULFO ALVES
 
Jornalista, escritor e pesquisador  Sérgio Cabral- que vai lançar no final deste mês a  biografia de Ataulfo-   apresentará o espetáculo,  dia 26.8, com entrada franca .
Cantor Ataulfo Alves Jr. (Ataulfinho), filho do mestre,  estará no palco do Teatro R. Magalhães Jr. mostrando os grandes sucessos do autor de “Ai, que saudades da Amélia” e  “Atire a primeira pedra”   
 
  
Mineiro de Miraí, autor de muitos sambas e marchas, obras- primas que ele, como poucos,  tão bem  interpretou ao lado de suas pastoras - Ataulfo Alves teria completado, no  dia 2 de maio último, 100 anos de nascimento e de inúmeros sucessos.  Um vasto repertório  que o coloca na galeria dos grandes artistas brasileiros.  E ,na retomada da série "MPB na ABL", a Academia Brasileira de Letras entendeu que para esta homenagem, ninguém mais apropriado, e comovente, do que o filho do mestre - Ataulfo Alves Jr. 
O jornalista e pesquisador  Sérgio Cabral- autor de “Meninos da Mangueira”, com Rildo Hora,   que concluiu e  lançará no final deste mês a biografia de Ataulfo- fará a apresentação do show, que será encerrado justamente com esse sucesso da dupla Cabral-Hora.
O evento conta com o patrocínio da PETROBRAS.
                
            TRAJETÓRIA
 
Ataulfinho, como é conhecido,  estreou profissionalmente no programa Bossaudade, da TV Rcord, , que tinha como condutora Elizeth Cardoso.  Levado pelo  pai, a partir dali sua carreira tomou fôlego. Logo gravou na Continental um compacto simples com dois sambas "feitos em casa": Ilusão de Carnaval, do irmão Adelino, já falecido,  em parceria com Vargas Junior, e O mais triste dos mortais, de Ataulfo Alves.
            Ataulfinho é todo sentimento ao lembrar do velho Ataulfo, que, além de genial compositor, destacava-se pela elegância no porte e na roupa - " Alinhadíssimo, sempre de terno, acentua, "não dispensava o colete e um lenço branco.  Foi um grande amigo que perdi, um exemplo como homem e como pai". 
 
 Para o show, Ataulfinho estará acompanhado de Patrick ao violão.  Quanto ao repertório, ele assegura, com indisfarçável orgulho,  que a escolha não é das mais fáceis refere:
                                                
-Entre tanta coisa bonita que meu pai compôs, não é tarefa das mais fáceis escolher o repertório, até porque sempre sobrará alguma música.  E para esse show   alguns clássicos foram selecionados, valendo citar Ai, que saudades da Amélia e Atire a primeira pedra, em parceria com Mário Lago, Oh!, seu Oscar e O bonde São Januário, ambas com Wilson Baista, e Meus tempos de criança, só dele.                                                         
  
SÉRIE  “MPB NA ABL”                      
 
                               Em abril de 2008, a Academia Brasileira de Letras dava nova dimensão à palavra, levando-a além do livro.  Passava então, a palavra cantada  a ser também característica da entidade ao incluir  entre suas ofertas culturais a Música Brasileira.  Ao lado do cinema, do teatro e dos seminários vários, a canção brasileira inspirou a série MPB na ABL.
 
                               Desde então, formou-se um público cativo das quartas-feiras que, até dezembro daquele ano, conviveu com artistas dos mais diferentes estilos e gêneros musicais.  Foi determinante para o sucesso de público e de mídia, o patrocínio da PETROBRAS,  que, num limite, viabilizou a presença, no palco do Teatro Raymundo Magalhães Junior, de artistas do porte de João Bosco, Quadro Cervantes, Clara Sandroni, Marcos Sacramento, Moacyr Luz, Nilze Carvalho, Maria Teresa Madeira, NelsonSargento, Cristina Buarque e Os Cariocas.
 
SERVIÇO
Academia Brasileira de Letras
Teatro R. Magalhães Jr.
Av. Presidente Wilson, 203-Castelo- 1º andar
Série MPB na ABL- 2009-
Homenagem ao centenário de Ataulfo Alves
Quarta-feira, 26 de agosto, às 12h30min
Show com Ataulfo Alves Jr. (Ataulfinho)
Apresentação de Sérgio Cabral
(O TRMJ conta com o patrocínio da PETROBRAS)
ENTRADA FRANCA
www.academia.org.br
 
 
 “MPB na ABL”
Homenagem ao centenário de Ataulfo Alves
(Quarta-feira, dia 26.8.2009)
Roteiro do espetáculo
 
1 - Laranja madura / Ataulfo Alves
2 - Mulata assanhada / Ataulfo Alves
3 - Ai, que saudades da Amelia / Ataulfo Alves - Mario Lago
4 - Solitario / Ataulfo Alves
5 - Amor de outono / Ataulfo Alves - Artur Vargas Jr.
6 - Oh!, seu Oscar / Ataulfo Alves - Wilson Batista
7 - O bonde Sao Januario / Ataulfo Alves - Wilson Batista
8 - Meus tempos de crianca / Ataulfo Alves
9 - Leva meu samba / Ataulfo Alves
10 - Atire a primeira pedra / Ataulfo Alves - Mario Lago
11 - Vai, mas vai mesmo / Ataulfo Alves
12 - Pois e / Ataulfo Alves
13 - Na cadencia do samba  Ataulfo Alves
14 - Voce passa, eu acho gra;a / Ataulfo Alves - Carlos Imperial
15 - Os meninos da Mangueira / Rildo Hora - Sergio Cabral

Ilustração: Do fundo do baú - Double Fantasy -John Lennon & Yoko Ono, o último beijo


Este é um trecho da ilustração para página dupla de revista ( a assinatura está na outra página - pena que a reprodução da ilustra não coube no scanner). Ela foi feita numa folha inteira de papel Schoeler Hammer rústico. Usei pastel seco e lápis de cor e detalhes feitos com canetas do tipo pilot coloridas. O desenho foi feito na redação do JB até às 4 horas da madrugada. Um carro do jornal me levou para casa, o motorista teve que me acordar, pois depois de terminar o trabalho, eu estava dormindo em cima de uma mesa. Old times, good times.
Preciso parar com essa nostalgia!

25.8.09

Moda e Globalização hoje em Sampa


(clique na imagem do flyer para ampliar e ler melhor)

Mirela Celeri & Emiliano Castro abrem a semana musical no Tocador de Bolacha


TOCADOR DE BOLACHA - A Semana
 
25/08, terça-feira, 21h, Mirella Celeri & Emiliano Castro
No repertório João Bosco, Edu Lobo, Toninho Horta, Guinga, Caetano e outros.
Mirella Celeri (voz)
Emiliano Castro (violão de 7 cordas)
http://www.myspace.com/mirellaceleri
 
26/08, quarta-feira, excepcionalmente não teremos música ao vivo
 
27/08, quinta-feira, 21h, Duo de Casa
Ítalo e Fábio Peron apresentam repertório variado e arranjos impecáveis.
Ítalo Peron (violão) Fábio Peron (bandolim)
 
2808, sexta-feira, 22h, Roda de Samba, Choro & afins
Antônio Mineiro (6 cordas) Alexandre Moura (7 cordas) Luis Passos (violão e bandolim)
Participação especial: André Parisi (clarinete)
 
29/08, sábado, 22h, Roda de Choro & Samba
Jane do Bandolim (bandolim) Lula Gama (7 cordas) Léo Rodrigues (percussão) e convidados
O Tocador de Bolhacha fica na Rua Patizal, nº 72 - na Vila Madalena em Sampa. O site do bar é www.tocadordebolacha.com.br
Veja e ouça Emiliano Castro nos seguintes endereços:
http://myspace.com/emiliano7cordas
http://myspace.com/candongueirofino

Ilustração - Colagem : Choro

Dica do Gerdal : Ricardo Calafate, Vica Barcellos, Alexandre de la Peña, Afonso Marins e Carlos Agenor: o Balaio Carioca marca presença, nesta terça,


Uma grande noite, bem suingada, promete o Centro Cultural Carioca nesta terça, 25 de agosto, às 21h, com a presença do Balaio Carioca ("flyer"acima), que, além da bem-vinda "crooner" gaúcha Vica Barcellos - que também "bate ponto" na Orquestra Lunar, só de mulheres -, conta com quatro varões da pesada, músicos experientes, de inserção diversificada em rodas de choro e samba, "jam sessions" e gravações de MPB de modo geral. Trajetórias profissionais distintas e caminhos ora cruzados na interseção do mérito formador de um balaio singular tanto na execução do novo quanto na releitura do tradicional.
         Um conjunto de que fazem parte três "luthiers": o contrabaixista Afonso Marins; Carlos Agenor, o Agenor do Pandeiro - também integrante do chorão Sarau (este ainda formado por Bruno Rian, Sérgio Prata e André Bellieny), com "workshops" na França no currículo; e Ricardo Calafate, ex-integrante do conjunto Rio Antigo, um bandolinista, cavaquinhista e guitarrista dotado de técnica apurada em cordas de que não se afastam a inspiração e o sentimento. Também professor de Educação Física e campeão de tênis de mesa pelo seu Fluminense, Alexandre de la Peña é um sete-cordas competente e seguro, também apreciado na composição atual do Galo Preto. 
         Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 
        *** 
A tempo: pelo YouTube, recomendo as imagens de uma gravação feita no estúdio Umuarama (antigo Usina), de propriedade de Ricardo Calafate, querido amigo e vizinho em Laranjeiras. A música é o ótimo "Samba pra Piazzolla", também dele. À sua guitarra, juntam-se o sopro de Marcelo Bernardes, o baixo de Afonso Marins, o violão de Gabriel Improta e a percussão "coisa nossa" de Beto Cazes. Um instrumental de primeira.

Dica do Gerdal : Show de Celso Viáfora nesta terça em Sampa - a cara do Brasil do bem pelo talento e pela música


Se, na inquietação pendular de um país gordo na contradição em "A Cara do Brasil", fosse, ele próprio, resposta a uma das perguntas autoformuladas em sua letra (sobre melodia de Vicente Barreto), Celso Viáfora (foto acima) certamente estaria do lado do Brasil do qual nos orgulhamos. Ou, então, pegando carona em outra de suas letras, seria um candidato natural - pelo conjunto qualitativamente consistente da sua obra, com rijeza e durabilidade de madeira de lei - a um dos futuros altares desse patrimônio sagrado da nossa cultura popular, a MPB. Se demonstra fôlego criativo para braçadas em águas rítmicas de escoamento diverso, basta um tambor bater para que, no samba, o nado seja mais exuberante, logrando o ponto máximo de desenvoltura e expressão: "Ilumina o meu mundo, ilumina/ô menina, ouço o dia cantar: laiaraiá/minha vida era luz de lamparina/você veio e abriu a cortina..." 
      Com firma reconhecida no cartório popular de sucessos da saudosa Emilinha Borba, que o gravou depois dele, "Dia Lindo" é um, entre outros exemplos, desse estar à vontade na praia do samba - ou seja, ainda mais à vontade nesta que nas demais "praias" -, mesmo sendo um compositor que persiga ao máximo o verso-luva a ajustar-se nas notas musicais, como deu a entender, se bem o compreendi, em recente e ótimo "Zoombido", atração semanal com convidados variados, entre músicos, que Paulinho Moska apresenta na TV Brasil. Na companhia de duas "feras", Sizão Machado e Webster Santos, Celso Viáfora canta a sua música no Bar Brahmana capital paulista (Av. São João, 677 - no famoso cruzamento com Av. Ipiranga), nesta terça, 25 de agosto, às 22h30. Com o talento que tem, é animador vê-lo, a cada show e a cada disco - também por força de novas e bem-vindas parcerias, como a com o carioca Ivan Lins -, "emoldurado" por um reconhecimento mais amplo e mais substantivo ao seu notável desempenho como artista da nossa canção popular, "tradutor da complexidade paulistana, que reflete bem a brasileira..., compondo a trilha sonora do país do presente e ajudando o país do presente a ser entendido", como observa o crítico musical Mauro Dias. "Meu peito que há muito tempo encalhou na areia/tá na maré cheia, tá na maré cheia..."
      Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

24.8.09

Caricatura : Getúlio Vargas - 55 do dia em que saiu da vida para entrar para a História

Ilustração do fundo do baú : Educação e Trânsito


Esta é do ano de 1983, antes do fim simbólico do Século XX que rolou depois de 1989 com a derrubada do muro de Berlim. A ilustração foi feita com caneta nanquim de fluxo contínuo sobre o verso do espelho de uma página de diagramação revista.
(clique sobre a imagem para ver melhor o traço)

23.8.09

Dica do Gerdal : Adriana Moreira, Karla da Silva e Ilessi, neste domingo, no Trapiche Gamboa - show em louvor das nossas iabás de negra voz


A exemplo de Fabiana Cozza, também doce e acolhedora como ela no trato pessoal, Adriana Moreira é expressão em tom maior do melhor samba feito hoje em Sampa, identificado, em ambos os casos, por timbres peculiares que as tornam inconfundíveis à audição. Ainda como Fabiana, cujo pai, Oswaldo Santos, por muitos anos, foi destacado puxador de samba da Camisa Verde e Branco, Adriana é paulistana de famíla da comunidade da Barra Funda, igualmente ambientada, desde menina, no recorrente ziriguidum da quadra dessa escola de samba. Desde a sua participação, em 1996, no comecinho da carreira, no CD "O Cúmulo do Samba", de Carlinhos Vergueiro, até hoje - com ênfase, em 2006, no lançamento do CD "O Direito de Sambar", todo ele com músicas do indispensável baiano Oscar da Penha (Batatinha) -, Adriana Moreira vem palmilhando, com brilho, quase sempre com os pés descalços, um caminho sem enganação por palcos brasileiros, sobretudo os paulistas, sob refletores próprios de talento. Aliás, como a bem calçada Fabiana, do mesmo jeito, por tantos palcos, com verdade e honestidade na interpretação e na voz.       
          No show, "Iyabás", que fará, neste domingo, 23 de agosto, às 19h, no Trapiche Gamboa" (flyer" acima e informação abaixo), além de Glória Bomfim, em participação especial - de ótimo CD, "Santo e Orixá", já lançado, no mesmo lugar, há alguns meses -, Adriana contará com a companhia especial de duas gratas revelações do samba carioca da gema: Karla da Silva e Ilessi. "Caprichosa" de Pilares, cuja quadra conhece desde menina nesse bairro onde foi criada, Karla da Silva, cheia de luz como ela só e dona de um dos mais bonitos e cativantes sorrisos do mundo do samba, é também violinista, formada pela Escola de Música Villa-Lobos, e "lady crooner" da Orquestra Popular Brasil de Cara, formada em maioria por estudantes de música da UFRJ. Ela, que provém de uma família musical - neta de avô chorão, sete-cordas, e sobrinha de Irene Kendal, cantora bem rodada na noite carioca -, é formada em Letras e prepara para 2010 o primeiro disco solo, em clima de comunhão rítmica da nossa melhor MPB, religando-se dessa forma, simbolicamente, com o quintal da infância, rico dessa sonoridade. Quanto à Ilessi, que já pude destacar em outras linhas de recomendação, maior do que a importância que já tem, como cantora de samba admirada na nova geração, é a importância que está por vir - em breve -, quando houver o lançamento do seu CD de estreia, "Brigador", só com repertório ainda inédito de Paulo César Pinheiro e Pedro Amorim. "Ô sorte!" Não é pra qualquer uma.
          Um bom domingo a todos. Muito grato pela atenção à dica.

Adriana Moreira, Ilessi e Karla da Silva em:
"IYABÁS - Uma homenagem às cantoras negras brasileiras - Alaíde Costa, D. Ivone Lara, Elizeth Cardoso e Glória Bomfim."
O show “Iyabás” - palavra em Iorubá que significa “rainhas"; termo que também se refere aos Orixás femininos - é uma celebração às grandes cantoras negras brasileiras representadas por quatro grandes divas: Alaíde Costa, D. Ivone Lara, Elizeth Cardoso e Glória Bomfim.
Adriana Moreira, Ilessi e Karla da Silva escolheram como representantes tanto cantoras cujo trabalho seja mais ligado à cultura negra brasileira, como cantoras ligadas a gêneros musicais variados, o que dá diversidade ao repertório do show.
A noite contará com clássicos e canções menos conhecidas do repertório das homenageadas, além da participação especialíssima de Glória Bomfim.
Músicos: Rafael Mallmith: Violão e arranjos; Dom Oliveira: Violão, bandolim, cavaquinho e arranjos; Pedro Aune: Baixo acústico; Monica Ávila: Sax e flauta; Jorge Alexandre: Percussão; Edgar Araújo: Bateria e percussão
 
Mais informações no flyer.
Esperamos por vocês!
 
ADRIANA MOREIRA - www.myspace.com/adrianamorera
 
ILESSI - www.myspace.com/ilessi
 
KARLA DA SILVA - www.myspace.com/karlavozes
 
GLORIA BOMFIM - www.myspace.com/gloriabomfim

 

Ilustração: Natureza morta e congelada - Balde de gelo

22.8.09

Ilustração: MacCarthismo e as bruxas sempre soltas


Esta ilustração foi feita com nanquim, ecoline com efeitos obtidos com o uso de jatos de Crill Over sobre papel Schoeler Hammer poroso.
(Clique na imagem para ampliar)

Aline Calixto lança CD neste sábado em BH


Neste sábado, dia 22 de agosto, a cantora ALINE CALIXTO lança seu primeiro CD no Music Hall em BH.
A cantora vem se destacando no cenário do samba nacional e chamando atenção do público e de importantes profissionais da crítica, pela qual é considerada uma das principais promessas da nova geração. Após uma bem-sucedida trajetória no cenário independente, a artista lança seu álbum de estréia, "Aline Calixto", pela gravadora Warner Music.
Carioca de nascimento, porém criada em Minas Gerais, Aline venceu diversos prêmios, entre eles o concurso "Novos Bambas do Velho Samba" edição 2008, realizado pela tradicional casa Carioca da Gema, e participou do carnaval carioca. Também marcou presença em diversas rodas de samba cantando ao lado de bambas da velha guarda como Monarco, Nelson Sargento, Walter Alfaiate, Wilson Moreira, Martinho da Vila, Luiz Carlos da Vila e de novos talentos como Edu Krieger, Renegado, Rogê e Martnália.
 
Mais informações sobre o trabalho de Aline no:
www.alinecalixto.com.br
www.myspace.com/alinecalixto

Dica do Gerdal: O violão de Meira inspira justa homenagem da Camerata Brasilis, neste sábado, na Sala Baden Powell


Professor de violão dos pupilos magistrais Baden Powell, Raphael Rabello e Maurício Carrilho, o atemporal Jaime Florence, o Meira, pernambucano de Paudalho, completaria 100 anos de idade em primeiro de outubro deste ano. Chegando ao Rio de Janeiro, então capital federal, em 1928, como integrante do conjunto A Voz do Sertão, organizado por Luperce Miranda, tocou, na década seguinte, no famoso regional de Benedito Lacerda, com Horondino Silva, o Dino 7 Cordas, formando ainda com este, por muitos anos, um respeitado e muito procurado duo de acompanhantes, que participaria de um sem-número de gravações. Como compositor, teve alguns sucessos: em 1943, com Dino e o letrista Augusto Mesquita, o samba-canção "Aperto de Mão", gostoso de ouvir, por exemplo, na voz do mineiro Luiz Cláudio e lançado pela personalíssima Isaurinha Garcia; do mesmo trio de autores, em 1947, a valsa "Quando a Saudade Apertar", em parceria com Leonel Azevedo, gravada por Orlando Silva; também em 1947; outro samba-canção, "Prêmio de Consolação", com Augusto Mesquita, ainda na voz de Isaurinha Garcia. Num raro elepê de apanhado de registros da Copacabana, "Molambo e Outras Coisas...com Músicas de Augusto Mesquita e Seus Parceiros", pode-se ouvir "Copo D`água", de 1957, na boa interpretação de Carminha Mascarenhas, além, naturalmente, de "Molambo", "pièce de résistence" de seu estro encordoado, que também recebeu versos de Augusto Mesquita. O maior sucesso da carreira de um paraibano nascido em Serraria, de "vozeirão noturno", Roberto Luna, que, residindo no Rio nos anos 50, pôde lançar esse samba-canção, com arranjo do maestro Luiz Arruda Paes, num dez-polegadas da Odeon, de 1956, intitulado "Uma Voz para Milhões".
    Acima, destacada no "flyer", uma justa homenagem a esse músico admirado por outros violonistas de referência, os igualmente atemporais Garoto e Dilermando Reis, que será feita pela rapaziada competente da Camerata Brasilis neste sábado, 22 de agosto, às 20h, na Sala Baden Powell.
             Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

21.8.09

Vale a pena ver de novo: Homenagem a Raul Seixas - 20 anos sem a mosca que pousou na sopa deles


Muita água rolou em baixo da ponte, 20 sem Raul e muita gente esperando a morte chegar em frente a um televisor. A mosca já morreu afogada na sopa. Grande Raulzito acho que tinha muita coisa a dizer ainda...Viva Raul Seixas!
(NR: esta caricatura foi feita para um programa especial da MTV sobre a relação de desenhistas e o rock - mas acho que o programa acabou não decolando e ficou esse "retrato" do Raul e ainda uma carica da Rita Lee que já publiquei aqui neste blogue)

Tem lançamento de livro de manhã no sábado na Folha Seca

Lançamento na Livraria Folha Seca

A Editora José Olympio e a Livraria Folha Seca

convidam para o lançamento festivo do livro

Desabrigo e outras narrativas

de Antonio Fraga

org. Maria Célia Barbosa Reis da Silva

Neste sábado, 22 de agosto de 2009

a partir das 11h da manhã

(na ocasião será servido um feijão amigo e a partir das 14h

acontecerá nossa já tradicional roda de samba

com os meninos do Samba da Ouvidor)

na livraria Folha Seca

37, rua do Ouvidor, 37

Centro, Rio de Janeiro

(entre a 1º de Março e a trav. do Comércio)

Dica do Gerdal: Manu Santos e João Pinheiro, nesta sexta, no palco da Sala Baden Powell, revivem show marcante de Chico e Bethânia nos anos 70


De um show de grande repercussão que Chico Buarque e Maria Bethânia fizeram no palco do Canecão, em junho de 1975, produzido por Perinho Albuquerque, dirigido por Oswaldo Loureiro e com arranjo de orquestra e regência de Lindolfo Gaya, os queridos amigos Manu Santos e João Pinheiro, risonhas expressões do novo canto popular brasileiro - também, em sentido lato, pelo valor que têm, por estarem bem credenciados ao estrelato -, retiraram um bom motivo para revivê-lo na Sala Baden Powell nesta sexta-feira, às 20h ("flyer" acima). Manu Santos, que, juntamente com Aline Calixto, ganhou, no ano passado, um importante concurso de revelação de talentos - Novos Bambas do Velho Samba -, no Carioca da Gema, na Lapa, nasceu para cantar e encantar plateias com a sua fibra e voz bem projetada, sem excesso nem firula, a serviço de interpretações vigorosas. Por sua vez, saboreando o sucesso do CD em que retempera a levada "cool' da nigeriana Sade com ritmos brasileiros, João Pinheiro, a meu ver uma das maiores revelações de palco surgidas nos últimos anos no Brasil, além de cantor da melhor qualificação, também prepara com cuidado, a exemplo de Manu, um CD - ele, o terceiro, só com duos; ela o de estreia, ambos pelo selo Sala de Som, do músico André Agra. Alvíssaras!  
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica. 
 

Cartum : O papo do Titanic com o Iceberg


Este cartum já foi uma ilustração de uma crônica, mas não me lembro de quem, nem de quando... falha do HD...

20.8.09

Cartum: O que aconteceria na História se...

Dica do Gerdal: Claudio Lins lança CD autoral no Rival - quinta, sexta e sábado - num show, com Ivan Lins, que é uma adição de virtudes


Rapaz de fino trato, possuidor de extrema simpatia, além de, desde cedo, muito bem encaminhado na música e na representação, o cantor, compositor e ator Claudio Lins dá sequência, nos próximos dias 20, 21 e 22 de agosto (quinta, sexta e sábado desta semana, às 19h30), no Rival ("flyer" acima), ao show  "1+1", que apresenta com o consagrado cantor, compositor e pianista Ivan Lins, de diversos sucessos, sobretudo, com Ronaldo Monteiro de Souza, inicialmente - como "Madalena" e "O Amor É o Meu País" -, e, depois, com o ituveravense Vítor Martins - como "Mãos de Afeto" (que tem excelente gravação da cantora Fátima Regina), "Bandeira do Divino" e "Começar de Novo". Artista de obra vocalizada por grandes damas do jazz norte-americano, como Carmen MacRae, Sarah Vaughn e Ella Fitzgerald, de Ivan destaco ainda a recente e bem-vinda parceria com o talentoso Celso Viáfora, de alta qualidade, que exemplifico com um samba de arrepiar: "Emoldurada".
          Se a vida é um show, para Claudio Lins este com o seu pai também será oportunidade para o lançamento do segundo CD na carreira, "Cara", autoral de corpo inteiro, por vezes com um ou outro parceiro no conjunto das faixas. Ex-aluno de piano, harmonia e improvisação no Centro Musical Antonio Adolfo, teve repercussão crítica favorável ao CD anterior, "Um", de 1999, mas a atividade constante, ao longo dos últimos anos, em peças teatrais e musicais, como "A Visita da Velha Senhora"" e "A Ópera do Malandro", só agora lhe possibilita essa nova incursão no disco. "1+1" é um show que reúne, fundamentalmente, virtudes, e o resultado da equação - que poderia ser lição de "Aula de Matemática", de Tom Jobim e Marino Pinto - não tem erro: agrada em cheio.
          Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

19.8.09

Siete Caminos de Emiliano Castro nesta Quarta-Feira


(Recebi por e-mail de meu amigo Emiliano Castro a notícia que ele vai fazer um show sensacional em Sampa. Uma pena que não poderei assistir a esta maravilha. Ai embaixo vai o texto dele que conta o que vai acontecer e mais algumas informações de seu trabalho.)
¡Buenos días!
Esta 4a feira dia 19, às 21:30h apresentarei um show que pouquíssimas vezes foi aberto ao público. Siete Caminos é um concerto flamenco de violão de 7 cordas solo que sempre dediquei a eventos fechados e agora, por saudade, trago para o palco acolhedor e mágico da Casa de Francisca.
Em Siete Caminos toco peças flamencas de diversas épocas, compositores e estilos ilustradas por pequenos avisos estéticos e históricos que ajudam o espectador brasileiro a intuir melhor a beleza e a profundidade do mundo flamenco.
Ao violão brasileiro de 7 cordas toco peças de compositores como Paco de Lucía, Sabicas, Mario Escudero, Vicente Amigo e outros. Apresento também uma composição minha recente inspirada neste universo musical por que tenho tanto respeito.

A Casa de Francisca tem lotação de 45 pessoas e é aconselhável fazer reservas.
Sed todos muy bien venidos y
¡que sea larga la história contada por los siete caminos!

Siete Caminos
Emiliano Castro . violão de 7 cordas
19 de agosto, 4a feira
21:30h
na
Casa de Francisca
r. José Maria Liboa, 190
reservas:
3052 0547
www.casadefrancisca.art.br
R$ 17,00


abaixo um pequeno release do show

SIETE CAMINOS
flamenco en las 7 cuerdas
 
Emiliano Castro
violão de 7 cordas
 
No espetáculo musical Siete Caminos Emiliano Castro apresenta a variedade e a vitalidade do universo musical do violão flamenco de concerto.
Estilos flamencos desde os mais jondos (profundos) e tradicionais até as tendências contemporâneas mais ligadas ao pop e à música de câmara são perfilados por Emiliano que, na condição de experimentado violonista brasileiro depois de mais de quatro anos de estudos musicais e intensa vida profissional na Espanha, empunha seu violão de sete cordas como intérprete, arranjador e compositor aproveitando criteriosamente as novas possibilidades conferidas pela corda mais grave de seu instrumento.
Em sua terra natal o flamenco não conhece o violão de sete cordas mas, extremamente valentes e curiosos, os músicos flamencos sempre se animaram muito ao conhecer as experiências de Emiliano Castro por aqueles sete caminhos.
 
O Flamenco é um universo cultural com música, versos, canto, dança, estética e ética muito próprias. Nasceu de uma longa história de encontros entre povos e culturas de origens muito diferentes. Seus registros históricos são nebulosos e algumas das tradições que lhe deram origem são milenares. É como se seu berço – a região da Andaluzia, sul da Espanha – fosse um eixo entre o Oriente e o Ocidente e como se a época de seu florescimento – meados do século XVIII – fosse um momento de encontro entre a Antiguidade, a Idade Média e a Modernidade.
Existe uma magia que invariavelmente se impõe em toda celebração flamenca e é com conhecimento e respeito a esta tradição que o espetáculo Siete Caminos dá continuidade à sua vocação nômade e leva o flamenco aos teatros brasileiros e o convida a novas possibilidades estéticas, contemporâneas e brasileiras, pelas mãos de seu intérprete.
 
Emiliano Castro é instrumentista, arranjador, compositor e cientista social.
Já se apresentou no Peru, em Cuba, na França, Alemanha e Holanda, além de diversas cidades espanholas e brasileiras.
Em São Paulo, integra as bandas de Ligiana, André Caccia Bava  e Moacir Bedê tocando violões, cavaquinho e viola caipira além de acompanhar esporadicamente diversos solistas e cantores. Já se apresentou ao lado de colegas e mestres como Guinga, Paulo Bellinati, Zizi Possi, Nei Lopes, Fabiana Cozza, Wanderley Monteiro, Virgínia Rosa, Marcos Sacramento, Fernando de la Rua, Paulo Martelli, Milton Mori, Danilo Brito e Ricardo Herz entre outros.
Viveu sua primeira infância (1978-1980) em Moçambique, África.
Entre 2001 e 2005 viveu na Espanha onde estudou violão flamenco sob orientação do maestro Manuel Granados, concluindo o 6º ano do curso de Guitarra Flamenca do Conservatori Superior de Música del Liceu de Barcelona.
Neste período gravou, arranjou e co-produziu três discos de conjuntos seus - Regional Barnabé (WV498007), Damills (21341CD) e Shiva Sound (CDA048). Os discos foram lançados na Europa, Japão e Estados Unidos.
Estudou com H. J. Koellreutter, Claudio Leal Ferreira, Paulo Bellinati, Henrique Pinto, Manuel Granados, Rodrigo Naves e Renato Luiz Consorte entre outros mestres.
Cientista social formado pela USP tem publicações na área de antropologia e ministra periodicamente conferências sobre história e estética da música brasileira em universidades e centros de formação cultural da Catalunha e workshops sobre Flamenco para o público brasileiro.


http://myspace.com/emiliano7cordas
http://myspace.com/candongueirofino

Ilustração : mais uma de um conto mínimo de Helosísa Seixas


Era um prazer ilustrar os contos mínimos de Heloísa Seixas. Esta ilustração foi feita com ecoline e lápis de cor sobre papel Canson branco.
(clique na imagem para ampliar e ver melhor)

Quinta é um dia bom para pensar a imprensa na casa de Rui


(clique na imagem para ampliar e ler melhor)

18.8.09

100 anos sem Euclides da Cunha

Ilustração : texto e sangue


Ilustração feita com nanquim em bico de pena e borrifo de escova de dentes sobre papel Schoeler Hammer poroso.

17.8.09

Mais uma bacalhoada do Filósofo Sandaum: Reforma ortográfica

Dica do Gerdal : "Songbook" de mestre Altamiro Carrilho é lançado em edição bilíngue


Aos interessados, repasso, abaixo, o recado que recebi há dias, acerca do lançamento do "songbook" do Altamiro Carrilho, o nosso flautista número um, ainda atuante e encantando plateias daqui e do exterior. Uma obra especialmente endereçada a instrumentistas e estudantes de música desse que também é autor de preciosidades do nosso repertório popular, como o maxixe "Rio Antigo" e o samba-canção "Meu Sonho É Você" (este em parceria com Átila Nunes, gravado por Orlando Correa, em 1951, e, depois, por Dick Farney).
       Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
"Altamiro Carrilho  tem 12 de suas músicas,  registradas em partituras no songbook ‘Altamiro Carrilho - Clássicos do Choro Brasileiro’, lançado pela Choro Music (em edição em inglês e português no mesmo álbum)
 
Edição bilíngüe traz um CD com músicas gravadas em duas versões diferentes, uma com solistas e a outra só com o acompanhamento, possibilitando participação de profissionais e estudantes de música
 
O compositor, flautista e arranjador Altamiro Carrilho é considerado único. Além do reconhecimento internacional, por sua técnica, virtuosidade, linguagem flautística, repertório , suas composições ou interpretações, por seu brilho inteiramente original é um extraordinário instrumentista. Dono de um estilo inconfundível , é responsável por uma enorme trilha de flautistas mais jovens, e é sem dúvida o marco inicial de uma “escola da flauta brasileira” – sua criatividade é peculiar tanto nos solos como nos contrapontos, sendo ainda um dos mais importantes compositores brasileiros. Criou novas e definitivas versões para o repertório “chorão”, proporcionando notável progresso nesse gênero tão brasileiro. E tem agora algumas de suas músicas reunidas no acervo de partituras do luxuoso songbook bilíngüe Clássicos do Choro Brasileiro – Altamiro Carrilho Vol. 1, lançado pelo selo musical Choro Music (www.choromusic.com). Entre as composições estão “Aeroporto do Galeão”, ‘Beija-flor”, “Caco de vidro”, “Vivaldino”, entre outras.  O trabalho é indicado a profissionais e estudantes de música. O songbook e CD ‘play-along’ podem ser encontrados via Internet no site do selo, que também disponibiliza outros títulos de songbooks , além de CDs e arquivos para download. Alguns  gratuitos.
O CD tem a direção artística do próprio Altamiro, que acompanhou todas as etapas de gravação. É executado pelo regional que sempre o acompanha nos shows pelo mundo afora. Formado por Pedro Bastos (violão de 7 cordas), Mequinho (violão 6 cordas), Eber Freitas (percussão geral) e Maurício Verde (cavaquinho). Participam os solistas – todos flautistas em homenagem ao compositor – Toninho Carrasqueira, Carlos Malta, Daniel Allain, Antonio Rocha, Eduardo Neves, Dirceu Leite, Leonardo Miranda, Marcelo Bernardes, Mário Sève, Dudu, além do próprio Altamiro.
Altamiro Carrilho nasceu na cidade de Santo Antonio de Pádua em 1924. Por influência da família da mãe, aos cinco anos de idade brincava com  uma flauta de bambu, feita por ele. Aos 11 já integrava a Banda Lira Árion, tocando tarol. Tornou-se conhecido internacionalmente na década de 60 , quando se apresentou em diversos países,dentre eles : Portugal, Espanha, Alemanha, Egito , União Soviética, Estados Unidos, França , México entre outros.
 
Choro Music
Fundada em 2007, na Califórnia (Estados Unidos), pelo flautista brasileiro Daniel Dalarossa, o selo musical Choro Music tem como meta fazer o Choro ser divulgado, conhecido e executado no mundo todo. Tem sede também em São Paulo e já lançou songbooks com a obra de Jacob do Bandolim,  Chiquinha Gonzaga, Severino Araújo, Joaquim Callado, Ernesto Nazareth e Zequinha de Abreu.
O choro é o primeiro gênero instrumental da música brasileira. Surgiu em 1870, no Rio de Janeiro, da fusão de estilos e ritmos musicais europeus e africanos. Na evolução dos nossos gêneros musicais, o choro influenciou o samba e a bossa nova, por exemplo.
Daniel Dalarossa fala sobre a atuação da Choro Music no Exterior: “Em menos de dois anos de atividades já tivemos oportunidade de tocar e expor os songbooks no Canadá, Itália, Alemanha e em várias partes dos Estados Unidos  (Kansas, Oklahoma, Califórnia, Chicago e Washington DC) e a receptividade tem sido muito boa. A partir desses contatos, muitos artistas também estão interessados em começar a gravar choros ou incorporar algumas dessas músicas em seus repertórios. Nossa expectativa é que esse processo continue se repetindo e atingindo músicos de várias partes do mundo”.

 

Ilustração: Todo mundo no celular


Este é um detalhe de uma grande ilustração para página inteira de uma matéria que anunciava o futuro em que todo mundo estaria no celular. Hoje isso é o presente, embora eu acredite que nem sempre tem alguém do outro lado da linha.
A técnica empregada na ilustração foi desenho a lápis sobre sulfite, xerox puxando pelo contraste e depois aplicação de cores com ecoline.
(Clique na imagem para ampliar e ver melhor os efeitos)

Lançamento na Livraria Folha Seca


A editora Rocco e a Folha Seca
convidam para o lançamento do livro
História das prisões no Brasil vols. 1 e 2
organização: Clarissa Nunes Maia/Flávio de Sá Neto/Marcos Costa/Marcos Luiz Bretas
Nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2009
das 18h às 21h30 na livraria Folha Seca
37, rua do Ouvidor, 37
(21) 2507.7175
Centro, Rio de Janeiro
(entre a rua 1º de Março e a travessa do Comércio)

16.8.09

Crônica da Maysa : Duas imagens e um enigma


Ela não sabia mais sobre seus próprios sentimentos. Nem arriscava entendê-los. Aperceber-se do sentir sim, ainda era do mesmo jeito, intenso. Mas, o tempo daquele convívio trazia pistas falsas, pulos sem rede e, o frio constante confundido, por quem nunca arriscou a mudança de caminho, o refazer do destino, com o medo trivial.
Não era só isso. Algo muito desconcertante acontecia quando se encontravam. Haveria um outro encontro?
Ele, uma aparição, vinha quando queria e avisava em cima, no dia, nunca antes. A esperada surpresa agia como fator decisivo. Para o sim ou para o não.
Ela miragem. Não se exaltava, ondulava num salto cinco imaginário, manejava bem equilíbrio e elegância. Seus sentimentos, na aparência sob controle; sobretudo o desejo, o tesão que sentia por aquele homem que pouco exercia, em seus braços, a entrega.
Nada combinado.
Os encontros duraram anos. Mudanças imperceptíveis aconteciam entre os amantes. Problemas pessoais, algumas vezes, interferiram. Um código não explicitado, mas acolhido pelo par, refazia , reajustava.
Ela nítida. Vista, sentida e pressentida da cabeça aos pés. Parecia concreta, telúrica, barro, mãe terra.
Ele difuso, escorregadio, homem sombra, lembrava uma pintura de Flexor, ao final da vida. Ali, naquelas telas, vestígios das formas portentosas, diluindo-se com a aproximação do fim. Era o que retirava o tom cinza daquele homem, o impreciso tesão ou o afeto que nutria...
Ela perdia, a olhos vistos, o viço. Não era ressentimento, mais que isso... Cansaço pela espera, as caminhadas longas.
Umas leves, outras árduas, sem nunca saber onde podiam dar.
Viver, refletir, sentir... A ordem ou os movimentos mudam!
Caminhava nela mesma e muitas vezes se sentia perdida. Caminhava nele e nunca sabia onde pisava, um lugar de descanso ou deslumbre!
Amar... Verbo - mesmo- intransitivo.

Santa Teresa, 09 de agosto de 2009.
(Citado no texto: Flexor, Samson - artista plástico romeno.( Soroca 1907, S.Paulo 1971)
NR: Esta crônica de Maysa foi feita a partir de uma ilustração deste blogueiro que vos fala.

Cartum: Do jeito que a coisa vai...

15.8.09

Dica do Gerdal : Chiquito Braga, Maurício Maestro, Kay Lyra, Marcio Ramos e Ana Maria Antoun - show com sabor nativo, hoje, na Tijuca


Referência de fino trato nas cordas brasileiras, praticante de um jeito de tocar conhecido como "violão mineiro" e com admiradores do porte de Toninho Horta e Juarez Moreira, por exemplo, seus conterrâneos, o tarimbado Chiquito Braga, nascido em BH, é uma superatração para este sábado, 15 de agosto, na Tijuca. Com ele no show, dividindo o palco, dois casais igualmente bem entrosados nos sortilégios da canção: Maurício Maestro-Kay Lyra e Marcio Ramos-Ana Maria Antoun.
A cantora Kay Lyra é filha de Carlos Lyra, com quem já se apresentou no "Sr. Brasil", da TV Cultura, comandado por Rolando Boldrin, para lançar o seu CD "Kandagawa" (nome de um rio no Japão), parcialmente autoral e feito com o esmero de quem estudou canto lírico na Alemanha, onde iniciou a carreira. Nos arranjos de base e cordas desse disco, o toque de classe do inicialmente Maurício Mendonça, dos tempos do Momento Quatro - ainda formado por Ricardo Vilas, David Tygel e Zé Rodrix, quando acompanhou Edu Lobo e Marília Medalha na vitória de "Ponteio" (festival da Record, 1967) -, mais adiante o Maurício Maestro, componente do Boca Livre e, como compositor, coautor, com Joyce, de um mimo para quaisquer ouvidos de bom gosto, "Mistérios" ("um rio passou dentro de mim/que não tive jeito de atravessar/preciso um navio pra me levar/preciso aprender os mistérios do rio/pra te navegar..."
Com música sua, "Dúvida", incluída no mais recente CD, "Sem Poupar Coração", de Nana Caymmi, Marcio Ramos, também violonista, é um compositor expressivo que remonta àquela efervescência dos festivais realizados em plena ditadura militar, o primeiro, salvo engano, dos parceiros de Guinga. Dos dois, no VI Festival Internacional da Canção (FIC - Rede Globo)), em 1971, foi cantada "Pela Cidade", com acompanhamento ao violão de outra referência de fino trato com o instrumento, Hélio Delmiro. A intérprete foi Ana Maria Antoun, também escritora e astróloga, que, como letrista sensível que é, tem com Chiquito Braga uma música que, por si só, já vale o ingresso do referido show: "Amanhecer". O anoitecer deste sábado, 19h, como informado no "flyer" acima, será uma boa oportunidade para ouvi-la e encantar-se com essa joia de composição.
Um bom fim de semana a todos. Muito grato pela atenção à dica.
***
Retificação: na dica do show de Teca Calazans, anteontem, no mesmo CMRMC, equivoquei-me ao escrever o "bandolinista" Nenéu Liberalquino. Na verdade, esse grande músico pernambucano é violonista e até mesmo um exemplo de superação por ter uma deficiência física que o impossibilita de tocar o seu instrumento do modo convencional, mas com este colocado horizontalmente, como se fosse um piano ou uma guitarra havaiana.

Woodstock 40 anos - O Poder do Som



(Este texto sensacional foi escrito pelo jornalista, pesquisador e produtor cultural Jorge Sanglard).

A utopia libertária de Woodstock, 40 anos depois, permanece viva. E volta e meia é reativada pela celebração daqueles três dias de paz e muita música que entraram para a história do século XX. O poder do som e a força das imagens do maior festival de todos os tempos transcenderam as terras da fazenda de Max Yasgur, em White Lake, na cidade de Bethel, Condado de Sullivan, Nova York, e ganharam impulso com os lançamentos de discos e de um documentário. A cada reedição comemorativa, os ritmos e as imagens da Feira de Arte e Música de Woodstock ampliam a reflexão sobre a transformação de costumes desencadeada nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1969.
No livro “Back to the garden” – no Brasil, “Woodstock” –, lançado pela editora Agir, o radialista norte-americano Pete Fornatale mergulha nas impressões de mais de uma centena de personagens que estiveram lá, nos bastidores, no palco, na produção, na grama, na lama, e abre um diversificado leque de opiniões sobre o evento que sacudiu a América. E dá voz a alguns analistas do fenômeno Woodstock. Também marcando as quatro décadas do evento, "Woodstock - 3 Days of Peace & Music" é uma nova edição, em 4 DVDs pela Warner, do documentário "Woodstock - Onde Tudo Começou", de Michael Wadleigh, a síntese visual e sonora do maior ícone do movimento hippie. Uma série de CDs ainda joga mais lenha na fogueira, despertando o interesse na música que abriu alas para eternizar Jimi Hendrix, Santana, Joe Cocker, Richie Havens, Joan Baez, Janis Joplin, Sly & The Family Stone, Country Joe And The Fish e muitos mais.
A Rhino Records - Warner lançou a caixa de 6 CDs “Woodstock - 40 Years On: Back to Yasgur’s Farm”, com 77 músicas, sendo que 38 estavam inéditas em disco. As trilhas sonoras “Music From the Original Soundtrack and More: Woodstock” e “Woodstock 2” também foram remasterizadas e relançadas. E a Legacy / Sony Music articulou a coleção de 5 CDs duplos “Woodstock Experience”, reunindo álbuns originais de 1969 de Janis Joplin, Johnny Winter, Santana, Jefferson Airplane e Sly & the Family Stone e as performances completas de cada um no festival. E, nos Estados Unidos, o Bethel Woods Center for the Arts e o Museum at Bethel Woods ocupam parte da fazenda de Max Yasgur, reúnem a memória do festival e trabalham para que a “volta ao jardim” continue viva.
Pete Fornatale assegura que o festival, sem qualquer intenção prévia, se tornou um manifesto, um símbolo das mudanças que borbulharam na primeira metade e transbordaram durante a segunda metade dos anos 60 nos Estados Unidos. No livro, ele levanta a questão sobre tudo o que rolou durante as 65 horas de som no evento que redefiniu a cultura e os valores de toda uma geração e lançou sementes para além de seu tempo: “Woodstock foi, sem dúvida, o marco principal da grande revolução jovem da época, uma onda de transformação musical, política e social”. A empreitada idealizada por Michael Lang, Artie Kornfeld, John Roberts e Joel Rosenman nasceu de um encontro a partir de um anúncio de jornal e transformou a música e o comportamento do século XX.
O músico Graham Nash sintetizou: “A lenda e o mito de Woodstock se tornaram maiores do que a sua realidade. Foi inegavelmente um tremendo evento social. Muita música de qualidade. Muita diversão para muita gente. Acho que, à medida que o tempo passou, a lenda, o mito de Woodstock, se tornou maior do que a realidade”. A antropóloga Margaret Mead viu tudo como um fenômeno sociológico e assegurou na revista Red, na época, que foi uma confirmação de que esta geração tem, e compreende que tem, sua própria identidade. E David Crosby, em seu livro “Stand and Be Counted”, deu uma pista: “não foi um evento político no sentido tradicional do termo, mas foi tão grande que teve um impacto político semelhante”.
Muitas controvérsias marcaram o festival. Talvez a maior delas é quanto ao número de gente que conseguiu reunir, 400 mil, 500 mil. Pouco importa, era um mar de gente. O certo é que às 17h07 da sexta-feira, 15 de agosto de 1969, uma onda humana como nenhuma outra nos anais da história, como descreve Pete Fornatale, ouvia os primeiros sons de Richie Havens, que fora escolhido na hora para abrir o festival num vôo solo ao violão. Quase três horas depois, já exausto, o músico continuava no palco, a pedido da produção, e não sabia mais o que cantar, já cantara tudo, quando veio a inspiração: “Olhei para a platéia e não conseguia ver o fim dela porque, como se vê no filme, é gente até onde se consegue enxergar. Então olhei para cima e disse ‘liberdade não é o que eles fazem a gente pensar que é, nós já a temos. Tudo que devemos fazer é exercê-la, e é isso que estamos fazendo bem aqui’. Então comecei a tocar umas notas procurando alguma coisa e a palavra saiu, ‘freedom’, e aí, claro ‘Motherless child’, que eu não cantava há uns seis, sete anos, surgiu. Depois apareceu uma parte de uma canção que eu costumava cantar quando tinha 15 anos e entrou no meio. Foi assim que juntei tudo”.
Fornatale esclarece que a performance de Richie cristalizou e iluminou a verdadeira razão subjacente para que aquele meio milhão de pessoas se reunisse ao toque de uma única palavra, repetida mil vezes e ecoada pela multidão: “Freedom, freedom, liberdade, liberdade”. A performance de Havens hipnotizou e seduziu a massa e o músico, segundo Fornatale, parece em transe, transformado, transportado: “ele ainda é a maior encarnação viva do ethos de Woodstock”.
Para o escritor e crítico Bob Santelli, Havens salvou o dia do festival. Mas ainda no primeiro dia nasceu uma inesperada estrela solo, Coutry Joe McDonald, uma inclusão tardia no elenco. O Fish estava escalado só para o domingo, Joe chegou cedo para curtir a abertura do festival, na sexta, e dava bobeira na lateral do palco, quando o apresentador e gerente de produção, John Morris, resolveu convocá-lo. E Joe soltou logo uma adaptação de um grito de guerra que usara antes e soletrou a palavra “fuck” no lugar de “fish”. Segundo o coordenador artístico, Bill Belmont, quando soou “Me dá um F!”, todo mundo sabia o que ia acontecer. O que veio depois está no filme, a multidão inteira gritando “fuck”, uma palavra proibida na América até então. “E, claro, não é só a palavra, mas o significado por trás dela”, esclarece Santelli: “todas as regras e leis tinham ficado do lado de fora dos portões”.
Na opinião de Santelli, “quando se pensa em Woodstock e nas canções da Guerra do Vietnã, se pensa na apresentação de Joe. Foi lendária e importante. Ele se impôs. Foi uma das poucas vezes em que a política foi realmente convidada ao palco e realmente aceita. De modo geral, Woodstock não foi sobre política. Não foi sobre o que estava acontecendo no mundo, as coisas ruins. Foi sobre a criação de um novo mundo, uma nova identidade, uma nova nação, a Nação Woodstock. Não foi sobre tentar resolver a Guerra do Vietnã ou sobre se manifestar e mandar uma tremenda mensagem ao mundo careta e ao governo americano de que queríamos que a guerra parasse. Ainda assim, Joe, da única maneira que ele podia fazer, conseguiu adicionar um elemento político que foi aceito”.
A pobreza, a injustiça, o racismo e o belicismo estavam à solta na “terra da liberdade” e no “lar dos bravos”, assegura Fornatale; afinal, nenhum tema revelou mais o crescente abismo nos Estados Unidos do que o Vietnã: “ao mesmo tempo em que esta geração estava abraçando sexo, drogas e rock’n’roll, aprendia a suportar o choque e o trauma dos assassinatos, os distúrbios e a brutalidade policial. Eram essas as nuvens que pairavam sobre Woodstock, e nada tinham a ver com o tempo”.
A crítica de rock, Ellen Sander, aponta uma pista: “o ano anterior tinha sido muito tumultuado, com muita violência no país e muitos distúrbios. Havia um grande descontentamento no ar, e ele acabou achando um lar em Woodstock. Acho que os assassinatos de Martin Luther King e Robert Kennedy e os distúrbios na Convenção Nacional Democrata criaram o clima e as condições para algo assim. Nós, boomers, crescemos em circunstâncias únicas e fomos atingidos por um monte de coisas que não atingiram as gerações anteriores. A Guerra do Vietnã, todos achávamos ser um conflito injusto e não declarado. Houve muitos protestos contra a guerra. Não creio que alguém jamais saberá a resposta do mistério de Woodstock não ter degringolado em caos e violência – porque todos os elementos estavam a postos – mas, em vez disso, foi muito pacífico. Na época, a gente sentiu que era uma espécie de destino, que seria um caminho para o futuro – de cooperação pacífica, espírito de comunidade, tribalismo, essas coisas. Não saiu bem do jeito que a gente esperava (risos), mas pelo menos existiu naquele fim de semana”.
O diretor Michael Wadleigh aponta Sly Stone como o músico que conquistou a maior reação da platéia no festival. “Quando Sly disse, ‘I wanna take you higher’ (Quero te levar mais alto), a multidão ficou frenética, quando falou, ‘Dance to the music’ (Dance para a música), não havia como deixar de dançar. A música era mais do que poderosa. Sly & the Family Stone capturaram a essência do festival”. E Fornatale conseguiu de Roger Daltrey, do The Who, uma emocionada lembrança: “O sol nascendo em ‘See me, Feel Me’ é a melhor. Quer dizer, foi uma experiência incrível. Assim que as palavras ‘see me’ saíram da minha boca no final de ‘Tommy’, aquele enorme e vermelho sol de agosto começou a surgir no horizonte sobre a multidão. É um show de luz imbatível”. Daltrey ainda esclareceu: “o sucesso e a importância de Woodstock é que foi um triunfo humanista. A platéia foi a estrela”. E Pete Townshend também arrematou: “O que aconteceu depois do show de Woodstock foi milagroso. Todo mundo foi em frente e a América é um país melhor por conta disso”.
Por sua vez, o músico e editor Stan Schnier argumentou: “nada naquele filme se aproxima da energia de Carlos Santana. Foi uma espécie de experiência fora do corpo ver esses caras. Eles eram muito jovens e incendiários. É uma dessas convergências maravilhosas, existia alguma coisa sobre Carlos Santana na época que parecia de outro planeta”. Joe Cocker também ganhou notoriedade depois “do rolo compressor da pièce de résistance que fechava sua performance, uma recriação única de ‘With a Little Help from My Friends’, a canção de John Lennon e Paul McCartney”. Para Michael Wadleigh, “Cocker faz tudo, está dentro daquilo. Ele é um bom exemplo de porque a música dos anos 60 e a década de 60 duraram e presumivelmente vão durar para sempre. São performances e músicas verdadeiramente emotivas, comoventes e fundamentais”.
O encerramento do festival, já na manhã da segunda-feira, 18 de agosto, foi apoteótico, apesar do público reduzido que ficou para ouvir Jimi Hendrix e o grupo experimental Electric Sky Church. Depois de tocar por cerca de duas horas, Hendrix deu o golpe final e tocou a Guerra do Vietnã nas cordas da sua guitarra branca, com direito a toque de recolher, estouro de bombas, metralhadoras disparando e o barulho de helicópteros no céu. Sua interpretação visceral do hino norte-americano “Star-Spangled Banner” simbolizou toda a essência de Woodstock. A Nação Woodstock, enfim, dava seu grito libertador. Daí em diante, é história.
No Brasil, pai e filho avaliam o fenômeno. O psicanalista Jacob Pinheiro Goldberg e o analista da arte anarquista Leonardo Goldberg refletem sobre o festival. Para Jacob, “no imaginário e no simbólico, Woodstock foi a resposta do inconsciente coletivo da humanidade à repressão que culminou com o nazi-fascismo e as ondas conservadoras em todo o mundo (inclusive da esquerda stalinista). Foi o dia em que o superego dançou. A liberação do Id abriu os territórios do prazer, rompendo com os tabus e inaugurando a liberdade enquanto esperança. Embora, posteriormente, cooptado e desfigurado – pelo capitalismo e pela droga – historicamente, o indivíduo num instante épico e dramatizado levou a imaginação ao teatro existencial”. E, segundo Leonardo, "sob um viés piagetiano, se a espécie humana pudesse ser concebida como um único indivíduo, o festival de Woodstock seria sua fase rebelde, a adolescência, o divisor de águas que marcaria a concepção de liberdade num caráter macro”.