31.10.09

Dica do Gerdal: Karla da Silva, neste sábado, no Rio Scenarium - samba e simpatia na cadência bonita dos bambas


Dona de um dos sorrisos mais bonitos e iluminados entre os novatos da MPB - do tipo "não resta a menor dúvida", no dizer saudoso de Aracy de Almeida, vendo-se o "flyer" acima -, Karla da Silva faz do palco do Rio Scenarium neste sábado, às 20h, um espaço de celebração do samba, sobretudo o advindo da lira dos maiorais, para fechar a tampa de outubro, no Rio, com muita descontração e alegria. Se o sorriso dela ajuda muito na conquista da atenção do público, a voz e a interpretação são decisivas na constatação de que se trata de mais um valor bem-vindo e bem agregado ao valor individual e conjunto de outras vozes e interpretações - Manu Santos, Aline Calixto, Simone Lial, Elisa Addor, Luíza Dionízio e Ilessi, por exemplo, entre as reveladas aqui - numa geração capaz e bem credenciada para a defesa da nossa boa música popular, apesar dos midiáticos pesares. A carioca Karla, formada em Letras (Português-Literatura) e também violinista, foi criada em Pilares numa casa de quintal acolhedor do melhor do nosso cancioneiro, vibrado habitualmente no sete-cordas do avô "chorão" em reuniões das quais participava uma tia dela, Irene Kendal, ensaiando de dia o repertório escolhido para apresentar à noite carioca nas diversas casas onde atuou como "crooner". Com tal "background" e expressiva aptidão para cantar coisas nossas, Karla da Silva é tudo de bom para curtir neste princípio de feriadão: pelo sorriso, pela simpatia, pelo borogodó, pelo mérito.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 
A tempo: entre os músicos do show, a pianista Maíra Freitas, de formação erudita e filha de Martinho da Vila.                

Mais um brinde: Um Cartum de João Zero

30.10.09

Aviso aos navegantes


Amigos navegantes, voltei, mas tô cansado. Depois conto mais, ou melhor, explico a parada. Ah, queria apenas manifestar meu agradecimento ao desempenho de Obina no último jogo do Palmeiras no qual ele só faltou fazer chover. Grande Obina! Passe de calcanhar e tudo.

19.10.09

Maquinas de Luz : mudaram os nomes

MÁQUINAS DE LUZ | 1º Fórum das Imagens Técnicas

De 26 a 29 de outubro de 2009

Cine Glória

Entrada franca

Comemoração de 10 anos do Ateliê da Imagem

O Rio de Janeiro vai sediar de 26 a 29 de outubro MÁQUINAS DE LUZ | 1º Fórum das Imagens Técnicas, um projeto que marca os 10 anos do Ateliê da Imagem e, que será realizado no Cine Glória com atividades múltiplas: debates, mostras audiovisuais e uma oficina de sensibilização e criatividade fotográfica. Entrada franca em toda a programação.



O público terá a oportunidade de conhecer e trocar experiências com os mais importantes profissionais (fotógrafos, cineastas, artistas e pensadores da imagem contemporânea nacionais e internacionais), promovendo uma expansão de horizontes e um mergulho no mundo das imagens tecnológicas.



MÁQUINAS DE LUZ | 1º Fórum das imagens técnicas começou a ser gestado em 1999, quando o cenário híbrido ainda era uma novidade para os fotógrafos. Sua realização marca uma década de trabalho contínuo do Ateliê da Imagem tanto na promoção e ensino da fotografia quanto na reflexão que vai além do discurso em torno do meio fotográfico, incorporando o diálogo com as outras imagens técnicas e as demais artes visuais e cênicas.



O projeto propõe discutir a cena atual e trará como convidados, Mauricio Dias, Eduardo Brandão, Cao Guimarães, Maria Iovino (Colômbia), Ivana Bentes, Muti Randolph, Maria Helena Franco Ferraz, Walter Carvalho, Daniela Labra, Claudia Buzzetti (Itália), Sergio Cohn, Frederico Coelho, Cezar Migliorin, Paola Barreto, Claudia Linhares Sanz, Pio Figueiroa e Marcos Bonisson.



A idealização e coordenação geral do projeto é de Patricia Gouvêa, a coordenação dos debates é de Claudia Tavares e Patricia Gouvêa e a produção é de Andrea Cals e Maria Continentino.



PROGRAMAÇÃO



DIA 26 – Tema: “Imagens ou Clichês?”

As imagens estão por toda parte, no espaço virtual e no real. Quando tudo já foi feito em termos de imagens, como escapar do desgaste de linguagem que caracteriza o clichê e enfraquece o pensamento? O clichê faz da imagem uma superfície sem sentido, oca; produz a impotência do pensamento. É possível vitalizar as imagens contemporâneas?



Às 16h,

Mostra Audiovisual: exibição de “Janela da Alma”

Direção: Walter Carvalho e João Jardim (Documentário, 73 min., 2002)

Dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, falam como se vêem, como vêem os outros e como percebem o mundo, fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão: o funcionamento fisiológico do olho, o uso de óculos e o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens.



Às 19h,

Debate: “Imagens ou Clichês?”

Participação de Claudia Buzzetti, Maria Cristina Franco Ferraz e Pio Figueiroa / Cia. de Foto.

Mediação de Cláudia Linhares Sanz.



DIA 27 – Tema: “Autoria em Questão”

Na era da cultura digital, em que a Internet assume um papel inquestionável e transgressor, e tudo se copia, sendo a originalidade um conceito discutível, e as redes e interfaces colaborativas potencializam as trocas e a criação coletiva, como fica a questão da autoria? Desde então há um questionamento para saber quais são os novos parâmetros, inclusive os legais, para avaliar o que é plágio e o que é autoral.



Às 16h

Mostra Audiovisual: “O Curta-Metragem, Exercício do Autor”

Curadoria e apresentação: Andrea Cals



O cinema autoral brasileiro é mais reconhecido internacionalmente do que o nosso cinema comercial. Desde “Limite”, de Mário Peixoto, a famosa criatividade brasileira está fortemente representada no cinema. O curta-metragem é utilizado como o principal meio de exercício da linguagem cinematográfica como forma livre de expressão.



Às 19h

Debate: “Autoria em Questão”

Participações de Ivana Bentes, Sergio Cohn e Walter Carvalho.

Mediação de Frederico Coelho.



DIA 28 – Tema: “Rumos de Linguagens e Interação de Suportes”

O advento da tecnologia digital possibilitou o rompimento de limites de linguagem antes impostos pelo mundo ótico, libertando a criatividade. Pensar em arte, hoje, significa passear livremente por um terreno híbrido de possibilidades, criar novas e bem-sucedidas parcerias e extrapolar os limites até então estabelecidos na arte moderna.



Às 16h

Mostra Audiovisual: “Filmes Dispositivos”

Curadoria e apresentação de Cezar Migliorin.

O dispositivo pressupõe duas linhas complementares: uma de extremo controle, regras e limites e a outra de absoluta abertura, dependente da ação dos atores e de suas interconexões. Como lidar com as forças do acaso? Serão apresentados obras fundadoras da experiência com a estrutura da forma, como “Serene Velocity” (1970), de Ernie Gehr e “Walking in a Exaggerated Manner” (1967-68), de Bruce Nauman até o contemporâneo “Rua de Mão Dupla”, de Cao Guimarães.



Às 19h

Debate: “Rumos de Linguagens e Interação de Suportes”

Participação de Muti Randolph, Paola Barreto e Cao Guimarães.

Mediação de Cezar Migliorin.



DIA 29 – Tema: “Pesquisas Curatoriais e Artísticas com Imagens Técnicas”

O que é ser artista e o que é ser curador? Qual o papel de cada um no sistema da arte? Quando o artista pode atuar também como curador? Como é a pesquisa de um curador para selecionar os artistas? Este debate fecha o projeto MÁQUINAS DE LUZ e busca o diálogo corajoso para essa reflexão necessária que envolve todos os que trabalham com imagem na contemporaneidade.



Às 16h

Mostra Audiovisual: “A Vídeo-arte”

Curadoria e apresentação de Marcos Bonisson.

A mostra tem como objetivo apresentar uma breve introdução a trabalhos significantes no campo da vídeo-arte.



Às 19h

Debate: “Pesquisas Curatoriais e Artísticas com Imagens Técnicas”

Participação de Eduardo Brandão, Mauricio Dias, Daniela Labra e Maria Iovino.

Mediação de Marcos Bonisson.



FICHA TÉCNICA



Patrocínio: BNDES

Apoio: Cine Glória e Hotéis Othon

Idealização e Coordenação Geral: Patricia Gouvêa | Ateliê da Imagem

Realização: Ateliê da Imagem

Coordenação de palestras: Patricia Gouvêa e Claudia Tavares

Produção: Andrea Cals

Assistente de Produção: Maria Continentino

Design: Elisa v. Randow



PARTICIPANTES



ANDREA CALS

Há sete anos é a coordenadora da Mostra Première Brasil do Festival do Rio, mostra de filmes nacionais do principal festival de cinema da América Latina, sendo responsável pela seleção, atendimento, produção e apresentação da maior mostra de filmes do FestRio. Desde 2005 é produtora e integrante do comitê de seleção do Festival de Cinema Brasileiro em Israel.



CAO GUIMARÃES

Premiado cineasta e conceituado artista plástico, desde o fim dos anos 80 exibe seus trabalhos em diferentes museus e galerias nacionais e internacionais. Participou de bienais em SP e no México, tem obras adquiridas por importantes coleções como Tate Modern, Guggenheim Museum, MoMa-NY, entre outros.



CEZAR MIGLIORIN

Pesquisador e ensaísta. Professor adjunto do Departamento de Cinema e Vídeo da UFF. Membro do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFF. Doutor pela ECO-UFRJ / Sorbonne Nouvelle, Paris III.



CLAUDIA BUZZETTI

Formada em História do Jornalismo pela Università degli Studi di Bologna, trabalhou como editora assistente de imagens no Specchio de La Stampa, participou do Work Scholar Program na Aperture em Nova Iorque e colaborou na realização do festival Foto&Photo em Milão e de várias exposições itinerantes. Atua como pesquisadora e curadora e escreve sobre fotografia para diversas publicações.



CLÁUDIA LINHARES SANZ

Fotógrafa e pesquisadora na área da Imagem, com ênfase em fotografia, subjetividade e temporalidade. Doutoranda em Comunicação na UFF, com estágio no Instituto Max Plank de História da Ciência, em Berlim. Mestre em Comunicação pela UFF e pós-graduada em Fotografia pela UCAM.



CLAUDIA TAVARES

Claudia Tavares é mestre em Artes pela Goldsmiths College e em Linguagens Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Artista, curadora, fotógrafa e professora. Dirige o Espaço Figura.



DANIELA LABRA

É curadora independente graduada em Teoria do Teatro na UNIRIO, especializada em Comunicação e Arte pela Universidad Complutense de Madrid e mestre em Artes pela Unicamp. Foi curadora-residente na FRAME (Helsinki, Finlândia) em 2005 e no IASPIS - International Artists Studio Program in Sweden (Estocolmo) em 2007.



EDUARDO BRANDÃO

Cursou fotografia no Brooks Institute of Photography, na Califórnia (EUA). Trabalhou como editor de fotografia e arte das revistas da Folha de São Paulo de 1991 a 2004 e professor de fotografia no curso de Artes Plásticas da FAAP de 1995 a 2007. Atua como curador independente e é sócio-proprietário da Galeria Vermelho, em São Paulo desde 2002.



FREDERICO COELHO

É ensaísta e pesquisador. Doutor em Literatura Brasileira pela PUC-RJ com a Tese Livro ou Livro-me - os escritos babilônicos de Hélio Oiticica, é curador-assistente do MAM-RJ e um dos editores do tabloide Atual – o último jornal da Terra.



IVANA BENTES

Professora e pesquisadora da linha de Tecnologias da Comunicação e Estéticas do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ, pesquisadora do CNPQ, coordenadora do projeto Midiarte e coordenadora do Pontão de Cultura Digital da ECO-UFRJ. É doutora em Comunicação pela UFRJ, ensaísta do campo da Comunicação, Cultura e Novas Mídias. É diretora da ECO-UFRJ.



MARCO ANTONIO PORTELA

Formado em História e mestrando em Ciência da Arte na UFF. Artista visual, fotógrafo e laboratorista p&b. Curador independente e coordenador da Galeria Meninos de Luz, no Pavão-Pavãozinho (Rio de Janeiro), é membro dos coletivos Grupo DOC e Buraco. Professor de fotografia básica, pinhole e lab p&b no Ateliê da Imagem.



MARCOS BONISSON

Artista, trabalha com fotografia, super 8 e vídeo desde 1978. Estudou gravura, desenho e fotografia na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (1977-1981). Participou da 27a. Bienal Internacional de São Paulo (2007) e tem seu trabalho representado pela Galeria Artur Fidalgo, no Rio de Janeiro.



MARIA CRISTINA FRANCO FERRAZ

Doutora e mestre em Filosofia pela Université de Paris I e mestre em Letras pela PUC-RJ. Pós-doutorados no Instituto Max-Planck de História da Ciência e no Centro de Pesquisa em Literatura e Cultura de Berlim. Professora titular da UFF, coordena, junto à mesma universidade, o programa de Doutorado Internacional Erasmus Mundus, Cultural Studies in Literary Interzones.



MARIA IOVINO

Curadora e pesquisadora colombiana, atualmente desenvolve projetos independentes com instituições em diversos países da América Latina, Europa e Estados Unidos. De suas publicações recentes destacam-se Contratextos, Antes de que el mundo fuera, Fernell Franco, Otro Documento e Volverse aire.



MAURICIO DIAS

Trabalha em dupla com Walter Riedweg desde 1993 em projetos de arte contemporânea que caracterizam-se pela inserção do público na elaboração de cada obra, notadamente através da videoinstalação e da fotografia. Participaram em importantes exposições como a última Documenta de Kassel (2007), a Bienal de Veneza (1999) e as Bienais de São Paulo de 1998, 2000 e 2002. Suas obras fazem parte de diversos acervos e museus no Brasil e no exterior. Dias & Riedweg integram a Galeria Vermelho, em SP.



MUTI RANDOLPH

Pioneiro no Brasil na utilização de computadores como ferramenta (e suporte) para artes visuais, trabalha desde 1989 com produção de imagens para publicidade, projetos comerciais de design, ilustração, cenografia e mais recentemente arquitetura de ambientes e design 3D. Tem grande interesse em musica e tecnologia e explora em seus trabalhos a relação entre música, luz e espaço. (www.muti.cx)



PAOLA BARRETO

Cineasta, pesquisadora e professora. Premiada no Brasil, Alemanha e Argentina, exibiu seus filmes no ICA de Londres, na Cinemateca alemã de Berlim, e em Festivais no Japão, Canadá e Cuba. Mestre em Comunicação pela UFRJ, vive e trabalha no Rio de Janeiro.



PATRICIA GOUVÊA

Graduada pela ECO-UFRJ, por onde também é Mestre em Tecnologias da Comunicação e Estéticas da Imagem, com pesquisa sobre o tempo e a imagem contemporânea. É fotógrafa e artista visual, diretora artística do Ateliê da Imagem desde sua fundação e integrante do coletivo Grupo DOC. (www.patriciagouvea.com)



PIO FIGUEIROA / CIA DE FOTO

A CIA surgiu em 2003 com a proposta de criar um ambiente de produção fotográfica dinâmico, criativo e sustentável, onde o maior objetivo é garantir uma produção documental coletiva e ensaios para fins comerciais e de entretenimento. Possui um acervo de 150 mil imagens.



SERGIO COHN

Editou, entre 1994 e 2008, a revista literária Azougue e criou, em 2001, a Azougue Editorial. Atualmente coedita, também, o tabloide Atual – o último jornal da Terra. É autor de três livros de poesia: Lábio dos afogados (Nankin, 1999); Horizonte de eventos (Azougue, 2002) e O sonhador insone (Azougue, 2006). Organizou com Rodrigo Savazoni o livro Cultura Digital.br, recém-lançado pela Azougue.



WALTER CARVALHO

Fotógrafo e um dos mais premiados e reconhecidos diretores de fotografia do Brasil, tornou-se também um conceituado diretor de cinema. São de sua autoria: Janela da alma, em parceria com João Jardim, Cazuza – O tempo não pára, em parceria com Sandra Werneck, o documentário Moacir arte bruta. Recentemente dirigiu Budapeste, baseado no livro homônimo de Chico Buarque.



FICHA TÉCNICA



Patrocínio: BNDES

Apoio: Cine Glória e Hotéis Othon

Idealização e Coordenação Geral: Patricia Gouvêa | Ateliê da Imagem

Realização: Ateliê da Imagem

Coordenação de palestras: Patricia Gouvêa e Claudia Tavares

Produção: Andrea Cals

Assistente de Produção: Maria Continentino

Design: Elisa v. Randow



SERVIÇO



MÁQUINAS DE LUZ | 1º Fórum das imagens técnicas

Mostra audiovisual e debates

Cine Glória,

Memorial Getúlio Vargas, Praça Luís de Camões, subsolo

De 26 a 29 de outubro de 2009, às 16h e 19h.

Lugares: 116

Metrô: Glória e Catete

Mais informações pelos telefones: 2541-6930 | 22445-660

www.ateliedaimagem.com.br/maquinasdeluz

Entrada franca em todos os evento

17.10.09

Dica do Gerdal: A música de Sidney Mattos, em retrospecto de 40 anos de carreira, é oportuna atração, neste sábado, na Tijuca


Embora completando 40 anos de carreira, motivação que orienta o show apresentado hoje, 17 de outubro, às 19h, no Centro Municipal de Referência da Música Carioca ("flyer" acima), na Tijuca, Sidney Mattos, que, sem ser propriamente do samba, é natural aqui do Rio de Janeiro, concentra a sua discografia, quase toda, nos últimos onze anos, lançando, pelo menos, um CD por ano de 1999 para cá. Juntamente com Gonzaguinha, Ivan Lins, César Costa Filho, Cláudio Cartier, Aldir Blanc e Tavynho Bonfá, entre outros, foi integrante do MAU (Movimento Artístico Universitário) no início da carreira e, desde então, entre os diversos trabalhos em palco de que participaria, destacam-se, por exemplo, "O Velho e o Moço", ao lado do saudoso violonista baiano Codó, em 1976, no Teatro Gláucio Gil; a direção musical de "Zumbi", encenada por Gianfrancesco Guarnieri, e, em Paris, no mesmo ano, de show da dupla Les Étoiles, no Olympia; além de turnê, no ano seguinte, com a jazzística maranhense Tânia Maria pela Suíça. Na antiga TV Educativa do Rio de Janeiro, musicou programas como "República dos Bichos" e "Canta Conto", este uma atração para a audiência mirim apresentada por Bia Bedran. Xico Chaves, Ana Terra, Tibério Gaspar, Euclides Amaral, Cacaso, Luiz Alfredo Milleco, Maurício Duboc e dois outros do MAU - os letristas "do bem" Ivan Wrigg  e Marco Aurélio (com quem fez sua primeira composição gravada, "Antiga Voz, em 1971, pelo Quarteto Forma) - figuram entre os parceiros desse nome consistente e gabaritado da MPB, ex-integrante do conjunto de baile Som Maior, e que também é musicoterapeuta, com formação inicialmente feita no Conservatório Brasileiro de Música e, por muitos anos, diretor do NEAE (Núcleo Experimental de Arte-Educação). Sidney Mattos é uma grande recomendação instrumental para este sábado de manhã meio barro meio tijolo, com céu parcialmente encoberto.
           Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 NR: Ainda deu tempo de botar no ar a dica do Gerdal antes de entrar no recesso "pra não lamentar".

Aviso Aos Navegantes


Caríssimos amigos, talvez este blogue entre em recesso amanhã por motivos técnicos, afetivos e familiares. Enquanto isso pensarei muito seriamente na morte da bezerra. Se tudo der certo, volto logo com novidades.
Hasta siempre

Mais um brinde: Um cartum de João Zero

16.10.09

Dica do Gerdal: Chamon e Marvio Ciribelli, neste sábado, em show na Serra da Tiririca - favas contadas de boa música em toque e verso


Egresso do Garganta Profunda, orquestra de vozes na qual se salientou como um dos principais solistas, Elias Chamon Filho, ou simplesmente Chamon, capixaba de Castelo, apresenta-se neste sábado, 17 de outubro, às 21h30, no restaurante Cantarel (Av. Serra Mar, 20 - Itaipuaçu - Serra da Tiririca - Niterói - tel.: 2638-4359), muito bem acompanhado pelo piano "che va lontano", sobretudo na qualidade da execução, de Marvio Ciribelli. Chamon é um artista multifuncional - canta, compõe, representa, dubla desenhos animados...-, e da voz do rapaz o saudoso Mario Lago (com quem ele trabalhou por muitos anos em musical de sucesso pelo país) dizia ser a voz que os anjos imitam quando querem cantar. Além de clássicos da MPB, como o samba "Beija-me", de Roberto Martins e Mário Rossi, Chamon vai cantar, entre as atuais, um primor de composição de Mário Sève com letra de Geraldinho Carneiro, "Passado Descomposto". Uma canção que, por si só, com participação especial do próprio Chamon, já vale a aquisição do CD "Minha Estação", de Thaís  Motta, todo ele, "en passant", de muito bom gosto. Ainda não conheço o lugar do show, mas dizem que é encantador. Com boa música, um grande cantor e um grande pianista, então,...hum! Noite agradável em favas já contadas.
       Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

Do fundo do baú- Ilustração "Casario"

15.10.09

Moda Jeans, um livro de Lu Catoira vai ser lançado no dia 22 - quinta-feira no Rio


A jornalista Lu Catoira lança seu livro Moda Jeans no dia 22 de outubro, quinta-feira, às 19horas e trinta minutos na Livaria da Travessa - Rua Visconde do Pirajá, 572 - Ipanema. Todos lá!

Do fundo do baú : Mais uma ilustração de um Conto Mínimo de Heloisa Seixas

Dica do Gerdal: Elisa Addor canta nesta quinta-feira no CCC - um passarinho livre em voo para o primeiro disco


Estivesse se apresentando em Paris no bar Favela Chic, voltado para a música popular brasileira, por Elisa Addor um "j`adore Elisá" certamente sairia, espontâneo e entusiástico, da boca de algum francês que constatasse estar diante "d` une chanteuse très intéressante". Felizmente, para nós, não é necessário ir tão longe para vê-la, já que essa admiração ela desperta aqui e despertará, mais uma vez, nesta quinta-feira, 15 de outubro, em show no Centro Cultural Carioca ("flyer" acima), a partir das 21h30, tendo um francês adorável, o violinista Nikolas Krassik, como convidado. Mais um show que ela empreende ao longo das quintas deste outubro para marcar a transição da cantora de eficiente presença no coro de CDs e DVDs, como os do Samba Social Clube, e plenamente identificada com o renascimento musical da Lapa - onde, no Carioca da Gema, do qual se tornou atração fixa, foi vencedora do I concurso Jovens Bambas do Velho Samba, bem amparada ritmicamente pelo Cana de Litro - para a artista que contempla um horizonte mais amplo, já a partir do seu disco de estreia, com direção musical de Edu Krieger, previsto para lançamento no final do ano.
          Em maio de 2007, juntamente com Ana Costa, Dorina, Aninha Portal, Verônica Ferriani, Camila Costa e Vika Barcellos, por exemplo, participou do CD "As Cantoras da Lapa - Encantos do Samba", só com composições de Ricardo Brito e parceiros variados, abrilhantando a faixa "O Longe Não Existe", um bom samba-canção feito por esse especialista em marketing cultural em companhia de Alceu Maia. Afinal, Elisa "canta feito passarinho livre", observou uma colega de palco e função, Janaína Moreno, no seu blogue Dobalacobaco, com toda a procedência. Ao microfone, a voz doce e melodiosa de Elisa faz todo o sentido da comparação.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

14.10.09

Lançamento do livro Comunicação, Narrativas e Culturas Urbanas na Casa de Rui , hoje


Hoje, dia 14 de outubro, às 18 horas rola na casa de Rui, (na Rua São Clemente, nº 134 - Botafogo), o lançamento do livro Comunicação, Narrativas e Culturas Urbanas organizado por Silvia H.S. Borelli e Ricardo Ferreira Freitas.Antes vai rolar uma palestra dos autores.
(Clique no flyer para ampliar e ler melhor)

Do fundo do baú - Ilustração de um conto mínimo de Heloisa Seixas


Gosto muito desta ilustração. Gostei de desenhar o mar, a praia,o casario, os barcos, a igrejinha.

13.10.09

Emiliano Castro se apresenta no Show Kanimambo no dia 14 - Quarta-feira


Recebi o seguinte e-mail do meu amigo Emiliano Castro que está mostrando toda sua arte nas cordas da guitarra, da viola e do violão em Sampa:
"4a feira será o show de estréia do meu quarteto!!!
Minhas composições pouco ou nada conhecidas serão defendidas por um time feroz no show Kanimambo.
(Depois das deliciosas experiências de câmara em duo, chegou a hora de dar à percussão e ao baixo o que lhes era de direito.)

E para coroar a noite subirá ao palco como convidado especial um dos cantores / ritmistas mais potentes que conheço, Marcelo Pretto."

NR: Então para conferir : Emiliano Castro apresenta o show KANIMAMBO
Emiliano Castro . violão de 7 cordas e voz
João Poleto . sax soprano, sax tenor e flauta
Marcelo Cabral . contrabaixo acústico
Douglas Alonso . bateria
e o convidado federal
Marcelo Pretto . voz


4a feira, dia 14 de outubro
no projeto Caldeira Acústica da
Casa das Caldeiras,
Av. Francisco Matarazo, 2000 (quase com o fim da Av. Pompéia)
às 21:30h (a casa abre às 21h)

R$ 20,00
estacionamento no local
acesso para deficientes físicos
não aceitam cartões

Emiliano acrescenta:"Kanimambo ("obrigado") é minha maneira de celebrar e agradecer aos mestres e às tradições que me orientam.
Àqueles que vêm me declarando a vontade de aparecer em algum show: esta é uma oportunidade das melhores!
Queria poder dizer isso a cada um dos amigos músicos e não músicos. Falei?"
NR: Falou, Emiliano, sucesso aí em Sampa!

Pro pessoal ir se programando: Flávio Pereira em Eletric Life no dia 22 de Outubro


Recebi esta dica por e-mail do meu amigo Rui de Carvalho que diz :Recomendo este show. Flávio Pereira é um grande músico. Além de parceiro,  ele é uma peça importante em meu Cd NOEL ROSA POR RUI DE CARVALHO.
NR: Então, o negócio é o seguinte, o Baixista Flávio Pereira apresentará o show ELECTRIC LIFE com composições autorais e temas conhecidos da MPB. O repertório é formado por samba funk,  samba jazz,  partido alto, baladas e muita improvização. O trio é formado por Amaro Jr. (Bateria), Bosco (Teclados) e Flávio Pereira (Baixo), tendo como convidado especial o saxofonista Roberto Stepheson.
O show vai rolar no dia 22 de outubro (vai ser numa quinta-feira) às 19 horas, no Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola, na Rua Conde de Bonfim, 824 (esquina com rua Garibaldi).

Dica do Gerdal : O milanês Stefano Bollani mostra o lado carioca do seu piano em concertos, nesta terça e quarta, no Sesc Ginástico


Repasso abaixo, com "flyer" acima, informação trazida pelo amigo Euclides Amaral sobre concertos do virtuoso e carismático pianista milanês Stefano Bollani no Sesc Ginástico (Av. Graça Aranha, 187 - Centro), hoje e amanhã, 13 e 14 de outubro, às 19h, divulgando o seu recente CD com repertório de MPB. Mais uma das criteriosas e bem-vindas produções do poeta Sergio Natureza, com participação especial de Marcos Sacramento e Casuarina, nesta terça, e de Marco Pereira, Jorge Helder, Jurim Moreira, Zé Nogueira e Marçalzinho, nesta quarta. 
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 
A nova sensação da música instrumental da Itália no Brasil.
Em sua primeira visita ao Brasil, em 2006, o pianista milanês Stefano Bollani (Itália 1972) abriu com seu grupo I visionari os shows de Ahmad Jamal e Herbie Hancock no “Tim Jazz Festival”. No ano seguinte, com apoio do Ministério da Cultura do Brasil e do Governo da região da Úmbria na Itália, apresentou-se em comunidade carente no Rio de Janeiro.
 
Em 2008 encerrou o “Projeto Interseções” (Sala Cecília Meireles), produzido pelo poeta Sergio Natureza, no qual recebeu os convidados Ná Ozzetti, Zé Renato, Marcos Sacramento, Zé Nogueira e Nilze Carvalho.
 
Em 2009, dias 13 e 14 de outubro, lançará, no SESC GINÁSTICO, o CD “Bollani carioca” (selo MP.B) que gravou acompanhado por músicos italianos e brasileiros como Marco Pereira (violão), Jorge Helder (baixo), Zé Nogueira (sax soprano), Jurim Moreira (bateria) e Armando Marçal (percussões). No disco foram incluídas “Luz Negra” (Nelson Cavaquinho e José Amâncio), “Valsa brasileira” (Edu Lobo e Chico Buarque), “A voz do morro” (Zé Kéti), “Segura ele” (Pixinguinha), “Doce de coco” (Jacob do Bandolim), “Folhas secas” (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito) e “Tico-tico no fubá” (Zequinha de Abreu), entre outras.
 
SERVIÇO:
 
Show Bollani carioca (e convidados)
Teatro Sesc Ginástico
Dias 13 e 14 de outubro às 19H
Av. Graça Aranha, 187 centro tel: 2279-4027
Preços: R$ 7,00 – R$ 15,00 e R$ 30,00
Produção: Sergio Natureza

 

Dica do Gerdal: Milton Nascimento é recebido, nesta terça, na Sala Baden Powell, por Marco Lobo em mais um show da série bRatuques


Dos seus tempos de contrabaixista em BH, na primeira metade dos anos 60, animando bailes num conjunto de que ainda participavam o pianista Wagner Tiso, o baterista Pascoal Meirelles e o "crooner" Sílvio Aleixo (que, como os demais, pouco depois viria para o Rio de Janeiro, destacando-se como o primeiro, em 1966, a gravar "Apelo", de Baden e Vinicius, pela Philips), até agora, o tijucano Milton Nascimento, criado na mineira Três Pontas, vem cumprindo uma trajetória muito bem-sucedida, com reflexo internacional, mercê do seu inegável talento como compositor - o seu lindíssimo "Cata-vento", presente no elepê "Travessia", de 1967, é um dos temas instrumentais que mais me sensibilizam na MPB - e ainda um cantor de voz forte e inequívoca, como se tivesse uma impressão digital na garganta. Nesta terça-feira, 13 de outubro, às 20h30, na Sala Baden Powell (Av. Nossa Sra. de Copacabana, 360), ele é o convidado muito especial da série bRatuques, que tem como anfitrião o sensacional percussionista baiano Marco Lobo, radicado no Rio de Janeiro. Do amigo Marco, guardo uma lembrança de excelente show, no ano passado, no Espaço Rio Carioca, com outra fera - o pianista e acordeonista niteroiense Marcos Nimrichter -, em que ele só faltou fazer chover, já que teve, sem exibicionismo, pela imposição natural do seu talento, uma performance mágica naquela noite. Um digno representante da excelência do músico brasileiro que, hoje e nas demais terças previstas pelo projeto, além das já desenroladas, está muito bem acompanhado por Kiko Continentino (piano), Widor Santiago (sax e flauta), Gastão Villeroy (baixo) e Erivelton Silva (bateria).
       Concebido e produzido pela Delira Música, todos esses shows têm por fito unir a percussão a variados estilos da nossa música popular, agregando artistas de diferentes regiões e culturas. Próximos convidados : 20/10: Antônio (Totonho) Villeroy, irmão mais moço do também gaúcho Gastão Villeroy, e Arthur Maia; 27/10: Maria Gadu e Gabriel Grossi; 3/11: Moraes Moreira e Armandinho; 10/11: Rita Ribeiro e Carlos Malta; 17/11: Chico César e GisBranco; 24/11: Margareth Menezes e Saul Barbosa.
       Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
http://www.myspace.com/marcolobopercussion
 

Do fundo do baú: Ilustração: Colagem com olhos e alcova

Dica do Gerdal: Adryana BB lança um grande disco, "Do Barro ao Ouro", esta semana, no Rio Scenarium


No palco da vida, Adryana Barbosa Bezerra; na vida do palco, Adryana BB. E, assim, com a consoante dobrada no cognome artístico, entramos em contato com uma moça admirável pelo talento e pela fibra de que é dotada para expressar, no seu canto, todo o sortilégio rítmico do seu Pernambuco e da sua região de origem. Ainda na Recife natal, participando com êxito de festivais universitários e também de noites em bares cantando uma MPB mais sofisticada e até mesmo com glacê pop, Adryana, curiosamente, em 1998, ao chegar ao Rio de Janeiro com a cara, a coragem e vinte reais no bolso, hospedando-se em casa de parente, é que se redescobriu visceralmente ligada à tradição musical da sua terra. O momento era de ebulição do forró, tocado e chamegado em vários pontos da cidade, e, já em contato com instrumentistas locais, encontrou, como a saudosa Marinês, a "sua gente", ou seja, aqueles com os quais se evidenciaria, inicialmente, desfraldando a bandeira do maracatu.
         Pioneira aqui na expressão articulada e contínua dessa manifestação cultural do Leão do Norte, por meio do Rio Maracatu, Adryana BB lança, nesta terça, quarta e quinta, 13, 14 e 15 de outubro, às 22h, no Rio Scenarium ("flyer" acima), um grande disco, "Do Barro ao Ouro" (gravado ao vivo na Sala Baden Powell em junho do ano passado). Com título que, de certo modo, reflete a própria mutação por que tem passado na carreira, ela impressiona, na contagiante prévia das faixas disponíveis do CD no "herspace" - a página dela no MySpace -, por exemplo, por entoar o sacudido da canção nordestina com incrível energia e vigor. E, assim, não há como não se encantar ao ouvi-la em "Minha Flor", da sua autoria, "Coco da Canoa", do alagoano João Lyra com letra de Paulo César Pinheiro, e, especialmente, em "Tiriê Pintassilgo", uma delícia de baião da lavra desta tão discreta quanto maiúscula violonista, compositora e arranjadora que é, em longo curso na MPB, a carioca Irinéa Maria.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

12.10.09

Do fundo do baú - Ilustração : "Quintana e o seio"

Dica do Gerdal: K-Ximbinho pelos Flautistas da Pro Arte - recordação de um sopro sempre sonoroso


Nascido Sebastião Barros, em 1917, na cidade de Taipu, o potiguar K-Ximbinho, clarinetista e saxofonista, foi um daqueles músicos "avant la lettre" por causa do seu sopro inovador, tendente ao hálito camerístico e direcionado ao jazz. Neste flertou com a liberdade de improviso para compor choros avessos à ortodoxia da pauta tradicional - feitos em uma ou duas partes em vez das três habituais - e, com tal característica autoral, imprimou uma marca tansformadora que, em 2002, seduziu o discípulo e amigo Paulo Moura, que, em sua intenção e motivado por ela, lançou o CD "K-Ximblues". Ainda em Natal, K-Ximbinho integrara o Pan Jazz e, já residindo no Rio de Janeiro, a partir de 1942, fez parte de importantes formações instrumentais, como soldado musical de Napoleão Tavares, soprista da orquestra do maestro Fon-Fon - que compôs "Murmurando", com letra de Mário Rossi - e, sobretudo, com a Tabajara, do clarinetista Severino Araújo, com a qual já tocara quando da sua estada anterior, em João Pessoa. Esta orquestra, por sinal, foi lançadora do sucesso "Sonoroso", composto em parceria com o guitarrista Del Loro, em 1946, e gravado ainda naquele ano pela rainha do gênero, Ademilde Fonseca. Outros choros fascinantes da embocadura desse músico tão distinto são, por exemplo, "Sempre", "Sonhando", "Eu Quero Sossego", "Catita" e "K-Ximbodega", com que homenageou o saxofonista Zé Bodega, colega de Tabajara e irmão de Severino Araújo. No início dos anos 50, estudou com o maestro alemão Hans-Joachim Koellreutter e, em 1955, animou saudosas noites cariocas do "Sacha`s, no conjunto da casa, trabalhando na década seguinte como orquestrador da TV Globo. Também tinha intimidade com o piano e o vibrafone, este um instrumento que o meu pai, então contra-regra da Rádio Tupi, pode vê-lo tocar várias vezes nessa emissora, ainda nos anos 50. K-Ximbinho será lembrado em uma relevante apresentação dos Flautistas da Pro hoje ,12 de outubro, segundo informação do "flyer" acima. Neste, aliás, a imagem reproduz capa de um dos discos dele, o dez-polegadas "Ritmos e Melodias", produzido pela Odeon em 1956, a que ele compareceu com o seu conjunto - e que conjunto! -, do qual, entre outros, fizeram parte Leal Brito, o Britinho, ao piano, Orlando Silveira, ao acordeão, Júlio Barbosa, ao trompete, Scarambone, ao vibrafone, Geraldo Miranda, à guitarra, e Jorge Marinho, ao contrabaixo. 
         Um bom domingo a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

10.10.09

“ARTIMANHAS DE SCAPINO” estréia em Sampa no Teatro Paulo Eiró - Domingo


FUNDAÇÃO ESCOLA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA DE SÃO PAULO - FESPSP
Apresenta
“ARTIMANHAS DE SCAPINO” de Molière
Adaptação Livre: Celso Solha
Dia 11 de outubro – domingo às 20h30m
TEATRO PAULO EIRÓ
Av. Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro

na XI Mostra de Teatro Estudantil de São Paulo - Entrada Franca
Artimanhas de Scapino”, pitoresco lacaio da comédia dell’ arte italiana, que usa sua esperteza para pregar peças nos patrões, humilhando e punindo-os por seus erros de falsos moralistas.

Molière ridiculariza a hipocrisia do fidalgo Argante, que, por interesse, pretende casar seu filho com a filha do rico Gerôncio, conhecido como o rei dos avarentos; até a covardia do criado Silvestre se traveste de força e coragem quando conduzida pelo esperto Scapino, um precursor do herói sem nenhum caráter de nossos dias....

Os filhos dos fidalgos, envolvidos na romântica paixão pelas jovens, apelam para a sagacidade de Scapino no enfrentamento da ira dos pais, compondo uma intrincada e divertida comédia, onde não faltam peripécias e até tapas e bordoadas, no mais puro estilo das finas chanchadas. A Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo se orgulha em encenar Molière em mais uma apresentação do PROJETO FESPSP DE TEATRO em comemoração ao ano internacional da França no Brasil"
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ELENCO
Argante – Jaime Dick

Leandro – Edivaldo Gomes

Zerbineta - Diacisa Dias

Gerôncio – Flávia Castro e Castro

Otavio – – Ilsom Lourenço

Jacinta – Andréia Ferreira

Nerina – Cida Nunes

Tia Carlota - Débora Teixeira

Scapino – Gigi Santos

Silvestre – Oberdan Quirino

Criado – Ivan Sant’ Anna

Criado – Luca Doni


Cenário, figurino, sonoplastia - O grupo

Assistente de Produção - Ana Paula Mendes

Direção Geral - Celso Solha

Esperamos vocês!

PROJETO FESPSP DE TEATRO

Charge de João Zero

9.10.09

O pulso ainda pulsa

Dica do Gerdal : Aline Calixto canta nesta sexta na Lapa a sua receita enfeitiçada de bom samba


Uma recomendação com louvor: o show de Aline Calixto, hoje, 9 de outubro, no Teatro Odisseia, na Lapa, às 21h ("flyer" acima). Ela é uma carioca criada em BH, excelente cantora, vencedora do II Jovens Bambas do Velho Samba, juntamente com Manu Santos, um importante concurso de revelação de talentos do Carioca da Gema. Tem um agradabilíssimo CD recém-lançado, de samba "enfeitiçado" pro coração do ouvinte. Ela veio para ficar e somar na MPB.
        Um boa dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

Do fundo do baú - Ilustração" Fofoca"

Companhia Estadual de Jazz TRIO no Drink Café Humaitá Sexta-feira, 9 de outubro, de 19h. às 22h.


Fernando Clark na guitarra, Sergio Fayne no piano e Reinaldo (aquele cara do Casseta & Planeta) no contrabaixo formam o Companhia Estadual de Jazz TRIO, que é uma versão compacta do quarteto Companhia Estadual de Jazz. 
Eles vão tocar nesta sexta-feira, dia 9 de outubro no novo Drink Café Humaitá , mais um point pra música no Rio, neste caso, música suave, feita em torno de um belo piano de cauda, num casarão cor de vinho, na rua General Dionísio, quase na esquina da Voluntários da Pátria.
O repertório do trio é todo baseado em bossa nova e samba-jazz. Um som com muito balanço, inspirado em Tom Jobim, João Donato, Durval Ferreira, Dizzy Gillespie, Horace Silver, Miles Davis e outras feras...
DRINK CAFÉ HUMAITÁ - Rua General Dionísio,11 - Humaitá (perto da Cobal).
Couvert:10,00. Reservas: 2527-2697.

8.10.09

Dica do Gerdal :Nosly, nesta quinta, no Severyna - raro show no Rio de um maranhense de valor


Natural de Caxias, no Maranhão, o cantor, compositor e violonista Nosly Marinho, ou simplesmente Nosly, apresenta-se nesta quinta, 8 de outubro, no segundo andar do Severyna, em Laranjeiras, às 21h. Ele, que mora na Alemanha, iniciou a vida artística, em 1984, na insular São Luís, um pouco antes do amigo de infância e parceiro Zeca Baleiro, mas residiu em Minas por nove anos, entre 1986 e 1995, atuando na Orquestra de Violões do Palácio das Artes e aprimorando-se no seu instrumento com professores como Ian Guest, Célia Vaz, Nelson Faria e Gilvan de Oliveira. Também maranhense, Nonato Buzar, numa bela composição (faixa-título) do novo disco de Nosly, "Nave dos Sonhos", figura como um dos vários parceiros do conterrâneo, entre os quais ainda se encontram nomes como Tibério Gaspar, Chico Anísio, Fausto Nilo, João Nogueira e Sérgio Natureza. Num projeto com direção artística deste, "Prêt-à-Porter", em 2003, Nosly apresentou-se, no Rio, com César Nascimento e Mano Borges, mostrando a força musical do Nordeste do país. O folclore maranhense, a bossa nova e o Clube da Esquina são as maiores infuências desse estilo amalgamado de Nosly, cujo nome remete ao de um topônimo na Rússia. Logo mais, portanto, uma chance rara de ver entre nós, cariocas, esse artista de valor e ouvir a sua música de tão boa qualidade, muito bem acompanhado pelos amigos músicos infracitados.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
 

Ligiana lança um disco em três quintas de Sampa


Em três quintas-feiras, Ligiana lança disco Ligana,de amor e mar com banda composta por Alfredo Bello, Marcel Martins, Douglas Alonso e Emiliano Castro
Nos shows de lançamento vão rolar participações de alguns dos grandes nomes que também fizeram esse disco:
dia 8/10 - Osvaldinho da Cuíca
dia 15/10 - Marcelo Pretto e Marcelo Monteiro
dia 22/10 - Simone Sou
(Clique no flyer para ampliar e ler melhor)

Do fundo do baú- Ilustração: Uma capa do Caderno B


Mas isso faz muito tempo!
(Clique na imagem para ampliar e ver melhor)

Dica do Gerdal: Nei Lopes é destaque, nesta quinta, no Leblon, em biografia ilustrativa do Brasil afrodescendente


Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Nacional de Direito, da antiga Universidade do Brasil (hoje UFRJ), o advogado Nei Braz Lopes encontrou em si mesmo, sem narcisismo, no compositor, escritor e pesquisador Nei Lopes, a melhor causa que poderia abraçar. Uma causa nobre de cuja evolução bem encaminhada, com suas músicas de sucesso e seus textos de referência, beneficia-se a cultura nacional, de modo expressivo, sobretudo no combate à discriminação racial, entre outras iniquidades, trazendo luz forte de farol à questão da afroascendência e, a partir dela, contribuindo para a expansão de um entendimento renovado deste enigma continental sobejo em graças e contradições chamado Brasil. Caçula entre irmãos numerosos, ainda menino, Nei colecionava recortes de personalidades negras, como Louis Armstrong e Pixinguinha, principiando, assim, uma consciência que o levou do Irajá, já ido em sua vida desde o berço, à estiva intelectual de agora, em Seropédica, no interior fluminense, com muita "malhação" mental e tantos livros publicados numa produção fantástica em extensão e merecimento. Homem de palavra e da palavra, dela ainda faz uso ao exercitar a sua inteligência e aquilino olhar crítico num blogue - Meu Lote - que vale a pena ser acessado, porque, mesmo que se discorde de uma ou outra opinião que emite - até por esta ser ou parecer radical -, é sempre fonte de reflexão procedente, muito bem embasada, de informação confiável, valiosa ensinança e, ainda, em linhas divertidas, por exemplo, daquele trocadilho tão bem sacado quanto um chope bem tirado.
        Da inspiração que visita o compositor, Nei Lopes tem feito outro percurso admirável e mais conhecido, desde o seu primeiro registro em disco, em 1972,  como tal -  então, ainda não "o tal", ou "o cara", como a ele se referiu recentemente o cantor e colunista Aquiles Rique Reis, do MPB4 -, por meio de gravação de Alcione do samba "Figa de Guiné", composto em parceria com Reginaldo Bessa - numa fase de muitos "jingles" feitos por eles, que, dois anos depois, ganhariam um festival da UNIRIO com "Sexto Andar". Entre outros grandes parceiros que viriam, Wilson Moreira avulta, também pela constância da criação, como o mais lembrado. Por essas e outras, Nei Theodoro Lopes, o Neizinho, jovem integrante do conjunto DNA do Samba, filho de Nei e da professora Helena Theodoro, tem muito do que se orgulhar do pai que tem - também da mãe. Chutando o balde ou sincopando o breque, Nei é sempre notável no que faz e no quanto de afirmação, negro mesmo, que encarna. De letra e música.         
***
Pós-escrito: biografado pelo jornalista Oswaldo Faustino, Nei Lopes junta-se a Abdias Nascimento e Sueli Carneiro em triplo lançamento, "Retratos do Brasil Negro", da Editora Selo Negro, na Livraria Argumento - Rua Dias Ferreira, 417, no Leblon, nesta quinta-feira, 8 de outubro, a partir das 19h. (flyer acima)

Dica do Gerdal: "Com Essa Cor" traz a talentosa Monique Kessous de volta ao palco do Posto 8, em Ipanema, nesta quinta


Com 25 anos de idade, a carioca Monique Kessous é nome que sobressai na renovação da cena musical do país, fazendo shows com casas lotadas para apresentar, especialmente, o recém-lançado CD "Com Essa Cor", de resultado realmente sedutor e preparado com esmero há alguns anos por essa artista detalhista. Entre outras razões, um disco sedutor porque Monique, muito afinada, é dona de uma das vozes mais encantadoras da nova geração, a serviço de um repertório atraente e bem orientado, no qual ela se revela uma compositora de mérito, que gosta de enveredar por tons delicados na canção, como em "No mundo da Lua", de sua autoria. Gravado pela Som Livre, o CD teve duas outras belas composições da multi-instrumentista Monique, "Com Essa Cor" e "Pitangueira", executadas em novelas da TV Globo, "Ciranda de Pedra" e "Paraíso", respectivamente.
           Com 9 anos de idade, ela se apresentou pela primeira vez num palco para cantar "Exodus" num festival da canção iídiche e, desde então, disposta a levar avante o objetivo musical, estudou canto lírico e canto popular, piano clássico e popular, violão com o mano e parceiro Denny Kessous, tornando-se autodidata no pandeiro e no "cajón". Sendo experimentar um verbo conjugado na sua predileção artística, Monique também gosta de enveredar por sons inusitados, como o do reco-reco de caneta BIC, incorporados com efeito expressivo à cozinha rítmica nos seus shows. Descendente de marroquinos, portugueses e poloneses, Monique canta nesta quinta no Posto 8 (ex-Mistura Fina), em Ipanema, às 21h30 ("flyer" acima). Em entrevista, já declarou que "gosta da música que faz bem para o coração", o que, sem contraindicação, pulsa bem na música que faz.  
           Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

7.10.09

Do fundo do baú : Ilustração - Variações Quixote - O sonho de Sancho

Mais um brinde: Um cartum de João Zero


(Clique na imagem para ampliar e ler melhor a legenda do cartum)

6.10.09

Dica do Gerdal :Marisa Rossi canta nesta quarta em Botafogo: uma grande chance de rever uma personalidade musical


Repasso a vocês o "flyer" acima, concernente ao show da cantora Marisa Rossi no Espaço Cultural Maurice Valansi, em Botafogo, nesta quarta, 7 de outubro, a partir das 20h30. Aqueles que viam tevê nos anos 60 hão de lembrar-se dela, pois foi, em 1966, a primeira vencedora de um programa de ibope elevado, "A Grande Chance", comandado por Flávio Cavalcanti. Dois anos depois, entre poucos registros em disco, participaria de um elepê, "Musicanossa", produzido por Rildo Hora, no qual gravou "Onde Andou Você", dele em parceria com o ator e letrista Gracindo Jr. Numa outra faixa, como curiosidade encontrada no "Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira", o belo-horizontino Márcio Lott, hoje integrante (com Celinha Vaz, Fabyola e Clarisse Grova) do grupo vocal Nós Quatro, daria voz pela primeira vez à "Sá Marina", de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar, pouco depois um sucesso nacional de Wilson Simonal.
          Embora polêmico e um tanto sensacionalista como figura de comunicação, a Flávio Cavalcanti (autor do clássico "Manias", com o irmão Celso Cavalcanti, samba-canção inesquecível na interpretação de Dolores Duran) não se lhe pode negar mérito, por meio de "A Grande Chance" e suas diversas edições anuais, na revelação de cantores do maior gabarito, como Alcione (então recém-chegada com a voz e o trompete da natal São Luís), Emílio Santiago, Áurea Martins, Iracema Werneck (também psicóloga e moradora há anos de Conservatória) e Ana Maria Brandão (ribeirão-pretana bastante atuante na noite paulistana, em particular com o Zimbo Trio), e outros de bom nível e grande apelo popular, como Joanna, Elymar Santos e Élson Forrogode, além de ótimos compositores que, nessa atração da TV Tupi,  apresentaram suas primeiras músicas a um grande público, como César Costa Filho e Aluízio Machado. A Flávio se atribui a criação, na tevê, do corpo de jurados, que, em "A Grande Chance", contou com o compositor Sérgio Bittencourt, os maestros Cipó e Erlon Chaves, a atriz Leila Diniz, o radialista e compositor José Messias, o jornalista e letrista Nélson Motta, o radialista e publicitário Humberto Reis (aliás, parceiro de Rildo Hora e Durval Ferreira em algumas músicas), a jornalista e escritora Marisa Raja Gabaglia e a também jornalista e ex-modelo Marisa Urban, entre outros componentes. O show de Marisa Rossi, mãe da ascendente cantora Bárbara Mendes, será, portanto, uma grande chance de revê-la no palco, ela que é uma presença que puxa, na memória, o fio da meada de todos esses idos artísticos. 
          Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

Ziraldo em Cartaz - exposição e livro a partir do dia 9 - sexta-feira



Ziraldo em Cartaz é uma exposição e um livro - editado por Ricardo Leite. Tudo isso vai rolar na Mansão Figner , na Rua Marquês de Abrantes, nº99 no Flamengo . A Exposição vai de 9 de outubro a 1 de novembro de terça a sexta, das 10 às 18 horas - nos sábadods e domingos de 12 às 17 horas. É uma realização do Senac/Sesc Rio com apoio da Fecomércio RJ. Viva o mestre Zira! Todo mundo lá!

Do fundo do baú: Ilustração - "Redação"

5.10.09

Programão: 1º Fórum das Imagens Técnicas


Boto no ar com antecedência para o navegante que se interessa pelo tema possa se programar:

apresentação


Hibridização, intercâmbio de linguagens, fotografia, cinema, novas mídias. Na cultura digital, os suportes de criação artística interagem para potencializar a experiência do espectador. Segundo o filósofo Arlindo Machado, pesquisador da arte tecnológica:

pensamos com todas as formas perceptivas e com todos os códigos significantes: com palavras sim, mas também com imagens, ruídos, música e até mesmo sabores, odores, gestos e toques. (...) Eis por que se pode dizer, sem medo de errar, que o pensamento, a racionalidade, a imaginação e a afetividade são por natureza multimidiáticos e se contaminam mutuamente. (O quarto iconoclasmo e outros ensaios hereges. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 2001. Pág. 107.)

Quando foi fundado, em 1999, o Ateliê da Imagem tinha como propósito preencher uma lacuna existente em nosso país na área da educação, promoção e pensamento sobre a fotografia. Nesses dez anos de existência, vimos a fotografia brasileira se expandir e se inserir num intercâmbio criativo com as demais imagens técnicas e formas de manifestação artística.

Máquinas de Luz | 1o. fórum das imagens técnicas
começou a ser “gestado” em 1999, quando este cenário híbrido ainda era uma novidade para os fotógrafos. Sua realização marca uma década de trabalho contínuo e propõe uma reflexão que vai além do discurso em torno das especificidades do meio fotográfico, incorporando o diálogo com as outras imagens técnicas e as demais artes visuais e cênicas. Nesses dez anos, o que mudou no cenário da fotografia? Como pensam e trabalham os fotógrafos, artistas, curadores e pesquisadores da imagem contemporânea?

Nossa proposta consiste em ocupar o Cine Glória por quatro dias com atividades múltiplas que ofereçam ao público a oportunidade de conhecer, debater, aprender, produzir, trocar experiências, promovendo uma expansão de horizontes e um mergulho no mundo das imagens tecnológicas. O projeto Máquinas de Luz surge, portanto, para mapear e debater essas possíveis interações e, assim, contribuir, através da troca de informações entre fotógrafos, cineastas, artistas e pensadores, para a democratização de suas pesquisas junto ao grande público.

programação

DIA 26 – IMAGENS OU CLICHÊS?
As imagens estão por toda parte, no espaço virtual e no atual. Infinitas imagens que, há tempos, engendraram-se nos hábitos e rituais mais simples da vida comum: visões cotidianas num grande multicenário de imagens amadoras, artísticas e institucionais. Vivemos numa coleção imagética interminável, verdadeira fábula do mundo das imagens em múltiplos. Quando tudo já foi feito em termos imagéticos, como escapar do desgaste de linguagem que caracteriza o clichê e enfraquece o pensamento? O clichê faz da imagem uma superfície sem sentido, oca; esvazia de potência criadora a imagem, produz a impotência do pensamento. É possível vitalizar as imagens contemporâneas? A questão parece ser, não exatamente produzir o novo pelo novo, em quantidade ou superação, mas encontrar novas intensidades e durações. Talvez muitos sejam os caminhos: reencontrar a história, impregnar de outras significações o conhecido, pluralizar a reflexão. Para isso, a mesa de abertura do Máquina de Luz pretende enfrentar o clichê a partir da perspectiva do diálogo, no cruzamento das ideias do artista, do pensador e do curador.


TARDE (16H)
MOSTRA AUDIOVISUAL: JANELA DA ALMA
Direção: Walter Carvalho e João Jardim (Documentário, 73 min., 2002)
Dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, da miopia discreta à cegueira total, falam como se veem, como veem os outros e como percebem o mundo, fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão: o funcionamento fisiológico do olho, o uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade, o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens e também a importância das emoções como elemento transformador da realidade ­ se é que ela é a mesma para todos.

NOITE (19H)
DEBATE IMAGENS OU CLICHÊS? com Claudia Buzzetti, Maria Cristina Franco Ferraz e Pio Figueiroa/CIA de FOTO
Mediação: Cláudia Linhares Sanz


DIA 27 – AUTORIA EM QUESTÃO

Na era da cultura digital, em que a Internet assume um papel inquestionável e transgressor, e tudo se copia, sendo a originalidade um conceito discutível, e as redes e interfaces colaborativas potencializam as trocas e a criação coletiva, como fica a questão da autoria? A partir da crise do mercado fonográfico que começou nos anos 80 com a introdução de colagens feitas a partir de outras composições – os samplers –, todo o terreno da arte ficou vulnerável ao fenômeno da acessibilidade do copypaste. Desde então, artistas, intelectuais, produtores e empresários vêm questionando quais são os novos parâmetros, inclusive os legais, para avaliar o que é plágio e o que é autoral.


TARDE (16H)
MOSTRA AUDIOVISUAL: O CURTA-METRAGEM, EXERCÍCIO DO AUTOR
Curadoria e apresentação: Andrea Cals
O cinema autoral brasileiro é mais reconhecido internacionalmente do que o nosso cinema comercial. Desde Limite, de Mário Peixoto, obra cultuada e referenciada por cineastas do mundo inteiro, a famosa criatividade brasileira está fortemente representada no cinema. Por sua vez, sendo o curta-metragem utilizado como o principal meio de exercício da linguagem cinematográfica como forma livre de expressão, a mostra de filmes aqui selecionados apresenta uma série de curtas brasileiros em que predominam a subversão e a desconstrução dos recursos da sétima arte em nome de uma narrativa própria, por vezes audaz e sempre muito criativa.


NOITE (19H)
DEBATE AUTORIA EM QUESTÃO com Ivana Bentes, Sergio Cohn e Walter Carvalho
Mediação: Frederico Coelho


DIA 28 – RUMOS DE LINGUAGENS E INTERAÇÃO DE SUPORTES

Quando a convergência e a interação de linguagens e suportes apresentam-se como um fenômeno praticamente inevitável, diferenças entre questões de ordem semântica e técnica tornam-se cada vez mais tênues. O advento da tecnologia digital possibilitou o rompimento de limites de linguagem antes impostos pelo mundo ótico, alforriando a criatividade do realizador e transformando o processo de realização técnica em um evento de importância semântica - ou seja, o que se quer dizer está cada vez mais condicionado a um processo de escolha de como dizer. Além da interação cinema, vídeo, fotografia, música e artes plásticas, recentemente vemos as artes cênicas incorporando dispositivos imagéticos e tecnológicos na concepção cenográfica dos espetáculos. Pensar em arte, hoje, significa passear livremente por um terreno híbrido de possibilidades, criar novas e bem-sucedidas parcerias e extrapolar os limites até então estabelecidos na arte moderna.


TARDE (16H)
MOSTRA AUDIOVISUAL: FILMES DISPOSITIVOS
Curadoria e apresentação: Cezar Migliorin
O dispositivo é a introdução de linhas ativadoras em um universo escolhido. O dispositivo pressupõe duas linhas complementares: uma de extremo controle, regras, limites, recortes e outra de absoluta abertura, dependente da ação dos atores e de suas interconexões. Como inventar regras e situações para que o inesperado apareça? Como lidar com as forças do acaso? Apresentaremos obras fundadoras da experiência com a estrutura da forma, como Serene Velocity (1970), de Ernie Gehr e Walking in a Exaggerated Manner (1967-68), de Bruce Nauman, a despretensão e a "disciplina da cachaça" do vídeo de Geraldo Anhaia Mello, A Situação (1978), até o contemporâneo Rua de Mão Dupla, de Cao Guimarães.

NOITE (19H)
DEBATE RUMOS DE LINGUAGENS E INTERAÇÃO DE SUPORTES com Muti Randolph, Cao Guimarães e Paola Barreto
Mediação: Cezar Migliorin


DIA 29 – PESQUISAS CURATORIAIS E ARTÍSTICAS COM IMAGENS TÉCNICAS

O que é ser artista e o que é ser curador? Qual o papel de cada um no sistema da arte? Onde termina a atuação do artista e inicia a do curador e vice-versa? Quando o artista pode atuar também como curador? Como é a pesquisa de um curador para selecionar os artistas e as obras que lidam com imagens técnicas para suas exposições? Este debate fecha o projeto Máquinas de Luz e busca o diálogo corajoso e aberto para essa reflexão necessária que envolve todos os que trabalham com imagem na contemporaneidade: como curadores e artistas estão pensando as imagens técnicas em seus projetos e pesquisas?


TARDE (16H)
MOSTRA AUDIOVISUAL: A VÍDEO-ARTE
Curadoria e apresentação: Marcos Bonisson
A mostra tem como objetivo apresentar uma breve introdução a trabalhos significantes no campo da vídeo-arte. Observa-se que uma das noções basilares que norteiam a produção de linguagens em vídeo, desde a invenção do tubo de raios catódicos, pode ser definida pelo o que o pensador Michel Foucault registrou como a multiplicação do heterogêneo.


NOITE (19H)
DEBATE PESQUISAS CURATORIAIS E ARTÍSTICAS COM IMAGENS TÉCNICAS com Arthur Omar, Daniela Labra e Maria Iovino
Mediação: Marcos Bonisson


*Completando a programação, uma OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO E CRIATIVIDADE FOTOGRÁFICA será oferecida gratuitamente no Ateliê da Imagem com o objetivo de apresentar ludicamente os fenômenos físicos e químicos elementares do fenômeno fotográfico.
(Orientador: Marco Antonio Portela)
Período: 26 a 30 de outubro de 2009
Local: Ateliê da Imagem | Avenida Pasteur 453 Urca
Tels: 21 25416930 | 22445660 | www.ateliedaimagem.com.br
Horário: 10h às 13h
Público: Jovens entre 9 e 14 anos
Número de vagas: 15 alunos

Patrocínio: BNDES
Apoio: Cine Glória e Hotéis Othon

Idealização e Coordenação Geral: Patricia Gouvêa | Ateliê da Imagem
Realização: Ateliê da Imagem
Coordenação de palestras: Patricia Gouvêa e Claudia Tavares
Produção: Andrea Cals
Assistente de Produção: Maria Continentino
Assessoria de Comunicação: RS – comunicação & eventos (Eli Rocha e Liliane Schwob)
Design: Elisa v. Randow


ficha técnica

ANDREA CALS
Há sete anos é a coordenadora da Mostra Première Brasil do Festival do Rio, mostra de filmes nacionais do principal festival de cinema da América Latina, sendo responsável pela seleção, atendimento, produção e apresentação da maior mostra de filmes do FestRio. Desde 2005 é produtora e integrante do comitê de seleção do Festival de Cinema Brasileiro em Israel.

ARTHUR OMAR
Artista múltiplo, com presença de ponta em diversas áreas da produção artística brasileira contemporânea. Documentário experimental, fotografia, vídeo-arte, moda, vídeo-instalações, caixas de luz, música, poesia, desenho: suas imagens migram e se transformam através dos meios, suportes, linguagens. Tem diversos ensaios com reflexões teóricas sobre o processo de criação e a natureza da imagem.

CAO GUIMARÃES
Premiado cineasta e conceituado artista plástico, desde o fim dos anos 80 exibe seus trabalhos em diferentes museus e galerias nacionais e internacionais. Participou de bienais em SP e no México, tem obras adquiridas por importantes coleções como Tate Modern, Guggenheim Museum, MoMa-NY, entre outros.

CEZAR MIGLIORIN
Pesquisador e ensaísta. Professor adjunto do Departamento de Cinema e Vídeo da UFF. Membro do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFF. Doutor pela ECO-UFRJ / Sorbonne Nouvelle, Paris III.
CLAUDIA BUZZETTI
Formada em História do Jornalismo pela Università degli Studi di Bologna, trabalhou como editora assistente de imagens no Specchio de La Stampa, participou do Work Scholar Program na Aperture em Nova Iorque e colaborou na realização do festival Foto&Photo em Milão e de várias exposições itinerantes. Atua como pesquisadora e curadora e escreve sobre fotografia para diversas publicações.
CLÁUDIA LINHARES SANZ
Fotógrafa e pesquisadora na área da Imagem, com ênfase em fotografia, subjetividade e temporalidade. Doutoranda em Comunicação na UFF, com estágio no Instituto Max Plank de História da Ciência, em Berlim. Mestre em Comunicação pela UFF e pós-graduada em Fotografia pela UCAM.

CLAUDIA TAVARES
Claudia Tavares é mestre em Artes pela Goldsmiths College e em Linguagens Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Artista, curadora, fotógrafa e professora. Dirige o Espaço Figura. (www.projetofigura.com)
DANIELA LABRA
É curadora independente graduada em Teoria do Teatro na UNIRIO, especializada em Comunicação e Arte pela Universidad Complutense de Madrid e mestre em Artes pela Unicamp. Foi curadora-residente na FRAME (Helsinki, Finlândia) em 2005 e no IASPIS - International Artists Studio Program in Sweden (Estocolmo) em 2007. (www.artesquema.com)

FREDERICO COELHO
É ensaísta e pesquisador. Doutor em Literatura Brasileira pela PUC-RJ com a Tese Livro ou Livro-me - os escritos babilônicos de Hélio Oiticica, é curador-assistente do MAM-RJ e um dos editores do tabloide Atual – o último jornal da Terra. Escreve no blog www.objetosimobjetonao.blogspot.com

IVANA BENTES
Professora e pesquisadora da linha de Tecnologias da Comunicação e Estéticas do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ, pesquisadora do CNPQ, coordenadora do projeto Midiarte e coordenadora do Pontão de Cultura Digital da ECO-UFRJ. É doutora em Comunicação pela UFRJ, ensaísta do campo da Comunicação, Cultura e Novas Mídias. É diretora da ECO-UFRJ.

MARCO ANTONIO PORTELA
Formado em História e mestrando em Ciência da Arte na UFF. Artista visual, fotógrafo e laboratorista p&b. Curador independente e coordenador da Galeria Meninos de Luz, no Pavão-Pavãozinho (Rio de Janeiro), é membro dos coletivos Grupo DOC e Buraco. Professor de fotografia básica, pinhole e lab p&b no Ateliê da Imagem.

MARCOS BONISSON
Artista, trabalha com fotografia, super 8 e vídeo desde 1978. Estudou gravura, desenho e fotografia na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (1977-1981). Participou da 27a. Bienal Internacional de São Paulo (2007) e tem seu trabalho representado pela Galeria Artur Fidalgo, no Rio de Janeiro. (www.arturfidalgo.com.br)
MARIA CRISTINA FRANCO FERRAZ
Doutora e mestre em Filosofia pela Université de Paris I e mestre em Letras pela PUC-RJ. Pós-doutorados no Instituto Max-Planck de História da Ciência e no Centro de Pesquisa em Literatura e Cultura de Berlim. Professora titular da UFF, coordena, junto à mesma universidade, o programa de Doutorado Internacional Erasmus Mundus, Cultural Studies in Literary Interzones.

MARIA IOVINO
Curadora e pesquisadora colombiana, atualmente desenvolve projetos independentes com instituições em diversos países da América Latina, Europa e Estados Unidos. De suas publicações recentes destacam-se Contratextos, Antes de que el mundo fuera, Fernell Franco, Otro Documento e Volverse aire.
MUTI RANDOLPH
Pioneiro no Brasil na utilização de computadores como ferramenta (e suporte) para artes visuais, trabalha desde 1989 com produção de imagens para publicidade, projetos comerciais de design, ilustração, cenografia e mais recentemente arquitetura de ambientes e design 3D. Tem grande interesse em musica e tecnologia e explora em seus trabalhos a relação entre música, luz e espaço. (www.muti.cx)
PAOLA BARRETO
Cineasta, pesquisadora e professora. Premiada no Brasil, Alemanha e Argentina, exibiu seus filmes no ICA de Londres, na Cinemateca alemã de Berlim, e em Festivais no Japão, Canadá e Cuba. Mestre em Comunicação pela UFRJ, vive e trabalha no Rio de Janeiro.
PATRICIA GOUVÊA
Graduada pela ECO-UFRJ, por onde também é Mestre em Tecnologias da Comunicação e Estéticas da Imagem. É fotógrafa e artista visual, diretora artística do Ateliê da Imagem desde sua fundação e integrante do coletivo Grupo DOC. Realizou exposições individuais e participou de coletivas no Brasil, Argentina, Colômbia, Equador, França, Itália e Suécia. (www.patriciagouvea.com)
PIO FIGUEIROA / CIA DE FOTO
A CIA surgiu em 2003 com a proposta de criar um ambiente de produção fotográfica dinâmico, criativo e sustentável, onde o maior objetivo é garantir uma produção documental coletiva e ensaios para fins comerciais e de entretenimento. Possui um acervo de 150 mil imagens. (www.ciadefoto.com.br)

SERGIO COHN
Editou, entre 1994 e 2008, a revista literária Azougue e criou, em 2001, a Azougue Editorial. Atualmente coedita, também, o tabloide Atual – o último jornal da Terra. É autor de três livros de poesia: Lábio dos afogados (Nankin, 1999); Horizonte de eventos (Azougue, 2002) e O sonhador insone (Azougue, 2006). Organizou com Rodrigo Savazoni o livro Cultura Digital.br, recém-lançado pela Azougue.

WALTER CARVALHO
Fotógrafo e um dos mais premiados e reconhecidos diretores de fotografia do Brasil, tornou-se também um conceituado diretor de cinema. São de sua autoria: Janela da alma, em parceria com João Jardim, Cazuza – O tempo não pára, em parceria com Sandra Werneck, o documentário Moacir arte bruta. Recentemente dirigiu Budapeste, baseado no livro homônimo de Chico Buarque.

Do fundo do baú : Ilustração - Dentro fora


Traço em nanquim e aplicação de cores com programa Painter , mas isso faz muito tempo!!!!

4.10.09

Fogão desencante e Palestra arranca na tabela



Enfim o Botafogo acordou e jogou para vencer e como o Estevam disse, a sorte desta vez esteve do nosso lado. Vai precisar de muita sorte para escapar da segundona.
Do Palmeiras não sei, nem vi os gols. Mas foi uma vitória na casa do Peixe e valeu. O Verdão agora vai pra cima e arranca na tabela, tá com pinta de campeão. Esse Muricy é danado mesmo, sabe armar um time no meio do furacão. Mas ainda não confio plenamente, o time me parece muito irregular.

Mercedes Sosa - Hasta la victoria, siempre


Mercedes Sosa viverá para sempre no nosso coração americano.
Tive o prazer e a honra de ver e ouvir "La Negra" cantar, uma vez no Maracanãzinho e depois, em data recente( 7/10/2008), no Teatro Municipal do Rio de Janeiro - no dia da solenidade da entrega da Ordem do Mérito Cultural.
Hasta siempre...

Dica do Gerdal:Telas de Nelson Sargento e o encanto de Marina Íris são destaques deste domingo em programação na Gamboa (grátis)


Numa simpática e eficiente produção de Didu Nogueira, realiza-se neste primeiro domingo de outubro mais um prazeroso e animado encontro no Centro Cultural José Bonifácio ("flyer" acima), na Gamboa. Diversos atrativos culturais, integrados, entre os quais se destacam a pintura de Nelson Sargento e o canto doce e brejeiro de Marina Íris, filha do compositor Celso Lima, acompanhada pelo Grupo Coisa e Tal. Bom de ver, bom de ouvir.
         Um ótimo domingo a todos. Muito grato pela atenção à dica.
(Clique no flyer para ampliar e ler melhor)

Do fundo do baú: Ilustração - "olho concreto no abstrato"


Na época em que explorava as possiblidades do programa "Painter"

3.10.09

Conto da Tinê: SEM SUZETTE (trecho)


Em surdina, num toca-discos longe da mesa, ouvia-se o final da “Marcha do Leão”, de Saint-Saëns. Com ares de quem vai encerrar o assunto, Adèle-Marie tomou a iniciativa ao anunciar o nome que escolhera enquanto dispunha papéis virados de cujos versos em branco entrevia-se linhas de espadachim contra o tampo rústico em jatobá.
-- “CRÊPERIE DE BERGERAC”.
A essa altura, do aparelho sonoro veio a faixa “Galinhas e Frangos”.
Três se entreolharam. Duas franziram a testa. Uma virou-se para o vazio ao reprimir o riso. Todos tiveram de levar por escrito ideias, se possível com esboço de letreiro – que decidissem de uma vez a marca do negócio!
-- Crap de quem?! – lascou Umbelina, a salgadeira.
-- Cre-pe – explicou, elegante. – Aquilo que todos adoram e chamam de panqueca embora não o seja, pois este não tem recheio, apenas leva calda ou manteiga, quando muito uma bola de sorvete por cima.
Em gestos suaves, Adélia transformou-se. Coincidência ou não, a obra musical estava em “Aquário”. Devo dizer que A.M. é assim desde o colégio Notre Dame, tem horror dos que mascam chicle ou palitam os dentes em público. Ao ir morar no interior, ela acreditava contribuir para o refino da cultura local, ainda que começasse pela ponta da língua até a beleza e a harmonia saírem por olhos e ouvidos. E que ela encontrou inspiração para sua atual proposta em Cyrano – ou melhor, no pasteleiro que definia o medalhão de carne bem feito como ode às papilas gustativas, a ponto de despertar desejos quase incontroláveis no poeta de Bergerac. Arrebatada, ela citou trecho do livro, releu-o como quem repete mais de uma vez o prato de entrada a fim de, como preliminar, revelar temperos escondidos. Havia em sua voz certa volúpia despercebida pelos ouvintes.
-- Adelinha, - ponderou Sinésio – o povo daqui só entende português. Estamos em terras de Guimarães Rosa...
-- T’aí, que tal “REGALOS DO MIGUILIM”? – cortou brusca Clarinda dos Pingos d’Ouro.
-- Podia ser uma cafeteria com nome em hai-kai: “DO VERMELHO FRUTO / AGRIDOCE / BOM CAFÉ AMANHECE”. Ou apetece. Serviriam os tais crepes com queijo e goiabada. Minissuflês de goiabada com queijo. Bota-de-mineiro com bastante queijo derretido na goiaba – sugeriu Iselda. – E o senhor, Seu Zé Barba, o que nos diz?
-- Olha, dona, eu entendo mesmo é de massaronga, biju e bobó. Gostei do café em versos no alto da porta. Donadélia falou bonito, mas o pessoal vai chamar o lugar de Birosca do Bergeraca...
-- Seu negócio é mandioca no ralo grosso, heim! – Gargalhadas. – Para essas suas especialidades, haja mandiocal! O senhor pode variar com baroa, inhame, cará...
-- Gente, - cochichou Iselda, - pela cara de Adelita, vamos acabar em “SUSIE Q’S PANCAKE”.
-- Ou “TORTILLAS DE SUZANITTA” carregadas na pimenta e flambadas na tequila em vez de conhaque francês. – pinicou Clarinda, ao som de “Fósseis”.

Tinê Soares (25/09/2009)

Dica do Gerdal:Zé Carlos Bigorna toca, neste sábado, com o seu quarteto, no Santo Scenarium


De Porangaba (SP) para o mundo: Zé Carlos Bigorna, saxofonista e flautista, um dos melhores do Brasil, que, em 1971, veio para o Rio de Janeiro, atendendo a convite de um primo, o pianista José Roberto Bertrami. Do amigo Bigorna, repasso o "flyer" acima, sobre uma apresentação, com o seu quarteto, neste sábado, 3 de outubro, às 21h30, no Santo Scenarium. Satisfação garantida: som de prima. 
          Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

Espírito de porco Olímpico


Entrei no espírito Olímplico! Arremessei a conta do condomínio aqui no play ground, e ele foi parar lá longe, acho que uns 200 metros de distãncia. Numa corrida de obstáculos, saltei sobre as contas de luz, gás e telefone. Ah, dei um mortal carpado em cima do plano de saúde que está na estratosfera! Corri feito louco dos credores e os venci nos 100 metros rasos, nos fundos e na maratona de juros sobre juros. Só perdi para uns pivetes que fugiam da polícia , mas isso mostra que nossa juventude está se preparando a todo vapor para as Olimpíadas de 20l6. Falando em pivetes, já estou pensando em investir uma grana em camisetas para turistas que virão assistir aos jogos . Nelas vai estar escrito bem em cima do peito: - Não sou seu tio, não tenho dinheiro, mas gostaria de ter.
Quanto às nossas possiblidades de êxito nos jogos, acredito que na modalidade “arrastão em túneis“, nós vamos arrebentar, e no quesito “tiro ao alvo com balas perdidas” , acho que não vai ter para ninguém.
Quando anunciaram que o Rio tinha vencido Madri, eu vi um velhinho gritar: - Iés uí cam! Ele não tinha um dente na boca feliz e olhe que estava há horas numa fila de um posto médico e saiu de lá com um pedido de exame que vai ser marcado só para fevereiro do ano que vem! . Sem dúvida, esta é outra modalidade de esporte que acrescentaremos aos jogos que se realizarão em nosso território pátrio: “Resistência em fila de Hospital“. Um rapazola que estava passando no local, em que o idoso gritou de felicidade , acrescentou que deveríamos também botar uma prova de “re- vazamento“, já que ele tinha gastado todas suas baterias etudando para o Enem , mas necas, a prova tinha vazado e tudo foi pro brejo. Ele disse que nunca viu tanto vazamento no país. Toda hora vaza alguma coisa para a imprensa…
De qualquer forma, estou feliz. Não sei porque, mas acho que todos os cariocas que vibraram também não sabem. A alegria aqui é uma pandemia! Também, não é qualquer prefeitura que decreta ponto facultativo numa sexta-feira só pro pessoal ir para Copacabana assistir à eleição do COI e ter um show “de grátis”.
Talvez possamos criar uma organização para controlar os gastos dos investimentos nas obras - um portal-transparência, para evitar a mão grande na hora das contas. Talvez até 2016 tenhamos uma campanha do tipo : Fora corrupa! Só espero que essas Olimpíadas ajudem o Rio a retomar sua autoestima, resolver a encrenca do transporte público, da saúde, o problema das comunidades carentes, da segurança do cidadão e que se reestabeleça a paz na cidade partida.
Só não entendi uma coisa: Por que a população de Chicago rejeitou sediar os jogos Olímpicos de 2016 e o pessoal de Tóquio não se interessou muito por essa parada?
Confesso que fiquei com a pulga atrás de orelha, e olha que ela é uma saltadora "medalhada"!(ou seria medalhista?)
Bem, vou parar por aqui, que já cansei dessas Olimpíadas…Ufa!!!