30.4.10

Do fundo do baú - Ilustação- Aquarela:"Mulheres no meio do abstrato"


Aquarela e lápis de cor sobre papel Canson branco.

29.4.10

Lançamento de livro sobre Nabuco hoje em Sampa


Meu amigo, o Professor Marco Aurélio Nogueira lança hoje em Sampa seu livro "O Encontro de Joaquim Nabuco com a Política - As desventuras do liberalismo"(flyer acima). O evento vai rolar no Instituto Fernando Henriaque Cardoso, a partir das 16 horas. O endereço: Rua Formosa, 367, 6º andar - Centro de Sampa.
(Clique na imagem para ampliar e ler melhor as informações)

Dica do Gerdal: Helio Delmiro toca nesta quinta no Lapinha - "o cara" numa fila de mestria instrumental da MPB


  Orgulho das cordas brasileiras e executante de improvisos que sensibilizam até o menos jazzístico dos mortais, o virtuose carioca Helio Delmiro apresenta-se em show nesta quinta-feira, 29 de abril, no Lapinha, às 21h30 ("flyer" acima). Nascido no Méier, já aos 14 anos tocava em bailes do subúrbio carioca, integrou o Fórmula 7 (com Luizão Maia e Márcio Montarroyos, entre outros) e, mais tarde, na segunda metade dos anos 60, atuou no quarteto do saxofonista Victor Assis Brazil. Em 1978, quando foi considerado um dos cinco melhores guitarristas do mundo pela "Down Beat", arrebatou a diva Sarah Vaughan ao participar, com a sua guitarra prodigiosa, do elepê "O Som Brasileiro de Sarah Vaughan", dose repetida, dois anos depois, ainda com ela, no "Exclusivamente Brasil", desta vez com destaque na capa. Ao seu lado, no palco, Elis Regina continha ganas de cantar para que o público não perdesse a lembrança de um solo maravilhoso que estava ouvindo, pois, como já havia observado o crítico José Domingos Raffaelli, extático à audição de "Hélio Delmiro in Concert - Romã", lançado na Sala Cecília Meireles, em 1991, "um músico dessa estatura não se vê por aí todos os dias". 
            João Pernambuco, Garoto, Bola Sete, Laurindo de Almeida, Luiz Bonfá, Baden Powell, Manoel da Conceição, Rosinha de Valença... Tantos imortais saudosos nesse setor instrumental da MPB, não é mesmo? E lá vêm Yamandu, Alessandro Penezzi, Daniel Santiago, Gabriel Improta, Rogério Caetano, Marcelo Menezes (Macarrão), Bruno Mangueira, Bisdré...A fila anda, portanto, e muito bem, ainda puxada, felizmente, por este elo de excelência entre gerações e grande referência para os mais novos que é Helio Delmiro. "O cara", como certamente estes diriam, tocando, em uníssono "free".
             *** 
Pós-escrito: nos "links" abaixo, Helio Delmiro faz solo em "Ponteio", de Edu Lobo e José Carlos Capinam; "Rapaz de Bem", de Johnny Alf, na companhia especialíssima do sax de Roberto Sion (também Victor Cabral, à bateria, e Sidiel Vieira, ao contrabaixo); e "Marceneiro Paulo", de lavra própria, feita em homenagem a um avô. 

http://www.youtube.com/watch?v=tvxm5oEFIiQ 


          

http://www.youtube.com/watch?v=-N9I61u7Jm4&feature=related
 
         

http://www.youtube.com/watch?v=D9pFEkHV0ys

Do fundo do baú - Ilustração: "Godard e Je vous Salue Marie"


Esta ilustração foi feita na época do lançamento do filme, faz parte de uma HQ que fiz e cuja última cena era esta. Não me perguntem onde foi parar o resto da HQ.
(Clique na imagem para ver melhor)

Ligiana canta de amor e mar nesta quinta em Sampa


(Recebi por e-mail do meu amigo Emiliano Castro os dados de um show de Ligiana que vai rolar nesta quinta em Sampa)
Ligiana
"de amor e mar"
Ligiana. voz e mestra de cerimônia
Marcel Martins. cavaco de 5 cordas e coro
Emiliano Castro. violão de 7, cavaco e coro
Alfredo Bello. baixo acústico e coro
Douglas Alonso. bateria e couros

dia 29/abril, 5a feira
às 22h
na Casa das Caldeiras, av. Francisco Matarazzo, 2000
R$ 20,00
Meio samba, meio mediterrânea, meio barroca, meio bossa, meio choro, meio 70, meio câmara, meio...
Já ouviu?
Até a festa!

28.4.10

Do fundo do baú: Ilustração : "Roda da morte e vida severina"


Esta foi parar na então Bíblia das Artes Graficas, a Graphis. É feita numa técnica chamada "xilogravura de paulista" na qual se usa nanquim e guache num processo que já expliquei aqui neste blogue ou em outro - não me lembro.
Clique na imagem para ampliar e ler melhor.

Francis Hime no Centro Cultural Carioca , hoje, dia 28 quarta feira


Francis Hime se apresenta hoje, dia 28 de abril às 21:30h no Centro Cultural Carioca
Rua do Teatro, 37, Centro, Rio de Janeiro/RJ
Fone: (21) 2252.6468
Site: www.centroculturalcarioca.com.br

27.4.10

Dica do Gerdal: Áurea Martins no De Conversa em Conversa deste mês no Santo Scenarium - a prova do mingau artístico pela beirada da noite


Ex-inspetora de classe no Colégio Estadual André Maurois, no Leblon, Áldima Pereira dos Santos, carioca de Campo Grande, apareceu para o Brasil, em 1969, ao cantar "Pela Rua", de Dolores Duran e Ribamar, com arranjo de Anselmo Mazzoni, obtendo nota máxima de todos os jurados e alcançando o primeiro lugar no programa "A Grande Chance". Já era, então, conhecida pelo cognome artístico de Áurea Martins (Áurea" pelos dentes brancos de um sorriso largo e "Martins" por semelhança física detectada com o finado sambista Abílio Martins), recebido de Paulo Gracindo e Mário Lago em outro caça-talentos, o radiofônico "Tribunal de Melodias", pelas ondas da Nacional-RJ, por eles comandado. Como consequência da conquista obtida na atração televisual de Flávio Cavalcanti na Tupi, lançou em 1972 pela RCA o elepê "O Amor em Paz", com produção de Rildo Hora, arranjos de Luiz Eça e participação do poeta Paulo Mendes Campos, no qual interpretou clássicos românticos, como "Fim de Noite", de Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli, "Pra Você", de Sílvio César, e "Apelo", de Baden Powell e Vinicius de Morais (um samba-canção lançado em 1966 por outro cantor que a noite carioca abraçaria, Sílvio Aleixo, este uma atração, mais adiante no tempo, da cervejaria Bierklause). A voz rouca e aveludada da "crooner" Áurea Martins (foto acima) a levaria ao périplo profissional por diversos bares e boates de prestígio no sereno carioca, como a Number One, em 1972, revezando-se, ao som do piano de Édson Frederico, com os também novatos Alcione e Djavan; ao 706, no Leblon, em meados da mesma década, onde cantou acompanhada por Cristóvão Bastos e conheceu o amigo fraterno Emílio Santiago - outra revelação de "A Grande Chance" - ; e, no final dos 70, na Lagoa, ao Teclado, acompanhada ora por Zé Maria Rocha, ora por Johnny Alf, e ao Chiko`s Bar, onde mais um pianista lhe faria boa companhia na canção, o bossa-novista mangueirense Luiz Carlos Vinhas.              .
       Cantora que fazia Elizeth Cardoso sair de casa à noite para vê-la sob as luzes da ribalta - "coisa rara em Elizeth", segundo observação de um grande amigo de ambas, Hermínio Bello de Carvalho -, Áurea Martins, cujo recorte interpretativo remete ao figurino de célebres cantoras, como Zezé Gonzaga, Dalva de Oliveira e a própria Divina, ganhou no ano passado o Prêmio de Música Brasileira (antigo Prêmio TIM) como a melhor cantora da MPB. Flores tardias, mas ainda ofertadas em vida a uma personalidade que, nos últimos anos, soltando a voz ebanácea no sacudido Carioca da Gema, na Lapa, soube granjear a simpatia e a admiração de uma garotada classe-média não aparvalhada pelos "mass media" e antenada com a tradição do samba. Também entre jovens musicistas, entre as quais a covocalista gaúcha Vica Barcellos, Áurea avulta no "ensemble" feminino da Orquestra Lunar, de belo CD lançado em dezembro de 2007. O saudoso Mestre Marçal, sempre que visitado pela prudência, dizia "provar o mingau pela beirada do prato, enquanto ele esfria no meio". Áurea Martins jamais foi uma "cantora de multidões", mas, em contrapartida, ao reiterado som do aplauso noturno, soube fixar no seu microfone uma indiscutível referência de qualidade e pastorear ao longo da estrada artística um rebanho não tão numeroso de admiradores, porém fiéis e musicalmente informados, ou seja, a sua "multidinha", como, em tempo anterior ao seu, já o fazia outro cantor referência de valor e capacidade, o pré-bossa-novista Lúcio Alves.
       Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 
       Um abraço,
 
       Gerdal         

Pós-escrito: 1) Nesta terça, 27 de abril, às 19h30, no Santo Scenarium (Rua do Lavradio, 36 - Lapa - tel.: 3147-9007), Áurea Martins canta e bate um papo sobre a carreira com o jornalista Amaury Santos, em mais uma etapa do mensal De Conversa em Conversa, da Caravela Brasileira Produções
                  2) nos "links" abaixo, Áurea Martins canta "Escuta", do nosso "chansonnier" Ivon Curi; "Eu Sou a Outra", do jornalista Ricardo Galeno e sucesso da carreira de Carmen Costa; e, com o promissor Moyseis Marques, da geração Lapa, dois sambas de Billy Blanco: "Estatuto de Boate" e "Mocinho Bonito".
 
 
        
http://www.youtube.com/watch?v=o01d5_yXnY8&feature=related
 
        

http://www.youtube.com/watch?v=8-tib5Fxjiw#


         

http://www.youtube.com/watch?v=rpZRvxfxdQ0&NR=1

 
         

http://www.myspace.com/aureamartins

CCJF abre terça, dia 27 de abril, a exposição Ruy Santos:imagens apreendidas com fotografias retidas pela Polícia Política Brasileira.



A exposição Ruy Santos : imagens apreendidas (flyer e foto acima) traz a público, pela primeira vez, material inédito do fotógrafo e cineasta carioca Ruy Santos (1916-1989), encontrado recentemente no acervo fotográfico do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. A proveniência do material lá depositado se origina na participação ativa de Ruy como militante, fotógrafo e cineasta do Partido Comunista Brasileiro durante os anos 40, que registrou em película muitas personalidades do Partido, entre elas, Luiz Carlos Prestes, Graciliano Ramos, Cândido Portinari, Clóvis Graciano, dos quais serão exibidos portraits fotográficos.
A exposição contempla ainda cópias fotográficas do comício de Luiz Carlos Prestes no estádio do Pacaembu, em 15 de julho de 1945, em São Paulo e do curta, Comício: São Paulo a Luiz Carlos Prestes, com 9min e 14 seg de duração. O filme, com direção e fotografia de Ruy Santos, foi produzido pela Cinédia em 1945, com texto de Alinor Azevedo e narração de Amarílio de Vasconcelos com realização do Comitê Nacional do Partido Comunista. Com tom heróico, o filme e as imagens realçam o aspecto grandioso, de grande espetáculo político-partidário que o PCB estava inaugurando naquele momento, em que o povo é mostrado como grande protagonista do evento.
A exposição exibe ainda material de arquivo de Ruy sob a guarda do APERJ, como cartas, documentos pessoais apreendidos pela Polícia Política, como o roteiro do primeiro longa dirigido por Ruy, o documentário  24 anos de lutas: como se formou o partido comunista do Brasil. O filme foi rodado em 1945, para o qual Ruy filmou Prestes ainda na cadeia. O documentário está desaparecido desde 1947, quando foi apresentado ao Serviço de Censura de Diversões Públicas, visando obter licença de exibição, jamais obtida. O que restou dele foi somente este roteiro, arquivado no APERJ.
As cópias fotográficas encontradas de Ruy no APERJ são remanescentes de seu acervo, destruído pela Polícia Política por ocasião de sua prisão em 1948.
A exposição, que contará ainda com exibição de outros filmes e debate, é fruto de trabalho de pós-doutorado em desenvolvimento da pesquisadora Teresa Bastos efetuada junto ao Fundo Polícia Política, do acervo do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. A Polícia política brasileira, por sua atuação implacável no controle e vigilância aos cidadãos, de 1930 a 1983, de algoz passou a guardiã de uma vasta documentação ainda pouco explorada e conhecida de um período relativamente recente da história do Brasil.
 
Sobre Ruy Santos
 
Ruy fotografou e dirigiu mais de 30 documentários, dos quais alguns foram premiados no Brasil e exterior. De sua estréia ainda jovem como assistente de fotografia do lendário filme Limite (1930), de Mário Peixoto, até sua morte em 1989 foram mais de 47 anos de cinema e fotografia.
Apesar de extensa cinematografia, Ruy Santos é desconhecido do público. Sua obra cinematográfica está dispersa, caiu no ostracismo e suas fotografias até então não tinham sido identificadas.
Ruy trabalhou no DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda- do governo Getúlio Vargas, e atribui a sua veia documental a essa passagem pelo órgão. Se no DIP Ruy aprendeu e experimentou muito, foi no Partido Comunista que obteve projeção internacional, graças ao documentário 24 anos de lutas, chegando a representar o Brasil como membro efetivo da diretoria da União Mundial dos Documentaristas, instituição situada em Praga, Tchecoslovaquia, em 1948.  O filme foi exibido no Rio, na ABI, em 1946. Ruy era comunista e comungava, como muitos artistas e intelectuais da época, dos ideais e da perspectiva do PCB.
Em sua incursão pelo cinema, Ruy Santos além do documentário, também dirigiu, produziu, escreveu roteiro e fez a fotografia de  filmes de ficção, com uma paixão em especial pela literatura. Adaptou para o cinema os contos de Maximo Gorki Onde a terra começa (1945) e  O desconhecido (1978),  a partir do conto homônimo de Lúcio Cardoso. Trabalhou ainda com o escritor no filme  A  mulher de longe (1949) com roteiro e direção do  próprio Lúcio. Trabalhou ainda com o holandês Joris Ivens na parte brasileira de Uma criança vem ao mundo (1952) e de Le chant des fleuves (1954), esse último um documentário comparativo entre os grandes rios do mundo e as multidões de trabalhadores.
 
Serviço
Título: Ruy Santos:imagens apreendidas
Sala: Gabinete Fotográfico
Data : 27 de abril (abertura com coquetel)
Visitação : de 28 de abril a 13 de junho 2010
                     Terça a domingo, das 12 às 19 hs
Curadoria: Teresa Bastos
Quantidade de imagens: 21
Imagens:  Fotografias em preto e branco, tamanho 50X70 cm  em moldura  70 X 80 cm.
Realização: Centro cultural Justiça Federal e Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro
Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Departamento de História da Universidade Federal Fluminense, Cinemateca do MAM, Centro Técnico Audiovisual (CTAV) e Gráfica e Editora Minister.
Exibição de filmes e debates:  Teatro CCJF
Datas: 15 e 23 de maio de 2010
Informações: Assessoria de Imprensa CCJF/Luciana 32612556/luciana@trf2.gov.br

Do fundo do baú: Ilustração "Aquarela com cão e gato"


Aquarela sobre papel Canson branco. Esta foi ilustração de crônica.
(clique sobre a imagem para ampliar e ver detalhes)

Dica do Gerdal: Gisa Pithan mostra músicas do novo CD nesta terça em Ipanema - o nosso pop-blues feito com sensibilidade e substância


"Loucura é um desejo sem limite/pode ser um beijo, uma flor ou dinamite/limite é o que me deixa por um fio/o fio não me faz segura/não me diz se arrebenta ou se sustenta a fúria/o estado febril, o surto, a febre, o pulo/o descontrole da calma/o desconforto da alma/a sensação de estar no alto/decidindo a vida num salto."
 

        Prezados amigos,
 
        Há poucos dias, apresentada por um amigo comum, Alfredo Galhões (pianista, arranjador e gastrônomo de mão cheia), pude conhecer a doce figura de Gisa Pithan. Cantora, compositora e violonista porto-alegrense que se destacou por uma década na cena musical brasiliense, em particular a do palco pop, por um trabalho autoral explicitado com verdade e energia, dela eu já acolhera, em meu "hit parade" afetivo, a balada "Por Um Fio" - do seu primeiro CD, de 2000, e dos versos acima -, uma beleza com levada de baião na segunda parte e ora regravada, no recém-lançado "No Meio do Mundo", com novo arranjo e acento blues igualmente bem colocado. Ainda em Brasília, em 2003, ela fez o show de reinauguração da Sala Funarte, rebatizada de Cássia Eller, com uma homenagem a essa artista precocemente desaparecida, o qual contou com participação especial de Gilberto Gil. Um show que teve desdobramento local em temporada bem-sucedida, de lotação esgotada, no prestigiado Feitiço Mineiro. 
        Três anos antes, para 30.000 pessoas, Gisa Pithan havia cantado com Mílton Nascimento em show ao ar livre, na Esplanada dos Ministérios, por ocasião do quadragésimo aniversário da Capital Federal. Essa guerreira, que integrou o conjunto músico-performático Mulheres de Atenas e também despertou a admiração da excelente cantora Leila Pinheiro, já embalou, com o seu timbre grave, a atenção de espectadores europeus, levando a sua canção a apresentações em Paris, no Blue Note Café, e em Viena, no Jazz Fest Wien - Festival Internacional da Arte -, realizado em 2002. No novo CD, destacam-se ainda, especialmente, outra balada, "Não Queira Saber a Hora" - de um dos "links" abaixo -, primeiro lugar no Festival do Descobrimento, em Porto Seguro (BA), em 2007; a tangueada "Farinha do Mesmo Saco", com participação do uruguaio Roberto "Pelín" Capobianco ao bandoneão, e, curiosamente, o sucesso popular de  "Vai Vadiar", de Monarco e Ratinho, que retoma em Gisa Pithan um novo e surpreendente sabor, ou seja, o de um rematado blues, com arranjo do guitarrista Luce e que caiu no agrado até mesmo de gente do samba, como Camila Costa, vocalista e violonista do Sururu na Roda. Gisa prossegue temporada no Conversa Fiada, em Ipanema, nesta terça, 27 de abril, a partir das 19h30 ("flyer acima). Grande Gisa. 
       
 
http://www.myspace.com/gisapithan
 

http://www.youtube.com/watch?v=mFXRUWvt7Rk
    

26.4.10

Do fundo do baú: Ilustração "Aquarela com sapatos, jornais e abajur"


Aquarela sobre papel Canson branco. Clique na imagem para ampliar e ver melhor os detalhes da ilustração.

25.4.10

Croniqueta: E não é que assaltaram as figurinhas!


Cheguei tarde na dividida, mas acho que posso fazer uma firula. Então vai!
Sentimentos de prazer e pesar se misturaram na minha cabeça cheia de Canclinis e Baumans, ao saber pelos jornais e sites noticiosos de um fato que ficou conhecido como “o roubo das figurinhas”.

Acredito que nesta altura do campeonato, todo mundo já está careca de saber que no dia de Tiradentes, um bando composto por cinco assaltantes cometeu o desatino de roubar 135 mil figurinhas da Copa. Os meliantes invadiram uma empresa que fabrica as referidas figurinhas, renderam o segurança e na mão grande se apossaram de uma carga que estava pronta para ser distribuida. A editora que controla esse setor “figurativo” informou numa nota, que a falta de figurinhas, que se verifica ultimamente nas bancas de jornal, não tem nada a ver com o assalto . Essa carência se deve mesmo à excepcional demanda por esse tipo de produto, que se explica pelo fato de estarmos pertíssimo do pontapé inicial da Copa do Mundo de futebol. Uma pena!
Pois bem, apesar dessa catástrofe “figuracional” fiquei muito contente ao saber que num mundo tão dissolvente, existe ainda essa modalidade de coleção que conheci quando era menino, no final dos anos 50 e pratiquei durante os anos 60.
As figurinhas eram uma coqueluche nessa época e acredito que isso deve ter tido uma origem, mas não posso precisar a data. Só sei que tinha figurinha de tudo quanto é tipo, desde as clássicas, de times de futebol, até as de um filme, como “Marcelino, Pão e Vinho”, passando pelas histórias estilizadas por Disney e galerias de artistas de Hollywood. As figurinhas eram coladas com “goma arábica”, que era aplicada com um pincel de cabo de metal que soltava os pelos. Dependendo da quantidade de cola que se passava, acontecia de colar páginas e o album ficava com uma espessura maior. De qualquer forma, podemos classificar este “fenômeno colante” como pertencente à era pré-pritt, pré-polar ou, como queiram, formas modernas que permitem um maior controle na aplicação do produto… O interessante é que na era da “goma arábica”, os garotos acumulavam muitas figurinhas chamadas de “repetidas”, eram as que sobravam do álbum. Para se livrarem delas, praticavam a troca, ou um tipo de jogo. Era uma disputa que tinha por nome “jogo de abafa”, “de abafo” ou de “bafo”. Não me lembro muito bem das regras desse joguinho e não sei como conseguirei explicar sem a ajuda de um infográfico. Funcionava mais ou menos assim: Tudo começava com uma disputa“par ou ímpar” para ver quem era o primeiro a jogar . Quem ganhasse, botava sua figurinha com a “cara” do seu craque virada para baixo, em cima de um suporte plano (chão de cimento, terra batida ou mesa). Aí perdedor do “par ou ímpar” botava uma figurinha dele (também com a “cara” do seu atleta virada para baixo) em cima desta primeira . Então o ganhador do” par ou ímpar”, com a mão espalmada formando um tipo de concha tentava, com um rápido movimento de sucção do ar, “virar” as duas figurinhas. Se ele conseguisse “virar” a cara de apenas um dos craques para cima, ganhava somente essa figurinha. O outro menino, então tentava a mesma coisa. Se conseguisse “virar” o outro artista da bola, ganhava a figurinha restante, se errasse, o seu oponente teria outra chance de tentar ganhá-la. A regra, acho que neste ponto variava, pois em alguns bairros, só se validava a vitória se o menino conseguisse virar as duas figurinhas de uma só vez (a essa tentativa de “virar” as figurinhas é que se chamava “abafa”, “abafo” ou “bafo” que creio que designava o ato de sucção pneumático e “viragem” da figurinha). As apostas também podiam ser feitas casando um número maior de figurinhas para evitar a perda de tempo causada se eles ficassem jogando com apenas duas figurinhas de cada vez . O curioso é que nessa época, tempo, era o que mais se tinha para perder. A vida era menos corrida – mas isso também era relativo- tudo acabava quando se ouvia a voz da mãe de um deles chamando num belo pleonasmo: - “Fulaninho, entra prá dentro”... Era o dever de casa, que acho que existiu em todas as eras.
E esse, era o tempo também, das figurinhas “carimbadas” - difíceis de conseguir, pois vinham uma vez por mês, em apenas alguns dos pacotinhos. Soube por uma materia de Maurício Stycer do site UOL, que participou de uma troca de figurinhas recentemente, do lado de fora da Livraria Cultura de Sampa , que já não existem mais figurinhas “carimbadas”- o que me deixou triste, pois era um componente fundamental desse tipo de prática, que valorizava sobremaneira (adotei esse termo Tinê) o ato de colecionar. Hoje, ao que parece, as figurinhas já são auto-adesisvas…
De qualquer maneira houve uma reatualização (diria ritualização) do ato de colecionar figurinhas, o que é bacana. Pena que não dá para fazer isso com os jogadores de clubes, pois com migração de craques e as chamadas “janelas” é difícil um time ficar com os mesmos craques durante um campeonato. Quanto aos técnicos então, esses rodam mais do que saia da ala das baianas na Sapucai…Mas é bom saber que continua a febre das coleções de figurinhas , uma doença infantil do consumismo? Uma nostalgia? Qualquer dia voltam os seriados que abriam as sessões de cinema como “O monstro da Lagoa Negra, os lanterninhas que nos indicavam os lugares vagos,a bola de capotão, o guarda-noturno com seu apito, os patrulheiros Toddy, o Rim-tim –tim, o Roy Rogers e seu cavalo Trigger, o Gigante Amaral, a série Rota 66, Papai Sabe Tudo, Dr.Kildare, Bonanza, Waltons com o "boa noite John Boy" na meiga voz de Mary Ellen, o Sêo Barbosa com sua bicicleta-padaria trazendo sonhos quentinhos no bagageiro… Bem, aí seria querer demais.
NR: Acabei de saber no site YouPode, que a editora das figurinhas criou um site onde as pessoas podem continuar suas coleções - como fazem habitualmente, colando no álbum e tudo mais. É que parece que não vai dar mesmo para repor o estoque de figurinhas nas bancas.Para entrar no álbum virtual precisa se cadastrar na página deste link http://pt.stickeralbum.fifa.com/login.

24.4.10

Do fundo do baú - Ilustração "Fora de esquadro"


Esta aquarela foi feita sobre papel Canson. Clique na imagem para ampliar e poder ver melhor os detalhes.

Dica do Gerdal:Jorge Bonfá toca neste sábado em Copacabana pelo Viradão - o sentimento de Minas tangendo nascentes cordas cariocas (grátis)


Carioca residente desde 1990 em BH, onde se tem projetado até mesmo para o mundo como um violonista, compositor e arranjador de larga competência e sensibilidade, Jorge Bonfá brinda a cidade natal com a sua música neste sábado, 24 de abril, na Sala Baden Powell, às 20h, com entrada franca ("flyer" acima).  No mês passado, tocou no prestigiado Satellit Café, em Paris, e no Divino Jazz Club, em Roma, mostrando o repertório do seu primeiro CD, recém-lançado e produzido pelo pianista Tomás Improta, no qual há ecos enfáticos do seu noviciado musical em rodas de choro em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, na casa dos seus avós, e, no tocante ao seu instrumento, a influência dos mestres Hélio Delmiro e Alvimar Liberato, além dos três anos de curso na Escola de Música da Fundação Clóvis Salgado, na capital mineira. Embora siga o rastro de brasilidade deixado pelas cordas senhoriais de Garoto, Jorge Bonfá gosta ainda de trafegar pelas pistas expressivas da música erudita e do jazz, sendo vitorioso em festivais por meio de composições próprias: Belém do Pará, em 2007, e Guarulhos, em 2009, com "Uma Valsa na Noite" e "Dois Irmãos", respectivamente. Também abiscoitou, em 2008, o cobiçado Prêmio BDMG Instrumental, na sua oitava edição.
               Nos "links" abaixo, ele apresenta "Manoela" e "Praça Seca", de sua autoria, e "Manhã de Carnaval", que projetou internacionalmente o tio-avô Luiz Bonfá e o parceiro Antônio Maria.   
          
 
http://www.youtube.com/watch?v=c7jymRb8kF4&feature=related

 
       
http://www.youtube.com/watch?v=5PAy4XWEFac&feature=related
 
       
 http://www.youtube.com/watch?v=D74uy39t0qs&feature=related

23.4.10

Crônica da Tinê: Terra em trânsito


Entre cismas e sismos, eu disse que o problema era mais embaixo, ele disse que era mais acima. Falei da ação predatória humana, ele rebateu que estava fora da alçada do homem. Pausamos para mais uma garfada no frango com quiabo, batata doce e amendoim. Papo contínuo... O ano começou com um megachacoalho no Caribe, depois no Chile, outro no México, mais um na China, outros menores (mas não menos desastrosos) no golfo pérsico, tremores até em terras nordestinas e sulistas do Brasil. Calores anormais. Meu cacto floriu fora de época. Já tinha um termômetro, comprei um barômetro, o vizinho tem um hidrômetro, agora, acho, vou adquirir uma engenhoca com escala Richter, nunca se sabe o porvir. Aqui e acolá, secas prolongadas, degelos de áreas milenares, enxurradas, transbordos, erosões acima e abaixo do chão. Morte aos milhares. Nuvens de cinza vulcânica paralisaram parte do tráfego aéreo europeu por quase uma semana, às vésperas de comemorar o Dia Mundial da Terra, e os homens só reclamaram dos prejuízos financeiros. Após décadas de secura, este ano choveu cântaros no deserto egípcio. Literalmente, nosso planeta está em cólicas! - de tanto invadirem suas entranhas, ele treme, tosse e vomita. O magma sobe em gigantesca náusea. De tão esburacado, drenado em suas riquezas em prol do progresso humano, o planeta acomoda seus ‘vazios’, tais como caminhos de vermes mortos, com massa ígnea. Geólogos acorrem em explicações minuciosas ilustradas por sofisticados sofwares para que os leigos entendam, tintim por tintim. Ainda avisam que os Alpes estão a afundar, é provável que o mesmo ocorra ao Himalaia e os tibetanos nem percebem: a Terra é silenciosa, evita explosões de raiva até não mais aguentar e ruge a valer. Um dia, Veneza será indicada pelo cimo da catedral como uma boia sinaleira em meio às águas mediterrâneas. Os ambientalistas fazem piquetes em terra, água e ar. Os tecnocratas desdenham. As crianças abraçam árvores em ciranda. As velhas caem de joelhos a rezar: ainda picham o nosso Cristo Redentor carioca! Os utopistas anunciam o fim do governo, da indústria e do comércio gananciosos. Os prejudicados praguejam, apontam dedos à roubalheira. No balanço das ondas, iremos todos a funda, pois sim! Os esotéricos deixaram de lado as cordas navajas, o apocalipse de João e as profecias de Nostradamus para se debruçarem sobre o Livro dos Maias – o fim será em 2012!
Juscelino fundou Brasília há cinquenta anos no planalto central (só podia ser coisa de mineiro precavido), assentou a capital federal em terras ‘zimilenares’ (sobre placas bem sedimentadas) e, o que é importante, longe de ventanias e possíveis tsunamis costeiros. Praias, só as ribeiras (só podia ser coisa de mineiro que não tem mar).
Meu companheiro de almoço, sentado à minha frente, disse-me com ar professoral e mineirês: “É uma questão de ângulo. O eixo da Terra teve uma inclinação mais acentuada, um fenômeno geodésico, o homem nada pode alterar.”
Repliquei com minha relativa ignorância que, quando o Ártico e a Antártica se alinharem à linha do Equador, espero que eu e os meus já tenhamos renascido em alguma aldeola de Andrômeda! Diante da goiabada e do queijo posicionados como astros siderais, comi a sobremesa como se fosse a última.
Para mim, a Groenlândia não passa de uma geleira, mas foi a Terra Verde dos vikings, ou seja, a Greenland teve outrora prados verdejantes como o Saara de hoje já teve suas baleias e ostras. Da Islândia pouco sei, olho pouco na direção de países congelados, só sei que lá nasceu a cantora Björk e a capital é Reykjavik... será que os islandeses, um dia, cultivarão uvas? Por agora, tento pronunciar o nome do vulcão ativo por lá, autor dos últimos rebuliços europeus, o EYJAFJALLAJÖEKULL, palavrão que significa “Glacial da Montanha da Ilha”, e mandar recado ao São Jorge, santo guerreiro homenageado hoje, de que o dragão é imensurável: o planeta precisa de homens melhores. Evoé. Amém.
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Tinê Soares – 23/abril/2010

Do fundo do baú- Ilustração "Pobre mãe, pobres filhos"


Esta é de 1983, foi feita em nanquim com caneta de fluxo contínuo e bico de pena sobre papel Schoeler Hammer liso.
Clique na imagem para ampliar e ver melhor o resultado.

A CEJ, Companhia Estadual de Jazz se apresenta hoje - sexta-feira dia 23 de abri no Drink Café Humaitá


Pois é, a CEJ vai se apresentar hoje no Drink Café Humaitá (veja flyer acima) que fica na rua General Dionísio, nº 11- às 20 horas - o telefone para reservas é 2527-2697.
A CEJ, Companhia Estadual de Jazz, no seu formato Trio, é composto por Fernando Clark na guitarra, Sergio Fayne no piano e Reinaldo no contrabaixo. Como sempre, eles vão atacar com samba-jazz, de João Coltrane a John Donato, com o repertório todo passado no Samba-Jazzificator System...
Falou!

Homenagem do Gerdal: Denis Brean - um compositor eterno do tempo em que já se escrevia Bahia com H




Cunhando para si epíteto artístico marcante na história da MPB, já que o próprio nome, Augusto Duarte Ribeiro - pensava -, era mais condizente com um balcão de secos e molhados, Denis Brean, falecido em 16 de agosto de 1969, completou 40 anos de desaparecimento. Campineiro de 1917, da mesma cidade do maestro Carlos Gomes e dos violonistas Paulinho Nogueira e Armandinho Neves, mudou-se, 17 anos depois, com a família, para a capital paulista, onde se iniciou no batente como escriturário. Largando a faculdade de Direito para se dedicar ao jornalismo, passou por várias redações de jornal, mormente a da "Gazeta Esportiva" - da qual foi diretor nos anos derradeiros de vida -, e, no rádio de São Paulo, também teve participação de destaque, atuando como um "DJ do bem", por muitos anos, em programa na Rádio Record, prestigiando a nossa boa canção popuilar e talentos emergentes do mundo do disco. Foi sócio fundador da Sbacem do Brasil e vice-presidente da Acresp (Associação dos Cronistas de Rádio do Estado de São Paulo), e, ainda, como produtor fonográfico, lançou Hebe Camargo como cantora e o acordeonista Mario Gennari Filho, entre outros, além de dois importantes registros apenas com músicas suas: o dez-polegadas "Roda de samba", em 1958, com a orquestra do italiano Henrique (Enrico) Simonetti, diretor artístico da Mocambo, e foto da então modelo Norma Benguell na capa (com o corpo, de lado, quase todo coberto por um grande chapéu)); e, em 1965, o 12-polegadas "Convite ao Samba", com a orquestra do italodescendente queluzense Lyrio Panicali.
      Coube a um carioca, Cyro Monteiro, dar o pontapé inicial como intérprete dos sucessos de Denis Brean, gravando a sátira "Boogie-Woogie na Favela", em 1945, regravada dois anos depois pelos Anjos do Inferno. Ainda em 1947, Joel e Gaúcho caíam no agrado popular com outra pérola de mesmo verniz irônico, "Boogie-Woogie do Rato", a que Linda Batista se juntaria, lançando a jocosa "Baiana no Harlem" (regravada por Roberta Sá), em 1950, um ano antes de Dircinha Batista gravar "La Vie en Samba", feita em francês em parceria com Blota Júnior. Ainda entre as composições com letra e música exclusivamente suas, avultam "Melancolia" e "Bahia com H", uma linda exaltação ao estado natal de João Gilberto sem que Denis, como o mentor da batida diferente revelou em show recente, a tivesse visitado "sur place". Nos anos 40, conhecendo outro jornalista campineiro, Oswaldo Guilherme, dividiu com ele diversos sucessos, especialmente no compasso analgésico do samba-canção, como "Conselho" , por Nora Ney, e "Franqueza", por Maysa, clássicos da fossa gravados em fins dos anos 50. Uma exceção a isso, por exemplo, foi a marcha "Como É Burro Meu Cavalo", que, com a graça habitual, o nosso saudoso "cowboy" Bob Nelson, mais um campineiro, desfilante histórico do Império Serrano, legou à posteridade com a marca inalienável do seu "tiroleite".
      Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção a essa modesta recordação pessoal de Denis Brean.
 ***
Pós-escrito: entre as fotos acima, a de Denis Brean com Oswaldo Guilherme foi clicada em 1964 na cidade paulista de Itanhaém, aonde ambos iam com frequência, sobretudo em dias de folga ou férias. Aquela em que João Gilberto segura um berimbau foi tirada, em julho de 1965, na casa de Denis, então morador no bairro paulistano de Indianápolis.     

22.4.10

Do fundo do baú - Ilustração "Universidade"


Esta ilustração é de 1985, foi feita em nanquim com caneta de fluxo contínuo sobre papel Schoeler Hammer liso.
É uma ilustração grande, que na hora de botar no blogue fica pequena, portanto, clique na imagem para ampliar e ver melhor os detalhes.

Dica do Gerdal: David Feldman revive, na Lapa, nesta quinta, o som de um beco monumental na projeção do samba com influência do jazz


Ainda menino inquietando a professora de piano por se revelar um tanto arredio à pauta e querer expressar a melodia a seu jeito, como a sentia, e descobrindo, aos dez anos, em Thelonius Monk o sentido da improvisação que, anos antes, já queria exercitar nas primeiras lições de música, o carioca David Feldman (foto acima) tornou-se um instrumentista muito aplaudido e apreciado, até mesmo com entusiasmo, por colegas calejados e de renome, como o gaitista Maurício Einhorn, e por jornalistas versados no "som da surpresa", como o igualmente experiente Luiz Orlando Carneiro. Graduou-se, em 2002, pela New School University, em Nova York, cidade onde teve oportunidade de tocar com outros grandes músicos, entre os quais o trombonista Slide Hampton e um patrício de trompete magistral, Cláudio Roditi. No Rio de Janeiro, há uns dois ou três anos, tive a satisfação de ver o rapaz exercitar sua virtude, entre as pretas e brancas do teclado, em show de outro carioca, o amigo Joca Perpignan, um craque da percussão e compositor inspirado, ora às voltas com o segundo CD da carreira, em que revelará frutos de parceria recente com Délcio Carvalho. 
       Em agosto do ano passado, David foi um dos convidados de um evento, no Copacabana Palace, alusivo à importância axial de um alvoroçado endereço da Rua Duvivier, nos anos 60 - que motivou até cognome dado pelo cronista Sérgio Porto -, na compreensão da bossa nova e da sua expansão internacional. Reunindo grandes nomes, como João Donato e Osmar Milito, envolvidos por essa onda que, então, se ergueu no mar de maravilhas da MPB, o Copa Fest teve como inspiração o elogiado CD "O Som do Beco das Garrafas", lançado também em 2009 por David Feldman, que, a exemplo de outros pianistas, compositores e arranjadores talentosos, como Kiko Continentino e Hamleto Stamato, está na linha de frente do nosso atual pelotão instrumental, especialmente entre aqueles da artilharia do samba com influência do jazz. Um pelotão do bem, naturalmente, que, em vez de "vítimas fatais", faz "admiradores duradouros" dessa fração expressiva do que a nossa gente tem de melhor no campo da arte. E isso, com o seu trio e ainda contando com a participação competente do saxofonista Leo Gandelman, David mostra nesta quinta, 22 de abril, a partir das 21h30 (com show preliminar da ótima cantora Sanny Alves, às 20h), no Lapinha (esquina de Av. Mem de Sá com Rua do Lavradio, em cima do Belmonte - tel: 2507-3435), reproduzindo ali a sonoridade tão bem acolhida pela crítica especializada quanto ao seu disco de estreia.
Obs.: num dos "links" abaixo, com o improviso do jazz, ouvimos David Feldman e o pandeirista nova-iorquino aqui radicado Scott Feiner tocar o clássico "Asa Branca", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. 
  
           http://www.myspace.com/davidfeldmanmusic
 
           http://www.youtube.com/watch?v=Dun10kjLEIw

21.4.10

Quer saber algo sobre a Amazônia?


Quer saber a história da "integração" da Amazônia ao Brasil? Leia o artigo de Lucio Flavio Pinto, um dos maiores conhecedores dos assuntos desta região polêmica do nosso país. Ele é colunista do Site Yahoo. Para ler seu artigo esclarecedor e receber uma aula grátis sobre a História Amazônica, clique no seguinte link http://colunistas.yahoo.net/posts/1493.html

Do fundo do baú - Ilustração "Vinho"


Ilustração de 1983, feita em nanquim com caneta de fluxo contínuo e pincel sobre papel de diagrama de revista.
(clique na imagem para ampliar e ver melhor os detalhes)

Dica do Gerdal:O pianista Fernando Merlino recebe o boa-praça Mu Chebabi, nesta quarta, em série do Baião de 5 no Bar do Tom





Certa vez, faz tempo, dei a um amigo que aniversariava um CD com a bossa melíflua de Lisa Ono, pensando que seria fácil comprar, pouco tempo depois, na mesma loja ou em outra, o disco presenteado e por mim igualmente desejado. Admiro de longa data o modo de cantar dessa cativante paulistana radicada em Tóquio e, curiosamente, até hoje, nem em sebos, num lance de sorte, consegui encontrar tal disco que tem, entre suas faixas, o samba jazzístico "Besteira", de Luizão Maia e Regina Werneck, um dos que mais gosto de curtir na voz de Lisa. Lembrei-me disso em sábado recente, no Lapinha, ao ver tocando, com o seu trio, justamente essa pérola - que havia muito não ouvia -, entre outras do "set list", o carioca Fernando Merlino (foto acima), muito gabaritado e um dos músicos mais atuantes na noite do Rio de Janeiro. Adepto do cristianismo e com formação de piano que passa pelo Conservatório Brasileiro de Música, Merlino já trabalhou com Lisa e um grande número de cantores de prestígio na nossa música popular, especialmente Emílio Santiago e Leny Andrade. 
        Durante este mês, às quartas, no Bar do Tom ("flyer" acima), como integrante do conjunto Baião de 5, juntamente com seu filho, Júlio Merlino (sax e flauta), Jamil Joanes (baixo), Arimateia (trompete) e Erivelton Silva (bateria), Merlino se apresenta e, em cada show, recebe um conviva especial, como o ex-gerente de bufê na PUC-Rio e boa-praça Alfredo José Murilo Chebabi, o Mu Chebabi (foto acima), neste feriado de 21 de abril, figura engraçada de cantor, compositor e guitarrista que, por muito tempo, foi diretor musical do programa "Casseta e Planeta, Urgente!", na TV Globo. Ele está com um novo CD na praça, "Uma Coisa É uma Coisa, Outra Coisa É Outra Coisa" - já lançado, no final do ano passado, no bar Onda Jazz, em Lisboa -, no qual se destaca a hilária "A Beth Está Chegando", feita com Mano Melo ("link" abaixo), como no anterior, de 2001, já se destacava "Hoje Eu Quero Sair Só", gravada com sucesso por um dos parceiros nessa composição, o pernambucano Lenine (o outro é Caxa Aragão). Mu também é parceiro de Nico Rezende em "Rio da Negra" (repaginando a garota de Ipanema e que o tecladista gravou de modo bem dançante e suingado no CD "Paraíso Invisível") e pode ser ouvido, em outro "link" abaixo, em gravação feita com Mombaça. Também Merlino pode ser visto acompanhando, juntamente com o baixista Mazinho Ventura e o baterista Cesinha, a cantora Cacala Carvalho, do Arranco de Varsóvia, que interpreta "Iluminados", de Ivan Lins e Vítor Martins.

http://fr.truveo.com/video-detail/cacala-carvalho-iluminados/3894156410
 
       
http://www.myspace.com/fernandomerlino 
 
       
http://www.youtube.com/watch?v=bTeqfnMlVjc&feature=related
 
       
http://www.youtube.com/watch?v=EefB72xvyeM

Dica do Gerdal: O sopro de Carlos Malta é nota de relevo em mais uma noite do "Bossanovíssima!", nesta quarta, no TribOz


Genial autodidata que, de 1981 a 1993, fez parte da usina multitímbrica de Hermeto Pascoal, integrando com outros excelentes músicos, como o pianista Jovino Santos Neto, o contrabaixista Itiberê Swarg e o baterista Márcio Bahia, o grupo do bruxo alagoano, o carioca Carlos Malta (foto acima), também maiúsculo na composição, abrilhanta com o seu sopro mágico e de extensão internacional mais uma etapa do "Bossanovíssima!" no aconchegante TribOz. Como consequência de recente inundação no Rio de Janeiro, esse show não pôde ser levado a efeito na data inicialmente marcada, realizando-se esta semana, nesta quarta-feira, 21 de abril, de acordo com informação seguinte. De torrencial, agora, neste Tiradentes, só a beleza da música tocada por inspiração dessa bela iniciativa de Tomás Improta.
         Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 ***
             A tempo: no "link" abaixo, com imagens extraídas do Amazonas Jazz Festival de 2006, Carlos Malta apresenta-se com o Pife Muderno, com destaque para a dança do zabumbeiro Durval Pereira, bem casada com o ritmo.    
 
   http://www.youtube.com/watch?v=UlVHSuTEZU8

Serviço:
Bossanovíssima! – Convidado especial: Carlos Malta

Com direção musical de Tomás Improta, o projeto Bossanovíssima! traz nomes consagrados de nossa música e também novos artistas e novas tendências desse ritmo. O quarteto básico é formado por grandes instrumentistas, e a ele se juntam convidados especiais e músicos canjeiros. A história da Bossa Nova está sendo relembrada e recriada com novidades trazidas por esses talentosos músicos - seja testemunha!

Tomás Improta - piano, Dado - saxes e flauta, Tony Botelho - contrabaixo, Zazá Desidério - bateria. Convidado especial: Carlos Malta - sax e flauta.

Horário: das 21h à 1h
Couvert artístico: R$ 15,00 (dinheiro, cheque ou VISA)

TribOz - Centro Cultural Brasil-Austrália
www.triboz-rio.com
Rua Conde de Lages 19, Off-Lapa (quase esquina com Rua Taylor)
Estacionamento rotativo na Conde de Lages 44 – R$ 5,00
Informações e reservas: 2210 0366 / 9291 5942

20.4.10

Do fundo do baú - Ilustração "Punk"


Esta foi feita na época em que o movimento "Punk" estourava no mundo periférico.
Ela também foi parar nas páginas da Revista Print (Edição especial com o pessoal brasileiro). Consegui recuperá-la de um negativo. O desenho tem um tamanho grande, mas por um problema de ferramenta de formatação do blogue ele sai como se fosse pequeno, portanto, clique na imagem para ampliar e ver melhor.

19.4.10

Do fundo do baú - Ilustração de Capa: O novo Black Rio


Esta ilustração foi feita no final de setembro de 1990. É uma colagem de papel colorido sobre fundo preto e com um leve toque de lápis de cor no rádio e tinta acrílica para pintar alguns dos papéis que foram colados. Foi capa da revista Programa do JB. Tive muito prazer em fazer esta ilustração e é uma das que mais gosto. E olhe que acho que fiz mais de 10 mil desenhos nesses últimos 30 anos...he he he!

18.4.10

Explode coração, o Glorioso é campeão!

Do fundo do baú - Ilustração "Filhos e Separação"


Esta é de 1983, foi feita em nanquim com pena , caneta de fluxo contínuo e espirros de escova de dentes sobre papel Schoeler Hammer rústico.
(A ilustração é muito grande - tive que reduzir na hora de escanear, mesmo assim com as ferramentas do blog só consigo postar no tamanho pequeno - fica parecendo uma vinheta. Portanto clique na imagem para ampliar e ver melhor os detalhes)

17.4.10

Do fundo do baú- Ilustração "Trem Bão"


Esta é de 1983, quando eu ainda queria ser Saul Steinberg.Foi feita com pena e caneta de fluxo contínuo de nanquim sobre papel Schoeler Hammer rústico. Pelo que percebi esse trem passou faz tempo pacas.O trem sempre foi um tema bom para um blues(e para o Adoniram Barbosa- o Sr. Rubinato), descobri com Steinberg que também servia para desenho, mas o Brasil é o império do automóvel, então : Adeus Maria Fumaça!
(Este desenho é imenso e neste post ficou reduzido a uma vinheta, portanto, clique na imagem para ampliar e ver melhor os detalhes)

16.4.10

Dica do Gerdal:Cris Delanno mostra sua arte vocal nesta sexta e neste sábado no palco do Lapinha


Texana que veio para o Brasil ainda bebê e, com cinco anos de idade, já participava de coro infantil do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Cris Delanno pode ser considerada uma referência do canto popular entre as cantoras de sua geração, aliando com equilíbrio o "feeling" vocal ao domínio técnico. Com ótimos CDs já lançados, num dos quais prestando belo tributo ao nem sempre lembrado pianista e compositor Newton Mendonça, Cris, que também evocou Nara Leão em show transformado em faixas de outro belo disco, tem percorrido uma estrada bem pavimentada e bem sinalizada na MPB. Isso, a exemplo do que já ocorrera com outra excepcional cantora, a paraense Leila Pinheiro, decorreu, em parte, da feliz aproximação com o violonista, compositor, arranjador e produtor Roberto Menescal, um ícone da bossa e que sabe tratar com igual "know-how" e esmero de bromélias e canções, extraindo destas realizações de bom gosto e tão atraentes à audição quanto aquelas ao olhar.         
        
*** 
 
         A tempo: 1) no "flyer" acima, informação sobre os shows que Cris Delanno, acompanhada do piano de Cristóvão Bastos, fará hoje e amanhã, 16 e 17 de abril, às 22h30, no Lapinha, nova e muito bem montada casa noturna da Lapa;
                       2) nos "links" seguintes, vemos Cris cantando "Perigo", um sucesso da carreira de Zizi Possi composto por Nico Rezende e Paulinho Lima. O próprio Nico também canta e, ao teclado, acompanha Cris. Ela, em outras imagens, de outro lugar, canta o samba "Joga a Toalha", que fez com Alex Moreira, integrante do Bossa Cuca Nova.
 
         http://www.youtube.com/watch?v=g2oguNNcsvI&feature=related
 
         http://www.youtube.com/watch?v=TgIJK1sHXaI&feature=related
 

Caricaturas que eu fiz: Oswald de Andrade

15.4.10

Homenagem e dica do Gerdal: Benedicto Lacerda é tema de livro escrito por Jadir Zanardi e lançado nesta quinta em Niterói




Se nada acrescentou à obra de Sinhô, o samba "Dá Nele", feito na esteira do sucesso de "Dá Nela", de Ari Barroso, propiciou a Benedicto Lacerda, pela primeira vez, no limiar dos anos 30, o seu ingresso num estúdio de gravação. Acompanhado do conjunto Gente do Morro, o admirável flautista então estreava como compositor, no outro lado do disco, gravando "No Sarguero", música que, como a de Sinhô, teve a interpretação de Ildefonso Norat. Foi um tempo em que, avesso ao tipo de execução da nossa música popular por orquestras de jazz, Benedicto organizou esse conjunto para, por seu intermédio, mostrar como se deveria acompanhar com fidelidade o ritmo brasileiro. O mesmo Benedicto que, desdenhando "Copacabana, princesinha do mar...", diria: "Bonitinho, mas não é samba."
        Firme de posições e categórico de opiniões, assim se caracterizava esse bravo fluminense de Macaé, onde nasceu em 14 de março de 1903. Lá, com oito anos de idade, integrou a banda Nova Aurora, tocando flauta de ouvido, aprendizado mais tarde aprimorado, no Rio de Janeiro, com os ensinamentos de Belarmino de Sousa, pai do sambista Ciro de Sousa. O mesmo Rio de Janeiro onde, aliás, morreria, no Hospital São Silvestre, em Santa Teresa, vítima de câncer pulmonar. Veio bem moço com a família e, na antiga capital federal, fez a sua destacada carreira. Foi músico da Polícia Militar de 1922 a 1927 e, em 1929, participou de um regional, o Boêmios da Cidade, com o qual esteve na cidade de São Paulo, apresentando-se com Josephine Baker. No mesmo ano, com o cinema falado, passou a tocar em grupos de choro, como flautista, e em orquestras, como saxofonista, revelando-se um virtuose a plenos pulmões.
        À dissolução do Gente do Morro seguiu-se o advento do seu famoso regional, de cuja primeira formação também constavam Gorgulho (Jaci Pereira) e Ney Orestes, aos violões, e Russo do Pandeiro. Em 1937, Carlos Lentine substituiu Gorgulho e, a partir daí, o grupo ganharia ainda mais sustança com a chegada de Dino e Meira, além de, cada um a seu tempo, Popeye e Gílson, pandeiristas. Essa constituição se manteve até 1950, quando a liderança passou de Benedicto Lacerda, já de saída, a Canhoto, transformando-se no regional do Canhoto, com Altamiro Carrilho assumindo a condição de titular da flauta. Com os seus colegas de conjunto, Benedicto teve chance de acompanhar cantores de primeira grandeza no estrelato popular, como Francisco Alves, Orlando Silva, Sílvio Caldas e Carmen Miranda, em outras tantas idas a estúdios e programas de auditório, além de incursões, em 1940, nos tilintantes salões dos cassinos da Urca e de Copacabana, redutos do "divertissement" mais aprumado.
        Do Benedicto compositor nem é bom falar. Ou melhor, é ótimo cantar, recordando e revivendo as suas belas canções, para o carnaval ou não, na inspirada companhia dos seus muitos parceiros. Quando o seu sopro silenciou para sempre, no domingo de Momo de 1958, ele já havia legado ao nosso cancioneiro um sem-número de valsas, marchas e sambas notáveis, que logo caíam no agrado geral. "Eva Querida" (com Luís Vassalo), "Querido Adão" (com Osvaldo Santiago), Meu Coração a Teus Pés" (com Jorge Faraj), "Amigo Leal" e "Despedida de Mangueira"  (com Aldo Cabral), "Acorda, Escola de Samba", "Minueto" e "A Lapa" (com Herivelto Martins), "Falta um Zero no Meu Ordenado" (com Ari Barroso), "Lero-Lero" (com Frazão) e "Verão no Havaí", "Coitado do Edgar" e "Espanhola" (com Haroldo Lobo) formam apenas um pequeno leque da sua memorável produção, marcada ademais por introduções instrumentais, com a sua flauta em alto relevo, que valorizavam bastante as gravações da época. Figura ligada ao Tenentes do Diabo, compôs, em 1953, a marcha "Vai Haver o Diabo", uma espécie de hino do clube.
        No seu livro "Parceiro da Glória", David Nasser informa que, em "Normalista", samba que fez em 1949 com Benedicto, extraiu versos de um caso-verdade de proibição de casamento, ocorrido no Acre. Havia o veto na época do Instituto de Educação, e a moça em questão, filha de um coronel interventor nesse Estado e namorada de um tenente, esbarrava ainda na intransigência paterna, a muito custo vencida. Em um dos muitos exemplos de como a nossa língua se revigora com o "eureca" dos seus letristas, Nélson Gonçalves, em grande interpretação, serviu-se desse episódio da vida brasileira como ela era para difundir a expressão "brotinho em flor", de boca em boca a partir do samba e até merecedora da atenção de Carlos Drummond de Andrade numa crônica anos depois. Outro exemplo, partido de Benedicto Lacerda e Humberto Porto, foi a polêmica marcha "A Jardineira", adaptação de um velho motivo baiano e uma das mais cantadas na folia de 1939. Nela, o trecho "foi a camélia que caiu do galho" logo se tornou um bordão popular para saudar a passagem de ilustres transeuntes pela rua da amargura, como governantes e ministros então recém-afastados dos seus cargos.
        Diretor musical da RCA Victor em meados dos anos 40, Benedicto Lacerda gravou com Pixinguinha uma série largamente apreciada de músicas, fazendo com a flauta a primeira voz e o eminente colega, ao sax, a segunda, em contraponto, num total de 17 discos de 78 rpm. Embora outros autores fizessem parte desse rol, "Proezas de Solon", "Um a Zero", "Naquele Tempo" e "Sofres Porque Queres" são algumas das relíquias então gravadas do generoso Pixinguinha, o qual, segundo consta, teria dado parceria a Benedicto, por acordo entre ambos, em reconhecimento do empenho do amigo pela divulgação da sua obra num momento em que Pixinguinha já perdera a embocadura para a flauta. Não é, portanto, de surpreender a excelência do trabalho desses dois mestres aplicadíssimos e devotadíssímos aos seus instrumentos, até porque Benedicto, por exemplo, quando à frente do regional, era muito exigente com os seus comandados, especialmente o pandeirista, norte rítmico das cordas e dos sopros em tal formação.
        Por duas vezes presidente da Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música (Sbacem) e um dos fundadores da União Brasileira de Compositores (UBC), Benedicto Lacerda sempre defendeu a dignidade do músico brasileiro, criticando, já no seu tempo, "as garras aduncas do potentado econômico, quase sempre travestido de protetor desinteressado dos artistas". Hoje, infelizmente, é mais um daqueles nomes importantes do passado que quase não são tocados, vítima dos ouvidos moucos do mercado ao "som na caixa" de qualidade. Um infortúnio póstumo para o nosso "Bela Lugosi", epíteto dado a Benedicto por colegas do ramo e que ele detestava.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção (também à dica, a seguir).
 
     *** 
      
      Obs.: dedico este texto, especialmente, ao amigo Jadir Zanardi (foto acima), que me destinou, generosamente, no ano passado sem que ainda nos conheçamos em pessoa, um exemplar do seu livro "Benedicto Lacerda - E a Saudade Ficou", da editora Muiraquitã, lançado inicialmente em Macaé, também cidade natal desse advogado e pesquisador de MPB, autor de importantes textos informativos em encartes de discos da Revivendo. Nessa função, ele substitui o saudoso professor guarantaense Abel Cardoso Jr, de tão valiosa colaboração com esse selo do Paraná. Também a Jadir, especialmente, dedico o "link" abaixo, em que se ouve uma bela interpretação instrumental da valsa "Boneca", de Benedicto Lacerda e Aldo Cabral, pelo conjunto paulista Choro das 3. "Benedicto Lacerda - E a Saudade Ficou" tem novo lançamento, nesta quinta, 15 de abril, a partir das 19h, na Livraria&Café Labyrintho, em Niterói ("flyer" acima). 
 http://www.youtube.com/watch?v=jfM8_nyr2no&feature=related
           

Caricaturas que eu fiz: Italo Calvino partido ao meio

Dica do Gerdal: Clara Redig solta a voz, nesta quinta, em show no Leblon - a canção de Francis Hime relida com acerto e refinamento




 "A luz morreu/o céu perdeu a cor/anoiteceu no nosso grande amor..."  
 
      Prezados amigos,
 
      I
nstado na infância pela mãe, a pintora Dália Antonina, a tocar piano, o carioca de nome inglês Francis Victor Walter Hime (foto acima), ou simplesmente o Francis Hime na intimidade do sucesso da MPB, teve formação musical esmerada, com lastro erudito, estudando no Conservatório Brasileiro de Música e até mesmo em internato na Suíça, onde viveu alguns anos. Se a engenharia brasileira, na sua edificação, deixou de contar, ao longo dos anos, com um agente de primeira ordem (diplomou-se em 1969), não se sabe, pois certo é que a nossa música popular, sim, ganhou um compositor e arranjador de alto relevo e justificado prestígio, de trânsito livre e versátil, pela via do talento, a endereços inspirados da harmonia e da melodia. Vinicius de Moraes, grande incentivador dessa guinada profissional de Francis para o piano e a composição, foi o seu parceiro inicial ("Sem Mais Adeus", a primeira de ambos, foi seguida, entre outras, pela supralembrada "Anoiteceu"), depois do qual outros, muito bem credenciados, viriam, como Chico Buarque ("Vai Passar", "Quadrilha", "Passaredo", "Atrás da Porta"), Cacaso ("Língua de Trapo", "Cabelo Pixaim"), Ruy Guerra ("Minha", "Pouco Me Importa"), José Carlos Capinam ("Um Dueto") e Geraldinho Carneiro ("Clara", "Pau Brasil"). Voltando dos EUA em 1972, após longa estada em que pôde aprimorar o seu conhecimento de orquestração e composição de trilhas com mestres do porte do argentino Lalo Schiffrin e do norte-americano David Raskin, Francis tornou-se muito requisitado para vestir imagens da cinematografia nacional, criando música para longas-metragens marcantes, como "O Homem Célebre", de Miguel Faria Jr., "Lição de Amor", de Eduardo Escorel, "A Estrela Sobe" e "Dona Flor e Seus Dois Maridos", de Bruno Barreto, além de "A Noiva da Cidade", de Alex Viany.
      Nesta quinta-feira, 15 de abril, às 21h, no Bar do Tom ("flyer" acima), ele terá a sua canção, especialmente a de contornos mais intimistas, evocada pela cantora e arquiteta carioca Clara Redig, que, em 2005, lançou ótimo CD em sua homenagem, "Luz", com arranjos primorosos de Nelson Angelo. "Luz", aliás, é composição já gravada pelo próprio Nelson, na sua parceria com Francis, e, no acompanhamento do referido show no Leblon, Clara, também uma urbanista urbana, gente de fino trato, contará com a brilhante instrumentação de Marco Tommaso (piano), Dodo Ferreira (baixo), Ricardo Costa (bateria) e Mário Sève (sopro).
***     
Pós-escrito: no "link" seguinte, com fundo musical na voz de Clara, vêem-se imagens do lançamento do seu citado CD, com depoimentos de personalidades diversas, entre as quais o próprio Francis Hime.           
         
http://www.youtube.com/watch?v=oPTmYdAOnyY  

14.4.10

Caricaturas que eu fiz: Thomas Mann

Dica do Gerdal: Pedro Amorim- filme sobre o músico tem pré-estreia nesta quarta em roda de samba no Trapiche Gamboa



"Matilde/que eu encontrava amiúde/num botequim da Saúde/irmã daquela Jurema de triste memória..."
        
      Prezados amigos,
 
      Embora não seja evocado, de imediato, por suas letras, lembro-me de que, assim que ouvi "Matilde", do excelente músico carioca Pedro Amorim, conjugado com outro samba dele, "Jurema", no CD "Os Dois Bicudos", de 2004, revelador dos jovens cantores Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta, detive-me no emprego de "amiúde", um advérbio de frequência ironicamente quase desaparecido da boca do povo e ainda rarefeito na moderna canção popular. Tal surpresa, no entanto, com esse uso "sofisticado" de expressão fez-me perceber, no todo dos versos bem azeitados desses sambas benfeitos e interligados, consentâneos na estrutura e no acabamento com a melhor tradição do gênero, o apuro que às palavras também reserva Pedro Amorim, aquele seu quê qualitativo já cabalmente conhecido e muito aplaudido no trato de admiráveis cordas. Formado em Educação Física e atuante na especialidade como professor por alguns anos, Pedro Amorim - "pari passu" com toda a sua competência instrumental e autoral, cintilante no recém-lançado "Brigador", CD de estreia da cantora Ilessi só com inéditas dele na parceria com Paulo César Pinheiro -, é um exemplo de seriedade e de extrema dedicação à sua arte, tocando bandolim, cavaquinho e violão tenor, e de esclarecimento quanto ao papel que lhe cabe na seara diversificada da MPB e na defesa do que esta tem de mais autenticamente colorido e ritmicamente integrador. Mestre da Escola Portátil de Música, na Urca, e com CDs da mais alta significação no universo do choro já lançados (como o do conjunto O Trio, gravado em Paris, em 1994, ao lado de Maurício Carrilho e Paulo Sérgio Santos, e outro, em 1997, na companhia da pianista Maria Teresa Madeira, em intenção de Ernesto Nazareth), o neopaquetaense Pedro Amorim terá a excelência de sua palheta estampada em imagens de um documentário dirigido pelo argentino aqui radicado Carlos E.Martinez e exibido em noite de roda do Samba de Fato nesta quarta-feira, 14 de abril, no Trapiche Gamboa ("flyer" acima). 
      *** 

A tempo: no "link" abaixo, ouve-se "A Ginga do Mané", choro de Jacob do Bandolim. No conjunto executante, além do destacado Pedro Amorim (violão tenor), Luiz Otávio Braga (sete-cordas), Maurício Carrilho (violão de 6) e Jayme Vignoli (cavaquinho). 
 
http://www.youtube.com/watch?v=-T3N7QzDED0

Tinhorão na Folha Seca, nesta quarta 14/04


(Recebi por e-mail da Livraria Folha Seca um convite para um evento que envolve o consagrado crítico de música José Ramos Tinhorão - o texto segue aí embaixo)
Aproveitando a passagem de José Ramos Tinhorão pela cidade,
onde está para a festa de chegada de seu acervo à reserva técnica musical
do IMS-RJ, convidamos para uma roda de vitrola em sua homenagem na
Livraria Folha Seca, sob o comando do nosso querido Felipinho Cereal.
Na ocasião Tinhorão autografará os seguintes títulos:
A música popular que surge na era da revolução (ed. 34)
Crítica cheia de graça (Ed. Empório do Livro)
e também sua biografia, escrita por Elizabeth Lorenzotti:
Tinhorão, o legendário (Ed. da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo)
 
Nesta quarta, 14 de abril de 2010
a partir das 18h30
 
Livraria Folha Seca
37 rua do Ouvidor 37
tels: (21) 2507.7175/2224.4159 fax
Centro, Rio de Janeiro
(entre a 1º de Março e a trav. do Comércio)
  
2010: ano Nássara na Livraria Folha Seca

13.4.10

Do fundo do baú: Vinheta: Dali de Pulso

Programe-se: PoesiaTravessa a cidade e os seus lugares na sexta-feira, dia 16


Recebi este convite por e-mail da minha amiga Ligia Dabul- o evento vai rolar na sexta-feira, dia 16, às 17.30 horas na Livraria Travessa na Travessa do Ouvidor, 17 , no centro do Rio.
(Clique na imagem para ampliar e ler melhor a programação)

Homenagem do Gerdal: O samba de Dora Lopes - ponto de encontro da madrugada com o coração boêmio da saudade



"...todo boêmio tem que ter um coração/gostar de violão ou, então, sentir saudade/se, por acaso, eu morrer numa noitada/deixo o meu samba com vocês na madrugada"
 
     Prezados amigos,
 
     Feito em noite já longínqua, em uma praia do Recife, como me relatou, há alguns anos, após show no Leblon, a coautora Carminha Mascarenhas, o "Samba da Madrugada" foi bastante cantado em rodas boêmias do Rio, gravado pela própria compositora, Dora Lopes (foto acima), e, entre diversas regravações, pela paulistana Isaurinha Garcia, em um hoje raro elepê de título nele inspirado, acompanhada pelo então marido Walter Wanderley, ao órgão. Revelada em 1947 em programa de calouros de Ary Barroso e chamada de A Loura Atômica, também pelo temperamento explosivo, no "ambiente diferente" das boates de que seria "crooner", especialmente no limiar da carreira, Dora Lopes, embora vinda ao mundo no feriado de Finados em 1922, cismava com o simbolismo dessa data e costumava apontar o dia primeiro ou o dia 6 de novembro como dias do seu nascimento, morrendo, ironicamente, em 1983, na véspera do Natal. Por causa do forte preconceito, nos anos 50, contra as mulheres que compunham, teve outro grande sucesso, "Baralho da Vida", de 1953, que também gravou, assinado com o pseudônimo de Ulisses de Oliveira, cantando, no início dessa década em outra atração de Ary Barroso no rádio e excursionando com a orquestra-show dele pelo Brasil e pelo exterior. Foi uma das primeiras intérpretes de Tom Jobim, em 1956, com "Samba Não É Brinquedo", da parceria deste com Luiz Bonfá, e estrela do famoso "cast" da Rádio Nacional, onde conheceu uma de suas grandes amigas e outra das raras compositoras dessa época, Dolores Duran.   
     "Sou branca por fora, mas crioula por dentro", dizia ela, em 1959, em uma das faixas do seu primeiro elepê, "Enciclopédia da Gíria", da Mocambo, para traduzir o seu apreço pelo universo da afroascendência, em particular no tocante a cultos religiosos, e também para manifestar uma linha de composição do samba, que ela, ainda boa ritmista, tão bem criava e interpretava, carregada na informalidade de expressão e conhecida na batida por telecoteco, o que a aproximava da fonte primal do chamado samba de raiz, nas colinas cariocas, de que o também saudoso mangueirense Padeirinho é exemplo com a "grinfa" (mulher), o "bafafá" (discussão) e o "gurufim" (velório) do seu "Linguagem do Morro". Dora foi dona de boates, como a Caixotinho, no famoso Beco do Joga a Chave (Rua Carvalho de Mendonça, em Copacabana, em que uma de suas muitas histórias do lugar inspiraria a João Roberto Kelly e J. Rui uma marcha bem conhecida, "Joga a Chave, Meu Amor"), e, mais tarde, em Sampa, por oito anos, da Dindi, onde revelou um grande violonista e compositor, Adauto Santos, autor do clássico sertanejo "Triste Berrante", também já falecido. Dela, uma bem nutrida e excelente cantora paulista, Célia, faria registro cativante no samba "Ponto de Encontro", em que Dora, em parceria com Clayton Werre, promove no céu um encontro musical com amigos de que sentia muita falta, como Cyro Monteiro, Dalva de Oliveira e Pixinguinha, por exemplo, além dos já citados Ary Barroso e Dolores Duran. Em 1963, estourou no carnaval, em disco de Emilinha Borba, com a marcha "Pó-de-Mico", composta com Renato Araújo e Arildo Souza e até hoje cantada, e, na década subsequente, teve na amiga Edith Veiga um nome apropriado à vocalização de suas músicas mais romanticamente derramadas. 
     Dora pode ser vista no primeiro "link" abaixo, em raras imagens em preto e branco do programa "MPB Especial", de Fernando Faro, cantando o "Samba da Madrugada" num andamento abolerado. Nos "links" seguintes, homenageada nas duas partes de um programa retrospectivo de sua carreira, veiculado pela jovem pesquisadora Thaís Matarazzo no blogue que desenvolve, intitulado Cardápio Cultural.   

 
     http://www.youtube.com/watch?v=YMHQ-0qp2QU         
 
      http://cardapiocultural.podbean.com/category/dora-lopes-1aparte/

 
       http://cardapiocultural.podbean.com/category/dora-lopes-2aparte/    

12.4.10

Do fundo do baú: Ilustração - Futebol

Dica do Gerdal: Claudette Soares nesta segunda na Sala Baden Powell - feitinha para o canto e a interpretação da bossa



"Ah, quem me dera ter agora a namorada/que fosse para mim a madrugada/de um dia que seria a minha vida/que a vida que se leva é uma parada...../que seja na medida e nada mais/feitinha pro Vinicius de Morais/que venha logo e ao chegar/vá logo me deixando descansar"
 
       Prezados amigos,
 
       F
eitinha pro sucesso, no seu metro e meio de altura sob medida para o aplauso popular, a carioca Claudette Soares (foto acima) tem na história da MPB a marca de uma presença inconfundível, com o seu canto sorridente e sensual, como que sussurrado, e a interpretação o mais das vezes amena e graciosa - como em "Barquinho Diferente", de Sérgio Augusto Sarapo, e "Psiu", de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar -, mas ainda densa e vigorosa - como em "Hoje", de Taiguara, e "De Tanto Amor", de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Apresentando-se, no início da carreira, na segunda metade dos anos 50, com Luiz Gonzaga, ganhou deste o cognome Princesinha do Baião, honraria artística de que logo abriria mão em favor da identificação, em cheio, com a incipiente bossa nova e aquele suingue feitinho para o aveludado da sua voz. Claudette está há muito radicada em Sampa, onde se tornou conhecida como a melhor intérprete de bossa nova de lá, cantando em várias casas noturnas, sobretudo uma, muito especial, já nos anos 60, a João Sabastião Bar, criada pelo jornalista Paulo Cotrim e inaugurada por ela e Pedrinho Mattar. Com esse saudoso e refinado pianista paulista, pôde matar saudade do Rio de Janeiro, em 1971, participando ambos do show "Fica Combinado Assim", no Teatro Princesa Isabel, ao lado do comediante Agildo Ribeiro; o mesmo teatro do Rio, aliás, em que, cinco anos antes, fizera sucesso no "pocket show" "Primeiro Tempo 5x0", produzido por Luiz Carlos Miele e Ronaldo Bôscoli (com desdobramento em raro elepê), no qual tomaram parte Taiguara e o Jongo Trio, liderado por outro pianista, Cido Bianchi (autor do belo "Noturno em São Paulo", com letra de Sérgio Lima, muito bem gravado por Dick Farney). Também aqui essa "pequena notada" revelaria, em 1969, o compositor Luiz Gonzaga Júnior, interpretando deste a balada "Mundo Novo, Vida Nova", no II Festival Universitário da Canção. 
       Tal Claudette da bossa - entre outras "bossas" - apresenta-se nesta segunda-feira, 12 de abril, às 19h 30, na Sala Baden Powell (Av. Nossa Senhora de Copacabana, 360 - Copacabana), em mais uma etapa do Circuito da Bossa Nova. Nos "links" abaixo, ela, ainda mocinha, canta "Vivo Sonhando", de Tom Jobim; "Você", de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli (com Dick Farney, em que a voz dela e a dele são aplicadas na imagem reproduzida de um dos elepês desse duo; por último, "Feitinha pro Poeta", a composição dos versos supradestacados, de autoria de Baden Powell e Lula Freire.
     
http://www.youtube.com/watch?v=CpkiDtv3Lxw
 
http://www.youtube.com/watch?v=ZLTzBTHXGaM

 
http://www.youtube.com/watch?gl=JP&hl=ja&v=crK2umoSweY