30.9.11

Robertinho de Paula chega de turnê na Itália e lança, nesta sexta e neste sábado, no Café Pequeno, seu primeiro CD, "Natural"




Com produção do amigo Mauro Cleverson, o guitarrista, violonista e compositor Robertinho de Paula (foto acima) faz duas apresentações de lançamento do CD "Natural" nesta sexta e neste sábado, 30 de setembro e primeiro de outubro, às 19h, no Teatro Municipal Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva, 269 - tel.: 2294-4480). O músico, nascido em Bangu e morador em Madureira, chegou há poucos dias de turnê pela Itália, país aonde se dirige com frequência não apenas pela agenda artística - de muitos shows em "night clubs" e festivais de jazz -, mas também por um motivo familiar: lá, há décadas, vive e trabalha o seu pai, grande compositor e multi-instrumentista, Írio de Paula (foto acima), também nascido no mesmo bairro da Zona Oeste - na infância, integrou o conjunto Os Pinguins de Bangu. Autodidata como Írio, Robertinho dele "puxou" as cordas de técnica apurada e este seu primeiro CD, patrocinado pelo projeto musical Som do Rio e pelo CEAP (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas), tem título resumidor da desenvoltura do dom naturalmente exercitado. Além do pai (presente na produção como músico e compositor em faixas como "Saudade do Chorinho" e "Samba Blues"), Robertinho também dedica o disco ao xará e mago da percussão Robertinho Silva, compadre de Írio e outro instrumentista que aprendeu muito com a própria sabedoria e sagacidade, vindo de Realengo, outro bairro da Zona Oeste do Rio. Contando no show com a brilhante participação do contrabaixista Berval Moraes e do baterista Régis Gonçalves, Robertinho de Paula faz, naturalmente, um trabalho que vai ao encontro daqueles que curtem um instrumental de primeira.

        ***
Pós-escrito: Robertinho de Paula e Írio de Paula, aos violões nada vadios, em dois duos jazzísticos nos "links" seguintes: 1) "Upa, Neguinho", de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, mostrado  em "pocket concert" realizado em Veneza em 2004; 2) "BI.GI.", de Írio de Paula, em gravação que consta do CD de Robertinho.


          http://www.youtube.com/watch?v=8OVbX8_010k
("Upa, Neguinho")

          http://www.youtube.com/watch?v=4kd2kQEvlNk ("BI.GI.")

Caco Velho por Germano Mathias nesta sexta em Sampa: 40 anos sem o gaúcho que teve o seu momento como o sambista infernal




 "Pode me chamar de louco/que até acho pouco/pode dizer o que quiser/pode até me dar pancada/que eu não digo nada/porque o meu fraco é mulher..."

     
 
      Nos anos 60, o porto-alegrense Mateus Nunes, cuja vida artística desenrolou-se, na maior parte dos anos, em São Paulo, já posava, nessa megalópole, de empresário da noite, dono do Brazilian`s Bar, movimentada boate à qual se dirigiam artistas nacionais e estrangeiros, como o paulistano fala-mansa Agostinho dos Santos e o francês boa-pinta Sacha Distel, ambos cantores. Largando o negócio, Mateus, mais uma vez, viveria e trabalharia no exterior - em San Francisco, de 1966 a 1968, e, em seguida, em Lisboa, onde uma toada de sua autoria, "Mãe Preta" ("...enquanto a chibata batia no seu amor/mãe preta embalava o filho branco do sinhô"), fez muito sucesso transformado no fado "Barco Negro", na voz sobranceira de Amália Rodrigues, com versos modificados pelo poeta português David Mourão-Ferreira ("de manhã, que medo, que me achasses feia/acordei, tremendo, deitada na areia/mas logo os teus olhos disseram que não/e o sol penetrou no meu coração"). Na década anterior, de 1955 a 1957, logo após atuar, na capital paulista, como "crooner" do pianista Robledo, foi para Paris, onde cativou, especialmente, a atenção dos frequentadores da boate La Macumba com sua voz de curta extensão, mas muito bem alojada na canção, até com graça, além da capacidade de improviso e do notável senso rítmico - nos anos 40, ainda na rádio gaúcha, no regional de Piratini, cantava e já se destacava como pandeirista. Sob os "spots" da Cidade Luz, com a "beca" costumeira das suas aparições no palco, dava voz à orquestra de George Henri, e o seu agrado geral foi de tal ordem que um convite logo surgiu para que gravasse um hoje "collector`s item" "Une Soirée à la Macumba" (capa acima), elepê que documentava esses "jours de gloire" - ou melhor, "soirs de gloire"- em domínios sablonianos.      
      A epígrafe desta dica tem motivação em sucesso de que Mateus Nunes foi lançador, em 1946, destacando-se ainda na interpretação, dotada de bossa e não raro jocosa, de outros sambas, como "Não Bobeie, Kalamazu", feito com Nilo Silva, "Bom-bocado", do campinense Denis Brean, e "Tem Que Ter Mulata", do conterrâneo Túlio Piva, um balaio musical em parte recordado em recente tributo que lhe foi prestado em CD por um outro vulto do sincopado, de mesma têmpera artística, diretamente influenciado por ele, Germano Mathias, O Caricaturista do Samba. Matheus também passou pelo cinema, atuando, sob a direção de José Carlos Burle e ao lado de Grande Otelo, Oscarito, Cyl  e Dick Farney" em "Carnaval Atlântida", de 1952, e em "Carnaval em Lá Maior", de Ademar Gonzaga, em 1955, por exemplo, já conhecido do público como O Sambista Infernal ou "o homem da cuíca na garganta" por, respectivamente, suas reinações rítmicas e pela imitação do instrumento de percussão, com a qual realçava as vocalizações que fazia. Uma faceta, esta, da sua arte a remeter um admirador à infância do artista, quando, para ajudar a avó nas despesas do lar, ganhava seus primeiros tostões em Porto Alegre, no Bar Flórida, vendendo balas e cigarros em tabuleiro e já atraindo o olhar de circunstantes por um belíssimo samba de Ary Barroso que gostava de entoar: " ...a vida é essa/é um segundo que se vai depressa/todos nós temos o nosso momento/depois dele, só o esquecimento." Saindo cedo desta "para melhor" - em 14 de setembro de 1971 -, do título do referido samba adviria o nome que lhe traria nomeada: Caco Velho. Ou "Le Petit Caco", para os aplausos de "messieurs et dames".    
      Nesta sexta-feira, 30 de setembro, em Sampa, Germano Mathias, com o vibrante acompanhamento dos Inimigos do Batente, é a atração desta edição do Anhanguera Dá Samba! ("flyer" acima) , fazendo simpática incursão na música deixada por Caco Velho, que fez parte da ala dos "sui generis" da MPB, como ele faz.
      ***
   
Pós escrito: nos dois primeiros "links" seguintes, Caco Velho canta "Por um Beijo Teu", samba de 1950, da autoria de Cyro de Sousa, e "Não Faça Hora Comigo", que compôs com Henricão e gravou, em 1963, no elepê "O Comendador da Bossa Nova"; no terceiro "link", Germano Mathias, no imperdível programa de Rolando Boldrin, "Sr. Brasil", da TV Cultura (SP), diz "Meu Fraco É Mulher", samba composto por Conde e Heitor de Barros; no último "link", como ilustração do porquê da alcunha artística de Mateus Nunes, Antonio Carlos Jobim, ao piano caseiro, manda o seu recado de "Caco Velho". 
  
 
         http://www.youtube.com/watch?v=t9lIIBDdl5Q ("Por um Beijo Teu")

         http://www.youtube.com/watch?v=B_7iK5Trb8Q&feature=related ("Não Faça Hora Comigo")

        http://www.youtube.com/watch?v=fmOAoxuycYM
("Meu Fraco É Mulher")

         http://www.youtube.com/watch?v=sScESit2LOY&feature=related ("Caco Velho")

Desenho: Violeiro


Grafite sobre cartão

29.9.11

Noca da Portela divulga novo CD, nesta quinta, no Severyna, em atração comandada por Roberto Serrão



Autor, em parceria com Délcio Carvalho, do lindo "Vendaval da Vida" ("Vou sorrindo/com o meu interior chorando/amargando o meu viver sofrido/assistindo ao que se vai passando/e vou resistindo...") - cantado, no primeiro "link", abaixo, por uma mineira há muito radicada na capital capixaba, Vera da Matta -, Noca da Portela(foto acima), com CD novo na praça, é o convidado especial do querido amigo Roberto Serrão, nesta quinta, 29 de setembro, a partir das 21h, na gostosa atração de samba que este comanda no Severyna, em Laranjeiras, há quatro bem-sucedidos anos (mais informação, abaixo repassada, após os anexos). Nascido em Leopoldina, na Zona da Mata mineira, Osvaldo Alves Pereira, o Noca (apelido de infância), era compositor da escola de samba Paraíso do Tuiuti, de São Cristóvão, e feirante em Botafogo quando conheceu um ilustre filho e morador desse bairro da Zona Sul carioca, Paulinho da Viola, que, em 1967, o levou para a Portela. Já ambientado na nova agremiação, integraria, ainda naqueles idos, nela criado, ao lado de Colombo e Picolino, o Trio ABC, o qual participou de numerosos festivais e shows pelo Brasil. No segundo "link", na voz do amazonense Chico da Silva e feita com o falecido Tião de Miracema, "É Preciso Muito Amor", a única música, segundo Noca declarou em recente entrevista, a lhe propiciar uma "pequena loteria" - que lhe permitiu comprar a casa onde mora - por causa da execução no exterior da gravação do falecido maestro francês Paul Mauriat. Nos demais "links", o  próprio Noca canta, de sua autoria e de Toninho Nascimento, "Peregrino" - também gravada por Paulinho da Viola (3); Roberto Serrão canta, com Reizilan, neto de Cartola, e Eliane Faria (no "Samba em Sintonia", programa que ela apresenta toda sexta, às 16h, na Rádio Verde É Vida), o clássico "Exaltação à Mangueira", de Eneas Brites e Aloísio da Costa (4); Roberto Serrão, no Severyna, levando, com informalidade, o seu envolvente "Tempo Voa" e, logo depois, "Vem Chegando a Madrugada", outro clássico, dos salgueirenses Zuzuca e Noel Rosa de Oliveira (5).
        *** 

                http://www.youtube.com/watch?v=3BUdqzb6NaI
("Vendaval da Vida")

                http://www.youtube.com/watch?v=X82EHG9LioY&feature=related ("É Preciso Muito Amor")

                http://www.youtube.com/watch?v=orYg6Q_MqyU
("Peregrino")

                http://www.youtube.com/watch?v=62PBjdju84c&feature=related ("Exaltação à Mangueira")

                http://www.youtube.com/watch?v=elvx4G8_TEg&feature=related
("Tempo Voa" e "Vem Chegando a Madrugada")

***
Encerrando as comemorações do 4º aniversário do Projeto "Terapia Popular", nessa quinta, dia 29 / 09 - a.p. das 21h. Comemoraremos, também, o aniversário do nosso amigo Dr. ERALDO BULHÕES.

 


PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:  NOCA DA PORTELA - O Mestre, amigo e parceiro, participa lançando seu novo Cd - "Cor da Minha Raça", além de sucessos gravados por expoentes do samba, e, apresenta o seu samba concorrente, para o Carnaval 2012 da Estação Primeira de Mangueira. -  REGINA MAZZA - A cantora, cuja graça e swing, lhe outorgam a condição de uma excelente intérprete, apresenta um repertório, que promete não deixar ninguém ficar parado. -  e BRUNO CASTRO - O músico, cantor e compositor, que está lançando o Cd - "Nas Escritas da Vida" ao lado de sua parceira maior e dama do Samba, Dona Ivone Lara, desfila com sua simpatia, canções próprias e sucessos do gênero. 
 
No repertório de Roberto Serrão, clássicos do choro e do samba, onde são lembrados compositores como: Cartola, João Nogueira, Paulo Vanzolini, Monsueto, Lupicínio Rodrigues, Paulinho da Viola, Silas de Oliveira, Monarco, Zé Ketty, Dona Ivone Lara, Roberto Ribeiro, Guilherme de Brito, Nelson Cavaquinho, entre outros; as inéditas do seu CD - solo - CARA DA GENTE, além de músicas de sua autoria gravadas por: Alcione, Martinho da Vila, Leci Brandão, Jorge Aragão, João Nogueira, Grupo Fundo de Quintal, entre outros.           

                                                      
O Grupo Cara da Gente será formado pelos músicos: AMENDOIM SP - Cavaquinho; VINÍCIUS - Percussão; ZÉ CARLOS - Percussão; DIOGO CUNHA - Violão 7 cordas.
Local: SEVERYNA DE LARANJEIRAS
Endereço: Rua Ipiranga, 54 - Laranjeiras - Rio de Janeiro - a.p. das 21h.
Couvert: R$10,00
Informações/Reservas: (21) 2556-9398 / 3298-8503
Grato, saúde e abçs.
Roberto Serrão

28.9.11

Hélio Delmiro - homenagem na Sala Baden Powell nesta quarta


Hoje, dia 28, a partir das 19 horas será feita uma grande homenagem em comemoração dos 50 anos de carreira de um dos maiores músicos do mundo: Hélio Delmiro.
O Evento reunirá num show: Ivan Lins, João Bosco, Gilson Peranzetta, Mauro Senise, Claudio Lins, Nivaldo Ornellas, Paschoal Meirelles Trio, Banda Guanabara, Quinteto de Guitarras. No palco também grandes divas: Adelaide Chiozzo, Ademilde Fonseca, Ellen de Lima, Helena de Lima.
Apresentação: Fernando Mansur
Direção Artística Teo Lima
Produção Executiva: Teo Lima e Leny Bello
Local: Sala Baden Powell - Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 360
Todo mundo lá!
(Clique no flyer para ampliar e ler melhor)

27.9.11

Maurício Tapajós: um compositor de fibra em meio a querelas de um Brasil ainda desconhecido do Brazil





"Tapir, jabuti/iliana, alamanda, ali, alaúde/piau, ururau, aki ataúde/piá-carioca, porecramecrã/jobim-akarore, jobim-açu..."

Prezados amigos,

E o Brazil ainda não conhece o Brasil. Persistem, em sua extensão continental, as querelas daquele com "s", tão bem cantadas por Elis Regina e pelo Quarteto em Cy, em relação à ocupação senhorial daquele com "z", imponente e influente, com nítido reflexo na comunicação de massa. O tal do colonialismo cultural que, em 1978, em plena vigência da ditadura militar, motivava em letra de Aldir Blanc, recheada de expressões do tupi-guarani (acima) e sugestivos neologismos, um sinal de alerta sobre a autenticidade cultural do país ao mostrar-se com a cara no espelho. Na parceria do protesto, o hoje um tanto esquecido Maurício Tapajós (foto acima), também violonista e produtor, cedo desaparecido das lides da MPB ao falecer, em 21 de abril de 1995, onde morava, em Ipanema, aos 51 anos, por contratempo cardíaco.
Carioca de Botafogo e formado em arquitetura, Maurício, tendo a família que teve - filho do cantor e radialista Paulo Tapajós, irmão do letrista e também arquiteto Paulinho Tapajós e da cantora Dorinha Tapajós, também precocemente falecida, em 1988, aos 38 anos - não poderia esquivar-se do seu DNA artístico, constituindo uma obra musical sólida e de sucesso com parceiros variados. Entre eles e entre outras (composições), Paulo César Pinheiro, no incisivo "Pesadelo" - marco da luta, nos anos 70, pela liberdade de expressão no país -, gravado pelo MPB4; Hermínio Bello de Carvalho (foto acima), no nostálgico "Mudando de Conversa", de balanço cativante na voz de Doris Monteiro; João Nogueira, na ode boêmia "Dama da Noite", que, além deste, o próprio Maurício mandou bem no autoral "Olha Aí", que fez pelo selo independente Saci, que criou, "falando de cadeira" da própria inspiração, em todas as faixas, como na de abertura do elepê, um samba vibrante e bem sacado na parceria com Cacaso (foto abaixo - aliás, o primeiro letrista que teve em música gravada: "Carro de Boi", em 1965, pelo conjunto Os Cariocas. Obstinado combatente pela correção da distribuição de direitos autorais, foi fundador e presidente da Amar (Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes). Um cara de fibra.
Um bom dia a todos. Grato pela atenção a esta singela lembrança desse grande compositor.

Um abraço,

Gerdal

Pós-escrito: nos "links" seguintes, composições de Maurício Tapajós: 1) "De Palavra em Palavra" (com Paulo César Pinheiro e Miltinho do MPB4), na interpretação do MPB4; 2) "Querelas do Brasil" (com Aldir Blanc), no doce uníssono do Quarteto em Cy, em faixa-título de elepê lançado em 1978; 3) "Dama da Noite" (com João Nogueira), em registro de João Nogueira; 4) "Mudando de Conversa" (com Hermínio Bello de Carvalho), cantado por Doris Monteiro; 5) "Pesadelo" (com Paulo César Pinheiro), também pelo MPB4; 6) "Tô Voltando" (com Paulo César Pinheiro), também chamado de "o hino da anistia", no recado altissonante da gonçalense Selma Reis.

http://www.youtube.com/watch?v=8hT7yTUngh4
("De Palavra em Palavra")

http://www.youtube.com/watch?v=n-E2anjGXb8
("Querelas do Brasil")

http://www.youtube.com/watch?v=qff2xfqr77o&feature=related ("Dama da Noite")

http://www.youtube.com/watch?v=bfSvkTOi6vQ ("Mudando de Conversa")

http://www.youtube.com/watch?v=y0xRfgeJLNo ("Pesadelo")


http://www.youtube.com/watch?v=vBj7BV-C3fU ("Tô Voltando")

(NR: Na terceira foto acima, Maurício Tapajós aparece ao lado de Cacaso)

26.9.11

As cidades e a memória



(Esta é a continuação da leitura feita por desenhos do livro Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino - o texto que segue as imagens são pobres guias para levar ao livro maravilhoso do escritor italiano).

2
Isidora, cidade desejada...Cidade sonhada
Caracóis, escadas, palácios...Uma terceira mulher...
Praça dos velhos , a vida passa, ele procura a recordação de seus desejos de jovem...
Isidora o espera com fogo, mas terá ele a palha?
(NR: Clique na imagem para ampliar e ver melhor)

Paulinho Trompete sopra a sua arte nesta segunda, no Lapa Café, a convite de Pascoal Meirelles



Carioca de Realengo, Paulinho Trompete, aos 13 de idade, já se notabilizava como calouro no programa do Chacrinha - um ano no trono como o melhor instrumentista mirim -, e a esteira profissional do depois, com reconhecimento até mesmo internacional - tocando com Dexter Gordon, Chet Baker e Ray Charles, por exemplo - foi decorrência natural e igualmente bem-sucedida do seu talento. De sopro inicialmente moldado na escola do baile popular, Paulinho, aos 16, já integrava o conjunto de Ed Lincoln, passando ainda por outros grupos formados especialmente para a animação de salões, como o do organista Lafayette e Os Devaneios. Participou do Free Jazz Festival em 1995, com a banda Brasil All Stars, e repetiu a dose de suingue, criatividade e improviso, no ano seguinte, com conjunto próprio. Há dois anos, prestando um tributo ao violonista Durval Ferreira,  lançou seu terceiro disco solo, "Tema Feliz ". Paulinho é destaque, nesta segunda, 26 de setembro, a partir das 19h30, no Lapa Café, em série instrumental bem-sucedida, sob a condução deste grande baterista que é o Pascoal Meirelles ("flyer" acima).
      ***  
 
Pós-escrito: no primeiro "link", Paulinho Trompete em duo com João Donato em "Minha Saudade", que o acreano fez com o baiano João Gilberto; 2) Paulinho Trompete toca "Via Bangu", dele próprio. 3) Pascol Meirelles com os seus colegas do Cama de Gato em "Gonzagueando", de Jota Moraes.
  
        http://www.youtube.com/watch?v=9kh--0GuUBE ("Minha Saudade")
 
        http://www.youtube.com/watch?v=gYXimA6TKXA&NR=1
 ("Via Bangu")

        http://www.youtube.com/watch?v=QPQmbrWJ5gg&feature=related ("Gonzagueando") 

25.9.11

Ary do Cavaco pede passagem à eternidade e levanta a poeira no tempo, com a Portela, em samba magistral



 
"Abre a janela, formosa mulher/cantava o poeta trovador/abre a janela, formosa mulher/da velha Lapa que passou...."

        Prezados amigos,

        "Ué, você me conhece!", costumava surpreender-se Ary Alves de Souza, o Ary do Cavaco (foto acima), quando, por causa da sua música, algum popular o saudava. Eu mesmo, há vários anos, ouvi dele tal exclamação no primeiro de vários encontros casuais que tivemos, mormente em ruas do Centro - por vezes com o sui-generis Efson, outro bom compositor de samba, a acompanhá-lo -, ficando-me a impressão de um cidadão simples, bem intencionado, que exercia o seu ofício, sobretudo, por prazer e vocação, sem se deixar levar pela febre do sucesso a qualquer preço. Criado em Coelho da Rocha, distrito de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, Ary do Cavaco, engraxate na infância - para ajudar a mãe, viúva - e torneiro mecânico na adultidade, faleceu na última quinta-feira, 22 de setembro, aos 69 anos, dormindo em sua casa, em Quintino, subúrbio carioca, após ter passado a noite anterior no River Futebol Clube, em Piedade, onde se mantinha no páreo pela disputa do hino portelense para o carnaval de 2012. Já morando em Madureira, ingressou na Portela em 1962, a convite de Natal, que gostava dos sambas que Ary fazia. Deste, por sinal, em consonância com a impressão favorável do então patrono da escola, atestados de competência viriam a público, com a gravação de "Chico Lambança" e "Batido na Palma da Mão" (ambas em parceria com Otacílio da Mangueira - foto acima), por Elizeth Cardoso, no elepê "Feito em Casa", de 1974, além de, antes disso, dois sambas-enredo vitoriosos na gloriosa azul-e-branco: "As Treze Naus", de 1969,  com Rubens Alves de Souza, e, ainda na parceria com o irmão, o magistral "Lapa em Três Tempos" (dos versos supradestacados), de 1971, com letra de cabeça inpirada em "Abre a Janela", samba clássico composto por Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr.e gravado por Orlando Silva para a folia de 1938.
        Admitido há dias na Velha Guarda Show da Portela, o passamento de Ary do Cavaco o impede de desfrutar desse sonho há muito acalentado, assim como, que eu saiba, o de realizar um CD próprio, revivendo os seus sucessos e cantando inéditas da sua autoria. Era uma figura sempre presente na boa programação do chamado samba de raiz no Rio, como a Terapia Popular, comandada pelo também compositor Roberto Serrão no Severyna, às quintas, na qual foi homenageado em 28 de julho último. Com outros sambas-enredo de Ary, posteriores aos mencionados, a Portela atravessaria a Marquês de Sapucaí na história do carnaval, porém seriam especialmente marcantes, na lembrança da massa, sucessos de meio de ano com intérpretes diversos, enumerados nos "links" abaixo. "Poeira, ô poeira/o samba vai levantar poeira..." E, na poeira do tempo, com samba bem levantado em avenida engalanada, ingressa Ary do Cavaco sem, no entanto, se perder no insconsciente coletivo de nós, os foliões, como um criador de lastro e merecimento. Volta e meia será lembrado.  
        Um bom domingo a todos. Muito grato pela atenção.

        Um abraço,

        Gerdal      

Pós-escrito: nos dois primeiros "links" seguintes, "Lapa em Três Tempos", no inesquecível registro de Paulinho da Viola e na voz de Ary do Cavaco (acompanhado pelo conjunto paulistano Inimigos do Batente), respectivamente; 3) "Mordomia", de Ary com Gracinha, um sucesso do gutural Almir Guineto; 4) outra bola dentro de Ary, desta vez com o Exporta Samba, "Reunião de Bacana", participante do MPB Shell, festival levado ao ar pela TV Globo em 1980; 5) "Malandro Rife", de Ary do Cavaco e Otacílio da Mangueira, com Bezerra da Silva; 6) o partideiro Roque do Plá metendo bronca em "Nó na Cana", de Ary com César Augusto, música do VII FIC, da TV Globo, em 1972; 7) "Na Beira do Mangue", outra de Ary com Otacílio, em gravação de Jair Rodrigues feita em 1976; 8) "O Saudoso", só do Ary, com o também saudoso Mussum, humorista proveniente do grupo Originais do Samba. 
          
            http://www.youtube.com/watch?v=AIOSAzJfq70 ("Lapa em Três Tempos")

            http://www.youtube.com/watch?v=EPkO94V3c44
("Lapa em Três Tempos")

            http://www.youtube.com/watch?v=acq7bOLsg1I
("Mordomia")

            http://www.youtube.com/watch?v=Wa6JW3XseBc
("Reunião de Bacana")

            http://www.youtube.com/watch?v=6AUEMs-u21I ("Malandro Rife")

            http://www.youtube.com/watch?v=_kxx44woKjc
("Nó na Cana")

            https://mail.google.com/mail/?shva=1#inbox/1329df0022be0e9f
  ("Na Beira do Mangue") 
           
            http://www.youtube.com/watch?v=8Siv2lKE4CY ("O Saudoso")

Antonio Rocha leva à Casa de Artes de Paquetá, neste domingo, o encanto da sua flauta, em tarde de choros e valsas



Ao nascer, Antonio Rocha, de uma família de músicos amadores, recebeu de presente, de uma tia, o instrumento com o qual hoje se notabiliza como um magnífico executante: a flauta. Valenciano como Clementina de Jesus, veria, ainda menino, frequentar a casa dos avós, levando sempre com ela vários amigos do Rio, outra ilustre cria da terra, a violonista Rosinha de Valença. De si, aliás, Antonio sumariza a atuação profissional no primeiro "link", abaixo, antes de tocar "Romance de uma Valsa", de Rubens Leal Brito. Em sequência, nos demais anexos, 2) toca, ao lado do bandolinista Jorge Cardoso,  "Saudades de Guará", joia do também autor do choro "Flamengo" (composto para o bairro carioca), Bonfliglio de Oliveira; 3) em companhia de Altamiro Carrilho, oferece a gente de Taubaté (SP) um saboroso "Doce de Coco", feito por Jacob do Bandolim (choro que receberia letra bem conhecida de Hermínio Bello de Carvalho); 4) tocando flauta e regendo a banda de Marquês de Valença (RJ), no interior de igreja local, apresenta "Nossa Senhora", de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.
           Neste domingo, 25 de setembro, às 14h30, no berço de Anacleto de Medeiros, em plena Baía de Guanabara, Antonio Rocha, com convidados, participa de show informal alimentado pela tradição do choro ("flyer" acima). Recomenda-se aos que não acordam "muito cedo" pegar, na estação da Praça XV, a barcaça das 10h30 para Paquetá.   
         ***

              http://www.youtube.com/watch?v=7GcpHaJJLpY
("Romance de uma Valsa")

              http://www.youtube.com/watch?v=HqlKT69gIfw&feature=related ("Saudades de Guará")
             
              http://www.youtube.com/watch?v=k5uM1aikKu4&feature=related ("Doce de Coco")
                          
              http://www.youtube.com/watch?v=91qH0nTRLLQ&feature=related (Sociedade Musical Progresso de Valença tocando em igreja da cidade)

24.9.11

Wilson Moreira recebe Monarco e Agenor de Oliveira, neste sábado, na Praça da Bandeira, para mais um samba de raiz em centro cultural recém-criado



Jamegão de peso na balança do samba, pelo sabido e subido valor da sua composição de fina extração popular, sozinho ou em companhia de, entre outros, Nei Lopes, o carioca Wilson Moreira, natural de Realengo, dá nome, há pouco, a um centro cultural na Praça da Bandeira que contempla sólida aproximação com a população por meio de ensino de música - oficinas de violão, cavaquinho, sopro e percussão - e diversos cursos livres, como os de culinária, artesanato, dança e teatro. Ele principia, portanto, uma existência de amplo alcance social à qual, naturalmente, por toda a história de Wilson, na Mocidade Independente de Padre Miguel e na Portela, por exemplo, o ritmo quente, vibrante e estimulante do requebro, por certo, não faltará. Neste sábado, 24 de setembro, a partir das 15 horas, o Centro Cultural Solar Wilson Moreira recebe a visita do grande Monarco, que se junta ao anfitrião e a Agenor de Oliveira, este de recado elegante na criação e na apresentação do samba, em ótima atração, já esquentada por gente que entende desse riscado, como Leandro Júnior, Iracema Monteiro e o grupo Benza Deus ("flyer" acima). O feijão também comparece para dar aquela sustança à animação da rapaziada.
        ***

Pós-escrito: nos dois primeiros "links" seguintes, Wilson Moreira em duas de suas maravilhas: "Meu Apelo" e "Sandália Amarela", nesta em parceria com Nei Lopes; no terceiro, é a vez de Monarco entoar uma das suas, "Lenço", feita com o saudoso Chico Santana, também portelense; por último, Agenor de Oliveira e Nelson Sargento: duas vozes e dois violões a serviço de um belo samba de ambos, "Sinfonia Imortal".
    

            http://www.youtube.com/watch?v=4hMCbgZJ6ZU&feature=related
("Meu Apelo")

            http://www.youtube.com/watch?v=DIMYbKC_VMc ("Sandália Amarela")

            http://www.youtube.com/watch?v=qjYaxtq5DjY ("Lenço")

            http://www.youtube.com/watch?v=1_y1GI0dXqc ("Sinfonia Imortal")

As cidades e a memória


(Esta é a continuação da leitura feita por desenhos do livro Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino. Sugiro que comprem o livro e leiam. Se tiverem paciência e uma gota de tempo espero que aceitem o convite de seguir viagem com Marco Polo nas histórias que contou para Kublai Khan, e que eu pobremente tento reproduzir aqui em forma de imagens feitas a bico de pena. A propósito: desenho vem de destino, desígnio...)

1
Diomira, cidade com sessenta cúpulas de prata...
Numa noite de setembro, uma mulher grita...
Imaginar uma noite dessas... Que ventura!
(NR: Clique na imagem para ampliar e ver melhor)

22.9.11

Swami Jr. lança "Mundos e Fundos", nesta quinta, no Sesc Pompeia: a turnê sentimental de um sete-cordas viageiro


Em 2000, já fora um grande prazer ouvi-lo, em tabelinha de craques com outro músico paulista, o saxofonista Mané Silveira, no CD "Ímã". Em 2007, prazer renovado quando do lançamento de "Outra Praia", seu primeiro CD solo, bastante elogiado pela crítica especializada. Agora, com "Mundos e Fundos", satisfação ao quadrado, ao cubo ou elevada a que potência for, em imprecisa amplitude matemática, porque, de fato, Swami Jr. vem com tudo para extasiar o ouvinte com o seu sete-cordas inventivo, arrebatador, de sonoridade cheia. Ele, também contrabaixista, compositor e arranjador, assina, como produtor, trabalhos de primeira linha, como CDs do violeiro Paulo Freire, seu parceiro, do bandolinista Hamílton de Holanda, do violonista Marco Pereira, do cantor e compositor Chico César, das cantoras Eliete Negreiros, Vanessa da Mata, Virgínia Rosa e Jussara Silveira, além de uma interessante e inovadora Banda Glória, de luas paulistanas. 
          Em "Mundos e Fundos", Swami retrata musicalmente as voltas que o mundo lhe deu, ou seja, os vários destinos citadinos a que seria levado a partir de 2003, quando, nascendo sua filha, chegava com ela, por meio do produtor Alê Siqueira, o convite para acompanhar a cantora cubana Omara Portuondo, de quem também se tornaria diretor musical. Justamente essa experiência, de seguidas idas ao exterior com o seu "violão viageiro" ("d`après" João de Aquino) - e, em particular, "das horas lentas e vazias em quartos de hotel de lugares distantes e fascinantes", a lhe inspirar sentimentos, afetos, saudades e emoções, "do outro lado de si, em febre metafísica" -, plasmou-lhe o repertório desse disco primoroso. Nele, além de belos temas próprios - como "Paladino" (em intenção do mestre Horondino Silva) e "Jurupari" -, ele regrava, sem obviedade e com frescor de execução, Dorival Caymmi em "Saudade da Bahia" e Jacob do Bandolim em "Vibrações". E confere, na faixa 8, surpreendentemente, à sapequice de "Cabeleira do Zezé" (marcha de 1963 que deu na telha de João Roberto Kelly dentro do bar São Jorge, no Leme, que muito frequentou, ao ver um garçom de longas madeixas, então um modismo surgente numa cena carioca já influenciada pelos Beatles) uma releitura fantástica, lírico-nostálgica, algo camerística, apenas com o violão "falando" por si, em arranjo concebido por Swami numa viagem ao Japão há três anos. O lançamento do disco ocorre nesta quinta-feira, 22 de setembro, às 21h, em show no Sesc Pompeia ("flyer" acima), em Sampa, com participação especial de Marco Pereira, Tuco Marcondes e Mário Manga. Oxalá os cariocas também possamos vê-lo em breve.         
        ***

Pós-escrito: no primeiro "link" abaixo, Swami Jr. fala da motivação de "Mundos e Fundos" em vídeo-release; no segundo, toca uma do CD, o choro "Virou Fumaça", de sua autoria.

             http://www.youtube.com/watch?v=mFsaHYDOAUc&NR=1 ("Mundos e Fundos" - vídeo-release)

            http://www.youtube.com/watch?v=cFkCCK-jLGA
("Virou Fumaça")

Programe-se: Lançamento de Livro na Folha Seca dia 26


Num esforço de reportagem ficamos sabendo que são dois livros sobre esporte e cultura: um dos livros que será lançado tem por título Jogos de Identidade: o esporte em Cabo Verde, de Victor Andrade de Melo
e o outro O Surfe nas ondas da mídia - esporte, juventude e cultura, de Rafael Fortes

Para quem não vai ao Rock in Rio e gosta de Jazz




Você, que não vai ao Rock in Rio, não pode faltar ao Bossa, Jazz e Muito Mais , o festival que não tem data pra acabar, no Hotel Marina Palace, Leblon. 

Na sexta, dia 23 de setembro, quem está lá é a Companhia Estadual de Jazz (CEJ)  apresentando o melhor do samba-jazz, de Dizzy Gillespie a João Donato, com todo o repertório passado no Samba-jazzificator System...

E no sábado, o guitarrista Fernando Clark faz um tributo a Wes Montgomery, o gênio que reinventou a guitarra do jazz.
Fernando vai relembrar clássicos de Wes Montgomery como West Coast Blues, Four on Six, Road Song, Unit 7, Full House, Boss City e outras...

20.9.11

Programe-se: Mariana Baltar na noite do CCC


Por três quintas-feiras entre setembro e novembro, Mariana Baltar retorna ao Centro Cultural Carioca no show Pra dançar até o sapato furar!, relembrando as noites dançantes que comandou por cinco anos no palco do local do qual foi uma das fundadoras. A cantora reverencia Nelson Cavaquinho, Assis Valente, Pedro Caetano e Mário Lago - compositores que estariam completando 100 anos em 2011 - e segue a noite cantando sambas, maxixes, forrós, frevos e algumas das inesquecíveis marchinhas de carnaval. É pra dançar até o sapato furar!
Acompanham Mariana os músicos Marcílio Lopes – bandolim; Jayme Vignoli – cavaquinho; Josimar Carneiro – violão; Marcus Thadeu - bateria / percussão (excepcionalmente no dia 29 de setembro); André Boxexa - bateria / percussão (nos dias 13 de outubro e 3 de novembro) e Magno Júlio – percussão.
Datas : 29 de setembro, 13 de outubro e 3 de novembro (quintas-feiras)
Horário: 20h30
Local: Centro Cultural Carioca
Endereço: Rua do Teatro, 37 – Praça Tiradentes
Abertura do CCC: 19h
Reservas: 2252-6468 e 2242-9642
Couvert: R$ 20,00
Lotação: 200 pessoas
Censura: 18 anos
 
 
Mariana Baltar
www.marianabaltar.com.br
www.myspace.com/marianabaltar
 

19.9.11

Programes-se: Lançamento do livro Procura-se um milagre


Nossa querida amiga, a jornalista Celina Côrtes lança no dia 27 de setembro - terça-feira, na Livraria Argumento - Leblon, a partir das 19 horas, o livro "Procura-se um milagre"
todo mundo lá!

Cidades Invisíveis - Marco Polo e Kublai Khan



O que vou tentar aqui é fazer uma série de desenhos baseados no livro Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino.
Não vou reproduzir aqui seu maravilhoso texto, apenas traçar algumas cenas e se possível atiçar a curiosidade do navegante para participar da fabulosa experiência estética que é a leitura desse livro de maravilhas da imaginação.
Esta cena, que abre o livro, Marco Polo é visto descrevendo as cidades que ele visitou em suas missões. Não se tem certeza se Kublai Khan acredita ser verdade o que ouve, mas de alguma forma se interessa pelo que lhe é contado. Imagina-se que as descrições que o veneziano fazia tinham algo de especial. Esse algo, o curioso descobrirá junto com o imperador dos tártaros.
O que será?

17.9.11

Carlos Santana em Woodstock y otras cosita mas

Aqui vai um trecho (muito conhecido) da apresentação de Santana em Woodstock, em 1969,apresentando Soul Sacrifice.
Para saber por onde anda este fantástico guitarrista é só clicar no seguinte link do site oficial dele http://www.santana.com/tour/
Depois dê uma passada no site "Arquitetos da Nova Aurora" (Architects Of A New Dawn)- que ele criou, na tentativa de injetar alguma positividade no difícil mundo e tempo em que habitamos. Vale a pena!
http://aoand.com/

Bruno Rian lança seu primeiro CD como solista neste sábado na Arlequim: a fina estampa do choro por um bandolim de talento herdado e revigorado (gráti



Filho de peixe que, de fato, peixe é, em termos artísticos - ou seja, pelo talento herdado do bandolim de Deo Rian e levado adiante, no mesmo instrumento, com o valor de cordas novas e próprias -, Bruno Rian lança neste sábado, 17 de setembro, às 15h, com entrada franca, na Livraria Arlequim, no Paço Imperial (Praça XV), o CD "Bandolim Chorão" ("flyer" acima). A propósito, em 1996, com o pai - presente, logo mais, numa canja -,  Bruno fez seu noviciado no disco, gravando, aos 15 anos de idade, "Choro em Família", e com o disco teria reencontro, em 1999, já como integrante do elogiado Sarau, aquele das memoráveis domingueiras de longo curso na Cobal do Humaitá. Seus colegas nesse conjunto - incluindo a esposa, flautista, Aline Silveira - serão seus acompanhantes, na Arlequim, em show chorístico que alia modernidade e tradição, mostrando, também pelo veio autoral de Bruno, como a fina estampa do gênero, forjada pelos primeiros mestres, não se desbota e sempre se revigora nas cores da criação e da execução.
           ***

Pós-escrito: 1) no "link" seguinte, Bruno Rian, ladeado por Aline Silveira e pelo violonista André Bellieny (também integrante do Sarau) em "Atlântico", de Ernesto Nazareth;
                  2) um recado especialmente endereçado aos admiradores de Doris Monteiro: a cantora termina hoje a sua série de apresentações no bar Cariocando (Rua Silveira Martins, 139 - Catete), às 21h.

                    http://www.youtube.com/watch?v=e0O7hWI32dg&feature=related ("Atlântico") 

Desenho da série Cidades- Mulher na janela


A idéia é começar uma série de desenhos sobre o livro Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino.
Este aqui é apenas um pequeno ensaio antes de entrar em campo, ou melhor nas cidades...

16.9.11

Luiz Ferrar solta a voz nesta sexta em Niterói: um showman aniversariante cujo canto também realça o valor da vida



Interativo e performático no palco, o cantor e showman Luiz Ferrar (foto acima) apresenta-se nesta sexta-feira, 16 de setembro, a partir das 21h, no Bar Itália (Praia de Charitas, 651 - Niterói - tel.: 2619-8634), em show comemorativo do seu aniversário. De persona artística influenciada por Ney Matogrosso, até mesmo com alguma semelhança de registro vocal, o niteroiense Luiz Ferrar, no entanto, ao longo da carreira, tem mostrado brilho próprio na ambiência cênica que acompanha o seu canto de contratenor, distinta daquela do famoso bela-vistense, também pelo figurino, repertório e conteúdo na atração que oferece aos seus admiradores. Concorrente bem-sucedido em festivais do Sudeste, conquistou, há um ano, o primeiro lugar na segunda edição do Samba e Botequim, no pequenino Miraí de Ataulfo, arrebatando a atenção geral com a sua interpretação de "Liberdade", do angrense José Carlos Miranda. Este, aliás, parceiro de Piry Reis (um nome que remonta à Barca do Sol, nos anos 70) em "Riso do Vento" e compositor de "A Serpente e o Encantador", duas das faixas de um CD recém-lançado por Luiz, a segunda delas a faixa-título.
           No "link" abaixo, Luiz dá mostra do seu estilo alternativo com "Jorge da Capadócia", de Jorge Benjor, em que ainda se destaca um belo e imponente arranjo de cordas. Humanista, formado em psicologia e por algum tempo nela atuante, Luiz acentua na sua atividade artística a finalidade social e até mesmo assistencial, de apoio a portadores de necessidades especiais, como os atingidos pela hanseníase. Nesse particular, com instituições parceiras, comanda o grupo Juntos pela Vida, angariando donativos e abrindo mão, em favor desses necessitados, de parte dos seus ganhos com os shows. Parabenizando-o pela nobreza da iniciativa, a ele dirijo os meus votos de saúde e boa sorte, em sentido amplo, nesta nova idade que o alcança.
            ***
        

             http://www.youtube.com/watch?v=1TO49fRv6F4 ("Jorge da Capadócia")  

Vale a pena ver de novo: Caricatura de Samuel Beckett

15.9.11

Thais Villela anima as noites do Rio Scenarium, de hoje a sábado, levando o samba com intensidade



Em 2005, acompanhada pelo violonista Marcel Powell, ela se apresentou em show dedicado a Elizeth Cardoso - que, então, teria completado 85 anos de vida -e, recentemente, no palco, ampliou esse tributo em "Cantoras do Brasil", ressaltando, pela própria voz, a beleza e a expressão da presença feminina no canto popular através dos anos. Também jornalista - filha do locutor Arildes Cardoso, pioneiro da Rádio CBN -, a cantora Thais Villela (foto acima) integra, com seu brilho, a constelação de jovens bambas do velho samba revelados numa Lapa mais uma vez iluminada, no mapa cultural carioca, como reduto preferencial da batucada. Dos discos de bossa nova do pai, inspiradores do rumo artístico que tomaria, aos mestres da chamada raiz, Thais tem percorrido um caminho que, pelo apreço de quem a vê de microfone em punho, plena e vigorosa - como aquele frequentador do emblemático Semente (bar-referência destes novos tempos do samba na Lapa) -, a credencia ao primeiro CD, ora em preparo. Há dois anos, em longa temporada em hotel cinco-estrelas de Copacabana, conduziu o show "Receita de Samba", cujo repertório acentuava a relevância da nossa culinária, com destaque para a feijoada, por meio de músicas correlatas, uma atração rítmica de ótimo paladar, a cada prova do roteiro. Nesta quinta (às 19h), sexta (às 19h) e sábado (às 20h), respectivamente 15, 16 e 17 de setembro, ela retorna ao Rio Scenarium (Rua do Lavradio, 20 - Centro Antigo - tel.: 3147-9005) para mostrar, com a intensidade da sua voz, a força de comunicação da nossa canção popular, tanto a de produção recente como, em particular, aquela, fundamental, de Cartola e Ataulfo Alves, por exemplo.
         ***


Pós-escrito: nos "links" seguintes, vemos Thaís Villela cantando "Para Ver as Meninas", de Paulinho da Viola", no primeiro, e, no segundo, "Lapinha", de Baden Powell e Paulo Cesar Pinheiro.


        http://www.youtube.com/watch?v=V7juw581CX0&feature=related
("Para Ver as Meninas") 

        http://www.youtube.com/watch?v=PUTYoAR68Bw&feature=related
("Lapinha")


        http://www.myspace.com/thaisvillela1

Novo endereço da Companhia Estadual de Jazz


(Meu amigo Reinaldo mandou esse comunicado por e-mail)
Alô, alô amigos da música...A Companhia Estadual de Jazz (CEJ) vai mandar o seu samba-jazz nesta quinta, no Cais do Oriente, no novo horário de 18:30 h.
Pra quem está no Centro, saindo do trabalho...

14.9.11

Assis Valente é o bamba da vez na série MPB na ABL, nesta quarta, cantado pelo Samba de Fato e por Marcos Sacramento (grátis)





"Vem vadiar no meu cordão/cai na folia, meu amor/vem esquecer tua tristeza/mentindo à natureza/sorrindo à tua dor..."

 
       Prezados amigos,
 
       E o mundo não se acabou no dia 11 de março de 1958 - quando pôs termo à própria vida, ingerindo guaraná com formicida em banco da praia do Russel, na Glória, o baiano Assis Valente (foto acima) -, mas, certamente, no âmbito da MPB, findou-se prematuramente, aos 46 anos de idade, a arte de um gênio criador, "bipolar", de lira oscilante entre a exaltação e a amargura. Ou fundindo-as, como nos versos acima, do samba "Minha Embaixada Chegou", há pouco regravado pelo conjunto Sururu na Roda e um dos vários sucessos, como ainda  "Good-Bye Boy", "Camisa Listrada" e "Uva de Caminhão", que alcançou na voz de Carmen Miranda, sua mais exuberante intérprete. Levando a vida no arame, afligido por dívidas, tresloucava-se Assis, naquele dia funesto, em gesto terminal, desesperado, após tentativas frustradas de abreviar-se a existência, numa delas despencando do Corcovado, com queda amortecida por uma árvore frondosa e consequente resgate de bombeiros. De personalidade, portanto, moldada por anos de vivência conturbada, a que não faltaram conflitos de orientação libidinosa, Assis era um compositor em declínio, nos anos 50, do ponto de vista da demanda de suas músicas para gravação - apesar de lembrado em homenagem por Marlene em todo um disco feito em 1956 por sugestão do violonista Luiz Bittencourt. Recompos-se, "post-mortem", à atenção midiática e a gerações seguintes por meio de registros como o de Nara Leão, em 1969, para "Fez Bobagem" (lançado, em 1942, por Aracy de Almeida") e, especialmente, em 1972, com uma empolgante regravação de "Brasil Pandeiro" pelos Novos Baianos, estes reiterando, em escala ampliada, o êxito dos Anjos do Inferno, em 1940. Curiosamente, esse samba, considerado por muitos a consagração maior de Assis Valente na esfera autoral, tivera rejeição de uma Pequena Notável recém-chegada ao Rio dos EUA, o que muito entristeceu o compositor, estabelecido no ramo da prótese dentária e portador de traço apreciável, com desenhos publicados em revistas de prestígio, como a "Fon-Fon", já em 1927, pouco depois da sua chegada à Velhacap, vindo de Salvador.
        Neste 2011 do seu centenário de nascimento, Assis Valente é o nome escolhido para homenagem prestada nesta quarta-feira, 14 de setembro, com entrada franca, às 12h30, pela Academia Brasileira de Letras no Teatro Raimundo Magalhães Jr. (Av. Presidente Wilson, 203 - Castelo - tel.: 3974-2500), cantado por Marcos Sacramento, em participação especial, e pelo Samba de Fato (Pedro Amorim, Alfredo Del-Penho, Pedro Miranda e Celino Dias, que conduzem o show, responsáveis ainda pela instrumentação, pelo repertório e pelos arranjos - todos eles em foto acima)       
         Um bom dia a todos. Muito obrigado pela atenção à dica.
***
A propósito: nos "links" seguintes, composições de Assis Valente pelas vozes dos cegos que compunham os Titulares do Ritmo em 1) "Não Quero Não" e 2) "Maria Boa"; 3) "Alegria", pela mato-grossense Vanessa da Mata; 4) "Tem Francesa no Morro", em gravação de 1932 feita por Araci Cortes; 5) Ná Ozzetti canta "Recenseamento" em cadência modificada e atraente; 6)  "E o Mundo Não se Acabou", com Carmen Miranda, que aparece numa montagem de cenas de dois de seus filmes nos EUA.


         http://www.youtube.com/watch?v=MjHLBYXPeVI&feature=related
("Não Quero Não")

         http://www.youtube.com/watch?v=SGXSG7rQUtc
("Maria Boa")       

         http://www.youtube.com/watch?v=rrX23OCprrY&feature=fvwrel
("Alegria")

         http://www.youtube.com/watch?v=PKa9LSsJhXo&feature=related
("Tem Francesa no Morro")

        http://www.youtube.com/watch?v=hUqwI7xpr8c&feature=related ("Recenseamento")

        http://www.youtube.com/watch?v=5GxA4Elbx80&feature=related ("E o Mundo Não Se Acabou")

13.9.11

Amelia Rabello canta, hoje e amanhã, no Rival, e lança disco que adentra o coração da plateia por sons delicados



"Ruas Que Sonhei", pouco lembrado, é um belíssimo samba de Paulinho da Viola enriquecido, no primeiro "link" abaixo, pela voz melodiosa de Amelia Rabello. É faixa do primeiro disco solo dessa grande cantora, professora da Escola Portátil de Música, na Urca, que, nos dois "links" seguintes, interpreta, com imagens de palco do IV Festival Nacional do Choro, em São Pedro (SP), "Duro com Duro", de Ary Barroso, e "Ralador", de Roque Ferreira e Paulo César Pinheiro, cunhado dela. No quarto e último "link", um registro ao lado do saudoso mano Raphael Rabello, que a acompanha em "Pra Que Mentir", de Noel Rosa e Vadico.
        Curti muito, assim que foi lançado pela Velas, em 1989, o referido elepê de Amelia - lembro-me ainda de uma outra faixa dessa bolacha, muito bonita, que ouvi bastante, "Avesso", de Cristóvão Bastos e Paulo César Pinheiro -, e, certamente, o seu recentíssimo "A Delicadeza Que Vem desses Sons" chega caprichado ao aplauso do público presente ao show de lançamento do CD, nesta terça e nesta quarta, 13 e 14 de setembro, no Rival. A respeito, repasso, abaixo, com "flyer"(acima), o recado recebido da amiga jornalista Monica Ramalho, até mesmo com sucintas considerações sobre cada uma das canções.
       ***
         http://www.youtube.com/watch?v=RkAGFJnCv1w&feature=related ("Ruas Que Sonhei")

         http://www.youtube.com/watch?v=XsiiBV-3YXg&feature=related ("Duro com Duro")

         http://www.youtube.com/watch?v=kch1kdKpZwU&feature=related
("Ralador")

         http://www.youtube.com/watch?v=LCKeGDyoDwo&feature=related ("Pra Que Mentir")


Amelia Rabello lança disco comemorativo
em 13 e 14 de setembro, no Teatro Rival


Iniciando as festividades pelas suas quatro décadas de carreira, a serem completadas em 2012, Amelia Rabello lança seu quinto álbum solo pela Acari Records, 'A DELICADEZA QUE VEM DESSES SONS', com arranjos de Cristovão Bastos e produção de Luciana Rabello. Os primeiros shows serão realizados nos dias 13 e 14 de setembro, às 19h30, no Teatro Rival Petrobras. O disco é um mergulho nas águas profundas (e, no caso, serenas) dos sentimentos humanos. Ao longo de 13 faixas, a voz de Amelia reverbera como um vento praiano e o que se ouve tem gosto de maresia, vem no ritmo das ondas e se mistura às nossas emoções mais particulares - que, por isso mesmo, soam universais.

“Amelia Rabello é uma cantora de apurados recursos técnicos e repertório marcadamente brasileiro, com muito samba, choro, modinha e toada, cuja tônica é o bom-gosto e a precisão do canto coloquial, na melhor tradição da música urbana carioca herdada de Elizeth Cardoso, Ciro Monteiro, Araci de Almeida, Cartola e Elis Regina”, enumera a irmã Luciana, cavaquinista e sócia de Mauricio Carrilho na Acari Records, responsável pelo lançamento. Qualidades como essas foram atestadas há muito por nomes ilustres da música popular brasileira, como Paulo César Pinheiro, Raphael Rabello, Paulinho da Viola e Caetano Veloso, que compôs “Samba para Amelia”, inspirado e dedicado à intérprete.

O roteiro escolhido pela cantora traz inéditas de compositores veteranos, entre eles Radamés Gnattali, Ataulfo Alves, Baden Powell, Pedro Amorim, Moacyr Luz, Roque Ferreira e os supracitados Paulo César Pinheiro, Luciana Rabello e Cristovão Bastos. Há também duas obras dos jovens compositores Ana Rabello e Julião Pinheiro, sobrinhos dela e filhos de Luciana e PC Pinheiro. “Ao mesmo tempo em que é um disco fora do seu tempo, se mantém atualíssimo porque fala da solidão, tão comum nesses dias tecnológicos. Percebo que as pessoas hoje têm muito medo de sentir e aviso logo que esse disco veio para mexer e remexer nos assuntos do coração”, diz Amelia. 

Nos dois shows, a cantora será acompanhada por Cristovão Bastos no piano e na direção musical, Luciana Rabello no cavaquinho, Rui Alvim nos sopros, Julião Pinheiro no violão de 7 cordas, Glauber Seixas no violão Magno Julio e Marcus Thadeu na percussão. O roteiro é de Paulo César Pinheiro. 

COMENTÁRIOS SOBRE CADA FAIXA

1. “SANTA VOZ” (parceria de Baden Powell e Paulo César Pinheiro) - Um samba com personalidade, dentro da linha melódica do Baden, que é muito singular. Baden mexeu nas últimas estrofes e mostrou a Teca Calazans, que a gravou com a letra mostrada pelo Baden. Paulinho não gostou e só agora o samba é gravado com a letra original. E essa apoteose ao cantor encontra na voz de Amelia uma gravação esplendorosa.

2. “SEU ATAULFO” (parceria de Radamés Gnattali e Paulo César Pinheiro) - A música foi feita por Radamés e faz parte de uma série que ele entregou para que Paulinho letrasse. Existe uma gravação instrumental do Radamés, já com esse nome pois é uma homenagem ao Ataulfo Alves. É um samba no estilo do Ataulfo, como Radamés fez na “Suíte Retratos”, homenageando Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Pixinguinha. Com direito a um solo de Cristovão Bastos, herdeiro do espirito pianístico de Radamés.

3. “TEMPO PERDIDO” (samba de Ataulfo Alves) - Só tem dois registros antigos: da Carmem Miranda e do próprio compositor. Amelia gosta muito desse samba desde a infância.

4. “PELA NOITE” (choro-canção de Luís Moura, Afonso Machado e Paulo César Pinheiro) - Uma saga desses três compositores que narram as aventuras de um boêmio solitário na Lapa de outrora. A primeira se chama "Depois dos Arcos", a segunda, "Boêmio" (favorita de Caetano Veloso, citada no álbum 'Livro'), que Amelia gravou no disco 'Saravá Brasil'. Essa é a terceira de uma série que já está na oitava canção.

5. “DESCUIDO” (parceria de Julião Pinheiro e Paulo César Pinheiro) - É uma valsa contemporânea, violonística na mais fiel tradição das valsas brasileiras. Discípulo musical de Dino 7 Cordas, Julião é um rapaz de 24 anos que faria o tio Raphael Rabello se orgulhar.

6. “TANTA DESPEDIDA” (samba de Moacyr Luz) - Foi feito especialmente para a Amelia Rabello. De Moa, a cantora já havia gravado 'Saravá Brasil" que deu nome a um disco que vendeu abundantemente no Japão mesmo sem que ela tivesse colocado os pés na terra dos olhos puxados.

7. “CHAVE DA PORTA” (parceria de Luís Moura e Paulo César Pinheiro) - É um samba-canção impressionista que bebeu direto na fonte de Tom Jobim.

8. “VELHO NINHO” (parceria de Cristovão Bastos e Paulo César Pinheiro) - Samba inédito e da mais nova safra dessa dupla, que já foi gravada por Amelia em discos anteriores, fala da solidão contemporânea, da busca da felicidade. É um samba dolente, estilo de samba que está meio esquecido.

9. “ESTIGMA” (parceria de Luciana Rabello e Paulo César Pinheiro) - Esse samba-canção instrumental foi entregue a Paulinho pela mulher, Luciana, assim que foi feito. Ela diz que queria letra – e dele. Geralmente, é tocado nas rodas com uma levada de regional, mas no disco acabou ficando numa versão piano e voz, com andamento mais livre. Remete às composições de Garoto.

10. “VELHOS CHORÕES” (parceria Luciana Rabello e Paulo César Pinheiro) - Um clássico nas rodas de choro do mundo. Certa vez, Luciana chegou no Japão e estavam tocando esse choro. Também nasceu instrumental e foi gravado no disco solo da cavaquinista, há 11 anos. O nome do álbum de Amelia saiu de uma frase dessa letra. É uma homenagem às nossas origens musicais e a prova de que choro pode ser cantado. O arranjo faz referência a outro clássico: “Vibrações”, de Jacob do Bandolim.

11. “ALMA VAZIA” (samba de Roque Ferreira) - O compositor baiano é mais conhecido pelos seus sambas de roda, mas eis uma oportunidade para ouvir outra faceta de Roque: este é um samba urbano carioca, com influência direta de Ataulfo Alves. Vale lembrar que Amelia gravou “Ralador” no disco mais recente de Roque, a convite dele.

12. “GOTA DE MÁGOA” (parceria de Ana Rabello e Paulo César Pinheiro) - Mais um samba de uma compositora da nova geração com influência nítida de Mauro Duarte, parceiro de Paulinho. Ana é afilhada de Amelia e herdeira da escola de cavaquinho da mãe, Luciana. Além das riquezas harmônica e melódica, traz uma modulação lindamente incomum.

13. “COM AS MÃOS VAZIAS” (samba de Pedro Amorim) - Emoldurado por um clima misterioso, segue a linha triste das obras de Cartola e Nelson Cavaquinho – linha, digamos, um pouco esquecida em virtude da alegria turística que vem sendo cada vez mais exigida dos sambistas. Simples e sofisticada como todo o disco.


QUANDO: 13 e 14 de setembro, terça e quarta-feira, às 19h30
ONDE: Teatro Rival Petrobras (Rua Álvaro Alvim, 33 a 37, Cinelândia, Rio de Janeiro. Informações: (21) 2240.4469
QUANTO: R$ 40 (inteira), R$ 30 (promoção para os 200 primeiros pagantes disponível através do e-mail ingresso@acari.com.br ) e R$ 20 (meia-entrada para estudantes, professores da rede municipal e maiores de 65 anos)
ETCÉTERA: Classificação 16 anos

FICHA TÉCNICA DO SHOW
Direção musical: Cristovão Bastos
Roteiro: Paulo Cesar Pinheiro
Direção: Gustavo Guenzburger
Iluminação: Paulo César Medeiros
Produção: Soraya Nunes e Fernanda Silveira
Figurino: Marcelo Marques

12.9.11

Desenho inédito


(Clique na imagem para ampliar e VER melhor)

Nelson Faria no Lapa Café: cordas de primeira nesta segunda em show conduzido por Pascoal Meirelles



     Sobrinho-neto de um dos mais relevantes nomes do nosso piano clássico, Fructuoso Viana, o também mineiro Nelson Faria, nascido em BH mas criado em Brasília, é o convidado de hoje, 12 de setembro, na bem-sucedida série Música de Primeira na Segunda, que o baterista Pascoal Meirelles vem apresentando, regularmente, a partir das 19h30, no Lapa Café ("flyer" acima). Na Capital Federal, a exemplo de Márcio Faraco (radicado em Paris), Daniel Santiago e Lula Galvão, Nelson foi um dos vários alunos de talento do célebre e exigente Sidney Barros, o Gamela, quando, contando apenas 16 anos de idade, já se apresentava na noite local acompanhando a cantora e compositora Zélia Duncan, então Zélia Cristina. Incentivado por esse seu primeiro mestre de violão, Nelson, três anos depois, partiu para os EUA, onde estudou no Guitar Institute of Technology (GIT), no qual teve a orientação de ícones do jazz, como Joe Pass, Scotch Henderson, Joe Diorio e Frank Gambale. De volta ao Brasil e morando no Rio, viveu, em 1987, uma situação curiosa na Universidade Estácio de Sá, quando foi convidado pela instituição para ministrar aulas onde já era aluno, terminando lá a licenciatura em música que iniciara na Univesidade de Brasília (UnB).
                    Muito importante na carreira de Nelson Faria foi o falecido contrabaixista Nico Assumpção, que conheceu numa "jam" no extinto Jazzmania e com quem, mais o flautista e saxofonista Carlos Malta e o anfitrião Pascoal, formou o conjunto Ninho de Vespas. Por indicação de Nico, o ponte-novense João Bosco há muito acolhe a excelência de Nelson em seu grupo, um dos muitos passos musicais que este tem dado com êxito. Já são vários CDs lançados - afora os tantos de que participou como instrumentista de estúdio -, shows e "workshops" no Brasil e no exterior, além de livros seus, didáticos, e videoaula lançados. Nelson passa uma temporada na Suécia, onde trabalha como professor a convite das Universidades de Orebro, Ingesund e KMH, tocando, como arranjador e solista também convidado, com grandes orquestras europeias e norte-americanas. Um Faria, portanto, que faz e fará ainda muito pela reconhecida capacidade de alumbramento das cordas nacionais.
                
***
   Pós-escrito: no primeiro e no segundo "links" abaixo, Nélson Faria toca, respectivamente, "Samba do Avião", de Antonio Carlos Jobim, e "Manhã de Carnaval", de Luiz Bonfá e Antonio Maria. No terceiro "link", Pascoal Meirelles, acompanhado pelo baixo de Sergio Barrozo e pela guitarra de Lula Galvão, mostra, em noite do TribOz, no off-Lapa, a sua jobiniana "Tom".                   
                  

                    http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=tAeeckBMrtc
("Samba do Avião")
                   
                    http://www.youtube.com/watch?v=iMrysSfBv-0 ("Manhã de Carnaval")

                    http://www.youtube.com/watch?v=n6xc2nF9wG0
("Tom")

11.9.11

Chuva de Poesia







Nosso bravo poeta Guilherme Mansur mandou diretamente de sua oficina de invenções o registro da "Chuva de Poesia" que ele promoveu em agosto em Ouro Preto. (Ele faz essas chuvas desde 1993 - as pessoas curtem muito, catam os poemas que caem no chão, trocam os repetidos como se fossem figurinhas - rola movimento de corpo, leitura,sociabilidade, jogo, alegria... ) O que mostra que não são só os xamãs, ou as rezas que fazem chover, também os poetas , sobretudo eles que sabem fazer chover a poesia.
(A igreja que aparece nas fotos acima é a Matriz do Pilar e as fotos são de Lucas Godoy)
Precisamos de uma chuva dessa no Rio!

Panorama do Choro Paulistano Contemporâneo reúne grandes músicos, neste domingo, em Sampa, para uma geral da vitalidade do gênero


   
Da amiga pesquisadora e percussionista Roberta Cunha Valente, de Sampa, também conhecida por sua colaboração regular na Agenda Samba&Choro, repasso (com "flyer" acima) o recado, abaixo, sobre um trabalho de monta que lhe consumiu dois anos de empenho, com o colega de som Yves Finzetto. Como um dos muitos músicos envolvidos no projeto ora realizado, o excelente pianista e compositor Laércio de Freitas, compara a mola propulsora da iniciativa, o choro, a um grande parque de diversões, o show deste domingo e o CD respectivo "Panorama do Choro Paulistano Contemporâneo" mostram, naturalmente, nesse setor lúdico-cultural da MPB, o encanto e a diversidade dos brinquedos atuais. Isso sem que fiquem para trás, como motivação, referência e inspiração, os pioneiros e o "entretenimento" original. Seguem em frente, com talento e competência, portando a bandeira inicialmente desfraldada por Anacleto, Nazareth, Chiquinha e Callado, entre outros mestres.
           Um bom dia a todos. Grato pela atenção à dica.

           Um abraço,

           Gerdal

Pós-escrito: ilustrando musicalmente a dica, o Sexteto Panorama toca, no "primeiro "link", do imortal Zequinha de Abreu, este "hino nacional" que é "Tico-Tico no Fubá"; b) o mesmo clássico pelo sexteto e mais músicos associados ao Panorama, como o supracitado Laércio e o também excelente Alessandro Penezzi, violonista; c) "Lá pelas 9", uma das faixas do CD ora lançado e composta pelo craque João Poleto, flautista integrante do sexteto.


            http://www.youtube.com/watch?v=wecvnV0JZjE
("Tico-Tico no Fubá", com o Sexteto Panorama")     

            http://www.youtube.com/watch?v=rvrjT-jv2aA ("Tico-Tico no Fubá", com o sexteto e outros músicos do Panorama)

            http://www.youtube.com/watch?v=sIDaA7udHIY ("Lá pelas 9")
                                        

Show de lançamento do cd “Panorama do Choro Paulistano Contemporâneo”
Auditório Ibirapuera
Dia 11 de setembro - Domingo, 19h.
 
Considerado o primeiro gênero musical urbano genuinamente brasileiro, o Choro continua vivo e atravessando gerações. Com o objetivo de registrar e divulgar a expressão atual do gênero produzida na capital paulista, os percussionistas e pesquisadores Roberta Valente e Yves Finzetto criaram o projeto PANORAMA DO CHORO PAULISTANO CONTEMPORÂNEO.
 
O resultado é a reunião de compositores e instrumentistas de diferentes gerações que representam a atual produção do Choro paulistano. A originalidade, a diversidade e a beleza das composições fazem do PANORAMA um projeto especial e histórico.

O Cd foi lançado pelo Selo Por do Som em 2011, ao todo, são 30 artistas envolvidos em 16 músicas inéditas de Alessandro Penezzi, Arnaldinho Silva, Danilo Brito, Edmilson Capelupi, Edson José Alves, Everson Pessoa, Israel Bueno de Almeida, Izaías Bueno de Almeida, João Poleto, Laércio de Freitas, Luizinho 7 cordas, Maurílio de Oliveira, Milton Mori, Nailor Proveta, Ruy Weber, Thiago França, Toninho Ferragutti e Zé Barbeiro.

O show de lançamento contará com o Sexteto Panorama:
Alexandre Ribeiro, Henrique Araújo, Gian Corrêa, João Poleto, Roberta Valente e Yves Finzetto.
 
Músicos Convidados
Nailor Proveta, Thiago França, Izaias Bueno de Almeida, Israel Bueno de Almeida, Luizinho 7 Cordas, Milton de Mori, Alessandro Penezzi, Ruy Weber, Zé Barbeiro, Edmilson Capelupi, Edson José Alves, Arnaldinho Silva, Everson Pessoa, Maurilio de Oliveira, Vitor Lopes e Cesar Roversi.
 
www.panoramadochoro.com.br
 
Ingressos Antecipados:
A venda na bilheteria:
Telefone: +55 (11) 3629-1075
bilheteria@auditorioibirapuera.com.br
Ingressos R$30,00 e 15,00  (meia entrada)
 

--
Roberta Valente
www.myspace.com/robertacunhavalente
www.saocoisasnossas.blogspot.com
www.samba-choro.com.br

8.9.11

Alfredo Cardim, nesta quinta, em show na MC Galeria: um pianista esmerado na noite do Arpoador



 
Há uns três anos, em um expositor de supermercado, aqui em Laranjeiras, adquiri um CD da melhor qualidade, lançado em 2004: o do conjunto DNA Bossa Trio (foto acima), com recomendação no encarte assinada pelo professor e crítico de jazz José Domingos Raffaelli. Um CD que principia com um tema pouco difundido de Jobim, "Blusa Vermelha" ("Red Blouse"), seguido de outro pouco lembrado de Johnny Alf, "Fim de Semana em Eldorado" e percorre "standards" como "Dora", de Caymmi, "April Child", de Moacir Santos", e "Olhou pra Mim", de Ed Lincoln e Sílvio César, entre outras faixas. Mas por que DNA? Porque com essas letras se iniciam os nomes dos seus ótimos integrantes, com longa vivência e lida profissional nos EUA: Duduka da Fonseca, baterista (casado com a cantora Maucha (Maria Lúcia) Adnet, ex-Céu da Boca), Nílson Matta, baixista, e Alfredo Cardim, pianista. Dos três, este último está de novo no Rio há algum tempo, onde vem apresentando-se, com o brilho e o esmero das suas teclas, em algumas casas noturnas.
            Apesar da sua aparência jovial, Alfredo Cardim vem de longe na nossa música instrumental, obrando no quarteto de Edison Machado, no comecinho dos anos 70, em substituição a Haroldo Mauro Jr., antes de tentar a sorte na pátria de Barack Obama. Lá, estudou nas prestigiadas Berklee College of Music e Julliard School of Music e tocou com diversos nomes de peso na seara do jazz, como Gerry Mulligan, Herbie Mann e Joe Henderson, marcando presença em endereços-referência do gênero, como o Blue Note e o Village Gate. Em um de seus retornos ao Rio, destacou-se, na noite local, nos anos 90, participando do Fogueira Três, ao lado do contrabaixista Fogueira e do baterista Haroldo Jobim, até mesmo com elepês gravados de bossa nova. Nesta quinta-feira, às 21h, de acordo com o "flyer" acima, Alfredo acompanha o cantor Antônio Carlos como atrações da simpática série Exposições Musicais, que adentra setembro na MC Galeria, no Arpoador (Rua Francisco Otaviano, 55 - tels.: 2247-7793/2513-9393).  
           ***

Pós-escrito: 1) nos "links" seguintes, ouvimos a) o "cool" Fogueira Trio tocando "Wave", de Antonio Carlos Jobim,  b) "One for Donato", estudo de Alfredo Cardim para o ensino de piano voltado para o samba, uma das lições encontradas no livro "Brazilian Piano", dele e de Robert Willey, e c) o pianista em ação numa "jam" do TribOz, tocando com o contrabaixista Fernando Leporace, o soprista Dado e o baterista Jorge Amorim;
                   2) reparando equìvoco de inserção de "link" na dica de domingo passado, sobre show, em Sampa, de Joana Duah e participação especial de Filó Machado, vemos essa cantora, acompanhada do Baião de 5, dando um belo recado em "Perfume de Cebola", de Filó e Cacaso.
           
            http://www.youtube.com/watch?v=5_7DicgnXic
("Wave")

            http://www.youtube.com/watch?v=dsY_cq9bI9Y
("One for Donato")

            http://www.youtube.com/watch?v=34S98raCasY (Alfredo Cardim tocando no TribOz)

            http://www.youtube.com/watch?v=0ABEdJjeKV4 ("Perfume de Cebola", com Joana Duah e o Baião de

7.9.11

Miles Davis - O Jazz na Essência


(Por favor, leia com atenção esse texto sublime de Jorge Sanglard
Miles Davis (26/05/1926 – 28/09/1991) viveu buscando coisas novas pra tocar, novos desafios pra suas ideias musicais e encarnou, como poucos, a história da música afro-americana improvisada. Sua trajetória é parte integrante e fundamental na evolução da linguagem jazzística ao longo do século XX e sua contribuição musical criou aberturas para além seu tempo. Durante quatro décadas e meia, Miles Davis contribuiu decisivamente para reformular as noções de harmonia e ritmo, nunca se atendo a rótulos. Por tudo isso, sua música não é fácil de ser codificada ou classificada e isso até foi motivo para irritá-lo: “Sempre achei que a música não tem fronteiras, limites ao seu crescimento, não tem nenhuma restrição à sua criatividade. A boa música é boa, independente do que seja. E sempre detestei categorias. Sempre. Nunca achei que isso tivesse lugar na música... Sempre quis apenas soprar minha corneta e criar música e arte, comunicar o que eu sentia por meio da música... Quando a gente cria sua própria arte, nem o céu é o limite”. Miles viveu pensando na criação e revelou: “A música é uma bênção e uma praga. Mas eu a amo, não queria que fosse de outra forma. A música sempre foi uma praga pra mim porque sempre me senti compelido a tocá-la. Sempre foi a primeira coisa em minha vida. Vem antes de tudo”.
   A influência de Miles Davis como inovador e visionário foi decisiva na consolidação do jazz a partir da segunda metade do século XX, seja no cool, seja no pós-bop, seja no modal, ou ainda na fusion e pode ser sentida até no break, no hip-hop e no rap. Mas o certo é que a matriz negra, o blues, sempre esteve presente em sua vida e também é certo que o jazz é uma linguagem musical cuja vitalidade está na essência da transformação. E aí, o que conta é a sensibilidade do criador e do improvisador, terreno onde Miles Davis sempre foi mestre, ou mais que isso, gênio. Se não tivesse se encantado em 28 de setembro de 1991, há duas décadas, Miles Davis teria completado 85 anos no último dia 26 de maio.
    O espírito do jazz de Miles Davis está impregnado de blues e sua linguagem musical inovadora, a partir de frases inspiradas no blues, construiu uma sonoridade própria e transformadora. Para o trompetista, “a maneira de criar e transformar a música é tentar sempre inventar maneiras de tocar”. Afinal, “o mundo sempre foi mudança”, admitia. Portanto, o instrumentista incorporou ao som cortante e ao lirismo, ou à delicadeza, de seu trompete – base de sua concepção rítmica e harmônica – avanços rumo a novos caminhos, elaborando uma música para ouvir e para sentir. Sempre fiel à sua marca fundamental: “Eu toco simplesmente o necessário, nada além; apenas o essencial”.
   Miles Davis deixou claro em sua trajetória que o silêncio é tão importante quanto o som. Com seus solos fragmentários – onde a tensão ronda cada fraseado – com as linhas melódicas sendo estendidas ao limite e sempre cercado de grandes instrumentistas, sustentando o clima denso e envolvente de sua música, o trompetista foi um dos criadores mais influentes do século XX. Em sua autobiografia, lançada no Brasil pela Editora Campus, em meados de 1991, três meses antes de sua morte, Miles revelaria: “pra eu tocar uma nota, ela tem de soar bem pra mim. Sempre fui assim. E a nota tem de estar no mesmo registro do acorde em que a toquei antes, pelo menos era assim. No bebop, todo mundo tocava muito rápido. Mas eu jamais gostei de tocar um monte de escalas e essa merda toda. Sempre tentei tocar as notas mais importantes do acorde, decompô-lo. Eu ouvia os músicos tocando todas aquelas escalas e nunca nada que a gente pudesse lembrar”.
   De 1945 – como integrante do quinteto de Charlie ‘Bird’ Parker – a 1991, Miles Davis construiu uma sólida carreira musical e fonográfica, interrompida entre 1975 e 1981 para recuperação de um grave acidente automobilístico que o deixou com os dois tornozelos quebrados. Em três décadas, entre 1955 a 1985, Miles consolidou sua trajetória, mantendo a essência inovadora do jazz e articulando novas explorações sonoras. Ousado, inventivo e genial, Miles Davis desafiou o tempo com sua música impregnada de força e de criatividade. Miles encarnou parte da história do jazz e da música negra norte-americana e seu legado é parte integrante da evolução da própria música criativa da segunda metade do século XX.
   O próprio Miles admitia: “Tive vários períodos criativos realmente férteis em minha vida. O primeiro foi de 1945 a 1949, o início. Depois quando deixei as drogas, 1954 a1960 foi um tempo musicalmente fértil... E 1964 a 1968 não foi tão ruim assim, mas eu diria que me alimentava muito das idéias musicais de Tony, Wayne e Herbie. O mesmo aconteceu quando fiz ‘Bitches Brew’ e ‘Live-Evil’, porque foi uma combinação de pessoas e coisas – Joe Zawinul, Paul Buckmaster e outros – e tudo que fiz foi reunir todos e compor umas poucas coisas”.
   Em sua autobiografia, Miles afirmaria: “Sendo um rebelde negro e inconformista, sendo frio, elegante, irado, sofisticado e ultralimpo, como queiram chamar – eu era tudo isso e mais. Mas tocava o fino em meu trompete, e tinha um grande conjunto. Por isso, não consegui reconhecimento apenas pela imagem de rebelde. Tocava trompete e liderava o conjunto mais quente da praça, um conjunto criativo, imaginativo, superintegrado e artístico. E isso, para mim, foi o motivo de conquistarmos o reconhecimento”.
  
Santíssima trindade do bebop


   Dizzy Gillespie, Miles Davis e Charlie ‘Bird’ Parker encarnaram o Pai, o Filho e o Espírito Santo no bebop, uma verdadeira revolução que lançou as bases do jazz moderno. A linguagem do jazz, a partir do bebop, entre 1944 e 1949, foi alterada radicalmente seja melódica, seja rítmica e harmonicamente, determinando uma ruptura com o tradicional. O jazz, com o bebop, passou a ser arte e não mero divertimento. Ao contrário do swing, o bebop não servia para dançar, daí sua pouca penetração popular, e mesmo músicos em ascensão, como Bird, Dizzy e Miles, eram atingidos pelo preconceito contra a música negra.
   Para Miles, o bebop foi mudança, foi revolução: “Se alguém quer seguir criando, tem de ser com mudança. Viver é uma aventura e um desafio”. Aos 18 anos, o jovem trompetista negro Miles Dewey Davis III, nascido em 26 de maio de 1926, em Alton, Illinois, pequena cidade ribeirinha do rio Mississipi, a cerca de 40 quilômetros ao norte de East St. Louis, encarou o desafio da música e chegou a Nova York, em setembro de 1944, “ainda verde em algumas coisas, como mulheres e drogas”, mas confiante  em sua capacidade de tocar trompete.
   O verdadeiro motivo da ida do músico para a Big Apple ou Grande Maçã era procurar Bird e Dizzy, que sacudiam o cenário do jazz com um novo caminho, a partir de seus improvisos sobre temas pré-estabelecidos, articulando novas melodias e impulsionando a mudança da concepção rítmica, base da consolidação do jazz moderno. Assim, Miles foi para Nova York “para sugar tudo que pudesse” de lugares como a Minton’s Playhouse, no Harlem, e muitos outros na rua 52, que todo o mundo da música chamava de “A Rua”. O estudo na escola Juilliard era apenas uma cortina de fumaça, uma escala, uma desculpa que Miles usara para ir para perto de seus ídolos musicais. E Miles deixou claro isso em sua autobiografia: “Ouça. A maior sensação de minha vida – vestido – foi quando ouvi pela primeira vez Diz e Bird juntos em St. Louis, no Missouri, em 1944. Eu tinha 18 anos, e acabara de me formar no Ginásio Lincoln, que ficava bem em frente, do outro lado do rio Mississipi, em East St. Louis, Illinois”.
   “Bird pode ter sido o espírito do bebop, mas Dizzy era ‘a cabeça e as mãos’, aquele que congregava tudo”, disse Miles Davis, que se tornaria a mais nova personagem da Santíssima Trindade do bebop. Estas e muitas outras revelações do mundo e do submundo do jazz estão nas 382 páginas de “Miles Davis – A Autobiografia”, um livro que provocou impacto devastador quando foi editado nos Estados Unidos no final de 1989 e que, no Brasil, ganhou tradução de Marcos Santarrita, em meados de 1991.
   Numa linguagem direta e certeira, como a pegada de um boxeur peso pesado, o livro foi fruto da colaboração entre o trompetista e o jornalista, poeta e professor Quincy Troupe. Contundente e corrosivo, Miles traçou um painel multifacetado do universo jazzístico de 1944 a 1989, permeando cada passagem com uma riqueza de detalhes só possível a quem vivenciou e/ou mergulhou fundo no prazer e na dor que envolviam e vão continuar envolvendo a música.
 
Negro como a meia-noite
 
   Sobrevivente de uma geração de expoentes do jazz que acreditava na afirmação de Charlie ‘Bird’ Parker, em 1953, “A música nunca irá parar. Continuará sempre caminhando para a frente”, Miles deixou claro: “Música não tem época; música é música”. Negro como a meia-noite, Miles Davis criou uma música impregnada da essência cultural afro-americana expressa pelo jazz e alinhavada com a matriz negra, o blues.
   O ano de 1954 seria musicalmente muito importante para o trompetista, embora ele mesmo não compreendesse o quanto na época, segundo revelação em sua autobiografia. O disco “Birth of the Cool” foi um marco e lançou um feixe de luz sobre os novos caminhos trilhados por Miles e o arranjador Gil Evans. Esse disco tomara, segundo Miles, de algum modo, outra direção, mas viera basicamente do que Duke Ellington e Billy Strayhorn já haviam feito; apenas tornara a música “mais branca”, pra que os brancos a digerissem melhor.
   Em 1955, Miles Davis deixaria a Prestige, onde tinha gravado discos fundamentais para consolidar a base de sua música, tendo Bob Weinstock como produtor, e passaria a gravar para a Columbia, inicialmente com o produtor George Avakian. O grupo formado por Miles e tendo Coltrane como uma referência tornou o trompetista e Trane lendários: “Esse grupo realmente me pôs no mapa do mundo musical, com todos os grandes discos que fizemos pra Prestige e, depois, pra Columbia Records”. O primeiro LP do trompetista gravado na Columbia foi “Round’ About Midnight”, ao lado de John Coltrane, Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones, em sessões realizadas estúdio D, em Nova Iorque, em 26 de outubro de 1955, e no estúdio da Rua 30, em junho e setembro de 1956. De cara, Miles emplacaria um clássico na nova casa. E ele sintetizaria: “A Columbia representou pra mim uma abertura pela qual minha música podia passar pra chegar a mais ouvintes, e eu passei por essa porta quando ela se abriu e jamais olhei pra trás”.
   Em maio de 1957, voltaria ao estúdio com Gil Evans para gravar “Miles Ahead” e diria: “Foi uma grande experiência voltar a trabalhar com Gil. A gente se via de vez em quando, depois de fazermos ‘Birth of the Cool’. Depois disso, falamos em nos reunir em outro disco, o que resultou na idéia da música de ‘Miles Ahead’. Como sempre, adorei trabalhar com Gil, porque ele era muito meticuloso e criativo, e eu confiava plenamente em seus arranjos musicais. Sempre formamos uma grande dupla musical, e realmente compreendi isso quando fizemos ‘Miles Ahead’”. Em fins de 1959, o trompetista iniciou também com o arranjador Gil Evans o disco “Sketches of Spain”, outra maratona sonora repleta de descobertas e plena de sentimento.  
   Durante três décadas, a trajetória de Miles Davis na Columbia, atual Sony, impulsionou o jazz para novos caminhos. Ali permaneceu até 1985-86 quando migrou para a Warner e abriu novas perspectivas em sua música.
   Para marcar essa colaboração Miles-Columbia, no final de 2010, o selo Legacy, que cuida das reedições da Sony Music, lançou um banquete completo para os admiradores da música de Miles Davis: uma caixa contendo a coleção integral dos álbuns do trompetista, disponível na Amazon, ou na Columbia-Legacy. São nada mais nada menos que 70 CDs, um ensaio escrito por Frederic Goaty, anotações de Franck Bergerot sobre cada disco e um DVD, além de fotos raras. Um mergulho profundo na alma do jazz de Miles.
   As idéias criativas nunca se esgotaram em Miles Davis, que afirmaria: “elas me saltavam da cabeça”. E arrematava: “Me dizem que meu som parece uma voz humana, e é isso que quero que seja”. Para Miles Davis, música e vida são estilo. E advertia: “É preciso ter estilo no que quer que se faça – literatura, música, pintura, moda, boxe, tudo. Alguns estilos são elegantes, criativos, imaginativos e inovadores, e outros não”. E o estilo de Miles foi tudo isso e muito mais. Como músico, sempre esteve na linha de frente do jazz e sempre buscou novas explorações e desafios. A chama ardente do jazz marcou sua trajetória. Como poucos, o trompetista incorporou a alma da música afro-americana improvisada e sua experimentação sonora é fruto desta vivência e parte essencial da evolução do jazz. Para ele, a música estava sempre mudando. E mudando por causa das épocas e da tecnologia disponível.
    
Uma obra-prima e ícone do jazz moderno
  
  Em 2009, o disco "Kind of Blue", um ícone do jazz, completou 50 anos e ganhou reedição de luxo com dois CDs, incluindo faixas extras, documentário e entrevistas em DVD e um livreto pelo selo Columbia/Legacy, no Brasil Sony. A versão norte-americana trazia ainda um vinil de 180 g. As duas sessões de gravação do álbum foram realizadas em 2 de março e em 22 de abril de 1959 e o disco foi lançado em 17 de agosto de 1959. A expressão “Kind of Blue” pode ser traduzida como “um pouco triste”, ou “um pouco blue”. E “So What” – faixa inicial do álbum – pode ser traduzida como “E daí?”. Já a expressão “modal” significaria “de escalas”, ou seja, “toda música ou todo sistema diatônico que obedecesse a um padrão de uma única nota ‘tônica’ central seria modal”. Na verdade, Miles Davis utilizava estas expressões usualmente e, por isso mesmo, são reveladoras de como coisas simples podem significar muito.
   No livro "Kind of Blue - A História da Obra-Prima de Miles Davis" (Editora Barracuda), o norte-americano Ashley Kahn, empreende um mergulho fundo em uma das criações mais inventivas do universo jazzístico e um divisor de águas na própria trajetória do trompetista. Prefaciado por Jimmy Cobb (20/01/1929), baterista e único músico vivo do sensacional sexteto de Miles Davis que atuou nas duas sessões de gravação de “Kind of Blue”, em 1959, o livro revela os bastidores das gravações e mostra porque este disco é considerado uma das mais significativas expressões musicais do século XX. O próprio Ashley Kahn afirma: “No santuário do jazz, ‘Kind of Blue’ é uma das relíquias sagradas”. No entanto, esclarece que “o álbum fez menos barulho quando saiu do que sua reputação atual poderia sugerir – fazendo sua mágica na música por meio da evolução, não da revolução”.
   Miles Davis, em sua autobiografia, garante que “Kind of Blue” resultou da forma modal que começara em “Milestones”, mas desta vez, foi acrescentado outro tipo de som que lembrava o do Arkansas “quando voltávamos da igreja e o pessoal tocava aqueles hinos de igreja sensacionais. Me voltou aquele sentimento e comecei a me lembrar do som e da sensação daquela música. Era dessa sensação que eu tentava me aproximar. Aquela coisa entrara em meu sangue criativo, minha imaginação, e eu esquecera de que ela estava lá”. Assim, “compus um blues que tentava retornar àquela sensação que eu tivera aos seis anos de idade, andando com meu primo pela estrada escura do Arkansas. Compus uns cinco compassos disso, gravei e acrescentei uma espécie de som cortante na mixagem, porque essa era a única forma que eu tinha de entrar no solo do piano. Mas a gente compõe uma coisa e aí vêm outros caras, tocam a partir dela e a levam pra outro lado, através de sua criatividade e imaginação, e a gente não sabe mais pra onde achava que estava indo. Eu tentava fazer uma coisa e terminava fazendo outra”.
   E Miles vai mais fundo na explicação sobre como gravou o histórico disco: “Não compus a música de ‘Kind of Blues’, apenas fiz uns esboços do que todos deviam tocar, pois queria espontaneidade na execução. Tudo saiu na primeira tomada, o que indica o nível em que o pessoal tocava. Foi lindo. Mas quando digo às pessoas que não consegui fazer o que tentava, que não consegui obter o som exato do piano de dedo africano naquele som, elas me olham como se eu estivesse doido. Todos dizem que o disco é uma obra-prima – eu também gostei – e acham que estou tentando goza-los. Mas foi isso que tentei fazer na maior parte desse disco, particularmente em ‘All Blues’ e ‘So What’. Simplesmente não consegui”.   
   Kahn afirma que o solo de Miles em “So What” demonstra duas vertentes fundamentais da sonoridade de seu trompete: “Seu gênio para a simplicidade. Há quase um exagero de economia em seu método, contornando sons prolongados e silêncios para obter um efeito irresistivelmente casual e um palpável senso dramático. A outra característica distinta de Miles é a referida tendência de adiantar o ritmo e jogar com as divisões”. 
      Mas uma das revelações mais marcantes de Kahn sobre “Kind of Blue” foi o efeito que a música criada pelo sexteto produziu em John Coltrane, apesar de toda a música de influência modal que Davis, Cannonball, Heath e, depois, Zavinul produziriam, “nenhum músico foi mais afetado pela experiência modal deste disco e nenhum seria mais influente do que John Coltrane”. E lança mão do biógrafo Lewis Porter para explicar: “O solo em ‘So What’ indica o rumo que a música de Coltrane tomaria nos anos 60, mais que ‘Giant Steps’. Ele se tornou cada vez mais preocupado com os aspectos estruturais da improvisação; com isso, se concentrou exclusivamente nos conhecimentos modais, o que deu a ele o tempo para desenvolver suas idéias minuciosamente”.   
   Ashley Kahn assegura na introdução do livro que, quando começou a pesquisa, a Sony Music forneceu pleno acesso a todas as informações, fotografias e gravações dos seus arquivos, além de facilitar o contato com antigos funcionários. Assim, “localizei relatórios das fitas e das sessões que revelavam a identidade da equipe de gravação que trabalhou em ‘Kind of Blue’, cuja maioria – assim como os membros do sexteto, com exceção do baterista Jimmy Cobb – não está mais entre nós. De conversas com engenheiros da Columbia da época, pude formar um quadro do que era trabalhar no 30th Street Studio, antiga igreja onde o álbum nasceu”.
   E, para aproximar o leitor do efetivo processo de criação do álbum, Kahn lançou mão da transcrição e da discussão das sessões de gravação. O texto original da contracapa de Bill Evans – “Improvisação no jazz” – foi encontrado “impecavelmente escrito à mão e quase sem edição", assim como as fotografias do engenheiro de som Fred Plaut, “jamais publicadas e que mostram as notações musicais de um tema de estrutura modal”. Kahn afirma que o trompetista e Evans demonstraram, neste disco, ser dois exploradores musicais unidos por paixões e visões afins: “Eles compartilhavam um lirismo obsessivo e um fluxo melódico que mais sugeria do que manifestamente definia a estrutura musical”. Miles ao falar de Bill Evans demonstra todo seu sentimento: “Bill possuía aquela chama silenciosa que eu adorava no piano. Da forma como tocava, o som que ele extraía era como silvos de cristal ou água cintilante caindo de uma cachoeira limpa. Red conduzia o ritmo, mas Bill se entregava a ele...”.
   O autor do livro também afirma na introdução que, além das informações obtidas na pesquisa, “fui sendo igualmente tomado pelos aspectos mais místicos do álbum”. “A lenda de sua criação pura, em takes únicos. A combinação alquímica de influências de música erudita e música folk. A interação da filosofia menos-é-mais de Miles e do estilo igualmente enxuto de Bill Evans com o restante da banda, mais eloqüente. O drama de Davis, que, movido pela interminável busca por novos estilos, criava uma obra-prima para então abandoná-la em favor de uma próxima empreitada. Fui desafiado a examinar o que havia de verdadeiro na mitologia do disco. Todo o álbum teria sido de fato improvisado, e não planejado? Miles realmente compôs tudo? ‘Kind of Blue’ mudou o território do jazz para sempre e, em caso positivo, como? Para fazer justiça ao álbum, eu precisava me transportar ao tempo e ao lugar que o gestaram”.
  
Ponte entre o jazz e o rock

 
   Em 2010, foram celebrados os 40 anos do lançamento de “Bitches Brew”, um dos discos mais inusitados e controversos de Miles Davis. Marco da fusão jazz - rock’n’roll nos anos 1970, o álbum foi um divisor de águas na trajetória de Miles e impulsionou o que passou a ser chamado de jazz-fusion. O trompetista revelava: “O sintetizador mudou tudo, quer os músicos puritanos gostem ou não. Veio para ficar, e a gente pode curtir ou não”. Esta nova edição comemorativa, em dois CDs, reúne as gravações originais remasterizadas e duas versões de estúdio até então inéditas. Além disso, inclui um DVD, onde Miles está acompanhado por Wayne Shorter (saxofone), Chick Corea (piano), Dave Holland (baixo) e Jack DeJohnette (bateria), em Copenhague, em novembro de 1969, no Festival Tivoli Konsertsal.
   Enfim, o mundo da música agradece a contribuição de Miles Davis para tornar melhor o século XX e este início de século XXI.
(Jorge Sanglard / Jornalista e pesquisador brasileiro)