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6.8.11

Chiquito Braga e sua arte de tocar têm participação especial, neste sábado, em show no TribOz



Prezados amigos,

         Autodidata, nascido e criado no bairro Pedro II, em BH, o exponencial Chiquito Braga (foto acima) cedo passou do cavaquinho ao violão, que o tornaria admirado por colegas de ofício e elogiado pela crítica, embora dispense à guitarra um xodó especial. Do irmão mais velho, Daniel Braga, grande músico da capital mineira, morto prematuramente aos 21 anos, em 1948, herdou o gosto pelo som deste instrumento, com o qual teve iniciação, em 1957, também aos 21 anos, na noite local, tocando na boate do antigo cassino da Pampulha. Ainda em BH, na esquina da Av. Afonso Pena com Rua dos Tupinambás, no então Ponto dos Músicos, conheceria conterrâneos de talento, como Célio Balona, Aécio Flávio e, também lá, por meio de Pacífico Mascarenhas, os igualmente novatos Wagner Tiso e Milton Nascimento, este um carioca criado em Três Pontas, todos em busca de trabalho. Demanda que a Chiquinho não faltou na Rádio Guarani e na TV Itacolomi, onde acompanhou Rosana Toledo, futura cunhada de Luiz Bonfá, uma cantora (hoje no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá), que, como quase todos os músicos citados, teria destaque, no Rio de Janeiro, aonde migraria, em discos e casas noturnas.
          O mesmo compositor Pacífico Mascarenhas apresentou Chiquito a Moacyr Santos, o qual motivou, em 1966, a vinda do mineiro à Velhacap para estudar com o maestro. Além de bailes, Chiquito, trabalhando na TV Rio, fez parte da orquestra Arco-Íris, da emissora, depois, ocasionalmente, da orquestra da TV Globo e, quando ainda residia em BH, teve o privilégio de ser chamado pela diviina Elizeth Cardoso - a primeira entre as grandes cantoras com quem atuaria, sendo Fafá de Belém a mais frequente - para apresentações no Uruguai. A característica impressionista das suas cordas de aço - aço figurado, pelo mérito delas - Chiquito credita-a ao seu acentuado gosto, desde a infância, pela música clássica, especialmente Ravel (seu ídolo) e Debussy. Em 2007, foi o ganhador do Troféu Pró-Música, sendo o melhor instrumentista de Minas Gerais desse ano, e, pouco antes, em 2005, no Palácio das Artes, em BH, ao lado de outros craques do ramo, como Toninho Horta, Paulo Belinatti, Gilvan de Oliveira, José Menezes, Juarez Moreira e Guinga, maravilhara a plateia em show decorrente do projeto Violões do Brasil.
         Abaixo, vê-se, no "link", Chiquito Braga, em Guaratinguetá, tangendo o "Lamento" de Pixinguinha e Vinicius de Moraes, em homenagem a um grande amigo do violonista e grande cantor, Luiz Cláudio, mineiro de Curvelo e hoje residindo naquela cidade de São Paulo. Também abaixo, repassado, informe do TribOz, situado no off-Lapa, sobre ótima curtição musical deste sábado, 6 de agosto, a partir das 21h, em que Chiquito Braga faz participação especial, tocando com Nivaldo Ornelas, Kiko Continentino e outras "feras".
         Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

         Um abraço,

         Gerdal         

                
http://www.youtube.com/watch?v=r7OVcUDkr-Y ("Lamento")


SÁBADO, 6 DE AGOSTO

21h: Nivaldo Ornelas (Brasil)
Nivaldo Ornelas é um músico com uma carreira solo e um currículo sólido como sideman, tendo tocado e gravado com artistas do quilate de Gary Peacock, Jack DeJohnette, Egberto Gismonti, Wagner Tiso, Milton Nascimento e muitos outros. Ornelas trabalhou com Gal Costa, Hermeto Pascoal e Paulo Moura, entre outros. Excursionou pelos EUA ao lado de Flora Purim e Airto Moreira, e participou do Newport Jazz festival e do Festival Internacional de Jazz de São Paulo. Com seu primeiro álbum solo, "Portal dos Anjos", ganhou o prêmio Villa-Lobos como melhor álbum Instrumental do Ano.

Nivaldo Ornelas - saxes e flauta, Kiko Continentino - piano, Sergio Barrozo - contrabaixo, Paulo Braga - bateria. Participações especiais: Chiquito Braga - violão, Mayo Ornelas - cavaquinho.
Entrada: R$ 20,00

TribOz - Centro Cultural Brasil-Austrália
www.triboz-rio.com
Rua Conde de Lages, 19 - Off-Lapa
Estacionamento rotativo na Rua Conde de Lages, 44 (R$ 5,00)
Informações e reservas: (21) 2210 0366 - 9291 5942

15.8.09

Dica do Gerdal : Chiquito Braga, Maurício Maestro, Kay Lyra, Marcio Ramos e Ana Maria Antoun - show com sabor nativo, hoje, na Tijuca


Referência de fino trato nas cordas brasileiras, praticante de um jeito de tocar conhecido como "violão mineiro" e com admiradores do porte de Toninho Horta e Juarez Moreira, por exemplo, seus conterrâneos, o tarimbado Chiquito Braga, nascido em BH, é uma superatração para este sábado, 15 de agosto, na Tijuca. Com ele no show, dividindo o palco, dois casais igualmente bem entrosados nos sortilégios da canção: Maurício Maestro-Kay Lyra e Marcio Ramos-Ana Maria Antoun.
A cantora Kay Lyra é filha de Carlos Lyra, com quem já se apresentou no "Sr. Brasil", da TV Cultura, comandado por Rolando Boldrin, para lançar o seu CD "Kandagawa" (nome de um rio no Japão), parcialmente autoral e feito com o esmero de quem estudou canto lírico na Alemanha, onde iniciou a carreira. Nos arranjos de base e cordas desse disco, o toque de classe do inicialmente Maurício Mendonça, dos tempos do Momento Quatro - ainda formado por Ricardo Vilas, David Tygel e Zé Rodrix, quando acompanhou Edu Lobo e Marília Medalha na vitória de "Ponteio" (festival da Record, 1967) -, mais adiante o Maurício Maestro, componente do Boca Livre e, como compositor, coautor, com Joyce, de um mimo para quaisquer ouvidos de bom gosto, "Mistérios" ("um rio passou dentro de mim/que não tive jeito de atravessar/preciso um navio pra me levar/preciso aprender os mistérios do rio/pra te navegar..."
Com música sua, "Dúvida", incluída no mais recente CD, "Sem Poupar Coração", de Nana Caymmi, Marcio Ramos, também violonista, é um compositor expressivo que remonta àquela efervescência dos festivais realizados em plena ditadura militar, o primeiro, salvo engano, dos parceiros de Guinga. Dos dois, no VI Festival Internacional da Canção (FIC - Rede Globo)), em 1971, foi cantada "Pela Cidade", com acompanhamento ao violão de outra referência de fino trato com o instrumento, Hélio Delmiro. A intérprete foi Ana Maria Antoun, também escritora e astróloga, que, como letrista sensível que é, tem com Chiquito Braga uma música que, por si só, já vale o ingresso do referido show: "Amanhecer". O anoitecer deste sábado, 19h, como informado no "flyer" acima, será uma boa oportunidade para ouvi-la e encantar-se com essa joia de composição.
Um bom fim de semana a todos. Muito grato pela atenção à dica.
***
Retificação: na dica do show de Teca Calazans, anteontem, no mesmo CMRMC, equivoquei-me ao escrever o "bandolinista" Nenéu Liberalquino. Na verdade, esse grande músico pernambucano é violonista e até mesmo um exemplo de superação por ter uma deficiência física que o impossibilita de tocar o seu instrumento do modo convencional, mas com este colocado horizontalmente, como se fosse um piano ou uma guitarra havaiana.