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15.4.18

Fala sério!?

(Clique na imagem para ampliar e VER melhor. Ah, hoje é dia do desenhista)

14.5.09

Leia crítica de DVDs dos filmes "Queime depois de ler" e "Onde os fracos não têm vez" no meu blogue do youpode


Tô fazendo um link com o youPode. Lá você pode ler minha crítica dos filmes (já em DVD) "Queime depois de Ler" e "Onde os fracos não têm vez" no seguinte endereço http://youpode.com.br/blog/liberati/

1.4.09

Carlitos, quem diria, está usando saias e botinhas!


Uma coisa me intrigou, sábado no Espaço de Cinema quando fui assistir “O Visitante” . Por que tanta gente estava tentando ver - “Simplesmente feliz”. ! Confrontado com o título, comecei a achar que eu andava muito sério ultimamente. O que tem de mais um filme sobre a felicidade? Não pode não? Então, no domingo, mais uma vez interrompi o trabalho da minha mulher pela paz mundial e fomos ver esse filme sem alimentar grandes expectativas.
Descobri que “Simplesmente Feliz “( este é título em português que achei bem melhor que o original inglês Happy-go-lucky) me trouxe um problema e uma descoberta.
Falarei primeiro da descoberta (para mim maravilhosa) - ou seja, de Sally Hawkins- a atriz que faz o papel principal do filme, Poppy, a professorinha alto astral. Ela é um verdadeiro Carlitos de saias. Não só no jeito de corpo com que interpreta( tão característico dele na época do cinema mudo), mas até no rosto, no olhar. Tem mais, ela se expressa quase como se fosse um personagem de desenho animado, (muito animado mesmo!) pela maneira rápida de responder aos diversos chamados, perguntas, solicitações várias de pessoas e situações e pelos sons que emite, quase uma trilha sonora com sonoplatia e tudo. Aumenta essa sensação, o fato dela interagir com as coisas (animismo?) , falar com elas, não distinguir nem excluir nada e ninguém de sua vida entusiasmada.
Agora vamos ao problema: O filme me incomodou. Fiquei com o sentimento de que não gostei dele quando desci as escadas da sala de projeção para mergulhar na realidade. TAÍ, o problema nesse filme foi a presença-ausência da REALIDADE. Poppy passa longe do chamado “Princípio de Realidade“(*). Ela deixa isso claro, logo no começo do filme, quando depois de uma bela sequência de Poppy pilotando uma bicicleta - a moça entra numa livraria, onde “cutuca” um sisudo livreiro e, num determinado momento, dá uma paradinha diante de um livro que tem no título a palavra “realidade” . Ela então solta uma frase mais ou menos assim: -Realidade, tô fora! E sai rindo.
Mais tarde, tentando me entender com o filme me lembrei então, de uma frase do divertido livrinho “Esperando Foucault, ainda” do antropólogo Marshal Sahlins que diz o seguinte: “a realidade é um belo lugar para se visitar (filosoficamente), mas ninguém nunca morou lá.”
Fugir da realidade é uma tendência humana universal, isso explica um pouco, porque entramos em salas escuras de cinema para ver a vida dos outros. E pior mentiras, belas ficções contadas em 24 quadros por minuto (ou por segundo?) - uma projeção, um pneuma!? Naqueles momentos esquecemos um pouco de nós mesmos, nossos problemas, as contas para pagar, o preço abusivo do plano de saúde, o orçamento do dentista....e vai por aí.
Porém Poppy não vive numa bolha, de vez em quando dá uns esbarrões na realidade com sua felicidade irritante, quase perversa.
Isso me fez pensar também o quanto irrita as pessoas a felicidade dos outros. Ou melhor, a estridência da felicidade alheia. Principalmene na era dos fármacos antidepressivos que mantém a sociedade tarja-preta funcionando. Lembrei também daquela máxima de que notícia boa é notícia ruim. - essa é que dá manchete, que chama atenção!
Pode ser que o roteirista e diretor Mike Leigh tenha pensado nessas coisas , mas acho que no fundo ele não pensou em nada disso. Ele gosta de improvisar como fez em outros filmes seus e disse isso segundo minha pesquisa recente - pensou na atriz e começou a criação da história - sem muitos compromissos com a “realidade”.
Isso significa que para nós o problema continua. Poppy é tão feliz que chega perto da idiotia. Alguém disse que Mozart também era assim, quem não lembra de seu riso ruidoso (e igualmente irritante) em “Amadeus”? Dizem as más línguas que ele era- sem contestação- o maior gênio da música, mas seu comportamento descacetado beirava a insensatez - babava na gravata.
No fim das contas, vi que aquele filme sem pretensões não me tinha feito perder tempo. Que ele me levou a pensar em como a felicidade se tornou algo estranho no mundo depressivo em que vivemos, nos signos dele gravados nos grafitis da cidade, nas sombras, na crise, no grande crash, na violência diária e banal em que estamos mergulhados, no caos ambiental, na poluição nossa de cada dia. Me fez lembrar até de uma passagem de Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino onde ele fala mais ou menos isso: Se nossas cidades viraram um inferno, nossa tarefa é tentar ampliar o que não é inferno. Serve como uma dica para entender o comportamento da moça? Talvez. Um filme que fala da felicidade - de uma felicidade individual, única, é claro que me perturba. Mesmo que a personagem principal em determinados momentos encontre a “barra pesada” ela sempre é atenuada. É caso da sequência do mendigo louco - que no entanto se mostra terno, contendo sua imensa violência , e se mostrando no fundo- um maluco beleza. Melhor para Poppy que saiu inteira da situaqção perigosa em que se meteu. (O profeta Gentileza iria se dar bem com ela). Porém o momento mais tenso é aquele que rola com o seu instrutor da auto-escola. E isso eu não vou contar para , sabe como é, não estragar o seu parzer.
Minha filha me disse que na cena do maluco-beleza surge a oportunidade de aparecer alguma vunerabilidade na personagem cuja felicidade parece ser de ferro.(felicidade=blindagem). Nesse momento ela cede diante do medo, do asco e depois da ternura em relação à “fera” enjaulada naquele mendigo. Na verdade tão outsider quanto ela. Ela que em certos momentos parece desconhecer os perigos e os limites dela e dos outros.
Engraçado, parece que Poppy está deslocada no tempo. Estaria mais a vontade na época dos hippies - na era de Woodstock , das utopias coletivistas anti- capitalistas sem revolução armada ( nos anos 60/70 na era da paz & amor) , antes de Lennon dizer que o sonho tinha acabado e os heróis de Easy Rider (Sem Destino) serem abatidos a tiros pelos rednecks. Poppy, por sua vez é uma heroína dos tempos neoliberais, do ultra individualismo, do embalo do ecstasy, das raves sem fim. Uma mocinha careta num mundo da química que altera a consciência de massas no embalo da música eletrônica, de drogados felizes com suas garrafinhas de água mineral. Definitivamente, esse filme não está ai de bobeira, seu diretor realmente é um agente provocador.
Leigh, a gente sabe, sempre pega pesado. É só ver “Segredos e Mentiras”(Secrets & Lies) e ”O Segredo de Vera Drake”(Vera Drake) ele bate da cintura para baixo. Acho que essa história de"Poppy"" tem alguma coisa além do fato de despertar algumas risadas- nosso problema continua e as fila seguem enormes. Talvez o segredo esteja no público, cansado de histórias deprimentes... he he he.
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(*) Segundo o Dicionário de Psicanálise de Elisabeth Roudinesco e Michel Plon
“Princípio de prazer/ princípio de realidade” é um “Par de expressões introduzido por Sigmund Freud em 1911( “Formulações sobre os dois princípios do funcionamento mental”) a fim de designar os dois princípios que regem o funcionamento psíquico. O primeiro tem por objetivo proporcionar prazer e evitar o desprazer, sem entraves nem limites(como o lactente no seio da mãe, por exemplo) , e o segundo modifica o primeiro, impondo-lhe as restrições necessárias à adaptação à realidade externa.”

16.12.08

Vicky Cristina Barcelona e o caráter "espanhol"


Ir ao cinema, em geral, é uma coisa prazerosa. Claro que depende do filme ser bom ou cacete. Mas, essa viagem no escurinho pode se transformar num verdadeiro trem fantasma e ser muito aborrecida, dependendo de quem senta ao seu lado. No caso de você se encontrar no meio de duas criaturas sem semancol, que insistem em fazer comentários sobre as coisas que conheceram, ou não, do local onde se passa o filme - isso se torna um martírio. Foi o que aconteceu comigo e minha mulher no filme Vicky Cristina Barcelona. Coincidências existem, não é ficção: E não é que do meu lado sentou-se uma menina chatinha- tagarela - deslumbrada e do lado de minha mulher uma senhora idêntica, só que com uma diferença de uns 40 anos a mais!
Mas não foi este turismo acidental que comprometeu minha visão deste filme de Woody Allen. Ele vai ser um sucesso, e não adianta a opinião periférica. Quem não viu, verá e esá acabado. O "noivo neurótico" é sempre bom, mesmo quando é ruim, e esta sua fita só queimou um pouquinho. É uma obra meia boca- filmeco turístico, onde o autor brinca com sua eterna problemática e complexa combinação Amor&Sexo e Cia bella. So que desta vez escolheu o cenário lindo da cidade do Barça, onde esbarrou em clichês da "espanholidade" e obras de Gaudi.Clichês neste roteiro de turismo sexual não faltam. As duas americanas deslocadas se encontram com eles toda hora, dá até para fazer uma lista:
1- O irresitível sedutor espanhol- latin lover e seu furor sexual que não conhece barreiras
2- A espanhola à beira de um ataque de niervos (cópia ou citação descarada de Almodóvar?)
3- Os espanhóis nunca racionais, quase sempre isto passionais e irreverentes
4- Confundir Barcelona com a Espanha - uma coisa não tem nada a ver com a outra- ainda mais para uma moça que tenta fazer uma tese sobre a "identidade catalã" - como se isto existisse. (essa foi uma dica de minha filha que morou lá quase um ano)
5- Esta confusão da Catalunha com o que se pode chamar de "caráter espanhol" implica em botar uma guitarra espanhola no meio do filme como o grande barato e otras cositas más.
5- Mostrar o marido americano como um babaca, tipo corno desligado.
6- O outro marido americano gorducho e bem de vida, também como um babaca materialista
7- A imagem romântica do pintor como um ser de outro planeta que atinge uma compreensão do incompreensível pelos mortais comuns
8- A arte da catalunha como um repetir do gesto abstrato espontâneo para além de Miró. E vai por aí.
Dizer que Penélope Cruz ganha o filme e bota Scarlett Johansson e Rebecca Hall no bolso é chover no molhado. Dizer que Javier Bardem é um baita ator e que não precisou se esforçar muito nesse filme és lo mismo.
Engraçado mesmo é o lance de Bardem pedindo para que Penélope fale inglês dentro de sua casa para que a gringa entenda. Dá para ver que eles estão se divertindo com isso.
No fim das contas, essas besteirinhas que Allen comete não tiram a graça do filme. Dá para o gasto, um bom passatempo.
Parece que a próxima produção de Woody Allen vai ser no Brasil - acho que no Rio. Preparem os clichês. Estes nós também temos em abundâcia! E bote bundância nisso!

23.10.08

Quando quero me irritar


Toda vez que quero me irritar assisto a um jogo do Palmeiras ou do Botafogo.
Ontem foi um dia desses, vi uma partida do "verdão" no Palestra Itália, pela TV, numa transmissão da Band.
O time parecia que não queria jogar. Faz tempo que ele repete esse script. Está certo que foi garfado pelo juiz colombiano, que nem quero dizer o nome - é melhor esquecê-lo. Foram dois lances claros de tunga - um gol em que a bola bateu na trave e entrou e ele anulou, e um pênalti com paradinha, que ele mandou voltar e deu um cartão amarelo para o jogador que bateu. Na volta o goleiro se adiantou muito e acabou defendendo a cobrança. O certo seria voltar e mandar bater outra vez. O batedor também agiu mal, pois olhava para o chão quando chutou ,(como bem observou o comentarista Neto da Band) mas houve um garfo nítido.
Voltemos ao desempenho do "porco", o time, alguém disse (acho que foi o Marcos) parecia que estava se conhecendo alí, naquela hora , nunca tinha treinado junto. Vanderlei Luxemburgo, por sua vez, parece perdido dentro daquele terno, e pior, fala palavrões cabeludos o tempo todo, xinga o jogador, o técnico do outro time, a torcida. Há uma contradição entre o terno, a boca e os gestos. Creio que sua imensa vaidade o está atrapalhando. Desta maneira não chegará nunca à seleção brasileira de novo.
Não quero mais me irritar.
Acho que vou passar a ver o campeonato inglês?

12.10.08

Sem defesa!


Com essa defesa não dá para encarar um time que jogue um futebol ofensivo. O jogo de hoje não valeu. A pequena Veneza, ou o como queiram, Venezuela, não é time para se levar a sério. Paraguai, Uruguai, Argentina, esses sim. Colômbia eu desconheço, me diga o nome de um jogador. Espero que ele não faça nenhum gol no Maraca, e depois diga seu nome em alto e bom som. Com essa defesa (ou melhor, sem ela) é bem capaz que eu decore o nome do ataque da Colômbia. E olhe, é bom que se saliente, que não é implicância com o Dunga, mas, se não fosse o Julio Cesar, a gente estaria empatado com a pequena Veneza.
No Maraca, espero que os deuses do futebol nos auxiliem e nos arranjem logo uma defesa.

20.9.08

Nem sombra de Goya


Milos Forman e Jean-Claude Carrière me decepcionaram. Os dois escreveram o roteiro de Sombras de Goya (uma má tradução para o original Goya's Ghosts) que Forman dirigiu direitinho, mas que não capta nem a sombra do pintor e gravador (ou gravurista?) espanhol Francisco José de Goya y Lucientes.
O filme pega Goya, já como pintor do Rei , no caso Carlos IV. Retrata a volta do Tribunal da Inquisição , e o tal do Santo Inquérito, que havia perdido as forças e retorna com tudo, semeando a desgraça de muita gente, No caso, o Santo Ofício começa uma caça às bruxas (esta frase acho que foi cunhada aí) e mostra seus ferros e cordas - sua tortura que tem por objetivo a necessidade de fazer o "herege" (judeus, bruxas, ciganos e diferentes em geral) confessar.
O filme toma este tema como fundo.

Goya aparece apenas como um gênio da pintura, que nas cenas iniciais se mostra pouco sensível quando uma de suas modelos, uma jovem filha de um comerciante com remota origem judáica, cai nas garras da Inquisição. Até aí, tudo bem, ele foi um artista que lutou toda a sua vida para se tornar o pintor do Rei. É a posição que lhe garante o bom vinho e o bom queijo. E mais, além do que recebe da coroa ele consegue uma grana extra com os retratos que faz para a aristocracia e para os membros do alto clero. Se não fosse assim , ficaria à margem rodando de reino em reino na Europa a oferecer seus trabalhos.
Que ele zele pela sua posição, procurando se manter longe das contradições de seu tempo, dá para entender. O problema é que a história deste filme desliza para um caminho meia boca, no qual se destaca na tela, o romance entre um padre , Lorenzo, (interpretado por Javier Bardem) e a infeliz Inés (vivida muito bem por Natalie Portman). O caso acontece na prisão onde a moça foi trancafiada. Lorenzo é um oportunista, sacaneta que aproveita da situação desesperadora da moça e a traça com grande devoção espiritual. Goya nessa altura do campeonato fica como um banana a acompanhar o vai e vem destes personagens , as mudanças políticas , como a invasão Napoleônica e a Restauração Monárquica e o retorno da infame Inquisição.

Mesmo que Forman procure mostrar um paralelo entre a obra do artista e os "desastres humanos" da guerra e da intolerância religiosa, este ato, não é suficiente para alcançar a personalidade deste homem corajoso que pintou a rainha como uma baranga e o rei como um bocó , feios e que traçou com suas gravuras todo o perifl sinistro de sua época. Talvez s o ator que o representou (Stellan Skarsgård) não foi forte como deveria ser, ou a direção de ator falhou. Mas o que parece é que roteiro botou de lado o papel de Goya, não restando muito o que fazer para torná-lo mais potente. Parece que o filme de Carlos Saura, Goya en Burdeos, onde o diretor o capta já no fim de sua vida, no seu exílio voluntário em Bordeaux, foi mais feliz neste sentido. Nesse filme, os fantasmas de Goya aparecem com sua verdadeira cara.
Milos Forman fica devendo um filme que respeite mais o "biografado" e Jean-Claude Carrière uma história melhor. O episódio onde o pai de Inés demonstra a nulidade da tortura junto ao padre Lorenzo é risível. Fiquem tranquilos que não vou contar como foi a cena. Vai ver que alguém pode se interessar em ver este filme. De qualquer forma, para quem não conhece Goya ou sua obra, vale a pena assistir esta tentativa de aproximação de Milos Forman. Depois é bom procurar os "Gênios da Pintura" que encontrar à mão, uma Enciclopédia , um livro de História da Arte, ou pesquisar no Google mesmo para ver a magnífica obra deste homem e algumas informações adicionais sobre seu caráter.