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7.4.11

Ainda dá tempo: Denise Pinaud evoca Dolores Duran, nesta quinta, em show no Bistrô MAC-ternura antiga ainda no frescor da saudade




amigos,
 
        "Um amor assim, um ciúme assim/parece incrível/nós nos amamos, vivemos brigando/cada qual pro seu lado/um amor assim, um ciúme assim/é melhor separado..." Esse belo samba-canção, "Um Amor Assim", composto por Dora Lopes em momento de suave "spleen", bem que poderia ter sido assinado por outra amiga íntima da madrugada, Dolores Duran (foto acima), que, por sinal, dele tem registro no elepê "Estrada da Saudade". Embora Adilea da Silva Rocha - no registro civil -, carioca da Saúde, tenha feito sucesso, em 1956, com o baião "A Fia de Chico Brito", de Chico Anísio - padrinho do turbulento casamento dela com o ator e compositor Macedo Neto - e emprestado graça à gravação de sambas satíricos de Billy Blanco, como "Pano Legal" e "Estatuto de Boate" ("Gafieira de gente bem é boate/onde a noite esconde a bobagem que acontece/onde o uísque lava qualquer disparate/amanhã um sal de fruta/e a gente esquece.."), foi, no entanto, no domínio do samba-canção romântico, de verso cabisbaixo ou desventurado, que ela se distinguiu como intérprete e compositora. Tanto os de lavra alheia - como "Bom É Querer Bem", de Fernando Lobo , e "Onde Estará o Meu Amor?", de Lina Pesce - quanto os de lavra própria, como "Solidão"  e "Fim de Caso".
        Revelada na Rádio Tupi, em 1940, aos dez anos de idade, com o primeiro lugar obtido no programa "Calouros em Desfile", e adotando, seis anos depois, o pseudônimo artístico "abolerado" que lhe traria fama - afinal, foi cantando "Vereda Tropical" que ela se destacara no programa de Ary Barroso -, teve Dolores Duran, como Sylvia Telles, por exemplo, para citar outra voz feminina romântica, curta existência, porém intensa e de funda impressão na história da canção brasileira. Letrando melodia que Tom Jobim pouco antes lhe mostrara ao piano e a empolgara, conseguiu subtrair de Vinicius de Morais, com a concordância dele, que rasgou a própria letra, a parceria em "Por Causa de Você". Além de Tom - com quem ainda comporia as joias "Se É por Falta de Adeus" e "Estrada do Sol" -, o pianista Ribamar - em "Ternura Antiga" e "Pela Rua" -, o publicitário Édson Borges, o "Passarinho" - em "Tome Continha de Você - e, já postumamente, Carlinhos Lyra - em "O Negócio É Amar" - são, por exemplo, outros parceiros de relevo. Dolores morreu em 23 de outubro de 1959, após ter cantado num "night club" de Copacabana e "esticado" com amigos em outro, além do Clube da Aeronáutica. Dias depois, em sua coluna, Madrugada, no extinto "Diário Carioca", o jornalista Eustórgio de Carvalho, o já então bem conhecido Mister Eco, sempre preocupado com a saúde frágil da amiga "Bochecha", como Dolores era conhecida na intimidade por causa do rosto de lua cheia - e ambos torcedores do Flamengo -, lamentava que o "beque" (comprimido) da cantora, com o qual ela lhe dizia defender-se, "fizera uma falseta, furando espetacularmente". O resultado: a MPB estava derrotada, "uma derrota amarga".
        E, como entre as "manias" que eu tenho, uma é gostar de MPB, recomendo o show, hoje, 7 de abril, às 21h, da niteroiense Denise Pinaud (foto acima) no Bistrô MAC, localizado no subsolo do Museu de Arte Contemporânea, na Cidade Sorriso, na Praia da Boa Viagem. No acompanhamento da excelente cantora, Kuko Moura, ao piano, e Francisco Falcon, ao baixo.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 
        Um abraço,
 
        Gerdal            
 
Pós-escrito: na sequência dos três primeiros "links", Dolores canta "Escurinho", de Geraldo Pereira, "Bom É Querer Bem", de autor supracitado,  e "Canção da Volta", de Ismael Neto e Antonio Maria. No quarto "link", em ambiente informal, Denise Pinaud canta "O Negócio é Amar", com versos de Dolores musicados por Carlos Lyra após a morte dela.
    
               http://www.youtube.com/watch?v=OiAJi_u0pog ("Escurinho")
 
               http://www.youtube.com/watch?v=wT8Uqmso6RY&NR=1 ("Bom É Querer Bem")
 
               http://www.youtube.com/watch?v=-5yqBh8QdHc ("Canção da Volta")
 
               http://www.youtube.com/watch?v=o53HULZGxz4&feature=related ("O Negócio É Amar")

2.4.10

Dica do Gerdal:Canções de Dolores Duran por Ithamara Koorax neste fim de semana no Rio - noturna dor-de-cotovelo na claridade de um cristal


Sempre que me ocorre o nome de Ithamara Koorax (foto acima), junto vem a lembrança de um número fantástico que ela, na alvorada da carreira, apresentou, na década passada, no Teatro João Theotônio, no Centro do Rio, em show compartilhado com Guinga. Fiquei abismado ao vê-la cantar lentamente e "a cappella", com ênfase dramática, um samba de sucesso de Martinho da Vila, "Disritmia", e não tive dúvida de que naquele momento uma estrela nascia no firmamento da MPB, ainda para a luneta dos poucos na plateia de então, e seria de primeira grandeza, como hoje o é cabalmente, uma das principais referências do nosso canto no exterior, sobretudo nos EUA, com um grau de reconhecimento que, ironicamente, apesar do seu mérito, ainda não alcança aqui. Escolhida, mais uma vez, no ano passado, pela "Down Beat", bíblia norte-americana do jazz, uma das três maiores cantoras do gênero em todo o planeta na atualidade - perdendo apenas para a canadense Diana Krall e a norte-americana Cassandra Wilson -, Ithamara, ainda com tantas "tournées" a rechear-lhe a agenda de apresentações, desfruta, por valor próprio, com amplo domínio técnico e voz de grande extensão e emissão cristalina, da satisfação de, nestes 20 anos de carreira, ver materializado o sonho da adolescente que, em Niteroi, optou pela profissão de cantar ao integrar um coral bem-sucedido e viajado, o do Centro Educacional de Niterói, regido pelo professor Ermano Soares de Sá. Aliás, filha de cantora lírica e com aulas de música clássica na infância, sobre ela, em 2003, escreveu o recém-falecido jornalista Armando Nogueira: "Se é verdade que cada música tem a sua alma, essa admirável cantora tem o dom de criar uma voz que parece ter nascido com a alma da própria canção" e, sem disfarçar o entusiasmo, foi ainda mais adiante no elogio: "Cinco são os elementos essenciais da vida: o Ar, a Terra, a Água, o Fogo e a Voz de Ithamara Koorax."
        Neste fim de semana, nos dias 3 e 4 de abril, às 19h30, no Teatro Nelson Rodrigues - Caixa Cultural RJ (Av. República do Chile, 230 - Centro), ela presta a sua homenagem a Dolores Duran, que completaria 80 anos de idade no próximo 7 de junho. Muito cedo partiu para o reino dos esplendores, em 1959, motivando, no ano passado, pela mesma razão de efeméride redonda, outras homenagens, como a de dois shows na Sala Baden Powell, um com a carioca Juli Mariano e o outro com a mineira Marcê Porena. Dolores gravou com sucesso gêneros diversos de composição, como o baião "A Fia de Chico Brito", de Chico Anísio, mas foi no campo minado do samba-canção e de suas ciladas de amor que deixou a marca do seu melhor sentimento de intérprete. Isso valia tanto para as suas joias autorais, como "Castigo" e "Ternura Antiga" (esta com melodia do pianista Ribamar), quanto para a ourivesaria alheia, de que é exemplo "Um Amor Assim", gema criada e lapidada por uma amiga do peito e igualmente bem estabelecida no ramo da dor-de-cotovelo, Dora Lopes.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 ***
 Pós-escrito: no primeiro dos "links" abaixo, acompanhada por José Roberto Bertrami, Ithamara canta "Meditação", de Tom Jobim e Newton Mendonça, em trecho do programa "Sarau", da Globo News, apresentado por Chico Pinheiro; no segundo, ainda com Bertrami ao teclado, canta a versão do paulista Zé Fortuna para "Índia", famosa guarânia paraguaia lançada entre nós, em 1952, pela dupla Cascatinha e Inhana.
 

    http://www.youtube.com/watch?v=8hiwDHUFesY

 
     http://www.youtube.com/watch?v=R2X4_e2aSBc&feature=related

9.7.09

Dica do Gerdal : Marcê Porena - cantora mineira presta tributo a Dolores Duran nesta quinta na Sala Baden Powell


Na mesma Sala Baden Powell (Av. Nossa Sra. de Copacabana, 360), onde a carioca Juli Mariano fez há poucos meses um belo espetáculo em intenção de Dolores Duran, outra cantora, Marcê Porena, acompanhada pelo expressivo piano de Leandro Braga e movida pelo mesmo propósito, também homenageia a autora de "A Noite do Meu Bem" ("flyer" acima) neste 2009 dos cinquenta anos de passamento dela. Também atriz, a mineira Marcê, vinda de uma família de músicos e criada em Cataguases, onde estudou no conservatório local, partiu dos bares de sua iniciação profissional como cantora, ainda nessa cidade da Zona da Mata, para se radicar na capital do Rio de Janeiro, em 1993. Desde então, vem atuando em teatro, com destaque, em diversos musicais, como o "Na Era do Rádio", um sobre Elis e um sobre Cartola, além de outro, mais recente, em 2006, "João do Vale, O Poeta do Povo", inspirado na biografia do compositor maranhense escrita pelo jornalista Márcio Paschoal. Ela pode ser vista, ademais, nas imagens de um documentário argentino sobre a nossa música popular, "Música para el Tercer Milenio", e - recomendo -, pelo YouTube, juntamente com outro grande pianista, João Carlos Coutinho, na apresentação de "Por Causa de Você", um registro visualmente atraente gravado no estúdio sinfônico da Rádio MEC (RJ). Show nesta quinta, 9 de julho, às 20h.