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8.2.11

Lapinha, em noite de festa, nesta terça, acolhe o sopro e o teclado dos irmãos Caldi e canjas diversas





Prezados amigos,
 
          Parafraseando o amigo Ricardo Vilas em uma de suas mais sacudidas composições, "hoje é noite de festa,,," - e uma festa que tem o Lapinha, nesta terça-feira, 8 de fevereiro, a partir das 20h30, como endereço e, como motivação, o aniversário de um dos sócios da casa: o violonista, compositor, maestro e arranjador Ruy Quaresma (foto acima). O carioca Ruy provém de uma família de músicos amadores - pai pianista e avô violonista - e estudou violão clássico, mas enveredou tropicalmente pela canção popular, em particular o samba, contando, na sua formação musical e profissional, com professores modelares, como os italodescendentes Radamés Gnatalli e Lyrio Panicalli (arranjo), K-Ximbinho (harmonia e contraponto), Laércio de Freitas (cordas) e Paulo Moura, com quem trabalhou por dez anos, tocando e escrevendo. Como compositor, é parceiro, entre outros, de Paulo César  Pinheiro, em "Barreira"; de Martinho da Vila, em "Sempre a Sonhar"; e de Nei Lopes, em "Flor dos Tempos": as duas últimas são faixas de "Martinho da Vila Isabel", de 1984, da RCA, um dos melhores discos já lançados pelo famoso sambista e escritor bibarrense. 
         Em meio àqueles que vão cumprimentar o Ruy pela mudança de página na sua vida, representada pela idade nova, haverá diversos músicos que subirão ao palco do Lapinha para uma participação especial em show iniciado às 21h30 pelos talentosos irmãos Caldi (foto acima): Marcelo, piano e acordeom, e Alexandre (sax e flauta), instrumentistas de carreiras distintas, mas que se reúnem amiúde com a mãe, Estela Caldi, pianista argentina, como parte do piazzolliano Libertango. O Ruy também se exercitará nas suas cordas camaradas e a ele, com os meus parabéns, desejo felicidade em sentido amplo.
         Um bom dia a todos. Grato pela atenção à dica.
 
         Um abraço,
 
         Gerdal      
 
Pós-escrito: 1) o Lapinha situa-se na Av. Mem de Sá, 82 - sobrado - Lapa - tel.: 2507-3435. Aproveitando a deixa, informo que, no mesmo local, nesta quarta, 9 de fevereiro, o amigo Nico Rezende (foto acima) - que conheci há alguns anos, na Barra da Tijuca, onde trabalho, apresentado por uma colega de batente, o publicitário Francis Figueiredo - faz show a partir das 21h30. No último do "links" abaixo, Nico canta e toca a sua suingada "Rio da Negra', feita com Mu Chebabi;
                   2) a) o baterista Milton Banana e conjunto, com coro, em gravação de "Cavaquinho Camarada", de Ruy Quaresma, e "Antes Ele do Que Eu", de Paulinho Soares, sambas popularizados por uma intérprete comum: Beth Carvalho; b) os irmãos Caldi tocam "Chegando Cedo", de Alexandre; c) de novo, Alexandre Caldi e Marcelo Caldi em "Festa das Santas", também de Alexandre;  d) "Adíos, Nonino", de Piazzolla, com o conjunto Libertango.   
 
 
            http://www.youtube.com/watch?v=UpwbtaOh_7o ("Cavaquinho Camarada" e "Antes Ele do Que Eu")
 
            http://www.youtube.com/watch?v=JlDbzF72jek ("Chegando Cedo")
 
            http://www.youtube.com/watch?v=5AuF2I8QCLw&feature=related ("A Festa das Santas")
 
            http://www.youtube.com/watch?v=y2q6NI-9oRI&feature=related ("Adiós, Nonino")
 
            http://www.youtube.com/watch?v=N7phoz0Ra88 ("Rio da Negra")         

28.3.10

Dica do Gerdal: Ruy Quaresma: violonista dá corda ao arranjo musical da Lapa com shows de primeira




Amigo íntimo de um violão que o acompanha na carreira, nada vadio, mas boêmio, e camarada de um cavaquinho chorão pelo qual se fez entender para o sucesso na voz de Beth Carvalho, o carioca Ruy Quaresma (foto acima), também arranjador conceituado nas lides do samba, começou cedo no ramo, estimulado pelo espelho caseiro de pai e avô, músicos amadores, e de Lindaura Rosa, viúva de Noel, a quem, menino ainda, acompanhava em festas familiares. No palco de um clube da mesma Vila Isabel exaltada em "Flor dos Tempos" por Nei Lopes, ex-morador do bairro, sobre melodia nascida em suas cordas, Ruy teve estreia ao violão, com 14 anos de idade, em companhia dos excelentes integrantes do Fórmula 7 (no qual já tocavam, por exemplo, Hélio Delmiro, Luizão Maia, Márcio Montarroyos e Hélio Celso). De Paulinho Nogueira, guarda lembrança significativa de um método do saudoso campineiro que lhe foi presenteado por um tio, com noções fundamentais à sua formação, a qual, tempos depois, ainda se enriqueceria por meio de estreito contato com nomes exponenciais, como K-Ximbinho, Laércio de Freitas, Paulo Moura, Lyrio Panicali e Radamés Gnattali, os dois últimos, em 1969, quando de estágio na Rádio MEC e como arranjador principiante da orquestra da TV Globo. Recentemente, pela sua Fina Flor, é responsável por arranjos, produção musical e lançamento de CDs de ótima realização, como os do Sururu na Roda e solos das expressivas mulheres desse quarteto, Nilze Carvalho e Camila Costa, do Quarteto em Cy, de Sanny Alves e do já citado Nei, seu polissilábico parceiro em outro samba,"Saracuruna-Seropédica". 
        Juntamente com a flautista Tereza Quaresma, o jornalista Hugo Sukman e um querido amigo meu de vários anos, Luís Carlos Pimenta, Ruy Quaresma desbrava um espaço do entretenimento musical na Lapa para uma MPB de qualidade, sem rótulo ou segmentação rígida, antenado com a lira dos novos talentos e com foco ainda dirigido a shows inusitados e surpreendentes. Chama-se Lapinha a bem montada casa noturna de que é proprietário e anfitrião, com piano mesmo no palco - muito bem tratado artisticamente pela competência de Fernando Merlino, do conjunto fixo de lá -, apreciável atendimento e ótimo sistema de som. Como em todas as minhas dicas, por extremo apreço pela boa MPB - "avis rara", ironicamente, na mídia de massa -, faço aqui, de modo espontâneo e desinteressado, a recomendação do lugar, torcendo para que, em outros endereços da nossa cidade, surjam mais casas de objetivos afins e relação respeitosa com o músico, em particular, que saibam valorizá-lo na extensão da sua importância. Boa sorte, Ruy! Que o Lapinha siga o exemplo de longevidade do Village Vanguard em Nova York, há tantos anos emblemático do jazz, no que este tem de melhor na sua inspiração e produção. 
      
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Pós-escrito: na segunda foto - de conjunto, da esquerda para a direita, Marcelo Menezes (Macarrão), Delcio Carvalho, Nei Lopes e Ruy Quaresma.