Li só três livros de Roberto Bolaño, até agora: Estrela distante, Amuleto e Os detetives selvagens.
Confesso que a prosa dele me seduz e ao mesmo tempo me incomoda. Não sei explicar isso direito. Rola sempre a sensação de que estou sendo levado por um vale sombrio e que de uma hora para outra um terremoto vai derrubar tudo. Não há como negar que esse autor é habitado por um profundo desencanto, disfarçado de ironia, de grosso e fino humor, de sacadas vindas do mundo pop mescladas com tiradas poéticas.
Um desencanto, a princípio com o andar da carruagem desse mundo cruel, e um misto de esperança de redenção pela literatura, principalmente a poesia, mas uma raiva de como ela tem se comportado, tem desandado a não cumprir sua missão. Pode-se dizer que há nele uma crítica embutida da "modernidade" e mesmo da instituição da "crítica da modernidade", dos gigantes monumentais modernos e dos movimentos nanicos, "alternativos". Com sobejas razões, ele destila um pessimismo cósmico. Seu país foi assaltado pelo crime de um golpe de Estado brutal contra Allende, viu seus amigos serem presos, torturados e assassinados, conviveu com aqueles que se exilaram, assistiu como muitos se perderam nesse caminho. Como muitos enlouqueceram. Escutou, no México, onde viveu por algum tempo, os relatos dos que sobreviveram à ocupação do campus da UNAM (Universidade Autônoma do México) e do Massacre de Tlatelolco, de 2 de outubro de 1968, ocorrido na Plaza de las Tres Culturas. (Não se sabe até hoje o número certo de mortos, alguns falam de milhares).
A experiência mexicana inspirou Amuleto(*). Parece que ele diz que nessa terra banhada de sangue (sempre sacrificial?), de alguma forma está presente o sintoma de uma doença. E ela pode nos matar, seja pelo excesso de bebida, de drogas, de remédios e de loucura sem método.
Há nele, é evidente, uma crônica desse exílio, dessa perda de "raízes" dentro de sua própria terra, dessa perda de perspectiva, dessa perda de transcendência e de toda uma geração e de todo um continente (A Grande América Latina), uma constatação de que somos muito pobres, muito desesperançados, e ao mesmo tempo muito inocentes diante de um mundo em que máquinas ocultas põem em movimento engrenagens que fabricam labirintos e sarjetas.
No entanto não cai no caminho fácil do discurso de vítima, mas existe nele, é claro, uma narrativa da decadência desses párias e que acredito seja uma crônica da decadência universal da "condição humana" – bote aí, do fim das utopias, uma raiva delas terem existido. Em particular, na suas obras, essa decadência afeta quase todos os seus personagens, egos sonhadores, sujeitos que se dão mal com seus desejos, mulheres que perdem os dentes, jovens e velhos que perdem a saúde física e mental e se metem em viagens obsessivas, paixões sem eira nem beira. Gente metida meio no sonho e meio naquilo que se pode chamar de realidade, um lugar chato que se disfarça de emprego, carreira, trabalho fixo em meio ao desemprego generalizado. No fundo existe uma crítica dos ciclos de crise econômica sem fim, que tornam a América Latina cada vez mais pobre, embora ele não seja um panfletário, nem um herói no estilo de Galeano e as veias abertas de sua América. Há uma tendência de escapulir também do exotismo que cisma em brotar no solo da literatura latino-americana. Há também uma crítica das igrejinhas: num trecho de Os Detetives selvagens (Companhia das Letras, 2009), uma jovem poetisa esbraveja com outra dizendo que "a literatura mexicana, provavelmente todas as literaturas latino-americanas, era assim, uma seita rígida em que era difícil obter perdão" (pg 382).
Apesar de que ele, lá em alguma linha do final, rabisque alguma esperança mínima – ela, esta ilhada, tão esgarçada, tão perdida nas sombras daquele vale sombrio (bíblico) que a gente pode até esbarrar nela e não perceber.
Isso é o muito pouco que posso arriscar dizer a respeito da obra dele, afinal só li esses livros e não conheço seus outros textos. Falei apenas do problema que tenho com a leitura que fiz desses três romances. Apesar de ter sentido esse mal-estar nos dois primeiros escritos dele, principalmente em Estrela distante, recentemente me deparei com Os Detetives Selvagens, e não deu outra: caí de novo na lábia desse magnífico fabulista. É bom que se diga que esse livro é um tijolaço de 622 páginas. Mas ele me levou na conversa e eu fui entrando no enredo do livro, uma espécie de investigação (que usa elementos do romance policial), uma procura "intelectual" de uma poetisa mexicana que tinha inventado um movimento literário chamado "visceral realismo". O livro tem uma estrutura composta, que começa com um pequeno diário de um jovem poeta e suas peripécias dentro do tal movimento "poético", depois se abre uma série de relatos, que mais parecem "entrevistas" de um documentário, que em geral fala da trajetória de dois jovens nos anos /60/70/80… É bom que se observe que ao que parece o cinema tem uma importante influência no modo de narrar dele – não o cinema linear, mas aquele que alterna cenas –, histórias que vão acompanhando a trajetória de dois poetas marginais, os tais "detetives selvagens", em busca errática da poetisa dos anos 30, da qual eles não possuem nenhuma pista, apenas um "poema muito esquisito", enigmático, publicado numa revista caindo aos pedaços, de tão velha. Na verdade, eles mais se perdem em seus delírios pessoais do que acham alguma coisa na busca objetiva dos rastros da musa do tal "realismo visceral".
No final, ele retorna ao diário do jovem poeta num verdadeiro road-movie que não vou contar aqui para não estragar o prazer da leitura.
Um dos elementos que esse autor utiliza em sua prosa é justamente jogar incertezas, desconfiar dos relatos, desestabilizar o leitor, fazendo dele também um detetive que procura respostas e sentidos nessa leitura.
Desconfio, inocente que sou, que fez parte desse jogo um erro monumental, que está grafado na página 491 (Edição da primeira reimpressão 2009, publicada pela Companhia das Letras) (eu prefiro assim), no qual um dos muitos personagens diz: "Então, quando Iñak me falou do tal duelo, pensei que estivesse de gozação, o ardor suscitado por Baca não podia ser tão forte para que os autores resolvessem agora fazer justiça pelas próprias mãos, ainda por cima de forma tão melodramática. Mas Iñaki me disse que não se tratava disso, enrolou um pouco, disse que o caso era outro e que precisava aceitar o duelo (ou muito me engano, ou citou o Nu descendo a escada, mas o que Picasso teria que ver com isso?), que lhe dissesse de uma vez por todas se estava disposto a ser ou não seu padrinho, que não tinha tempo a perder porque o duelo iria ser naquela mesma tarde."
Acontece que Nu descendo a escada é uma obra de Duchamp e não de Picasso.
Se foi uma escorregadela da memória, uma confusão "surreal-cubista", isso não tira os méritos dessa obra que mistura personagens reais e fictícios, muitas histórias, um fluxo insuportavelmente prazeroso de perspectivas… Falando nisso, não perca a parte em que Octávio Paz entra na história.
Observação final: O comentador, quando convidado a escrever umas linhas para dar uma força ao livro, muitas vezes cai na tentação de exagerar. Um deles, na orelha de Os Detetives Selvagens, chega a esse tipo de cometimento: "Era o tipo de romance que Borges teria escrito"… Outro diz que seria "Um fecho histórico e genial para O jogo da Amarelinha de Cortázar"… Menos, menos. Bolãno é uma mistura de muitas influências. Algumas, como já disse, bem cinematográficas, que aparecem em seus bem construídos diálogos. O resto é conversa, muita conversa e nessa conversa a gente vai sendo levado adiante, mesmerizado pela sua prosa poética.
Uma pena que Bolaño tenha morrido cedo, com 50 anos, de insuficiência hepática. Tão longe do seu Chile!
Ah, esqueci de uma coisa, no sábado passado li uma notícia no Segundo Caderno de O Globo que talvez interesse aos “bolañomaníacos”: na quinta-feira, a partir das 18 horas, vai ser lançado, na Livraria Da Vinci, um livro, na verdade, uma coletânea de ensaios, sobre a obra desse autor, organizada por Antonio Marcos Pereira e Gustavo Silveira Ribeiro (publicada pela Editora Relicário). Esse lançamento faz parte de um evento nomeado como Lendo Bolaño no Brasil. Vai rolar uma palestra, uns bilisquetes, talvez um vinho prosecco e o escambau. Espero que seja bem no estilo Bolaño de ser.
(*) Amuleto é um livro autônomo, mas na verdade é uma das histórias que constam no Detetives Selvagens. A história de Auxilio Lacouture que se dizia "Mãe dos poetas do México". A pobre moça ficou escondida por vários dias num banheiro da UNAM (Universidade Autonoma do México), se alimentando de água da pia, durante a ocupação da Universidade por forças militares, em 1968. Bolaño não inventou isso, se baseou numa história real, da estudante Alcira Soust Scaffo- link http://www.laizquierdadiario.com/spip.php?page=gacetilla-articulo&id_article=27191
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12.9.16
12.9.08
O 11 de Setembro Chileno no DVD La Batalla de Chile

No dia 11 de setembro de 1973 foi deposto Salvador Allende, presidente eleito democraticamente . Deveria ter postado este texto ontem, mas demorei a encontrá-lo no meu desktop. Foi uma pensata que escrevi numa outra ocasião acerca de um filme importantíssimo chamado "A Batalha do Chile" de Patrício Guzmán.
O filme mostra toda a luta que se travou até a esse 11 de setembro longínquo. É uma verdadeira aula de documentário político. Não só é didático, como serve de alerta para todos: humanistas , democratas e ou os que estão em dúvida em relaçao à validade da prática política dentro da legalidade entenderem como funcionam os podres poderes nesta América tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos (como disse um dia a propósito do México, Porfírio Diaz). Serve para que não se repita uma história que foi tão trágica. Que ela não se repita nem como farsa, justamente agora em que outros representantes do povo, mais próximos da esquerda chegam ao poder como Evo Morales, na Bolívia, Tabaré Vázquez, no Uruguai e mesmo (por que no?) Chavez (com todos seus defeitos, seu populismo, personalismo e tudo mais) mas que, não esqueçamos, foi eleito democraticamente e golpeado pelos americanos e a mídia de seu país e submetido a referendos e plebiscitos que venceu sob os olhos de fiscais de todo mundo inclusive de Jimmy Carter (este ex-presidente americano que me parece um democrata- um dos raros a defender os direitos humanos no bizarro mundo de Bush). Ao mesmo tempo, não podemos dizer que Cristina Kirchner seja de direita e Lula, apesar de ter dito que não era de esquerda, nela se apoiou para chegar ao poder. E recentemente o Paraguai elegeu Fernando Lugo que segundo o jornal inglês "The Daily Telegraph" completa o "tunsmi vermelho" que invadiu a América do Sul, sem esquecer da Nicarágua onde se elegeu um Daniel Ortega mais moderado.
“A batalha do Chile” segue passo a passo a evolução dos acontecimentos que quebraram a legalidade democrática naquele país , chegando ao caos e ao golpe de Estado que como todos sabem levou Pinochet ao poder, ao banho de sangue e tortura de campos de concentração como o do Estádio Nacional onde o compositor Victor Jara teve suas mãos quebradas antes de ser assassinado. O mesmo Estádio Nacional que viu a vitória do Brasil recentemente sobre o selecionado chileno. Quem viu o filme “Missing” de Costa-Gravas,( com Jack Lemmon, no papel de Ed Horman um pai que procura desesperadamente seu filho perdido num Chile cheio de cadáveres e Sissy Spacek no papel de Beth , sua nora) tem uma idéia do horror que foram aqueles dias depois do golpe (Este filme foi baseado em fatos tenebrosos). Já o documentário de Guzmán nos revela os dias que antecederam o horror. Nos mostra de perto a história daqueles dias de 1973, coisas que a gente só sabia de ler nos jornais (vivíamos numa ditadura entonces) ou de ouvir relatos muito tempo depois através da boca daqueles que conseguiram escapar, se refugiando em embaixadas estrangeiras e falaram no exílio das barbaridades que aconteceram em sua terra. De qualquer forma as imagens desse documentário nos jogam de novo diante do ovo da serpente. Vemos como se gera um golpe. Esse “documento” já se encontra nas boas locadoras em 2 vídeos. Nele está aquela famosa cena em que alguns cães de aluguel de um grupo de militares golpistas atiram e matam o cinegrafista argentino Leonardo Henricksen que filma sua própria morte. Eram os soldados rebelados que naquele momento participavam da primeira tentativa de ataque ao palácio La moneda, perpetrado pelo Regimento Blindado nº 2 que aconteceu às 9h10 da manhã do dia 29 de junho de 1973, quando seis tanques e alguns veículos com homens armados até os dentes cercam o palácio presidencial e iniciam uma luta na qual morreram 22 pessoas. Isso aconteceu dois meses antes do golpe de Estado que pôs fim ao sonho de um socialismo pela via democrática. Guzmán tem também o mérito de mostrar as divisões dentro da esquerda (acho que já vimos várias vezes esse filme na AL?). O que impressiona é que alí estava acontecendo a história de um povo, aquele povo que estava dividido. Vemos a conspiração se realizar nos pormenores. Os meios de iludir as pessoas, a manipulação, o boicote, as greves patronais para derrubar um representante popular democraticamente eleito que num último momento tentou salvar a nação e uma parte considerável de seu povo num diálogo infelizmente fracassado com um partido de grande representação que era a Democracia Cristã . Um homem corajoso como Salvador Allende que chegou a propor um plebiscito, mas teve seu palácio bombardeado em 11 de setembro, resistiu e morreu. Dizem que se suicidou.
Mas o que impressiona é ver isso acontecer nesse filme dia a dia. O que nos aflige é saber que aquelas pessoas vão realmente morrer no final ou padecer nas mãos de seus algozes.O filme choca, não nos deixa indiferentes. Não é por outro motivo que ele foi indicado entre os 5 melhores filmes do 3º mundo do período de 67/78 pela revista Take One (EUA); entre os 10 melhores filmes da América Latina no período 70/80 pelos críticos de Los Angeles (EUA); entre os 10 melhores filmes políticos do mundo da Revista “Cineaste” dos Estados Unidos no período de 67/87. Ganhou também em 1976 o Prêmio “Novas Teixeira” da Associação dos críticos cinematográficos da França, em 1975 Grande Prêmio do Festival Internacional de Grenoble, o grande prêmio do Júri do Festival Internacional de Leipzig em 1976, O grande prêmio di Festival de Grenoble em 1976 e do Festival de Bruxelas em 1977 e do Festival Internacional de Benalmádena na Espanha em 1977 e o grande prêmio no Festival Internacinal de Havana em 1979.
Em 1973, eu estava no último período do curso de Sociologia, no dia 11 de setembro daquele ano, diante de um rádio potente buscava com amigos notícias de Santiago do Chile. A noite chegou e as coisas iam de “mao a piao” como se dizia na época. Num determinado momento o locutor informou que o general Pratts em algum lugar estava organizando a resistência…As notícias sobre a morte de Allende pareciam um boato disparatado. Depois de muitos informes desencontrados, o locutor afirmou que tudo era muito nebuloso…Nos primeiros meses foram executados 1500 prisioneiros pelos golpistas, informam relatos recentes. Aos poucos percebemos que a grande esperança daquela época de trevas chegara ao fim, estavamos cercados por ditaduras por todos os lados. Minto, na Argentina Perón ainda vivia um governo ambíguo e o desastre apenas se anunciava. Nos Andes havia uma “revolucão de esquerda” no Peru”. Numa viagem que fiz em 1974 a este país, para ver a tal experiência do general Juan Velasco Alvarado, encontrei vários jovens de todas as parte do mundo, um deles que passou por Santiago disse que a situação estava calma. Me lembro de que um garoto argentino fez uma piada de humor negro : disse que estava calma como um cemitério. Mal sabia ele que seu país iria mergulhar num regime que teria mais de 20 mil desaparecidos.
Logo que se instalou no poder, ao que parece, Pinochet e seus comandados trataram também de eliminar fisicamente homens da oposição que se encontravam fora do país. O general Pratts morreu em um atentado a bomba no dia 30 de setembro de 1974 na Argentina, junto com sua mulher Sofía Cothbert.Agentes da polícia política de Pinochet (DINA) foram acusados.Em Washington, Orlando Letelier (ex-chanceler de Allende)também sofreu um atentado que resultou na sua morte e de sua secretária Ronni Moffiti. Parece que lá as forças ocultas se deram mal e um agente, Michael Townley, foi preso e parece que se revelou a conexão da CIA com a DINA num dos terminais da famosa “Operação Condor.” Na mesma época, em Roma houve um atentado à bala contra Bernardo Leighton do Partido Democrata Cristão do Chile. Atualmente Pinochet está sendo acusado de corrupção, depois de ter escapado das mãos de um juíz espanhol que o queria como num tribunal internacional por crimes contra a humanidade. Escapa atualmente de 9 processos relacionados a tuma tal "Operação Colombo", como foi batizada a eliminação de 119 pessoas da oposição atribuidas a lutas intestinas do movimento armado MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária) Pinochet mandou e desmandou no Chile de 1973 a 1990. Nesse tempo de trevas , liquidou 3 mil pessoas e torturou 28 mil, dizem que dormia muito bem na sua prisão domiciliar. Um escritor de crônicas fora do lugar disse que Pinochet quando morrer se for para o inferno estará num lugar confortável cujo modelo ele, de certa forma ajudou a criar.
Hoje,uma mulher de esquerda, Michelle Bachelet, governa o Chile.
Por essas e outras vale a pena ver esse documentário, nele estão as últimas palavras de Allende. Creio que primeiro num texto onde parece, ele escreveu seu testamento político :”Eles têm a força. Poderão nos avassalar, porém não se detêm os progressos sociais nem com o crime, nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos. Sigam sabendo vocês que muito mais cedo do que tarde de novo se abrirão as grandes Alamedas por onde passará o homem livre para construir uma sociedade melhor. (11/09/1973)
No rádio , dentro do palácio presidencial bombardeado pela força aérea chilena e cercado por tanques ele disse:…Só tenho a dizer aos trabalhadores que não vou renunciar. Colocado pela história nesta situação pagarei com minha vida a lealdade do povo. A história é nossa e feita pelos povos.
Viva Chile! Viva o povo! Vivam os trabalhadores! …"
(Salvador Allende morreu às 14h15)
Às 21 horas, os chefes da sublevação mostraram suas caras na TV. Estavam numa mesa e falaram O General Augusto Pinochet, o Almirante José Toribio Merino, o General César Mendoza e Gustavo Leigh. A cena é bastante gráfica ,se é que isso diz alguma coisa,mas se o ódio precisasse de uma represtantação pictórica,ele alí estava nos seus melhores momentos.
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