16.8.09

15.8.09

Dica do Gerdal : Chiquito Braga, Maurício Maestro, Kay Lyra, Marcio Ramos e Ana Maria Antoun - show com sabor nativo, hoje, na Tijuca


Referência de fino trato nas cordas brasileiras, praticante de um jeito de tocar conhecido como "violão mineiro" e com admiradores do porte de Toninho Horta e Juarez Moreira, por exemplo, seus conterrâneos, o tarimbado Chiquito Braga, nascido em BH, é uma superatração para este sábado, 15 de agosto, na Tijuca. Com ele no show, dividindo o palco, dois casais igualmente bem entrosados nos sortilégios da canção: Maurício Maestro-Kay Lyra e Marcio Ramos-Ana Maria Antoun.
A cantora Kay Lyra é filha de Carlos Lyra, com quem já se apresentou no "Sr. Brasil", da TV Cultura, comandado por Rolando Boldrin, para lançar o seu CD "Kandagawa" (nome de um rio no Japão), parcialmente autoral e feito com o esmero de quem estudou canto lírico na Alemanha, onde iniciou a carreira. Nos arranjos de base e cordas desse disco, o toque de classe do inicialmente Maurício Mendonça, dos tempos do Momento Quatro - ainda formado por Ricardo Vilas, David Tygel e Zé Rodrix, quando acompanhou Edu Lobo e Marília Medalha na vitória de "Ponteio" (festival da Record, 1967) -, mais adiante o Maurício Maestro, componente do Boca Livre e, como compositor, coautor, com Joyce, de um mimo para quaisquer ouvidos de bom gosto, "Mistérios" ("um rio passou dentro de mim/que não tive jeito de atravessar/preciso um navio pra me levar/preciso aprender os mistérios do rio/pra te navegar..."
Com música sua, "Dúvida", incluída no mais recente CD, "Sem Poupar Coração", de Nana Caymmi, Marcio Ramos, também violonista, é um compositor expressivo que remonta àquela efervescência dos festivais realizados em plena ditadura militar, o primeiro, salvo engano, dos parceiros de Guinga. Dos dois, no VI Festival Internacional da Canção (FIC - Rede Globo)), em 1971, foi cantada "Pela Cidade", com acompanhamento ao violão de outra referência de fino trato com o instrumento, Hélio Delmiro. A intérprete foi Ana Maria Antoun, também escritora e astróloga, que, como letrista sensível que é, tem com Chiquito Braga uma música que, por si só, já vale o ingresso do referido show: "Amanhecer". O anoitecer deste sábado, 19h, como informado no "flyer" acima, será uma boa oportunidade para ouvi-la e encantar-se com essa joia de composição.
Um bom fim de semana a todos. Muito grato pela atenção à dica.
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Retificação: na dica do show de Teca Calazans, anteontem, no mesmo CMRMC, equivoquei-me ao escrever o "bandolinista" Nenéu Liberalquino. Na verdade, esse grande músico pernambucano é violonista e até mesmo um exemplo de superação por ter uma deficiência física que o impossibilita de tocar o seu instrumento do modo convencional, mas com este colocado horizontalmente, como se fosse um piano ou uma guitarra havaiana.

Woodstock 40 anos - O Poder do Som



(Este texto sensacional foi escrito pelo jornalista, pesquisador e produtor cultural Jorge Sanglard).

A utopia libertária de Woodstock, 40 anos depois, permanece viva. E volta e meia é reativada pela celebração daqueles três dias de paz e muita música que entraram para a história do século XX. O poder do som e a força das imagens do maior festival de todos os tempos transcenderam as terras da fazenda de Max Yasgur, em White Lake, na cidade de Bethel, Condado de Sullivan, Nova York, e ganharam impulso com os lançamentos de discos e de um documentário. A cada reedição comemorativa, os ritmos e as imagens da Feira de Arte e Música de Woodstock ampliam a reflexão sobre a transformação de costumes desencadeada nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1969.
No livro “Back to the garden” – no Brasil, “Woodstock” –, lançado pela editora Agir, o radialista norte-americano Pete Fornatale mergulha nas impressões de mais de uma centena de personagens que estiveram lá, nos bastidores, no palco, na produção, na grama, na lama, e abre um diversificado leque de opiniões sobre o evento que sacudiu a América. E dá voz a alguns analistas do fenômeno Woodstock. Também marcando as quatro décadas do evento, "Woodstock - 3 Days of Peace & Music" é uma nova edição, em 4 DVDs pela Warner, do documentário "Woodstock - Onde Tudo Começou", de Michael Wadleigh, a síntese visual e sonora do maior ícone do movimento hippie. Uma série de CDs ainda joga mais lenha na fogueira, despertando o interesse na música que abriu alas para eternizar Jimi Hendrix, Santana, Joe Cocker, Richie Havens, Joan Baez, Janis Joplin, Sly & The Family Stone, Country Joe And The Fish e muitos mais.
A Rhino Records - Warner lançou a caixa de 6 CDs “Woodstock - 40 Years On: Back to Yasgur’s Farm”, com 77 músicas, sendo que 38 estavam inéditas em disco. As trilhas sonoras “Music From the Original Soundtrack and More: Woodstock” e “Woodstock 2” também foram remasterizadas e relançadas. E a Legacy / Sony Music articulou a coleção de 5 CDs duplos “Woodstock Experience”, reunindo álbuns originais de 1969 de Janis Joplin, Johnny Winter, Santana, Jefferson Airplane e Sly & the Family Stone e as performances completas de cada um no festival. E, nos Estados Unidos, o Bethel Woods Center for the Arts e o Museum at Bethel Woods ocupam parte da fazenda de Max Yasgur, reúnem a memória do festival e trabalham para que a “volta ao jardim” continue viva.
Pete Fornatale assegura que o festival, sem qualquer intenção prévia, se tornou um manifesto, um símbolo das mudanças que borbulharam na primeira metade e transbordaram durante a segunda metade dos anos 60 nos Estados Unidos. No livro, ele levanta a questão sobre tudo o que rolou durante as 65 horas de som no evento que redefiniu a cultura e os valores de toda uma geração e lançou sementes para além de seu tempo: “Woodstock foi, sem dúvida, o marco principal da grande revolução jovem da época, uma onda de transformação musical, política e social”. A empreitada idealizada por Michael Lang, Artie Kornfeld, John Roberts e Joel Rosenman nasceu de um encontro a partir de um anúncio de jornal e transformou a música e o comportamento do século XX.
O músico Graham Nash sintetizou: “A lenda e o mito de Woodstock se tornaram maiores do que a sua realidade. Foi inegavelmente um tremendo evento social. Muita música de qualidade. Muita diversão para muita gente. Acho que, à medida que o tempo passou, a lenda, o mito de Woodstock, se tornou maior do que a realidade”. A antropóloga Margaret Mead viu tudo como um fenômeno sociológico e assegurou na revista Red, na época, que foi uma confirmação de que esta geração tem, e compreende que tem, sua própria identidade. E David Crosby, em seu livro “Stand and Be Counted”, deu uma pista: “não foi um evento político no sentido tradicional do termo, mas foi tão grande que teve um impacto político semelhante”.
Muitas controvérsias marcaram o festival. Talvez a maior delas é quanto ao número de gente que conseguiu reunir, 400 mil, 500 mil. Pouco importa, era um mar de gente. O certo é que às 17h07 da sexta-feira, 15 de agosto de 1969, uma onda humana como nenhuma outra nos anais da história, como descreve Pete Fornatale, ouvia os primeiros sons de Richie Havens, que fora escolhido na hora para abrir o festival num vôo solo ao violão. Quase três horas depois, já exausto, o músico continuava no palco, a pedido da produção, e não sabia mais o que cantar, já cantara tudo, quando veio a inspiração: “Olhei para a platéia e não conseguia ver o fim dela porque, como se vê no filme, é gente até onde se consegue enxergar. Então olhei para cima e disse ‘liberdade não é o que eles fazem a gente pensar que é, nós já a temos. Tudo que devemos fazer é exercê-la, e é isso que estamos fazendo bem aqui’. Então comecei a tocar umas notas procurando alguma coisa e a palavra saiu, ‘freedom’, e aí, claro ‘Motherless child’, que eu não cantava há uns seis, sete anos, surgiu. Depois apareceu uma parte de uma canção que eu costumava cantar quando tinha 15 anos e entrou no meio. Foi assim que juntei tudo”.
Fornatale esclarece que a performance de Richie cristalizou e iluminou a verdadeira razão subjacente para que aquele meio milhão de pessoas se reunisse ao toque de uma única palavra, repetida mil vezes e ecoada pela multidão: “Freedom, freedom, liberdade, liberdade”. A performance de Havens hipnotizou e seduziu a massa e o músico, segundo Fornatale, parece em transe, transformado, transportado: “ele ainda é a maior encarnação viva do ethos de Woodstock”.
Para o escritor e crítico Bob Santelli, Havens salvou o dia do festival. Mas ainda no primeiro dia nasceu uma inesperada estrela solo, Coutry Joe McDonald, uma inclusão tardia no elenco. O Fish estava escalado só para o domingo, Joe chegou cedo para curtir a abertura do festival, na sexta, e dava bobeira na lateral do palco, quando o apresentador e gerente de produção, John Morris, resolveu convocá-lo. E Joe soltou logo uma adaptação de um grito de guerra que usara antes e soletrou a palavra “fuck” no lugar de “fish”. Segundo o coordenador artístico, Bill Belmont, quando soou “Me dá um F!”, todo mundo sabia o que ia acontecer. O que veio depois está no filme, a multidão inteira gritando “fuck”, uma palavra proibida na América até então. “E, claro, não é só a palavra, mas o significado por trás dela”, esclarece Santelli: “todas as regras e leis tinham ficado do lado de fora dos portões”.
Na opinião de Santelli, “quando se pensa em Woodstock e nas canções da Guerra do Vietnã, se pensa na apresentação de Joe. Foi lendária e importante. Ele se impôs. Foi uma das poucas vezes em que a política foi realmente convidada ao palco e realmente aceita. De modo geral, Woodstock não foi sobre política. Não foi sobre o que estava acontecendo no mundo, as coisas ruins. Foi sobre a criação de um novo mundo, uma nova identidade, uma nova nação, a Nação Woodstock. Não foi sobre tentar resolver a Guerra do Vietnã ou sobre se manifestar e mandar uma tremenda mensagem ao mundo careta e ao governo americano de que queríamos que a guerra parasse. Ainda assim, Joe, da única maneira que ele podia fazer, conseguiu adicionar um elemento político que foi aceito”.
A pobreza, a injustiça, o racismo e o belicismo estavam à solta na “terra da liberdade” e no “lar dos bravos”, assegura Fornatale; afinal, nenhum tema revelou mais o crescente abismo nos Estados Unidos do que o Vietnã: “ao mesmo tempo em que esta geração estava abraçando sexo, drogas e rock’n’roll, aprendia a suportar o choque e o trauma dos assassinatos, os distúrbios e a brutalidade policial. Eram essas as nuvens que pairavam sobre Woodstock, e nada tinham a ver com o tempo”.
A crítica de rock, Ellen Sander, aponta uma pista: “o ano anterior tinha sido muito tumultuado, com muita violência no país e muitos distúrbios. Havia um grande descontentamento no ar, e ele acabou achando um lar em Woodstock. Acho que os assassinatos de Martin Luther King e Robert Kennedy e os distúrbios na Convenção Nacional Democrata criaram o clima e as condições para algo assim. Nós, boomers, crescemos em circunstâncias únicas e fomos atingidos por um monte de coisas que não atingiram as gerações anteriores. A Guerra do Vietnã, todos achávamos ser um conflito injusto e não declarado. Houve muitos protestos contra a guerra. Não creio que alguém jamais saberá a resposta do mistério de Woodstock não ter degringolado em caos e violência – porque todos os elementos estavam a postos – mas, em vez disso, foi muito pacífico. Na época, a gente sentiu que era uma espécie de destino, que seria um caminho para o futuro – de cooperação pacífica, espírito de comunidade, tribalismo, essas coisas. Não saiu bem do jeito que a gente esperava (risos), mas pelo menos existiu naquele fim de semana”.
O diretor Michael Wadleigh aponta Sly Stone como o músico que conquistou a maior reação da platéia no festival. “Quando Sly disse, ‘I wanna take you higher’ (Quero te levar mais alto), a multidão ficou frenética, quando falou, ‘Dance to the music’ (Dance para a música), não havia como deixar de dançar. A música era mais do que poderosa. Sly & the Family Stone capturaram a essência do festival”. E Fornatale conseguiu de Roger Daltrey, do The Who, uma emocionada lembrança: “O sol nascendo em ‘See me, Feel Me’ é a melhor. Quer dizer, foi uma experiência incrível. Assim que as palavras ‘see me’ saíram da minha boca no final de ‘Tommy’, aquele enorme e vermelho sol de agosto começou a surgir no horizonte sobre a multidão. É um show de luz imbatível”. Daltrey ainda esclareceu: “o sucesso e a importância de Woodstock é que foi um triunfo humanista. A platéia foi a estrela”. E Pete Townshend também arrematou: “O que aconteceu depois do show de Woodstock foi milagroso. Todo mundo foi em frente e a América é um país melhor por conta disso”.
Por sua vez, o músico e editor Stan Schnier argumentou: “nada naquele filme se aproxima da energia de Carlos Santana. Foi uma espécie de experiência fora do corpo ver esses caras. Eles eram muito jovens e incendiários. É uma dessas convergências maravilhosas, existia alguma coisa sobre Carlos Santana na época que parecia de outro planeta”. Joe Cocker também ganhou notoriedade depois “do rolo compressor da pièce de résistance que fechava sua performance, uma recriação única de ‘With a Little Help from My Friends’, a canção de John Lennon e Paul McCartney”. Para Michael Wadleigh, “Cocker faz tudo, está dentro daquilo. Ele é um bom exemplo de porque a música dos anos 60 e a década de 60 duraram e presumivelmente vão durar para sempre. São performances e músicas verdadeiramente emotivas, comoventes e fundamentais”.
O encerramento do festival, já na manhã da segunda-feira, 18 de agosto, foi apoteótico, apesar do público reduzido que ficou para ouvir Jimi Hendrix e o grupo experimental Electric Sky Church. Depois de tocar por cerca de duas horas, Hendrix deu o golpe final e tocou a Guerra do Vietnã nas cordas da sua guitarra branca, com direito a toque de recolher, estouro de bombas, metralhadoras disparando e o barulho de helicópteros no céu. Sua interpretação visceral do hino norte-americano “Star-Spangled Banner” simbolizou toda a essência de Woodstock. A Nação Woodstock, enfim, dava seu grito libertador. Daí em diante, é história.
No Brasil, pai e filho avaliam o fenômeno. O psicanalista Jacob Pinheiro Goldberg e o analista da arte anarquista Leonardo Goldberg refletem sobre o festival. Para Jacob, “no imaginário e no simbólico, Woodstock foi a resposta do inconsciente coletivo da humanidade à repressão que culminou com o nazi-fascismo e as ondas conservadoras em todo o mundo (inclusive da esquerda stalinista). Foi o dia em que o superego dançou. A liberação do Id abriu os territórios do prazer, rompendo com os tabus e inaugurando a liberdade enquanto esperança. Embora, posteriormente, cooptado e desfigurado – pelo capitalismo e pela droga – historicamente, o indivíduo num instante épico e dramatizado levou a imaginação ao teatro existencial”. E, segundo Leonardo, "sob um viés piagetiano, se a espécie humana pudesse ser concebida como um único indivíduo, o festival de Woodstock seria sua fase rebelde, a adolescência, o divisor de águas que marcaria a concepção de liberdade num caráter macro”.

Ilustracão : Mulher entre naturezas mortas


Esta ilustração foi feita com ecoline e lápis de cor sobre papel Canson.

14.8.09

Dica do Gerdal : Aluísio Machado canta, hoje, em Madureira - o paticumbum campeão revisto na vitrine original


"Enfeitei meu coração/de confete e serpentina/minha mente se fez menina/num mundo de recordação/abracei a coroa imperial/fiz meu carnaval..." E quem, em 1982, abraçou a coroa imperial, sob sol a pino, atravessando o asfalto "sagrado" da passarela do samba no ritmo da bateria, fez seu carnaval inesquecível, que jamais se apaga da lembrança. Um tempo em que todas as grandes escolas ainda se exibiam no domingo, e o Império Serrano, fechando a tampa do desfile, quase ao meio-dia, veio arrebatador, solto, criticamente alegre, com um enredo - antes intitulado "Praça XI, Candelária e Marquês de Sapecaí" - muito bem desenvolvido por Rosa Magalhães e Lícia Lacerda a partir de ideia sugerida por Fernando Pamplona. Um triunfo onomatopaico da escola de Madureira (a expressão "bumbum paticumbum prugurundum" fora usada pelo pioneiro Ismael Silva para definir o som da batucada), para o qual concorreram com brilho fundamental Aluísio Machado (foto acima) e Beto sem Braço, os autores do clássico samba-de-enredo, "anima e cuore" daquela apresentação. Estandartes de Ouro naquele ano, bisariam o feito no ano seguinte, com "Mãe Baiana Mãe", e, sempre pelo Império Serrano, Aluísio Machado abiscoitaria outros dois Estandartes ligados aos seguintes enredos: "Eu Quero", em parceria de Luiz Carlos do Cavaco e Jorge Nóbrega, em 1986, e, dez anos depois, por "Império Serrano, Um Ato de Amor", na companhia de Arlindo Cruz, Acyr Marques e Bicalho. É no Império Serrano o compositor vivo que mais venceu na disputa de samba-de-enredo, com exceção dos saudosos Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola.
Nesta sexta-feira, 14 de agosto, às 20h, no Sesc Madureira - Rua Ewbanck da Câmara, 90 - tel.: 3350-7744 -, Aluísio Machado vai lembrar esses e outros belos sambas, também os feitos ao largo da motivação momesca, em mais uma etapa realizada do projeto Vitrine Musical. Certamente contará algumas histórias curiosas que o envolvem, como a do tempo em que, desenvolto no bailado, ainda passava pela avenida paramentado como mestre-sala, evoluindo com um lenço na mão no qual anotava o seu telefone. Durante o desfile, se via alguma foliona que lhe interessasse, jogava o lenço na direção dela. A moça pegando o lenço, naturalmente, era um bom sinal, e, assim, pôde desfrutar, em alguns carnavais, de prazeres "hors concours". Parte da trajetória dos seus 50 anos de carreira é contada com descontração por ele - num botequim em frente à Casa dos Artistas, em Jacarepaguá, onde reside - em "O Famoso Aluísio Machado", produzido pela Vira-lata Filmes. Vale a pena ver o documentário sobre esse compositor de nome já inscrito com destaque no livro de ouro da história do carnaval brasileiro. "O nosso samba, minha gente, é isso aí."
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

13.8.09

Dica do Gerdal: Teca Calazans dá voz à música de Jayme Florence e Maurício Carrilho, hoje, na Tijuca, em show de bela impressão


Morando há muitos anos em Paris, a exemplo da cantora acreana Nazaré Pereira e do cantor e compositor cearense Celinho Barros (também conhecido como uma espécie de Professor Pardal dos instrumentos por inventar, entre outros, o contraviolão, híbrido de violão e contrabaixo), e, como ambos, forte propagadora da nossa canção popular mais autêntica no exterior, Teresinha João Calazans, a nossa desbravadora Teca Calazans, está de volta ao Rio e se apresenta, nesta quinta-feira, 13 de agosto, às 19h, no Centro Municipal de Referência da Música Carioca ("flyer"acima). Nascida no Espírito Santo, mas culturalmente moldada em Pernambuco, para onde foi, aos 12 anos, com a família, Teca Calazans, antes de se destacar, nos anos 70, na capital francesa, no duo que fez com o ex-marido Ricardo Vilas, tomara parte, na década anterior, de uma ação cultural de alto relevo social no seu Recife adotivo. Componente do MPC (Movimento Popular de Cultura), que desenvolvia uma linha de ação artístico-cultural voltada para a população carente do Estado, pôde percorrer o Leão do Norte, de gravador portátil em punho, registrando a riqueza de um folclore - coco, bumba-meu-boi, nau catarineta... - que então descortinava. Deteve-se, em particular, nas cirandas, como a de Lia de Itamaracá, ritmo presente em "pot-pourri" na gravação do seu primeiro disco, em 1967, um compacto simples pelo selo Rozemblit. "Jornada de um Imbecil até o Entendimento", montada pelo Teatro Opinião, é uma das várias peças em que Teca atuou com atriz, já vivendo, na antiga capital federal, um "métier" abraçado antes do canto, por insistência de um amigo, o diretor de teatro Luiz Mendonça. O MPC, cujo funcionamento lembrava o de uma universidade popular com vários núcleos de atuação, seria o embrião, em Recife, do grupo Construção, no qual teve, por exemplo, como colegas de nova empreitada cultural Geraldo Azevedo e Naná Vasconcelos
Gravando ora com o violeiro Heraldo do Monte um encantador CD da Kuarup, de 2003, ora com o violonista Nenéu Liberalquino outro encantador registro, "Alma de Tupi", quatro anos antes, numa extensa e primorosa discografia, e participando, no palco, de espetáculos bem-sucedidos, como "Mário Trezentos, 350", projeto de Hermínio Bello de Carvalho, em 1983, pelos 90 anos de Mário de Andrade e viabilizado sob a direção de Tulio Feliciano, Teca vai, logo mais, no CMRMC, na Muda, lançar aqui o seu mais recente disco, gravado pela CPC-Umes. Com o chamado auxílio luxuoso de Maurício Carrilho e Paulo Aragão (violões), Pedro Aragão (bandolim), Rui Alvim (clarinete), Ana Rabello (cavaquinho) e Marcus Thadeu Conceição (pandeiro), canta as músicas de "Impressões de
Maurício Carrilho e Meira". Jayme Florence, pernambucano de Paudalho e autor de joias como "Aperto de Mão" (em parceria com Augusto Mesquita e Horondino Silva), foi professor de violão de Baden Powell, Raphael Rabello e do próprio Maurício Carrilho, ao passo que este "carioquinha" da Penha, que desistiu da medicina em favor das cordas do seu instrumento e é professor da Escola Portátil de Música, terá no roteiro do show, realçada, a sua parceria com Paulo César Pinheiro gravada por Teca no referido CD. Maurício é filho de Álvaro Carrilho e sobrinho de Altamiro Carrilho, dois flautistas; logo, filho e, especialmente, sobrinho de peixe, nas águas - neste caso - cristalinas do provérbio.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

Minha vizinha chavista detona roteiristas de Caminhos das Índias


Minha vizinha chavista me telefonou do Spa onde está se recuperando de um siricutico que a acometeu depois da troca de farpas entre a Globo e a Record.
- Foi demais para minha cabeça! Preciso equacionar uma nova estratégia para a revolução bolivariana nas comunicações...mas não é isto que quero que você bote no seu "grogue"...
- Bote no seu grogue que eu gosto da novela da Glória(ela fala da autora da novela Caminhos das Índias). Eu gosto dessa novela porque ela é um ruim, sacou o paradoxo?
As deficiências da novela é que a tornam um must.
Mas o golpe da dupla de trambiqueiros composta pelo Mike
(vivido pelo ator (Odilon Wagner) e pela Yvone (vivida por Letícia Sabatella) foi muito mal imaginado: veja só, meu filho, uma dupla sinistra pra valer não faria uma chantagenzinha com a pobre Nanda (papel vivido por Maitê Proença) só exigindo R$ 500 mil pela fita onde ela aparece transando com o tal Mike. Isto é risível, decepcionante para uns tipos gabaritados de trambiqueiros intenacionais como eles deveriam ser. Numa novela bem tramada eles exigiriam mais dinheiro...E que tipo de golpe Yvone quer dar no Ramirinho? Um par de brincos e um anel? Peraí, tão abusando da minha paciência!
Vamos supor que eles exigissem a grana que o marido da Nanda
(Haroldo, vivido por Blota Filho) botou (ficcionalmente é claro) num paraíso fiscal, uma grana mais alta, isso até passava, mas só quinhentinhos,em reais! Convenhamos que ficou muito chinfrim, coisa de trombadinha... a dupla de 171 perdeu a graça!
Ah, tem mais uma coisa: o chale, ou casaquinho que a Leinha
(vivida por Júlia Almeida) estava usando na novela anteontem, é o mesmo que a Ana Maria Braga trajava na chamada para o seu programa! Se tá faltando pano lá no Projac, eu mando um casaquinho que comprei na Catalunha que é divino! Tem até o cheiro de um toureiro espanhol que deixei em Sevilha, ele me deu até uma orelha de touro,para eu me lembrar dele, mas isso não vem ao caso... E essa facilidade com que o Gopal ( interpretado por André Gonçalves) consegue emprego, é uma maravilha, é sinal que a crise passou mesmo e qualquer estrangeiro que chega aqui consegue se ajeitar...
Foi aí que ela desligou na minha cara e não fiquei sabendo nada sobre sua posição na chamada guerra televisiva que se esboça neste país tão interessate.

Ilustracão : Tipos humanos


Eu acho que esta ilustra nem chegou a ser publicada e me recorda tempos difíceis, não sei porque.(ou não sei por que?)
Desenho feito com canetinha nanquim e colorido com ecoline sobre papel Canson branco.
(Clique sobre a imagem para ampliar e ver melhor)

Reflexão sobre acordo ortográfico



(Recebi um e-mail do escritor Clóvis Bulcão e de Angela Dutra de Menezes que decidiram provocar uma reflexão sobre o problema do novo acordo ortográfico - o texto segue abaixo.)

Cada vez mais, em Portugal e no Brasil, levantam-se vozes dissidentes contra as novas normas que mais separam do que aproximam os povos da lusofonia.

Acreditamos que esse sentimento contrário ocorra, pois o espírito do Acordo não representa a universalidade da língua portuguesa, preconizada pelo padre António Vieira e ratificada por Fernando Pessoa.

Nós, os escritores do Brasil, e demais operários da língua portuguesa, solidarizamo-nos com os colegas lusitanos na contestação ao Acordo Ortográfico, elaborado sem ampla discussão e sem a participação dos que sobrevivem da língua portuguesa.

Hoje, nos cinco continentes, os luso falantes sentem-se desconfortáveis com as inúmeras modificações léxicas determinadas por um grupo tão reduzido e tão pouco representativo de pessoas.

Convocamos todos para uma reflexão sobre este assunto de fundamental importância.

Endereço para contato : Que estiver interessando em participar desta reflexão, escreva para angela.dutra@terra.com.br
e para cbdm@globo.com

12.8.09

Debate na quinta-feira : O desafio da democracia e dos direitos humanos no Brasil


Eduardo Bittar faz conferência nesta quinta-feira (13 de agosto), às 19h30, sobre O desafio da democracia e dos direitos humanos no Brasil, na sede da 4ª Subseção da OAB (Avenida dos Andradas, 696), em Juiz de Fora (MG).

Eduardo Bittar é Livre-Docente e Doutor, Professor Associado do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, nos cursos de graduação e pós-graduação. Professor e pesquisador do Mestrado em Direitos Humanos do UniFIEO. Presidente da Associação Nacional de Direitos Humanos (ANDHEP - NEV-USP). Pesquisador-Sênior do Núcleo de Estudos da Violência da USP. Coordenador do Grupo de Pesquisa “Democracia, Justiça e Direitos Humanos: estudos de Escola de Frankfurt”, junto ao NEV-USP. Colaborador da Revista OAB-MG 4ª Subseção

Ilustração: O bêbado que virou cinza e o susto do gato


(Clique na imagem para ampliar, pois o desenho é grande e a ferramenta do blog não consegue deixá-la maior sem esta operação de clicar na imagem, portanto, clique na imagem que ela fica grande e você pode ver melhor)

Mais um brinde: um cartum de João Zero


(Clique na imagem para ampliar e ler melhor a legenda do cartum)

Lançamento na Folha Seca , hoje - quarta feira dia 12


(Clique na imagem para ampliar e ler melhor)

11.8.09

Ilustração: jagunços em transe


(Clique na imagem para ampliar e ver melhor)

Dica do Gerdal : Barbara Mendes dá sequência a série de shows, na Barra da Tijuca, soltando a voz com categoria


"Ela é carioca, ela é carioca...", crescida no Rio de Janeiro, mas morou por vários anos nos EUA, onde se aprimorou nas inerências do seu ofício, na New School for Social Research - West Village, e se apresentou com grandes artistas do jazz. A propósito, em 1998, foi a única cantora brasileira a participar do Ocean Blue Jazz festival, no Japão, ao lado de Wayne Shorter, Herbie Hancock, Tito Puente e Milt Jackson, tendo ainda viajado por vários países e, pelo menos em um deles, com público cativo: a Grécia, onde já fez seis "tournées".
Formada em Direito, Barbara Mendes, de volta ao Brasil há alguns anos, tem-se apresentado no Bangalô - Av. Lúcio Costa, 1.976, na Barra da Tijuca -, às terças-feiras, das 19h às 22h ("flyer" acima), divulgando as músicas do seu mais recente CD: "Nada pra Depois", dela e de Maurício de Oliveira (xará de um grande violonista capixaba), de cuja faixa-título participa ainda Djavan. Para quem viu o filme "Bossa Nova", de Bruno Barreto, é dela a voz que se ouve no tema de abertura, "Inútil Paisagem", acompanhada por outro carioca "for export" ao piano, Eumir Deodato. Finalista da segunda edição do Prêmio Visa, em 1999, Barbara Mendes é filha de outra cantora, Marisa Rossi, vencedora do primeiro A Grande Chance, apresentado por Flávio Cavalcanti, nos anos 60.
Um bom dia a todos. muito grato pela atenção à dica.

10.8.09

Ilustração : Gangster


Esta ilustração é um detalhe de um desenho maior. Foi feita com lápis de cor, ecoline, pastel seco e aplicação de "Crill over" (é assim que se escreve?) sobre a aquarela líquida para dar efeitos de bolhas.
(Clique na imagem para ampliar e ver melhor)

9.8.09

Ilustracão : Conto mínimo de Heloísa Seixas


Não tenho o conto para o qual foi feita esta ilustração, o legal é que com a imagem podemos no máximo imaginar como foi esse conto...

8.8.09

Dica do Gerdal : Roda de samba da UNE, no Flamengo, homenageia Bucy Moreira neste sábado (grátis)


Com muito prazer, repasso a vocês o recado dos queridos amigos Lula Dias e Benjamin Cardoso, promotores, todo segundo e quarto sábados de cada mês, de uma concorrida e animada roda de samba, apoiada pelo pessoal da UNE, na Praia do Flamengo (informação abaixo). Hoje, 8 de agosto, a partir das 18h, uma oportuna e grata lembrança motiva o encontro: o centenário de vida que Bucy Moreira completaria no início deste mês. Sobre Bucy, recomendo a audição da entrevista dada por ele ao programa "MPB Especial", na TV Cultura (SP), em 1973. Criado e dirigido por Fernando Faro, além de produzido por J. C. Botezelli, o Pelão, foi relançado em CD numa daquelas caixas preciosas do Sesc São Paulo, com depoimentos de artistas da nossa música popular, para o citado programa, mais tarde continuado com outro título: "Ensaio".
Um bom sábado a todos. Muito grato pela atenção à dica.

O Canto da Fofoca apresenta
O samba une
Homenageando o sambista e compositor
BUCY MOREIRA
Sambista na concepção mais ampla da palavra, Bucy Moreira desde pequeno mostrou vocação para ritmo e composições, aprendeu com os melhores professores, e dentro de casa, com a reconhecida introdutora e codificadora do ritmo no Rio de Janeiro, a lendária Tia Ciata, sua avó. Nascido no primeiro dia de agosto de 1909, teve como padrinho outra figura da maior importância na música popular brasileira, o pernambucano criado na Bahia, Hilário Jovino, responsável pela criação de ranchos célebres do carnaval carioca. Tornou-se compositor e ritimista de fazer história. Foi descoberto por Francisco Alves que gravou sua primeira composição. Junto com Brancura, Ismael Silva, Baiaco e Mano Edgar, fundou a primeira escola de samba, a “Deixa Falar”, hoje Estácio de Sá. Sua forma de tocar instrumentos de ritmo fez escola, e a maneira de dançar o "miudinho" de forma magistral, tornaram-se suas marcas registradas. Como ator, participou do filme “Jangada” dirigido pelo diretor norte-americano Orson Welles. Seus maiores sucessos foram os sambas Não Põe a Mão, em parceria com Mutt e Arno Canegal; Quem Pode Pode, com Haroldo Torres; Porque é que você chora? com Ary Cordovil; Não Precisa Pagar, com Miguel Bausa e Francisco Fernandes;. Miudinho,com Monarco e Raul Marques.. Teve músicas gravadas por grandes intérpretes como Araci de Almeida, Carmen Miranda, Francisco Alves, Carmen costa, Bezerra da Silva, Elza Soares, Paulinho da Viola, Jorge Aragão e Fundo de Quintal, dentre outros.

Com participação especial de PECÊ RIBEIRO, ZORBA DEVAGAR,
BETO MONTEIRO, TANIA MACHADO, CARLOS ALBERTO PORTELA, ELIANE DUARTE, RÔCHINHA, dentre outros
sábado 8 de agosto a partir das 18 horas
Praia do Flamengo, 132
(entre Correia Dutra e Buarque de Macedo)
Cerveja gelada, caldinhos de ervilha e de feijão
ENTRADA GRATUITA

NR: A ilustra desta página feita por este blogueiro que vos fala é inspirada na exposição sensacional sobre a Vanguarda Russa (Virada Russa) no CCBB. Imperdível! Ficará aberta ao público até o dia 23 de agosto.

Mais um brinde: um cartum de João Zero


(Clique sobre a imagem para ver e ler melhor a legenda do cartum)
Este cartum do João Zero é realmente SENSACIONAL!!!!!!

Ilustração: Pombo agonizando sobre o azul

Centenário de Adoniram comemorado em Livro-Agenda


Acaba de ser lançado o Livro- Agenda homenageando Adoniram Brabosa no centenário dele, que vai ser em 2010. Essa agenda é tão sensacional que a gente nem ousa a rabiscar algum compromisso nela. Vai direto para a estante. É para mostrar pros filhos, pros amigos. O lançamento é da Editora "Anotações com Arte".
O blogueiro que vos fala tem uma caricatura de Adoniram nesse Livro-Agenda.

Dica do Gerdal : Claudionor Cruz revivido em CD do Terno Carioca - show de lançamento neste sábado na Sala Baden Powel


"É dos teus olhos a luz/que ilumina e conduz/minha nova ilusão/é nos teus olhos que eu vejo/o amor e o desejo/do meu coração/és um poema na terra/um tesouro no céu/uma estrela no mar/és tanta felicidade/que nem a metade consigo exaltar/se um beija-flor descobrisse/a doçura e a meiguice/que teus lábios têm/jamais roçaria as asas brejeiras/por entre roseiras e jardins de ninguém/ó dona do sonho/ilusão concebida/surpresa que a vida/me fez das mulheres/há no meu coração/uma flor em botão/que abrirás se quiseres"

Assim, com essa epígrafe motivada por "Nova Ilusão" - samba tão bem gravado em 1953 por Lúcio Alves quanto regravado por Paulinho da Viola em 1976 -, lembro o que, no meu modesto entender, é um dos casamentos mais felizes entre letra e música no nosso cancioneiro popular, celebrado pela parceria de Claudionor Cruz com Pedro Caetano. Com esse paulista de Bananal, o mineiro Claudionor Cruz, nascido em Paraibuna, traria contribuição valiosa à discografia nacional, pois, de suas criações, cantores e músicos de nomeada, já falecidos, como Orlando Silva, Jacob do Bandolim e Carlos Galhardo, legaram ao nosso tempo registros que calam fundo na nossa memória, também afetiva, como as valsas "Feia" e "Caprichos do Destino" e a marcha "Eu Brinco" ("Com Pandeiro ou sem Pandeiro"). Waldemar de Abreu (Dunga), André Filho e Wilson Batista, por exemplo, foram outros parceiros de destaque, embora Claudionor obtivesse, sem a companhia do letrista habitual e também comerciante de calçados Pedro Caetano, um grande sucesso com outro mineiro, Ataulfo Alves: o samba "Sei Que É Covardia", que este, após o "operístico" Galhardo - primeiro a gravá-lo, em 1938 -, levou ao microssulco em companhia das suas pastoras.
"Eu era outro/e a vida corria/nem tudo sorria/mas tinha valor/era uma vida/sem nada de mais/na base da paz/e eu curtia um amor/fui tão feliz/vivendo assim/que hoje eu sinto/saudade de mim/eu nada pedia/não era exigente/mas tinha um amor/de corpo presente/fui tão feliz/vivendo assim/que hoje eu sinto/saudade de mim..." Com uma "puxada" bossa-novista no violão que o acompanha, pode-se ouvir Claudionor cantar esse belo samba, "Saudade de Mim", feito com Beatriz Dutra, amiga e parceira constante a partir do início dos anos 80. Uma faixa que consta de um CD que evoca, postumamente, Claudionor - morto em 1995 -, só com músicas dele e produzido pela Universidade Gama Filho - sem precisão de data -, com direção musical do também saudoso Orlando Silveira, que, aliás, toca o seu acordeom em outras duas faixas, instrumentais, muito significativas: "Tempos Passados", juntamente com Yeda Salomão, em solos de piano, e "Este Choro É Meu Pranto", juntamente com o homenageado, ao violão, nessa outra parceria deste com Pedro Caetano. Filho de mestre de banda, fugindo de casa ainda garoto para ir ao encontro do seu sonho de viver de música, Claudionor começou com o cavaquinho, em diversos conjuntos no Rio, foi baterista por uns tempos, até formar o seu histórico regional, nos anos 30, com passagem por várias rádios cariocas, já como executante de violão tenor.
Lena Verani (clarinete), Luiz Flávio Alcofra (violão) e Pedro Aragão (bandolim e violão tenor), instrumentistas sensíveis e de elevada competência, lançam em boa hora um CD dedicado à obra de Claudionor Cruz por meio do conjunto que formaram, o Terno Carioca, o qual se apresentará neste sábado, 8 de agosto, às 20h, em show na Sala Baden Powell - Av. N. Sra. de Copacabana, 360 ("flyer" acima). Esse disco antecipa-se ao centenário de nascimento do admirável Claudionor, no próximo ano, e é, por si só, auspicioso por sugerir que, ao menos no caso dele, entre os nomes menos "votados", ou seja, lembrados da MPB, a posteridade não perdeu o seu endereço - onde quer que ele esteja.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

7.8.09

Ilustracão : Faces do tempo


Ilustração feita com pastel seco e ecoline sobre papel Schoeler Hammer.

Dica do Gerdal: Aurea Regina, musicista polivalente, é convidada muito especial de Ricardo Serpa, nesta sexta, em show no Leblon


Porto-alegrense de sortidos predicados musicais, a cantora, compositora, maestrina, arranjadora e multi-instrumentista (toca piano, flauta, harmônica e violão) Aurea Regina é uma convidada muito especial no show que o saxofonista Ricardo Serpa fará, nesta sexta, às 21h30, no Esch Café, no Leblon, acompanhado por um baterista, um baixista e um pianista da melhor qualidade ("flyer" acima). Surfista e praticante de "skate" nas (poucas) horas vagas, Aurea Regina, mestra em composição e formada em regência clássica pela UFRJ, tem grande parte do seu trabalho direcionada a trilhas variadas, feitas para filmes, programas de tevê a cabo e espetáculos de balé, por exemplo. Não faz muito, tive a satisfação de vê-la e cumprimentá-la, na Sala Cecília Meireles, na Lapa, quando abrilhantou, ao piano, show de um saudoso amigo, o trompetista campista Barrosinho. Dela recomendo especialmente, no seu "myspace", a audição de um belo tema, "Cheyenne", uma trlha de filme vencedor no Sundance Festival, a principal mostra do cinema independente nos EUA. Por seu turno, Ricardo Serpa, que recentemente esteve em Ouro Preto participando de um importante encontro musical, dá sequência ao lançamento do seu ótimo CD autoral, "Aquariando", provando, a cada faixa, por que é um instrumentista tão a gosto de outros instrumentistas notáveis, como o também soprista Nivaldo Ornelas, que o considera, sem mais delongas, "um músico do mundo".
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
NR: Mais informações e o som de Ricardo Serpa nos seguintes endereços www.myspace.com/ricardoserpabrasil
http://musicosdobrasil.com.br/ricardo-serpa

6.8.09

Ilustração para minha camiseta: Hendrix


Fiz esta ilustra para botar num silk na minha camiseta. Hendrix, o maior guitarrista do planeta.

5.8.09

Dica do Gerdal: Réus Confessos, hoje, em Copacabana - um grupo vocal com a boca no mundo para todo tipo de protesto


(Clique na imagem para ampliar e ler melhor)

Reencaminho abaixo, com "flyer" acima, o recado do amigo Denilson Santos, grande cantor e intérprete carioca - "uma das vozes mais interessantes e bonitas da nova cena musical", como observa o jornalista especializado Toninho Spessoto, de Sampa -, componente de um recém-criado e estimulante grupo vocal: o Réus Confessos. Paralelamente a essa empreitada coletiva, Denilson, cujo nome logo remete ao de um cantor veterano dos áureos idos do rádio carioca, Venílton Santos, desenvolve um valoroso trabalho solo, já materializado num CD de lançamento recentíssimo, "Do Mundo", com arranjos do prematuramente falecido violonista Willians Pereira. .
Vale a pena conferir a cantoria diversa dessa rapaziada em Copacabana. A todos, um bom dia e o meu agradecimento pela atenção à dica.

Olá, amigos

Venho convidar vocês para assistir ao show "Com a Boca no Mundo" do grupo vocal Réus Confessos, do qual tenho a honra de fazer parte.
Estaremos todas as quartas-feiras de agosto/2009 às 21hs no Teatro Gláucio Gil, em Copacabana, ao lado do metrô Cardeal Arcoverde. O ingresso é R$10,00.
Seguem um resumo do espetáculo e o flyer anexo.
Aguardo vocês lá!
Abração a todos,
Denilson

COM A BOCA NO MUNDO - show com RÉUS CONFESSOS - um grupo vocal com algo a dizer
Em todas as quartas-feiras de agosto, sempre às 21h, o grupo RÉUS CONFESSOS
realiza apresentações de seu primeiro trabalho, o show COM A BOCA NO MUNDO.
Sem ter pretensões de ser necessariamente política ou culturalmente
panfletários, os Réus Confessos reuniram um repertório em que o tema do protesto
- "colocar a boca no mundo" - é apresentado de diversas formas, sob óticas
diferenciadas, apresentadas com muita energia, vibração e um toque teatral.

A da mulher que pede respeito ao parceiro. A do sonhador que clama pela união
entre os homens. A de pais a lamentar suas próprias ausências com os filhos. A
de formação de nossa nação, no reconhecimento de brasilidade, atestados de
suingue e cor de pele.

Diferentemente de um mero recital de canto coral, o grupo propõe à platéia um
divertido encadeamento de situações, conforme os números se sucedem.

O grupo é formado por dezoito cantores, sob a direção musical de Guilherme
Héus, também responsável pelos arranjos vocais.

Os espetáculos serão apresentados no Teatro Gláucio Gil, na Praça Cardeal
Arcoverde s/n, em Copacabana, bem na saída da Estação do Metrô.

Reservas: 2332-7904

http://www.myspace.com/reusconfessos

Ilustração : Homenagem a Portela


Esta ilustração foi feita com lápis de cor sobre papel Schoeler Hammer. Homenageia a Escola de Samba Portela, pela qual tenho grande simpatia, apesar do blogueiro que vos torcer pela Mangueira e Mocidade Independente de Padre Miguel.

4.8.09

Ilustracão : Conto mínimo de Heloísa Seixas


Curtia muito ilustrar os "Contos Mínimos" de Heloísa Seixas. Cheguei a fazer a capa de um livro dela e as ilustrações internas em P&B.
Esta ilustração fei feita com aquarela, lápis de cor e ecoline que é aquarela líquida.

Dica do Gerdal: Ricardo Duna canta e toca, nesta terça, em Ipanema - um "pocket show" de bossa suave e contemporânea


Fazendo, a meu ver, um dos melhores discos de MPB deste ano, o recém-lançado "Madame Quer Sambar", em que alterna sambas bem animados com canções de delicada urdidura, todos de sua autoria numa produção que ainda conta com a participação especial de Carlos Lyra e João Donato, o cantor, compositor e pianista Ricardo Duna apresenta-se nesta terça-feira, 4 de agosto, às 22h30, no Vinicius, em Ipanema ("flyer" acima e serviço abaixo). Apreciador da sonoridade "cool" de ícones da bossa nova e do jazz, como João Gilberto e Chet Baker, Ricardo promete, com o seu trio, uma noite musical bem agradável, pautada no intimismo e na leveza melódica do repertório escolhido, parte do qual com assinatura própria. Ele é um excelente compositor e cantor de entoação suave, algo como uma extensão contemporânea de um modelo de emissão vocal e interpretação principiado por Mário Reis, no final dos anos 20, e seguido, entre outros, nos anos 50, por Fafá Lemos, quando canta, por exemplo, num de seus elepês, "Violino Travesso", um ótimo samba de Jair Gonçalves, "Carne de Gato". Ricardo, a seu jeito, com talento e sem alarde, leva adiante esse bastão e, como prova o referido CD, deixa a sua marca bem impressa de artista conectado, a um só tempo, com a simplicidade e o refinamento de uma criação bem suprida de atrativo e distinção.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
SERVIÇO
Vinícius Bar apresenta Ricardo Duna, no show “Bossa Contemporânea”, com Berval Moraes, baixo acústico; Renato Endrigo, bateria e percussão e o próprio Ricardo Duna na voz e piano Fender Rhodes. No repertório, composições próprias entremeadas por clássicos da “Bossa Nova”. Sucessos de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Baden Powel, João Gilberto e Johnny Alf não faltarão.

Vinícius Show Bar Reservas: 2287-1497
Rua Vinicius de Moraes, 39 Ipanema
Dia 04 de agosto, terça-feira
22:30 horas Couvert30,00
Classificação etária 18 anos
Estudantes e maiores de 65 - 50% de desconto
Lotação 130 lugares Estacionamento próximo c/manobrista
Maiores informações: Mauro Cleverson 8665-2829

2.8.09

Ilustração : Variações Quixote

Mais um brinde: um cartum de João Zero

Dica do Gerdal: Amarildo Silva leva o sabor mineiro da canção interiorana ao "Sr. Brasil" neste domingo pela manhã


Integrante do conjunto Cambada Mineira, mas desenvolvendo paralelamente trajetória individual, o amigo cantor e compositor Amarildo Silva, um mineiro de Raul Soares há muito radicado no Rio de Janeiro (capital), é uma ótima atração deste domingo, 2 de agosto, às 10h, na TV Cultura, na reprise do "Sr. Brasil", apresentado por Rolando Boldrin. Sobre um de seus CDs da carreira solo, o envolvente "Virgem Sertão Roseano", assim se expressa o parceiro Márcio Borges, letrista irmão de Lô Borges e autor do livro "Os Sonhos Não Envelhecem - Histórias do Clube da Esquina": ""Virgem Sertão Roseano é um dos títulos mais geniais que ouvi ultimamente. O disco segue a trilha. Amarildo Silva me lembra um certo poço de águas claras, onde os meninos mais espertos iam mergulhar. O resto da turma ficava a boiar em águas rasas, sem saber o que estava perdendo, só por não pesquisar um pouquinho mais adiante. Este aqui é dos bons. É virgem e é sertão. Proseado e roseano até a raiz da mandioca brava. É poço que tem árvore ao redor. Bom de mergulhar e de garimpar. Pode subir que o galho aguenta. Pode cair que a água é boa."

Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
A tempo: para quem ainda não o conhece, Amarildo Silva, na foto acima, é o que está de boné e violão em punho, sentado ao lado de Boldrin.

1.8.09

Mais um brinde: um cartum de João Zero


(Clique na imagem para ampliar ler e ver melhor)

Dica do Gerdal: Marcus Lima dá um perdido na tristeza, neste sábado, em Copacabana, com o seu samba show-de-bola (grátis)


Papa-prêmios em diversos festivais da canção popular pelo país, o talentoso Marcus Lima, cantor, compositor e violonista carioca, apresenta-se hoje, primeiro de agosto, às 16h, no Allegro Bistrô, da Modern Sound, em Copacabana, com entrada franca ("flyer" acima, clique na imagem para ampliar e ver melhor). Parceiro, entre outros, de Sergio Natureza, Ivor Lancellotti, Márcio Proença e Elisa Lucinda - com a qual também se apresenta no show de música e poesia "Ô Danada!" -, Marcus Lima tem três ótimos CDs lançados, o mais recente deles apenas com o seu nome na capa, produção do radialista João Carlos Carino e participação especialíssima do fora-de-série Márcio Faraco, compositor gaúcho radicado na França. Ex-atacante do Vasco, com carreira no futebol interrompida em 1990, Marcus Lima dá um drible desconcertante na tristeza e alegra corações e mentes com o golaço do seu samba show-de-bola. "Ô danado!"
Um bom fim de semana a todos. Muito grato pela atenção à dica.

NR:Para se ter uma idéia do som de Marcus Lima clique nestes endereços:
www.marcuslima.com.br
www.myspace.com/marclima
www.mpb.com/marcuslima

31.7.09

Ilustracão : O homem das rosas do Leblon


Esta ilustrou uma bela crônica de Heloisa Seixas. Nos anos 80, muitas vezes vi este homem das rosas no Leblon. Sempre com um sorriso nos lábios ele vendia suas rosas em restaurantes. Tinha uma frase que ele usava no seu comércio florido que me esqueci...acho que era mais ou menos assim : - Uma rosa para uma bela dama...

Dica do Gerdal: Kiko Continentino no Santo Scenarium: pianista entra hoje na casa dos "enta" com show comemorativo


Repasso, abaixo, informação sobre show de aniversário do talentoso pianista, compositor e arranjador Kiko Continentino nesta sexta-feira, 31 de julho, às 20h30, no Santo Scenarium. Tocando na banda de Milton Nascimento, com outros músicos ou voltado para projetos pessoais, Kiko sempre imprime uma marca de excelência no que faz, já admirado como músico de músicos. A esse, também pela pessoa que é, continental Continentino os meus votos de saúde, inspiração e prosperidade.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

KIKO CONTINENTINO 40 anos > LAPA > Sto. Scenarium > 31 de Julho > sexta-feira > 20:30hs
Pianista, arranjador e compositor mineiro (integrante da banda de Milton Nascimento há mais de 12 anos), KIKO CONTINENTINO comemora seus 40 anos de idade - quase 25 como músico profissional.
Liderando um trio composto por Jefferson Lescovich (contrabaixo) e Victor Bertrami (bateria), Continentino recebe amigos ilustres numa noite que promete canjas especiais.
DATA: 31 de Julho de 2009, sexta-feira
HORÁRIO: 20:30hs
LOCAL: Santo Scenarium - Rua do Lavradio, 36 - Lapa
QUANTO: COUVERT a R$8,00
INFORMAÇÕES: (21) 3147-9007


Recomenda-se ligar com antecedência para reservar um bom lugar.

Algumas presenças confirmadas: Mauro Senise, Leo Amuedo, Paulo Russo, Milton Nascimento, Jane Duboc, Lucynha, Marco Lobo, Paulinho Guitarra, Jessé Sadoc, Mark Lambert, Joca Perpignan, Gastão Villeroy, Roberto Alemão e Juliano Cândido.

Participações inusitadas também podem acontecer, num clima festivo de jam session, mesmo que o pianista dê ênfase a composições autorais. Por questão de espaço, recomenda-se que as reservas sejam feitas antecipadamente.

SANTO SCENARIUM: LAPA, Rio de Janeiro - R. do Lavradio, 36 - Rio Antigo
Quarteirão cultural e gastronômico
COUVERT: 8,00
RESERVAS: 3147-9007

30.7.09

Boletim Técnico do Senac volume 35 de Janeiro/Abril



Com capa do artista gráfico Luiz Agner, está na praça uma revista com textos fundamentais sobre educação profissional.
Este blogueiro que vos fala tem uma ilustração nessa revista - a que está ao lado da capa.