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27.8.10

Micro Teatro: Sexo


Uma mulher e um homem no palco - luz sobre eles, o resto é penumbra

Mulher - Como chegamos até aqui?

Homem - Pagando impostos, ora! Pelo menos é o que me parece.

Mulher- (Senta numa cadeira e liga um aparelho de TV) .
(Uma luz sai do aparelho, mas nenhum som).

Homem- Sabe que eu também gosto de ver, sou louco por imagens. Gostaria de ver seu sexo!

Mulher- ( levanta da cadeira onde havia se sentado)- Não costumo exibir minha genitália assim sem mais nem menos - nem que me pagassem.

Homem
- Nem que pagassem bem? Sua noção de moral por acaso não tem um preço? Um precinho?

Mulher- Não tem preço. Não está à venda. Que gosto teria o senhor em examinar meu sexo? Isso o excita?

Homem
- Sim, me excito. A visão do seu sexo me daria um imenso prazer.

Mulher- Quer dizer que o senhor se satisfaz só em olhar?

Homem- Não, gosto de tocar também, gosto de cheirar, de beijar...de...

Mulher
- Não precisa continuar eu compreendo o quer chegar.

Homem
- A senhora não tem desejos?

Mulher- Tenho, mas gosto da atmosfera romântica, tenho prazer no clima da sedução , tenho fantasias e depois têm que ter simpatia também, sem falar na paixão pelo homem que vai ver meu sexo e me tocar...

Homem- É essa nossa diferença, eu sou objetivo e a senhora subjetiva., cheia de intermediações entre o desejo e o ato...Assim como as outras mulheres e os outros homens,,,nos encontramos em momentos que não conseguimos explicar, nos enganamos quando pensamos que nos amamos... Os homens penetram as mulheres que se deixam penetrar numa atmosfera que os leva a tentar se fundir e o gozo é um momento tão fugaz...Isso tudo é muito estranho...Nem sei como a espécie conseguiu se reproduzir?

Mulher- É na tentativa de superar esse estranhamento que surge algo que nenhum de nós está preparado para enfrentar.

Homem- O que, o amor? O que a leva a pensar que é o amor que surgirá de fato de eu a desejar? Do fato de eu a possuir? Ou melhor, o que a faz supor que o amor é que me faz escolher você?

Mulher
- É uma aposta. Se isso de fato existisse. Ás vezes penso que o estranhamento está em nós, conosco mesmo. Nós não nos entendemos nesse mundo.

Homem- O que a leva a pensar assim?

Mulher
- Foi uma coisa que veio à minha cabeça. Uma imagem, uma pose. Existem autores que gostam de climas assim, e creio que o autor desse texto tem essa filiação...

Homem- Quer dizer que ele acha o mundo um lugar estranho onde estranhos os seres que o habitam tentam tornar mais estranho ainda?

Mulher
- Isso, dizem que faz o maior sucesso. Dizer as coisas pela metade. É arte autoral, além do moderno, é uma sacada de que somos seres solitários e únicos. Somos aparentemente da mesma espécie, mas não nos entenderemos nunca, temos um mistério que nunca revelamos e não entendemos. Não entendemos o que estamos fazendo aqui neste mundo...essas coisas.

Homem
- Entendo! Quer dizer não entendo!... Uma vez uma mulher me revelou que aquele homem com o qual ela estava casada há 15 anos se transformara num ser totalmente estranho para ela. Que paradoxo! Quanto mais ela o conheceu, mais o estranhou...estava vivendo o fim da relação...

Mulher- E o senhor, o que disse?

Homem- Nada, fiquei com pena dele. E dela também...

Mulher- Viu? É isso, é esse sentimento de estranhamento que o autor quer trazer para o primeiro plano!

Homem- Continuo gostando de imagens. Quanto custa a visão do seu sexo?

Mulher- Já disse que não mostrarei nada. Pense bem, é uma idéia muito mais excitante o senhor imaginar meu sexo. Use sua imaginação!

Homem- A senhora quer dizer que a imagem engana?

Mulher
- Por algum tempo. Ela seduz a princípio, mas depois se dilui no meio de milhares de outras imagens e ...o que importa são os sentimentos, algo que supera o fato brutalmente material...

Homem
- Quer ver o meu sexo?

Mulher
- Prefiro ver televisão...
(caminha até um ponto onde está uma TV e liga o aparelho. A mulher se contorce como se estivesse tendo um orgasmo)

Homem- A senhora me surpeendeu e me humilhou, fui trocado por um aparelho de TV.

Mulher- Chega dessa pantomina. Quem vai fazer o supermercado esta semana?

Homem- Eu é que não sou! Fiz a semana passada?

Mulher- Então vou ter que mudar a hora da manicure. Não quero estragar minhas unhas.

Homem- Estou com fome...

Mulher- O jantar está na geladeira, esquente no microondas...

Homem- E você, não vai comer nada?

Mulher- Não, preciso emagrecer. Talvez tome um suco...

(Fecha o pano - na platéia ouvem-se vaias)

24.2.10

Dica do Gerdal: A MPB pelo buraco da fechadura, nesta quarta, à meia-noite, em atração que Rodrigo Faour apresenta no Canal Brasil



Numa extensão televisual (logo após a radiofônica, com "Sexo MPB", na MPB-FM) do êxito obtido com o lançamento, em 2006, pela Record, de "A História Sexual da MPB", o atilado jornalista e pesquisador musical carioca Rodrigo Faour (na foto acima com a cantora e compositora Marina Lima) apresenta, a partir desta quarta-feira, 24 de fevereiro, à meia-noite, uma atração de mesmo título do seu sedutor calhamaço pelo Canal Brasil (66 na NET). Atração, aliás, que também tem por escopo mostrar como, na cama "king size" da MPB, a nossa polirritmia se deita e se acomoda para, numa interação saliente com a letra parceira, desnudar décadas de comportamento amoroso e sexual, numa transa cultural cujo clímax provém da interpretação e do entendimento que tal evasão de privacidade permite, entre os extremos conservador e liberal, da meada dessa evolução.
       Rodrigo Faour, que estudou violão e canto, é filho de uma professora universitária de música, Leila Faour, e primo de Paula Faour - para quem produziu há pouco o mais recente CD da pianista, "A Música de Marcos Valle e Burt Bacharach". Trabalhou no final do século passado, por alguns anos, como repórter e crítico de MPB da "Tribuna da Imprensa" e, já nestes incipientes anos 2000, tem-se dedicado, por exemplo, a reedições fonográficas de valor, resultantes de obstinado garimpo, além de bem-vindas coletâneas em CD que repõem em evidência, nas boas casas do ramo, astros do passado injustamente tratados como bananeiras que já deram cacho pelo descaso cultural e pelo imediatismo rentável da grande mídia e da própria indústria do disco. Ainda na linha de valorização dessa memória, tem ainda no currículo dois outros importantes livros já lançados: "Bastidores - Cauby: 50 Anos da Voz e do Mito", pela Record, em 2001, e "Revista do Rádio - Cultura, Fuxicos e Moral nos Anos Dourados", no ano seguinte, pela Relume Dumará. A série que ora estreia no Canal Brasil, com posteriores reprises de suas entrevistas, acena com atrativos extras bem interessantes ("flyer" acima) e é constituída, nesta primeira temporada, de seis programas, sempre em primeira fruição às quartas e na chamada hora grande. Rodrigo conduz, em suma, na calada da noite, uma atração "da pesada", divertida e reveladora, para ser vista, especialmente, de olhos arregalados e boquiaberto.    

11.1.10

G perde o ponto.


Querida, você sabia que acabam de dizer que o ponto G não existe, que toi tudo invenção do tal do Dr. Ernst Gräfenberg?
- Tô sabendo, li numa revista - ou foi na TV?
- Pois é, esta foi a conclusão de uma pesquisa. Uma psicóloga chamada Andrea Burri jogou o ponto G no lixo, não sei se isso é bom ou ruim. Mas uma coisa tá me perturbando a cachola: você fingiu esse tempo todo, Gisela?
- Fingi o quê, Geraldo?
- Os orgasmos múltiplos... essa coisa toda de que eu te levava ao céu, que você via estrelas, até os anéis de Saturno???!!!
-Peraí Geraldo! Tá certo que em algumas vezes eu não cheguei lá, confesso que simulei um prazer multiplicado, mas, vamos dizer que em 65% das vezes a coisa funcionou e eu me diverti bastante.
- Então quer dizer que nos 35% eu fracassei?
- Calma, meu bem, isso deve ter acontecido com todo mundo. Você não devia pensar assim. O homem não tem obrigação de proporcionar à mulher, digamos tecnicamente, uma multiplicidade de orgasmos. Muitas vezes, um orgasmozinho já dá conta do recado.
- Estou perplexo, fui enganado pela medicina e pela minha mulher. Agora fico diante de um dilema: quando vou ter certeza se estou sendo satisfatório ou não para com sua, digamos, economia libidinal, Gisela?
- Deixe de formalidades, Geraldo, sejamos diretos - é a mesma coisa que aquele negócio de que suco de berinjela com laranja, que alguém disse que tomado em jejum abaixa o colesterol ...pelo menos o fictício ponto G não causa uma úlcera...
- Mas poderia me causar uma estafa. Porque essa procura por esse minúsculo ponto super erótico exigiu muito tempo, esforço e dedicação. E agora descubro que no fundo, causou - no máximo uma "cosquinha"...um exercício teatral ritmado!!!!
- Não seja dramático, Geraldo. Eu confesso que no começo também acreditava no ponto G. Juro que tentei sinceramente me convencer. Fiz esforço para chegar lá, mas num determinado trecho do caminho vi que era um programa de índio - senti que era inútil continuar nessa "pilha". Então, para não desagradar e não causar polêmica, dei uma fingidinha-, e uma vez ou outra, exagerei em alguns momentos de prazer. E olhe que muitas vezes até entrei "numas" e no embalo, realmente cheguei a ver estrelas.
- Quer dizer que sou um zero a esquerda? Que meu desempenho pouco conta na hora do "vamos ver" ?
- Nada disso! Tire isso da sua cabeça! Sua participação foi fundamental no jogo amoroso. Só que você tem que combinar o resultado com o adversário, né... Peraí esta foi mal...Digamos que como a sexualidade feminina é mais complexa, e depende de vários fatores, entre eles uma boa dose de fantasia, um certo relaxamento da mente, uma disposição para o "futebol" y otras cositas más. A gente vai para a cama como se fosse para uma festa e não para um campo de batalha. Os pontos erógenos estão no corpo todo, mas é o cérebro que comanda. A cuca tem que estar legal. É uma coisa lúdica, meu amor, é preciso jogar, sem compromissos com os resultados. Nesse jogo, os dois ganham.
- Acho que vou deprimir, Gisela, eu que achava que era bom de cama. Posso dizer que para mim um paradigma caiu. Meu mundo caiu... Me passa meu remedinho, por favor!
- Que é isso, Geraldo, chega mais aqui, que vou te mostrar o meu ponto G de verdade, e olha que não é ponto de tricô, nem de doce de goiaba, me tem lá seu mel. Vem cá que vou te dar o seu "remedinho",o ponto G de Gisela!
- Não podia ser ponto G de Geraldo, não é mesmo? Porque seria um pontinho, né!?
- Quer saber de uma coisa? Vamos botar um ponto F nesse assunto, um ponto final, meu garanhão!