7.9.10
Gerdal indica: Dom Onofre e seu conjunto, nesta terça, no Lapa na Pressão - o viajado trombone de pista anima a festa e convida para dançar


"...Quem disse que o trombone estava ausente? Aí está Dom Onofre, que não me deixa mentir, mais presente do que nunca. E, quando prepararem o seu baile, não se esqueçam, por favor, de me convidar. Com um som desses, eu também quero dançar." (José Domingos Raffaelli, crítico musical)
Anteontem, à tarde, caminhando pela Rua Marquês de Abrantes, no Flamengo, encontro o amigo Cláudio Matheus (contrabaixista e um dos jurados do desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro), acompanhado do baterista Zezinho Dias, filho do saudoso comediante Oscarito. Desse contato repasso a vocês uma dica interessante, informada pelo próprio Cláudio e dirigida, sobretudo, àqueles que querem dançar, neste feriado de 7 de setembro, ao som de boa música popular e de bons músicos: Dom Onofre (fotos acima, na segunda ao lado do flautista Edgard Gordilho e do pianista Hélio Brandão) anima a festa no Lapa na Pressão (na Av. Mem de Sá, 59/61, pertinho dos Arcos da Lapa), a partir das 19h. O Cláudio também está nessa, participando do conjunto que acompanha o experiente trombonista "de pista"..
Integrando a Tabajara, com a qual tocou por duas temporadas no Cassino de Estoril, em Portugal, afora diversas apresentações em Paris, o também maestro e arranjador Dom Onofre é egresso de outras orquestras importantes, como as de Cipó e de Édson Frederico. A marca do seu sopro, entre outras atrações, fez-se ainda notar, no Rio, em "O Homem de la Mancha" e " Evita", musicais de grande público e destaque na imprensa. Nos "links" abaixo, ao lado ora do jovem Arimateia, ora do veterano Alexis Andrade, ao trompete, Dom Onofre tem ainda a companhia do baterista Alfredo Gomes, do saxofonista Peter O`Neil e dos já falecidos Helvius Vilela, ao piano, e Ênio Santos, ao contrabaixo. Jazzísticos, tocam "Cantaloupe Island", um clássico do pianista Herbie Hancock, e "Strutting with Some Barbecue" por ocasião de show no Centro Cultural Justiça Federal.
***
Pós-escrito: também com o Cláudio Matheus, Dom Onofre se apresenta toda quinta, às 20h, no Quiosque Drink Café Lagoa (quiosque número 5), na Av. Borges de Medeiros, s/n.
http://www.youtube.com/watch?v=rulsg0RWQ3g&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=2jhePcJo02c
6.9.10
Micro teatro : "Tempo"

Um homem e uma mulher olham algo no horizonte - estão de frente para o público, o que quer dizer que o horizonte está além da última fileira de cadeiras do teatro
Homem - vai passar...
Mulher- eu vejo, está passando...
Homem - passa...
Mulher- passou...
Homem- passado.
Mulher- Estou passada!
Homem- Isso passa...
Mulher- Vai passar...
Homem- eu vejo, está passando...
As luzes são repentinamente apagadas
Silêncio
5.9.10
Torcer pelo Palmeiras - que tristeza!

Eu falo aqui do que fico sabendo pelo noticiário, pois não assisto mais aos jogos do Palmeiras enquanto ele não tiver um time. Com Felipão e tudo, soube que o Palestra tomou uma sova no dia do aniversário do Clube de Parque Antártica. A festa estava pronta, torcida animada e o time não corresponde em campo.
Hoje me inteirei de que o time começou ganhando por 2 a O com Marcão em campo. Bastou ele sair para o time tomar de virada do Cruzeiro (que também já foi Palestra Itália antes da segunda Guerra Mundial). Dizem que a culpa não foi do Deola. Pelo jeito vou continuar a não assistir aos jogos para não sofrer um enfarte (ou será infarto de infarctus - como no latim ?). Acho que o Palmeiras tem que montar um time. Não adianta chamar um ou outro jogador de destaque na mídia - precisa construir um time com um padrão de jogo que funcione - que não marque bobeira e que tenha um meio campo criativo e uma boa defesa. Pelo jeito, não temos defesa. Palmeiras hoje é indefensável.
4.9.10
Gerdal indica: Claudio Roditi e Roberto Sion em raro encontro, neste sábado, no Lapinha - "all that jazz" por sopro brasileiro de ar internacional


Especialmente para os jazzófilos residentes no Rio de Janeiro ou que estão aqui a passeio, um grande e raro encontro está marcado para este sábado, 4 de setembro, no Lapinha (Av. Mem de Sá, 82 - sobrado - Lapa - tel.: 2507-3435), a partir das 22h30, entre o carioca Claudio Roditi e o santista Roberto Sion (fotos acima). Um deslumbramento instrumental a soprar excelência na emissão de cada nota, pois ambos são internacionalmente conhecidos e admirados. Integrando nos anos 60 o conjunto de Ed Lincoln, Claudio Roditi está há 40 anos radicado nos EUA, aonde se dirigiu inicialmente para estudar na Berklee School of Music, em Boston, até consolidar carreira de prestígio, caindo nas graças de medalhões do jazz, como Dizzy Gillespie - em 1992, um ano antes da morte deste, Roditi foi um dos sete trompetistas de renome mundial a gravar, no Blue Note, um CD em homenagem a ele, "To Dizzy with Love" - e Paquito D`Rivera, saxofonista e clarinetista cubano com quem tocou amiúde nos albores dos anos 80. Há quatro anos, por iniciativa de um produtor suíço, Jacques Muyal, que veraneava na antiga capital federal e já o conhecia, teve um dos ensaios que aqui fazia com os colegas do Rio Quinteto - o baterista Pascoal Meirelles, o baixista Sérgio Barroso, o saxofonista Idriss Boudrioua e o pianista Dario Galante - transformado em CD ora lançado pela Biscoito Fino, de título "Impressions", certamente um "giant step" na discografia inspirado pelo gênio de John Coltrane.
Roberto Sion, por seu turno, com 14 anos de idade fazia, ao saxofone, o seu primeiro concerto e já se apresentava na Rádio Cacique, na cidade natal, tocando com o violonista Antonio Rago e seu famoso regional. Formou-se, 11 anos depois, em Psicologia pela Unicamp, mas, percebendo em si a música como um clamor indeclinável, também foi para a Berklee, incentivado por outro virtuose, o amigo pianista Nelson Ayres (com quem, aliás, divide um belíssimo elepê gravado em 1983 pelo Estúdio Eldorado, com primorosa regravação do clássico "Conversa de Botequim"), onde estuda arranjo e improvisação e tem contato com grandes mestres, como Lee Konitz, Damiano Cozzella e Joseph Viola. Saxofonista, flautista, clarinetista, compositor, professor e arranjador, Roberto Sion vem desenvolvendo, há mais de dez anos, um trabalho apreciável como coordenador pedagógico da área de música popular da Universidade Livre de Música, na capital paulista, onde mora, além de maestro da Orquestra Tom Jobim, formada por jovens cujas idades vão dos 14 aos 20 anos, a qual se revelou ao público pela primeira vez, em 2001, no Festival de Campos do Jordão, acompanhando a cantora Elza Soares.
***
Pós-escrito: nos "links" abaixo, 1) jazz moderno com Claudio Roditi e o laureado colega cubano Arturo Sandoval; 2) Roberto Sion, ao sax, com a orquestra Tom Jobim; 3) Roberto Sion, novamente ao sax, e Hélio Delmiro tocam o "standard" "A Night in Tunisia" (mais Sidiel Vieira, ao contrabaixo, e Victor Cabral, à bateria); 4) em imagens originalmente feitas em VHS, Roberto Sion e os demais integrantes do referencial Pau-Brasil - entre eles, Nelson Ayres, ao piano, e Paulo Belinatti, à guitarra - tocam "Caminho de Casa", linda composição de Nelson.
http://www.youtube.com/watch?v=d2R6qcZXvIo&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=S5bpV4t1VU0
http://www.youtube.com/watch?v=ln53Ny4F9es&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=NWYph_pFqqg
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3.9.10
Máscaras & Moda na D!versa + Comparsaria no Evento Portas Abertas de Santa Teresa

A exposição estará com as portas abertas na Rua Paschoal Carlos Magno, nº 73 no Largo dos Guimarães (próximo ao bar do Mineiro) em Santa Teresa, do dia 4 a 14 de setembro.
Luiza que faz umas belas máscaras da linha C'est moi! estará presente junto com o trabalho da D!versa e outras marcas do balacobaco de Santa.
Todo mundo lá!
(Clique na imagem para ampliar e ler melhor)
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Portas Abertas de Santa Teresa
Gerdal indica: José Staneck e o Duo Santoro fazem viagem musical pelo Brasil, nesta sexta, em duas bibliotecas públicas do Rio (grátis)

Daqueles músicos "anfíbios", com desenvoltura tanto na pauta erudita quanto na popular, o gaitista carioca José Staneck participa, nesta sexta, 3 de setembro, em dois horários distintos - um matinal e o outro vespertino -, de relevante atração de caráter camerístico que extrai do Brasil atemporal o mote para um passeio musicado ("flyer" acima). Juntamente com os gêmeos violoncelistas Paulo e Ricardo Santoro - do Duo Santoro -, filhos de Sandrino Santoro, uma autoridade em contrabaixo no país, José Staneck, que foi aluno de Maurício Einhorn, estará em duas bibliotecas distantes entre si no Rio de Janeiro dando consequência natural a uma carreira em que já se apresentou como solista em diversas orquestras; participou de trilhas cinematográficas de valor, como a de "Os Desafinados", filme de Walter Lima Jr.; foi diretor, por muitos anos, da Musiarte - Curso Integrado de Música; e, com Sheila Zagury, ao piano, e Ricardo Santoro, forma o Harmonitango, dedicado a outro passeio inspirado: pela obra de Astor Piazzolla, com influência do jazz e da música de concerto. Entrada franca.
***
Pós-escrito: nos "links" abaixo, 1) José Staneck toca peça clássica com formação orquestral; 2) toca "Ponteio", de Edu Lobo e Capinam, pelo Bluesmenau; 3) toca "Mourão", de Guerra-Peixe, com os canadenses da orquestra de câmara I Musici; 4) "Lua Branca", valsa de Chiquinha Gonzaga, pelo Duo Santoro.
http://www.youtube.com/watch?v=ZIHF5-sRiQ0&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Cvz9JFk5FJo
http://il.youtube.com/watch?v=iARJfNqfTME&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=C1UK46iK_Nw
NR: Clique no flyer acima para ampliar e ler melhor
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Micro Teatro : "Dor"

Uma mulher e um homem no palco - luz sobre eles, o resto é penumbra
Mulher -(Está deitada, com o corpo encolhido em posição fetal com a frente do corpo virada para a platéia . Ela demonstra sentir dor) (Murmura uns ais e fala com dor: - Como chegamos até aqui
Homem - Pagando micos, ora!
Mulher- Eu cheguei com muita dor...Ai ....(ela se contorce)
Homem- Sim, com muita dor... (ele parece não se importar com a dor dela)
Mulher- Faça alguma coisa, estou sofrendo/ Grita: Aíiiiiiiiii!!!!! (aperta o ventre)
Homem- A dor faz parte do viver. Parirás com dor já disse alguém (aponta para cima)
Mulher- Você não sente a minha dor, é incapaz de senti-la - (continua a gritar e se contorcer)
Homem-( se dirige ao diretor na platéia) Olhe, não quero dar pitaco nessa peça, mas se ela continuar com essa pantomina o público vai desistir do espetáculo. É muito ruim ficar assistindo dor dos outros
Diretor- Experimente ajudá-la!
Mulher- Sim, sim, não fique aí teorizando sobre a dor, me ajude que eu não estou aguentando...Aiiiii! (Continua a se contorcer e apertar o ventre)
Homem- Vamos por partes: Dói aonde?
Mulher- Meu ventre, parece que vai se romper, sinto agulhadas ---- Meu Deus, acho que vou desmaiar, que dor!!!!!
Homem- A senhora comeu alguma coisa estragada?
Mulher- Não sei, não sei, me ajude...
Homem- (Enfim tocando a testa da mulher) A senhora está suada, e seu corpo parece frio, que estranho!
Mulher- (sempre falando com a fala atravessada pela dor) : Isso me anima muito, o senhor é muito gentil...Que dor do cão!....
Homem- A senhora por acaso está com alguma doença grave, um câncer, por exemplo?
Mulher- Como se atreve a me perguntar uma coisa dessas? Estou com dor, só isso....(continua a se contorcer e gemer)
Homem- Confesso que estou incomodado com seu estado, minha senhora, mas sinto que nada posso fazer diante de seu caso. Acho que devo procurar ajuda...Quem sabe encontro um médico!?
Mulher- Não, não me deixe só...por pior que seja sua companhia....AAiiiii!!!!! Maldita dor, por que não passa? .....
Homem- Se eu fizesse uma massagem no seu ventre?
Mulher- Não, não me toque, dói demais! Aiiiii.....
Homem- Estou começando a ficar desesperado, não sei como ajudá-la, sinto muito...
Mulher- Segure a minha mão.
Homem- Só isso?
Mulher- Sim...sim...(seus gemindos vão diminuindo - ela parece se acalmar)
Homem- Vai passar, vai passar...
Mulher ( depois de algum tempo - se levanta) Passou, a dor passou!!!!
Homem- (Enquanto ela exulta, ele cai de joelhos e depois se deita, e começa a gemer, apertando o ventre)
-Aiii, que dor!!!! A senhora me contaminou!!! Faça alguma coisa, estou sofrendo! (Grita: Aíiiiiiiiii!!!!! (aperta o ventre)
Mulher- A dor faz parte do viver...A mim coube parir com dor...
Homem- Você não sente a minha dor, é incapaz de senti-la - (continua a gritar e se contorcer)
Mulher- Agora o senhor está me copiando! ( se dirige ao diretor na platéia) Olhe, não quero dar pitaco nessa peça, mas se ele continuar com essa pantomina o público vai desistir do espetáculo. É muito ruim ficar assistindo dor dos outros
Diretor- Você tem razão. Como é difícil assistir a dor dos outros, mesmo não sentindo a dor que eles sentem...A dor dos outros incomoda...
Homem- Não fiquem aí teorizando sobre a dor, me ajudem que eu não estou aguentando...Aiiiii! (Continua a se contorcer e apertar o ventre)
Mulher e Diretor- Sentimos muito, somos solidários com sua dor...Poderíamos ficar aqui citando lugares comuns, falas estereotipadas para mostrar o quanto nos importamos com você , mas combinamos de jantar esta noite - você sabe como é , tome um analgésico, faça ioga, procure respirar...isso passa!
(Fecha o pano)
2.9.10
Gerdal indica: Saxofone, por que ris? - Nailor Proveta reverencia o instrumento em CD lançado nesta quinta em show gratuito no BNDES


Natural de Leme (SP), Nailor Azevedo (foto acima) tinha 17 anos quando, por ser o mais jovem integrante da orquestra de baile de Sylvio Mazzucca, recebeu o apelido de Proveta - coincidentemente, chegou a Sampa por ocasião do primeiro bebê assim surgido no nosso planeta. Aplicado, estudioso, perfeccionista, Nailor trazia consigo sólida educação musical simbolizada pelo coreto da cidade natal (inspirador do penúltimo CD, "Tocando para o Interior", do selo Núcleo Contemporâneo), no qual, ainda menino, filho e neto de instrumentistas, tocava clarinete como integrante de banda. Soprista bastante requisitado para estúdio e show por diferentes artistas, além de referência na atualidade instrumental do país, é ao saxofone - alternando tenor, alto e soprano - que presta a sua homenagem no novo CD, da Acari Records, em produção conjunta e caprichada com os violonistas Maurício Carrilho e Paulo Aragão. "Brasileiro Saxofone" é a grande atração deste 2 de setembro, pelo Quintas no BNDES, no auditório dessa instituição, a partir das 18h ("flyer" acima), quando o idealizador, líder e arranjador da Banda Mantiqueira certamente viverá momento memorável ao lado de outros músicos talentosos e de elevado preparo, como os já citados. Entrada franca
***
Pós-escrito: nos "links" abaixo, 1) muito bem acompanhado, Proveta toca "Cochichando", de Pixinguinha; 2) em Floripa, no palco, toca com um destacado bandolinista local, Geraldo Vargas; 3) ainda em Floripa, ao ar livre, além do mesmo Geraldo, tem a companhia de outros músicos catarinenses. Participação especial de Yamandu Costa.
http://www.youtube.com/watch?v=UjC090bFDbA&feature=related
http://il.youtube.com/watch?v=YWOBLiqxNNo&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=sEkDFgIQ8kU&NR=1
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1.9.10
Rui em dois shows no mesmo dia


Meu amigo Rui de Carvalho está demais, junto com Samba na Cabeça e Zé Arnaldo Guima se apresenta de dia na PUC- Anfiteatro Junito Brandão e de noite no Petit Paulette que fica próximo à Praça da Bandeira.
(Cliquem no primeiro e no segundo flyer para ampiar e ler melhor)
31.8.10
Gerdal indica: Villa-Lobos in Jazz lança elogiado DVD, nesta terça, no Centro - o legado nacionalista do maestro em surpreendente expressão

"Você é, sem dúvida, o Denzil Best brasileiro": desse modo, encantado e tomado de agradável surpresa, o veterano José Domingos Raffaelli referiu-se ao baterista Otávio Garcia após ouvir o DVD do Villa-Lobos in Jazz, de que este participa. A honrosa alusão do respeitado crítico musical ao finado baterista norte-americano do bebop é, na verdade, apenas parte de um elogio dirigido a todos do conjunto - ainda fortalecido pelo talento do guitarrista Felipe Poli, do contrabaixista Ozias Gonçalves (ex-colega de Otávio e do violonista Zé Neto em outro conjunto, o Descendo a Rua) e do gaúcho Fernando Corona, ao piano -, com "interpretações ótimas e interação notável". Pelo importante e duradouro Música no Museu - projeto com patrocínio de várias empresas, em vários estados -, o Villa-Lobos in Jazz, após shows recentes de lançamento do referido DVD em Aracaju e Maceió, apresenta-se nesta terça-feira, 31 de agosto, às 18h, no Centro Cultural da Justiça Federal ("flyer" acima), e, motivado por fundamentos esquecidos da nossa formação musical, como as cantigas de roda, leva para a fruição do público, com a liberdade do improviso e a sedução do balanço, todo um universo de elementos eruditos e populares que notabilizou a obra de Villa-Lobos, nutrida, especialmente, dessa informação de base do folclore nacional recolhida pelo nosso maestro número um em diversas andanças pelo país. Isso, no primeiro dos "links" abaixo, é manifesto pelo amigo Otávio, em entrevista para a Globonews, ao passo que, nos "links" seguintes, podem-se ouvir "As Bachianas", "Samba-lelê" e, como um samba suingado, a "Ária da Quarta Corda", de Bach. Papa fina com entrada franca.
***
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1292092-7823-VILLA+LOBOS+IN+JAZZ+RESGATA+CANTIGAS+DA+INFANCIA+QUE+INFLUENCIARAM+O+MAESTRO,00.html
http://www.youtube.com/watch?v=3FmQnvk_WaQ
http://www.youtube.com/watch?v=dazGMmYd2Ds
http://www.youtube.com/watch?v=OKSAG3wpfnY
30.8.10
Programe-se: Lançamento de O Moderno em revistas na Folha Seca

Parece que o dia 31 de agosto foi reservado pelas histórias do jornalismo. É que nesse mesmo dia, a partir das 18,30 horas será lançado na Livraria Folha Seca, o livro O Moderno em revistas, publicado pela Editora Garamond.A obra foi organizada por Cláudia Oliveira, Monica Pimenta Velloso e Vera Lins.
A livraria Folha Seca fica na Rua do Ouvidor, nº37 - Centro
(clique na imagem para ampliar e ler melhor)
Programe-se: Lançamento de Memórias de um Secretário- Pautas e Fontes

O ansiado lançamento do livro de Alfredo Herkenhoff vai ser amanhã - dia 31 de agosto. O título é Memórias de um Secretário - Pautas e Fontes e conta histórias do Jornal do Brasil.
O livro de Herkenhoff tem 430 páginas e será lançado a partir das 18 horas no restaurante anexo ao Capela (que é um um dos locais históricos prediletos de jornalistas, que lá entre um bom prato e outro, discutem suas reportagens, fotos, pautas, ilustrações, charges, o destino do jornalismo e do país) O restaurante fica na Avenida Mem de Sá , nº 98 na Lapa.
Todos lá!
Poema de um Zé Iluminado

Faz pouco tempo ouvi na Rádio BandNews pela voz de Juca de Oliveira, um poema muito engraçado e "dissonante" cujo título era "Ai Se Sêsse. Confesso que o nome do autor eu não consegui ouvir direito. Mas procurei na Santa Internet e descobri que é da autoria de Zé da Luz (retrato aí do lado), um paraibano inspiradíssimo, cujo nome na verdade é Severino de Andrade Silva, nascido em Itabaina em 1904 e falecido em 1965.
Descobri também que esse poema foi lido ou cantado por Lirinha do Cordel do Fogo Encantado. Diz a lenda que Zé da Luz compôs esse poema para provocar aqueles que, contra a cultura popular, defendiam o uso do português-de-salão para expressar o que vai dentro do coração do poeta.
Lá vai ele então: (só tem graça ser for lido em voz alta, por favor)
Ai Se Sêsse
Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse
29.8.10
28.8.10
Ferreira Gullar em alguma parte

Recebi pelo correio o convite acima que veio dentro de um envelope branco com endereço escrito à mão com uma bonita letra. No lugar do remetente um selo da Editora José Olympio, que é uma das editoras que mais curto.
É que o nosso maior poeta vivo, o grande Ferreira Gullar vai lançar um livro - Em alguma parte alguma,
O evento vai rolar no dia primeiro de setembro depois das 19 horas na Livraria Travessa - Shopping Leblon na Avenidaa Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A
(Clique no convite acima para ver melhor)
Todos lá!
27.8.10
Gerdal indica: Paula Faour apresenta seu novo CD, nesta sexta, no Espaço Rio Carioca - ela conhece o caminho da delicadeza musical

"Do You Know the Way to San Jose?" e "Samba de Verão" numa única faixa, espelho das demais, sem que se ouça, como num "pot-pourri", primeiro uma canção e depois a outra, mas, sim, uma combinação das duas que parece resultar numa terceira composição, um híbrido de sabor renovado: mais ou menos assim e com muita competência e delicadeza, a pianista e arranjadora Paula Faour, revelação do piano jazzístico carioca, empreende um belo passeio musical pela afinidade melódico-harmônica entre os homenageados, o também carioca Marcos Valle e o norte-americano Burt Bacharach. Um disco envolvente do princípio ao fim, em que o toque suave e elegante de Paula, de certo modo, dá continuidade ao CD anterior, "Cool Bossa Struttin`" - de 2003 e produzido por Arnaldo DeSouteiro -, que a projetou, de início, no mercado japonês do disco antes do lançamento nacional.
Irmã da atriz e autora teatral Carla Faour e prima de Rodrigo Faour, destacado jornalista e pesquisador de MPB, Paula Faour apresenta-se nesta sexta, 27 de agosto, a partir das 20h30, no Espaço Rio Carioca ("flyer" acima), em Laranjeiras, mostrando outras gemas dos compositores citados, como "Seu Encanto", "What The World Needs Now Is Love", "Preciso Aprender a Ser Só" e "Promises, Promises", de acordo com essa concepção avançada de arranjo em que eles, pelas fusões adotadas, parecem tornar-se um só ou até mesmo não ser mais nenhum dos dois, sem que a obra de ambos se descaracterize. Pelo contrário. Paula, também professora de piano formada pela Escola Nacional de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sabe o que faz e, com dedos sedosos ao teclado, percorre o caminho - o seu caminho - que leva o ouvinte a um lugar de beleza e bem-estar instrumental.
***
Pós-escrito: nos "links" abaixo, 1) Paula Faour toca "Piano ao Entardecer", música feita para ela por Sivuca (que ela, como pianista, acompanhou por alguns anos em muitos shows); 2) juntamente com Carlos Malta (flauta), Jessé Sadoc (trompete), Sérgio Barroso (contrabaixo) e César Machado (bateria) executa o Burt Bacharach e o Marcos Valle inicialmente lembrados no texto acima; 3) com os seus colegas do Quinteto Sivuca e mais Nicolas Krassik, violinista francês radicado no Rio, em participação especial, apresenta "Nilopolitano", de Dominguinhos.
http://www.youtube.com/watch?v=PbYOPNVIyIs
http://www.youtube.com/watch?v=RCIPSCuVPnc&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=tuSvJ-TFRpg&feature=related
http://www.myspace.com/paulafaour
Micro Teatro: Sexo

Uma mulher e um homem no palco - luz sobre eles, o resto é penumbra
Mulher - Como chegamos até aqui?
Homem - Pagando impostos, ora! Pelo menos é o que me parece.
Mulher- (Senta numa cadeira e liga um aparelho de TV) .
(Uma luz sai do aparelho, mas nenhum som).
Homem- Sabe que eu também gosto de ver, sou louco por imagens. Gostaria de ver seu sexo!
Mulher- ( levanta da cadeira onde havia se sentado)- Não costumo exibir minha genitália assim sem mais nem menos - nem que me pagassem.
Homem- Nem que pagassem bem? Sua noção de moral por acaso não tem um preço? Um precinho?
Mulher- Não tem preço. Não está à venda. Que gosto teria o senhor em examinar meu sexo? Isso o excita?
Homem- Sim, me excito. A visão do seu sexo me daria um imenso prazer.
Mulher- Quer dizer que o senhor se satisfaz só em olhar?
Homem- Não, gosto de tocar também, gosto de cheirar, de beijar...de...
Mulher- Não precisa continuar eu compreendo o quer chegar.
Homem- A senhora não tem desejos?
Mulher- Tenho, mas gosto da atmosfera romântica, tenho prazer no clima da sedução , tenho fantasias e depois têm que ter simpatia também, sem falar na paixão pelo homem que vai ver meu sexo e me tocar...
Homem- É essa nossa diferença, eu sou objetivo e a senhora subjetiva., cheia de intermediações entre o desejo e o ato...Assim como as outras mulheres e os outros homens,,,nos encontramos em momentos que não conseguimos explicar, nos enganamos quando pensamos que nos amamos... Os homens penetram as mulheres que se deixam penetrar numa atmosfera que os leva a tentar se fundir e o gozo é um momento tão fugaz...Isso tudo é muito estranho...Nem sei como a espécie conseguiu se reproduzir?
Mulher- É na tentativa de superar esse estranhamento que surge algo que nenhum de nós está preparado para enfrentar.
Homem- O que, o amor? O que a leva a pensar que é o amor que surgirá de fato de eu a desejar? Do fato de eu a possuir? Ou melhor, o que a faz supor que o amor é que me faz escolher você?
Mulher- É uma aposta. Se isso de fato existisse. Ás vezes penso que o estranhamento está em nós, conosco mesmo. Nós não nos entendemos nesse mundo.
Homem- O que a leva a pensar assim?
Mulher- Foi uma coisa que veio à minha cabeça. Uma imagem, uma pose. Existem autores que gostam de climas assim, e creio que o autor desse texto tem essa filiação...
Homem- Quer dizer que ele acha o mundo um lugar estranho onde estranhos os seres que o habitam tentam tornar mais estranho ainda?
Mulher- Isso, dizem que faz o maior sucesso. Dizer as coisas pela metade. É arte autoral, além do moderno, é uma sacada de que somos seres solitários e únicos. Somos aparentemente da mesma espécie, mas não nos entenderemos nunca, temos um mistério que nunca revelamos e não entendemos. Não entendemos o que estamos fazendo aqui neste mundo...essas coisas.
Homem- Entendo! Quer dizer não entendo!... Uma vez uma mulher me revelou que aquele homem com o qual ela estava casada há 15 anos se transformara num ser totalmente estranho para ela. Que paradoxo! Quanto mais ela o conheceu, mais o estranhou...estava vivendo o fim da relação...
Mulher- E o senhor, o que disse?
Homem- Nada, fiquei com pena dele. E dela também...
Mulher- Viu? É isso, é esse sentimento de estranhamento que o autor quer trazer para o primeiro plano!
Homem- Continuo gostando de imagens. Quanto custa a visão do seu sexo?
Mulher- Já disse que não mostrarei nada. Pense bem, é uma idéia muito mais excitante o senhor imaginar meu sexo. Use sua imaginação!
Homem- A senhora quer dizer que a imagem engana?
Mulher- Por algum tempo. Ela seduz a princípio, mas depois se dilui no meio de milhares de outras imagens e ...o que importa são os sentimentos, algo que supera o fato brutalmente material...
Homem- Quer ver o meu sexo?
Mulher- Prefiro ver televisão...
(caminha até um ponto onde está uma TV e liga o aparelho. A mulher se contorce como se estivesse tendo um orgasmo)
Homem- A senhora me surpeendeu e me humilhou, fui trocado por um aparelho de TV.
Mulher- Chega dessa pantomina. Quem vai fazer o supermercado esta semana?
Homem- Eu é que não sou! Fiz a semana passada?
Mulher- Então vou ter que mudar a hora da manicure. Não quero estragar minhas unhas.
Homem- Estou com fome...
Mulher- O jantar está na geladeira, esquente no microondas...
Homem- E você, não vai comer nada?
Mulher- Não, preciso emagrecer. Talvez tome um suco...
(Fecha o pano - na platéia ouvem-se vaias)
26.8.10
25.8.10
Programe-se: Rubem Grilo e sua arte na Bahia

Um dos maiores artistas brasileiros contemporâneos expõe seu trabalho de xilogravura intitulado "Rubem Grilo Xilo Gráfico 1985 - 2010" na Caixa Cultural Salvador - Rua Carlos Gomes, 57 - Centro.
A visitação começa no dia 3 de setembro e vai até 10 de outubro - horários de Terça a Domingo , das 9 às 18 horas, com entrada franca.
É uma rara oportunidade do soteropolitano ver de perto essa obra impressionante e talvez conversar com seu autor, gente da melhor qualidade.
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xilogravura
Homenagem do Gerdal: Dóris Monteiro - bossa com charme em dó, em ré-mi-fá, em sol-lá-si



"Roubou meu bem/fiz o bobão/roubou meu bem com seu orgulho tão fugaz/ficou com ele/rolou com ele/acreditando que estava me passando para trás/vejam vocês, eu tinha tudo pra morrer de humilhação/mas esperei porque, no fim, vence quem tem mais condição..."
Não fosse a sorte de estourar, em 1951, no seu primeiro 78 rpm, com a gravação do samba-canção "Se Você Se Importasse", de Peterpan (cunhado de Emilinha Borba), a carreira de Dóris Monteiro (fotos acima, numa delas com Alaíde Costa) teria sido abortada por uma crítica de Sílvio Túlio Cardoso em sua conceituada e influente página no jornal "O Globo". Não levando fé naquela voz miúda, embora sempre bem colocada, da cantora, ele recomendou que ela, então com 17 anos, prosseguisse seus estudos no Pedro II e tentasse a sorte na vida em outra atividade. Curiosamente, nas voltas que o mundo dá, o mesmo Túlio, quatro anos depois, retratando-se do seu erro de avaliação, deu a Dóris, em cerimônia no Teatro Municipal, uma medalha de ouro por "Eu e o Meu Coração", de A. Botelho e Inaldo Vilharim, uma composição tida como moderna para a época. Era, então, um período em que ela, como observa o jornalista e pesquisador Rodrigo Faour, já operava uma transformação na sua relação profissional com a música, vivendo ao microfone a transição do samba-canção para a bossa nova, da qual também é considerada por muitos precursora pelo jogadinho da interpretação, no que, aliás, teve no seu amigo Billy Blanco - autor de um de seus cartões de visita, "Mocinho Bonito", de 1956 - um grande incentivador.
Em 1955, lançou em outro relevante 78 rpm um incipiente Antonio Carlos Jobim em parceria com Dolores Duran, "Se É por Falta de Adeus", disco que, no entanto, frequentaria por meses a parada de sucessos da ocasião pelo lado oposto, o da gravação do samba-canção "Dó-Ré-Mi", com arranjo de Jobim e composto por um amigo notívago, fabricante de sabonete, Fernando César, a cuja inspiração ela dedicaria todo um dez-polegadas, "Confidências", de 1956, em que também se destacou a valsa "Cigarro sem Batom". Caso a tivesse conhecido antes das suas linhas desfavoráveis a Dóris, Sílvio Túlio Cardoso poderia ter-se fiado no faro artístico da dona Jurema, que, clarividente, ao ouvir, no apartamento ao lado do seu, a então adolescente cantar "Caminhemos", de Herivelto Martins, aconselhou a faxineira que fazia a limpeza no referido imóvel - e mãe da mocinha - a inscrevê-la no "Papel Carbono", histórico programa de calouros de Renato Murce na Rádio Nacional. De família humilde e conservadora, mas dobrando, sobretudo, a resistência do pai - porteiro desse mesmo prédio da Rua Carvalho de Mendonça, em Copacabana, onde moravam -, Dóris, à custa do talento, "foi, cantou e venceu", imitando a popular cantora francesa Lucienne Delyle (então em evidência com "Boléro") e abrindo para si a sonhada porta da fama no meio radiofônico, ajudada, inicialmente, pelo cantor Orlando Correia, que a levou para rápida passagem pela emissora Guanabara, e, mais adiante, após muito "infernizado" por ela, pelo também saudoso Alcides Gerardi (intérprete do samba de sucesso "Tem Bobo pra Tudo"). O gaúcho Alcides morava nas proximidades do prédio de Dóris e, como contratado da Rádio Tupi, a segunda em audiência, indicou-a para um teste na emissora (onde ficou por oito anos), ela que, ainda menor de idade, com alvará do Juizado e acompanhada da mãe extremosa e sempre atenta às "tentações do inconveniente" - "uma longa trança de um lado, a mãe do outro", diziam -, iniciou-se na noite carioca como "crooner" da boate do Copacabana Palace.
"Eu vou de cara/mas também vou de coroa/de pilantra e de poeta/traço a reta que me leva à vida boa..." Assim, gravando, por exemplo, Alberto Land ("De Pilantra e de Poeta"), João Donato e João Mello ("Sambou, Sambou"), Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho ("Mudando de Conversa"), Carlos Imperial e Angelo Antônio ("Garota do Pasquim", em homenagem a Leila Diniz), Sílvio César ("O Que Eu Gosto de Você"), Sídney Miller ("Alô, Fevereiro") e Luiz Reis e Haroldo Barbosa ("Fiz o Bobão", dos versos em epígrafe), Dóris Monteiro consolidou um estilo de interpretação - reforçado por quatro elepês em duo com Miltinho, na Odeon, entre 1970 e 1973 - em que ouvi-la significava deliciar-se com o seu charme e a graça personalíssima do seu balanço. Teve, ainda em 1953, atuação elogiada e premiada como atriz no cinema em "Agulha no Palheiro", de Alex Viany, cantando a música-tema feita pelo pianista César Cruz (pai de Cláudio Cruz, presidente do bloco Embaixadores da Folia) e pelo letrista Vargas Júnior, ao qual se seguiriam outros sete longas nacionais - como "Rua sem Sol", em 1954, do mesmo Alex Viany; "De Vento em Popa", em 1957, de Carlos Manga, e "Tudo É Música", de Luiz de Barros, no mesmo ano.
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Pós-escrito: nos "links" abaixo, 1) Dóris, em cena do filme "A Carrocinha", de 1955, estrelado por Mazzaropi, canta "Céu sem Luar", do maestro Henrique Simonetti, com letra do ator e jornalista Randal Juliano; 2) em imagens do "Canal Memória", também entrevistada pela artista plástica Pinky Wainer (filha de Danuza Leão e Samuel Wainer), canta "Mocinho Bonito", "Dó-Ré-Mi" e "Palhaçada", esta de Luiz Reis e Haroldo Barbosa; 3) canta "É Isso Aí", de Sidney Miller"; 4) dá o seu recado gracioso em "Comunicação", do carioca versátil Hélio Matheus e Edinho, um sucesso de Vanusa, paulista de Cruzeiro, que defendeu a composição em prestigiado festival de música popular de 1969.
http://www.youtube.com/watch?v=5maoXBfEMXw
http://www.youtube.com/watch?v=1RqsdkOT03Y&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=BM-zJxgJU20&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=90RVaYFo5Zo&feature=related
O Som de Noel Rosa dia 26 de agosto na Casa Rosa -(Grátis)
24.8.10
Gerdal Indica: Nonato Buzar, entre amigos, faz show comemorativo, nesta terça, em Copacabana - o carango dos anos dá mais uma volta pela vida


Copacabana veste azul, ou, pelo menos, o Lido, com a presença de Nonato Buzar (foto acima) nesta terça-feira, 24 de agosto, a partir das 21h, no bar do Hotel Ouro Verde (flyer" acima), situado nessa parte do bairro, onde o cantor, compositor e violonista sopra velas por um novo ano de vida em show comemorativo aberto ao público interessado. "Vesti Azul" é hit que remete ao final da década de 60 e, em particular, ao "samba jovem" (com andamento diferenciado, inserção de guitarras elétricas nos arranjos, marcação de palmas e inspirado especialmente em gravações de Chriz Montez sob a batuta de Herb Alpert, do Tijuana Brass) bolado por um sempre "de olho no lance" Carlos Imperial, o que pouco depois foi renominado de pilantragem, pois essa era uma gíria que andava de boca em boca no círculo formado por este e pelos demais envolvidos por essa onda musical, entre eles os arranjadores César Camargo Mariano e Orlando Silveira. Na parceria com o capixaba Imperial, o maranhense Nonato Buzar - ambos, no entanto, sustentando a leveza notívaga do ser carioca - cometeria outro hit, "Carango", em que, mais uma vez, a voz de Wilson Simonal, também presente no "kick-off" do movimento, seria marcante e definidora desse momento musical paralelo à Tropicália. Na Polydor, em rumo fonográfico diverso ao tomado pelo controvertido parceiro - que gravaria dois elepês do gênero pela Odeon e RCA, num deles com a gozação da "pilantrália" -, Nonato produziria elepê com a Turma da Pilantragem - incluindo participação de excelentes instrumentistas, como Antonio Adolfo (piano e arranjo instrumental), Severino Filho (arranjo vocal), Juarez Araújo, Bijou e Ion Muniz (saxes), Durval Ferreira (violão), Marcio Montarroyos (pistom), Sérgio Barroso (baixo) e Raul de Souza (trombone) - e se destacaria, no limiar dos anos 70, pelo sucesso contínuo em trilhas de novelas da TV Globo, como "Verão Vermelho", "O Homem Que Deve Morrer" (com Torquato Neto) e "Irmãos Coragem" - esta com letra feita, de madrugada, em casa de Nonato, para melodia dele já pronta, por um sonolento Paulinho Tapajós, música que horas depois, ainda pela manhã, passaria pelo crivo de Boni, então o todo-poderoso da programação da emissora, para se tornar a abertura dos capítulos. Detalhe: letra feita na base da adivinhação, pois Nonato, que fizera Paulinho sair de casa à uma da manhã para ir à casa dele (chegando ás duas), com essa finalidade, dormia, e seu parceiro não tinha nenhuma informação de sinopse, apenas o título da novela - e o que este sugeria..
No mês passado, Nonato Buzar revisitou a Itapecuru-Mirim natal e declarou a uma FM local que pretende voltar a morar lá, onde ainda tem vários amigos. Desejoso de ver "acontecer" a música do seu estado em larga escala no país, ressaltando nomes como César Nascimento, Carlinhos Veloz, Josias Sobrinho, César Teixeira e Nosly (parceiro constante), disse que a pureza itapecuruense aliada à beleza carioca e à nobreza parisiense (viveu na capital francesa entre 1972 e 1976, gravando em 1975 o elepê "Via Paris") resultariam para ele, nesse amálgama, na melhor cidade do mundo. Ao Rio de Janeiro, por exemplo, dedicou, com letra de Chico Anísio, um magnífico samba de motivação retrô, "Rio Antigo", que, certamente, não ficará de fora das músicas do aniversariante que serão lembradas logo mais, em show a que comparecerão, entre outros, velhos amigos desse Raimundo bem rimado no vasto mundo da MPB, como Roberto Menescal, Danilo Caymmi, Carlinhos Vergueiro, Paulo Silvino (com quem Nonato divide seu primeiro registro em disco, de título algo irônico, "Guerra à Bossa") e o já lembrado Paulinho Tapajós, irmão de Dorinha Tapajós, uma das vozes do coro da Turma da Pilantragem e cedo desaparecida.
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Pós-escrito: Nonato Buzar nasceu em 26 de agosto de 1932 e, no primeiro "link", canta, no palco do Teatro Artur Azevedo, em São Luís, "Voz da América", canção feita com Tibério Gaspar; no segundo e no terceiro "links", "Rio Antigo", por, respectivamente, Alcione e Nanne Reis; no quarto "link", como curiosidade, um sucesso de mesmo título, "Rio Antigo", maxixe composto por Altamiro Carrilho, apresentado no clipe pelo sobrinho Maurício Carrilho e tocado pelo pai deste, Álvaro Carrilho (flauta), Zé da Velha (trombone), Silvério Pontes (trompete) e Valdir Silva (cavaquinho); no quinto e no sexto "links", Simonal canta "Vesti Azul" e "Carango"; por último, de Nonato e Paulo Sérgio Valle, "Dez pras Seis", tema feito para a novela "Minha Doce Namorada", levada ao ar em 1971 pela TV Globo.
http://www.youtube.com/watch?v=HGZ3tAd1Q7c&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=L7FTKZyCkVM&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=X7wbRIb2sGE&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=xzxW9mKEqcM
http://www.youtube.com/watch?v=x-ERg-LljA4
http://www.youtube.com/watch?v=y7IQ_ltKjmk
http://www.youtube.com/watch?v=LiXRHQzPFFM
Camisa Preta na Lapa é com o Nani e o Guidacci

Os lendários artistas do traço Nani e Guidacci lançam o álbum Camisa Preta, no dia 25 de agosto, das 19 às 22 horas, no Espaço Lapa Café - avenida Gomes Freire, 453/457 na Lapa
A história é do Nani e o desenho é do Guidacci- Trata-se também do álbum de estreia da Ygarapé no territórios dos adultos.
(mais esclarecimentos veja o flyer acima - clique nele para ampliar e ler melhor)
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Gerdal indica: Marcos Ozzellin e seu primeiro CD - o menos que é mais em receita alternativa de boa expressão do samba

Reencaminho, abaixo, a palavra abalizada do niteroiense Aquiles Rique Reis em sua apreciação do CD de estreia desta grata revelação de intérprete que é Marcos Ozzellin (foto acima). Também tenho o disco e o recomendo. O texto do experiente componente do MPB4 foi publicado no último domingo, como de hábito, em sua coluna nos seguintes jornais: "Diário do Comércio" (SP), "Meio Norte" (Teresina), "Jornal de Cidade" (Poços de Caldas), "A Gazeta" (Cuiabá) e "Brazilian Voice" (periódico destinado a brasileiros residentes em toda a Costa Oeste dos EUA).
Nos "links" seguintes, vemos Marcos cantando "Vatapá", de Caymmi, e "Canto de Ossanha", de Baden e Vinicius.
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http://www.youtube.com/watch?v=ZA7UePCS84k
http://www.youtube.com/watch?v=HBQ-ysq2kTI&feature=related
http://www.myspace.com/cantormarcosozzellin
Receita para ouvir samba
Samba bom tem de ter ritmistas que criem alvoroço e façam a cabrocha gastar a sola da sandália; tem de ter surdo de marcação, caixa e repinique; tem de ter cavaco, banjo e violão de sete. Certo? Sim, mas não obrigatoriamente.
Quer confirmar isso? Ouça o CD O samba transcendental de Marcos Ozzellin (selo JSR). Minimalismo: lá estão presentes em todas as catorze faixas uma percussão leve, um violão seguro e a voz afinada do intérprete. Não há mágicas nos arranjos nem seduções dançantes. Há, sim, um apelo à audição de melodias e de letras que marcaram o repertório do samba brasileiro.
Com produção e arranjos de Arnaldo Souteiro, a seleção permite a Marcos Ozzellin demonstrar ser um bom sambista. Paulista de São Bernardo do Campo, ele despontou mesmo foi na nova Lapa Carioca, reduto do pessoal que ama o samba, desde o mais tradicional até o que é composto por novos compositores que por ali brotam cheios de qualidade.
Tudo começa com “Sambou, Sambou” (João Donato e João Mello), uma bela sacada, pois este bom samba andava meio esquecido. O violão suingado de Geraldo Martins e o tamborim de Wilson Chaplin (que parece ser tocado com o dedo, tão leve é sua baqueta) se encarregam de valorizar a melodia e os versos. E a voz agradável de Marcos se sai muito bem. Suas divisões equivalem a uma chave que lhe abre as portas do mundo dos grandes do samba.
Para tocar “Treze de Ouro”, o bem-humorado samba de Herivelto Martins e Marino Pinto, o violão agora está nas mãos de Rodrigo Lima e a percussão continua com a categoria de Wilson Chaplin. A letra, cheia de gracejos da melhor qualidade, serve para o cantor bem dividir os versos e comprovar sua boa dicção.
E vem um clássico de Dorival Caymmi, “O Dengo Que a Nega Tem”. Rodrigo continua ao violão e Chaplin na percussão. O canto de Ozzellin sai fácil, bom de ouvir. Só que, ao alterar uma nota da melodia do refrão (“É dengo, é dengo, é dengo, meu bem/ É dengo o que a nega tem”), ele tira um pouco do sabor da obra do mestre. Não fica claro se tal mudança resulta de desatenção ou é, digamos, uma “licença melódica”.
“Deixa” tem o surdo tocado por Souteiro acrescido à percussão. Começa lento, só com o violão dedilhado. Marcos canta suavemente, até que há uma modulação e o ritmo acelera, o que dá ainda mais nuança a esse que é um dos mais belos sambas da dupla Baden e Vinícius.
Ithamara Koorax participa de “Bocochê”, outro grande samba de Baden e Vinícius. O desenho do violão tocado Rodrigo Lima é criativo, o que enseja a Ithamara e a Marcos darem mais emoções aos versos. Uma modulação permite que o encontro deles se torne ainda mais vigoroso.
José Roberto Bertrami participa com seu teclado em “Como Será o Ano 2000?” (Padeirinho da Mangueira). Outros ótimos sambas vêm. A saideira é com “Saudações”, de Egberto Gismonti e Paulo César Pinheiro.
Finda a audição, aquilo de menos ser mais faz mais do que sentido, torna-se receita alternativa para se ouvir samba.
Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4.
23.8.10
22.8.10
Microteatro : para onde vamos?

Uma mulher e um homem no palco - luz sobre eles, o resto é penumbra
Mulher - Como chegamos até aqui?
Homem - Pagando impostos, ora! Pelo menos é o que me parece. Mas hoje alimento muitas dúvidas, além de dívidas...
Mulher - O senhor me parece sempre angustiado, preso à realidade, creio que seria bom sonhar, ser poético de vez em quando.
Homem- Sou materialista, não nego. Sonhar não paga o meu dentista. A senhora já teve uma dor de dente?
Mulher- Não estou aqui para piadas. Defendo apenas a possibilidade de uma vida menos sórdida.
Homem- O mundo pode ser um cárcere. Já pensou nisto? Nosso corpo a carcaça material em decomposição que carregamos e que imaginamos ser nossa pessoa... a modernidade nos jogou atrás de grades, não temos alternativas de liberação reais, estamos condenados a estabelecer relações degradadas com nossos semelhantes...
Mulher- O senhor está sendo fatalista, brutalmente preso à realidade das sensações...seria ridículo pensar que se porta como um existencialista de quinta!
Homem- Senhora, a modernidade nos jogou atrás de grades, não temos alternativas de liberação reais, estamos condenados a estabelecer relações degradadas com nossos semelhantes...vivemos numa época do fim das utopias, temos o deus do mercado a nos punir. Ou entramos no shopping ou ficamos na sarjeta.
Mulher- Não consegui alcançar o degrau de seu pensamento. Sonhar não seria já uma libertação, melhor dizendo a possiblidade de sonhar...
Homem- Sonhar é fugir, os sonhos são mentirosos, são trapaceiros, imitam a realidade e nos fazem perder a perspectiva...Se eu sonhasse, alimentaria o desejo de fugir deste sistema.
Mulher- Como fugir? Temos que enfrentar a realidade, criar um caminho, se opor...
Homem - A senhora tem razão, fugir seria uma tolice. Só me transformaria num turista de um mundo insólito. Hóspede de um hotel de escravos, de certo modo um novo tipo de cárcere...Mas isto mostra que meu ponto de vista está certo, Sonhar não é possível...
Mulher- Então o senhor concordará que a liberdade é algo que se alcança apenas quando se age de forma coletiva.
Homem- Não acredito nas masssas. No fundo temo as massas, elas são facilmente inflamadas, manipuladas. A elas podemos creditar o episódio Hitler e outros crimes da história...
Mulher- O senhor não me contaminará com seu pessimismo.
Homem- Muitos amigos meus, otimistas, morreram defendendo um mundo melhor, mas o mundo ficou pior, cheio de bugigangas tecnológicas. Tenho saudades das velhas utopias...
Mulher- Então o senhor sonha...inutilmente, mas sonha com um mundo que já foi melhor em seus sonhos...
Homem- O problema é que hoje este mundo evaporou, sou livre para comprar. Outros nem isso. São sujeitos monetários sem dinheiro,,,
Diretor- Xi, o texto ficou muito intelectualizado e apocalíptico. Onde está o autor?...
Autor- Senhor diretor , creio que o senhor deveria ter lido o texto antes de encenar...
Produtor- Senhor autor , o diretor tem razão, seu texto não apresenta uma saída...
Autor - (grita desesperado) : - É por alí (aponta para uma seta acesa que se salienta na escuridão do teatro - nela está escrito "Saída" - "Exit").
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