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26.10.17
Algumas Biografias de Stalin - Fim
Stalin - O fim - Uma biografia política por Deutscher
Escrita ainda quando Stalin vivia, “Stalin – Uma biografia política” é a parte inicial do projeto de uma trilogia que incluia a vida de Lenin e de Trotski. Seu autor, Isaac Deutscher, falecido em 1976, pode-se dizer foi um excepcional conhecedor da política soviética.
Confessou que nesta obra se envolveu num difícil trabalho de historiador que procurou se impor ao de ex- militante trotskista derrotado pelo biografado.
É interessante notar que ele reclamava que sua obra foi mal interpretada: acusado por uns de dar uma visão simpática do ditador e por outros de ter escrito um libelo terrível contra ele.
O resultado é uma biografia no sentido tradicional,(coisa que os trabalhos de Montefiore e dos irmãos Medvedev não são) que permite entender Stalin como animal político, que esclarece o contexto de sua ação: vai de sua infância e formação até sua vitória da segunda Guerra. Num pós-escrito avalia os anos finais de Stalin, quando sua figura foi diminuída por acontecimentos, tais como, entre outros, o triunfo da Revolução chinesa e as provocações do Marechal Tito. Mostra também que seu personagem se tornou anacrônico e seus métodos obsoletos com a modernização da URSS.
Nas suas palavras, o stalinismo que havia expulsado a barbárie da Russia por meios bárbaros criou as condições para que sua face positiva derrotasse a face negativa. Sua magnífica biografia de Trotski,(na trilogia Profeta armado, Profeta desarmado e Profeta banido) é também referência obrigatória para compreender o papel de seu arqui-inimigo Stalin e a complexidade da experiência soviética.
Na verdade, os três livros vistos nesta resenha esclarecem partes do fenômeno: se um megulha na intimidade, outro em estudos de caso, o último elabora a explicação dessa figura que constituiu um dos exemplares raros em que ocorre o fenômeno, no qual, se funde personalidade e história.Principalmente porque tinha o poder para escrever a sua própria versão.
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25.10.17
Algumas Biografias de Stalin - Parte III
Stalin- Capítulo 3 - O Desconhecido
Em “Um Stalin desconhecido” os irmãos Zhores e Roy Medvedev elaboraram 15 ensaios que contemplam temas obscuros e polêmicos da biografia do líder soviético. Esses georgianos e ex- dissidentes demonstram uma visão objetiva, não contaminada pelo rancor, mas nem por isso condescendente com a figura de Stalin. Não o vêem, por exemplo como um usurpador, mas legítimo representante de uma tendência dentro da elite do partido bolchevique e que lutou arduamente entre 1923 a 1929 para “ascender ao papel de ditador”. No entanto, também não o consideram uma autoridade carismática, (e aí lançam mão de uma classificação weberiana da autoridade), mas sim como portador de um tipo de “prestígio” alcançado pelo funcionamento de uma máquina bem azeitada que produzia o que chamam de “megaproganda”.
De início desconstroem a lenda que envolve a sua morte, no qual descartam a hipótese de conspiração e envenamento que consta em vários livros. A seguir especulam sobre a existência de um herdeiro que permaneceu como eminência parda.
Examinam também o destino dos famosos arquivos secretos de Stalin que foram confiados a Beria, Malenkov e Kruchev e viraram fumaça. Revelam o objetivo por trás da destruição sistemática da memória stalinista e seus colaboradores: apagar as marcas de sangue do passado, e outros crimes, já que boa parte desses arquivos continham os famosos dossiês incriminadores que faziam parte do método de Stalin chantagear e obter a lealdade de seus comandados. Além disso, a liderança emergente temia a existência de diretrizes testamentárias do falecido que poderiam atrapalhar suas carreiras. Concluem com uma rematada bobagem: ver nesses atos de destruição da memória algo positivo. Os bastidores do famoso 20º Congresso do PCUS também é esmiuçado. Focalizam principalmente o impacto que as denúncias de Krushev tiveram na URSS, o desmanche dos gulags e o fenômeno do surgimento de duas Russias, coisa pouco estudada.
Um grande capítulo é dedicado à questão das armas nucleares. Nele dão uma pequena aula de química e física, especificando detalhes das dificuldades de construção das bombas de urânio, plutônio e de hidrogênio. E mostram o enorme esforço soviético para acompanhar os EUA, desde a mobilização de cientistas que competiam com os rápidos computadores americanos até espiões e colaboradores comunistas que mandavam suas descobertas do ocidente. Capítulo especial é dedicado ao “gulag atômico”, o uso de campos de trabalhos forçados com milhares de prisioneiros envolvidos na edificação de verdadeiras cidades, num projeto ultra-secreto que teve grandes e graves acidentes numa corrida que não economizou vidas nem de sua elite científica. A seguir narram o tragicômico episódio, onde o tenente Razin, admirador de Clausewitz perdeu uns dentes mas ganhou a patente de general.
Grotesca também é a participação do doutor Lysenko, um lamarckiano de carteirinha, na história das ciências biológicas soviéticas e no azar de vários colegas que discordavam de suas teorias.
Noutro capítulo, mostram a ambição risível que Stalin alimentava de ser um intelectual e como dava pitaco em tudo, inclusive na área da linguística. Orwell iria adorar esta parte. Dois ensaios dão conta o comportamento de Stalin durante a segunda grande Guerra mundial que segundo eles foi positiva. O líder não tremeu nas bases. Nisso estão em desarcordo com Montefiore. Não deixam de registrar que parte da debilidade das forças soviéticas, durante os embates teve origem nos expurgos que ocorreram nas suas fileiras quando grande parte da oficialidade do Exército Vermelho e da Marinha foi presa ou fuzilada. A seguir falam de um general injustiçado pela história, Josef Apanasenko, e revelam como ele foi um grande herói da Guerra sem ter participado do combate direto. Na última parte do livro, tratam da feição russa nacionalista do ditador georgiano a começar pela transformação dos seus retratos oficiais. Mostram a divergência com Lenin que inicialmente havia se impressionado com sua performance, mas discordava de sua posição não internacionalista e de seu projeto de constuição em moldes centralizadores. Essa versão contradiz Montefiori que disse ter Lenin se interessado pela idéia de Stalin de manter o império Russo unido. Antes de fechar o livro, é exposta a face sádica de Stalin quando da eliminação de Bukharin, um dos melhores quadros da revolução. Por fim falam da relação fria do líder da URSS com sua mãe, que nem nos funerais dela compareceu.
(Amanhã Final da Resenha)
24.10.17
Algumas Biografias de Stalin - Parte II
Stalin - Capítulo 2- Montefiore entra nos arquivos secretos
O Czar Vermelho
Pode-se dizer, sem nenhuma dúvida que Montefiore escreveu um livro de peso. Exatamente 1 quilo e 280 gramas de uma longa e detalhada narrativa de 860 páginas carregadas de juízos nada elogiosos ao camarada Stálin. Seu trabalho é menos uma biografia e mais uma crônica de corte. A forma de contar flerta com a ficção. Em certas ocasiões utiliza de recursos literários para reconstruir diálogos, ou narrar situações que encadeiam a evolução do personagem principal até chegar a se tornar o czar vermelho. Privilegiando ações, descoladas do contexto histórico social, o autor adota uma perspectiva rasa que não capta o significado da trajetória desse controverso dirigente. Tudo parece uma sucessão de perversidades, um guia de um museu de horrores.
Parece soar falsa também a boa intenção de Montefiore que diz pretender superar a grande parte das biografias de Stalin que, segundo ele, tendem a apresentá-lo como uma aberração. Isso não o impede de acolher insinuações tais como a de que Stalin foi um agente da Ohkrana (polícia secreta do czar)nos seus tempos de subterrâneo. Ou quando solta frases que não escapam à sede de mostrar Stalin como um anormal e os bolcheviques como um bando de cruéis beberrões sanguinários. Fica a impressão que se está diante de mais uma peça condenatória, uma espécie de chute em cachorro morto, que em nada contribui para uma consistente avaliação do personagem em questão. Mas, mesmo não se livrando desse cacoete, num “morde assopra”, na medida em que avança no texto, o autor parece compreender a complexidade do biografado e se se perdoar suas recorrentes frases de efeito (tais como “A base do poder de Stalin no Partido não era o medo :era o charme”)- o livro, faz um retrato aceitável, na medida em que deixa que a intimidade revelada do biografado faça o serviço de mostrar as inúmeras e contraditórias facetas desse tirano que não poupou nem seus camaradas, suas famílias, e chegou a sacrificar seus próprios parentes.
Um dos méritos do livro é revelar seu “modus operandi” brutal de dominar onde segundo o autor, refinou os, “métodos jesuíticos” que aprendeu em sua formação de seminarista. Mostra como aplicou o procedimento inquisitorial, onde se destacam a necessidade de confissão das vítimas, o arrependimento e a fogueira. Mas o que se evidencia da leitura dessa imensa crônica é o talento ficcional de Stalin, capacidade que usou em toda sua vida para fazer o roteiro no qual, ele adapta a realidade à sua visão. Outro aspecto que chama a atenção é a paranóia como sistema de governo e o estímulo das rivalidades que não eram poucas, entre a elite de seus comandados.
Apesar de querer mostrar que as obras do período stalinista, para o bem ou para o mal, não foram produto de um só homem, o que se destaca no livro é a onipresença de Stalin. Por trás de cada vírgula dos discursos, das estrofe de poemas, dos fotogramas de alguns filmes, de decretos de expurgo ou de reabilitação, lá estava a sua chancela.
Montefiore apresenta tudo como se fosse uma grande ópera de tons trágicos. Logo de cara, joga o leitor numa tensa cena decisiva - no fatítico 8 de novembro de 1932 quando relata o solo tresloucado da segunda mulher de Stalin. Uma perturbada Nádia se retira de um jantar festivo e se suicida com um tiro de uma Mauser em seu quarto, no Palácio Potechny. O autor, que afirma ser o suicídio uma morte bolchevique, localiza neste momento o ponto de mutação do personagem que abatido pelo que depois classificou de traição de sua mulher que por sua vez o acusava de infernizar a vida de todo mundo,irá mergulhar a URSS no terror.
Após essa grande entrada , o autor recua para num curto esboço biográfico contar como Ióssif Vissariónovitch Djugachvili, conhecido pelos íntimos como Soso , na clandestinidade como Koba(camarada fichário) e mais tarde por todos como Stálin vai se transformar no homem forte da URSS. Parte da sua ascenção é narrada em lances rápidos, onde derrota seus companheiros Zinoviev e Kamenev que junto com ele compunham o triunvirato que sucedeu à morte de Lenin (que havia recomendado o seu afastamento do cargo de secretário geral em testamento ditado no leito de morte e que foi espertamente escondido) e vai até 1929, data que marca a sua projeção como líder. Momento que nas palavras do autor, a história que ele quer realmente contar começa . Ressalta que nesse ponto ele não era ainda um ditador. Era o duro bolchevique já havia vencido de forma inexplicavelmente fácil a disputa com Trotski que foi obrigado a se exilar e neutralizado a oposição de Bukharin e Rikov que mais tarde seriam eliminados. É aclamado verdadeiro sucessor de Lenin. A partir dai, gradativamente construirá a arquitetura de sua tirania até sua polêmica morte em 1953.
Assim acompanhamos os vários momentos de um longo libreto mórbido: o massacre dos kulaks, a coletivização forçada, a grande fome, o terror dos anos 1936/37, os expurgos que darão vazão à paranóia como sistema de governo, a invenção das conspirações como método para eliminar os adversários e criar a aparência de um poder sem dó que pune exemplarmente, como no caso do massacre dos oficiais do Exército vermelho que debilitou o URSS nas vésperas da segunda grande Guerra. Neste episódio, Montefiore compra uma versão onde Stalin aparece débil e vacilante não questionando as versões em que se baseou.
Montefiore procura sempre descrever os cenários onde ocorrem as decisões em jantares pantagruélicos regados a muita vodka, sessões de cinema na madrugada em palácios do Kremlin ou nas dachas preferidas do dirigente. Outras vezes os surpreende em trens blindados e à medida que a história avança, vai apresentando um a um os coadjuvantes, os “potentados”, ou “magnatas”, como ele os classifica. Mostra o Partido como uma família incestuosa e o bolchevique como uma espécie de templário. Faz brevissimos perfis para orientar o leitor nos intrincados labirintos soviéticos. Fica-se assim conhecendo um pouco da vida de pessoas que viveram à sombra do grande chefe, sendo que alguns foram suas vítimas, gente como : Kirov, Molotov, Kalinin, Tukhatchviski, Kagánovitch, Sergo Ordjonikidze, Proskrióbichev, Vorochílov, Mikoian, Béria, Jdánov, Iejov… vão sendo “perfilados” na ordem em que entram em cena. Desta forma vai até grande finale onde o tirano mergulhado numa poça de urina agoniza enquanto uma luta silenciosa acontece nos bastidores e suspende sua última obra, a liquidação da velha guarda, iniciada no 19º Congresso em conjunto com as operações para destruir o que se chamou de “complô dos doutores” no qual foi preso entre outros notáveis, até o seu médico particular num esquema que envolvia um expurgo de judeus de todos os postos , inclusive de parentes, como Polina, esposa de Molotov que amargava uma prisão por suposto vínculo a uma conspiraração sionista- americana onde mostra que seu anti-semitismo era político.
(Continua amanhã)
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23.10.17
100 anos de Revolução Russa em caricaturas
(Clique na imagem para ampliar e VER melhor)
Do fundo do baú: Hoje encerro a série de caricaturas dos principais líderes que fizeram a Revolução Russa (claro que existiram outros, mas esses que caricaturei se destacaram como os que deram os rumos fundamentais ao movimento).
O personagem mais complexo, sem dúvida, foi o ex-seminarista georgiano Joseph Vissarionovich Djugashvili, um baixinho do barulho (tinha 1metro e 68 de altura), também conhecido como Stalin (que quer dizer "homem de aço"em russo).
Um sujeito de carne e osso que os comunistas de boa parte do mundo, por um certo tempo, chamaram de "Guia Genial dos Povos",“Pai dos Povos”,”O maior Gênio da História”, o “Mestre e Amigo de Todos os Trabalhadores”, o “Sol Nascente da Humanidade”, a “Força Viva do Socialismo” e que boa parte do povo russo identificava simplesmente como "Paizinho".
É essa a caricatura dele que trago hoje para finalizar a série.
Sei que é um terreno minado falar desse personagem, acusado de grandes crimes, e além disso, de ser um dos artífices do totalitarismo. Falar nele toca em muitas feridas ainda abertas.
Não é à toa, ele governou com mão de ferro a URSS durante três décadas e atravessou o mar revolto da história que marcou o século XX, transformando um país semi-feudal numa potência nuclear, articulando a sobrevivência do regime soviético com um sistema burocrático monstruoso (herdado do czarismo), intrigas cruéis, deportações para campos de trabalho forçado na Sibéria, processos arbitrários, assassinatos, fuzilamentos, envenenamentos e manobras internacionais rocambolescas. O pior, fez tudo isso com uma habilidade de equilibrista chinês de pratos (quebrando vários é claro). O peso de seus crimes é algo hoje reconhecido como imperdoável, mas ele contraditoriamente proporcionou alguns triunfos.
Sua maior conquista foi, sem dúvida, a vitória sobre o nazismo (junto com os Aliados: Estados Unidos e Inglaterra - a França estava ocupada), claro que à custa de milhões de vidas, tanto dos soldados do Exército Vermelho que liberaram meia Europa, como do povo que enfrentou a fome, o frio e o fogo da artilharia nazi . Um povo que teve suas cidades arrasadas, um país que teve seu parque industrial desmontado e voltado para uma economia estritamente de guerra. Mas ouso imaginar como o historiador Hobsbawn, que se não fosse essa vitória, não existiria o sistema democrático liberal que hoje impera no mundo. Pior, talvez , a parte que não teria sido destruída , poderia ter se transformado num cenário distópico, higiênico (no pior sentido) e controlado exibido na série "O Homem do Castelo Alto" de Philip K. Dick. Um mundo parte "nazificado", parte entregue ao Império nipônico...
Se eu fosse escrever sobre ele aqui, seria um "textão" e levaria um mês catando milho no teclado do computador para não chegar a algo significativo.
Prefiro contar uma pequena história: Estava no começo da leitura de dois livros que tinham sido lançados a partir do ano 2000, que tentavam ampliar a biografia de Stalin, avançando para além daquela tornada clássica, escrita por Isaac Deutscher, publicada aqui no Brasil em 2 volumes, cujo título era "Stalin - a história de uma Tirania".
Tais livros imaginava-se, tinham uma vantagem, pois seus autores alcançaram acesso aos documentos que tinham sido liberados no fim da década de 90 do século passado sobre o período "Stalin". Entusiasmado, me encontrava no meio da tarefa de escrever uma grande resenha sobre o tema, quando fui atingido por um "passaralho". (Qualquer dia boto aqui o genial verbete humorístico "passaralho" feito por um dos geniais companheiros de redação - no estilo do Dicionário Aurélio).
De repente fiquei boiando com aqueles enormes livros e um monte de anotações na calmaria que aguarda os desempregados… Mas não desisti da tarefa, com uma certa teimosia, como precisava manter a mente ocupada e mostrar meu trabalho (tanto de desenho como de texto), criei um blog e lá fiz uma resenha que me custou muitas noites em que queimei minhas pestanas , procurando analisar aquelas biografias disponíveis.
Acredito que a leitura dessa longa "matéria" seria útil para mapear o terreno de quem busca algum entendimento sobre essa figura tão sombria, e participar um pouco da aventura daqueles que tentaram desvendar esse personagem polêmico e contraditório, do qual, por muito tempo se soube tão pouco.
(Após esta série de caricaturas vou postar novamente a ampla resenha sobre as biografias de Stalin. Espero que tenham a paciência de ler)
Do fundo do baú: Hoje encerro a série de caricaturas dos principais líderes que fizeram a Revolução Russa (claro que existiram outros, mas esses que caricaturei se destacaram como os que deram os rumos fundamentais ao movimento).
O personagem mais complexo, sem dúvida, foi o ex-seminarista georgiano Joseph Vissarionovich Djugashvili, um baixinho do barulho (tinha 1metro e 68 de altura), também conhecido como Stalin (que quer dizer "homem de aço"em russo).
Um sujeito de carne e osso que os comunistas de boa parte do mundo, por um certo tempo, chamaram de "Guia Genial dos Povos",“Pai dos Povos”,”O maior Gênio da História”, o “Mestre e Amigo de Todos os Trabalhadores”, o “Sol Nascente da Humanidade”, a “Força Viva do Socialismo” e que boa parte do povo russo identificava simplesmente como "Paizinho".
É essa a caricatura dele que trago hoje para finalizar a série.
Sei que é um terreno minado falar desse personagem, acusado de grandes crimes, e além disso, de ser um dos artífices do totalitarismo. Falar nele toca em muitas feridas ainda abertas.
Não é à toa, ele governou com mão de ferro a URSS durante três décadas e atravessou o mar revolto da história que marcou o século XX, transformando um país semi-feudal numa potência nuclear, articulando a sobrevivência do regime soviético com um sistema burocrático monstruoso (herdado do czarismo), intrigas cruéis, deportações para campos de trabalho forçado na Sibéria, processos arbitrários, assassinatos, fuzilamentos, envenenamentos e manobras internacionais rocambolescas. O pior, fez tudo isso com uma habilidade de equilibrista chinês de pratos (quebrando vários é claro). O peso de seus crimes é algo hoje reconhecido como imperdoável, mas ele contraditoriamente proporcionou alguns triunfos.
Sua maior conquista foi, sem dúvida, a vitória sobre o nazismo (junto com os Aliados: Estados Unidos e Inglaterra - a França estava ocupada), claro que à custa de milhões de vidas, tanto dos soldados do Exército Vermelho que liberaram meia Europa, como do povo que enfrentou a fome, o frio e o fogo da artilharia nazi . Um povo que teve suas cidades arrasadas, um país que teve seu parque industrial desmontado e voltado para uma economia estritamente de guerra. Mas ouso imaginar como o historiador Hobsbawn, que se não fosse essa vitória, não existiria o sistema democrático liberal que hoje impera no mundo. Pior, talvez , a parte que não teria sido destruída , poderia ter se transformado num cenário distópico, higiênico (no pior sentido) e controlado exibido na série "O Homem do Castelo Alto" de Philip K. Dick. Um mundo parte "nazificado", parte entregue ao Império nipônico...
Se eu fosse escrever sobre ele aqui, seria um "textão" e levaria um mês catando milho no teclado do computador para não chegar a algo significativo.
Prefiro contar uma pequena história: Estava no começo da leitura de dois livros que tinham sido lançados a partir do ano 2000, que tentavam ampliar a biografia de Stalin, avançando para além daquela tornada clássica, escrita por Isaac Deutscher, publicada aqui no Brasil em 2 volumes, cujo título era "Stalin - a história de uma Tirania".
Tais livros imaginava-se, tinham uma vantagem, pois seus autores alcançaram acesso aos documentos que tinham sido liberados no fim da década de 90 do século passado sobre o período "Stalin". Entusiasmado, me encontrava no meio da tarefa de escrever uma grande resenha sobre o tema, quando fui atingido por um "passaralho". (Qualquer dia boto aqui o genial verbete humorístico "passaralho" feito por um dos geniais companheiros de redação - no estilo do Dicionário Aurélio).
De repente fiquei boiando com aqueles enormes livros e um monte de anotações na calmaria que aguarda os desempregados… Mas não desisti da tarefa, com uma certa teimosia, como precisava manter a mente ocupada e mostrar meu trabalho (tanto de desenho como de texto), criei um blog e lá fiz uma resenha que me custou muitas noites em que queimei minhas pestanas , procurando analisar aquelas biografias disponíveis.
Acredito que a leitura dessa longa "matéria" seria útil para mapear o terreno de quem busca algum entendimento sobre essa figura tão sombria, e participar um pouco da aventura daqueles que tentaram desvendar esse personagem polêmico e contraditório, do qual, por muito tempo se soube tão pouco.
(Após esta série de caricaturas vou postar novamente a ampla resenha sobre as biografias de Stalin. Espero que tenham a paciência de ler)
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16.2.17
Caricaturas de Churchill, Roosevelt e Stalin em Ialta (1945)
Do fundo do baú: Caricaturas de Churchill, Roosevelt e Stalin (conhecidos na época como "os três grandes que comandaram a derrota do nazismo") na Conferência de Yalta (ou Ialta) , na Crimeia, em 1945 - uma das três reuniões que os representantes dos aliados fizeram para decidir o final da Segunda Guerra Mundial e a repartição das zonas de influência no mundo que sobrou da conflagração. (Wikipédia)
Antes tinham se reunido em Teerã (novembro e dezembro de1943) e depois de Yalta ( fevereiro de1945) rolou o terceiro encontro em Potsdam (julho de 1945) - nessa última juntaram-se Churchill, seguido por Clement Attlee , Harry Truman e Stalin. O Presidente Roosevelt faleceu no meio das conversações, em Warm Springs, Geórgia, no dia 12 de abril de 1945, aos 63 anos de idade).
(Clique na imagem para ampliar e VER melhor)
Antes tinham se reunido em Teerã (novembro e dezembro de1943) e depois de Yalta ( fevereiro de1945) rolou o terceiro encontro em Potsdam (julho de 1945) - nessa última juntaram-se Churchill, seguido por Clement Attlee , Harry Truman e Stalin. O Presidente Roosevelt faleceu no meio das conversações, em Warm Springs, Geórgia, no dia 12 de abril de 1945, aos 63 anos de idade).
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13.11.08
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