27.8.12
Altamiro Carrilho: pequena recordação do grande paduano que se imortalizou no choro ao som de uma flauta mágica
"Existem flautistas e existe Altamiro Carrilho" (Jean-Pierre Rampal, flautista francês)
Prezados amigos,
Nos anos 90, quando de seu show-depoimento pelo Brahma Extra - O Som do Meio-Dia, em teatro do Centro do Rio, tive a satisfação de, cessada a função, cumprimentar Altamiro Carrilho (fotos abaixo), a mim apresentado pelo meu pai, amigo dele desde os tempos da Rádio Tupi, quatro décadas antes. Vez por outra, após essa ocasião, eles "se esbarravam" em algum logradouro público, também no Centro, encontros que sempre eram motivo de alegria para ambos, sobretudo por recordar, como que embalados pelo famoso maxixe do flautista, aqueles idos da bandinha, empolgando o auditório da emissora. Na minha infância, no Bairro de Fátima, Altamiro foi uma influência marcante na minha inclinação musical mais aflorada pela nossa música popular, de tanto que, além de vê-lo na tevê, ouvi seus discos na vitrola doméstica, ao lado do meu velho. Especialmente um elepê em que Altamiro está uniformizado na capa, um da bandinha (formação em que João Donato, ao acordeão, principiou no "métier"), criada por inspiração paduana, no interior fluminense, cenário gerador do sopro magistral do artista, em incipiente flautinha de bambu, aos cinco anos de idade. Criado em contato permanente com a "furiosa" local, a Lira de Árion, regida por um tio, desabrochou, ao tarol, aos 11 anos, para a atividade musical em conjunto e, seis anos mais tarde, em 1941, já morando com a família em São Gonçalo, e trabalhando em farmácia, teve em um carteiro, flautista amador, Joaquim Fernandes, um professor dedicado e grande incentivador, vencendo, então, vários concursos de calouros no rádio, sobretudo o do rigoroso Ary Barroso. Daí em diante, profissionalizando-se no meio, a conhecida e bem-sucedida trajetória, entre outros fatos de relevo: a amizade com Benedicto Lacerda, o qual substituiria no regional que passaria a ser de Canhoto; a estreia em disco, na Odeon, em 78 rpm de Moreira da Silva, em 1943, e, em 1949, pelo selo Star, o primeiro disco solo, com a faixa "Flauteando na Chacrinha", dele e de Ari Duarte; cerca de 200 composições, mais de cem discos gravados e shows em cerca de 40 países; o gosto pela improvisação e o amplo domínio técnico, que o levou ainda a enveredar pelo universo erudito, gravando Mozart, Vivaldi e Chopin, por exemplo, e tocando com orquestras sinfônicas; os prêmios e as honrarias recebidos, como uma comenda especial, a Ordem do Mérito Cultural, entregue pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pela trajetória e pela incansável luta em prol da MPB.
Lamentando, em desgosto de agosto, o do último dia 15, o passamento, aos 87 anos, desse orgulho nacional, chistoso (afiado no trocadilho) e carismático, músico de músicos e também admirado por colegas no exterior, aproveito o momento, com o meu agradecimento a Simone Guimarães, essa cantora, compositora e violonista tão talentosa, para redirecionar a vocês o que, entre outros destinatários, recebi dela, assim que se soube da triste notícia: "É sondada a alma da Música Brasileira, em sua essência, nesse momento de perda. Altamiro Carrilho, que acaba de nos deixar, faz parte de uma classe operária da música brasileira que nunca deixou, pelo talento, dom e amor, que fossem obscurecidas as suas raízes ou esmagadas as suas flores. Erga-se um macroscópio elegíaco sobre a terra nesse instante para a observação grandiosa, pois este Homem foi grande. Lanço meu grito de dor ao mais alto grifo de estrela cunhado por ele agora com notas musicais. Vá em Paz. Nosso adeus e nosso até breve nesse mundo que nunca há de se prescrever por seu imenso legado. Altamiro. Alto, miro-te com as estrelas."
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
Um abraço,
Gerdal
Pós-escrito: a) numa das fotos abaixo, de 1956 e tirada no quinto andar da Rádio Tupi, meu pai, então contrarregra da emissora (portando um instrumento que lhe possibilitava reproduzir o apito de um trem), ao lado de Altamiro Carrilho. O ruído do trem foi usado, na ocasião, na gravação que Altamiro fez, com a bandinha, de "O Trem Atrasou", de Paquito, Artur Vilarinho e Estanislau Silva. Ainda em gravação da bandinha, meu pai, mais adiante, colaboraria com Altamiro, valendo-se de ruídos de tiroteio e trotar de cavalos, em "Bat Masterson", canção até hoje lembrada por causa da versão famosa do compositor e publicitário Édson Borges, também conhecido como Passarinho;
b) dedico esta pequena recordação de Altamiro ao violonista Maurício Carrilho, ao seu pai, o flautista Álvaro Carrilho, e ao Franklin da Flauta, este com CD recém-lançado, certamente da melhor qualidade, feito em duo com o violonista Luiz Cláudio Ramos. Também pela amizade de longa data com Altamiro, dedico-a ao meu pai, aniversariante de ontem, 26 de agosto, quando completou 83 anos;
c) no primeiro "link", outro flautista de nomeada, o colatinense Carlos Poyares, toca "Deixa o Breque pra Mim", de Altamiro, na ótima companhia de Izaías e Seus Chorões. Nos demais "links", o próprio Altamiro e sua flauta são ouvidos em: 2) "Rio Antigo", dele; 3) "Humoresque", de Dvorak; 4) "Primeiro Amor", valsa célebre de Patápio Silva, executada em duo com o pianista Luiz Eça; 5) "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso; 6) "Menina Feia", de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini, uma incursão bossa-novista, de 1963, com coro; 7) "Aconteceu no Grajaú" (1955), do pianista gaúcho Britinho, bastante atuante na noite carioca dos anos 50; 8) "Flamengo", choro que o paulista Bonfiglio de Oiveira compôs em intenção do bairro carioca onde morou. 8) "Aeroporto do Galeão", dele, choro composto durante um voo do flautista e, nas imagens do anexo, tocado em duo com a colega de sopro Paula Robinson, entre outros instrumentistas.
.
http://www.youtube.com/watch?v=jC2VdMCDfmc&feature=player_detailpage ("Deixa o Breque pra Mim")
http://www.youtube.com/watch?v=pVSrLHIAGMM ("Rio Antigo")
http://www.youtube.com/watch?v=BksbWm-eRmE ("Humoresque")
http://www.youtube.com/watch?v=Y-deyXe5QG0&feature=related ("Primeiro Amor")
http://www.youtube.com/watch?v=9eLUbdL5Xps ("Aquarela do Brasil")
http://www.youtube.com/watch?v=9V46BHMrysI ("Menina Feia")
http://www.youtube.com/watch?v=n25LpkQ0o7Y&feature=player_detailpage ("Aconteceu no Grajaú")
http://www.youtube.com/watch?v=HoG-O4Ocatc ("Flamengo")
http://www.youtube.com/watch?v=o_jnbhyBlgk ("Aeroporto do Galeão")
Labels:
Altamiro Carrilho,
Geraldo José,
Homenagem do Gerdal,
Música
26.8.12
Luiz Bandeira ("in memoriam"): do samba de gente bem ao skindô no terreiro, tomando umas e outras e caindo no passo do frevo
"Eu sou um portador do amor/vem cá, menina, dê-me a sua mão/garanto, você vai gostar de passear pelo meu coração..."
Prezados amigos,
De tão associadas entre si, o que seria das imagens do cinejornal "Canal 100", nos lances espetaculares do futebol, se exibidas sem aquela música de fundo tocada pelo pianista Waldir Calmon? Algo, presumo, como as imagens para a tevê, nos anos 60 e 70, das mensagens natalinas da Varig (como a do Urashima Taro, em 1968, cantada por Rosa Miyaque), sem os "jingles" do paulistano Archimedes Messina. Tanto num caso quanto noutro, composições que, em relação aos seus autores, tomaram a dianteira na identificação popular: elas muito conhecidas, eles nem tanto. Embora feita sem motivação no velho e rude esporte bretão, "Na cadência do Samba" ("Que Bonito É!"), de 1955, tornou-se o maior tento do craque Luiz Bandeira (foto abaixo), um compositor show de bola no gramado da MPB. Nascido num dia de Natal, em 1923, e falecido num domingo de carnaval, em 1998, esse recifense de infância parcialmente vivida em Maceió teve em toda a sua longevidade domiciliar no Rio de Janeiro os anos mais risonhos e frutíferos da carreira - iniciada, ainda na Veneza Brasileira, como cantor e ator, na Rádio Clube de Pernambuco, logo após aprovação em concurso de calouros nessa emissora. Em 1951, um ano após sua chegada à Velhacap, já dizia musicalmente a que vinha com um sucesso, de reflexo carnavalesco, gravado pelo embolador Manezinho Araújo, "Torei o Pau". Nessa década, a convite de Caribé da Rocha, cantou na boate Meia-Noite, do Copacabana Palace, também na boate Drink, do pianista Djalma Ferreira - seu parceiro no samba "Volta", gravado por Miltinho -, e, mais tarde, em 1960, como integrante do sexteto de Radamés Gnattali, viajou com a Terceira Caravana Oficial da Música Brasileira, prevista em lei aprovada do então deputado Humberto Teixeira - outro parceiro, em "Baião Sacudido" -, divulgando maravilhas do nosso repertório em universidades europeias, como a Sorbonne, em Paris.
Luiz Bandeira teve ainda outras músicas bastante executadas, entre sambas, frevos, marchas e baiões, numa festa de ritmos: "Cafundó", por Edu da Gaita e Carmélia Alves (com esta em gravação com letra de outro pernambucano, Luiz Vieira), "O Apito no Samba" (com letra de Luiz Antônio"), por Marlene, e "É de Fazer Chorar" ("Quarta-Feira Ingrata") e "Voltei, Recife!", regravadas por Alcymar Monteiro e Alceu Valença, respectivamente. Para Clara Nunes, forneceu o sucesso de "Viola de Penedo" e, na parceria com Renato Araújo, seria cantado no carnaval de 1958, por causa do samba "Madeira de Lei", de belo registro na voz de Heleninha Costa. Em 1984, trazido pelo braço da saudade, estava de volta a Recife esse "defensor sem limites" da nossa cultura popular, tão bem retratada na sua obra. "Do samba, do frevo, da seresta, do chorinho e do baião, da peixada, da cabidela, da feijoada, do futebol e da batucada", como ele sempre foi e transpareceu em versos e notas musicais. Luiz Bandeira, em suma: um homem de bem, um cidadão correto, um grande brasileiro. Nunca é demais lembrá-lo..
Um bom domingo a todos. Muito grato pela atenção.
Um abraço,
Gerdal
Pós-escrito: a) com as minhas condolências aos filhos, em particular a Marius Bandeira, destinatário habitual das minhas dicas de MPB, dedico este singelo tributo à dona Iracema Bandeira, viúva do compositor, recentemente falecida, aos 89 anos;
b) além de duas fotos, abaixo, de capas de discos de Luiz Bandeira, há uma, muito especial, clicada em 1987, que recebi há tempos do amigo Marius, com o pai dele muito bem acompanhado (sendo o José Menezes que aparece não o Zé Menezes, multi-instrumentista cearense, mas o não menos importante maestro pernambucano, compositor de frevos, que fez parte da orquestra de Nelson Ferreira). Uma foto que vale por mil canções;
c) nos "links seguintes, um desfile de preciosidades da lavra de mestre Bandeira; 1) "Viola de Penedo", com Clara Nunes; 2) "Mistura Fina", com Sivuca; 3) "Fulô da Maravilha", com Luiz Gonzaga; 4) "Portador do Amor" (dos versos acima, em parceria com Julinho), também com Gonzagão, que, a certa altura da audição da ciranda, chama Luiz Bandeira para cantar, em participação especial; 5, 6 e 7) "O Apito no Samba", por, respectivamente, Marlene (em registro ao vivo no programa do famoso animador Manoel Barcelos, na Rádio Nacional, em fins dos anos 50), Luiz Arruda Paes e sua orquestra e Milton Banana, baterista, com o conjunto de Oscar Castro Neves; 8 e 9) "Na Cadência do Samba", por, respectivamente, Waldir Calmon e Luiz Bandeira (este, em fotos raras no vídeo - numa delas ao lado de Orlando Silva - acompanhado por orquestra regida por Radamés Gnattali); 10) "Cafundó", baião ouvido com arranjo de Radamés Gnattali; 11) "Confissão" (em parceria com Djalma Ferreira), com Orlandivo (este dos tempos de Bandeira e de Djalma no Drink); 12) "Madeira de Lei" em sua versão francesa, "Carioca, Mon Ami", gravada pelo conjunto Les Compagnons de la Chanson; 13) "Voltei, Recife!", com Alceu Valença.
http://www.youtube.com/watch?v=4B69t1xk1Ys ("Viola de Penedo')
http://www.youtube.com/watch?v=ebZTiziLG5k ("Mistura Fina")
http://www.youtube.com/watch?v=ZWe5lmu3NHE ("Fulô da Maravilha")
http://www.youtube.com/watch?v=ELFlin6G26w ("Portador do Amor")
http://www.youtube.com/watch?v=TjO6F4Dksws ("O Apito no Samba", com Marlene)
http://www.youtube.com/watch?v=lG6jb6LipJI ("O Apito no Samba", com Luiz Arruda Paes, orquestra e coro)
http://www.youtube.com/watch?v=Tidquhy5HuM ("O Apito no Samba", com Milton Banana e conjunto de Oscar Castro Neves)
http://www.youtube.com/watch?v=IZRl9zgGX_s ("Na Cadência do Samba")
http://www.youtube.com/watch?v=Tx7mvzKKwTU ("Na Cadência do Samba" - com Luiz Bandeira, Radamés e orquestra)
http://www.youtube.com/watch?v=jevlNEEplFE&feature=related (Cafundó")
http://www.youtube.com/watch?v=C-8L_yJgBrM ("Confissão")
http://www.youtube.com/watch?v=Pe8pcf24Vvg ("Madeira de Lei" - "Carioca, Mon Ami", na versão francesa)
http://www.youtube.com/watch?v=VlVctBDu324 ("Voltei, Recife")
24.8.12
Exposição Rubem Grilo - Museu do Trabalho, em Porto Alegre - 28 de agosto
Rubem Grilo, um dos maiores artistas da xilogravura do país, expõe seu trabalho em Porto Alegre, no dia 28 de agosto, no Museu do Trabalho.
O nome da exposição é Rubem Grilo- xilogravuras: Ferramentas, Objetos Imaturos, Aparelhos de Precisão e Outras Inutilidades.
A mostra vai de 29 de agosto até 7 de outubro de 2012 - A sala vai estar aberta nas terças e sábados, das 13.30 às 18.30 horas. Nos domingos e feriados, das 14 às 18.30 horas.
Durante o evento vai haver um encontro com debate sobre o tema A Imagem Reproduzida: Artesania e/ou Tecnologia com a presença do artista e convidados. Esse evento vai rolar no auditório do Atelier Livre, nos dias 29,30 e 31 de agosto, às 18 horas.
Endereço:Rua dos Andradas, 230. Centro Histórico.Porto Alegre. RS- (51) 9982 0313
Todo mundo lá!!!
(Clique na imagem para, possivelmente, ampliar e VER melhor)
19.8.12
Mauro Senise, 40 anos de carreira: show especial de lançamento de "Afetivo" em CD e DVD nesta terça no Casarão Ameno Resedá
Prezados amigos,
No primeiro dos "links" seguintes, Mauro Senise (foto abaixo), à flauta e em duo com o pianista Gilson Peranzzetta, toca, deste, "Mestre Sivuca"; no segundo, ao sax e em companhia do pianista Itamar Assiere e do contrabaixista Paulo Russo, toca "Ponteio", composição de Edu Lobo que tem letra de José Carlos Capinam; no último "link", ouve-se "Melodia Sentimental", de Villa-Lobos, em que o soprista houve-se muito bem ao fazer linda gravação com Gilson Peranzzetta e Sílvia Braga, harpista. Mauro chega ao quadragésimo ano na carreira, o que motiva show especial e com ilustres convidados, nesta terça, no Casarão Ameno Resedá, de acordo com recado recebido da amiga Nani Santoro e ora repassado, abaixo.
Um bom domingo a todos. Grato pela atenção à dica.
Um abraço,
Gerdal
http://www.youtube.com/watch?v=OqswGGSyfgw&feature=related
("Mestre Sivuca")
http://www.youtube.com/watch?v=G7_ofx5c0M0
("Ponteio")
http://www.youtube.com/watch?v=qcd_f43PnTE
(Melodia Sentimental")
MAURO SENISE lança CD e DVD “AFETIVO”
no CASARÃO AMENO RESEDÁ - dia 21/8 (terça)
Participações especiais de EDU LOBO, WAGNER TISO, SUELI COSTA, GILSON PERANZZETTA, entre outros artistas
No dia 21 de agosto, a partir das 20h, o renomado flautista e saxofonista Mauro Senise se apresenta no Casarão Ameno Resedá lançando oficialmente seu novo CD e DVD “Afetivo”.
O disco com selo da Gravadora Biscoito Fino, marca os 40 anos de carreira do músico e traz a cada faixa, a participação especial de um ou mais amigos que foram fundamentais ao longo destas quatro décadas , são mais de 35 músicos, entre eles: Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, Edu Lobo, Wagner Tiso, , Gilson Peranzzetta, Cama de Gato e Sueli Costa que o presenteou com a faixa título. O trabalho é dedicado ao seu grande mestre Paulo Moura.
O SHOW de lançamento
Num clima afetuoso Mauro Senise receberá as participações especiais de Edu Lobo (em “Choro Bandido”), Sueli Costa (em “Afetivo”, música inédita dela que dá nome ao projeto), Wagner Tiso (em “Olinda Guanabara”), Gilson Peranzzetta (em “Mauro e Ana” e “Choro sim porque não”), o grupo Cama de Gato (com a inédita “Tiê Sangue”, de Jota Moraes),Quinteto Pixinguinha, Odette Ernest Dias, Robertinho Silva e Luiz Alves, entre outros convidados.
No palco com Senise estará ainda o trio formado pelo pianista Gabriel Geszti, o contrabaixista Rodrigo Villa e o baterista Ricardo Costa.
Sobre o Casarão Ameno Resedá
O Casarão Ameno Resedá é um espaço dedicado a shows com o objetivo de ser um ponto de referência cultural na cidade e reúne três conceitos básicos: alegria, música e gastronomia. O nome do espaço é uma homenagem a um dos mais importantes ranchos de carnaval do início do século passado e tem espaço para shows de até 250 lugares. O objetivo da casa é ser um espaço para a ótima música brasileira, inclusive instrumental, além de atuar como um ponto de referência cultural do Rio de Janeiro. A programação do espaço tem, ainda, mostras de fotografia e eventos de poesia, além do tradicional restaurante Sobrenatural.
Serviço:
Onde: Casarão Ameno Resedá
Artista: Mauro Senise – lançamento “Afetivo”
Data: 21 de agosto – terça-feira
Capacidade de público: 250 lugares
Classificação etária: 16 anos
Endereço: Rua Bento Lisboa, 4 – Catete
Telefones: (21) 2556-2427
Dia e hora do show: 21 de agosto, terça-feira, às 20h
Abertura do Casarão: 19h
Ingresso: Mesa/Lugar – R$ 60,00 (meia ou 1 kg de alimento não perecível ou cadastro no site) // Pista invertida - R$ 40,00 (meia ou 1 kg de alimento não perecível ou cadastro no site)
Cartões de crédito: Diners, Mastercard e Visa
Cartões de débito: todos
Estacionamento? Sim
Venda de Ingresso por site www.ingressorapido.com.br
Bilheteria (térreo) - de quinta a terça, das 14h às 22h
www.casaraoamenoreseda.com.br
Labels:
Lançamento de CD,
Lançamento de DVD,
Mauro Senise,
show
17.8.12
"Fotohorto 2012"- Exposição de fotografias
No Circuito das Artes do Jardim Botânico vai rolar uma exposição de fotos cujo título é Fotohorto. O evento acontecerá em dois finais de semana próximos dias dia 18 e 19 de agosto + 25 e 26 de agosto - Portanto, dois sábados e dois domingos
Esta exposição é do ateliê Marília Brandão Fotografia
Fotos de Edna C. Branco, Maria Cristina González e Silvia de Souza Costa
Endereço: Rua Pacheco Leão, 506 Casa 42
- Jardim Botânico (Horto)
Ateliê 11
Tel 2259.3348
www.mariliabrandao.com.br
www.circuitodasartes.com.br
(Clique na imagem para ampliar e LER melhor)
15.8.12
Mouzar Benedito lança sua Mitologia Brasílica dia 18
O jornalista e escritor Mouzar Benedito vai lançar, junto com o cartunista Ohi, uma coleção inteira sobre mitologia brasileira. Cada volume vai ser dedicado a um (ou mais) mito ligado e a uma questão ambiental. Teoricamente é infanto-juvenil, mas serve para pra gente grande também.
Os livros estão muito bonitos, com uma diagramação maravilhosa de Tadeu Araújo e as ilustrações do Ohi, muito caprichadas.
Ah, o Quarteto Pererê vai se apresentar lá (das 16h30 às 17h), com participação especial da cantora Letícia Torança.
O lançamento vai ser no Sábado, dia 18, das 15h às 18h, na Livraria da Vila - rua Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalena
Veja os títulos dos livros (o do Saci tem 64 páginas os demais têm 48, todos eles são em quatro cores, estão bonitos pra chuchu como já foi dito acima).
A coleção chama-se Mitologia Brasílica:
O Saci - guardião da floresta
O Curupira - nosso gênio das matas
A Iara - encanto das águas
O Boitatá - esse mito é fogo!
O Caipora - amigo dos bichos
Lobisomem, Cuca e Mula sem Cabeça - importados e naturalizados
Todo mundo lá!!!
31.7.12
5a feira, Emiliano Castro, KANIMAMBO na Casa de Francisca
Recebi por e-mail, o gentil convite do nosso amigo Emiliano Castro, craque das cordas.
Reavivando a saudade da delicadíssima Casa de Francisca, voltamos à casa com o show Kanimambo para os que ainda não o conheceram... e sempre com algum capricho novo para manter o sabor das primeiras vezes.
Desta vez, além do repertório do disco e dos caprichos latino-africanos habituais, faremos um Piazzolla de arrepiar!
Com os titulares João Poleto, Marcos Paiva e Douglas Alonso.
Noite especialíssima!
Emiliano Castro
apresenta
KANIMAMBO
Emiliano Castro . violão de 7 cordas e voz
João Poleto . flauta, sax soprano e sax tenor
Marcos Paiva . contrabaixo acústico
Douglas Alonso . bateria e percussão
5a feira, dia 2 de agosto
às 21h
R$ 35,00
na
Casa de Francisca, restaurante saudável delícia e teatrinho belle-époque
rua José Maria Lisboa, 190 - Bela Vista - São Paulo
Atenção que a casa lota facilmente
Reservas pelo site
www.casadefrancisca.art.br
Mário Sève e Cecilia Stanzione fazem show, nesta terça, no Studio RJ, em que celebram um encontro musical entre o Brasil e a Argentina
Prezados amigos,
De uma aparente contradição em termos, uma "aproximação a distancia", viabilizada, pela internet, a partir de 2008, entre o carioca Mário Sève (flautista e saxofonista do Nó em Pingo D`Água) e a portenha Cecilia Stanzione, cada qual em seu país, resultou um bem realizado e apreciado CD, "Canción Necesaria" (mais informação no "flyer" abaixo), que dá ensejo a uma turnê, ora em curso, por algumas cidades do Sudeste. O público da vez é o carioca, que, como demonstram as imagens dos "links" seguintes, assistirá, nesta terça-feira, 31 de julho, no Studio RJ (Av. Vieira Souto, 110 - Arpoador), às 21h30, a um espetáculo sedutor, que também diz respeito a um encontro simbólico, binacional, de duas culturas, interagindo, musicalmente, em diversidade de estilos e comunhão de gêneros.
Provindas do referido disco, ouvem-se, na voz de Cecília: 1) "Madrugada sin Ella"; 2) a faixa-título; 3) "Samba Errante"; 4) "Una Milonga"; 5) "Roda Gigante. Todas com letras dela para melodias de Mário (ambos em foto abaixo).
Um bom dia a todos. Grato pela atenção à dica.
Um abraço,
Gerdal
http://www.youtube.com/watch?v=LPE7-K8a9-Q&feature=player_detailpage ("Madrugada sin Ella")
http://www.youtube.com/watch?v=pl6jIUxl2Ec&feature=relmfu ("Canción Necesaria")
http://www.youtube.com/watch?v=7yl2QutFRvU&feature=relmfu ("Samba Errante")
http://www.youtube.com/watch?v=tMn2zC7W_mk&feature=relmfu ("Una Milonga")
http://www.youtube.com/watch?v=cTmBo0gcu_c&feature=relmfu ("Roda Gigante")
Labels:
Cecilia Stanzione,
Dica do Gerdal,
Mário Sève,
Studio RJ
26.7.12
Rui de Carvalho em nova temporada no Le Petit (antigo Petit Paulette)
O Le Petit, agora sob nova direção, convidou o compositor e cantor Rui de Carvalho para uma nova temporada a partir de sexta-feira, dia 27, das 19 às 22 horas.
Tem um pequeno couvert de R$5,00, mas o Brasil é grande e está aguentando bem a crise mundial.
O compositor avisa que as canjas são de lei.(Naturalmente ele não se refere às das penosas galinhas que abundam pelos quintais de Pindorama).
Todo mundo lá! Samba da melhor qualidade!
(Cliquem nas imagens dos flyers para ampliar e LER melhor)
12.7.12
7.7.12
Renato Braz pega a barcaça rumo a Paquetá, neste sábado, e solta o seu canto de passarim em show informal na ilha
Prezados amigos,
Um ilustre passageiro se dirige a Paquetá, neste sábado, 7 de julho. É Renato Braz (foto abaixo), que pega a barcaça para fazer um show informal, na Casa de Artes da ilha, com início previsto para as 17h ("flyer" abaixo). Ganhador do cobiçado Prêmio Visa - Edição Vocal, em 2002, e, ainda, em 2006, do Prêmio Rival Petrobrás na categoria Cantor Popular, ele é, naturalmente, um dos maiores do ramo na atualidade nacional e, coerentemente com essa distinção - "avis rara" em meio a tantos gorjeios femininos -, vem palmilhando um caminho de aplausos calorosos em shows e de elogios veementes à sua discografia, da qual "Casa de Morar" é o sexto, recentíssimo e já apreciadíssimo CD.
Despertado para o fascínio do canto popular, aos cinco anos de idade, por meio de um "hit" de Ronnie Von no início dos anos 70, "Cavaleiro de Aruanda", Renato Braz começou bem cedo a atuar na noite paulistana (também como instrumentista, primeiramente à bateria e, só mais adiante, abraçando o violão), pouco após a faina como "office boy" em uma empresa de turismo. Intuitivo, foi nos bares da vida - começando pelo Lero-Lero, em Barueri - e com a alma repleta de canção que ele cursou a "autoescola" da formação artística, motivado, de início, no repertório, por sua admiração pelo Tim Maia de "Azul da Cor do Mar", embora, nos anos pré-palco, Milton Nascimento, de tanto que o ouvira, já se lhe fizesse notar, intimamente, como expressão maior do canto. "Casa de Morar" sucede imediatamente a "Papo de Passarim", CD que gravou com o boca-livre Zé Renato, outra voz de relevo e exceção em cômodo da MPB mais frequentado por nossas damas da interpretação, e propiciou a ambos diversas apresentações por este país de tantos Brasis..
Um bom dia a todos. Grato pela atenção à dica.
Um abraço,
Gerdal
Pós-escrito: a) aos interessados, há barcaças saindo da Praça XV em direção a Paquetá às 10h30 e às 13h30, as quais permitem chegar a tempo para ver o show de Renato Braz, com apresentação do radialista Jorge Roberto Martins;
b) nos "links" seguintes, o canto de Renato Braz, também ao violão, é ouvido em: 1) "Passarinheiro", de Jean Garfunkel e Pratinha; 2) "Quebra-Mar", de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro (também com a voz de Dori na gravação); 3) "Quixabeira" (domínio público); 4) "Bambayuque", de Zeca Baleiro; 5) "Flor da Bahia", de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, em trecho de recente programa da série "Ensaio", da TV Cultura (SP).
.
http://www.youtube.com/watch?v=YCkleciKYrE&feature=related ("Passarinheiro")
http://www.youtube.com/watch?v=oQEpz4s_9Mw ("Quebra-Mar")
http://www.youtube.com/watch?v=L7YgwWq-idw ("Quixabeira")
http://www.youtube.com/watch?v=oQaFms-0Fjg ("Bambayuque")
http://www.youtube.com/watch?v=Fs34iGl25cw&feature=relmfu ("Flor da Bahia")
4.7.12
Dia 6 começa o Festival de Inverno no SESC - Nova Fiburgo com grande exposição homenageando Jorge Amado
Do dia 6 a 29 de Julho vai rolar o Festival de Inverno Sesc Rio em Nova Fiburgo.
Como parte do evento,vai ser acontecer a exposição Jorge Amado em Caricaturas.
O Sesc Nova Friburgo fica na Avenida Presidente Costa e Silva, 231 - Centro.
Todos lá!
(Clique na imagem para ampliar e LER melhor)
Labels:
Caricaturas,
Exposição,
Jorge Amado,
Nova Friburgo,
SESC
1.7.12
Bisdré: cordas de todo o sentimento em um violão de craque e brasileiro por inteiro
Prezados amigos,
O primeiro dos "links" abaixo já é, por si só, no meu modesto entender, revelador de um dos maiores talentos do violão popular brasileiro dos últimos tempos e ainda sem a devida dimensão de amplitude territorial, em termos de difusão de trabalho, de que o seu pinho é merecedor no nosso país. Que sonoridade bonita, como que vinda por inteiro da alma do instrumentista a expressar-se em primorosa composição sua, o samba "Saudade". Na linha de excelência de um Baden Powell ou de uma Rosinha de Valença, ferindo cordas, na brasilidade, transmissoras de todo o sentimento que traz consigo, nasceu no Rio de Janeiro, em Jacarepaguá, cresceu no Irajá, mas há muito está radicado na capital paulista, onde já circulou por muitas rodas musicais - de choro e samba, especialmente - e participou de alguns conjuntos, como o quarteto Breu na Sola e o Três por Acaso (em formação inusitada de violão, viola de arco e pandeiro para tocar MPB variada), atualmente integrando o Saçurá. Também arranjador, foi autodidata a princípio, aos 15 anos de idade, mas, depois, teve como mestres violonistas experientes e muito bem conceituados, como Ricardo Simões, Luizinho 7 Cordas e, especialmente, Ruy Weber (este autor da trilha do longa "Serras da Desordem", do "underground" Andrea Tonacci), com o qual levou mais a fundo o seu aprendizado e aprimorou o seu estilo. Fez música pra teatro e tocou em algumas peças, participando recentemente das gravações de CDs de jovens e apreciados sambistas da garoa paulistana, como Edu Batata e Emerson Urso. Destaque nas apresentações do coletivo de violonistas Comboio de Cordas, em Sampa, André Alberto de Oliveira Santos é o nome por extenso do craque em relevo nestas linhas. Ave, Bisdré!
Um bom domingo a todos. Muito grato pela atenção.
Um abraço,
Gerdal
Pós-escrito: nos demais "links", 2) Bisdré (foto abaixo), com os colegas do Saçurá, toca, de sua autoria, o baião "Quarto Minguante"; 3) ainda com o Saçurá, Bisdré mostra "Atriz", nascida de suas tão inspiradas cordas; 4) ele, ao violão, sola "Cris", valsa também sua; 5) em duo com o paulistano Ruy Weber, executa "Correnteza", de Antonio Carlos Jobim e Luiz Bonfá.
http://www.youtube.com/watch?v=E9PaCbU7h30 ("Saudade")
http://www.youtube.com/watch?v=21aPpQJ1Nuk ("Quarto Minguante")
http://www.youtube.com/watch?v=Aa76W1IRDMo ("Atriz")
http://www.youtube.com/watch?v=96CTaO1z7C4 ("Cris")
http://www.youtube.com/watch?v=cImw3O7JASw&feature=relmfu ("Correnteza")
http://www.myspace.com/bisdrebr
29.6.12
Amanhã - dia 30, no SESC Pompeia Premiação HQMIX
Vai ter festa, show, votação e premiação dos melhores dos quadrinhos e do humor gráfico de 2011.
É no SESC Pompeia - na Rua Clélia, 93.
É "de grátis" - retirada dos ingressos no dia do evento na bilheteria do Sesc Pompeia.
(clique na imagem para tentar ampliar ver melhor o cartaz que é imenso)
Todo mundo lá!
Emiliano Castro - Hoje em apresentação solo
(Recebi o seguinte e-mail do meu amigo Emiliano Castro,grande violeiro das bandas de Sampa)
Amigos, esta semana apresento meu novo show solo a convite da Associação Raso da Catarina (www.rasodacatarina.com.br) no Teatro da Vila (www.teatrodavila.org.br).
O repertório está muito especial, aproximando algumas composições minhas a outras delícias espanholas, latinoamericanas, africanas e brasileiras que vêm me inspirando e ensinando.
Delicadezas e quebradeiras que me fizeram voltar ao formato solista, matar a saudade dessa coisa forte que acontece quando estamos vocês, eu, o 7 cordas e o silêncio.
Então é isso: vai ser um prazerão reencontar os conhecidos e conhecer quem mais vocês convidarem.
O repertório é especial, o formato solo nos deixa mais próximos e a vida anda cheia de emoções muito muito fortes que com certeza subirão ao palco comigo.
Até lá!
Emiliano Castro Solo
violão de 7 cordas e voz
no
Teatro da Vila
Rua Jericó, 256 (metro Vila Madalena), São Paulo - SP
6a feira, 29 de junho
às 21h
Entrada Livre. Contribuiçõe$ livres.
20.6.12
Camila Hungria e Renata D'Elia invadem a praia e mostram os dentes da memória no Leblon
Trata-se do lançamento do livro Os Dentes da Memória- Piva, Willer, Franceschi, Bicelli / Uma Trajetória Paulista de Poesia , da Azougue Editorial, que vai rolar na Livraria da Travessa Shopping Leblon .
O evento está marcado para acontecer no dia 29 de junho, a partir das 19 horas e vai contar com um debate mediado pelo poeta e jornalista Claufe Rodrigues.
O livro mostra a contribuição desses artistas para a poesia contemporânea brasileira. Um grupo paulista da pesada.
Segundo o flyer, o livro "é um documento ruidoso; um anedotário-bomba, tanto mais valioso quanto parcial;o panorama de uma certa boemia paulista formada por Roberto Piva, Claudio Willer, Antonio Fernando de Franceschi e Roberto Bicelli, e que esteve ocupada em pôr pelos ares as divisas entre arte e vivência, criando a última instância realmente heroica da poesia brasileira."
O saudoso Roberto Piva foi meu contemporâneo na Escola de Sociologia e Política, era um sujeito sensacional, um ativista, poeta inquieto, da vida, que tinha como seu mote a seguinte máxima: "Não existe poesia experimental sem vida experimental."
Todo mundo lá!
(Clique na imagem para AMPLIAR e ver melhor)
Exposição de Designers RIO DOS 20
Hoje será o lançamento, às 19 horas, da Exposição RIO DOS 20 - com trabalhos de 20 Designers do Rio com produtos sustentáveis.
A Exposição vai até dia 8 de Julho de terça a sexta-feira, das 12 às 18 horas e aos sábados e domingos das 12 às 19 horas.
O evento vai rolar na loja Novo Desenho, instalada nas dependências do MAM/RJ no Aterro do Flamengo.
Os produtos expostos poderão ser adquiridos pelos visitantes.
Contato por e-mail: loja@novodesenho.com.br
(Clique no flyer para ampliar e ler melhor)
15.6.12
Luiz Gonzaga, o eterno rei do baião
(Aqui vai uma matéria sensacional do meu amigo Jorge Sanglard, jornalista e pesquisador. Ele fala do mestre Luiz Gonzaga e sua sanfona que ainda hoje faz o Brasil arrastar o pé sem parar)
O Brasil comemora, em 13 de dezembro, o centenário de nascimento do “Rei do Baião”, o velho Lua, o Gonzagão, nascido Luiz Gonzaga do Nascimento, em 1912, num dia de Santa Luzia, na Fazenda Caiçara, depois Araripe, perto de Exu, no sertão pernambucano. Gonzagão cantou como poucos a alegria e a dor da gente de sua terra. Falecido em 2 de agosto de 1989, há quase 23 anos, mestre Lua merece toda a celebração e toda a festa que o Brasil fizer em sua homenagem. O sanfoneiro do povo de Deus, a voz da seca, deixou como legado uma música viva e forte, impregnada de alma, coração e fé. É o que deixa claro o seu legado musical. Sua obra é eterna e, quase 23 anos após sua morte, permanece como uma força da natureza, um grito de liberdade em nome de um povo que ainda luta por sua cidadania. Mas o que pouca gente conhece é o início da trajetória musical de Luiz Gonzaga em Minas Gerais, mais precisamente em Juiz de Fora, onde serviu o Exército durante cerca de cinco anos a partir de 1932.
Pioneiro da canção de protesto, com “Vozes da Seca”, em parceria de 1953 com Zé Dantas, Luiz Gonzaga simbolizou a voz de quem não tinha nem voz, nem vez. Em “Vozes da Seca” o recado social é direto: “Seu dotô, os nordestinos / Têm muita gratidão / Pelo auxílio dos sulistas / Mais dotô, uma esmola / A um homem qui é são / Ou lhe mata de vergonha / Ou vicia o cidadão”.
A trajetória de Luiz Gonzaga é um símbolo de persistência, obstinação, talento e força criativa popular. Filho do lavrador e sanfoneiro de oito baixos Januário e de Ana Batista de Jesus, a Santana, Gonzagão foi o segundo dos nove filhos do casal. Quatro de seus irmãos também seriam sanfoneiros. Seu pai era respeitado no sertão nordestino como sanfoneiro e consertador de sanfonas e influenciou os filhos. Aos oito anos, Luiz Gonzaga já tocava em festas e mostrava vocação para a música. Aos 17 anos, um namoro frustrado com a jovem Nazarena, filha de um fazendeiro da região, daria início a uma mudança radical na vida do sanfoneiro.
Em 19 de setembro de 1980, em Juiz de Fora, Minas Gerais, antes do esperadíssimo show “A Vida do Viajante”, ao lado do filho adotivo Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (22/09/1945 – 09/04/1991), o saudoso Gonzaguinha, o velho Lua voltava à cidade que mais marcara a sua vida após sair do Nordeste. Ao conceder um histórico depoimento ao Museu da Imagem e do Som de Juiz de Fora, tendo entre os entrevistadores os amigos Santo Lima, músico que acompanhou seu aprendizado no acordeão, e Romeu Rainho, seu empresário no início dos anos 1950, Luiz Gonzaga lançou um feixe de luz sobre um período pouquíssimo conhecido de sua vida.
Em entrevista emocionada, Gonzagão revelaria detalhes de sua saída de Exu, aos 17 anos, seu alistamento militar com a idade adulterada em um ano, poucos meses antes da eclosão da Revolução de 1930, sua vinda para Juiz de Fora, em 1932, onde viveu por cerca de cinco anos e aprimorou sua musicalidade, a ida para o Rio de Janeiro, em 1939, e o início do sucesso como o porta-voz do sertão, o Rei do Baião.
Gonzagão contou no depoimento ao MIS de Juiz de Fora em detalhes os motivos de ter deixado Exu: “Tudo isso que aconteceu comigo foi por causa de uma surra, uma surra bem dada, aquele castigo que, quando é bem aplicado, na hora exata, dá bons resultados. Foi o que aconteceu comigo. Puxador de sanfoninha, oito baixos, ‘pé de bode’, na companhia de meu pai, Januário, herdei essa vocação de tocador de sanfona. Minha mãe, uma mulher de mão aberta, Dona Santana, coração aberto, chegava a tirar dos filhos para matar um pouco a fome dos pobres. Pois bem, me considero o maior herdeiro, o herdeiro mais bem aquinhoado de meus pais, que nada tinham, mas tinham alma, coração e fé. Eu quis casar muito cedo, em 1930, aos 18 anos incompletos, e o pai da moça disse que eu era um tocadorzinho de merda, que eu não tinha futuro nenhum para sustentar a filha de um homem... E eu achei aquilo um desaforo. Moleque ignorante, raçudo, porque o pirão que mamãe fazia nos dava essa condição de ter bom físico, entendi de tirar a vida do homem. Porque negócio de matar gente no sertão foi mais maneiro, agora é que não é mais. Chamei o homem no canto da feira, assim, ele me enrolou na conversa, me tirou de banda, falou com a minha mãe e ela me expulsou dali da feira, fora da hora, porque ela não tinha vendido sequer as cordas que a gente tinha levado para vender e para poder comprar um quilo de carne e mais umas besteirinhas. Mas ela não quis vender nada, demos no pé e, chegando em casa, ela me cobriu no pau. Uma surra da moléstia. Meu pai me bateu pela primeira vez. Ele nunca havia me batido. Minha mãe tinha mão leve, mas meu pai não. Mas ele achou que eu havia me excedido e entrei no pau também pela mão pesada de meu pai”.
Foi a partir dessa surra de mãe e pai que Luiz Gonzaga resolveu sair de casa, em meados de 1930: “E foi aí que eu arribei, com raiva. Ingressei nas Forças Armadas e, para isso, tive que aumentar a idade, menti, porque eu queria me libertar”. Passou pelo Crato e depois por Fortaleza, no Ceará, onde serviu no 23.º Batalhão de Caçadores. A tensão política que precedia a Revolução de 1930 acabou levando Gonzagão e uma parte de seu batalhão para a cidade de Souza, na Paraíba, onde permaneceram por pouco tempo. Com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, Gonzaga foi deslocado com seus companheiros de farda para o interior do Ceará e também para Teresina, no Piauí. Passado o primeiro período alistado, pediu para ser engajado no Exército com destino ao “Sul” e acabou chegando com seu contingente ao Rio de Janeiro em fins de 1931, onde permaneceria internado no Hospital Geral do Exército, durante alguns meses, por ter adoecido.
Em agosto de 1932, Luiz Gonzaga foi destacado para Belo Horizonte, Minas Gerais, para o 12.º RI que, segundo Gonzagão, havia se esfacelado na Revolução de 1930 por ter resistido, leal e fiel ao governo, não se entregando e pagando um preço muito caro. Em novembro de 1932, chegaria a Juiz de Fora sendo destacado como corneteiro do Exército, servindo no 10.º RI. O corneteiro «Bico de Aço», como ficou conhecido, foi engajado e reengajado. Segundo Gonzagão, esse tempo de Exército fez com que se tornasse o mais antigo do grupo, com algumas folgas, e começou a fazer umas farrinhas. Como corneteiro, encantava os namorados com seu toque inusitado do ‘Silêncio’: “Eu estava fazendo da corneta um piston. Eu queria ser artista e danei de florear na corneta, mas eu me dei mal. E, um dia, fui em cana porque toquei bem demais. A disciplina me apanhou e eu tive que tocar o ‘Silêncio’ certo. Porque diziam que era tão bonito o ‘Silêncio’ que eu tocava que os namorados ficavam ali por perto para irem pra casa só depois que eu tocasse. E eu ficava por perto do corneteiro destacado para pedir pra me deixar tocar no lugar dele”.
Foi nesse período que conheceu o violonista e cantor Santo Lima e o sanfoneiro Dominguinhos Ambrósio, que faziam bonitas serenatas e Gonzagão gostava de acompanhá-los: “O Santo Lima cantava e tocava tanto um cavaquinho quanto um banjozinho legal. E a gente ia ali por aquelas ruas que têm aquelas caboclas diferentes, vindas de todas as partes do interior do Estado, vindo por aqui numa vida fácil, fácil, fácil. Muito fácil, mas ninguém queria ir para lá, homem nenhum queria ir lá enfrentar aquela vida fácil. Só queria saber de pegar as caboclas e sair vadiando por aí”.
Foi numa dessas noitadas que Luiz Gonzaga pegou um acordeão, pela primeira vez, das mãos do saudoso Dominguinhos Ambrósio: “Eu do Exército e ele da Polícia Militar, lá da Tapera, do famoso Segundo Batalhão de Minas”. E arremata: “Santo Lima me ensinou a cantar samba, me ensinou até a fazer acorde no violão e no cavaquinho. Eu também andei arriscando por aí, no violãozinho, tocando nas grossas e, na sanfona, procurando as pretas”. Segundo Santo Lima revelou na entrevista, como Gonzagão não tinha nada para fazer à noite acabava carregando o violão para ele no caminho das serenatas. E ainda contou uma história inédita: “O Regimento do Exército ordenou que o Dominguinhos Ambrósio, da PM, ensinasse ao Luiz Gonzaga a escala de 120 baixos e eu fui falar com o Dominguinhos, que reagiu e disse que, por ordem, não ensinaria. Só ensinaria por livre e espontânea vontade e porque gostava demais dele. E assim foi feito”. Mas, uma coisa era certa, Gonzagão já tocava a sanfoninha dele como gente grande e muita gente com os 120 baixos de um acordeão não fazia o que ele criava só com oito baixos.
Em 1937, ainda em Juiz de Fora, já estava pensando em pegar outro caminho: “Minha vida sempre foi andar, meu destino era andar, foi andando, foi amando esse terreno sagrado que me tornei Luiz Gonzaga, mas levei de Juiz de Fora o instrumento e essa vivência musical toda. Em Juiz de Fora, foi onde marquei mais a minha vida, após sair do Nordeste. Eu aprendi alguma coisa com o Santo Lima, com o Elias, músico do 12.º RI, a jazz band do 12.º, conheci o banjista famoso que cantava e sapateava, o Otavinho (Otávio Cataldi do Couto), e também o irmão dele o Mozart (Mozart Cataldi do Couto), que era divino tocando cavaquinho e violão. Conheci ainda o Armênio. E o Dominguinhos me levou a uma rádio para ver como funcionava e até dei uma puxadinha de fole por aí. Mas não havia a intenção de documentar nada naquela época. Acho difícil encontrar algum vestígio desse tempo”.
Com a organização de uma companhia que seria criada dentro do 11.º RI, em São João Del Rei, e, depois de formada, ia para Ouro Fino, no Sul de Minas, Luiz Gonzaga deixou Juiz de Fora. Em 1939, depois de uma década no Exército, daria baixa da caserna e rumaria para o Rio de Janeiro, levando sua sanfona branca de 80 baixos. Sua intenção era aguardar num quartel o navio do Lloyd que seguiria para Recife e depois pretendia voltar para Exu. Mas não foi isso que aconteceu. O atraso do navio fez com que Luiz Gonzaga explorasse a noite da zona boêmia do Mangue, no Rio de Janeiro, onde tocava, pelo dinheiro que pintasse, um repertório distante de suas raízes musicais. Por sugestão de um grupo de estudantes nordestinos, radicados no Rio, passou a tocar “os negocinhos do Nordeste”, isto é, forró, xaxado, maracatu e baião. A partir daí, sua vida começaria a mudar novamente.
Ao apresentar o chamego "Vira e Mexe" no programa de rádio de Ary Barroso conquistou a nota máxima, a nota cinco, e uns trocados, vislumbrando um novo caminho ao tocar as músicas do Nordeste brasileiro, aquelas coisas que ouvia, desde criança, ao lado do pai sanfoneiro Januário. Em março de 1941, Luiz Gonzaga com sua sanfona de 80 baixos substituiria um sanfoneiro na gravação da canção “A viagem do Genésio”, de Genésio Arruda e Januário França, deixando registrado seu batismo de fogo musical. Esta gravação abre o primeiro volume da caixa de três CD. Sua trajetória artística tomaria impulso e, graças a um contrato com a Rádio Tupi e com as gravações de seus primeiros discos de 78 rotações, na RCA, em 11 de março de 1941, Gonzaga dava os primeiros passos concretos para tornar seu nome uma legenda da música popular brasileira de todos os tempos. Segundo o pesquisador José Silas Xavier, as primeiras gravações trazendo Luiz Gonzaga cantando só surgiriam em abril de 1945. Daí pra frente, Gonzagão firmaria sua carreira e conquistaria o país com sua voz e sua sanfona.
De sanfona em punho, Gonzagão percorreu o Brasil inteiro e semeou por este imenso chão seu canto de fé e de esperança. Seu destino foi andar por este país afora e encantar o povo com sua música entranhada nas raízes do Brasil. Os anos 1980 marcaram a retomada do reconhecimento nacional da importância cultural e social do canto de Luiz Gonzaga. A turnê “A Vida do Viajante”, ao lado de Gonzaguinha, resgataria o prestígio de Gonzagão e reafirmaria sua contribuição como mestre da canção popular brasileira.
O produtor Leon Barg, falecido aos 79 anos, em 12 de outubro de 2009, no Rio de Janeiro, reeditou em CD pelo selo Revivendo inúmeras preciosidades musicais de Gonzagão. Após uma minuciosa pesquisa, tendo como assistente de produção a filha Lilian Barg, em 2006, Leon lançou um tributo triplo, pela Revivendo, intitulado “Luiz Gonzaga, seu canto, sua sanfona e seus amigos”, numa caixa de CDs em três volumes, que é uma homenagem ao sanfoneiro maior do Brasil e um exemplo do vigor da música de Gonzagão. Barg revelou todo o cuidado em reproduzir faixas históricas extraídas de velhos discos em 78 rpm e de LPs, trazendo 18 canções em cada um dos três CDs e a caixa atesta a importância do mestre Luiz Gonzaga no cenário da música popular brasileira do século XX, além de ser um tributo prestado à preservação da memória musical do Brasil. Constata a força de parceiros como Humberto Teixeira, Zé Dantas e João Silva, entre muitos outros compositores, e ainda revela canções de outros autores, como Walter Santos / Tereza Souza, Dominguinhos / Fausto Nilo, Genésio Arruda / Januário França, Mauro Pires / Messias Garcia, Patativa do Assaré, Rosil Cavalcanti, Onildo Almeida, Raul Sampaio, Luiz Ramalho, Genésio e o “velho” Januário José dos Santos, pai do sanfoneiro.
Entre as raridades reveladas está a gravação de Gonzagão, em 1968, em plena ditadura militar, cantando a emblemática “Prá não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré, que gravara, em 1965, a obra-prima “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, também incluída nesta edição histórica. A apresentação desta caixa da Revivendo foi assinada pelo pesquisador José Silas Xavier, uma referência na música popular brasileira, que narrou inúmeras passagens da trajetória do sanfoneiro maior do Brasil e traçou um perfil do compositor e instrumentista, que se tornaria uma das maiores expressões musicais brasileiras de todos os tempos. O referido depoimento de Gonzagão ao MIS de Juiz de Fora serviu de base para parte do texto elaborado por Silas apresentando os CDs. O teor integral da entrevista foi divulgado em primeira-mão, em julho de 1997, pela revista AZ, editada na época pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa).
O Brasil comemora, em 13 de dezembro, o centenário de nascimento do “Rei do Baião”, o velho Lua, o Gonzagão, nascido Luiz Gonzaga do Nascimento, em 1912, num dia de Santa Luzia, na Fazenda Caiçara, depois Araripe, perto de Exu, no sertão pernambucano. Gonzagão cantou como poucos a alegria e a dor da gente de sua terra. Falecido em 2 de agosto de 1989, há quase 23 anos, mestre Lua merece toda a celebração e toda a festa que o Brasil fizer em sua homenagem. O sanfoneiro do povo de Deus, a voz da seca, deixou como legado uma música viva e forte, impregnada de alma, coração e fé. É o que deixa claro o seu legado musical. Sua obra é eterna e, quase 23 anos após sua morte, permanece como uma força da natureza, um grito de liberdade em nome de um povo que ainda luta por sua cidadania. Mas o que pouca gente conhece é o início da trajetória musical de Luiz Gonzaga em Minas Gerais, mais precisamente em Juiz de Fora, onde serviu o Exército durante cerca de cinco anos a partir de 1932.
Pioneiro da canção de protesto, com “Vozes da Seca”, em parceria de 1953 com Zé Dantas, Luiz Gonzaga simbolizou a voz de quem não tinha nem voz, nem vez. Em “Vozes da Seca” o recado social é direto: “Seu dotô, os nordestinos / Têm muita gratidão / Pelo auxílio dos sulistas / Mais dotô, uma esmola / A um homem qui é são / Ou lhe mata de vergonha / Ou vicia o cidadão”.
A trajetória de Luiz Gonzaga é um símbolo de persistência, obstinação, talento e força criativa popular. Filho do lavrador e sanfoneiro de oito baixos Januário e de Ana Batista de Jesus, a Santana, Gonzagão foi o segundo dos nove filhos do casal. Quatro de seus irmãos também seriam sanfoneiros. Seu pai era respeitado no sertão nordestino como sanfoneiro e consertador de sanfonas e influenciou os filhos. Aos oito anos, Luiz Gonzaga já tocava em festas e mostrava vocação para a música. Aos 17 anos, um namoro frustrado com a jovem Nazarena, filha de um fazendeiro da região, daria início a uma mudança radical na vida do sanfoneiro.
Em 19 de setembro de 1980, em Juiz de Fora, Minas Gerais, antes do esperadíssimo show “A Vida do Viajante”, ao lado do filho adotivo Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (22/09/1945 – 09/04/1991), o saudoso Gonzaguinha, o velho Lua voltava à cidade que mais marcara a sua vida após sair do Nordeste. Ao conceder um histórico depoimento ao Museu da Imagem e do Som de Juiz de Fora, tendo entre os entrevistadores os amigos Santo Lima, músico que acompanhou seu aprendizado no acordeão, e Romeu Rainho, seu empresário no início dos anos 1950, Luiz Gonzaga lançou um feixe de luz sobre um período pouquíssimo conhecido de sua vida.
Em entrevista emocionada, Gonzagão revelaria detalhes de sua saída de Exu, aos 17 anos, seu alistamento militar com a idade adulterada em um ano, poucos meses antes da eclosão da Revolução de 1930, sua vinda para Juiz de Fora, em 1932, onde viveu por cerca de cinco anos e aprimorou sua musicalidade, a ida para o Rio de Janeiro, em 1939, e o início do sucesso como o porta-voz do sertão, o Rei do Baião.
Gonzagão contou no depoimento ao MIS de Juiz de Fora em detalhes os motivos de ter deixado Exu: “Tudo isso que aconteceu comigo foi por causa de uma surra, uma surra bem dada, aquele castigo que, quando é bem aplicado, na hora exata, dá bons resultados. Foi o que aconteceu comigo. Puxador de sanfoninha, oito baixos, ‘pé de bode’, na companhia de meu pai, Januário, herdei essa vocação de tocador de sanfona. Minha mãe, uma mulher de mão aberta, Dona Santana, coração aberto, chegava a tirar dos filhos para matar um pouco a fome dos pobres. Pois bem, me considero o maior herdeiro, o herdeiro mais bem aquinhoado de meus pais, que nada tinham, mas tinham alma, coração e fé. Eu quis casar muito cedo, em 1930, aos 18 anos incompletos, e o pai da moça disse que eu era um tocadorzinho de merda, que eu não tinha futuro nenhum para sustentar a filha de um homem... E eu achei aquilo um desaforo. Moleque ignorante, raçudo, porque o pirão que mamãe fazia nos dava essa condição de ter bom físico, entendi de tirar a vida do homem. Porque negócio de matar gente no sertão foi mais maneiro, agora é que não é mais. Chamei o homem no canto da feira, assim, ele me enrolou na conversa, me tirou de banda, falou com a minha mãe e ela me expulsou dali da feira, fora da hora, porque ela não tinha vendido sequer as cordas que a gente tinha levado para vender e para poder comprar um quilo de carne e mais umas besteirinhas. Mas ela não quis vender nada, demos no pé e, chegando em casa, ela me cobriu no pau. Uma surra da moléstia. Meu pai me bateu pela primeira vez. Ele nunca havia me batido. Minha mãe tinha mão leve, mas meu pai não. Mas ele achou que eu havia me excedido e entrei no pau também pela mão pesada de meu pai”.
Foi a partir dessa surra de mãe e pai que Luiz Gonzaga resolveu sair de casa, em meados de 1930: “E foi aí que eu arribei, com raiva. Ingressei nas Forças Armadas e, para isso, tive que aumentar a idade, menti, porque eu queria me libertar”. Passou pelo Crato e depois por Fortaleza, no Ceará, onde serviu no 23.º Batalhão de Caçadores. A tensão política que precedia a Revolução de 1930 acabou levando Gonzagão e uma parte de seu batalhão para a cidade de Souza, na Paraíba, onde permaneceram por pouco tempo. Com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, Gonzaga foi deslocado com seus companheiros de farda para o interior do Ceará e também para Teresina, no Piauí. Passado o primeiro período alistado, pediu para ser engajado no Exército com destino ao “Sul” e acabou chegando com seu contingente ao Rio de Janeiro em fins de 1931, onde permaneceria internado no Hospital Geral do Exército, durante alguns meses, por ter adoecido.
Em agosto de 1932, Luiz Gonzaga foi destacado para Belo Horizonte, Minas Gerais, para o 12.º RI que, segundo Gonzagão, havia se esfacelado na Revolução de 1930 por ter resistido, leal e fiel ao governo, não se entregando e pagando um preço muito caro. Em novembro de 1932, chegaria a Juiz de Fora sendo destacado como corneteiro do Exército, servindo no 10.º RI. O corneteiro «Bico de Aço», como ficou conhecido, foi engajado e reengajado. Segundo Gonzagão, esse tempo de Exército fez com que se tornasse o mais antigo do grupo, com algumas folgas, e começou a fazer umas farrinhas. Como corneteiro, encantava os namorados com seu toque inusitado do ‘Silêncio’: “Eu estava fazendo da corneta um piston. Eu queria ser artista e danei de florear na corneta, mas eu me dei mal. E, um dia, fui em cana porque toquei bem demais. A disciplina me apanhou e eu tive que tocar o ‘Silêncio’ certo. Porque diziam que era tão bonito o ‘Silêncio’ que eu tocava que os namorados ficavam ali por perto para irem pra casa só depois que eu tocasse. E eu ficava por perto do corneteiro destacado para pedir pra me deixar tocar no lugar dele”.
Foi nesse período que conheceu o violonista e cantor Santo Lima e o sanfoneiro Dominguinhos Ambrósio, que faziam bonitas serenatas e Gonzagão gostava de acompanhá-los: “O Santo Lima cantava e tocava tanto um cavaquinho quanto um banjozinho legal. E a gente ia ali por aquelas ruas que têm aquelas caboclas diferentes, vindas de todas as partes do interior do Estado, vindo por aqui numa vida fácil, fácil, fácil. Muito fácil, mas ninguém queria ir para lá, homem nenhum queria ir lá enfrentar aquela vida fácil. Só queria saber de pegar as caboclas e sair vadiando por aí”.
Foi numa dessas noitadas que Luiz Gonzaga pegou um acordeão, pela primeira vez, das mãos do saudoso Dominguinhos Ambrósio: “Eu do Exército e ele da Polícia Militar, lá da Tapera, do famoso Segundo Batalhão de Minas”. E arremata: “Santo Lima me ensinou a cantar samba, me ensinou até a fazer acorde no violão e no cavaquinho. Eu também andei arriscando por aí, no violãozinho, tocando nas grossas e, na sanfona, procurando as pretas”. Segundo Santo Lima revelou na entrevista, como Gonzagão não tinha nada para fazer à noite acabava carregando o violão para ele no caminho das serenatas. E ainda contou uma história inédita: “O Regimento do Exército ordenou que o Dominguinhos Ambrósio, da PM, ensinasse ao Luiz Gonzaga a escala de 120 baixos e eu fui falar com o Dominguinhos, que reagiu e disse que, por ordem, não ensinaria. Só ensinaria por livre e espontânea vontade e porque gostava demais dele. E assim foi feito”. Mas, uma coisa era certa, Gonzagão já tocava a sanfoninha dele como gente grande e muita gente com os 120 baixos de um acordeão não fazia o que ele criava só com oito baixos.
Em 1937, ainda em Juiz de Fora, já estava pensando em pegar outro caminho: “Minha vida sempre foi andar, meu destino era andar, foi andando, foi amando esse terreno sagrado que me tornei Luiz Gonzaga, mas levei de Juiz de Fora o instrumento e essa vivência musical toda. Em Juiz de Fora, foi onde marquei mais a minha vida, após sair do Nordeste. Eu aprendi alguma coisa com o Santo Lima, com o Elias, músico do 12.º RI, a jazz band do 12.º, conheci o banjista famoso que cantava e sapateava, o Otavinho (Otávio Cataldi do Couto), e também o irmão dele o Mozart (Mozart Cataldi do Couto), que era divino tocando cavaquinho e violão. Conheci ainda o Armênio. E o Dominguinhos me levou a uma rádio para ver como funcionava e até dei uma puxadinha de fole por aí. Mas não havia a intenção de documentar nada naquela época. Acho difícil encontrar algum vestígio desse tempo”.
Com a organização de uma companhia que seria criada dentro do 11.º RI, em São João Del Rei, e, depois de formada, ia para Ouro Fino, no Sul de Minas, Luiz Gonzaga deixou Juiz de Fora. Em 1939, depois de uma década no Exército, daria baixa da caserna e rumaria para o Rio de Janeiro, levando sua sanfona branca de 80 baixos. Sua intenção era aguardar num quartel o navio do Lloyd que seguiria para Recife e depois pretendia voltar para Exu. Mas não foi isso que aconteceu. O atraso do navio fez com que Luiz Gonzaga explorasse a noite da zona boêmia do Mangue, no Rio de Janeiro, onde tocava, pelo dinheiro que pintasse, um repertório distante de suas raízes musicais. Por sugestão de um grupo de estudantes nordestinos, radicados no Rio, passou a tocar “os negocinhos do Nordeste”, isto é, forró, xaxado, maracatu e baião. A partir daí, sua vida começaria a mudar novamente.
Ao apresentar o chamego "Vira e Mexe" no programa de rádio de Ary Barroso conquistou a nota máxima, a nota cinco, e uns trocados, vislumbrando um novo caminho ao tocar as músicas do Nordeste brasileiro, aquelas coisas que ouvia, desde criança, ao lado do pai sanfoneiro Januário. Em março de 1941, Luiz Gonzaga com sua sanfona de 80 baixos substituiria um sanfoneiro na gravação da canção “A viagem do Genésio”, de Genésio Arruda e Januário França, deixando registrado seu batismo de fogo musical. Esta gravação abre o primeiro volume da caixa de três CD. Sua trajetória artística tomaria impulso e, graças a um contrato com a Rádio Tupi e com as gravações de seus primeiros discos de 78 rotações, na RCA, em 11 de março de 1941, Gonzaga dava os primeiros passos concretos para tornar seu nome uma legenda da música popular brasileira de todos os tempos. Segundo o pesquisador José Silas Xavier, as primeiras gravações trazendo Luiz Gonzaga cantando só surgiriam em abril de 1945. Daí pra frente, Gonzagão firmaria sua carreira e conquistaria o país com sua voz e sua sanfona.
De sanfona em punho, Gonzagão percorreu o Brasil inteiro e semeou por este imenso chão seu canto de fé e de esperança. Seu destino foi andar por este país afora e encantar o povo com sua música entranhada nas raízes do Brasil. Os anos 1980 marcaram a retomada do reconhecimento nacional da importância cultural e social do canto de Luiz Gonzaga. A turnê “A Vida do Viajante”, ao lado de Gonzaguinha, resgataria o prestígio de Gonzagão e reafirmaria sua contribuição como mestre da canção popular brasileira.
O produtor Leon Barg, falecido aos 79 anos, em 12 de outubro de 2009, no Rio de Janeiro, reeditou em CD pelo selo Revivendo inúmeras preciosidades musicais de Gonzagão. Após uma minuciosa pesquisa, tendo como assistente de produção a filha Lilian Barg, em 2006, Leon lançou um tributo triplo, pela Revivendo, intitulado “Luiz Gonzaga, seu canto, sua sanfona e seus amigos”, numa caixa de CDs em três volumes, que é uma homenagem ao sanfoneiro maior do Brasil e um exemplo do vigor da música de Gonzagão. Barg revelou todo o cuidado em reproduzir faixas históricas extraídas de velhos discos em 78 rpm e de LPs, trazendo 18 canções em cada um dos três CDs e a caixa atesta a importância do mestre Luiz Gonzaga no cenário da música popular brasileira do século XX, além de ser um tributo prestado à preservação da memória musical do Brasil. Constata a força de parceiros como Humberto Teixeira, Zé Dantas e João Silva, entre muitos outros compositores, e ainda revela canções de outros autores, como Walter Santos / Tereza Souza, Dominguinhos / Fausto Nilo, Genésio Arruda / Januário França, Mauro Pires / Messias Garcia, Patativa do Assaré, Rosil Cavalcanti, Onildo Almeida, Raul Sampaio, Luiz Ramalho, Genésio e o “velho” Januário José dos Santos, pai do sanfoneiro.
Entre as raridades reveladas está a gravação de Gonzagão, em 1968, em plena ditadura militar, cantando a emblemática “Prá não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré, que gravara, em 1965, a obra-prima “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, também incluída nesta edição histórica. A apresentação desta caixa da Revivendo foi assinada pelo pesquisador José Silas Xavier, uma referência na música popular brasileira, que narrou inúmeras passagens da trajetória do sanfoneiro maior do Brasil e traçou um perfil do compositor e instrumentista, que se tornaria uma das maiores expressões musicais brasileiras de todos os tempos. O referido depoimento de Gonzagão ao MIS de Juiz de Fora serviu de base para parte do texto elaborado por Silas apresentando os CDs. O teor integral da entrevista foi divulgado em primeira-mão, em julho de 1997, pela revista AZ, editada na época pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa).
Panorama da Nova Canção Carioca: vitrine de talentos em shows, neste fim de semana, no Centro do Rio
Prezados amigos,
Um grande programa para a plateia carioca neste fim de semana: shows de uma rapaziada inspirada, prata do Rio, da qual faz parte o amigo cantor, compositor e violonista Vidal Assis. Também professor de biologia, é dele o recado, que repasso abaixo (com "flyer" e foto), sobre essa série de música popular e nele, ainda abaixo, no "link", em ilustração balançada desta dica, sintetizo a grandeza autoral de todos os artistas envolvidos: "Bolimbolacho", um belo samba que compôs em companhia de Sérgio Fonseca.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
Um abraço,
Gerdal
http://www.youtube.com/watch?v=Ioa8pyaNBF8 ("Bolimbolacho")
Queridos amigos,
Convido-os para a série de shows "Panorama da nova canção carioca", da qual orgulhosamente participo:
O projeto Panorama da nova canção carioca reunirá, no palco do Teatro Nelson Rodrigues (Avenida República do Chile, 230 Centro - Rio de Janeiro), nos dias 14, 15, 16 e 17/6, a partir das 19h30min, alguns dos novos compositores cariocas que vêm se destacando no cenário da Música Popular Brasileira. Serão quatro shows, com quatro nomes a cada dia, totalizando dezesseis compositores que também estarão no palco como intérpretes. Ingressos: 10 reais (inteira) e 5 reais (meia).
Dia 14 de junho (quinta-feira): Delia Fischer, Antonia Adnet, Lili Araujo e Maíra Freitas;
Dia 15 de junho (sexta-feira): Mauro Aguiar, Edu Kneip, Tiago Amud e Pedro Moraes;
Dia 16 de junho (sábado): Moyseis Marques, Zé Paulo Becker , Vidal Assis e Julio Dain. Convidado da noite: Marcos Sacramento;
Dia 17 de junho (domingo): Rodrigo Maranhão, Fabio Luna, Marcelo Caldi e Edu Krieger.
Estarei lá no dia 16/06 cantando minhas canções, e seria um prazer e uma honra vê-los por lá!
Um abraço carinhoso,
Vidal Assis
www.myspace.com/vidalassis
12.6.12
Jards Macalé dia 14 na Sala Sidney Miller
10.6.12
Lançamento (no Rio) de TUDO O QUE VOCÊ NÃO QUERIA SABER SOBRE SEXO
É para rir e aprender, he he - TUDO O QUE VOCÊ NÃO QUERIA SABER SOBRE SEXO é um livro da dupla Mirian Goldenberg e de Adão Iturrusgarai.
O Lançamento vai acontecer na LIVRARIA DA TRAVESSA DO SHOPPING LEBLON (Av. Afrânio de Melo Franco, 290), no dia dos namorados, 12 de junho, terça-feira, a partir das 19 horas.
O vídeo e o primeiro capítulo do livro você pode ver no site - clique no link http://www.record.com.br/miriangoldenberg/
Todos lá!!!
Labels:
Adão Iturrusgarai,
Conhecimento,
humor,
Mirian Goldenberg
Nietzsche - Filosofia, Arte e Vida - Ciclo de palestras no Rio e em Brasília
Nietzsche - Filosofia, Arte e Vida - Um evento imperdível para você saber tudo sobre o filósofo de Röcken.
Clique no seguinte link http://nietzschecaixa.wordpress.com/que você vai encontrar o site onde estão todos as informações sobre o ciclo de palestras sobre o filósofo bigodudo.
Só para reforçar a mensagem , aqui embaixo vão os dados principais- datas, locais e telefones. Os horários e os nomes dos paletrantes, vocês encontrarão no site - procurem!
O Evento vai rolar na Caixa Cultural do Rio de Janeiro , de 26 a 29 de junho de 2012. Endereço: Av. Almirante Barroso, 25 - Centro - próximo ao metrô - Estação Carioca (Telefone (21) 2544-4080
Em Brasília, vai rolar também na Caixa Cultural - de 17 a 27 de Julho de 2012. Endereço: SBS Qd 4 lote 3/4 (anexo do edifício Matriz da Caixa Econômica Federal) - Telefone (61) 3206-9448
Reservem seus lugares.
Todos lá!!!
9.6.12
Homenagem - Ivan Lessa
Uma modesta homenagem ao grande escritor e entre outros telentos, humorista Ivan Lessa, que faleceu hoje. São duas caricaturas, em dois tempos, sendo que uma é quase um projeto de monumento a ele, para ser "instalado" em Ipanema, junto ao mar (se possível, um monumento móvel). A outra está mais para o retrato, colorida, feita com lápis de cor e aquarela-, é para botar na parede da nossa memória falha. As duas foram publicadas no Jornal do Brasil e republicadas aqui nesse blogue.
A turma da fuzarca nunca mais será a mesma! Salve Ivan!
1.6.12
Capa da Agenda VivaMúsica!
Aqui vai a capa da Agenda VivaMúsica! de junho, na qual participei com minha ilustração.
É o Rio + Clássicos. Música clássica e contemporânea por todo lado.
Viva!
(Clique na imagem para ampliar e VER melhor)
Paula Faour mostra seu encanto, de dedos sedosos ao piano, nesta sexta instrumental do TribOz
Prezados amigos,
"Do You Know the Way to San Jose?" e "Samba de Verão" numa única faixa, espelho das demais, sem que se ouça, como num "pot-pourri", primeiro uma canção e depois a outra, mas, sim, uma combinação das duas que parece resultar numa terceira composição, um híbrido de sabor renovado: mais ou menos assim e com muita competência e delicadeza, a pianista e arranjadora Paula Faour (foto abaixo), revelação do piano jazzístico carioca, empreende um belo passeio musical pela afinidade melódico-harmônica entre os homenageados, o também carioca Marcos Valle e o norte-americano Burt Bacharach. Um CD envolvente do princípio ao fim, em que o toque suave e elegante de Paula, de certo modo, dá continuidade ao anterior, "Cool Bossa Struttin`" - de 2003 e produzido por Arnaldo DeSouteiro -, que a projetou, de início, no mercado japonês do disco antes do lançamento nacional.
Irmã da atriz e autora teatral Carla Faour e prima de Rodrigo Faour, destacado jornalista e pesquisador de MPB, Paula Faour apresenta-se nesta sexta, primeiro de junho, a partir das 21h, no TribOz ("flyer" e informação abaixo), mostrando outras gemas dos compositores citados, como "Seu Encanto" e "I Say a Little Prayer", além de algumas do primeiro CD, composições próprias e lembrança de Johnny Alf ("Céu e Mar") e Edu Lobo ("Casa Forte"). Sergio Barrozo, ao contrabaixo, Paulo Diniz, à bateria, e Tiago Trajano, à guitarra (este em participação especial), acompanham a também professora de piano Paula, formada pela Escola Nacional de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Uma moça que sabe o que faz e, com dedos sedosos ao teclado, percorre o caminho - o seu caminho - que leva o ouvinte a um lugar de beleza e bem-estar instrumental.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
Um abraço,
Gerdal
Pós-escrito: nos "links" abaixo, 1) Paula Faour, no "Instrumental Sesc Brasil", dá ao piano o seu "Recado", embalada na inspiração de Luíz Antônio e Djalma Ferreira; 2) toca "Piano ao Entardecer", música feita para ela por Sivuca (que ela, como pianista, acompanhou por alguns anos em muitos shows); 3) em festival de inverno de Nova Friburgo, juntamente com Edgar Duvivier (saxofone), Sérgio Barrozo (contrabaixo) e Paulo Diniz (bateria), executa o Burt Bacharach e o Marcos Valle inicialmente lembrados no texto acima; 4) com os seus colegas do Quinteto Sivuca e mais Nicolas Krassik, violinista francês radicado no Rio, em participação especial, apresenta "Nilopolitano", de Dominguinhos.
http://www.youtube.com/watch?v=JfXyT0SL3rI ("Recado")
http://www.youtube.com/watch?v=PbYOPNVIyIs&feature=related ("Piano ao Entardecer")
http://www.youtube.com/watch?v=ji6ER0uZFHk ("Do You Know the Way to San Jose"/ "Samba de Verão")
http://www.youtube.com/watch?v=tuSvJ-TFRpg ("Nilopolitano")
Informações do show: Dia: 01 de junho (sexta-feira). Horário: a partir das 21h.
Local: TribOz, Rua Conde de Lajes,.19 - Lapa (RJ).
Couvert Artístico: R$ 20,00. Reservas: 2210-0366. Classificação: 18 anos.
(Clique nas imagens para ampliar em VER melhor)
31.5.12
28.5.12
duo Vitor Lopes e Emiliano Castro 3a feira no Teatro da Vila, pelo Comboio de Cordas
O duo Vitor Lopes e Emiliano Castro apresenta mais que o encontro entre dois instrumentos super complementares por seus timbres e tessituras.
A gaita cromática e o violão de 7 cordas cumprem aqui sua função de ferramentas nas mãos de dois bons amigos, apaixonados pelos desafios dos instrumentos e das músicas, mas que privilegiam a comunicação entre as pessoas.
Sua música é conversa entre os músicos, é conversa com os clássicos e é conversa com o público. E seu repertório é um prato cheio: composições próprias, Heitor Villa-Lobos, César Camargo Mariano, Alessandro Penezzi, Paulo Moura, Jacob do Bandolim... Papo sério!
A entrada é livre no Teatro da Vila e contribuições no final do show também.
Uma praxe do projeto Comboio de Cordas é uma boa conversa entre público e músicos no final.
Até lá!
duo
Vitor Lopes . gaita cromática
e
Emiliano Castro . violão de 7 cordas
3a feira, 29 de maio de 2012
às 21h
no Teatro da Vila (Rua Jericó, 256 - metrô Vila Madalena)
http://comboiodecordas.pilarcultural.org/2037/agenda/teatro-da-vila/duo-emiliano-castro-e-vitor-lopes-no-comboio-de-cordas-29maio2012/
24.5.12
Lana Bittencourt revive os seus sucessos, nesta quinta, cantando, pela primeira vez, em casa noturna da Lapa
"...Esta noite não quero ninguém/não escuto mentiras de amor/das promessas que vão me fazer/a melhor sei de cor/Se alguém/um certo alguém/de novo, perguntar onde estou/diga, então, que quem saiu/recados não pediu nem deixou/vá dizer, se quiser, que sumi/devo andar a vagar por aí/por favor, posso chorar/atenda em meu lugar"
Prezados amigos,
Cognominada A Internacional por soltar, em densas interpretações, o vozeirão multilíngue ao longo da carreira, a "diva passional" Lana Bittencourt (fotos acima) apresenta-se nesta quinta-feira, 24 de maio, às 21h, em nova casa de shows da Lapa, a Sublime Relicário (Av. Gomes Freire, 773 - tel.: 2224-9824). Embora estudasse canto desde menina - começando pela expressão lírica com a professora Creuza Pena Forte -, a carioca Irlan Figueiredo Passos (seu nome verdadeiro), que cursou Filosofia e Letras, tinha como sonho dourado o Itamaraty, desejosa de abraçar a "carrière" como consulesa ou embaixatriz. A veleidade diplomática não foi adiante, mas o desembaraço idiomático sim, valendo-lhe, por exemplo, em fonogramas da Columbia, nos anos 50, a reprodução de "hits" estrangeiros, como "With All My Heart" - do filme "Ardida como Pimenta" ("Calamity Jane"), com Doris Day - e "Malagueña", do cubano Ernesto Lecuona, presentes no repertório de outra cantora famosa e de recado multilíngue, também em português, a ítalo-franco-alemã Caterina Valente (com esta, aliás, cantou "Aquarela do Brasil", acompanhada de orquestra, em um coreto de Amsterdã).
Morando há muito com o guitarrista Mirabeau (70 anos recém-completados) em Pedro do Rio (distrito de Petrópolis), a grande Lana, que também gravou versões, teve um "big" sucesso (o primeiro), em 1957, cantando em inglês "Little Darling" (vendendo no Brasil mais discos que o The Diamonds no estouro inicial do calipso pelo grupo vocal canadense), a que se seguiu, pouco depois, naqueles áureos antanhos do rádio, o samba-canção "Se Alguém Telefonar" (dos versos acima), composto pelo capixaba Jair Amorim e pelo mineiro Alcyr Pires Vermelho. Se na vida nem tudo são flores, só de espinhos, decerto, ela também não se faz. E, na discografia de Lana, enfaticamente apoiada em "cotovelo machucado", como no retrocitado samba-canção, o "lado B" lenitivo gira pela vibração do samba, até mesmo o de exaltação, e do baião. Com "Eu Me Descubro", levaria ao disco, pela primeira vez, em 1979, como autor, Moacyr Luz (ele, então, com 21 anos), um carioca plenamente identificado com o samba, ritmo em que, pelas vias da bossa e do balanço, ela, em 1960, já se salientara com um ótimo elepê: "Sambas do Rio", só com músicas de Tom Jobim e Luís Antônio.
Um bom dia a todos. Grato pela atenção à dica.
Um abraço,
Gerdal
Pós-escrito: a) o show no Sublime Relicário marca o "début" de Lana Bittencourt em casa noturna da Lapa;
b) nos "links" seguintes, Lana é ouvida em: 1) "Pobre Menino Rico", de Oscar Bellandi e Vargas Júnior; 2) "Se Alguém Telefonar", em clipe extraído do longa "Chofer de Praça", comédia estrelada por Mazzaropi em 1957; 3) "Exaltação à Bahia", de Vicente Paiva e Chianca de Garcia, antes gravada, em 1943, com sucesso, por Heleninha Costa; 4) "Poema das Mãos", de Luís Antônio; 5) "Esquecimento", de Nazareno de Brito e Fernando César; 6) "La Vie en Samba", de Denis Brean e Blota Jr., em que ela "gasta" o francês com muita graça; 7) "Johnny Guitar", célebre composição de Victor Young com letra vertida por Júlio Nagib e arranjo de Renato de Oliveira (consta do primeiro disco dez-polegadas que ela gravou, em 1955, com capa mostrada em foto abaixo)..
http://www.youtube.com/watch?v=bKRLbjaPcDg ("Pobre Menino Rico")
http://www.youtube.com/watch?v=iOGY_k0GnvM ("Se Alguém Telefonar")
http://www.youtube.com/watch?v=rD7PHzLXspg&feature=relmfu ("Exaltação à Bahia")
http://www.youtube.com/watch?v=sy1-yeEDg7s ("Poema das Mãos")
http://www.youtube.com/watch?v=zNxvYcpMcYk ("Esquecimento")
http://www.youtube.com/watch?v=vnBAUKR0Uno ("La Vie en Samba")
http://www.youtube.com/watch?v=2BQQbQh4e7M&feature=related ("Johnny Guitar")
Novo show RUI DE CARVALHO - CLUBE BRADESCO
Meu amigo Rui de Carvalho fará um show com o Grupo Eu Canto Samba no Clube Bradesco,no dia 1 de junho, na rua Barão de Itapagipe, 162 no Rio Comprido. Veja o Flyer - clique na imagem para ampliar e LER melhor.
9.5.12
Sérgio Ricardo, 80 anos: um talento senhor, em música e imagem, é atração nesta quarta em show-homenagem na ABL (grátis)Sérgio Ricardo, 80 anos: um talento senhor, em música e imagem, é atração nesta quarta em show-homenagem na ABL (grátis)
Prezados amigos,
Observando um deslizamento de terra que soterrou barracos numa favela já extinta do Humaitá, em frente à sua janela, Sérgio Ricardo teve o estalo criativo que inspirou o clássico "Zelão". Um samba de protesto que, além de o contrapor, na bossa nova, à corrente inicial "do amor, do sorriso e da flor", seria emblemático da preocupação social, da contestação política e do prurido libertário também presentes em outras músicas, como "Esse Mundo É Meu" (com Ruy Guerra), "Zé do Encantado", "Jogo de Dados", "Enquanto a Tristeza Não Vem" e a irônica "Conversação de Paz", que, no tempo da ditadura militar, caíam em cheio no desagrado dos censores. De espírito inquieto e manifestante de ideias e mensagens não raro críticas, também em outras artes, tornou-se, além de cantor, compositor, pianista e violonista de firma bem reconhecida na MPB, conhecido como pintor e, muito, como realizador de filmes, como "A Noite do Espantalho", em 1974, encenado no colossal teatro ao ar livre de Nova Jerusalém, de que os pernambucanos Alceu Valença e Geraldo Azevedo participaram como atores-cantores. O mesmo Sérgio revelador em si, ao longo de todos os anos de carreira, de um manancial de lirismo, sonho e fantasia desvelado em canções como "Folha de Papel", Buquê de Isabel", "O Nosso Olhar", "Pernas", "Ponto de Partida" e "Poema Azul", esta muito bem gravada pela inesquecível Heleninha Costa. Em suma, um criador que, com personalidade e engenho, soube deixar, por meio de partituras, tintas e fotogramas, fundas impressões de sua arte irisada, a arte de um talento multimarcas.
Sérgio Ricardo, oitentão, participa de show-homenagem ("flyer" abaixo), com entrada franca, nesta quarta, às 12h30, na ABL (Av. Presidente Wilson, 203 - Castelo - tel.: 3974-2500). Nos "links" seguintes: 1) "Pernas" e 2) "Conversação de Paz", na voz dele; 3) "Poema Azul", com Maria Bethânia; 4) "Zelão", nas saudosas cordas de Paulinho Nogueira.
Um bom dia a todos. Grato pela atenção à dica.
Um abraço,
Gerdal
http://www.youtube.com/watch?v=VHqlU1G67ik ("Pernas")
http://www.youtube.com/watch?v=BoWrdGlDqh0 ("Conversação de Paz")
http://www.youtube.com/watch?v=heStjXFlkmM ("Poema Azul")
http://www.youtube.com/watch?v=prYyAy2uKSU ("Zelão")
2.5.12
Assinar:
Postagens (Atom)





































