19.2.09

Dica do Gerdal : Meu bem, volto já!


Repasso a vocês comunicado que recebi do professor Jorge Sapia, sociólogo, mais conhecido entre os foliões cariocas como Jorgito, um argentino há décadas cooptado pela beleza e pujança da nossa cultura popular, sobretudo a carnavalesca. O bravo Jorgito, que já recebeu o título de Cidadão Carioca das mãos do vereador Eliomar Coelho, é figura destacada no refil do sassarico dos blocos no Rio e dá, abaixo, as coordenadas para mais um animadísimo desfile, na terça de carnaval, do Meu Bem, Volto Já!, do qual é presidente. Evoé, Momo!
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
"MEU BEM, VOLTO JÁ! INFORMA NA SOMBRA.
O Bloco Meu Bem, Volto Já! realiza seu 15 desfile, no dia 24 de fevereiro, terça-feira de carnaval, trazendo a alegria,tranquilidade e irreverência que o caracterizam. Quem comanda a bateria é o mestre Davi.
Concentra a partir das 14 horas na Av. Princesa Isabel esquina Barata Ribeiro -Praça Demetrio Ribeiro-,do lado da sombra.
Nesse novo trajeto, o bloco vai em direção à praia e acaba, como diz a letra do samba,"com um bailinho na praçinha" da pedra do Leme.
A camiseta foi desenhada pelo artista plástico Elso Arruda.Está à venda por R$ 20,oo no Botafogo Praia Shopping, 5º andar e na Macedonia Video, R.Gustavo Sampaio 676. Leme."
Abraços carnavalescos
www.meubemvoltoja.com
www.sebastiana.org.br

Da Série Caricaturas de Políticos: Aloizio Mercadante


Um dos quadros importantes do PT, Senador por São Paulo.
(clique na imagem para ampliar. Ela está pequena na página, (é um problema da ferramenta de postagem de imagem) mas quando é ampliada fica grande pacas, o desenho original tem 59 de altura por 12 de largura)

18.2.09

Caricaturas de Políticos: Norberto Bobbio


Bobbio militou, mas sua atividade foi basicamente intelectual. Pensou e influenciou a vida política italiana. Em 1984 foi "eleito" (na verdade nomeado) Senador Vitalício pelo Presidente de então - Sandro Pertini. Morreu em 2004 aos 94 anos de idade. Isto significa que acompanhou os principais acontecimentos do século XX. Não era um marxista,(num de seus textos disse que conheceu o marxismo tardiamente) mas deixou vários escritos sobre Marx no qual reconhece sua importância. Bobbio era um liberal "socialista" ao seu modo.

17.2.09

Dica do Gerdal : Fernando Leporace


Contrabaixista de longo curso na MPB, Fernando Leporace apresenta-se nesta terça, 17 de fevereiro, no Vinicius, para, juntamente com Felipe Poli (guitarra) e Rubinho (bateria), aveludar a noite ipanemense com temas seus e de outros compositores, tocados com eficiência e sensibilidade. Juntamente com a irmã Gracinha Leporace, o hoje produtor Mariozinho Rocha e o guitarrista e também produtor Guto Graça Melo, participou do Grupo Manifesto - surgido na agitada cena musical de fins dos anos 60, com o início do ciclo dos festivais -, integrando pouco depois, com o saudoso baterista Gegê (Getúlio Pereira), Amaury Tristão, o citado Guto, Helvius Vilela e Laudir de Oliveira, entre outros, o Vox Populi, de único e discreto elepê gravado, em 1969, mas sempre apreciado como um biscoito fino da modernidade do som na época. Em 1987, dividiu um ótimo disco com o pianista Maurício Gueiros, "Aldeia", e, nos últimos anos, vem abrilhantando, por exemplo, trabalhos no palco e em disco de outra irmã, Marianna Leporace, como no CD-tributo que ela fez em intenção de Baden Powell - e só com músicas compostas pelo genial varre-saiense - e "São Bonitas as Canções", que ela gravou em duo com a pianista Sheila Zaguri, destacando a parceria "teatral" de Edu Lobo e Chico Buarque.
O show tem início previsto para as 22h e conta com a participação especialíssima da cantora, violonista, compositora e arranjadora Celia Vaz. Satisfação garantida.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.

Mais um brinde: uma charge de João Zero

Caricaturas de Políticos: Delfim Netto


Foi um dos responsáveis pela montagem do esquema econômico da dietadura brasileira - não se pode esquecer de Roberto Campos, na época chamado pelo Pasquim de Bob Fields ( O Professor Delfim Netto atuou nos governos do Marechal Costa e Silva e dos Generais Médice e Figueiredo). Mandou pra caramba, congelou salários, dizem que aumentou a dívida externa e acelerou a economia do país. Disse numa entrevista que quem ficasse na frente, seria atropelado.Fez o chamado "milagre econômico" - o Brasil cresceu e não se sabe até hoje quem pagou a conta. A classe média nessa época ia para Bariloche e comprava muitos casacos de couro argentino.( o pessoal era chamado de "dá me dos"). Empregos para as classes médias se encontravam com a maior facilidade em cada esquina, era largar um para pegar outro.Foi um festival que tinha como platéia as classes subalternas. Sua grande sacada foi comparar o crescimento a um bolo. Um bolo que crescia , crescia, mas nunca chegava a hora de dividir. Chacrinha jogava bacalhau no público. No seu tempo disse um general de plantão. O Brasil ia bem e o povo ia mal. Depois de sair do poder entrou para a vida política como parlamentar.

Rui de novo nas paradas


Meu amigo Rui de Carvalho está de novo nas paradas. Montou seu acampamento na Lapa.
Clique na imagem para ampliar e saber detalhes.

Homenagem do Gerdal : Paulinho da Viola é enredo da União de Jacarepaguá, na Sapucaí, na terça de carnaval


"União de Jacarepaguá é uma agremiação que saúda de coração o Império do Marangá, Aprendizes de Lucas, Capela, Unidos da Tijuca...Acadêmicos do Salgueiro, Bento Ribeiro e outras mais são orgulho do samba brasileiro." Assim, em belíssima gravação, Paulinho da Viola canta o samba de Catoni e Jorge Mexeu. Neste carnaval de 2009, entre as 14 escolas do desfile do Grupo Rio de Janeiro I (ex-Grupo de Acesso B), da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, na terça-feira, 24 de fevereiro, será a vez de mais um orgulho do samba brasileiro, o próprio Paulinho, ser saudado pela União de Jacarepaguá, que, por alas e alegorias, ao som dos seus ritmistas, levará à principal passarela do país uma síntese expressiva da marcenaria artístico-criativa desse compositor oriundo do chão de estrelas de Botafogo. No alvorecer dos anos 60, na União de Jacarepaguá, vizinha à casa de uma tia, Paulinho fez o seu noviciado na quadra, até mesmo como compositor, ingressando depois na Portela, por meio do diretor de bateria da escola, Oscar Bigode. Já em Madureira, dizendo, de pronto, a que viera aos baluartes de azul-e-branco, compôs o clássico "Recado" com um deles, Casquinha, que, no seu auto-irônico "Cantor de Sacola", lhe faria, anos depois, uma referência lisonjeira. Ainda na Portela, em 1966, em parceria com Maninho e Catoni, comporia o samba-enredo do desfile campeão daquele ano, "Memórias de um Sargento de Milícias", puxado pela também iniciante Surica. No enredo da atual verde-e-branco de Campinho, entre vários aspectos retrospectivos de sua obra, o Zicartola (num sobrado da Rua da Carioca onde o antes bancário Paulo César Baptista de Faria receberia o seu primeiro cachê de artista) é, naturalmente, lembrado, até por ter sido inspirador do espetáculo "Rosa de Ouro", produzido por Hermínio Bello de Carvalho, também em 1966. No citado botequim histórico, Hermínio reencontrou o amigo e parceiro portelense (com quem comporia joias do quilate de "Sei Lá, Mangueira" e "Timoneiro"), que conhecera em roda de choro na casa de Jacob do Bandolim. Além de Aracy Cortes e Clementina de Jesus, Paulinho tomou parte do "Rosas de Ouro" juntamente com Nélson Sargento, Elton Medeiros, Anescarzinho e Jair do Cavaquinho, também frequentadores do Zicartola, o que, dado o sucesso da iniciativa, serviu-lhes para projetá-los a um público bem mais amplo.
Gosto muito do desfile da terça-feira de carnaval da Sapucaí, a que assisto, do início ao fim, todos os anos. Um desfile sem mídia e, portanto, sem "paraquedistas", o qual, sem desmerecer os da Liesa e da recém-fundada Lesga, é essencialmente comunitário, tem livre movimentação dos componentes na pista e, na minha opinião, o mais cativante de todos no chamado sambódromo. Em favor dele, uma palavra importante provém da carnavalesca Maria Augusta, que lembra que, nesse grupo, as escolas desfilam como desfilavam as grandes há quarenta, cinquenta anos, impressionando ainda a plateia pelo alentado número de passistas. Vindo num dos carros da União de Jacarepaguá, no enredo "A Toda Hora Rola uma História, com Samba e Chorinho de Paulinho da Viola", o homenageado é, sem dúvida, mais uma forte razão para estar lá.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.

16.2.09

Caricaturas de Políticos: Yasser Arafat


Foi líder da Autoridade Nacional Palestina, faleceu em 2004.

Novidades no blog do Professor Marco Aurélio Nogueira


O Professor Marco Aurélio Nogueira, (nosso querido sociólogo doutor em política que colabora com nosso blogue) informa que acrescentou 3 materiais muito interessantes no seu blog: uma entrevista de Alain Touraine, outra de Luiz Werneck Vianna, e um link para um fantástico clip musical, feito pelo movimento Playing For Change, que vale muito a pena ser visto.
O endereço do blog é http://marcoanogueira.blogspot.com/

15.2.09

Dica do Gerdal : A suingueira dez de Carlos Dafé é atração, hoje, em Botafogo


No domingo passado, a convite do publicitário e letrista Marco Versiani, parceiro de Dom Salvador, Helvius Vilela e Lisa Ono, assisti a show que recomendo, "Bem-vindo ao Baile" ("flyer" acima), o qual Carlos Dafé vem fazendo no Canequinho há alguns domingos. Criado numa família musical, filho de pai chorão, Dafé é um compositor e multi-instrumentista que tem sucessos na voz de Nana Caymmi, como os incrementados sambas "Passarela" e "Acorda Que Eu Quero Ver", além de outros gravados por ele, como "Pra Que Vou Recordar o Que Chorei", que também tem ótima interpretação de Emílio Santiago. Neste show, como nos anteriores da longa estrada sonora já percorrida, é dez a suingueira característica desse carioca de Vila Isabel, desta vez antecipando as faixas do CD homônimo, de lançamento próximo, que conta com a participação especial de Jorge Aragão e Zeca Baleiro, entre outros, e destaca-se, por exemplo, por um delicioso afoxé, "Ana Foliana", composto com Heitorzinho dos Prazeres. O show de hoje é o último dessa sequência em Botafogo, para o qual o cordial Dafé contará com um convidado "lendário" que, como ele (ex-integrante do excelente grupo instrumental Dom Salvador e Abolição, nos anos 60), é identificado como um dos principais "performers" da "soul music" tupiniquim: Gérson King Combo, irmão do "negro gato" Getúlio Cortes.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.

"Bem vindo ao Baile" - Carlos Dafé & Convidados
Temporada de Pré-lançamento do CD
Domingo
15 fev - convidados: Gerson King Combo + os Crioulos
Participação especial - MC Marechal.
E convidados surpresa!
Abertura e encerramento do evento - Dj Montano
Abertura da casa: 19h
Início do show: 21h30
Local: Canequinho Café (Anexo Canecão)
Av. Venceslau Bráz, nº215 - Botafogo
Entrada R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia e lista amiga)
Informações:
damicosansil.arte@gmail.com

14.2.09

Da Série Caricaturas de Políticos: Helmut Kohl


Helmut Kohl foi chaceler da Alemanha no período de 1982 a 1998 - sucedeu a Helmut Schmidt e foi sucedido por Gerhard Schröder.
Foi o cara que organizou a etapa de fusão das duas Alemanhas, a RDA e a República Federal Alemã (Ocidental) depois da queda do muro de Berlim.

Aviso aos Navegantes


É só hoje. Devido à mudança do horário de verão, vou botar algo no ar mais cedo , não vou esperar até meia-noite (uma hora da manhã do velho horário) para "postar" alguma coisa no blogue. Amanhã, já adaptado ao novo horário, volto à rotina. Considerem esse aviso algo do dia seguinte. Isto é de Domingo.

Dica do Gerdal: Samba Quilombola recebe Ivan Milanez em roda com feijoada neste sábado


Filho de fundadores do Império Serrano e um dos responsáveis, ainda na década passada, pelo ressurgimento com força do samba na Lapa, Ivan Milanez é compositor e percussionista bastante presente nas boas rodas cariocas, além de componente da Velha Guarda Show da verde-e-branco de Madureira, juntamente com Wilson das Neves, Aloísio Machado e Zé Luiz, entre outros bambas. Criado no convívio de figuras históricas da Serrinha, como Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Darci do Jongo, Ivan fez parte, na sua escola de coração, da primeira ala de passo marcado, a Sente o Drama, da história dos desfiles do gênero. É ele o nome justamente lembrado para homenagem do Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo, hoje, 14 de fevereiro, a partir das 14h, no novo endereço da Rua Ouseley, 810, em Fazenda Botafogo (em frente da estação homônima do metrô - linha 2), de acordo com o comunicado que repasso abaixo.
Um bom fim de semana a todos. Muito grato pela atenção.

"Aproveitando a máteria que saiu no caderno Rio Show do jornal O GLOBO de hoje, convidamos mais uma vez a todos para nosso samba.

Olá amigos, pode parecer redundante começar todos os nossos convites com a seguinte frase: É um prazer imenso convidá-los, mas trata-se da mais pura verdade.
Então, é com imenso prazer que convido a todos os amigos para o "Samba Quilombola" do mês de Fevereiro, que ocorrerá no dia 14/02, no segundo sábado, às 14h, como de costume.
Acho que nem preciso falar, mas o samba é sempre comandado pelo grupo Uto Tombo e sempre com a presença de convidados, que aliás, neste mês estaremos tendo a honra e o prazer de receber nosso amigo Ivan Milanez, um dos baluartes do Império Serrano. Falar mais do Milanez é "chover no molhado". Como diria meu finado padrinho Cláudio Camunguelo: "meu cumpadi, quem dá luz à cego é bengala...".
"Para os incautos", novamente copiando o padrinho, que não sabem onde fica o Quilombo, irei passar mais uma vez o nosso endereço: Rua Ouseley 810, Fazenda Botafogo - bem em frente à estação de metrô de mesmo nome.
A entrada é FRANCA e a cerveja custa R$2,80, sendo que é BRAHMA ou ANTÁRCTICA , ambas em garrafa. Também não posso esquecer da nossa feijoada que custa a "fortuna" de R$2,80 o prato."
Maiores informações:
Paulinho José: (21) 8589-4975.

Minhas caricaturas políticas: General Golbery do Couto e Silva


Considerado o "bruxo", eminência parda, homem forte por trás da dietadura que articulou o golpe de 64 . Personagem contraditório, foi chamado de "gênio da raça" num dos rompantes de Glauber Rocha. Escreveu um livro sobre Geopolítica onde diz que o Brasil vive um movimento de sístole e diástole, entre ciclos autoritários e democráticos. Espero que ele esteja errado. Seus arquivos ficaram com o jornalista Elio Gaspari que junto com as anotações de Heitor de Aquino se transformaram em material para os livos imperdíveis (história contada com sabor e fúria) dele sobre o período ditatorial no Brasil de 1964 a 1985.

Da série intercaladainha


Direto da torre da catedral imaginária de Guilherme Mansur.

Conto da Tinê: Valeriana


Assim que nasceu, riu. À equipe médica a expressão foi de quem pretendia levar a vida numa boa. Festeira, borbulhava como champanhe. Socializava pelo verbo. Formava patota de praia, de cinema, de bar. Aprendeu a tocar violão para confraternizar. Encadeava papo e piada sem intervalos, deixava a plateia respirar por ela. Escrevia sem vírgulas a desconhecidos numa corrente mundial de cartões-postais. Um aperto de mão, uma tapinha nas costas, um olá-te-ligo-depois eram o passe para entrar no rol de amizades renovável a cada ano. Qualquer um podia ser mencionado por ela como sendo um velho amigo seu ou uma velha amiga sua, mesmo que não mais soubesse da pessoa e esta nunca se recordasse dela.
Havia sempre uma Valéria entre as amigas-do-peito. Na escola era uma portuguesa de cabelo escorrido e rubis nas orelhas com quem juntava bonecas para o chá de mentirinha. Depois foi uma morena de tranças com quem ia à praia em pinicantes biquínis de lurex para discutirem se deviam beijar o namorado logo no primeiro encontro. No colégio tinha uma granfina que não perdia a temporada de ópera e sempre a convidava para assistir La Traviatta, Carmen, Ninon e outras desgraçadas que morriam no último ato, insistia em lhe emprestar acessórios para depois irem desfilar em grande estilo por restaurantes da voga em modelitos da ‘Sine Qua Non’. Na faculdade, muitas foram as Valérias que lhe passaram anônimas porque ela conheceu um rapaz que detestava praia, acampamento, teatro, comer fora, estar na moda, e ainda desafinava ao assobiar. Ela casou com o único Valério que conheceu na vida, calou-se para sempre e nem o próprio nome levou.
**************************************************
Tinê Soares (25/01/2009)

13.2.09

Da série intercaladainha


Direto da santa oficina de Guilherme Mansur que se retira para o deserto.

Minhas caricaturas políticas: General Geisel


Nesta Série, vou apresentar algumas caricaturas de políticos que fiz. Fiquem tranquilos, foram poucas.

12.2.09

Dica do Gerdal: Diana Dasha canta Aurora Miranda




No bojo das homenagens ao centenário de nascimento de Carmen Miranda, repasso, abaixo, o recado de Diana Dasha, ex-integrante da Equipe Mercado, grupo de rock nacional do início dos anos 70. Admirada por músicos de primeira linha, como o seu ex-professor Antonio Adolfo, e filha de um dos componentes do célebre Bando da Lua, o violonista Hélio Jordão, Diana participa da intensa programação desta semana, alusiva à Pequena Notável, no Museu Carmen Miranda, apresentando show, hoje, às 20h, em que homenageia Aurora Miranda, irmã de Carmen e intérprete de uma marcha de sucesso, muito bonita, de Custódio Mesquita, "Se a Lua Contasse" ("flyer" acima"). Destaco ainda, no rol de atrações previstas nesse museu do Flamengo, a palestra do jornalista e escritor Ruy Castro, biógrafo de Carmen, às 19h, pouco antes do show de Diana, e, depois de amanhã, dia 14, o show de Marcos Sacramento, também notável pela qualidade do seu canto, dos seus discos e da sua trajetória artística.
Muito grato a todos pela atenção à dica.
"Amigos,
um show diferente à vista, repertório original desta extraordinária
cantora que poucos conhecem, mas que agora será "desvendada", aos
olhos e ouvidos de todos. Mando programação em anexo, que dura a
semana toda!!!!
ESPERO VOCÊS LÁ!!!!"
bjs,

Retrato de Virginia Woolf


É uma das minhas maluquinhas preferidas. Sylvia Plath é outra, linda, um dia escreverei sobre as duas. Elas tinham consciência da loucura que minava suas delicadas pessoas.
Este desenho é um bico de pena com caneta de fluxo contínuo sobre papel Schoeler Hammer.

11.2.09

Um site francês de luta contra a discriminação


Tive a honra de ter um desenho meu (que fiz sobre os "Direitos Humanos") num Site francês que luta contra a discriminação. O nosso navegante pode acessá-lo clicando no seguinte endereço;
http://bibliotheque.sciences-po.fr/fr/produits/bibliographies/discriminations/documents.html

Cartum: Cuidado com os baixinhos

Da série intercaladainha


Direto da oficina imaginária do bravo poeta Guilherme Mansur

Dica do Gerdal: Thaís Fraga - bossa e jazz cantados muito à vontade, nesta sexta, no Leblon


Recebo da cantora Thaís Fraga cujo "flyer" repasso (acima), sobre show que ela volta a fazer nesta sexta, 13 de fevereiro, no Leblon, no Espaço Telezoom - Rua Dias Ferreira, 78 - terceiro andar -, às 20h30. Um peixe dentro d`água cantando bossa nova e jazz, a desenvolta Thaís estará, portanto, muito à vontade para, mais uma vez, mostrar a categoria do seu balanço, de tantos apreciadores na noite carioca. O tecladista que a acompanha, Ricardo Mac Cord, além do bom trabalho autoral e instrumental, costuma ser lembrado pela atividade que exerce, amiúde, como músico e arranjador, para a perspicaz e talentosa Angela RoRo. Deles, por sinal, é um ótimo samba, "Acertei no Milênio", jocoso e crítico quanto à realidade nacional, que vale a pena ser ouvido na voz dela no CD homônimo que gravou em 2001.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.

Mariana Massarani lança livro na Travessa do Leblon



Minha amiga, a grande ilustradora e autora de livros infantis Mariana Massarani lança com Felipe Ferreira ( com projeto gráfico de Daniela Martins da Traço Design) o livro A Escola do Cachorro Sambista. (A Editora é a Ática)
O lançamento será no dia 15 de fevereiro, às 16 horas na Livraria da Travessa - Shopping Leblon - Avenida Afrânio de Melo Franco, 290 - segundo piso.
Todos lá!

10.2.09

João Roberto Kelly e Céu na Terra: a marchinha campeã toma o bonde da folia



"Colombina, aonde vai você/eu vou dançar o ieieiê"; "Mulata bossa-nova caiu no hully gully/e só dá ela/ieieieieieiê na passarela"; "Israel, Israel/uma canção, uma lágrima/Israel.."; "Esta é a Praça Onze tão querida/do carnaval a própria vida..."; "Olha a cabeleira do Zezé/será que ele é, será que ele é"; "Paz e amor, paz e amor/guerra não, senhor, não senhor"; "Maria sapatão, sapatão, sapatão/de dia é Maria, de noite é João"; "Saudosos carnavais de antigamente/de tanta gente no bonde/pierrôs e colombinas dos subúrbios da Central descem para o carnaval"; "Esse menino é gay, gay, gay, gay/é bonitinho e sabe tudo o que não sei"; "Durmia pouco e andava triste/O doutor: "Que é que tem?" "Mal, mal"/me receitou twist/ai,ai,ai, então castiga nesse rebolado/que já estou gamado pelo seu twist"; "Joga a chave, meu amor/não chateia, por favor"; "Hoje lembrei Lamartine/com seu eterno tralalá/noites morenas do Rio/que estão no assobio, estão no tralalá..."; "Vem, ó minha linda mascarada/que uma noite não é nada"; "Ele vai ao Copa de Antonietta/vai de pirata ao Bola Preta/Tira a peruca/bota a peruca/tira a barbicha/bota a barbicha/fala fino, fala grosso/não dá pra entender o moço"; "Gatinha, que dança é essa que o corpo fica todo mole(bis)/é uma dança nova, que bole, bole, que bole, bole..."; "Bota a camisinha, bota, meu amor/hoje tá chovendo, não vai fazer calor..."
Compositor de domínio público por sua marchinha campeã em tantos carnavais, o pianista João Roberto Kelly é aquele ilustre passageiro que a admirável rapaziada da Orquestra Popular Céu na Terra terá a seu lado no bonde da folia, nesta quarta, 11 de fevereiro, no palco do Estrela da Lapa, às 22h30 ("flyer" acima). No próximo sábado, Kelly participa do II Baile do Amarelinho (sobre o famoso bar de mesmo nome, na Cinelândia), a partir das 19h, e, na semana que vem, nos dias 17, 18 e 19, apresenta-se no Rio Scenarium, também a partir das 19h. Por sua vez, a Céu na Terra, de que participa o amigo saxofonista Rafael Velloso, prossegue em sua animação carnavalesca, no Estrela da Lapa, nas quartas seguintes, mostrando um trabalho muito bonito, que vale a pena ser conhecido e cantado: "Viva o bonde, viva o bonde, viva o bonde de Santa Teresa..."
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

Da Série "Prosa Porosa"


O poeta Guilherme Mansur abandona a praia, mas inventa a última sacada antes de atacar o Atacama.

Cartum Da Série Flagrantes Literários

‘Pequena Notável’, ainda estrela de primeira grandeza


(No Centenário de Carmen Miranda, Jorge Sanglard (*) escreve um texto precioso, fruto de uma bela pesquisa)
Carmen Miranda (1909 – 1955), a “Pequena Notável”, completaria 100 anos, em 9 de fevereiro. Um dos ícones culturais do século XX, seu legado artístico permanece instigante, neste início de século XXI, como um ímã a atrair a atenção nos quatro cantos do planeta. Celebrações marcam o centenário de seu nascimento tanto no Brasil quanto em Portugal e nos Estados Unidos. A brasilidade de Carmen Miranda já despontava em suas primeiras gravações e seu vigor e versatilidade pulsavam desde os primeiros passos no samba e nas marchas carnavalescas. Sua influência cultural rompeu barreiras, enfrentou desafios e superou preconceitos. Carmen vivenciou e cantou as coisas e os ritmos do Brasil como poucos no século XX. Seus turbantes e balangandãs ganharam o mundo e sua atitude ajudou a mudar o comportamento de muitos. Já em meados de 1930, a promissora cantora revelava ao jornal O País: “Procuro apenas dar expressão ao meu sentimento, à minha alma”.
Nascida em Várzea da Ovelha, pequena aldeia de Marco de Canavezes, no distrito do Porto, no norte de Portugal, Carmen Miranda chegou ao Rio de Janeiro, no Brasil, aos 10 meses, trazida pela mãe, Maria Emília Miranda da Cunha, e a irmã mais velha, Olinda, ao encontro do pai, José Maria Pinto da Cunha, já no país há três meses trabalhando como barbeiro e sócio de um patrício dono do salão. Além de Olinda (1907), que também nasceu em Portugal, Carmen teve os irmãos Mario (1912), Cecília (1913), Aurora (1915) e Oscar (1917), nascidos e criados no Rio de Janeiro.
Aos 17 anos, Carmen realizava apresentações em festas familiares e participava, como figurante, em algumas filmagens. Até que, em 1929, o deputado baiano Aníbal Duarte apresentou a promissora cantora ao compositor, também baiano, Josué de Barros, que trabalhava na Rádio Sociedade Professor Roquete Pinto, e, depois de encontrá-la numa festa no Instituto Nacional de Música, convidou Carmen para cantar na emissora, o que aconteceria em 10 de março de 1929. Sua intenção de ouvir a voz da nova cantora em disco motivou a apresentação ao diretor da Brunswick, em 1929, onde Carmen gravou, provavelmente em setembro, pela primeira vez, os sambas “Não vá sim’bora” e “Se o samba é moda”, de autoria do próprio Josué.
O encontro musical entre Carmen Miranda e Josué de Barros foi definitivo na trajetória da cantora e os primeiros passos dessa desbravadora de caminhos podem ser conferidos no CD “Raridades”, lançado em março de 2007. O pesquisador Leon Barg, incansável em garimpar preciosidades da Música Popular Brasileira, pelo selo Revivendo, reverenciou a memória da cantora Carmen Miranda e a memória musical brasileira com o lançamento do CD “Raridades”, trazendo 21 faixas remasterizadas de antigos fonogramas em 78 rpm para o digital. Trata-se de um disco de importância histórica inquestionável e que ajuda a resgatar a integridade das performances musicais de Carmen Miranda, conferindo às gravações a qualidade de reprodução que elas merecem.
Em entrevista a R. Magalhães Júnior para a revista Vida Doméstica, em julho de 1930, a cantora revelaria: “Sou filha de Portugal, mas o meu coração é brasileiro, que se assim não fosse eu não compreenderia tão bem a música desta maravilhosa terra”. Entre 1929 e 1934, Carmen Miranda construiu seu prestígio no Brasil.
A partir de 1935, já na Odeon, consolidaria sua fama cantando grandes sucessos, como “Camisa listada” (samba-choro de Assis Valente), “No tabuleiro da bahiana” (batuque de Ary Barroso, com o regional de Luperce Miranda e participação de Luiz Barbosa), “O que é que a bahiana tem” (samba típico baiano, de Dorival Caymmi, com participação do autor e de regional), “Adeus batucada” (samba do juizforano Synval Silva) e muito mais, conquistando o mundo da música. Na Odeon, a cantora gavou 129 músicas, em 65 discos.
Seja nas rádios Mayrink Veiga, Tupi, e de volta à Mayrink Veiga, seja nos cassinos Copacabana Palace e Cassino da Urca, ou em shows e excursões pelo país e pelo exterior, Carmen lutou muito para se projetar. Até ganhar ampla notoriedade, quando embarcou no transatlântico Uruguay, em 4 de maio de 1939, acompanhada pelo Bando da Lua, para os Estados Unidos, onde esbanjou talento e versatilidade na música e no cinema. Carmen Miranda, ao chegar em Nova York, em 17 de maio de 1939, declararia à imprensa: “Vocês verão principalmente que sou cantora e tenho ritmo”. Nos Estados Unidos, trabalhou incessantemente até se consagrar como uma estrela internacional de primeira grandeza.
Consagração que o pesquisador José Silas Xavier aponta como decisiva para que Ruy Castro, biógrafo de Carmen Miranda, a elegesse como “a mulher mais famosa do Brasil no Século XX”. Seu livro “Carmen” (Companhia das Letras), lançado em 2005, conquistou o Prêmio Jabuti de livro do ano de não-ficção em 2006.
A estréia da cantora, em Nova York, com o Bando da Lua, aconteceu em 16 de junho de 1939 e, em 26 de dezembro, já gravava seus primeiros discos pela Decca norte-americana. De passagem pelo Brasil, em 15 de julho de 1940, segundo o pesquisador Abel Cardoso Júnior, a cantora teria uma fria recepção num espetáculo beneficente no Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, “acusada de se ter americanizado”. Mas, em 12 de setembro, voltaria ao palco do mesmo cassino e seria aplaudida entusiasticamente pelo público. Entre 2 a 27 de setembro do mesmo ano, Carmen gravaria suas últimas músicas no Brasil, quase todas rebatendo as críticas de sua pretensa “americanização”. De volta aos Estados Unidos, em 3 de outubro de 1940, marcaria presença no rádio, televisão, teatros, cassinos e casas noturnas e ainda atuaria em 13 filmes em Hollywood, entre 1941 a 1953, consolidando ainda mais o seu prestígio.
Carmen Miranda nunca esqueceu suas raízes e, em 13 de novembro de 1948, em pleno auge do sucesso, nos Estados Unidos, afirmaria: “Samba é samba. É preciso haver pandeiro, tamborim, cuíca e violão. De outro jeito, não é música brasileira”.
Mesmo ausente durante 14 anos do país, o retorno de Carmen Miranda ao Brasil, em dezembro de 1954, foi marcado por homenagens. Em abril de 1955, voltaria aos Estados Unidos, onde faleceu em 5 de agosto, aos 46 anos, em sua casa, em Beverly Hills, Los Angeles, vitimada por um colapso cardíaco, logo após filmar com Jimmy Durante para um programa de televisão norte-americano. O corpo de Carmen Miranda, transladado para o Brasil, foi velado na Câmara Municipal e sepultado no Rio de Janeiro, em 13 de agosto de 1955. Durante o trajeto, foi acompanhado por uma multidão calculada em meio milhão de admiradores, segundo Ricardo Cravo Albin no Dicionário Houaiss Ilustrado da MPB, e saudado pelos carrilhões da antiga Mesbla, que executaram o refrão do samba “Adeus batucada”, do compositor e seu amigo Synval Silva.
Os pertences da cantora foram doados pelos familiares ao Museu Carmen Miranda, em 1956, mas o museu somente foi inaugurado, em 5 de agosto de 1976, no Rio de Janeiro.
As 21 faixas remasterizadas do CD “Raridades” ressaltam tanto a qualidade do trabalho de transposição dos antigos fonogramas em 78 rpm para o digital, realizado pela Revivendo, quanto o cuidado com a apresentação de cada uma das músicas, a cargo do pesquisador José Silas Xavier, um profundo conhecedor do universo e dos bastidores da MPB.
As duas primeiras faixas, “Não vá sim’bora” e “Se o samba é moda”, de autoria do baiano Josué de Barros (1888 – 1959), foram gravadas em 1929 pela extinta Brunswick e são as únicas deste CD editadas anteriormente em LP pela própria Revivendo, no disco “Carmen Miranda – Cartão de Visita”. Estas também são as duas primeiras gravações da cantora. As demais 19 faixas foram gravadas por Carmen Miranda na Victor, entre 1930 e 1934 e, à exceção da canção “Sapatinho da Vida” (editada num CD fabricado na Comunidade Econômica Européia em 1995 e intitulado “Carmen Miranda – South American Way”), nunca saíram em LP ou em CD. Ganham, agora, a versão digital e lançam um novo feixe de luz sobre a obra musical da cantora.
Levada pelo violonista e compositor Josué de Barros, seu descobridor e padrinho, para gravar na recém-inaugurada Brunswick, em 1929, Carmen Miranda deixou registradas suas duas faixas inaugurais, mas como o disco não saía, segundo aponta José Silas Xavier, o próprio Josué procurou Rogério Guimarães (1899 – 1980), diretor-artístico da Victor, que também estava iniciando no Brasil, e acertou a ida de Carmen para a nova gravadora, “com a condição de interpretar música brasileira e não tangos, como vinha fazendo em algumas apresentações”. Em 22 de junho de 1930, também em entrevista ao jornal O País, a cantora afirmaria: “Não canto sem estar perfeitamente identificada com o espírito da música e da sua letra”. Na verdade, Carmen Miranda cantou o samba e as marchinhas do Brasil e seu corpo cantava com ela, como disse o saudoso Abel Cardoso Júnior (1938 – 2003). Na Victor, entre 1929 e 1935, a cantora gravaria 77 discos e 150 músicas.
Assim, o CD “Raridades” traz algumas gravações deste período de ouro para Carmen Miranda na música brasileira. O samba-canção “Mamãe não quer”, de Américo de Carvalho, que acabou não tendo muita divulgação por ser o lado B de “Taí” (Pra você gostar de mim), o mega-sucesso de Joubert de Carvalho nos carnavais de 1930 e 1931, revela o lado brejeiro da cantora. “O meu amor tem”, de André Filho (1906 – 1974), aborda a malandragem como tema e, na época, a revista Phono-Arte, especializada em crítica musical, destacou a “presteza, vivacidade e clareza de dicção” de Carmen Miranda nesta gravação. Em 22 de junho de 1930, o jornal O País publicaria uma entrevista com Carmen Miranda, considerando-a “a maior cantora popular brasileira”.
Também de Joubert de Carvalho (1900 – 1977) é a música “Neguinho”, com um humor malicioso, apontada também pela revista Phono-Arte, de 30 de junho de 1930, como exemplo de uma Carmen Miranda “toda sentimento e carinho”. O samba “O desprezo é minha arma”, de Naylor A. de Sá Rego (1906 – 1971), o Ioiô, traz a cantora acompanhada pelos Diabos do Céu. Segundo o pesquisador Silas Xavier, este conjunto de estúdio foi organizado por ninguém menos que o mestre Pixinguinha (1897 – 1973) e, na maioria das vezes, tinha seus arranjos e sua direção musical nas gravações, como é o caso desta. Na ausência de Pixinguinha, revela Silas, a direção passava para o bandolinista e contrabaixista João Martins, um português de Cabo Verde e grande músico, que, eventualmente, fazia arranjos para os Diabos do Céu e também para o Grupo da Velha Guarda, outra formação organizada por Pixinguinha para acompanhar as gravações na Victor.
A faixa “Se você quer” é uma parceria entre Joubert de Carvalho e Olegário Mariano (1889 – 1958), conhecido como “O Poeta das Cigarras”, eleito por concurso como o “Príncipe dos Poetas”, em substituição a Alberto de Oliveira (1857 – 1937), e foi também membro da Academia Brasileira de Letras. A marchinha “Por ti estou presa” é uma raridade ainda mais especial, ressalta Silas Xavier, por ter a própria Carmen Miranda como autora da música em parceria com Josué de Barros, como letrista. Esta gravação foi realizada no estúdio da Victor em São Paulo, inaugurado em maio de 1930.
Também realizada no estúdio da Victor, em São Paulo, a gravação de “Quero ficar mais um pouquinho”, outra pérola de Joubert de Carvalho, mereceu elogios do crítico Cruz Cordeiro, da revista Phono-Arte, de 28 de fevereiro de 1931, ressaltando “seu ritmo muito nosso e bem carnavalesco”. E o samba “O castigo hás de encontrar”, de Raimundo Sátiro de Melo (1900 – 1957), expressa a mais fina ironia. Sátiro de Melo era paraense, filho de um mestre de banda, com quem aprendeu a tocar diversos instrumentos, e ganhou prestígio no Rio de Janeiro como orquestrador e por passar para a pauta composições de autores que não liam nem escreviam música. Foi um dos fundadores da UBC e morreu quase obscuramente no Rio de Janeiro.
A faixa “Foi ele, foi ela” é uma parceria entre os mineiros Joubert de Carvalho e o compositor, cantor e radialista, Paulo Roberto, pseudônimo do médico José Marques Gomes (1905 – 1973). E a voz masculina que acompanha Carmen Miranda é de Castro Barbosa. O pesquisador Silas Xavier destaca uma curiosidade em grande parte das músicas gravadas na Victor em junho de 1931, como esta: “Trazem sempre a mesma instrumentação nos arranjos, sem no entanto a identificação do arranjador. Como é o caso das gravações de “Faceira” e de “Bahia”, com Sílvio Caldas, de “Gira” e “Benzinho”, também com Carmen Miranda” e não incluídas neste CD, e do maxixe de Pixinguinha “Levanta meu nego”, com a orquestra de J. Thomaz”. Silas aponta com certeza que “os arranjos não são de J. Thomaz, que não lia nem escrevia música” e afirma que o arranjador utilizou piano, banjo, tuba, trombone, bateria, dois ou três saxofones e dois pistões.
“Não tens razão” tem como autor João Freitas Ferreira (1911 – 2006), o Jonjoca, compositor, cantor, radialista e político (era vereador no Rio de Janeiro por ocasião da morte de Carmen Miranda), tendo gravado cerca de 150 músicas, algumas em parceria com Castro Barbosa. Segundo o pesquisador Abel Cardoso Júnior, autor da biografia “Carmen Miranda, a cantora do Brasil”, Jonjoca seria o baterista nesta faixa. Um dos violões é de Rogério Guimarães e o arranjo ainda inclui um pistão e um coro.
Joubert de Carvalho é o autor de outra marchinha de Carnaval “Tem gente aí”, onde Carmen canta acompanhada pela orquestra dirigida pelo maestro J.C. Rondon (Joaquim Corrêa Rondon), também arranjador e pianista. O pesquisador Silas Xavier adverte que o samba, e não marcha como consta no selo, “Adeus! Adeus!”, de André Filho, foi gravado em São Paulo, em 16 de dezembro de 1930, e só lançado em janeiro de 1932. Com destaque para a flauta de Atílio Grany, é o outro lado do zamba “Ya canta el gallo” gravado, em 26 de novembro de 1931, por Carmen Miranda cantando em espanhol e acompanhada pela Orchestra Typica Fernandez. Este zamba não integra o CD.
Joubert de Carvalho assina, para o Carnaval de 1932, outra marcha: “É de trampolim”, trazendo no coro que acompanha Carmen Miranda duas vozes masculinas, sendo uma de Sílvio Caldas. Neste ano, foi realizado o primeiro Baile Oficial do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A faixa “De quem eu gosto”, de Randoval Montenegro”, foi apontada pela revista Phono-Arte como um fox-trot “à la brasileira” e Rogério Guimarães é o violonista em destaque, acompanhando a Orquestra Victor Brasileira. E a cantora é acompanhada pelo Grupo do Canhoto, do violonista Rogério Guimarães, o Canhoto, em “Para um samba de cadência”, também de Randoval Montenegro.
Em agosto de 1933, Carmen Miranda assinaria contrato de dois anos com a Rádio Mayrink Veiga, tornando-se a primeira cantora do rádio brasileiro a celebrar um contrato, já que o usual na época era o cachê por apresentação.
Ary Barroso (1903 – 1964) assina a marchinha de Carnaval “Por especial favor”, lançada em abril de 1934, sem conquistar grande divulgação, pois foi o lado B de um dos grandes sambas do compositor mineiro: “Na batucada da vida”. Acompanhando Carmen Miranda, os Diabos do Céu, de Pixinguinha, tanto no lado A quanto no lado B, este integrando o CD.
Marcando forte presença neste CD, o compositor Joubert de Carvalho é o autor das faixas “Um pouquinho de amor” e “Sapatinho da vida”, gravadas no mesmo dia por Carmen Miranda, também acompanhada pelos Diabos do Céu, sob a direção de Pixinguinha, e lançadas no mesmo disco, conforme o registro da gravação.
Encerra o CD a marchinha que fez sucesso no Carnaval de 1935 “Tome mais um chope”, de Antonio Gabriel Nássara (1910 – 1996), grande caricaturista, jornalista e compositor carioca. Neste ano, Carmen Miranda trocaria a Victor pela Odeon. Na gravação, de 1934, ainda pela Victor, a cantora mais uma vez está acompanhada pelos Diabos do Céu, com direção de Pixinguinha, e um coro de duas vozes masculinas e uma feminina. Nássara aborda o famoso ponto de encontro de boêmios, compositores e intérpretes da música brasileira na “época de ouro”, o tradicional Café Nice, que marcou o Rio de Janeiro entre 1928 e 1954, na famosa esquina da Avenida Rio Branco com rua Bittencourt Silva.
(*) Jorge Sanglard é Jornalista e pesquisador

9.2.09

Homenagem do Gerdal : Marcos Moran - encontro com o cantor numa noite de festa em Vila Isabel


No início dos anos 60, de tanto passar em frente, todos os dias, do Copacabana Palace, perto do qual morava, Marcos Moran chamou a atenção do saxofonista e clarinetista Paulo Moura, que, batendo um papo com ele, disse-lhe que ele tinha "pinta de cantor" e lhe perguntou se ele era, de fato, dessa "praia". Paulo precisava de um "crooner" que substituísse aquele antes acertado para uma longa série de apresentações na boate do hotel e convidou Marcos, que até então cantara mais informalmente em clubes e reuniões festivas, para um teste. Aprovado, Marcos fez com sucesso toda a temporada, de quatro meses e meio, e, pouco depois, cantando num estilo suingado, "à la Simonal", gravava um disco pela RCA - num mesmo momento em que Caetano Veloso e Maria Bethania, antes da fama, tentavam a sorte pela mesma gravadora - e se tornava uma figura conhecida da noite e de atrações do rádio e da tevê. Flertou com a bossa nova, cantando, por exemplo, "Samba de Verão", de Marcos e Paulo Sérgio Valle, e gravando, da mesma dupla, "Fora de Tempo", embora o seu cartão de visita como intérprete se imprimisse, na MPB, em 1968, com o grande sucesso da gravação de uma bela marcha-rancho de Umberto Silva e Paulo Sette, "Até Quarta-Feira". Em 1979, a convite da diretoria da Unidos de Vila Isabel, voltaria à evidência no carnaval com a defesa na avenida do samba-enredo "Os Anos Dourados de Carlos Machado" (de Luiz Carlos da Vila, Tião Graúna, Jonas e Rodolfo), e assim seria até 1984, quando da sua saída da escola, após ter cantado, especialmente, em dois outros carnavais, duas gemas do bibarrense Martinho da Vila, "Sonho de um Sonho" e "Pra Tudo Se Acabar na Quarta-Feira".
Estive anteontem, pela primeira vez, no agradabilíssimo e recomendável encontro musical ao ar livre que o bloco do tipo concentra-mas-não-sai Eu Sou Eu, Jacaré é Bicho D`Água, à luz de datas socialmente representativas, promove periodicamente em Vila Isabel, na confluência das Ruas Torres Homem e Visconde de Abaeté, onde se situa o Bar do Costa, "highlight" da gastronomia popular por seus saborosos pitéus, e ponto bem próximo do famoso Petisco da Vila. Lá pude conversar bastante com Marcos Moran, capixaba de Alegre, e vê-lo, no meio do povo, dando uma supercanja com "Dindinha Lua" e os sucessos supracitados, empunhando o microfone com o braço direito e movimentando o esquerdo, para cima e para baixo, no ritmo dos sambas lembrados, uma marca gestual sempre associada à sua contagiante animação. A propósito, sempre vi nele, mais do que um bom cantor de samba, de timbre inconfundível, um notável animador do samba cantando. Já me despedindo dos amigos de lá, aliás um pouco antes, via, em canja posterior, mais um cantor de que não ouvia falar havia algum tempo, muito sorridente, também bastante curtido no ramo e identificado com a sedução boêmia da noite: Sam Rodrigues.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
(ilustração da dica do Gerdal é a capa CD de Marcos Moran - "O Barba Azul", de 1998)

Caricaturas que fiz : D. Helder Câmara


Meu querido amigo e editor Matico, do ViaPolítica me perguntou se eu tinha publicado uma caricatura de D. Helder no blogue. Eu disse que sim, mas esqueci de dizer que não tinha indexado o desenho (não tinha botado marcadores), então resolvi republicar, pois o visitante terá dificuldade encontrar essa caricatura na zorra desse meu arquivo.
Gracias, hasta la vista!
(A caricatura foi feita a bico de pena e caneta de fluxo contínuo sobre papel Schoeler Hammer liso)

Da Série Calçadão

8.2.09

Aviso aos Navegantes


Não é que eu não goste de Carnaval. Quando menino fazia "sangue de diabo" amassando flores e frutos vermelhos que depois de coados iam para uma bisnaga plástica (que imitava lança perfume de rodo metálico) e tome jato! Manchei muita roupa de gente e depois corri feito louco para não ser apanhado. Já pulei quase em todos os blocos do Rio de Janeiro fanstasiado de "sheik de araque". Desfilei na Vizinha Faladeira em homenagem ao grande Lan. Já vi minha escola (a Mangueira) desfilar e ganhar. Torci pela minha segunda escola - que é a de minha mulher - a Mocidade Independente de Padre Miguel.
Simplesmente gostaria de pertencer a um planeta em que o carnaval não existisse como obrigação uma vez por ano. Não sei porque um dia essa folia toda, me encheu as medidas. Uma vez passei o carnaval no sul, em Santa Catarina. Parecia que estava na Alemanha, todo mundo trabalhou no período momesco. Nenhuma serpentina ou confete. Acho que foi aí que começou essa onda de me desligar da festa da carne. Em Laranjeiras , como Gerdal indicou, já está repleta de blocos. São meus vizinhos, barulhentos, cheios de gente encharcada de cerveja a mijar pelos muros e postes. Esse ano declinei desse delírio de massa e me concentrei no mundo de minha mãe, que agora é minha grande companheira de histórias. Aprendo com ela o valor do respeito à vida, a indignação diante da falência desse mundo, e recordo tempos que não vivi. Um dia falarei dela, de sua imensa força anônima, de sua teimosia, de sua fúria glauberiana. A minha costureira preferida. Com essas palavras quero dizer que esse blogue continua de férias, tocando o bonde conforme a música que anima a minha casa, intra muros. De fora, só os ecos dos tambores que um dia vão calar.

Dica do Gerdal : É Batata!": Tio Samba e Simone Lial evocam a Pequena Notável, no CCC, em show imperdível


Criado em 1998, em Niterói, o Tio Samba, após alguns anos de ausência, reaparece na cena musical carioca nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, com "É Batata!", um show da maior importância, alusivo ao centenário de nascença de Carmen Miranda, antecedido pela exibição de um curta sobre ela com direção de Jorge Ileli. A respeito, vale a pena ler o texto abaixo, preparado pela produção, não apenas sobre a trajetória dessa ótima orquestra de samba, mas também sobre a orientação dos músicos, entre eles o excelente trombonista Fabiano Segalote, pela evocação de uma Carmen não muito mostrada ao público em outras homenagens a ela. No palco, todos eles terão uma "partner" fantástica: a cantora Simone Lial, uma escolha mais do que acertada para os duetos que serão feitos com o "crooner", Carlos Mauro. Imperdível!
Um bom domingo a todos. Muito grato pela atenção.

"Na qualidade de "orquestra típica de samba", o Tio Samba comemora o centenário de nascimento da maior cantora da Era de Ouro, interpretando, com novos arranjos, sambas de seu repertório, alguns deles clássicos populares como "Na Baixa do Sapateiro", de Ary Barroso, "Alô, Alô", de André Filho e "Adeus Batucada", de Synval Silva, e outros não tão conhecidos como "Fon Fon", de Braguinha e Alberto Ribeiro, e "Gira", também de Ary Barroso. Neste show comemorativo, o Tio Samba destaca um universo não muito explorado em outras homenagens à cantora: os duetos. Dessa forma, grande parte das músicas do espetáculo será interpretada por Carlos Mauro, cantor do grupo e pela cantora convidada Simone Lial, em participação especialíssima.

"Para nós do Tio Samba - ressalta Carlos Mauro -, contar com Simone Lial para esta homenagem à Carmen Miranda é um grande trunfo e um imenso prazer. Já trabalhamos com ela no espetáculo em comemoração ao centenário de Ary Barroso em 2003 e foi ótimo. É uma cantora que alia um belo timbre de voz a uma técnica apurada, tem grande versatilidade e uma forte empatia com o público, além de sua característica "alegria de cantar", talentos estes que a aproximam da nossa homenageada".

A expressão "É Batata!", que dá nome ao show, era uma das gírias favoritas e mais utilizadas pela Pequena Notável para dizer que alguma coisa era boa e valia realmente a pena. O espetáculo tenta reviver o espírito de 1930, um tempo em que tudo era alegria e os eventuais dissabores eram enfrentados com fina ironia e inspiravam obras primas da nossa música popular.

A intenção do Tio Samba também é a de apresentar uma Carmen Miranda não muito conhecida, aquela cantora que foi a maior e a mais ousada da música popular brasileira dos anos trinta. Uma Carmen esquecida da memória do público brasileiro, traída pela imagem de humorista sul-americana propagada pelos filmes de Hollywood. Uma Carmen "pré Lady of the Tutti Frutti Hat".

Além de toda a homenagem a Carmen Miranda, este show marca o retorno do Tio Samba aos palcos cariocas após quatro anos de ausência e também a volta da sua formação instrumental original, com um trompete no naipe dos sopros em vez da flauta que vinha sendo utilizada pelo grupo desde meados de 2001. Outra novidade é que, neste show, pela primeira vez em sua história, o Tio Samba apresenta não só músicas arranjadas por Carlos Almada, mas também por outros dois arranjadores: Bernardo Dantas, violonista do Semente, grupo que acompanha a cantora Teresa Cristina, e Fernando Brandão, violonista do Tio Samba.

O Tio Samba é formado por Carlos Mauro (voz e gaita), Simone Lial (voz), Marcio Contente (sax tenor), Whatson Cardoso (clarineta e sax alto), Fabiano Segalote (trombone e bombardino), Matheus Pardal (trompete), Davi Nasa (tuba), Fernando Brandão (violão), Thiago Cunha (cavaquinho), Marconi Bruno, Felipe Bruno e Edson Menezes (percussão)

Antes do show, graças a uma parceria com o Centro Técnico Audiovisual, órgão vinculado à Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura será exibido o documentário "Carmen Miranda", de Jorge Ileli, que apresenta cenas da vida da cantora e de seus filmes, mostrando seus números musicais e um depoimento de César Ladeira."

Da Série Calçadão


Sugestão de Guilherme Mansur - (poderia ser "sujestão" para se adequar ao tema do cartum)

7.2.09

Dica do Gerdal : Blocos de Laranjeiras em CD que é atração extra, hoje, no desfile do Imprensa que Eu Gamo


Da querida Sanny Alves, cantora de ótimo CD, "Da Cor do Pecado", já conhecido no Japão e que precisa ser divulgado aqui, recebo o recado abaixo repassado. No desfile de hoje, 7 de fevereiro, do Imprensa Que Eu Gamo, uma satisfação adicional: o lançamento do CD que é importante registro do fortalecimento de Laranjeiras como bairro momesco, já agrupando o maior número de blocos da nossa cidade. Uma bela iniciativa, pois, de dois instrumentistas e compositores, Rodrigo Penna Firme e Ricardo "Canja Carioca" Moreno (este também colunista musical, especialmente voltado para a produção independente) que se alia, no gênero, ao livro do jornalista João Pimentel, "Blocos", publicado há alguns anos pela Relume-Dumará, sobre o notável e relativamente recente crescimento do carnaval de rua no Rio, mesmo com a Prefeitura, por vezes, atrapalhando ou fazendo gol contra.
Um bom fim de semana a todos. Muito grato pela atenção.

""PRIMEIRA COLETÂNEA DOS BLOCOS DE LARANJEIRAS - é o CD que registra a folia nos blocos carnavalescos que tradicionalmente desfilam no bairro das Laranjeiras. Um perfil das múltiplas facetas e das tradições do bairro, traçado a partir das características próprias de cada bloco, cantada em sambas e marchas.
Laranjeiras foi escolhido para dar a partida no processo de registro do carnaval de rua por causa da grande concentração de blocos, a maior da cidade. Ensaios e desfiles reúnem locais, pessoas de bairros vizinhos e de todas as partes, foliões de todas as camadas sociais e faixas etárias, diversidade total, marca registrada do bairro" - pesquisou Ricardo Moreno (Canja Carioca) que assina o projeto em parceria com Rodrigo Penna Firme (Penna Firme Produções). A dupla tem o apoio da AMAL e do jornal Folha da Laranjeira.

"Buscamos patrocínio no comércio local, mas, devido à urgência na finalização, não foi o suficiente, tivemos também que usar recursos próprios para a conclusão em tempo hábil". - comenta Rodrigo.

Ambos concordam que o melhor do projeto é a alegria e a boa vontade na participação de todos.

Os CDs serão distribuídos em consignação entre os onze blocos participantes para comercialização, a preços populares nos ensaios e desfiles, de maneira que todos saiam ganhando, principalmente o folião, que poderá levar pra casa um pedaço do carnaval de rua.
Participam da PRIMEIRA COLETÂNEA DOS BLOCOS DE LARANJEIRAS os seguintes blocos:
GIGANTES DA LIRA - VOLTA ALICE - IMPRENSA QUE EU GAMO - CONCENTRA MAS NÃO SAI - QUEM NÃO GUENTA BEBE ÁGUA - LARANJADA SAMBA CLUBE - BAGUNÇA O MEU CORETO - XUPA MAS NÃO BABA - BREJEIRO - GB BLOCO - LIRA DE OURO."
Serviço
O que: Lançamento da Primeira Coletânea dos Blocos de Laranjeiras
Quando: 7 de fevereiro, sábado, no desfile do bloco Imprensa que eu Gamo. Concentração a partir das 12h / Saída do bloco às 15h
Onde: Mercadinho São José, Laranjeiras
Quanto: Gratuito e classificação etária livre

Da Série "prosa porosa"


Direto da oficina imaginária da praia de Guilherme Mansur. O poeta recolhe seus pertences e ruma para o deserto.O que virá?