4.10.10

Lennie Tristano - Tangerine


Procurei no YouTube uma apresentação do blue mais triste e comovente da história do Jazz - intitulado "Requiem" e executado por este pianista que deve estar no Olimpo junto com Miles Davis, Charlie Parker, Charles Mingus, Coltrane, Monk e vai por aí... Era cego e com via o teclado se desenhar em seu cérebro e se projetar em neon na escuridão que ele atravessava em improvisos sem fim - e assim ele tocava o universo. Universo, segundo ele, sem a presença de Deus - o que , de acordo com relato de Charles Mingus a Fats Navarro (em Saindo da Sarjeta) quase lhe custou a vida nas mãos enormes e geniais de Charlie Parker, totalmente possesso numa noite perdida no tempo. Para homenagear Charlie Parker, ele compôs "Requiem". Se um dia eu conseguir botar uma trilha sonora neste blogue, eu colocarei "Requiem" tocado pelo Tristano.( no Youtube tem uma versão cover, mas sem aquela pegada). Aqui no Brasil, essa música saiu num LP (disputadíssimo) de uma coletânea de jazz, famosa por ter como capa a ilustração de uma pintura de Picasso, a do guitarrista cego com fundo azul.
Aqui para a delícia de nossos olhos e ouvidos, ele toca Tangerine. Isso aconteceu em Copenhagen em 1965 - aqui ele entorta o piano suavemente.

Programe-se: Lançamento de "Barcolagem" em Sampa


Vai acontecer num sábado,mais propriamente no dia 9 de outubro, às 19 horas na Casa das Rosas , na Avenida Paulista, 37 em Sampa, o lançamento de Barcolagem - Poesia de Guilherme Mansur em edição de Dulcinéia Catadora. (Veja no cartaz acima)
Uma explicação Barcolagem:
Barcolagem foi escrito para a peça “Erwartung”, de Schöenberg,
executada pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, no teatro
do Palácio das Artes em Belo Horizonte no ano de 2009, sob
regência de Abel Rocha e direção de cena de Gilberto Gawronski.

Distribuído em estrofes de três versos ao longo das páginas, trata-se
de uma colagem com versos de August Stramm, traduzidos pelo
poeta Haroldo de Campos e adaptados, com arranjo e releitura de
Guilherme Mansur, ao cenário de um barco a subir o rio Buranhém,
cercado por um extenso manguezal no sul da Bahia.

Erwartung (Espera) é um drama sobre o medo e o descontrole, em
um ato e quatro cenas. O libreto de Marie Pappenheim constroi um
monólogo psicológico de uma mulher que espera seu amante num
bosque, até que descobre o corpo do moço assassinado. Começa,
então, a tecer, em frases entrecortadas, uma série de divagações e
lembranças sobre uma provável traição do amado, e considera até
mesmo a possibilidade de ter sido ela a autora do crime.

Composta para uma voz e grande orquestra, a ópera, denominada
monodrama pelo compositor, foi escrita há um século, em 1909.

3.10.10

Paulinho Soares tem o seu samba marcante revivido, neste domingo, em Laranjeiras - "o destino nunca foi bom alfaiate"



  "O patrão mandou cantar com a língua enrolada/everybody, macacada, everybody, macacada/e também mandou servir uísque na feijoada/do you like it, macacada, do you like it, macacada?/e ainda mandou tirar nosso samba da parada/very good, macacada/very good, macacada..."
 
 
      ***
 
         Teve projeção aquém do seu talento, como muitos artistas, infelizmente, que remam contra a correnteza do jabá na grande mídia, mas, mesmo assim, nos anos 70, quando surgiu, emplacou sucessos como "Quebra-Cabeça", gravado por Antonio Adolfo e a Brazuca (terceiro "link" abaixo) e feito em parceria com o publicitário Marcello Silva (música recentemente regravada por Oswaldo Montenegro no DVD "Quebra-Cabeça Elétrico"), "Tira-Teima" e "Antes Ele do que Eu", muito bem levado ao disco por Beth Carvalho (ouvida no segundo "link" abaixo).
         Conheci Paulinho Sores (foto de capa de elepê, acima), pessoalmente, no comando de uma simpática e duradoura roda de samba realizada no bar Severyna, em Laranjeiras, aos domingos, só interrompida, por obra do destino, "mau alfaiate" (como afirma em verso do supralembrado samba gravado por Beth - ela que também gravou outra ótima composição dele, "Os Brasíadas"), no ingrato arremate, aos 59 anos de idade, de um infarto que o acometeu no apartamento onde morava, no Leme. No primeiro dos "links" abaixo, participando do programa "Os Trapalhões", na TV Globo, o próprio Paulinho - paraense criado no Rio e de espírito brincalhão e crítico, também encontrado nos desfiles do bloco do Clube do Samba - interpreta outro samba de sua lavra, que, ainda nos anos 70, teve ampla execução ("O Patrão Mandou", de refrão ainda atual transcrito acima), que, neste 3 de outubro de eleição, destaco como reflexão quanto ao desenvolvimento de um país que, no meu modesto entender, precisa voltar-se mais para o espelho caseiro da sua extraordinária grandeza cultural.
        Um bom domingo a todos. Muito grato pela atenção à dica e ao recado que recebi e repasso em seguida.
        
       ***
             
               http://www.youtube.com/watch?v=3Rj0QRM_q74  ("O Patrão Mandou")
                
               http://www.youtube.com/watch?v=m_nB7GnfvfQ&feature=related  ("Quebra-Cabeça")
 
               http://www.youtube.com/watch?v=xmVwPtYSFho ("Antes Ele do que Eu")
 

Flagras literários

Pearl Jam interpreta Love, reign ro'er me


Esta música interpretada pela banda Pearl Jam , fazendo um "cover" do The Who é sensacional. Os caras entendem do riscado.
O vídeo não é oficial, isto é não foi feito pelo pessoal que cuida da divulgação da banda, foi feito por um fã, com algumas fotografias suas e de outras pessoas - principalmente as dos shows.
NR:Love, reign ro'er me foi escrita por Pete Townshend e faz parte do Rock Ópera Quadrophenia de 1973, que virou filme . Eu já postei aqui a capa do LP desta obra prima do rock e acho que falei sobre o filme e tudo mais - consultem os arquivos do blogue. Townshend é um gênio e sua banda The Who foi sublime, para dizer o mínimo.

2.10.10

Gerdal indica:Antonio Adolfo faz show, neste sábado, no Lapinha, com a filha Carol Saboya, e mostra as músicas do mais recente CD, "Lá e Cá"



"Quem vem na dança/tem lua cheia, cheia de esperança/tem brincadeira e vale ser criança/agora é hora de esquecer a dor/e a batucada vai saindo nas ruas/quem era triste já não chora tanto/quem não sambava, pelo menos, canta/e a tristeza já virou canção/e a serpentina serpenteia a cidade/confete colore o chão/desfila a felicidade/na passarela puxando um cordão...
 
     ***
        Creio que todos nós tenhamos uma parada de sucessos interna, com músicas recorrentes na mente, as quais, por alguma razão especial, por vezes até mesmo indecifrável, tocam, de jeito, o nosso sentimento e a nossa alma, sobrepondo-se a tantas outras igualmente atraentes. No meu caso, uma delas, de versos parcialmente supratranscritos, vem da formidável parceria de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar. Ouço a marcha-rancho "Alegria de Carnaval" desde quando foi lançada - talvez na gravação de 1968 do quarteto O Grupo -, sensibilizando-me a cada audição, particularmente na regravação de, a meu juízo, um dos melhores cantores brasileiros de todos os tempos, Luiz Cláudio, que, por desânimo, infelizmente, afastou-se do disco e do palco. O belo arranjo, suave, plenamente afinado com o espírito poético da canção, para essa faixa do elepê "Intimidade", desse mineiro de Curvelo, foi feito por Antonio Adolfo, parceiro de Tibério Gaspar em muitas músicas desde 1967, com "Caminhada". E, com essa primeira composição, participaram naquele ano do II FIC - Festival Internacional da Canção -, na TV Globo, e contaram com a interpretação do já falecido cantor e, depois, ator Eduardo Conde e da hoje psicóloga Iracema Werneck, cantora que também brilharia, no ano seguinte, no programa "A Grande Chance", de Flávio Cavalcanti, como segunda colocada, e há anos desfrutando da calmaria de Conservatória, distrito de Marquês de Valença, no interior fluminense, onde mora. 
        O carioca Antonio Adolfo Maurity Saboya, ou simplesmente Antonio Adolfo (foto e "flyer" acima), é a atração de peso, pelo reconhecido talento e carreira bem-sucedida deste decorrente, que o Lapinha (Av. Mem de Sá, 82 - sobrado - tel.: 2507-3435) apresenta hoje, 2 de outubro, a partir das 22h30. O Maurity materno é o mesmo do mano Ruy, fluminense de Paraíba do Sul, muito conhecido pelo sucesso de "Serafim e Seus Filhos" e surgido em elepê da Odeon, no limiar dos anos 70, cantando "Minie" e "Pelo Teletipo", por exemplo - antes de enveredar pelo som rural e o de apelo folclórico, quando Antonio já era um nome nacionalmente conhecido pelo êxito retumbante de "Sá Marina", em grande momento de Wilson Simonal no disco, em 1968. Embora a motivação do show no Lapinha seja o lançamento de ótimo CD, "Lá e Cá" "Here and There"), feito com a filha Carrol Saboya, certamente não faltará ao roteiro do querido Antonio Adolfo, nem que seja como um número extra, essa toada ainda moderna e bastante regravada, como nos EUA, com o título "Pretty World", por Stevie Wonder - com versão feita pelo casal Alan e Marilyn Bergman. Uma composição que marca a infância do parceiro, Tibério Gaspar, em Anta, distrito de Sapucaia, no interior fluminense, e inspirada em Brasilina, então uma jovem e encantadora professora da localidade.              
       ***
Pós-escrito: 1) o show contará ainda com a participação dos seguintes e bem conceituados instrumentistas: Jorge Helder (baixo acústico), Ivan Conti (também conhecido como o Mamão, do Azymuth, à bateria), Leo Amuedo (guitarra) e Serginho Trombone;
                  2) nos "links" abaixo: 1 ) Antonio Adolfo, ao piano, lembra alguns de seus sucessos em entrevista a Eliakim Araújo; 2)  "Cascavel" (música do referencial elepê de Antonio com um vira-lata na capa e regravada em "Lá e Cá"); 3) Carol Saboya canta "Sá Marina"; 4)  Ela, novamente, em bela interpretação de "Canção em Modo Menor", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
     .
 
      http://www.youtube.com/watch?v=P5dBmQiNFLI&feature=related
 
      http://www.youtube.com/watch?v=Z0fBCXqTGbE  
 
  http://www.youtube.com/watch?v=OalgGB9oYPY&feature=related
 
      http://www.youtube.com/watch?v=SLWzttfnXT8&feature=related
 
  

Dexter Gordon em Round Midnight toca As Time Goes By e mais alguma coisa...


Dexter Gordon mostrou que não é só um gênio do Sax, foi o ator excepcional do excelente filme Round Midnight (aqui Por volta da Meia Noite) que conta a história (ficcional) muito louca de Dale Turner, um jazzista genial mas autodestrutivo que encanta um fã francês que assume o papel de seu anjo protetor. Dizem que Bertrand Travernier se baseou na relação entre o crítico Francis Paudras e o magnífico pianista Bud Powell , só que em vez de um pianista, na sua obra, criou a figura de um saxofonista, misturando a vida alucinada de algumas figuras extraordinárias como Charlie Parker, Chet Baker e outros que se sufocaram no mundo das drogas e álcool. (Interessante como pouca gente fala do maravilhoso trompetista Fats Navarro - grande amigo de Charles Mingus que também se arrebentou cedo devido à heroína, morrendo de tuberculose ao 26 anos de idade). Neste vídeo (trecho do filme) Dexter Gordon aparece com o chapeuzinho típico do Lester Young (uma citação, é claro), ao fundo acompanhando o saxofonista, aparece ao piano Herbie Hancock (responsável pela trilha sonora que ganhou o Oscar daquele ano).
Uma curiosidade é que no genial conto "El perseguidor" de Julio Cortázar - talvez o seu conto mais "realista"- se conta uma história semelhante. As coincidências são imensas, embora essa narrativa tenha como modelo a figura de Charlie Parker, que era adorado pelo escritor. O cenário também é Paris, e lá está também um sujeito que resolve salvar o saxofonista de seu trágico destino. Na arte rolam coincidências, assim como na vida. Travernier contou a história baseado em Bud Powell, Cortázar em Bird. Cada um de um jeito trabalhou diferentes problemas. Em "El perseguidor", o personagem Johnny Carter é um intuitivo , um improvisador que pensa o problema do tempo : quanto "tempo mental" cabe dentro do tempo físico - da sequência convencional- que tem a ver com o ritmo do bebop. Carter é um obsessivo com essa questão, mas se liberta dela nos solos complexos e surpreendentes que encantam Bruno, seu anjo protetor. Turner é cool, e toda a problemática do filme é o desespero de sua salvação e é um mais belos filmes que trata um perfeito retrato da angústica dos jazzistas negros que tiveram que sair dos EUA para sobreviver na Europa nos anos 40/50.
NR1: Cortázar inspirou Antonioni com seu conto Las babas del diablo que resultou no antológico filme Blow-Up (aqui Depois daquele beijo). Godard com Week End a francesa, também bebeu nas águas do escritor argentino (nascido em Bruxelas) ao adaptar o conto A Auto-estrada do sul.
NR2: A Wikipédia informa que Dexter Gordon já tinha aparecido em outros filmes , especialmente em The Connection de 1960 (filme que teve a trilha sonora composta por ele). Recebeu uma indicação para o Oscar justamente por sua grande atuação em Round Midnight. Faleceu 4 anos depois das filmagens em abril de 1990, aos 67 anos de idade.

1.10.10

Teatro da FESPSP apresenta Artimanhas de Scapino no CEU Três Pontes no dia 2


Minha querida amiga, socióloga e atriz Flávia de Castro y Castro me mandou por e-mail o cartaz da peça "As artimanhas de Scapino" que o Teatro da FESPSP ( minha querida Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) vai apresentar amanhã, dia 2 de outubro no CEU-Três Pontes , na Rua Capachós, 400 no Jardim Romano em São Paulo, com entrada gratuita.
Todo mundo lá!
(clique na imagem para ampliar e ver melhor os detalhes)

Flagras literários


(Clique na imagem para ampliar e ler melhor)

Charlie Parker & Dizzy Gillespie tocam "Hot House"


Miles Davis abre sua autobiografia falando sobre um encantamento que teve em sua juventude:- "A maior sensação de minha vida - vestido - foi quando ouvi pela primeira vez Diz e Bird juntos em St. Louis, no Missouri, em 1944."
Diz é Dizzy Gillespie e Bird é Charlie Parker que estão aqui juntos para nos encantar - vestidos- ou não. Esse Miles Davis além de ser um gênio era também um sacaneta.

30.9.10

Ney Conceição toca no Lapinha nesta quinta e apresenta o seu mais recente CD, "Swingado"


Este é meu vizinho de bairro, em Laranjeiras - mora em prédio praticamente em frente ao meu -, e com ele conversei longamente, há três semanas, na pracinha da General Glicério, em encontro casual, quando soube da apresentação de hoje: Ney Conceição (foto acima). Contrabaixista de vulto na atual cena instrumental do país, faz show neste 30 de setembro no Lapinha (Av. Mem de Sá, 82 - sobrado - Lapa - tel.: 2507-3435), a partir das 21h30, motivado pelo recente lançamento de mais um CD autoral na carreira, "Swingado", já ouvido e aplaudido por conterrâneos seus de Belém do Pará, onde nasceu, e de Santarém, berço de Sebastião Tapajós, violonista com quem já participou da gravação de vários discos e viajou com frequência para se apresentar no exterior. Em conjunto com o autodidata Ney - que há anos acompanha João Bosco -, tocam, logo mais, outros grandes nomes, como o pianista Hamleto Stamato, o saxofonista Zé Canuto e o menos conhecido, porém firme baterista, Lúcio Vieira, reforçados por aquela batida "na moral" - e sorriso de orelha a orelha - do tarimbado percussionista Robertinho Silva. Com este, em 2000, Ney lançou um ótimo CD, "Jaquedu". Mais recentemente, ao lado de Nelson Faria, à guitarra, e Kiko Freitas, à bateria, Ney formou o Nosso Trio, muito apreciado na Europa, aonde já se dirigiu para dez turnês, e de ótimo CD já lançado, "Vento Bravo".
      ***l 
 
Pós-escrito: nos "links" abaixo, Ney ataca de João Donato: no primeiro, com Arimateia (sopro) e Kiko Freitas (bateria), toca "A Rã", que recebeu letra de Caetano Veloso - antes era "O Sapo" ("The Toad"), quando apenas instrumental, gravada, em 1968, por Sérgio Mendes e seu conjunto; no segundo e no terceiro, com outro excelente contrabaixista, o cearense Jorge Helder, toca "Bananeira" e "Café com Pão, que foram letradas, respectivamente, por Gilberto Gil e Lysias Ênio (irmão de Donato).      
 
 
         http://www.youtube.com/watch?v=9UwaGrcOfoo 
 
         http://www.youtube.com/watch?v=Qqm_NafH3PE
 
         http://www.youtube.com/watch?v=6dgpVQn6Azg      

Thelonious Monk - Round About Midnight


Não tenho nem o que dizer. É apertar o "play" e ver e ouvir pra crer que Deus existe, toca piano e usa um gorrinho.

Joel e o apito


Tá difícil, caro Joel, tá difícil! Também, com um apito desse tamanho! Só fazendo mágica.
Quando a diretoria do Botafogo vai resolver reclamar?
NR: Recado pro Caio: - Você é bom de bola, mas de vez em quando olhe pro lado, garoto!
NR: Recado pro Loco Abreu: - Parabéns, você está mostrando pra todo mundo que é um craque.

29.9.10

Denilson Santos pega estrada bem sinalizada na MPB e ganha o mundo do disco com lançamento, nesta quarta, na Sala Funarte


Denilson Santos pega estrada bem sinalizada na MPB e ganha o mundo do disco com lançamento, nesta quarta, na Sala Funarte
"O carioca Denilson Santos, cantor, compositor e violonista, tem uma das vozes mais interessantes e bonitas da nova cena musical. O timbre é aveludado e envolvente, valorizado pela competência do artista em colocar, no momento certo, doses de peso ou delicadeza,,, Ele tem personalidade musical, o que é provado também pelo fato de as releituras (como "Teia de Renda", de Túlio Mourão e Mílton Nascimento) não remeterem em nada aos registros originais. Grande artista que vale a pena."  De Sampa, bem melhor do que eu poderia expressar - e insuspeito -, Toninho Spessoto, em seu blogue sobre música popular, é taxativo quanto à alta qualidade do canto do querido amigo Denilson Santos, também integrante do grupo vocal Réus Confessos, um artista que, enfim, após prolongada expectativa, lança o seu primeiro CD, "Do Mundo", pelo selo independente Mills Records e com arranjos de Willians Pereira, que partiu "fora do combinado" (como diria Rolando Boldrin). Denilson, cujo nome artístico adotado faz lembrar o de um cantor veterano, também carioca, Venilton Santos - de grande presença no rádio e em comédias musicais dos anos 50 -, mostra cabalmente, a meu juízo, nos "links" abaixo, o porquê do acerto da consideração acima do lúcido jornalista paulistano. "Do Mundo" cai na estrada da MPB bem destinado, feito com sustança e cuidado de produção.
         Primeiramente, no cativante vídeo-release de Denilson, uma grande interpretação dele para o lindo baião "Pelo Ar', que compôs com a talentosa Luhli - a mesma da bem conhecida dupla com Lucina nos anos 70 -, os quais, conjuntamente, cantam outros rebentos da parceria comum, os choros "Bate na Madeira" e "E Tome Chuva" ("links" 2 e 3). No último "link", Denilson e o compositor e luthier Tony Pelosi cantam a valsinha "Serena", deste com Nonato Luiz. O show de lançamento de "Do Mundo" ocorrerá nesta quarta-feira, 29 de setembro, às 19h, na Sala Funarte Sidney Miller, pelo projeto Ecos da Cidade ("flyer" acima).
        *** 
         http://www.youtube.com/watch?v=JZc4HBpBTrs&feature=related (vídeo-release)
 
         http://il.youtube.com/watch?v=_eq7WD9XNBE&feature=related ("Bate na Madeira")
 
         http://www.youtube.com/watch?v=8q-vFxgEJDc&NR=1 ("E Tome Chuva")
 
         http://www.youtube.com/watch?v=D5oSIoQNimE&feature=related ("Serena")

Billie Holiday and Lester Young: Fine and Mellow


Ela é uma deusa, linda, calma, canta com uma naturalidade, sem forçar, como se estivesse num bate-papo com Lester Young, que ela chamava de Prezz (Presidente - porque nos EUA não poderia ter um Rei, (King). Ele que aparece só um pouquinho, no sapatinho neste vídeo, a chamava de Lady Day - juntos fizeram boa parte da história do Jazz. Mas, quem pode identificar as feras que estão tocando Fine and Mellow com eles?

Flagras literários

28.9.10

Monica Salmaso marca presença, nesta terça, na Gávea, pelo Rio Música InCena- novo tijolinho para uma construção vocal muito bem personalizada na MPB


Sempre que penso em Monica Salmaso, lembro-me do dia em que, estimulado por uma gravação presenteada por um dileto amigo e também aficionado da nossa música popular, o publicitário Felício Torres, pude ouvi-la pela primeira vez. Então desconhecida, talvez ainda integrante da primeira formação do Notícias Dum Brasil - grupo vocal que acompanhou Eduardo Gudin em disco e show -, causou-me forte impressão pelo timbre raro e pela magia da interpretação, com emissão cristalina e envolvente, e percebi que esse amigo, um entusiasta da cantora, não exagerava. Entendo que se trata, de fato, sem favor algum, de uma das maiores revelações do nosso universo fonográfico nos últimos 20 anos, a qual, como já declarou em entrevista, vai "de tijolinho em tijolinho" construindo, paulatinamente, uma sólida casa musical, ou seja, fazendo a carreira com cuidado e consciência e sem açodamento e espalhafato, imprimindo hoje uma reconhecida e muito apreciada marca de qualidade nos seus discos, shows e projetos que abraça. Conquistou com aplauso acalorado de público e crítica, em 1999, o cobiçado Prêmio Visa (Edição Vocal), o que lhe possibiltou gravar, como consequência, um dos seus belos CDs, "Voadeira", e ir tocando em frente até o mais recente "Noites de Gala, Samba na Rua", inteiramente motivado pelo estro de Chico Buarque, sem deixar de citar o "Afrossambas", em duo com o violonista Paulo Bellinati, um excepcional CD sobre os famosos temas compostos por Baden Powell e letrados por Vinicius de Morais.        
       Casada com um brilhante flautista e saxofonista, Teco Cardoso, a paulistana Monica Salmaso participa, nesta terça-feira, 28 de setembro, do Rio Música InCena, às 21h, no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea - Rua Marquês de São Vicente, 52 -  terceiro andar -, uma empreitada cultural levada a efeito por Cristiana Gurgel e Tereza Quaresma.
Nos "links" abaixo, 1) acompanhada do conjunto Pau Brasil, Monica canta "A Volta do Malandro", de Chico Buarque; 2) com o mesmo excelente conjunto, canta e flauteia em "O Velho Francisco", outra de Chico Buarque; 3) leva na boa o chistoso sincopado de "Cabrochinha", de Maurício Carrilho e Paulo César Pinheiro; 4) lembra "Moro na Roça", de domínio público, gravado com sucesso por Clementina de Jesus e adaptado pelos mangueirenses Xangô e Zagaia.
     *** 
 
         http://www.youtube.com/watch?v=Q6SL47CWIgg&feature=related
 
 
            http://www.youtube.com/watch?v=f679IYc9unw
 
        http://www.youtube.com/watch?v=ORpXvpctInE&feature=related
 
        http://www.youtube.com/watch?v=Bsa08z_-EIg&feature=related

70 anos sem Walter Benjamin


Alguns pensadores nos fazem iluminar a vida, Walter Benjamin um dia falou do anjo do Klee que olha com horror para as ruínas do passado, sem saber que o monstro nazista lá estaria para conduzí-lo para as sombras.Ironias da história.

Dez anos sem Baden


Hoje de manhã que me toquei, estamos 10 anos sem Baden Powell - uma tristeza! E para lembrar dele aqui vai Samba Triste , encantamento que ele levou para os ouvidos privilegiados dos europeus.
Viva Baden Powell!

27.9.10

Flagras literários


(clique na imagem para ampliar e ver melhor)

Charles Mingus - Moanin'


Qualquer dia eu publico aqui uma resenha que fiz da autobiografia do Charles Mingus- "Saindo da Sarjeta"- Esse monstro sagrado da música mundial era uma figuraça.

Programe-se: Positivas, O Filme


Recebi por e-mail de minha jornalista preferida Clarice Tenório, um convite para um filme onde ela trabalhou como assistente de direção.
Segue abaixo o material promocional do documentário, um filme muito importante para a educação da sociedade em geral sobre a questões vitais.
O título do filme é Positivas.
Sinopse:
POSITIVAS é um filme-provocação que tem como principal alvo o estigma em torno da Aids. Ao apresentar experiências de mulheres de “bom comportamento” que contraíram o vírus de seus maridos ou parceiros fixos, o documentário desvenda o véu de silêncio e hipocrisia que assola os laços do matrimônio. Com relatos das próprias mulheres, POSITIVAS aponta os principais fatores responsáveis pela feminização da Aids. Apesar do luto inicial e do preconceito que vem em seguida, elas nos mostram que viver com o HIV não é o fim. Ao contrário, pode significar uma nova chance à vida e à sexualidade.
***
POSITIVAS é um filme que aborda de forma direta e clara os principais fatores da feminização da AIDS no Brasil. FICHA TÉCNICA: Direção e Roteiro:SUSANNA LIRA Produção executiva: LUCIANA FREITAS Direção de Fotografia: PEDRO FAERSTEIN Assistente de direção/Roteiro: SIMONE MELAMED Assistente de direção:CLARICE TENÓRIO Montagem: TIAGO ALMEIDA, TITO GOMES e SUSANNA LIRA Som Direto: BRUNO ARMELIM Loader: VLADIMIR MANCARO Finalização: PAULO DE ANDRADE Produtora: MODO OPERANTE PRODUÇÕES

Para ver um trailer do filme clique no seguinte link http://positivasofilme.blogspot.com/2009/11/positivas-o-trailer_17.html

Oportunidades para ver o filme:
- Dia 30 de setembro, quinta-feira, no Pavilhão do Festival do Rio - 13h -  sessão popular, seguida de debate
Pavilhão do Festival (Centro Cultural da Ação da Cidadania) - Rua Barão de Tefé 75 – Zona Portuária
Votação do público
 
- Dia 1º de outubro, sexta-feira, no Estação Vivo Gávea 3 - 15h40 / 20h
Estação Vivo Gávea 3 – Rua Marquês de São Vicente 52/4º andar - (Shopping da Gávea)
Votação do público

26.9.10

Ainda dá tempo: Rosa Reis canta e encanta neste domingo em Santa Teresa, mostrando o vigor da cultura popular do seu Maranhão (grátis)


  Há muito acompanho com grande interesse a lida musical de Rosa Reis (foto acima), cantora admirável que, na peculiaridade da voz algo metálica e do jeito expansivo de se expressar, revela com graça e consistência o Maranhão natal, rico na tradição rítmica dos seus tambores, o que, a propósito, se reflete, de sobejo, nos CDs que já gravou, como o "Balaio de Rosas", lançado em 2001, com arranjos e direção musical de Jayr Torres, e que, de quando em quando, ouço com prazer renovado. Tivéssemos uma outra orientação quanto à execução musical no país, nos grandes meios de comunicação, com uma programação regida pelo mérito, nacionalmente integrada e regionalmente representativa, além de infensa ao jabá e sensível àquilo que o artista traz em si de mais autêntico - e ainda sem interferência deletéria do marketing -, Rosa Reis, a exemplo da também admirável paraense Andreia Pinheiro, entre outros valores espalhados por aí, seria naturalmente cartaz de massa do Oiapoque ao Chuí. No entanto, embora haja aquela velha e bem conhecida dissociação, como no clássico literário de Orígenes Lessa, entre o feijão e o sonho, o obtido e o almejado, é animador saber que Rosa Reis, neste domingo, 26 de setembro, às 17h, com entrada franca, no show "Sarau de Bailados", no Centro Cultural Casa do Barão (Rua Paschoal Carlos Magno, 73 - ao lado do Bar do Mineiro), em Santa Teresa, canta e encanta em um fim de tarde acalorado com o vigor percussivo da cultura popular maranhense, característica que logo se salienta no seu trabalho. Ela certamente mostrará músicas do mais recente "Brincos", disco de carreira lançado no ano passado. Nele, reuniu pérolas garimpadas do cancioneiro do seu Estado e de conterrâneos de referência, como Chico Maranhão, Josias Sobrinho e Ubiratan Souza - deste, um defensor sincero e firme da nossa cultura popular, gravando a bela "Tempo Certo" (parceria com Souza Neto), que o próprio, acompanhado do grupo Casinha da Roça, cantou com ardor, em 1985, quando concorreu com essa música no Festival dos Festivais, da TV Globo.
        Nos "links" abaixo, além do MySpace de Rosa Reis, 1) ela, em cena do documentário "Essa É a Minha Cultura", falando um pouco sobre a sua carreira, com destaque para a importante Laborarte, em São Luís, da qual é coordenadora geral, uma instituição pela preservação da cultura popular do seu estado; 2 e 3) exercita-se no maracatu e canta "A Ema Gemeu", da qual um dos autores é outro ilustre conterrâneo, João do Vale.   
        *** 

       http://www.youtube.com/watch?v=rLnwCzsA3bc
 
       http://www.youtube.com/watch?v=dtnnOPqftnA&feature=related  
 
       http://www.youtube.com/watch?v=vh6v1xBO2SE&feature=related  
 
       http://www.myspace.com/rosareis

Flagras literários


(Clique na imagem para ampliar e ver melhor)

Grand Funk Railroad - uma verdadeira banda americana


Este concerto de 1971 teve por palco o Shea Stadium que, ao que parece ficou abalado nas suas estruturas devido ao comportamento "sacudido" da platéia nessa apresentação histórica, cheia de energia do Grand Funk Railroad -( que no vídeo, com sua formação original - Mark Farner, Dom Brewer e Mel Schacher canta I'm Your Captain)- uma verdadeira banda americana que surgiu com suas letras contestadoras( neste vídeo enquanto ele canta "Im getting closer to my home ..." um pessoal levanta os punhos cerrados- numa saudação revolucionária) e um rock pesado, numa época difícil, - mais especificamente no vácuo musical que os Beatles deixaram, com guerra do Vietnam rolando a todo vapor e o baixo astral que invadiu as praias americanas depois do sonho de Woodstock- quando rolou o pesadelo do Festival de Altamont. É bom que se relembrar que neste Festival (do qual participaram as bandas Grand Funk, Jefferson Airplane e outras) a entrada era grátis , o terreno pequeno e a segurança foi feita simplesmente pelos gentís"Hells Angels": um coquetel explosivo que deu um fim na ideologia do "paz e amor", e culminou no assassinato de um homem durante famosa passagem dos Rolling Stones, quando a banda tocava a música "Sympathy For The Devil". Isso tudo está bem documentado no filme "Gimme Shelter" de Albert Maysles, David Maysles e Charlotte Zwerin.
O interessante é que o Grand Funk teve um sucesso tremendo nos anos 70 , ao mesmo tempo em que sofria uma crítica implacável por parte da imprensa especializada, mas foi tocando a locomotiva por aqueles trilhos tortos e o curioso é que com o passar dos anos, foi saindo de fininho fora dos holofotes da grande mídia . Eu até pensei com meus botões que eles tinham acabado. Saí à cata de algum lembrança fonográfica deles e, para minha surpresa, encontrei os principais CDs deles relançados numa caixa impecável na Saraiva já faz um tempo. E mais, me inteirei pela internet, que eles continuam on the road, fazendo barulho para botar qualquer Parque dos Dinossauros em polvorosa. Uma outra curiosidade, eles são de Flint,(Estado de Michigan) cidade onde nasceu o polêmico documentarista Michael Moore que chegou até a fazer um curta sobre o rock desse trio fantástico.
Aqui em baixo vai a letra de I'm Your Captain: (Aumenta que isso aí é roquenrol!)
Everybody, listen to me,
And return me, my ship.
Im your captain, Im your captain,
Although Im feeling mighty sick.

Ive been lost now, days uncounted,
And its months since Ive seen home.
Can you hear me, can you hear me,
Or am I all alone.

If you return me, to my home port,
I will kiss you mother earth.
Take me back now, take me back now,
To the port of my birth.

Am I in my cabin dreaming, or are you really scheming,
To take my ship away from me?

Youd better think about it, I just cant live without it.
So, please dont take my ship from me.
Yeah, yeah, yeah ...

I can feel the hand, of a stranger,
And its tightening, around my throat.
Heaven help me, heaven help me,
Take this stranger from my boat.

Im your captain, Im your captain,
Although Im feeling mighty sick.
Everybody, listen to me,
And return me, my ship.

Im your captain, yeah, yeah, yeah, yeah.
Im your captain, yeah, yeah, yeah, yeah.
Im your captain, yeah, yeah, yeah, yeah.
Im your captain, yeah, yeah, yeah, yeah.

Im getting closer to my home ...
Im getting closer to my home ...
Im getting closer to my home ...
Im getting closer to my home ...
Ohhhh ...

Im getting closer to my home ...
Im getting closer to my home ...
Im getting closer to my home ...
Im getting closer to my home ...
Repeated to fade

25.9.10

Marvio Ciribelli anima a noite deste sábado, no TribOz, com o seu piano jazzístico sob influência da MPB


 Após ter homenageado, com o cantor mineiro Márcio Lott, anteontem, no Lapinha, um dândi genial da canção popular norte-americana, Cole Porter, o pianista niteroiense Marvio Ciribelli (foto acima) toca neste sábado, 25 de setembro, em outra casa aconchegante da Lapa e receptiva à música instrumental de qualidade, o TribOz, do casal Jéssica e Mike Ryan, este um trompetista australiano há anos radicado no Rio. É sobre esse show de logo mais do virtuoso Marvio, de várias participações no festival de jazz de Montreux e ex-pupilo de Luiz Eça, Antonio Adolfo e Ian Guest, que repasso, com satisfação, o recado abaixo, recomendação de entretenimento noturno musicalmente estrelado.
       ***  
 
Pós-escrito: nos "links" abaixo, 1) Marvio Ciribelli, no TribOz, toca "Apanhei-te, Cavaquinho", de Ernesto Nazareth, acompanhado dos mesmos músicos que estarão com ele, hoje à noite, nessa casa da Lapa ; 2) toca, com seu conjunto, um tema jazzístico enriquecido pelo sopro de Mike Ryan. 


       http://il.youtube.com/watch?v=hudnD59Nslo&feature=related
 
       http://il.youtube.com/watch?v=mUiPFvMy2r8&feature=related


SÁBADO, 25 DE SETEMBRO

Marvio Ciribelli Trio
O pianista Marvio Ciribelli desenvolveu um jeito próprio e inconfundível de lidar com a música, e hoje toca samba, bossa, baião e choro com a liberdade do jazzista. Com 10 discos gravados, Ciribelli tem passagens internacionais significantes, tendo estado por quatro vezes no Montreux Jazz Festival (Suíça), no Brissago Jazz Festival e no Brienz Jazz Festival. No repertório, Ary Barroso, Chiquinha Gonzaga, Bill Lee e composições próprias.

Marvio Ciribelli - piano,       
Juliano Cândido - contrabaixo, 
Amaro Jr. - bateria.

Abertura da casa: 20h
Apresentação: das 21h à 1h
Couvert artístico: R$ 20,00
TribOz - Centro Cultural Brasil-Austrália
www.triboz-rio.com
Rua Conde de Lages, 19 - Off-Lapa
Estacionamento rotativo na Rua Conde de Lages, 44 (R$ 5,00)
Informações e reservas: 2210 0366 / 9291 5942

Pode me chamar de Trane, John Coltrane

Aqui uma apresentação em Juan-les-Pins (Antibes) em julho de 1965 do Deus do Sax, John Coltrane estraçalhando literalmente a música Naima de sua autoria. Dividindo o Olimpo com ele, MacCoy Tyner no piano, Jimmy Garrisson no baixo e Elvin Jones na bateria.

Flagras literários

Programe-se: Lançamento do CD Lá e Cá/ Here and There de Antonio Adolfo e Carol Saboya


Vai ser no imprdível show Lá e Cá, dia 2 de outubro às 22 horas no Lapinha - na Avenida Mem de Sá,nº82 - Informações e reservas pelo telefone 2507-3435.
A turma é afinadíssima : Mestre Antonio Adolfo no piano , a linda voz de Carol Saboya,na bateria Ivan Conti, no baixo Jorge Helder, Leo Amuedo na guitarra e Serginho Trombone tocando ...bem, acho que é dispensável dizer o que.
Todo mundo lá e cá!

24.9.10

Adriana Moreira canta a lira popular de Batatinha, nesta sexta, em show de pré-lançamento de CD finalmente apresentado ao público baiano


 Oscar da Penha dirigiu-se ao "andar de cima" no dia 3 de janeiro de 1997, aos 72 anos, vencido pela força maior de um câncer fulminante na próstata, mas deixou uma obra bonita na música popular. Soteropolitano, passou toda a vida no Pelourinho, com a mesma simplicidade do seu verso encantador, quase sempre presente em sambas de desenvolvimento em tom menor, lamentosos, embora, de quando em quando, lhe desse na telha aquele de andamento vivaz, jocoso, como "Jajá da Gamboa", que Jamelão gravou em 1960 ("mas a cabrocha é boa/apesar de ser coroa/e o Jajá da Gamboa é o dono da situação..."). Aposentou-se como gráfico, função que exerceu por muitos anos na Imprensa Oficial (hoje Empresa Gráfica da Bahia), e, em 1944, conhecendo o pernambucano Antonio Maria, então recém-chegado à Rádio Sociedade da Bahia (emissora do grupo dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand) para dirigi-la, teve no "menino grande" um forte incentivador , em cujo programa "Campeonato do Samba" o simpático Oscar chegou em segundo lugar com "212", de Roberto Martins e Mário Rossi, e do apresentador recebeu o apelido com que se distinguiria como compositor: Batatinha (foto abaixo). Influenciado pelo ídolo Vassouriinha, a quem imitava em programas de calouros, e tido como "batata" - bamba, na gíria de então - por seus amigos e primeiros admiradores em Salvador, foi, por isso, artisticamente cognominado por Antonio Maria e, como Batatinha, conheceria o sucesso, especialmente através de gravações de músicas suas pela conterrânea Maria Bethânia, em elepês lançados entre 1965 e 1972: "O Circo" ("todo mundo vai ao circo/menos eu..."), ""Imitação", "Toalha da Saudade" e "Hora da Razão", as duas últimas em parceria com J. Luna.  Em 1996, uma mineira de Nanuque criada na capital baiana, Jussara Silveira, gravou muito bem o samba "Espera", em disco próprio, e, no ano seguinte, repetiu a dose, do mesmo jeito, em outra pérola, "Ironia", participando de CD-homenagem, ambas composições de Batatinha com outro grande do samba baiano de recorte urbano, Ederaldo Gentil..        
      Em elogiada produção do selo CPC-Umes, "Direito de Sambar",  de 2006, a cantora Adriana Moreira, cria da quadra da escola de samba Camisa Verde e Branco e destaque entre as novas vozes do samba em São Paulo, prestou o seu tributo a Batatinha e, muito feliz, tem, enfim, a chance de apresentar, como ansiava, em Salvador, ao público de lá, esse disco especial para um filho especial da Boa Terra em dois shows de pré-lançamento, ontem e hoje, 23 e 24 de setembro ("flyer" acima). Oxalá os cariocas tenhamos, em breve, essa mesma satisfação de ver a Adriana, que já prepara um novo disco, mostrando a arte popular de Batatinha em algum palco da nossa cidade. 
    ***
Pós-escrito: no primeiro "link" abaixo, Batatinha, com a costumeira caixinha de fósforos, em trecho extraído do programa "Ensaio", da TV Cultura (SP), canta "Hora da Razão" e "Toalha da Saudade". Em seguida, em disco de 1969, intitulado "Batatinha e Companhia Ilimitada", da etiqueta JS, Carlos Gazineu canta "Desengano", do mestre baiano e de Cid Seixas. No "link" final, Adriana Moreira vai de partido-alto em "Jacy", de Mílton Conceição e Douglas Germano.   
 
      http://www.youtube.com/watch?v=WxhFsUuPP7k&feature=related
 
      http://www.youtube.com/watch?v=HkjpBpuMTbU
 
      http://www.youtube.com/watch?v=AFynCN5sVIw&feature=related

Brinde : Um cartum de João Zero

O som de Miles Davis ao fundo - Jeanne Moreau anda pela cidade em "Ascenseur pour l'échafaud"


Trata-se de um pedacinho do filme de Louis Malle, "Ascenseur pour l'échafaud" - traduzido aqui em Pindorama como "Ascensor para o Cadafalso". A bela Jeanne Moreau anda pela cidade noturna procurando seu amante...a trilha sonora é toda do Miles Davis que gravou tudo num galpão, parece que de "prima", enquanto projetavam as cenas dessa pequna obra de Malle, mas que ficou grande com a interpretação da bela e o som da fera.

Cristovão Bastos e Clarisse Grova nesta sexta no Lapinha- piano e voz com todo o sentimento da canção brasileira


Nesta sexta-feira, 24 de setembro, no Lapinha, o pianista Cristovão Bastos e a cantora Clarisse Grova constituem uma maravilha de atração - entre si, musicalmente, e para o público, naturalmente - a partir das 22h30 ("flyer" acima). Tanto Cristovão quanto Clarisse provêm do subúrbio carioca - ele, de Marechal Hermes; ela, do Méier - e, como tantos outros colegas de profissão, desenvolveram a aptidão natural para a música pelos bailes da vida. Ela, ainda mocinha num coreto do Méier, inicialmente motivada por impressões elogiosas à sua interpretação de um hit da Jovem Guarda (lançado pela mineira Wanderlea), deixando para trás, pela sedução do canto, anos de estudo de piano clássico e teoria; ele, já aos 15 anos, ao acordeom, mandando brasa para a alegria dos casais na pista e, aos 17, tocando piano na mesma boate de Cascadura. Clarisse integra o excelente conjunto vocal Nós Quatro (com Célia Vaz, Fabyola Sendinno e Márcio Lott), e, entre tantos festivais no currículo, ganhou, há quase um ano, o prêmio de melhor intérprete no I Festival Ataulfo Alves de Samba e Culinária de Botequim, em Miraí (MG), com "Cem Anos da Minha Querida Portela", de Irinéa Maria e Paulo César Feital. Cristóvão, arranjador premiado e professor da Escola Portátil de Música, levou, por incrível que pareça, 30 anos para gravar o primeiro disco solo, o CD "Avenida Brasil", e é coautor com Chico Buarque e Aldir Blanc, respectivamente, de duas joias bem conhecidas do público: "Todo o Sentimento", inesquecível na voz de Elizeth Cardoso, e "Resposta ao Tempo", talhada para o denso registro de Nana Caymmi - a segunda prefixo e sufixo dos capítulos da minissérie "Hilda Furacão, da TV Globo, em 1998.. 
     *** 
Pós-escrito: também compositora, Clarisse Grova prepara CD com músicas próprias e uma delas, o samba "Clara Carioca", feito com Leo Nogueira - com citação, no final, de "Rio", de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli -, pode ser apreciada no primeiro dos "links" seguintes. No segundo, acompanhada pelo mineiro Tavito, canta, deste e de Aldir Blanc, "Privação de Sentidos". No terceiro, o bandão com o alunado da Escola Portátil de Música, na Urca, toca "Gafieira Suburbana", de Cristovão Bastos, com dois de seus regentes, de costas, destacados na imagem, Oscar Bolão (ocupando-se da percussão) e Pedro Aragão (com os sopros e as cordas). No último "link", o próprio Cristovão, ao piano, toca "Folia na Chapada", dele mesmo, acompanhado por Bororó (baixo), Jurim Moreira (bateria) e Zé Canuto (sax).   
 
        http://www.youtube.com/watch?v=W7O2Rpkoldg&feature=related
 
        http://www.youtube.com/watch?v=4TnrUlE_ZK4&feature=related
 
        http://www.youtube.com/watch?v=tZU7CmlAq-E
 
        http://www.youtube.com/watch?v=ePV1PqfmlB0&NR=1

23.9.10

Reinaldo & seus batutas tocam hoje no Drink Café Humaitá


Trata-se da COMPANHIA ESTADUAL DE JAZZ (CEJ) que toca no Drink Café Humaitá, hoje - quinta-feira, dia 23 de setembro a partir das 20 horas.
A Companhia Estadual de Jazz é um quarteto com Fernando Clark na guitarra, Sergio Fayne no piano, Chico Pessanha na bateria e Reinaldo no contrabaixo. Como sempre, eles vão fazer um som baseado em samba-jazz, indo de de João Coltrane a John Donato, com o repertório todo passado no Samba-Jazzificator System...
DRINK CAFÉ HUMAITÁ - R. GENERAL DIONÍSIO,11 - BOTAFOGO - 20H. - R$15,00 - TEL. 2527-2697
 

Flagras literários

Lembrando Sergio Sampaio : "Eu quero é botar meu bloco na rua"

Gerdal indica:Toninho Ferragutti apresenta "Nem Sol Nem Lua", nesta quinta, no auditório do BNDES - um acordeonista popular de classe (grátis)


"É o acordeonista que faltava", observou um bamba do instrumento, fluminense de Duque de Caxias, Oswaldinho do Acordeom (filho de Pedro Sertanejo, precursor do forró em Sampa), referindo-se a um paulista de Socorro, formado pelo Conservatório Gomes Cardim, em Campinas, e hoje muito bem conceituado e solicitado, Toninho Ferragutti. Por que faltava? Creio que a própria formação do acompanhamento de cordas que ele terá, nesta quinta-feira, 23 de setembro, no auditório do BNDES ("flyer" acima), em show marcado para as 19 horas - entrada franca -, seja o indicador dessa resposta. Exímio instrumentista, Toninho Ferragutti, embora tenha longas horas de choro, forró, gafieira e até chamamé na base da sua lida de executante, gosta de conferir ao que toca e compõe uma ideia nova, um timbre inusitado, um quê funcional de sofisticação que faz da sua música um fator de admiração também entre músicos renomados, que o aplaudem com vivacidade, como Hermeto Paschoal, Nelson Ayres e Wagner Tiso - este a considerar Ferragutti um gênio. Entrelaça popular e erudito na manifestação encantada do seu veio musical, exercitando-se ainda em improvisação, e, desse modo, apresenta aos cariocas o seu mais recente CD, "Nem Sol Nem Lua", lançado em 2006 pela Biscoito Fino e dotado de arranjos camerísticos para composições suas, como "Na Sombra da Asa Branca", "Meia Saudade", "Dominguinhos no Parque" e "Forró Classudo", em andamento de baião, tango e jazz, por exemplo. 'Ele é praticamente um reinventor do acordeom", subscreve Turíbio Santos, também sem fazer por menos, outro fora de série entre os seus mais exaltados apreciadores.     
      ***
Pós-escrito: no primeiro dos "links" abaixo, o notável Toninho Ferragutti, com acompanhamento de cordas, mostra uma das faixas do referido CD, "O Urubu e a Pipa", em programa da tevê a cabo. Nos dois "links" seguintes, participando, na TV Cultura, do "Viola, Minha Viola", de Inezita Barroso, ele toca, também de sua autoria, "Olímpico", com o multi-instrumentista paulista Neymar Dias, e, de Neymar, ainda na companhia deste, "Chamamoça".
 
      http://www.youtube.com/watch?v=szP9BMADpQ0&feature=related
 
      http://www.youtube.com/watch?v=DEtTe3vn6ws&NR=1
 
      http://www.youtube.com/watch?v=vxwsrK_ogh0&NR=1

22.9.10