16.10.10
Pintura - Box

Faz tempo que estou para botar no ar esta pintura que fiz 10 anos atrás, mais ou menos. Faz parte do acervo do meu grande amigo Antoninho de Paula, que diagramou por longos anos, com muita arte e competência o Caderno de Idéias do Jornal do Brasil. Foi Antoninho de Paula, o grande responsável, o principal motivador da minha primeira e única exposição no Rio e também o cara que me cobrou diariamente a "missão" de fazer meu livro "Era uma vez um Brasil" - o design da capa é dele, quando engatinhávamos em matéria de computador.
Esta pintura (acima) é a primeira de uma série sobre box. O tema era apenas um pretexto para trabalhar a matéria pictórica,me lançar na experiência estética que difere totalmente da ilustração. A pintura é como um idioma que a gente tem que aprender. Este quadro foi um dos que eu mais gostei- é de grandes dimensões e foi difícil para mim me distanciar dele.Depois dessa pintura, fiz mais quatro com o mesmo tema, que estão na casa de amigos meus, em seguida iniciei uma série sobre música e músicos que ainda não terminou e já entrei por um novo caminho, o das naturezas muito vivas. Um dia ainda me torno pintor. Tomie Otake começou aos 40 anos, o que me leva a pensar que é sempre cedo. O tempo nunca morre, o círculo não se completa jamais...
(NR: A foto foi feita com máquina digital em condições particularmente difíceis, pois o quadro está no alto de uma parede de uma casa gigantesca, num ângulo que torna quase impossível alcançar um bom resultado)
(Clique na imagem para ampliar e ver melhor)
14.10.10
Programe-se: Lançamento do livro" Pobres, porém perversos" - de Mouzar Benedito dia 19 de outubro

O livro Pobres, porém perversos do meu amigo Mouzar Benedito vai ser lançado no dia 19 de outubro, a partir das 18,30 horas no Sushi da Villa na Rua Wisard, 574 na Vila Madalena - esquina com a Mourato Coelho (ou será Morato Coelho?). Por essas e outras que vou acabar mudando para Sampa.
Mouzar dispensa apresentações, mas esse texto límpido de Márcio de Souza ninguém poderia dispensar. Fala mestre:
Romances sobre matutos na grande cidade não são muito comuns hoje em dia. Foi, até os idos dos anos sessenta, um tema recorrente no teatro, no rádio e na literatura. É por isto que o novo livro de Mouzar Benedito surpreende.
Pobres, Porém Perversos é todo uma novidade só. Primeiro, é um livro sobre migração interna, sobre aturdimento cultural e a arte de sobreviver do fraco que se faz forte. É tudo isto e é também o sempre articulado e singelo senso de humor do autor. Aliás, leitor, o humor é a grande virtude deste romance de formação, um caso raro em se tratando de história de gente simples, jovens de um país de poucas perspectivas, já calejados na arte de levar a vida sem grandes tropeços.
Considero este romance um belo exemplar de maturidade estilística, de domínio do assunto, escrito por alguém que tem compaixão por esses sofredores ingênuos, malandros, basbaques perante um mundo sem contemplação e sem piedade.
Pobres, Porém Perverso vai enriquecer os leitores. E fala de esperança num tempo que a esperança virou apenas uma utopia a mais.
Márcio Souza
Programe-se: Show de Mantras no dia 23 de outubro


Trata-se do grupo Surendra, Devis & Devas (foto aima) que vai apresentar um show de Mantras indianos na AABB , Avenida Borges de Medeiros 829 - Lagoa - Rio de Janeiro no dia 23 de outrubro, a partir das 17.30 horas com entrada franca. Vão rolar outras atividades junto com o show (confira no flyer - clique nele para ampliar e ler melhor).
Neste conjunto, destaca-se meu amigo, o flautista francês Jean Cristophe Aveline que é um craque no instrumento - no link abaixo está uma apresentação dele gravada para o Youtube
http://www.youtube.com/watch?v=yJsR6zJmKio
13.10.10
Hoje - "O estranho na moda" - lançamento do livro de Silvana Holzmeister

O lançamento de "O Estranho na Moda" de Silvana Holzmeister é hoje, dia 13/10, das 18h30 às 22h na Livraria da Vila - Alameda Lorena, 1731 - Jardim Paulista. A editora é a Estação das Letras e Cores.
(clique na imagem para ampliar e ver melhor)
Um dia, um peixe

Não é um peixe-banana de Salinger. É apenas um peixinho que se soltou de um desenho imenso que eu fiz.(Acho que nessa época eu andava navegando nas águas do submarino amarelo) Explico: o peixe em questão estava colado com cola de sapateiro - aquela cola do tipo de borracha - acontece que com o tempo ela fica fraquinha, fraquinha, seca como uma caveira de burro na caatinga, então o peixinho caiu, se soltou, foi parar numa gaveta da velha mapoteca e não sei a razão de estar flutuando aqui neste blogue sem muito assunto, depois do feriadão. Acho que cansou de ser coadjuvante de uma grande narrativa e resolveu ser protagonista, mesmo que em forma de uma simples vinheta.
Programe-se: "Eu, leitor" vem aí!

(O cartaz é muito grande, então eu escrevi tudo que nele está escrito. São palestras, debates sobre temas da poesia, do romance, do conto, da crônica e do teatro).
Centro Cultural Justiça Federal e Plumagenz apresentam: Eu, leitor
5 gêneros - 5 descobertas - 125 sugestões de leitura
5 etapas de uma viagem através de poemas, cantos, romances, crônicas e peças teatrais. Ao final, o leitor descobrirá o que prefere ler.
26 /10 terça-feira 19 horas - Onde está a Poesia - Carmem Moreno
27/10 quarta-feira 19 horas - Contos de Maupassant - Joana Ferry
28/10 quinta-feira 19 horas - A paixão pela Palavra (romance) Carlos Eduardo Leal Participação: Luiza Jatobá
29/10 sexta-feira 19 horas - O Centro é a Cidade (crônica) Pedro Afonso Vasquez
Participação: Luiza Jatobá
30/10 sábado 15 horas - Identidade em Cena (teatro) - Luiza Jatobá -
Participação : Oriana Menescal
Mediação: Vivian Wyler
Avenida Rio Branco, 241 - Centro - Rio de Janeiro/ RJ/ Tel: (21) 3261 2550
Inscrições de 18 a 22 de outubro, das 11hs às 16 horas
Tel: (21) 2225 7186 / E-mail: plumagenz@plumagenz.com.br
Todos lá!
(Clique na imagem para conferir)
12.10.10
Programe-se: Para pensar a Imprensa

O Assunto é quente, vai rolar um papo sobre o tema Charges e caricaturas: o humor gráfico na história da imprensa. Vai acontecer na quinta-feira, dia 14 de outubro às 14h30 na Casa de Rui Barbosa. A reflexão será conduzida por Laura Nery doutora em História Social da Cultura e professora do Departamento de História da Uerj.
(Clique no flyer para ampliar e ler melhor)
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11.10.10
Ilustração: Cão uivando para a lua
10.10.10
9.10.10
Homenagem a John Lennon - 70 anos hein velhinho!


NR: Este retrato de John e Yoko in love eu fiz bem perto da morte dele. Foi uma tristeza só. E dizer que hoje ele poderia estar "velhinho", feliz, tocando sua guitarra distorcida, vendo os meninos crescidos, talvez curtindo netos. Morreu jovem e com essa imagem é que ficará: jovem para sempre!
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8.10.10
Eduardo Gudin, 60 anos, faz série de shows comemorativos em Sampa: outros anéis por vir e adornar os dedos da inspiração


"Eu canto até acordar toda a população/mesmo que cantar seja sempre em vão/pois é o sabiá no festival do gavião..."
Creio que a metáfora na nossa canção popular nunca tenha sido tão exercitada, por motivo que me parece óbvio, quanto na vigência da ditadura militar. Como o samba supralembrado de Eduardo Gudin (foto acima) e Paulo César Pinheiro, "Teatro de Revista" - os dois ainda fizeram, por exemplo, outro, "Mordaça", igualmente emblemático do período -, havia a liça permanente entre sabiás e gaviões, com evidente desvantagem dos primeiros, numa peça que não parecia sair mais de cartaz no país do carnaval e do futebol. Sob esse clima pesado de suspensão das garantias constitucionais, surgiu, entre os talentos da sua geração, o paulistano Eduardo Gudin, de músicas cuja motivação autoral, além do substrato político, viceja, com fluência agradável, na seara romântica, de que são exemplos, com letristas variados, as belas "Ainda Mais" (com Paulinho da Viola), "Lá Se Vão Meus Anéis" (também feita com Paulo Cesar Pinheiro), "Mente" (com Paulo Vanzolini), "Rendição" (com Roberto Riberti e Maurício Tapajós) e "Paulista" (com Costa Netto). Também fez música bonita, como "Bem Bom" (faixa-título de elepê de 1985 lançado por Gal Costa) com nomes da chamada vanguarda de Sampa, na parceria com o londrinense Arrigo Barnabé e outro paulistano, o jornalista Carlos Rennó.
Começou ontem, continua hoje, 8 de outubro, e termina no domingo, no Sesc Vila Mariana, uma série de shows do aniversariante Gudin ("flyer" acima), a que comparecem parceiros e intérpretes muito ligados à obra artística desse "sambista de vitrola", como já se definiu em entrevistas para destacar que o seu conhecimento de samba proveio, sobretudo, do aparelho, ouvindo os velhos mestres do ramo desde cedo, já que lhe faltaram, por exemplo, vivência de morro e contato com gente das escolas de samba. "Chegar aos sessenta. Quando me dei conta, cheguei. Nunca fui de prestar atenção, não sinto diferenças ou peso, como alguns, mas essa data redonda me fez refletir...Fui me dar a incumbência, aos 13 anos, de tocar violão bem e fazer música boa em terra de Baden Powell, Tom Jobim, Chico Buarque e Ary Barroso. É mole? Mas acho que consegui. Tô aqui, não tô? Sinto uma paz de missão cumprida, que não me rouba a inquietação de fazer mais, estudar mais, tudo mais", escreveu Gudin sobre a nova idade, pronto pra outras, "pois o mais importante", prossegue, "é a vida, o nosso maior dom".
***
Pós-escrito: em seguida, nos "links", composições de Eduardo Gudin: 1) "Conjunto de Baile" (com Paulo César Pinheiro), por Vânia Bastos e Gudin; 2) "E Lá Se Vão Meus Anéis" (Com Paulo César Pinheiro), por Gudin; 3) "Velho Ateu" (com Roberto Riberti), por Dona Inah; 4) "Veneno" (com Paulo César Pinheiro), por Márcia; 5) "Paulista" (com Costa Netto), por Vânia Bastos.
http://www.youtube.com/watch?v=nwi6J8bq0Vw&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=awJVeHugnCo
http://www.youtube.com/watch?v=ei7XGsYNa84&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=snFpkSSV5UE&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=kO2Rkk_6ZE0&feature=related
( NR:Clique no flyer acima para ver melhor a programação dos shows e apreciar os detalhes da arte da colagem das fotos)
Chico Caruso, Wanda Sá & Dôdo Ferreira Trio alegram as noites do final de semana no Leblon

Chico Caruso, Wanda Sá e Dôdo Ferreira Trio se apresentam no show Bossa do Leblon nas sextas, sábados e domingos até 31 de oububro. Os shows começam às 21 horas no Teatro Municipal Café Pequeno, na Avenida Ataulfo de Paiva, 260 - telefone 2294.4480.
(clique na imagem do flyer acima para ver a turma toda pronta para o embarque)
Vargas Llosa - prêmio Nobel - já era tempo!

Vargas Llosa é um dos maiores escritores deste planetinha azul. Apesar de suas posições políticas polêmicas e o equivocado romance "Guerra do Fim do Mundo", onde ele mete os pés pelas mãos (sobre o qual algum dia escreverei uma pequena crítica aqui nesse boteco), Llosa já devia ter recebido este prêmio só por ter escrito "Conversa na Catedral" , que deveria se chamar "Conversa no Catedral" já que se trata de uma longa palestra de um pé-sujo de Lima. "Conversa" não é um romance, é uma catedral daquelas imensas e cheias de detalhes. Um monumento de nossa literatura. Não vamos nem falar de suas novelas mais conhecidas como "Tia Julia e o escrevinhador", nem de "Pantaleão e as visitadoras" que são sensacionais. Vargas Llosa tem uma obra muito variada, com muitos livros, inclusive um erótico. Já era tempo de se reconhecer seu talento e lhe dar o Nobel.
7.10.10
Eliane Salek, nesta quinta, no Teatro Café Pequeno, relembra o tempo feliz que tivemos na MPB ao ver e ouvir Elizeth Cardoso




"Feliz o tempo que passou/tempo tão cheio de recordações/tantas canções ele deixou/trazendo paz a tantos corações/que som mais lindo havia pelo ar/quanta alegria de viver..." ("Tempo Feliz", de Baden e Vinicius)
Tempo feliz esse em que tivemos a carioca Elizeth Cardoso (fotos acima) cantando divinamente aos nossos corações. Canceriana de 16 de julho de 1920, ela, ao longo de tantos invernos do seu tempo, imprimiu uma marca de excelência, sensibilidade e dignidade na interpretação da canção brasileira, mormente o samba - tanto o mais lento, como "Ocultei", de Ary Barroso, quanto o mais agitado, como "Mulata Assanhada", de Ataulfo Alves. A Divina, como a cognominou definitivamente um dileto amigo dela, o produtor Haroldo Costa, encarou, desde cedo, o batente, como peleteira, cabeleireira e empregada em fábrica de sabão, até ser descoberta, em 1936, por Jacob do Bandolim, que a levou para um teste na Rádio Guanabara, sendo sumariamente aprovada. Depois, passou por outras emissoras, reforçando seus caraminguás com apresentações em clubes e circos - fez grande sucesso, juntamente com Grande Otelo, em um quadro, "Boneca de Piche", animado pelo samba homônimo de Ary Barroso e Luiz Iglesias. Graças à boa receptividade a tais apresentações - e ainda a outro talento nelas demonstrado: o de passista -, Elizeth seria contratada por uma companhia de revistas, na qual conheceu o cavaquinhista e humorista Ari Valdez, com quem se casou, no final de 1939 - uma união de curta duração que, entretanto, lhe traria um filho, Paulo Valdez, e, com ele, um sucesso de carreira, "Meiga Presença" ("quem foste tu, presença e pranto?/eu nunca fui amada tanto..."), de 1966, que ele compôs com Otávio de Morais. Bem antes disso, no entanto, acariciando a atenção dos ouvintes com "saudade/torrente de paixão, emoção diferente...", ela já havia confeccionado o seu primeiro cartão de visita como intérprete na bela e inesquecível "Canção de Amor", de 1950, composta por Elano de Paula (irmão de Chico Anísio, do cineasta Zelito Viana e da atriz Lupe Gigliotti)) e Dorival Silva, o humorista Chocolate.
Frequentando o famoso 107 da Rua Nascimento Silva, em Ipanema, Elizeth, em contato com um ilustre ocupante do imóvel, Antonio Carlos Jobim, pôde aprender e gravar, em 1958, pela etiqueta Festa, as canções de "Canção do Amor Demais", apontado como marco inaugural da bossa nova (a que João Gilberto comparece com sua seminal "batida diferente") e, por extensão de sentido, marco referencial da nossa fonografia, a exemplo de outros discos de carreira, como o "Elizethíssima", de 1981, que, certamente, inspirou, no ano passado, em Sampa, o show "Fabianíssima", que a paulistana Fabiana Cozza, fora de série, dedicou à também Enluarada, como a chamava outro dos amigos diletos da homenageada, o poeta Hermínio Bello de Carvalho. "Os sonhos do passado no passado estão presentes" e, desse modo, revisitando Elizeth nos invernos dos seu tempo, a cantora, flautista, pianista e compositora Eliane Salek faz nesta quinta, 7 de outubro, às 18h - e na próxima, no mesmo horário -, no Teatro Municipal Café Pequeno ("flyer" acima), no Leblon, o show "Divina Elizeth", louvável e rara iniciativa a evocar, neste 2010 dos seus 20 anos de passamento, a madrinha da escola de samba Unidos de Lucas - que, no desfile de 1974, fez dela enredo em "Mulata Maior, A Divina Elizeth Cardoso".
***
Pós-escrito: nos "links" abaixo, Elizeth Cardoso canta, respectivamente, um lindo samba de início de carreira de João Nogueira, "Corrente de Aço"; 2) O sucesso "Naquela Mesa", acompanhada pelo violão do autor, Sérgio Bittencourt"; 3) "Chuvas de Verão", de Fernando Lobo; 4) Em meio a outros músicos, Eliane Salek, à flauta, e o já falecido Mestre Zé Paulo, ao cavaquinho, tocam deste um "choro alegre", "Pimpolho".
http://www.youtube.com/watch?v=5fFQ_C28Y1k&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=MTpDo6SWEy0&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=da4WMGxkUc8&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=rTQ47zx4xUs&feature=related
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Normando Santos, seu violão e sua bossa presentes, nesta quinta, no show "Noel - O Feitiço do Samba"


Repasso, em seguida a estas linhas, "flyer"(acima) recebido do amigo pernambucano Normando Santos (foto acima), cantor, compositor e violonista de mão cheia, bossa-novista que participou, em 1962, do célebre concerto no Carnegie Hall e há uns 45 anos radicado em Paris. Parceiro de Ronaldo Bôscoli, ele passa uma longa temporada no Rio, onde brevemente lançará o seu primeiro CD de carreira, o qual inclui músicas inéditas de sua parceria com Vinicius de Moraes. No show de hoje, 7 de outubro, ele relembra Noel Rosa, a partir das 12h30. Entrada franca.
6.10.10
João Callado e seu cavaquinho nesta quarta na Gávea: semente do samba que germina em polirrítmico e apreciado CD

Neto do saudoso escritor de "Quarup", Antonio Callado, e filho da atriz Tessy Callado, o cavaquinhista João Callado mostra músicas do seu primeiro CD solo, muito bem recebido pela imprensa especializada, nesta quarta-feira, 6 de outubro, às 21h, no Sesc Rio Casa da Gávea ("flyer" acima). Ele é outro entre os instrumentistas e compositores de destaque nesta Lapa de hoje religada à Lapa de outrora pelo elo reencontrado da bom repertório do samba, com força na tradição, integrando, há muitos anos, com o pandeirista e cantor Pedro Miranda, o violonista Bernardo Dantas e o percussionista Trambique (que substituiu Ricardo Cotrim), o Grupo Semente, conhecido por acompanhar a cantora e compositora Teresa Cristina, referência maior do renascimento cultural do supracitado bairro carioca. Callado, que ainda passou pelo Cordão do Boitatá e pelo Abraçando Jacaré, também reúne o jongo, a modinha, o tambor de crioula e o choro entre as faixas do CD, no qual buscou experimentar ideias musicais próprias, que realçaram o seu igualmente apreciado valor como arranjador, sem se prender a expectativas de mercado. É formado em Belas-Artes pela UFRJ e é dele, como artista plástico, a obra reproduzida na capa do disco, que conta com a participação dos cantores Soraya Ravenle (também atriz e casada com ele), Alfredo Del-Penho e Moyséis Marques, além da pianista Maria Teresa Madeira.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
***
Pós-escrito: nos "links" abaixo, em destaque, duas composições de João Callado: 1) "Senhora das Águas", por Teresa Cristina (feita em parceria com ela); 2) "João Teimoso", pelo Grupo Semente.
http://www.youtube.com/watch?v=FX9zBCK1B5s
http://www.youtube.com/watch?v=fYSNYBsMEbM&NR=1
O matador

(Fui procurar um mantra na minha caixa de e-mail e encontrei um antigo continho besta que saltou e entrou no blogue - agora é tarde - vai ficar aqui)
Nosso herói morava num fim de mundo dessa terra onde canta o sabiá, mas tem lanrause e aipode.
O lugar se chamava Vão de Dentro. Os que não moravam ali eram de Vão de Fora. Entre o "Dentro" e o "Fora" passava a ferrovia, que um dia ele - menino desatendo, atravessou e a maria-fumaça o pegou meio de banda, deixando o infeliz coxo para o resto da vida.
Pode-se dizer que sua trajetória nesse planeta foi primeiramente dividida por aquele vacilo. Mas vida de pobre é igual a um trem mesmo, onde uma desgraça puxa a outra e muita coisa ainda iria correr por aqueles trilhos.
Do acidente surgiu um rapaz contemplativo, retraído, que passou a compor canções guardadas guardou numa caixinha que ele só abria na madrugada, quando a solidão se fazia tremenda. Não adiantou nada o que aprendeu de letras e contas na escola dos padres. Mesmo porque não passou daí, conhecimento miúdo dando pro gasto. Depois caiu num faz nada de dar gosto na esquina da venda. Foi onde abriu seu baú de melodias e cantou , e encantou Mariazinha - pedaço de pecado, toda rebolativa que defilava pela rua principal num uniforme do "Império-Super onde o preço é mais barato e quem manda é o freguês". Essa visão fez dele um canário do reino. Ela se acostumou com aquela voz soltando mel, sorriu, deu bola, e ele um dia - ave canora levantou asas e foi atrás, disfarçando com ginga o efeito balançante da perna prejudicada. Foi querer saber sobre sua pessoa, de onde ela veio, para onde vai, essas coisas de cerca-lourenço. Soube que era nova na vizinhança de "Dentro e que a parentada toda morava na Serra da Peçonha. Passaram a namorar de portão. Certo dia, depois do cinema - onde viram um filme romântico -, ele cantou ao pé- do- ouvido dela uma cantiga que falava numa menina recém-chegada e bem-vinda no coração de um homem marcado. Ela chorou e mudou a vida dele pela segunda vez. No fim da sessão, ficaram de enrosco sob o escurinho de uma árvore, amor derramado nas coxas para não embarrigar.
O menestrel resolveu então logo arranjar emprego, ser alguém na vida e, mesmo meio bambo, virou cavaleiro-andante, vestido numa armadura de mata-mosquito, com toda aquela aparelhagem, caprichava no borrifo. Não tinha cantinho de terreno baldio que não fosse atacado - era pneu, garrafa usada, saco plástico vaso de planta. Em tudo ele metia o veneno. Era uma guerra dele e aquelas pragas voadoras e seus violinos infernais. Matava os ovins. Pena que só trabalhava nos bairros melhores da Capital e ela não podia ver sua exibição.
Para as amigas do supermercado, onde era caixa, ela dizia que seu namorado era um temido matador das encruzilhadas, que tinha pacto com o demo e oscambaus.
- Cruz-credo, Mariazinha! E você tem coragem de ficar com um homem dessa profissão? Ela demorava um pouco no gozo da mentira inocente, mas logo desfazia a brincadeira, antes que virasse boato rumoroso e dizia que, na verdade, ele era incapaz de matar uma mosca, mas mosquito matava demais.
O amor deles foi crescendo, embora agora morassem longe um do outro. Ele mais quatro irmãos de desgraça numa casinha da prefeitura e ela naquele perdido Vão, não importa se de Dentro ou de Fora. O rapaz não pegava condução, tinha uma kombi que o levava para o serviço dividido por zonas. Ela tomava trem e mais um ônibus. No trajeto, dormia e sonhava coisas que não contava para ele,pois morria de vergonha.
Mesmo assim cheio de adjetivos , o namoro foi firmando. Mas, no meio do romance, chegaram as más notícias: ela se estressou com um cliente mal-educado, que fez escândalo na hora de pagar a conta para a qual não tinha o numerário suficiente no momento. A corda arrebentou do lado mais fraco - sabe como é, cliente sempre tem razão, principalmente se possui dinheiro em casa e telefone celular para chamar a empregada, que trouxe o vil metal, o qual foi devidamente esfregado na cara do gerente. Este último, cheio de ódio de classe oprimida, subiu a serra e para lá mandou Mariazinha, com um putaqueopariu que se ouviu na Estação de Tranca-Cego, no caminho de Tapera Caída e atrapalhou o sono de Alcebíades, que não tem nada a ver com essa história.
O rapaz, por sua vez tomou um pé-na-bunda assim que a onda dos mosquitos passou, agora era esperar o outro ano para ver se a praga do Egito voltava e com ele o empreguinho perdido.
Como não tinham nada para fazer resolveram noivar e assim afastar a maldade das reparadeiras do lugar. Ela levou o matador para casa e apresentou à família.
Foi recebido com um almoço daqueles que deixa o sujeito triste, pedindo rede para dormir.
Oficializou-se o noivado, com discurso e lágrimas e goiabada.
Depois do cafezinho, como não havia rede, ele sentou mesmo numa cadeira de balanço lá no alpendre, fumou um cigarrinho, tirou um cochilo. Todo mundo aos poucos foi se retirando. Os pais da moça sairam de fininho para o quarto e Mariazinha, muito cansada, adormeceu na sala, onde a TV chegou a chiar. Quando acordou, o sol nascia depois do galo cantar umas cinco da paradas de sucesso. Procurou seu noivo, e ele estava no mesmo lugar a se balançar, com um sorriso comovente e cheio de sereno. Queria saber a que horas saía o café da manhã. Tem gente que garante que ele nunca mais se levantou daquela cadeira. Largou os mosquitos, sua fama de mau, e, hoje, mesmo com poucas letras na ideia, só mata mesmo é o tempo queimando a mufa com umas palavras cruzadas que Mariazinha traz da banca de jornais que fica perto do seu trabalho: o "Super Barateiro" - onde a alcatra está dez reais o quilo.
Zé Carlos Bigorna e seu quinteto animam jantar, nesta quarta, na Urca, com muita bossa: o amor, o sorriso e a flor em prato cheio de sabor

Brilhante saxofonista, flautista e compositor, Zé Carlos Bigorna, nascido em Porangaba (SP) e ex-integrante do conjunto Samba Choro, em que atuou ao lado do violonista Betinho Maciel e do saudoso cavaquinhista Mestre Zé Paulo, continua apresentando-se com o seu quinteto, nas quartas de outubro, a partir das 20h, no restaurante Zozô, na Urca, com um repertório criativamente alimentado pelo "mainstream" da bossa nova, revivendo bons ares da boemia carioca (foto e "flyer" acima).
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
***
Pós-escrito: abaixo, no "link", um sopro suave de Bigorna bem entrosado com o violão de Gabriel Improta, o baixo de Rômulo Duarte e o pandeiro de Jovi Joviniano em "Coisa Número 10", de Moacir Santos.
http://www.youtube.com/watch?v=zMTpi0ygKb0
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Programe-se: Lançamento de Imagens Errantes de Carol Garcia & admiráveis companheiros de viagem

O lançamento do livro Imagens Errantes - Ambiguidade, resistência e culura da Moda vai rolar no dia 6 de outubro a partir das 18.30 hs na Livraria da Vila - Shopping Cidade Jardim. Avenida Magalhães de Castro 12000 lounge e auditório.
(Clique na imagem para ampliar e ver maiores detalhes)
5.10.10
Leandro Fregonesi faz show especial nesta terça no Carioca da Gema: samba de qualidade em aniversário de carreira

Há três anos, o jovem e querido amigo Leandro Fregonesi, cantor e compositor, lançou o seu segundo e cativante CD, "Festa das Manhãs" - com arranjos de Ivan Paulo, Rildo Hora, Jorge Cardoso e Mauro Diniz -, do qual, por exemplo, ficou-me, particularmente, na lembrança um samba primoroso, "Retemperar", que tem segunda parte do saudoso Luiz Carlos da Vila para a primeira feita por Leandro. Aliás, lembrando Luiz Carlos, é muito bom constatar que, "nessa luz de eterno fulgor de uma chama que não se apagou nem se apagará" (o próprio samba, por extensão natural do sentido original da sua composição), numa carreira de sete anos trilhada com coerência e acerto em cadência bonita, Leandro (parceiro ainda de Moacyr Luz, Ana Costa, Alceu Maia e Roberto Serrão, entre outros) comemora esse marco particular em show nesta terça-feira, 5 de outubro, no Carioca da Gema, às 21h ("flyer"acima e serviço abaixo). Formado em Administração de Empresas pela PUC-RJ, esse paulistano - adolescente em Brasília - viveu no Rio a sua infância e ao Rio retornou na vida adulta, plenamente identificado com este balneário tropical, "cenário de inspiração para falar de temas universais, irreverentes e afetivos". E assim, por exemplo, também se salienta nos mais recentes carnavais como compositor vencedor no bloco Simpatia É Quase Amor, em Ipanema, ele que faz parte da nova geração de talentos florescida, em várias casas noturnas, no reencontro da Lapa com ela mesma no melhor da inclinação musical de que o histórico bairro é revelador, "confirmando a tradição".
***
Pós-escrito: nos "links" abaixo, três momentos, em tempo de samba, da criação de Leandro pelo próprio e mais o grupo Santo Forte: 1) "Maria Isabel"; 2) Do Tambor ao Terço (em parceria com Rafael dos Santos); 3) "Se Preciso For".
http://il.youtube.com/watch?v=-OhUo-lUr7k&feature=channel
http://il.youtube.com/watch?v=EEG_F7Ej1VU&feature=related
http://il.youtube.com/watch?v=welnP-fr_UA&feature=channel
Serviço:
LEANDRO FREGONESI no CARIOCA DA GEMA
Terça-feira, dia 05 de outubro de 2010, às 21h
Show em comemoração aos 7 anos de carreira do artista!
Músicos:
Guilherme Sá (cavaquinho)
Márcio Ricardo (violão 7 cordas)
Denize Rodrigues (sopros)
Jorge Alexandre (percussões)
Sandro Salvador (percussões)
Luiz Augusto (percussões)
Pirulito (percussões)
***
Carioca da Gema
Av. Mem de Sá, 79 – Lapa – Rio de Janeiro
Abertura da casa às 19h // Show às 21h
Informações e reservas: (21) 2221-0043
Veja como chegar:
http://maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&q=Av.+Mem+de+S%C3%A1,+79+-+Centro,+Rio+de+Janeiro+-+RJ,+20230-150&ie=UTF8&cd=5&geocode=Fbxfov4dcRht_Q&split=0&sll=-14.179186,-50.449219&sspn=44.419463,47.900391&z=16&iwloc=A
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Carioca da Gema,
Dica do Gerdal,
Leandro Fregonesi,
Música,
show
Programe-se: II Seminário Nacional de Ilustração e Design Editorial e I Seminário de Design Estratégico e Inovador



O Importantíssimo Evento das Artes Gráficas vai rolar no Espírito Santo: Este ano, entre os dias 18 e 22 de outubro, acontecerá o II Seminário Nacional de Ilustração e Design Editorial e I Seminário de Design Estratégico e Inovador.
As atividades acontecerão no auditório do Departamento de Imprensa Oficial (DIO), no Cemuni IV (Centro de Artes-Ufes) e na Galeria de Arte e Pesquisa (Ufes).
Serão oferecidas mesas-redondas, exposição, oficinas e lançamentos de livros.
Confira tudo no blog do Evento http://www.celulatipografica.wordpress.com
Basta navegar pelas abas na parte superior do blogue da célula que você vai encontrar tudo que interessa.
Mais informações também podem ser obtidas por e-mail - digite o seguinte endereço: celulatipografica@gmail.com
Acima está a cara do blog da Célula Tipográfica, o bonito cartaz em dose dupla de Pojucan. O Seminário deste ano vai reunir feras das artes gráficas, desenho, design,oscambaus!
Olha só que timaço: Gilbert Chaudanne, Pojucan, Nena B, Fábio Zimbres, Moema Cavalcanti, Lula Palomanes, Guto Lins, Daniel Bueno, Eliardo e Mary França.
O Evento foi criado e é capitaneado pela brava professora Sandra Medeiros. Parabéns!
4.10.10
Lennie Tristano - Tangerine
Procurei no YouTube uma apresentação do blue mais triste e comovente da história do Jazz - intitulado "Requiem" e executado por este pianista que deve estar no Olimpo junto com Miles Davis, Charlie Parker, Charles Mingus, Coltrane, Monk e vai por aí... Era cego e com via o teclado se desenhar em seu cérebro e se projetar em neon na escuridão que ele atravessava em improvisos sem fim - e assim ele tocava o universo. Universo, segundo ele, sem a presença de Deus - o que , de acordo com relato de Charles Mingus a Fats Navarro (em Saindo da Sarjeta) quase lhe custou a vida nas mãos enormes e geniais de Charlie Parker, totalmente possesso numa noite perdida no tempo. Para homenagear Charlie Parker, ele compôs "Requiem". Se um dia eu conseguir botar uma trilha sonora neste blogue, eu colocarei "Requiem" tocado pelo Tristano.( no Youtube tem uma versão cover, mas sem aquela pegada). Aqui no Brasil, essa música saiu num LP (disputadíssimo) de uma coletânea de jazz, famosa por ter como capa a ilustração de uma pintura de Picasso, a do guitarrista cego com fundo azul.
Aqui para a delícia de nossos olhos e ouvidos, ele toca Tangerine. Isso aconteceu em Copenhagen em 1965 - aqui ele entorta o piano suavemente.
Programe-se: Lançamento de "Barcolagem" em Sampa

Vai acontecer num sábado,mais propriamente no dia 9 de outubro, às 19 horas na Casa das Rosas , na Avenida Paulista, 37 em Sampa, o lançamento de Barcolagem - Poesia de Guilherme Mansur em edição de Dulcinéia Catadora. (Veja no cartaz acima)
Uma explicação Barcolagem:
Barcolagem foi escrito para a peça “Erwartung”, de Schöenberg,
executada pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, no teatro
do Palácio das Artes em Belo Horizonte no ano de 2009, sob
regência de Abel Rocha e direção de cena de Gilberto Gawronski.
Distribuído em estrofes de três versos ao longo das páginas, trata-se
de uma colagem com versos de August Stramm, traduzidos pelo
poeta Haroldo de Campos e adaptados, com arranjo e releitura de
Guilherme Mansur, ao cenário de um barco a subir o rio Buranhém,
cercado por um extenso manguezal no sul da Bahia.
Erwartung (Espera) é um drama sobre o medo e o descontrole, em
um ato e quatro cenas. O libreto de Marie Pappenheim constroi um
monólogo psicológico de uma mulher que espera seu amante num
bosque, até que descobre o corpo do moço assassinado. Começa,
então, a tecer, em frases entrecortadas, uma série de divagações e
lembranças sobre uma provável traição do amado, e considera até
mesmo a possibilidade de ter sido ela a autora do crime.
Composta para uma voz e grande orquestra, a ópera, denominada
monodrama pelo compositor, foi escrita há um século, em 1909.
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3.10.10
Paulinho Soares tem o seu samba marcante revivido, neste domingo, em Laranjeiras - "o destino nunca foi bom alfaiate"


"O patrão mandou cantar com a língua enrolada/everybody, macacada, everybody, macacada/e também mandou servir uísque na feijoada/do you like it, macacada, do you like it, macacada?/e ainda mandou tirar nosso samba da parada/very good, macacada/very good, macacada..."
***
Teve projeção aquém do seu talento, como muitos artistas, infelizmente, que remam contra a correnteza do jabá na grande mídia, mas, mesmo assim, nos anos 70, quando surgiu, emplacou sucessos como "Quebra-Cabeça", gravado por Antonio Adolfo e a Brazuca (terceiro "link" abaixo) e feito em parceria com o publicitário Marcello Silva (música recentemente regravada por Oswaldo Montenegro no DVD "Quebra-Cabeça Elétrico"), "Tira-Teima" e "Antes Ele do que Eu", muito bem levado ao disco por Beth Carvalho (ouvida no segundo "link" abaixo).
Conheci Paulinho Sores (foto de capa de elepê, acima), pessoalmente, no comando de uma simpática e duradoura roda de samba realizada no bar Severyna, em Laranjeiras, aos domingos, só interrompida, por obra do destino, "mau alfaiate" (como afirma em verso do supralembrado samba gravado por Beth - ela que também gravou outra ótima composição dele, "Os Brasíadas"), no ingrato arremate, aos 59 anos de idade, de um infarto que o acometeu no apartamento onde morava, no Leme. No primeiro dos "links" abaixo, participando do programa "Os Trapalhões", na TV Globo, o próprio Paulinho - paraense criado no Rio e de espírito brincalhão e crítico, também encontrado nos desfiles do bloco do Clube do Samba - interpreta outro samba de sua lavra, que, ainda nos anos 70, teve ampla execução ("O Patrão Mandou", de refrão ainda atual transcrito acima), que, neste 3 de outubro de eleição, destaco como reflexão quanto ao desenvolvimento de um país que, no meu modesto entender, precisa voltar-se mais para o espelho caseiro da sua extraordinária grandeza cultural.
Um bom domingo a todos. Muito grato pela atenção à dica e ao recado que recebi e repasso em seguida.
***
http://www.youtube.com/watch?v=3Rj0QRM_q74 ("O Patrão Mandou")
http://www.youtube.com/watch?v=m_nB7GnfvfQ&feature=related ("Quebra-Cabeça")
http://www.youtube.com/watch?v=xmVwPtYSFho ("Antes Ele do que Eu")
Pearl Jam interpreta Love, reign ro'er me
Esta música interpretada pela banda Pearl Jam , fazendo um "cover" do The Who é sensacional. Os caras entendem do riscado.
O vídeo não é oficial, isto é não foi feito pelo pessoal que cuida da divulgação da banda, foi feito por um fã, com algumas fotografias suas e de outras pessoas - principalmente as dos shows.
NR:Love, reign ro'er me foi escrita por Pete Townshend e faz parte do Rock Ópera Quadrophenia de 1973, que virou filme . Eu já postei aqui a capa do LP desta obra prima do rock e acho que falei sobre o filme e tudo mais - consultem os arquivos do blogue. Townshend é um gênio e sua banda The Who foi sublime, para dizer o mínimo.
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2.10.10
Gerdal indica:Antonio Adolfo faz show, neste sábado, no Lapinha, com a filha Carol Saboya, e mostra as músicas do mais recente CD, "Lá e Cá"

"Quem vem na dança/tem lua cheia, cheia de esperança/tem brincadeira e vale ser criança/agora é hora de esquecer a dor/e a batucada vai saindo nas ruas/quem era triste já não chora tanto/quem não sambava, pelo menos, canta/e a tristeza já virou canção/e a serpentina serpenteia a cidade/confete colore o chão/desfila a felicidade/na passarela puxando um cordão..."
***
Creio que todos nós tenhamos uma parada de sucessos interna, com músicas recorrentes na mente, as quais, por alguma razão especial, por vezes até mesmo indecifrável, tocam, de jeito, o nosso sentimento e a nossa alma, sobrepondo-se a tantas outras igualmente atraentes. No meu caso, uma delas, de versos parcialmente supratranscritos, vem da formidável parceria de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar. Ouço a marcha-rancho "Alegria de Carnaval" desde quando foi lançada - talvez na gravação de 1968 do quarteto O Grupo -, sensibilizando-me a cada audição, particularmente na regravação de, a meu juízo, um dos melhores cantores brasileiros de todos os tempos, Luiz Cláudio, que, por desânimo, infelizmente, afastou-se do disco e do palco. O belo arranjo, suave, plenamente afinado com o espírito poético da canção, para essa faixa do elepê "Intimidade", desse mineiro de Curvelo, foi feito por Antonio Adolfo, parceiro de Tibério Gaspar em muitas músicas desde 1967, com "Caminhada". E, com essa primeira composição, participaram naquele ano do II FIC - Festival Internacional da Canção -, na TV Globo, e contaram com a interpretação do já falecido cantor e, depois, ator Eduardo Conde e da hoje psicóloga Iracema Werneck, cantora que também brilharia, no ano seguinte, no programa "A Grande Chance", de Flávio Cavalcanti, como segunda colocada, e há anos desfrutando da calmaria de Conservatória, distrito de Marquês de Valença, no interior fluminense, onde mora.
O carioca Antonio Adolfo Maurity Saboya, ou simplesmente Antonio Adolfo (foto e "flyer" acima), é a atração de peso, pelo reconhecido talento e carreira bem-sucedida deste decorrente, que o Lapinha (Av. Mem de Sá, 82 - sobrado - tel.: 2507-3435) apresenta hoje, 2 de outubro, a partir das 22h30. O Maurity materno é o mesmo do mano Ruy, fluminense de Paraíba do Sul, muito conhecido pelo sucesso de "Serafim e Seus Filhos" e surgido em elepê da Odeon, no limiar dos anos 70, cantando "Minie" e "Pelo Teletipo", por exemplo - antes de enveredar pelo som rural e o de apelo folclórico, quando Antonio já era um nome nacionalmente conhecido pelo êxito retumbante de "Sá Marina", em grande momento de Wilson Simonal no disco, em 1968. Embora a motivação do show no Lapinha seja o lançamento de ótimo CD, "Lá e Cá" "Here and There"), feito com a filha Carrol Saboya, certamente não faltará ao roteiro do querido Antonio Adolfo, nem que seja como um número extra, essa toada ainda moderna e bastante regravada, como nos EUA, com o título "Pretty World", por Stevie Wonder - com versão feita pelo casal Alan e Marilyn Bergman. Uma composição que marca a infância do parceiro, Tibério Gaspar, em Anta, distrito de Sapucaia, no interior fluminense, e inspirada em Brasilina, então uma jovem e encantadora professora da localidade.
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Pós-escrito: 1) o show contará ainda com a participação dos seguintes e bem conceituados instrumentistas: Jorge Helder (baixo acústico), Ivan Conti (também conhecido como o Mamão, do Azymuth, à bateria), Leo Amuedo (guitarra) e Serginho Trombone;
2) nos "links" abaixo: 1 ) Antonio Adolfo, ao piano, lembra alguns de seus sucessos em entrevista a Eliakim Araújo; 2) "Cascavel" (música do referencial elepê de Antonio com um vira-lata na capa e regravada em "Lá e Cá"); 3) Carol Saboya canta "Sá Marina"; 4) Ela, novamente, em bela interpretação de "Canção em Modo Menor", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
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http://www.youtube.com/watch?v=P5dBmQiNFLI&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Z0fBCXqTGbE
http://www.youtube.com/watch?v=OalgGB9oYPY&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=SLWzttfnXT8&feature=related
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Dexter Gordon em Round Midnight toca As Time Goes By e mais alguma coisa...
Dexter Gordon mostrou que não é só um gênio do Sax, foi o ator excepcional do excelente filme Round Midnight (aqui Por volta da Meia Noite) que conta a história (ficcional) muito louca de Dale Turner, um jazzista genial mas autodestrutivo que encanta um fã francês que assume o papel de seu anjo protetor. Dizem que Bertrand Travernier se baseou na relação entre o crítico Francis Paudras e o magnífico pianista Bud Powell , só que em vez de um pianista, na sua obra, criou a figura de um saxofonista, misturando a vida alucinada de algumas figuras extraordinárias como Charlie Parker, Chet Baker e outros que se sufocaram no mundo das drogas e álcool. (Interessante como pouca gente fala do maravilhoso trompetista Fats Navarro - grande amigo de Charles Mingus que também se arrebentou cedo devido à heroína, morrendo de tuberculose ao 26 anos de idade). Neste vídeo (trecho do filme) Dexter Gordon aparece com o chapeuzinho típico do Lester Young (uma citação, é claro), ao fundo acompanhando o saxofonista, aparece ao piano Herbie Hancock (responsável pela trilha sonora que ganhou o Oscar daquele ano).
Uma curiosidade é que no genial conto "El perseguidor" de Julio Cortázar - talvez o seu conto mais "realista"- se conta uma história semelhante. As coincidências são imensas, embora essa narrativa tenha como modelo a figura de Charlie Parker, que era adorado pelo escritor. O cenário também é Paris, e lá está também um sujeito que resolve salvar o saxofonista de seu trágico destino. Na arte rolam coincidências, assim como na vida. Travernier contou a história baseado em Bud Powell, Cortázar em Bird. Cada um de um jeito trabalhou diferentes problemas. Em "El perseguidor", o personagem Johnny Carter é um intuitivo , um improvisador que pensa o problema do tempo : quanto "tempo mental" cabe dentro do tempo físico - da sequência convencional- que tem a ver com o ritmo do bebop. Carter é um obsessivo com essa questão, mas se liberta dela nos solos complexos e surpreendentes que encantam Bruno, seu anjo protetor. Turner é cool, e toda a problemática do filme é o desespero de sua salvação e é um mais belos filmes que trata um perfeito retrato da angústica dos jazzistas negros que tiveram que sair dos EUA para sobreviver na Europa nos anos 40/50.
NR1: Cortázar inspirou Antonioni com seu conto Las babas del diablo que resultou no antológico filme Blow-Up (aqui Depois daquele beijo). Godard com Week End a francesa, também bebeu nas águas do escritor argentino (nascido em Bruxelas) ao adaptar o conto A Auto-estrada do sul.
NR2: A Wikipédia informa que Dexter Gordon já tinha aparecido em outros filmes , especialmente em The Connection de 1960 (filme que teve a trilha sonora composta por ele). Recebeu uma indicação para o Oscar justamente por sua grande atuação em Round Midnight. Faleceu 4 anos depois das filmagens em abril de 1990, aos 67 anos de idade.
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1.10.10
Teatro da FESPSP apresenta Artimanhas de Scapino no CEU Três Pontes no dia 2

Minha querida amiga, socióloga e atriz Flávia de Castro y Castro me mandou por e-mail o cartaz da peça "As artimanhas de Scapino" que o Teatro da FESPSP ( minha querida Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) vai apresentar amanhã, dia 2 de outubro no CEU-Três Pontes , na Rua Capachós, 400 no Jardim Romano em São Paulo, com entrada gratuita.
Todo mundo lá!
(clique na imagem para ampliar e ver melhor os detalhes)
Charlie Parker & Dizzy Gillespie tocam "Hot House"
Miles Davis abre sua autobiografia falando sobre um encantamento que teve em sua juventude:- "A maior sensação de minha vida - vestido - foi quando ouvi pela primeira vez Diz e Bird juntos em St. Louis, no Missouri, em 1944."
Diz é Dizzy Gillespie e Bird é Charlie Parker que estão aqui juntos para nos encantar - vestidos- ou não. Esse Miles Davis além de ser um gênio era também um sacaneta.
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