11.3.09

YOUPODE -Hoje novo site no ar


Hoje a partir das 10 horas da manhã um novo site entra no ar, o bravo YOUPODE, cujo endereço é www.youpode.com.br
Este blogueiro que vos fala vai também estrear um novo blogue lá - (veja a página na ilustra acima) portanto, espero a visita dos amigos navegantes.
Para entrar no meu blogue lá é só clicar http://youpode.com.br/blog/liberati/
Todos lá!
Viva o Youpode! Quem Youpode, pode quem não Youpode se sacode!

10.3.09

Dia 11 - Quarta / Beatles X Rolling Stones - Papo bacana no Leblon


Ricadro Pugialli e José Emílio Rondeau and Nelio Rodrigues curtem um papo no Espaço Telezoom,no Leblon. Um pilotando um submarino amarelo e os outros dois montados nos seus wild horses. Vai ter exibição de clipes das bandas...um programaço.
Clique na imagem para ler e saber mais informações.

Cartum - Impossibilidades desta vida : A verdadeira escultura de O Pensador

Da Série CRUZEIROS/CRUZADAS


Retornado do deserto Atacama, agora em seu ateliê repleto de invenções, Guilherme Mansur cria o mil nil.

Rui de Carvalho na quinta cantando o fino da MPB

Homenagem do Gerdal - A grande Nazaré Pereira: Brasil de dentro, fora do Brasil, com autenticidade


Acreana de Xapuri, filha de seringueiro e de índia, e criada em Icoaraci - distrito litorâneo de Belém do Pará bastante citado em suas músicas -, Nazaré Pereira, com 34 anos de carreira musical, é uma brasileira que precisa ser (re)apresentada ao Brasil, sobretudo os desta antiga caixa de ressonância cultural do país, o chamado eixo Rio-São Paulo. Na verdade, a carreira dela começou antes de 1975, guiada por outras luzes da ribalta, já que, no final dos anos 60, formada em arte dramática pela Uni-Rio, foi colega de elenco de Leila Diniz no teatro e na tevê, até se destacar, em 1971, no programa "A Grande Chance", de Flávio Cavalcanti, e ganhar, como prêmio, uma viagem a Portugal, de onde partiu para Nancy, cidade francesa em que se aprimorou no teatro, e depois Paris. A partir daí, sim, na Cidade Luz, a também dançarina Nazaré Pereira - que atuou em grupos como o Les Étoiles e Os Maracatus - levou adiante uma carreira musical de certa despretensão inicial, que, no entanto, com a crescente aceitação da plateia francesa, tornou-a conhecida como a mais brasileira dos nossos "canários" lá radicados. Dona de ampla discografia, Nazaré quase não canta em francês, fazendo sucesso no exterior, em bom português, com um repertório alinhavado por ritmos do Norte e do Nordeste, como o carimbó, o boi-bumbá, o xote, o baião e a ciranda, por exemplo, tanto na lembrança de clássicos - como "Na Asa do Vento", de Luiz Vieira e João do Vale, de letra surreal, e a formentiana "Chuá, Chuá", de Pedro de Sá Pereira e Ary Pavão -, como no recado de ótimas canções próprias. Também se destacam no atraente grave, meio rouco, da sua personalíssima emissão excelentes compositores dessas regiões, como o cearense Celinho Barros, em "Matutinho" e "Desafio Nordestino", outro há muito radicado na França, e Ronaldo Silva, paraense idealizador e líder do grupo Arraial da Pavulagem, autor de joias como "Dunas da Princesa" e "Ataiô".
Pequena notável a seu jeito, sem turbante com banana e balangandãs no "physique du rôle" consagrado, mas sempre de saia longa e cintada, além de flores adornando o cabelo negro e ondulado, nas suas energizadas aparições no palco, a sorridente Nazaré tem em Luiz Gonzaga um nome-chave no seu repertório. Dele gravou "Riacho do Navio" (parceria com Zé Dantas), "Forró no Escuro", "Forró de Cabo a Rabo" (parceria com João Silva) e "O Cheiro de Carolina", prestando-lhe homenagem num xote de sua autoria, "Seu Luiz" - com belo bordado nas cordas de Manassés, apoiado por marcante percussão de Adriano Busko e Coaty de Oliveira. Foi, aliás, por intermédio dela que o saudoso Lua pôde apresentar-se, pela primeira vez na Europa, em 1982, sete anos antes da sua morte, em show no parisiense Teatro Bobino.
Vinda, portanto, do Norte do país, uma região que ela tanto canta e que pode ser cantada por parir tantos intérpretes, músicos e autores de talento e expressão (Waldemar Henrique, João Donato, Leila Pinheiro, Billy Blanco, Fafá de Belém, Violeta Cavalcante, Sebastião Tapajós, Vinicius Cantuária, Andrea Pinheiro, Sérgio Souto, Val Milhomem, Joãozinho Gomes, Edmundo Souto, Jane Duboc, Paulinho Soares e Jota Júnior (ambos "in memoriam"), Nego Nelson, Nílson Chaves, Juraildes da Cruz, Vital Lima, Genésio Tocantins, Roberto Serrão, Neuber Uchoa, Eliakin Rufino e Ney Conceição, por exemplo), a Nazaré Pereira dedico, nestas linhas, o meu singelo reconhecimento por tudo que fez e faz pela propagação da nossa cultura popular. Uma grande artista brasileira, de tal quilate, da qual, por ironia, só encontrei CDs em Paris, onde estive por duas vezes no ano passado. Em ambas as ocasiões, na Fnac e na Virgin, na Avenue des Champs Elisées, pude adquirir reedições nesse formato de elepês que já obtivera aqui em sebos - como o resumidor, em termos de carreira, "Ver-o-Peso - Na Terra dos Carimbós", gravado em 1988 em Belém e um dos poucos dela não produzidos na França. Ainda em Paris, a partir desta quarta, 11 de março, no Satellit Café, Nazaré amadrinha a oitava edição do Festival Musical França-Brasil, no qual, além dela, entre outros, o gaúcho Antônio (ex-Totonho) Villeroy e a carioca Cátia Werneck, outra cantora bastante apreciada por lá, apresentam-se pelo nosso lado.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
A tempo: para os interessados, há vídeos de Nazaré Pereira disponíveis no YouTube, gravados e veiculados primeiramente pela TV Cultura, de Belém do Pará.
Nota da Redação: Maiores informações no site de Nazaré Pereira no seguinte endereço:http://www.nazarepereira.com/

9.3.09

Da Série CRUZEIROS/CRUZADAS


Do alto do Atacama Guilherme Mansur faz um corta-luz.

Cartum: Impossibilidades desta vida

8.3.09

Cadê a zaga do Palmeiras?


Vanderlei, não adianta gritar com o juiz que aumentou 4 minutos num jogo que já estava no papo. Tem mais é que jogar essa zaga que você montou no lixo. Que me desculpe Ronaldo - o fenômeno (com seus quilos a mais), mas até um elefante destreinado (figurante da novela Caminhos das Índias) faria esse gol de cabeça, ou de tromba. A zaga não subiu para bloquear o lançamento da bola. Ninguém estava marcando o volumoso jogador (será que acharam que ele não oferecia perigo?)Parece que essa zaga dormiu no ponto. Subestimou o fenômeno das pistas. Não discuto que Ronaldo é um ser fenomenal, que se arrisca a fazer programas ousados, e esse último de alto risco que é jogar no Corinthians - que tem uma torcida tremenda que cobra pra dedéu, xinga, vira de costas em protesto, enfim influi nos destinos do time quando ele não rende o que ela quer. Jogar no "Coringão", fora de condições, sempre me pareceu um suicídio assistido - numa trajetória que seguia a beira do abismo - principalmente depois do episódio dos "três travestis", das noitadas em Sampa e naquela casa de saliência do interior. Não sei se isso é coragem. Ele confessou-se louco como a torcida do time que hoje defende. Convenhamos que ele está sempre desafiando a lei, e desta vez ele lutou contra a lei da gravidade e contou com a incompetência dos palestrinos, um time - que insisto dizer, um time que não existe - só consegue ganhar de adversários pequenos no "paulistinha". Quando pega um time grande, vacila (vide a catástrofe de ter perdido em casa contra o Colo Colo que o colocou praticamente fora da Libertadores). O que está em questão, me parece é a falta de apetite desses jogadores do Palmeiras e confusão de seu técnico.
Vanderelei, não adianta babar na gravata, esso gol do Ronaldo valeu por dois. O Palmeiras, para mim, perdeu neste domingo. Que vexame!!!!

7.3.09

Cartum - Dia Internacional das Mulheres

Dica do Gerdal: Turma da Bossa no bar do Tom


Repasso o recado abaixo,(flyer acima) da Turma da Bossa. Juli Mariano (cantora, também do Seresta Moderna), Gustavo Rocha (cantor, compositor, pianista), Julio Carvana (cantor, compositor e violonista, filho do ator e cineasta Hugo Carvana), Oswaldo Lafayette (baixista) e Luiz Makarra (baterista) formam o conjunto que reverencia a bossa nova com frescor e distinção nos arranjos para temas bem conhecidos, além de mostrar inéditas próprias muito apreciadas nesses seus dez anos de "barquinho a deslizar no macio azul do mar..." Uma boa para este sábado.
Um bom fim de semana a todos. Muito grato pela atenção.
"Turma da Bossa no Bar do Tom
Caso você queira ser incluído na LISTA AMIGA deste espetáculo, basta enviar um email informando seu nome completo e a data de sua preferência para show@carvana.com.br

Considerada uma das melhores bandas de bossa nova do Brasil, a TURMA DA BOSSA fará duas apresentações no Bar do Tom, Rio de Janeiro, nos dias 06 e 07 de março.

Um show imperdível, que dá continuidade a esse movimento que representa o Brasil nos quatro cantos do mundo e traz um repertório de clássicos que marcaram uma época e continuam fazendo a história de várias gerações."

Aviso aos Navegantes


Acabo de chegar de um hospital agora. Minha mamma teve uma alta de pressão devido ao calor criminoso do Rio de Janeiro, e como ela é das terras frias e chuvosas do Planalto não aguentou e começou a passar mal. O pessoal (muito competente e atencioso) do hospital cuidou bem da minha velhinha e tudo voltou ao normal, a pressão foi controlada e amanhã será um novo dia. Embora tomorrow never knows! Por estas e outras não vou postar nada mais hoje. Ninguém é de ferro! Mas aí o Gerdal mandou uma dica no último minuto do segundo tempo e sabe como é que é, tá no gramado tem que jogar, mesmo de chuteira furada.
Bola pra frente!

Da Série CRUZEIROS/CRUZADAS


Cacto do jardim de Guilherme Mansur do alto do Atacama.

6.3.09

Dica do Gerdal : Gabriel Improta em Santa


Abrindo em alta o seu CD de estreia, "O Violão do Brasil", com primorosa releitura de um magnífico baião de Edu Lobo, "Corrupião", além de apresentar, de tino próprio, inspirados temas, como "Choro para McCoy", Gabriel Improta nele já se revelava, sem favor algum, uma das mais importantes referências das cordas brasileiras da atualidade. Filho do pianista Tomás Improta e sobrinho do saxofonista Ion Muniz, ele, apesar da juventude, tem, de fato, com a música, um velha intimidade, sobretudo aquela de tessitura mais elaborada e acento jazzístico. Desenvolvendo um trabalho notável em duo com outro expoente das nossas cordas hodiernas, o bandolinista Rodrigo Lessa, e integrando como músico e arranjador o suingado Garrafieira, Gabriel é também presença assídua nas noites boêmias do Rio, em cujos bares costuma tocar e dar canjas na companhia de outros instrumentistas fabulosos.
Ao lado de um convidado muito especial - o baterista e percussionista "quebra-tudo" Robertinho Silva -, Gabriel toca, hoje, 6 de março, em Santa Teresa, no Bar do Marcô, em mais um dos encontros de trânsito livre para a boa música no bairro. É dele o recado que repasso abaixo.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
Recado do Gabriel:
"Queridos amigos e conhecidos,
Convido a todos para uma Jam Session muito animada que farei junto a
Rodrigo Villa (baixo acústico) com a participação muito especial de
Robertinho Silva (percussões). Esta sexta no Bar do Marcô.
Local: Bar do Marcô - R. Almirante Alexandrino, 412 - Santa Teresa -
Rio de Janeiro - pertinho do Largo dos Guimarães Tel: 2531 2787
Couvert artístico:12 reais

Quando: esta sexta, 6 de março, a partir das 20 hs."
Onde encontrar mais coisas de Gabriel Improta
www.myspace.com/gabrielimprota
PS: para quem ainda não viu...
http://www.youtube.com/watch?v=4oq6U3H39AE

Da Série CRUZEIROS/CRUZADAS


Mais um petardo cactoso lançado do alto Atacama. Dá-lhe Guilherme Mansur

Da Série Cartuns de Ilha

Quadrinhos em Transe em Sampa!



(Cliquem nas imagens para ler melhor)

Quixabeira again!


Minha amiga Fao Miranda, talentosa cantora , agora está criando, como produtora executiva, uma oportunidade única, um privilégio mesmo, para a gente assistir na CAIXA CULTURAL duas apresentações do Grupo Quixabeira, que aproveita para lançar o seu CD aqui no Rio. .
O Show se chama"Ô PANDEIRO, Ô VIOLA!"
Aproveito para botar aqui embaixo o release que Fao me mandou:
"O grupo de Cultura popular baiano apresenta um variado repertório:
Sambas-de-roda, chulas, samba martelo, batuques, reisados e cantigas de roda são alguns dos ingredientes que compõem a diversidade musical do sertão baiano e estão muito bem representados no CD "Ô Pandeiro! Ô Viola!", do Grupo Quixabeira de Lagoa da Camisa.

Reunidos oficialmente desde 1992, após a gravação de quatro faixas para o disco "Da Quixabeira pro berço do rio", os onze membros do Grupo têm como principal objetivo passar para os mais jovens a continuidade das suas manifestações como forma de transmissão e preservação da sua cultura.


O Grupo da Quixabeira já participou da peça Além da Linha D´Água (protagonizada por Marília Pera, encenada em São Paulo com direção de Ivaldo Bertazzo). Em dezembro de 2002 o Grupo da Quixabeira fez o show de abertura do IV Mercado Cultural, na Sala Principal do Teatro Castro Alves, quando foi aplaudido de pé e retornou ao palco para fazer o bis com a Orquestra Popular de Câmara (SP), criada pelo maestro Benjamin Taubkin, dentre outras várias apresentações.

A Comunidade Lagoa da Camisa, situada a 22 Km. de Feira de Santana, integra a região de Quixabeira - que engloba cerca de quinze comunidades rurais que além de realizarem o trabalho no campo desenvolvem uma estética calcada nos valores musicais do sertão e do recôncavo baiano.

Essa comunidade tem a música como forma de manter viva as tradições do povo sertanejo, evidenciando o modo de vida do nordeste interiorano: os seus costumes, valores, aspirações, desejos, a partir de canções que retratam o seu cotidiano fatigante, a sua relação com a natureza, consigo mesmo e com os outros."

DIAS 6 e 7 de março
sexta e sábado
20h

TEATRO DE ARENA - CAIXA CULTURAL
Rua Almirante Barroso - Centro
(Clique na imagem para saber mais detalhes)

5.3.09

Ressaca- o filme - Domingo no Circo Voador




Nesse domingo, sessão do Ressaca (filme feito a mão) no DORKBOT DELUXE!
Um filme de Bruno Vianna com participação especial do nosso ator favorito João Pedro Zappa
Entrada franca - informações abaixo:
Domingo, 8 de março, 20:00
Circo Voador, Rio de Janeiro
Festival de Cultura Digital
http://circodigital.org.br/festival/
Próximas sessões:
Festival de Arte Digital, Belo Horizonte
12 a 15 de março, 18:30
Estação Central do Metrô
http://www.festivaldeartedigital.com.br
Festival Mecal, Barcelona
Sexta, 27 de março, 20:30
LugAr
http://www.mecalbcn.org/resacca_cat.html
Festival Visual Brasil, Barcelona
Sábado, 28 de março, 22:00
Punt Multimedia
http://www.festivalvisualbrasil.com/visualbrasil09/
Maiores infomações sobre o filme no site www.ressaca.net
A fonte da primeira foto dessa postagem é o blog de Filipe Cavalcanti

Dica do Gerdal:Verônica Ferriani estreia em CD com charme, beleza e delicadeza



Era minha intenção fazer, com minhas palavras, a recomendação do trabalho da amiga Verônica Ferriani, mas, a respeito, repasso abaixo texto escrito por Aquiles Rique Reis, do MPB4. Com toda a sua cancha no meio musical e bem melhor do que eu, mero aficionado da nossa boa música popular, poderia escrever, Aquiles faz, como de hábito em sua coluna, uma avaliação atenta e nuançada do bom CD de estreia dela, "uma cantora de ótimos recursos, capaz de cantar qualquer estilo de música". Um senhor elogio - e merecido.
Verônica é um doce de pessoa e, antes de conhecê-la, ao vivo e em cores, reafirmando a tradição do samba no Carioca da Gema, pude vê-la, pela TV Cultura, acompanhada do grupo paulistano Ó do Borogodó, em edição do "Sr. Brasil". No programa de Rolando Boldrin, participou de um cativante e surpreendente quadro em que evocava o lado pouco conhecido de compositora de marchinhas de carnaval de Carolina Maria de Jesus, a mesma sofrida autora de um "bestseller" da contestação social, o livro "Quarto de Despejo", de 1960. Ainda me lembro da "Marcha do Pinguço", na alegre interpretação de Verônica, uma moça que, em boa hora, abriu mão da sua prancheta de arquiteta para edificar uma carreira musical de tão bons fundamentos.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
"Olá,
Aqui vai o texto que será publicado em minha coluna deste final de semana no Diário do Comércio (SP), Meio Norte (Teresina), A Gazeta (Cuiabá), Jornal da Cidade (Poços de Caldas) e Brazilian Voice (uma publicação voltada para os brasileiros residentes em toda Costa Leste dos EUA).
Fraternalmente,
Aquiles Rique Reis

O primeiro CD de Verônica Ferriani é o cartão de visita de uma cantora de ótimos recursos

Cercada por músicos paulistanos capitaneados pelo experiente produtor BiD, a paulista de Ribeirão Preto Verônica Ferriani esbanja carisma. Sua voz é carinhosa e cada sílaba lhe sai da garganta impregnada de delicadeza.

A começar pela forma como vislumbrou este seu primeiro trabalho (produção independente), que traz na capa apenas seu nome ao lado de uma foto de seu rosto suave. O clima de "ao vivo" era a meta; gravar com todos os instrumentistas tocando juntos no estúdio, o sonho. Realizou. O calor do olhar cúmplice trocado entre cada um dos participantes dá ao CD ares de reunião na sala de casa - intimidade que permite empatia instantânea com o que se ouve.

Amparada por um repertório que está longe de ser banal, sua capacidade de cantar é posta à prova e se sai muito bem. Têm charme todas as notas que ela canta. Tudo o que escolheu para fazer é feito de um jeito particular, pleno de personalidade.

Para abrir, Verônica e BiD escolheram "Um Sorriso nos Lábios", um samba daqueles que carrega a marca registrada de Luis Gonzaga Jr.: a ironia para disfarçar a dor do dia-a-dia. Para a sessão rítmica foi convocado um percussionista não-paulista, o craque Jaguara. A sanfona de Magoo cria uma atmosfera que amplifica a intenção que teve Gonzaguinha de buscar belezas inusitadas aonde só se costuma encontrar o de sempre. Bela performance.

De outro compositor consagrado, Paulinho da Viola, Verônica buscou um belo e pouco conhecido samba, "Perder e Ganhar". Uma levada calcada nas congas de Vitor da Candelária e o dedilhado do bandolim pelas mãos de Felipe Pinaud dão ao samba ares de ainda mais leveza.

O arranjo de "Com Mais de 30" (Marcos e Paulo Sérgio Valle) dá uma bela arejada em seus versos, uma ode à juventude em detrimento aos "coroas" com mais de trinta anos, que retornam ágeis e suingados com Verônica.

Capaz de cantar qualquer estilo de música, ainda assim ela se destaca quando interpreta canções mais lentas, como "Bem Feito" (Rubem Nogueira e Paulo César Pinheiro). Bela melodia, harmonia bem estruturada e versos que dão a Verônica a chance de fazer com que sua voz nos venha ainda mais bonita e totalmente plena de emocionada sensualidade.

Assim é também quando ela canta o samba lento "Ahiê". Com o DNA explícito do talentoso balanço de João Donato e versos de Paulinho Pinheiro, Ferriani se esbalda sobre a base que tem sanfona (Magoo), guitarra (Felipe Pinaud) e baixo acústico (Cabral), bem amparados pela percussão de Bruno Buarque e Vitor da Candelária.

Apesar de a produção musical pecar um pouco ao exagerar no uso do som meio anacrônico do órgão e de o coro masculino "pesar" quando somado à voz da cantora, o CD de Verônica Ferriani é o cartão de visita de uma cantora de ótimos recursos. Um trabalho feito por quem sabe bem o que quer da música e a ela dedica todos os cuidados possíveis que sua imaginação musical determina."

Nota da Redação: Aquiles Rique Reis é músico e integrante do MPB4

Da Série CRUZEIROS/CRUZADAS


No ataque, direto do deserto do Atacama, Guilherme Mansur dispara mais um cacto-míssil.

Minha vizinha chavista detona: Será o Benedito?!


Minha vizinha chavista deu o ar da graça. Estava alimentando a sua vaca sagrada que se encontra no jardim do edifício. O bicho já comeu todas as bromélias. Diz a oposição aqui do "Condomínio do Barulho" que ela dividiu o manjar com uns "dalits", entre eles um Bahuan dos pobres chamado de Barro-ãh...
Segundo minha radical vizinha, com tal ato - a vaca demonstra que está engajada na luta contra dengue. (Os entendidos dizem que as bromélias são bons receptáculos de água e viveiros de larvas do aedes aegypt - o transmissor da doença).
Bem, o que importa é que ela, (vestindo um sari importadíssimo) me disse que está fula com o Benedito Ruy Barbosa, porque ele andou criticando a novelista Glória Perez por escolher um tema tão longínquo em o Caminho das Índias. O bravo autor soltou o verbo, disse que não entendia a razão de certos autores não usarem temas brasileiros. Na verdade ela disse o seguinte: "Ponha lá nos eu "grogue" (ela nunca consegue acertar a palavra blogue) que ele está é muito patrioteiro. Será o Benedito!? - Agora só se deve fazer novela de boi de botas? Deixem o sertão em paz! O sertão já virou mar faz muito tempo. Os catrumanos querem é banda larga, é Cherokee , Ipod. As meninas querem dar download, baixar ColdPlay. Até os bois não dormem mais com as conversas que se ouvem no Brasilzão! O Brasil é do PMDB. O Brasil quer calça cargo! Tá me entendendo! Se quiser fazer uma novela sobre o campo, que faça uma sobre o MST. Sobre os bois do Renam. Esses sim são temas explosivos!"
Aí achei que o discurso ficou meio incoerente. Soltei um "namastê" e sai de fininho... Vai que sobra pra mim, que sou fã do Guimarães Rosa e do Zé Lins do Rego e não quero saber de nada com a política...(anotem aí fico devendo um ensaio sobre o Engenho de Zé Lins)

4.3.09

Palmeiras, fala sério!


Fala sério: esse time do Palmeiras é meia bomba. Perder para o Colo Colo em pleno Palestra é muito feio. Se ganhar de time pequeno no "paulistinha" já tava difícil, imagine quando pegar os grandes no Brasileirão! Vanderlei, procure não explicar muito, não, tá! Convenhamos que fica bem pior quando você explica a catástrofe. Se cometer essa temeridade, use um infográfico, isso facilita a compreensão.

Da Série CRUZEIROS/CRUZADAS


E a forja imaginária não para nem no deserto do Atacama. Mais um cacto de Guilherme Mansur para a coleção.

Cartum - Homens divididos

Tonico Mercador lança Olhos quase Cegos


O grande jornalista, poeta e escritor Tonico Mercador (até rimou) lança no dia 11 de Março - numa quarta-feira, o seu livro Olhos quase cegos, pela Giordano Editorial.
O evento vai rolar em Belô, a partir das 18 horas e 30 minutos com uma palestra do autor e participação dos compositores Márcio Borges, Murilo Antunes e Flávio Henrique. O local é o Anfiteatro do Pátio Savassi - Piso L2 .
Depois no Terraço Leitura no Piso L3 rola um coquetel.
Tonico me disse que no Rio de Janeiro ele vai lançar ainda neste mês de Março na LUZES DA CIDADE de Botafogo.
Todos lá! Melhor seria todos lás!

3.3.09

Homenagem do Gerdal - Daltony Nóbrega: uma grata e divertida inclusão em coletânea recém-lançada



Por longo tempo, tive a satisfação de trocar e-mails regulares e bastante informativos com o amigo Daltony Nóbrega, parceiro de Carlos Lyra no curioso "Choro de Breque". Filho do poeta e historiador Dormevilly Nóbrega e nascido em Juiz de Fora, Daltony lá palmilhou o trecho inicial da carreira, como integrante do Grupo Mineiro (de que tomavam parte, entre outros, o mais tarde conhecido humorista Octavio Cesar, como cantor, e os jornalistas Maurício Dias e Antônio Chrisóstomo, como letristas), fazendo ainda boa e premiada figura em festivais locais. Dessa fase, vem a sua "GB Ur-Gente", em parceria com Maurício Dias, gravada por Eliana Pitman no Rio, para onde o referido conjunto viria de mala e cuia, participando, por um ano, no início da década de 70, de um espetáculo de grande sucesso de público e crítica: "É a Maior", protagonizado pela cantora Marlene. Desligando-se do conjunto, lançou-se em carreira solo, sendo gravado por vários intérpretes nessa década, como Célia ("Em Família"), Roberto Ribeiro ("Se Você Não Vê" e "É Tão Tarde") - com pseudônimo de Daltõ em raro elepê do saudoso campista, de 1973 -, e, em particular, Simone (com três músicas no elepê de estreia dela, também em 1973, entre as quais destaca-se a igualmente bela e contundente "Morena"). Sua participação, em 1980, no festival MPB Schell, da TV Globo, lhe valeria, na ocasião, um convite de Augusto César Vanucci para ser diretor musical da emissora, o que lhe possibilitou, por exemplo, inscrever seu nome na criação e produção de dois especiais de ampla repercussão, voltados para a petizada: "Plunc Plact Zum" (expressão, aliás, sacada por Daltony e que se tornou um sucesso encomendado por ele a Raul Seixas) e "A Turma do Pererê" (com músicas suas para especial da Globo e livro-disco com história de Ziraldo). Ainda nos anos 80, viajaria pelo sul do Brasil pelo Projeto Pixinguinha, na boa companhia de Ademilde Fonseca e do conjunto Coisas Nossas, e, depois, já residindo na capital paulista, exerceria, também a convite de Augusto César Vanucci, a direção musical da TV Bandeirantes, fazendo trilhas para, entre outras atrações, o humorístico "Agildo no País das Maravilhas", de Agildo Ribeiro.
Professor de português, tradutor - "métier" a que ora se dedica -, "fera" em informática, lembro Daltony, especialmente, por causa de um recém-lançado CD-homenagem, duplo, "100 Anos de Carmen Miranda - Duetos e Outras Carmens", com produção de Thiago Marques Luiz, no qual se ouvem duos famosos dela com Mário Reis ("Alô! Alô!") e Lamartine Babo ("Moleque Indigesto"), entre outros "partners" tão ou menos votados, num dos discos, e, no outro, músicas do repertório de "La Miranda" revividas em registros variados, de outros intérpretes. Entre eles, inclui-se a divertida gravação de Daltony com a sua conterrânea Maria Alcina - esta de Cataguazes - no samba "Empregada Grã-fina", do baiano Sá Roris (humorista e professor de desenho do parceiro Nássara, com quem comporia, entre outras, a clássica marchinha "Periquitinho Verde"). Trata-se de faixa pinçada de um dos dois elepês gravados por Daltony, o excelente "Cirrose", com arranjos de Antonio Adolfo e Perna Froes e produção de Simon Khoury para a RCA em 1983, só de sambas bem-humorados, como "Cadeira de Dentista", de César Brunetti, "Nouveau-Riche", de Billy Blanco, e "Samba da Cascata", de Délcio Carvalho, além dos ótimos "Tereza Iná" (c/ Ana Cézar) e "Amigo de Malandro", ambos de Daltony. Neste último, feito "à la carte" para o dizer malemolente de Moreira da Silva, os dois dialogam em faixa simplesmente impagável. "Bate-Boca", de 1981, também com arranjo de Antonio Adolfo e produção do finado Arthur Laranjeira para a mesma RCA, foi o primeiro elepê, e espero que, na esteira dessa coletânea da Carmen, tais bolachas sejam relançadas em CD e o próprio Daltony tenha condição de realizar um novo disco, à altura da sua centelha criativa, multi-ígnea. Recebido com generosidade por ele e pela companheira Bia Peine na casa onde moram, em Sampa, há alguns anos, pude constatar que música da melhor qualidade é o que não falta.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.

Da Série CRUZEIROS/CRUZADAS


Nosso bravo poeta Guilherme Mansur manda do alto Atacama mais uma de suas invenções cruzadas. Ela vem espetando feito cacto.

Grupo Quixabeira de Lagoa da Camisa toca tudo na Caixa Cultural


É um privilégio receber esse grupo Quixabeira de Lagoa da Camisa no show "Ô Pandeiro, Ô Viola!" numa curta temporada ( dias 6 e 7 de Março - Sexta e Sábado às 20 horas) no Teatro de Arena da Caixa Cultural - na Avenida Almirante Barroso, número 25 - no Centro do Rio, próximo à Estação Carioca do Metrô.
(Clique na imagem para ampliar e obter maiores informações).

Romero Cavalcanti: O Esquartejador de Copacabana



(Este texto de Egeu Laus sobre a arte de Romero Cavalcanti foi retirado do site overmundo - no seguinte endereço http://www.overmundo.com.br/overblog/romero-cavalcanti-o-esquartejador-de-copacabana )
Romero Cavalcanti é um dos mais inquietos e originais artistas que conheço.

Mora num antigo casarão em Copacabana que, não sei por que, me lembra o filme Psicose do Hitchcock. Tutty Vasquez o apelidou de “O Esquartejador de Copacabana” por conta de sua série de trabalhos intitulada Cutaways. Romero é um artista único que desenha com a faca (literalmente). Suas figuras da série (agora com volume) são cortadas no estilete sem nenhuma guia ou rascunho prévio! Não conheço ninguém com esse approach…

Nascido na Paraíba e radicado no Rio há muitas décadas, sua obra é múltipla e extensa. Seus cartazes de peças já fazem parte da história gráfica do teatro brasileiro. Suas capas de CD permanecem vivas e expressivas até hoje. Suas ilustrações editoriais (em livros e revistas) são parcerias fortíssimas com o texto. Suas “esculturas” (na falta de um nome melhor) me encantam constantemente. Romero é sempre um homem do processo. Pude constatar isso quando ajudei-o a montar uma pequena retrospectiva de seus trabalhos na UniverCidade aqui no Rio, há alguns anos atrás. A expo melhorava a medida que ia sendo montada.

Como artista múltiplo se aproximou do computador há pouco tempo e já desenvolveu um trabalho bastante expressivo. Inicialmente reproduzindo o seu traço ilustrativo através de programas de desenho vetorial e há poucos anos descobrindo a colagem digital num trabalho que garimpa imagens reais para explodi-las em figuras suprarreais que as vinhetas da TV Globo exploraram muito bem no seu trabalho para A Grande Familia.

Mas os Cutaways em papel são maravilhosos. E é justamente uma parte selecionada deles que estará em exposição a partir do dia 5 na Galeria Versailles do Shopping Cassino Atlântico aqui no Rio de Janeiro.

Um trabalho que consegue ser, ao mesmo tempo, extremamente contemporâneo, único em sua técnica entre nós, mas calcado numa tradição oriental milenar e ao mesmo tempo reforçado por uma carga de sensualidade e informação cultural poderosa. Seu “meio” é a propria “midia” impressa, e talvez por isso mesmo o subtitulo de sua exposição seja “Recortes es/culturais”.

Se você ainda não conhece o talho da faca de Romero Cavalcanti, a hora é essa: As Formas do desejo - Recortes esculturais.

Não perca!

2.3.09

Careca de saber


Queria avisar ao pessoal que divulga o Shampoo Esperança que eu não estou careca ainda e não preciso de seus efeitos miraculosos. Estou , isto sim, careca de saber que vocês dão um trato na calva do indivíduo portador de insuficiência capilar (para ficar no políticamene correto) incrementando a juba do sujeito. Portanto, percam a esperança de me vender esse produto e parem de me mandar spams e de entupir minha caixa de correio eletrônico! Vão plantar batatas, ou melhor, cabelos em outra freguesia!

Onde encontrar mais fotos de Carnaval de Egeu Laus


Quem quiser ver (ou pegar) mais fotos que Egeu Laus (o ilustre cavalheiro aí do lado) clicou durante o Carnaval de 2009 pode ir diretamente ao arquivo dele no Flickr.
O endereço é http://www.flickr.com/photos/14633515@N08/sets/72157614522719020/

A estrela mais linda


Minha querida amiga Maysa, socióloga, pesquisadora e botafoguense roxa me enviou o endereço do blogue da estrela mais linda. Quem torce para o alvinegro vai gostar (ou será alvi-negro?). O endereço no mundo estelar é http://mundobotafogo.blogspot.com/2009/02/o-escudo-mais-bonito-do-mundo.html
O blogue da Maysa é encontrado no seguinte endereço http://oninhoeatempestade.blogspot.com/

Dica do Gerdal : Alfredo Del-Penho


Nascido em São Fidélis, no Norte Fluminense, e ex-morador de Niterói, o jovem cantor e violonista Alfredo Del-Penho mostra-se como um dos mais cintilantes cartazes da nova geração na MPB. Possuidor de voz bem timbrada, é um dos nomes mais recorrentes no "boom" do samba e do choro nas redivivas noites da Lapa carioca, atraindo para uma interpretação lapidada joias de real valor, não raro esquecidas, do nosso cancioneiro. Nesse sentido, Alfredo também revela a sua identidade de atilado pesquisador, reverente aos fundamentos da tradição, embora, na sua carreira, é claro, não deixe de fazer a recomendação autoral dos seus colegas de geração - ele próprio com uma ou outra boa composição já gravada. "Os Dois Bicudos" e "Cachaça Dá Samba" (com Pedro Paulo Malta), além de "Lamartiníadas" (com Pedro Paulo Malta e Pedrinho Miranda, outros dois luminosos cartazes dessa geração), são CDs admiráveis a que Alfredo comparece com inequívoco brilho e adequação. Sendo um dos astros do bem-sucedido musical "Sassaricando" - de que Pedro Paulo Malta, entre outros, também participa -, Alfredo Del-Penho poderá ser visto e aplaudido, com todo o merecimento, na série de shows que realiza no Centro Cultural Carioca nestas terças pós-carnavalescas de março, a começar pela primeira delas, amanhã, dia 3 ("flyer" acima). Apresentações que, ao que parece, preparam o terreno para um primeiro e bem-vindo disco solo.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.

Da Série CRUZEIROS/CRUZADAS


Direto da forja imaginária de Guilherme Mansur no deserto do Atacama, mais especificamente do Vale dos Cinco Sinos na Cordillera de la Sal.

O castelo, os príncipes e o rei nu


(Este artigo do Professor Marco Aurélio Nogueira (*) foi publicado em O Estado de S. Paulo no dia 28/2/2009)
Dizem que no Brasil tudo começa depois do carnaval. A convicção é em muitos aspectos verdadeira, mas não se aplica ao ano político, que costuma dar o ar da graça bem antes disso, se é que calendários políticos conheçam férias e interrupções.

2009 começou com a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado e, quase ao mesmo tempo, com a descoberta do castelo construído pelo deputado Edmar Moreira. Nada deveria chamar muito a atenção, não estivesse o deputado ocupando a segunda vice-presidência da Câmara (cargo que incluía a função de corregedor) e não tivesse “esquecido” de declarar o bem, avaliado em mais ou menos 50 milhões de reais. Com o agravante, como logo se soube, de que o castelo havia sido planejado para servir de cassino, num país em o jogo é ilegal. A cereja do bolo coube ao STF, que revelou a existência de um inquérito para apurar a apropriação indébita, pelo deputado, de contribuições ao INSS. Os desdobramentos do caso são conhecidos, não há necessidade de voltar a eles.

Também seria normal a recondução do deputado Michel Temer e do senador José Sarney à direção do Congresso Nacional, não fossem os parlamentares vinculados ao mesmo partido e não fosse esse partido um operador político inteiramente dedicado a seus próprios interesses, sem idéias consistentes ou laços substantivos com qualquer força viva da nação. Partido que inscreveu seu nome na história por ter conduzido, com realismo e inteligência, a luta pela redemocratização do país, hoje o PMDB é uma sombra de seu passado, ainda que continue ativíssimo. Faltam-lhe clareza programática e projeto nacional, sobram-lhe vínculos regionais e apetite por cargos. Passou a expressar o “atraso” político brasileiro, mas, curiosamente, ajuda a que se afirme “a tradição do público na sociedade”, como observou o cientista político Luiz Werneck Vianna (Estado, 15/2/2009). Faz isso, porém, por via eminentemente fisiológica, acabando por transferir ao sistema uma pesada carga de fatores degenerativos. Para ser contido, precisa ser incorporado ao jogo político, mas ao sê-lo rebaixa a qualidade do jogo. Tê-lo na condução do Congresso funciona assim de modo paradoxal: amarra o partido à democracia e à institucionalidade política, ao mesmo tempo que o reforça como estrutura predatória.

Também anterior ao carnaval foi a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos, que não poupou palavras para detonar seu partido, que estaria hoje definido por uma estrutura “coronelística” dedicada a explorar o governo e corroída pela negociata política. O tom foi de desgosto e decepção, mas o discurso foi calculado. Diga-me com quem andas e direi quem és, pareceu ser o recado ao Planalto, à direção do PMDB e a todos os que flertam com o partido. Política pura, com muita dissimulação, drama e jogos de cena. O estrondo só não foi maior porque o PMDB engoliu em seco, fez-se de morto e esfriou o fato.

O período foi pródigo na reiteração de duas tendências da política brasileira recente. Lula deu prosseguimento ampliado ao estilo que lhe têm concedido altos índices de aprovação popular, que atingiram agora impressionantes 84%. O Encontro Nacional de Novos Prefeitos por ele patrocinado foi uma festa política, mas não um desfile carnavalesco. Serviu de palco para a campanha presidencial de 2010, que, a esta altura, já se tornou fato consumado. Mas também conteve um elemento de vida institucional e governo: nas palavras do cientista político Fábio Wanderley Reis (Estado, Aliás, 15/2/1009), “a aproximação do governo federal com o municipal cria uma estrutura de Estado mais equilibrada” e reproduz a forma brasileira de fazer política.

A oposição não perdoou o que considerou uma antecipação da campanha presidencial. Foi, no entanto, bisonha e ineficiente na operação, reiterando a desgraça maior de sua fase atual. Exigir que um governante deixe de fazer política e de buscar extrair vantagens eleitorais de seus atos é tão sem sentido quanto achar que uma oposição de verdade deva atuar em tempo integral para demolir a situação. A denúncia foi somente uma demonstração adicional de medo e preocupação com os movimentos de Lula, quem sabe um reflexo da necessidade que têm os oposicionistas de ganhar tempo para arrumar a própria casa. Além do mais, veio embrulhada em paradoxos e contradições, como bem lembrou o professor Fábio W. Reis: ganhou luz pela boca do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no mesmo momento em que convocava o PSDB para entrar firme na disputa.

Juntando-se os fios, o período pré-carnavalesco serviu de espelho para que mirássemos a real situação da política nacional. Refletiram-se nele diversos traços da nossa dificuldade de ingressar em um ciclo virtuoso de vida democrática, reformismo e reorganização social. A persistência do flerte que o Congresso mantém com a desmoralização pública de sua imagem e de suas funções reflete um processo impulsionado pelo esforço compulsivo de políticos e partidos para maximizar interesses de curto prazo. A popularização banalizada da Presidência ganha embalo na figura carismática de Lula. O não-aparecimento de lideranças de novo tipo expressa a falta de uma oposição democrática suficientemente lúcida, unida e corajosa para abrir mão de ganhos imediatos e se apresentar como opção para a sociedade.

O ano começou dando transparência a uma situação cortada por dilemas, paradoxos e interrogações, em que não há nenhum príncipe (o estadista) ao estilo de Maquiavel e desapareceram os príncipes modernos de que falava Antonio Gramsci, os partidos políticos, dedicados a organizar idéias e interesses em torno de um projeto de sociedade.
(*)Marco Aurélio Nogueira é Sociólogo , Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, pós-doutorado na Universidade de Roma - Professor Titular na Universidade Estadual Paulista-UNESP, Campus de Araraquara.
http://marcoanogueira.blogspot.com/

1.3.09

Exposição imperdível de Rubem Grilo



Um dos maiores artistas da gravura deste planetinha azul faz exposição na Caixa Cultural. O último a chegar é mulher do padre.
(Clique na imagem para ampliar e ler melhor)

Aviso aos Navegantes


Caros amigos do blogue, bravos navegantes, por um problema técnico qualquer da misteriosa internet, fiquei sem conexão até agora. Foi quando uma simpaticíssima atendente do suporte técnico da minha operadora me deu uma dica fundamental, ligar e desligar e dar uma olhada nos cabos. Vi cabos, sargentos e os tenentes do diabo (este último um grupo infernal do velho carnaval carioca). Visto tudo, liguei o bruto e eis que a conexão se fez. Acho que o começo do mundo foi assim, e ele só funcionou num restart.
Vamos ao trabalho, ou melhor como é domingo vamos ao repouso, que ninguém é de ferro.