14.11.09

Dica da Folha Seca

Recebi um e-mail do pessoal da livraria Folha Seca falando de uma exposição muito importante para a história do humor gráfico brasileiro - lá vai:

Nesta segunda-feira, 16 de novembro de 2009,

inaugura-se aqui ao lado da livraria, no Centro Cultural dos Correios,

a exposição do Fortuna, que é o homenageado este ano no Festival Internacional de Humor no Rio.

O curador da exposição é o nosso Cássio Loredano, que promete um susto para o público: "ver uma grande seleção do trabalho deste gigante reunida vai dar uma dimensão melhor da importância desse humorista de raça".



Então não se esqueçam:

segunda-feira, 16 de novembro de 2009,

a partir das 19h no

Centro Cultural dos Correios

rua Visconde de Itaboraí, 20

não é necessária apresentação de convite



Aproveitando: amanhã, sábado 14, continua a roda de Choro no Antigamente

(e também nossa promoção dos cd's da loja com 15% de desconto nesse dia)

Do fundo do baú- Ilustração : Hitler Tiranossauro

13.11.09

Do fundo do baú - Ilustração : Opostos

Mais um brinde: Um Cartum de João Zero


(clique na imagem para ampliar e ler melhor a legenda do cartum)

12.11.09

Dica do Gerdal: A cantora Andréia Pedroso e o pianista Alfredo Cardim são grande atração desta quinta em "happy hour" na Uerj (grátis)


Pianista que já integrou, no Rio, no limiar dos anos 70, o quinteto de Haroldo Mauro Jr. num momento em que este trocou o teclado pela bateria (ambos, aliás, pouco depois, tentariam juntos a sorte nos EUA, chegando lá na mesma ocasião); mais tarde, fez parte, de volta às noites cariocas, do Fogueira Três e, mais recentemente, de novo morando nos EUA, do DNA Bossa Trio - juntamente com o baixista Nílson Matta e o baterista Duduka da Fonseca -, o conceituado Alfredo Cardim, já ensaiando nova e longa permanência no Rio, apresenta-se nesta quinta, 12 de novembro, às 18h, com uma sensível e ótima cantora, Andréia Pedroso, no Teatro Odylo Costa, filho, na Uerj (tel.: 2334-0048). Um "happy hour" da melhor qualidade.
         Um bom dia a todos. Grato pela atenção à dica.
 ***
A tempo: houve um erro de informação no "flyer" acima. A data correta é a de hoje, 12 de novembro, no endereço nele indicado, com início previsto do show para as 18h. 

Dica do Gerdal: Alex Ribeiro canta sambas próprios e recorda o pai, Roberto Ribeiro, em show nesta quinta na Lapa


Vejo a avenida enfeitada, florida, armada pra receber meu amor/será que ela vem com o mesmo sorriso que me conquistou na Rua do Ouvidor..." 
 

            Prematuramente retirado de cena na MPB, morto por atropelamento em 1996, Roberto Ribeiro caiu no agrado da moçada que revigora a tradição musical da Lapa, gente que, além de ter nele uma grande referência na interpretação mais simples do samba, acolhe nas rodas faixas de sucesso extraídas dos diversos elepês gravados pelo campista, da autoria de nomes que ele ajudou a projetar, como Nei Lopes e Wilson Moreira ("Só Chora Quem Ama"), Zé Luiz e Nélson Rufino ("Tempo Ê" e "Todo Menino É um Rei"), Serafim Adriano ("Ingenuidade"), Jorge Lucas ("Propagas" - este irmão de Liette de Souza, também compositora, parceira e viúva de Roberto) e Flávio Moreira ("Amor de Verdade", em parceria com Liette). Quase todos com passagem por alas de compositores de escolas de samba, universo muito familiar ao próprio Roberto Ribeiro, desde a Amigos da Farra, do chão fluminense de origem, até o Império Serrano, no qual se notabilizou como puxador de sambas-enredo, como os vitoriosos na quadra "Alô, Alô, Taí Carmen Miranda", em 1972, e "Brasil, Berço dos Imigrantes", em 1977, este composto por ele com o supracitado cunhado. "Estrela de Madureira", de 1975, em intenção da vedete Zaquia Jorge, não chegou aos alto-falantes da "avenida", mas ganhou o país numa gravação empolgante e ainda hoje muito lembrada. Anterior a todos esses e destacado na introdução destas linhas, o atraente "Eu, Avenida e Você", com registro fonográfico de 1971, é samba que consta do pau-de-sebo "Quem Samba Fica... - Adelzon Alves Mete Bronca e a Moçada do Samba Dá o Recado", hoje um raro elepê produzido por esse veterano e notável radialista. A menção na letra à Rua do Ouvidor não terá sido à toa, já que lá um pernambucano apaixonado por Teresópolis, Paulo Debétio (parceiro de Jovenil Santos nessa composição e muito ligado, em outros bons sambas, a Paulinho Rezende), trabalhou, antes da atividade musical, numa joalheria. 
            Com "flyer" acima e "release" abaixo, repasso informação relativa ao show que Alex Ribeiro, herdeiro da qualidade artística do pai e como ele, inicialmente, jogador de futebol, apresenta hoje, 12 de novembro, no Estrela da Lapa, às 22h, com participação da grande cantora, também imperiana de fé, Luíza Dionízio.
           ***
Turnê 2010 - Todo menino é um rei
Alex Ribeiro
Herdeiro de um talento que marcou toda uma geração de sambistas, hoje assume sua criação artística apresentando suas composições e homenageando o grande repertório de seu pai que emociona, até hoje, o público e a todos aqueles que gostam de samba.
Como ele, o Brasil vem conhecendo uma nova geração da Música Popular Brasileira que reverencia seus pioneiros e homenageia seus grandes mestres. Vem reconhecendo o talento da “segunda geração”, dos filhos que assumem que o palco faz parte do sangue e divulgam sua própria personalidade artística.
Alex Ribeiro vem agora, abençoado por seus padrinhos Jorge Aragão e Elza Soares, depois de grandes shows que contaram com as presenças de Monarco, Délcio Carvalho, Dona Ivone Lara, Neguinho da Beija-Flor, Diogo Nogueira, Nelson Sargento, entre muitos outros, convidar seus parceiros de vida para a turnê de 2010, “Todo menino é um rei”, a cantarem os grandes sambas imortalizados pelos mestres da nossa música.
Para esta turnê, Alex Ribeiro deseja dividir o palco com essa nova geração, seus amigos e parceiros, e com os grandes nomes do samba e da MPB, para uma linda homenagem ao samba!
Abertura da turnê: Todo menino é um rei
Participação especial: Luiza Dionizio
Convidado: Dj Cyro Novello
12 de novembro
22h
Estrela da Lapa
Av. Mem de Sá, 69 – Lapa/ RJ.

Mais um brinde: Uma charge de João Zero

Mal estar nos gramados


Quando a gente começa a discutir mais a arbitragem do que o futebol que os times estão jogando, alguma coisa está acontecendo de ruim. O futebol é uma modalidade de disputa que tem regras, uma sublimação da guerra, uma violência domesticada, ou como diria Norbert Elias, uma antítese do vale-tudo, um grande passo no processo civilizatório. O grande sociólogo talvez tenha esquecido que é arte também - uma arte ameaçada pelo relevo da interpretação das jogadas.

11.11.09

Anuário do Saci , mais informações


Botei no ar material de divulgação do Anuário do Saci, mas lamentavelmente esqueci de dizer que o nosso craque do cartum, João Zero está nele. Zero fez os desenhos relativos ao mês de agosto . O Anuário do Saci, na verdade é uma agenda Trienal que pode ser usada em 2010, 2011 e 2012.

Vou botar o texto todo sobre o lançamento:

Em terra de Saci, "raloín" não tem vez e até o
anuário é folclórico. No Anuário do Saci e seus
amigos, a cada mês você conhecerá um pouco de
personagens e lendas do folclore brasileiro, além de
muitos acontecimentos que marcaram cada um dos dias do nosso
calendário. Uma das histórias é a do deus Jurupari,
filho e embaixador do Sol, que sumiu após nascer da virgem
Tenuiana, e só reapareceu quinze anos depois, acabando com
o poder das mulheres que governavam nossas terras.
Lendas regionais não ficaram de fora, como a da Cotaluna,
nossa sereia paraibana, que apesar de também ter os mesmos
encantos sobre o sexo masculino como as sereias
tradicionais, só se transformam na estação chuvosa,
sendo mulheres normais no resto do ano.
Essas e outras lendas, contadas com o humor leve e a
narrativa envolvente de Mouzar Benedito e acompanhadas pelas
ilustrações de Ohi e Zero, recuperam a mitologia
brasileira e fazem-nos aprender que nossa cultura é muito
mais rica do que pensamos.

Além de mostrar cada uma de nossas lendas, esta Agenda tem
a peculiaridade de ser útil por 3 anos, trazendo em cada
mês os três calendários correspondentes
(2010/2011/2012). Fatos importantes e marcantes da nossa
história foram também cuidadosamente selecionados e aqui
estão publicados, para que sejam relembrados.

Anuário do Saci e seus Amigos
Mitologia Brasílica
(Agenda Trienal – 2010/2011/2012)
Editor: Renato Rovai
Texto: Mouzar Benedito
Ilustrações: Ohi e Zero
Projeto Gráfico: Carmem Machado
Revisão: Mauricio Ayer
Edição limitada
1ª Edição - lançamento outubro de 2009
São Paulo – 2009
Editora Publisher Brasil

Do fundo do baú : Brasil e a Sinuca

Show de Rui de Carvalho e Samba na Cabeça no Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola nos dias 13 e 14 -Sexta e Sábado


Noel Rosa fará 100 anos em 2010. O poeta continua mais vivo do que nunca. Agora, nos dias 13 e 14 de novembro de 2009, sexta e sábado, às 19h, Rui de Carvalho, e o grupo Samba na Cabeça (Herivelto Barros – violão, Júlio Rabello – cavaquinho, Saulo Dansa – Trompete, Batatinha - banjo e percussão, Marco Neves e Paulinho da Cuíca – percussão, e como convidado especial, o baixista Flavio Pereira que fez os arranjos e o compositor Zé Arnaldo Guima que dará uma “canja”. O repertório será Noel Rosa, João Nogueira,  Paulo Cesar Pinheiro e outros bambas. O show será gravado e filmado. O Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola, na rua Conde de Bomfim, 824 – Tijuca (esq. Coma a Rua Garibaldi) e a Classificação é livre.

10.11.09

Mais uma bacalhoada do Filósofo Sandaum


Até que o filósofo andava meio sumido, metido que estava nas areias das praias do Rio, mas não se aguentou e veio dar uma filosofada, depois que leu no jornal a barbaridade do caso da menina da mini-saia na faculdade.

Dica do Gerdal: A cantora Letícia Carvalho lança o primeiro disco de carreira nesta terça-feira em show no CCC


Após estudar sociologia e formar-se em jornalismo, Letícia Carvalho reencontrou-se com uma atividade artística exercida ainda menina: o canto.  Do coro infantil até o CD "Essa Não Sou Eu" - lançado nesta terça, 10 de novembro, às 21h, no Centro Cultural Carioca -, ela foi vocalista de Alcione, quando em turnê da Marron pelo país com o disco "Valeu"; integrou o grupo Celacanto, que acompanhou Joyce em vários shows; "crooner" do Batacotô em apresentações em Caracas; e protagonizou o musical "L`Amour", cantando sucessos inesquecíveis de Edith Piaf, como "L`Accordéoniste", "La Vie en Rose" e "Non, Je Ne Regrette Rien", o que mais tarde se repetiria em shows próprios. Reunindo canções do seu agrado, sem ainda definir um estilo, como diz, a afinada Letícia, filha de músico e, ela mesma, professora de canto, traz no seu primeiro CD, por exemplo, composições de Chico Buarque ("Mil Perdões"), Cláudio Lins ("Teatrinho") e Ivan Lins ("Emoldurada", na bela parceria com Celso Viáfora). Produção e arranjos do multi-instrumentista carioca de cordas João Gaspar, presente entre os gabaritados músicos desse show de logo mais à noite no CCC ("flyer" acima).
           Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

Dica do Gerdal: Sanny Alves canta nesta terça-feira em Copacabana - novo CD com brilho solar na interpretação



"Sunny" na palavra, no sorriso, no canto e no gesto, a bela morena Sanny Alves é presença ensolarada na noite carioca e também na nossa discografia popular, como já demonstrou no primeiro CD - "Da Cor do Pecado", em 2003, produzido pelo músico paulista Vasco Debritto e lançado apenas no Japão - e volta a demonstrar no segundo, "Samba e Amor", pela Fina Flor, com produção e arranjos do competente Ruy Quaresma. Este um disco com lançamento nesta terça-feira, 10 de novembro, às 19h, na Modern Sound, em Copacabana ("flyer" acima), em show de que também participarão, especialmente, o contrabaixista Luiz Alves, referência no acústico nacional e pai da moça, e o compositor e escritor Nei Lopes, de quem recomendo - não apenas como uma história de vida, mas também pelas reflexões que suscita - uma biografia muito bem escrita pelo jornalista Oswaldo Faustino para a recente série Retratos do Brasil Negro, da Selo Negro Edições.      
       Inicialmente revelada, em 2002, em faixas de "Saudade Demais", CD que marcou o retorno do grande Arthur Verocai ao disco solo após longa ausência, Sanny teve, no ano passado, após outros espetáculos em teatro, um desempenho bastante apreciado e aplaudido como Elizeth Cardoso na peça "Divina Elizeth". Brilho próprio, portanto, para uma carreira bem-sucedida aqui e ensolarada até mesmo no exterior é o que não lhe falta: o "the Sanny shine in", bem brasileiro, aliás, na iluminação interpretativa das canções.
       Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

Mais um brinde: Um cartum de João Zero

9.11.09

8.11.09

Centenário de Nascimento de Beatriz Vicência Bandeira Ryff


(Este blogue tem a honra de publicar o texto de Maysa Machado sobre esta adorável guerreira que é Beatriz Vicência Bandeira Ryff. Recebi o presente de ter convivido com seu filho Vitor Sérgio Ryff, que foi meu grande amigo.)
Dona Vivi faz cem anos!
O Leblon é um bairro claro, o sol entra cedo pelas frestas das cortinas de tiras de bambu... A brisa lhe faz companhia. Depois, um vento encanado passeia, sem pedir licença, pelo longo corredor. É comum ouvir-se o estrondo das portas... Que nos tira o sossego.
 
Está quieta em seu canto. Deitada no quarto, a cabeça no sentido contrario a porta de entrada, voltada para as ondas do mar.
O espaço pouco que ocupa... menor fica com o passar do tempo. Não diria que definha.
Desvanece.
Está quase nuvem. Branquinha, como num céu bem azul e luminoso, independente do movimento dos pássaros, do farfalhar das palmas dos coqueiros, lá onde o asfalto se perde em areias e depois vira mar imenso.
Seu sorriso não aflora constante; nem há sinal das angústias tantas sentidas pela vida, nas muitas lutas que travou.
Seu rosto é expressivo, contém viço e boniteza. Rugas? Pele sulcada por elas? Não, ali não residem, não fizeram nenhum estrago no semblante, ainda, altivo.
Está serena, desligando-se aos poucos do fio - terra que a mantém viva.
Que fio será esse? Cada um tem o seu.
O dela dura um século. Medem-se os sonhos, perdas, dores... Mede-se, também, uma invencível determinação tecida em poesia e alguns travos de amargura.
Tem a aparência cuidada. A dignidade a acompanha, pois, nada pede ou precisa.
As sombras lhe cobrem, dia e noite, o horizonte, mas disso não reclama. Uma vez que escolheu a treva progressiva.
No silêncio vive. Dá-nos a impressão que assiste sua história, numa tela em que as imagens, antes indeléveis, agora se esfumam, com suavidade e, não deixam qualquer possibilidade de serem mostradas de novo.
Há economia dos movimentos... É preciso não mexer com quem está quieta! Frase ouvida várias vezes, nos últimos anos, acompanhada de um sorriso maroto.
                                                              
Nos primeiros anos de convivência, minha curiosidade era aguçada, por uma faiança pendurada à porta de seu quarto. O ladrilho, em fundo branco, transcrevia um adágio italiano. Nele, a mulher vista sob o interesse masculino, relacionado às suas idades - dos 20 aos 60 – e comparando-as aos 5 continentes.
Um convite perigoso, quase um desafio para as mais jovens; desdenhava o passar dos anos, com encanto.
 
Nós duas aprendemos que o tempo pode ser cultivado.
Em nossos encontros li, para mútuo deleite, uma edição das Cartas de Graciliano Ramos - seu querido amigo, as crônicas leves e bem-humoradas de Rubem Braga, os textos densos de Nélida Piñon, Lygia Fagundes, Cecília Meireles.
Em todos esses momentos acrescentou reflexão lúcida, fresca, interessante.
Com imensa sensibilidade respirou o ar delicado de seus poemas e, renovada, os recitou de cor.
Por gosto cantamos.
Antiga professora de música e de técnica vocal, do Conservatório Nacional de Teatro, foi relembrando canções do folclore amazônico, as de Waldemar Henriques, como Tamba-Tajá; as canções imperiais na obra de Carlos Gomes - Tão longe de mim distante; as Bacchiannas de Villa-Lobos; algumas canções praieiras de Caymmi. E, da MPB, do seu preferido Paulinho da Viola, repetiu momentos cantarolando que Viver não é brincadeira não...
 
Muito tenho aprendido com as histórias e lições de sua vida. Da militância comunista, às prisões políticas, ao exílio em dois períodos distintos de ditadura em nosso país.
Gosto de sua poesia. E, acho pitoresca sua opinião irredutível, prefere ser chamada POETISA e jamais poeta!
 
Nossa intimidade foi uma construção difícil. Um tempo longo nos atravessou, mas o mesmo tempo trouxe-nos como fruto maduro, em nossas vivências, o que pode ser chamado: apaziguamento.
Tornamos-nos amigas.
 
Vivi, Beata, outros apelidos tem, mas é no seu próprio imaginário a Beatrice, de Dante. Faz pouco o declamava no original.
 
Dichoso cumpleaños, señora!
Mamá hace cien años.
 
 
 
 
• Beatriz Vicência Bandeira Ryff, carioca, do Méier, nascida em 08.11.1909. Uma mulher brasileira que se dedicou à causa da transformação política e social em seu país. Participou de distintos momentos históricos pela luta a favor das liberdades democráticas, dos Direitos Humanos e, por mais de oitenta anos, o fez a cada dia.
•  Presa política no período da ditadura Vargas, companheira da Cela Quatro com Nise da Silveira, Maria Werneck e outras corajosas companheiras. Inclusive Olga Benário.
• Exílios na Argentina, Uruguai (1936/37). Asilo na Embaixada da Iugoslávia 1964. Exílio na França - durante o Golpe de 64/67
• Vivi – apelido de criança, dado por seu amado pai. Alípio Abdulino Pinto Bandeira, militar do exército companheiro do Mal. Rondon.
      Perguntei se gostava de ser chamada assim. Respondeu com um sorriso feliz no rosto:
      - Gosto muito!
      Uma pausa e, acrescenta:
      - Não esqueço o que fui!
• Beata – apelido dado por seu marido jornalista Raul Ryff, falecido em julho de 1989.
• Uma das fundadoras do Movimento Feminino pela Anistia e Liberdades Democráticas.
• Teve três filhos. Vitor Sérgio, jornalista (falecido), os gêmeos: Luiz Carlos (Físico) e Tito Bruno (economista).

 
Santa Teresa, novembro de 2009.
 
Maysa Machado
(socióloga, militante política e sua ex-nora).
 

Dica do Gerdal:Jorge Roberto Martins recebe os amigos para um bate-papo sobre choro, neste domingo, em Paquetá


Àqueles que dispuserem de tempo para uma ida, neste domingo, 8 de novembro, a esta ilha encantadora que é Paquetá, A Pérola da Guanabara em antiga e ainda vigente antonomásia, segue, com "flyer" acima, uma ótima opção de entretenimento cultural: um bate-papo sobre choro com o jornalista Jorge Roberto Martins, filho do grande compositor Roberto Martins (que completaria 100 anos de idade neste 2009) e um profundo conhecedor do assunto. " E la nave va..." para mais uma jornada de descontração e alegria sob um céu de flamboiãs.
         Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

7.11.09

Difícil de engrenar!!!!


Tá difícil de engrenar nesse blogue. Culpa da realidade que anda rápida demais. Primeiro morre o centenário Lévi-Strauss que me fez perder noites decifrando seus livros.Prometi digitar uma antiga resenha sobre ele, mas nem deu tempo de começar... Caetano Veloso chamou nosso Presidente de analfabeto no Estadão... Pô Caetano, que preconceito é esse com o pessoal que não sabe ler??? Ia escever alguma coisa sobre isso e bati de cara com as comemorações dos 20 anos da queda do muro de Berlim, com U2 e tudo mais. Claro que tenho coisas a falar sobre esse evento que marca o fim do Século XX, segundo Hobsbawn...mas necas de escrever sobre o Trabant (é assim que se escreve?) atravessando a muralha...De repente vi o documentário "This is it" que registra os últimos momentos no palco desse gênio que foi Michael Jackson - claro que tinha coisas a dizer sobre , mas aí morre Anselmo Duarte, o único brasileiro a ganhar a "Palma de Ouro" em Cannes com um baita filme : "O Pagador de Promessas"- foi um cara que sofreu muito preconceito e eu tinha coisas a dizer também sobre isso. Enquanto tudo isso rolava, nas ruas os termometros marcavam 40 graus. Nesse calor brutal que impede Tico de falar com Teco e derrete catedrais Nelson Rodrigueanas, eu confesso que perdi o rumo...mesmo assim terminei a leitura do excelente livro de Mario Vargas Llosa, "Guerra do Fim do Mundo"que fala de Canudos, o que me fez enfentar a pedreira que é "OS Sertões" de Euclides da Cunha. Canudos é um tema que me persegue e pretendia falar algo a respeito, mas quem diz que eu consigo traçar pelo menos um esboço?... Na tarde do sábado, depois da feira, sentei em frente da TV e vi o grande Vasco da Gama voltar para a primeira divisão... tudo numa velocidade de deixar Paul Virilio sem fôlego e aí apareceu uma notícia sobre um concurso de Garota da Laje,então corri para perto do ar-condicionado junto com minha mulher que lá estava refugiada e esperei o mundo dar uma paradinha...Tá ou não tá difícil de engrenar???

Do fundo do baú: Ilustração "A sombra do livro"


Com o calor que está aqui no Rio, juntar uma idéia com outra é quase impossível, digitar então... Por enquanto boto no ar uma ilustra antiga.

6.11.09

Feliz explicação


Acho que está na hora de explicar aos amigos navegantes a razão do meu recesso. A procura das palavras certas e a emoção me travaram, mas agora acho que vai :
Fui até Paris para participar da cerimônia de casamento de meu querido filho. Ele casou com uma linda, doce e corajosa mulher. Espero que sejam felizes nesse novo caminho que escolheram. El camino se hace caminando... pelo menos me parece que eles pensam assim...
Tudo foi muito bacana nesse tempo que entrei como que flutuando: a solenidade na Prefeitura ( lá eles casam na sede da Prefeitura do bairro onde moram), a surpreendente festa numa cidade próxima de Paris, o nosso curto e agitado convívio desses dias. Fiquei muito emocionado e feliz por poder estar junto de meu filho nesse momento, nós que habitamos continentes separados por um Atlântico, esse mar grande que foi atravessado por nossos ancenstrais para buscar a sobrevivência que uma Europa( naquele tempo) famélica não conseguia dar. Sempre tive muita dificuldade de me despedir desse meu filho, o "meu garouto", mas agora, meu coração se tranquilizou apesar da diferença do fuso horário.
Voltei muito cansado e não consegui botar ordem na bagunça deste blogue.
Do reencontro com a cidade Luz acho que vai brotar uma série de croniquetas, só preciso superar o calor brutal desse trópico que me derrubou logo que cheguei e me entristece a cada dia que passa.

Dica do Gerdal: Fernando Caneca é o convidado de hoje do Música & Prosa, show com bate-papo conduzido por Amaury Santos em Niterói


Muito bem conceituado na praça, acompanhando em gravações e turnês nacionais e internacionais atrações de massa, como Gal Costa, Emílio Santiago, Simone, Ivan Lins, Marisa Monte e Vanessa da Mata, o guitarrista, violonista e compositor Fernando Caneca é um pernambucano que, ainda adolescente, veio morar em Niterói, onde principiou o seu contato com a música por meio do choro. Admirador dos solos de Wes Montgomery, ainda em 1984 participou da Orquestra de Violões da UFF, regida por Francisco Frias, destacando-se na carreira por tocar com desenvoltura ritmos bem diferenciados entre si. Com Cesinha, à bateria, e Fernando Nunes, ao baixo, integrou o trio instrumental Flenks, com CD lançado em 2000, e, quatro anos depois, fez um excelente CD solo, "Visitando Canhoto da Paraíba", pela Deck Disc, bem clareado por luz própria na releitura de composições desse mestre paraibano do "violão pelo avesso". Mais recentemente, vem abrilhantando os "shimbalaiês" da talentosa Maria Gadu em shows diversos da cantora e compositora paulistana. Ele é o convidado desta sexta, 6 de novembro, às 22h, do Música & Prosa, um show com bate-papo comandado pelo radialista Amaury Santos, em Niterói ("flyer" acima).
         Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

Mais um brinde: Um cartum de João Zero


(Clique na imagem para ampliar e ler melhor a legenda do cartum)

5.11.09

Dica do Gerdal: Livro sobre Victor Biglione, escrito por Euclides Amaral, é lançado nesta quinta em Copacabana


Escrevo esta dica sobre Victor Biglione "no clima", pois ouço o magnífico CD "Uma Guitarra no Tom", em que ele extrai do seu instrumento desenhos harmônicos de intensa beleza para prestar o seu tributo - este, sim, não oportunista, mas agregador de valor e inventiva - à obra de Antonio Carlos Jobim, o nosso maestro soberano. Muito bem secundado, por exemplo, por Sérgio Barrozo, ao baixo, e André Tandeta, à bateria, na recriação personalíssima, quase "coautoral", de temas como "Mojave", "Chovendo na Roseira" e "Fotografia", Victor faz um disco resumidor de toda a sua sensibilidade, à flor das cordas, e enorme capacidade de execução. 
        Nascido em Buenos Aires, mas entre nós desde os seis anos de idade e aqui naturalizado, Victor é o músico estrangeiro que mais tocou, na história da MPB, em gravações e shows de artistas nacionais ("flyer" acima). Teve a carreira revisitada pelo poeta Euclides Amaral no livro "O Guitarrista Victor Biglione & a MPB", lançado nesta quinta-feira, 5 de novembro, na Livraria Bolívar - Rua Bolívar, 42 (tel.: 3208-3600), em Copacabana -, a partir das 19h. Uma boa pra logo mais.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

Do fundo do baú -Caricaturas que eu fiz: Indira Gandhi


Enquanto eu não escrevo sobre o que provocou o meu recesso e não digito o texto sobre Lévi-Strauss que eu prometi, deixo aqui uma caricatura que retirei do fundo do baú - a de Indira Gandhi depois do atentado.
NR: Gripe, Rio 40 Graus...ninguém é de ferro!!!
(Clique na imagem para ampliar e ver melhor)

4.11.09

Crônica da Tinê - Bandeirada (ou Cada um tem o deserto que merece)



A mais, ou a menos,
quando o cavalo é muito grande,
desconfio ser o jóquei muito pequeno.


Se minha cidade fosse toda para dentro e nela chegasse um estrangeiro a apontar na direção do rio, “Ali em frente fica o mar” diante da câmera, eu calada deixaria passar com a cara mais lavada do mundo.
Sem falso orgulho, diria às caras amarradas por tal erro que se o visitante confundiu água ribeira com quebramar, sinal de que nosso rio neste Matão é de bom tamanho, deixem-no falar, alegremo-nos. Pois não sucedeu o contrário naquele Matão de fora, caraveleiros deram com os costados numa enseada em certo janeiro e, na pressa em fincar bandeira d’El-Rey e despachar o carteiro, lhe chamaram de Rio de Janeiro? Nem por pouco os caras-pintadas da época (muito menos os que os sucederiam com aerofotometrias) arrancaram as penas da tanga com grito de guerra ou foram em desagravo pichar as naus com seiva de jenipapo. Ao contrário, mantiveram o nome de batismo apadroado pelo santo flechado, Sebastião. Do outro lado de sucessivas montanhas e séculos, perto do rio corrente, eu rio dos destemperados. Arrisco a dizer que entre a marujada quinhentista houve quem amiúde dobrasse a espinha de tanto rir, “Esse gajo Estácio anda nos cascos!”, seja eu Calpúrnia, Benedita ou Índia-Sentada.
Céus, por quê? Por que Nicolas Villegagnon não vingou?! – “Riôôô? Mais où est le rivière ici? C’est ça?! (o fidalgo à procura do tal rio na Baía de Guanabara) -
Quelle merde est Brèsil! Je detèste mon roi!!!” (pragueja de seu cargo). Ou eu carioca desterrada estaria a escrever este arremedo crônico em franco-banzo-tupinambá.
Desliguei monitor, liguei tevê. Assisti a um documentário. Um saudita levara um novaiorquino para passar dois dias no meio do deserto. No início, o convidado ficou maravilhado com o ar dourado, com a vida resistente que pulsava sob o areal, adivinhava (e depois comeu) cobras, escorpiões e lagartos até seus olhos se embaçarem com o tédio escaldante. Foi aí que o anfitrião aos sorrisos caminhou até ele, e num gesto panorâmico disse-lhe “Isso ninguém pintou, ninguém desenhou, foi a natureza quem fez. E nele sobrevive o homem há milênios.” O turista comoveu-se, chegou a esquecer os grãos de areia a entupir-lhe os buracos do corpo e o desejo por nevascas. Ficou agradecido ao outro por mostrar-lhe a beleza no impensável – “Discordar de você não me impede de gostar de você, de respeitá-lo”.
Fui caminhar. Ao passar pela rodoviária velha, ouvi. Não a cacofonia de metrópole, ou o assovio de areias, mas o povo murmurejante de uma cidadezinha avolumado por vozes infantis sobre bicicletas em torno de algo no meio da praça. Juntou gente. Quis ver. Boné, luvas e meias pretas, rosto pintado de prata, o corpo enrolado na bandeira brasileira estava imóvel sobre um caixote. Lastimei não ter a máquina comigo para registrar as caras ao redor. Não entendiam. Fui até lá, disse para o alto “Dura é a vida de artista” e depositei moedas na garrafa ao chão. Diante da plateia arregalada, a estátua-viva moveu-se lenta, cumprimentou-me e, quando eu esperava ganhar balas, recebi um cartão da sorte, que pelo caminho fui lendo.
Uns acertam no casco, outros, na ferradura. Pode ser um comentário generoso a um blogueiro ultramar que desancou uma brasileira, só por ela ter cometido erros topo-ecológicos enquanto falava sobre as belezas de Portugal – pior, se referiu a ditadura de lá por “mais de vinte anos”. Vejamos: do comandante Mendes Cabeçadas a Marcello Caetano, foram 48 anos cravados nos lusos, uma geração perdida junto a colônias em África. Eu diria que o português ofendido, que ilustrou sua crítica com uma pichação lisboeta pouco gentil, subiu nos tamancos. Os brasileiros conhecemos bem a altura de antigos tamancos: uma única tamancada avaria várias cabeças num só golpe.
Da estátua-viva estreante no lado de cá do rio mixuruca - mais que um artista de rua, menos que um artista da fome, um artista do Sétimo Dia - ficou a minha sorte: “Leia 1Jo 2:15”. Agora, se me dão licença, vou catar uma bíblia.
Tinê Soares (15/10/2009)

Homenagem a um grande intelectual público


(Artigo escrito pelo Professor Marco Aurélio Nogueira em homenagem ao cientista social Carlos Estevam Martins, que faleceu no dia 9 de outubro - foi publicado no jornal O Estado de São Paulo no dia 24 de outubro))
A morte do cientista social Carlos Estevam Martins, aos 74 anos, ocorrida duas semanas atrás em São Paulo, privou a intelectualidade brasileira de uma de suas aves raras.
Carlos Estevam foi daqueles intelectuais de visão abrangente, refinada, avessa a modas, especializações e formalidades. Não atuou somente como professor, ainda que sua carreira docente tenha sido brilhante, tanto na USP quanto na Unicamp. Recusou-se a seguir passivamente os cânones da academia, escapando de suas armadilhas e de sua arrogância. Mergulhou no mundo da gestão e da política, atuando durante anos como diretor de projetos da FUNDAP e sendo Secretário de Estado da Educação por duas vezes, na primeira metade da década de 90, durante os governos do PMDB. Nascido no Rio de Janeiro, trabalhou no ISEB e foi um dos fundadores, o primeiro diretor e o autor do manifesto do Centro Popular de Cultura, da UNE, criado em 1962. Ali, ao lado de Vianinha, Leon Hirszman e Ferreira Gullar, dentre outros, experimentou os caminhos da arte popular. Depois do golpe de 64 e do fechamento do CPC, mudou-se para São Paulo e participou da formação do CEBRAP em 1969, juntamente com Fernando H. Cardoso, Francisco Weffort, José A. Giannotti e Francisco de Oliveira.
Carlos Estevam rejeitou a torre de marfim da especialização e dos princípios abstratos sem se converter em mero operador tecnopolítico. Foi um intelectual público, bem próximo daquela figura que o marxista italiano Antonio Gramsci tornou famosa: um agente de atividades gerais que é portador de conhecimentos específicos, um especialista que também é político e que sabe não só superar a divisão intelectual do trabalho como também combinar “o pessimismo da inteligência e o otimismo da vontade”. Ave rara.
Foi também escritor talentoso, que escrevia para ser lido por todos, não somente pelos pares ou iniciados. Publicou dezenas de ensaios sobre história das idéias, política externa brasileira, redemocratização, sistema político, Estado e capitalismo no Brasil. Alguns de seus livros são preciosos, como A tecnocracia na história (1975), Capitalismo de Estado e modelo político no Brasil (1977), O circuito do poder (1994).
A polêmica foi sua marca registrada, impulsionada por uma inventividade exuberante.
Quando, em 1977, saiu Capitalismo de Estado e modelo político no Brasil, a discussão correu solta. Choveram aplausos e questionamentos. Passado o primeiro temporal, Carlos Estevam escreveu um artigo em resposta às críticas, “A democratização como problemática pós-liberal”, publicado pelo Cebrap. Queria ampliar a discussão, explicitar as “alegrias e dores de cabeça” trazidas pelo livro. Elaborou um texto sintomático do seu modo de ser, saudando os “intelectuais capazes de dar o devido valor ao debate de idéias, audazes trapezistas dispostos a passar por cima das divergências de opinião, que sempre existem, para ir buscar a compreensão empática do ponto de vista alheio”. Nele, declarava sua disposição de dialogar com a sociedade. “Os mandarins são misantropos, comunicam-se com o público impessoalizado ou com os discípulos, jamais com o próximo”.
Foi uma oportunidade de ouro para que se clareassem posicionamentos e estilos: “Nunca consigo fugir à tentação de imaginar que há outros fatos além dos dados disponíveis, assim como não resisto à propensão de supor que qualquer teorização pode ser refeita por meio de mudanças de ênfase, graças à introdução de novos elementos conceituais até então não incluídos na estrutura do marco teórico”. Não duvidava do valor e da utilidade das pesquisas empíricas, mas não admitia que seus resultados pudessem resolver questões e pendências que se alojavam em outras dimensões da vida real. Para ele, o mais importante era interrogar o “presente como fluxo”, buscando as “oportunidades, promessas e ameaças que ele encerra para o futuro dos diferentes grupos e classes sociais”.
O rigor com palavras e conceitos foi outra de suas preocupações. Numa das últimas intervenções, em 2005, na revista Lua Nova, manifestou sua perplexidade “face ao que se diz e se prega a respeito de democracia, cidadania e temas conexos”. A situação derivada da hegemonia neoliberal e da emergência de uma “nova esquerda romântica” degradara o vocabulário. Em tempos de despolitização, tudo tenderia à diluição. “Nova esquerda” e direita neoliberal se confundem sempre mais e estabelecem “relações homólogas” (isto é, de equivalência, ainda que não de identidade), que ajudam a despojar a política de critérios razoáveis de embate e compreensão. A questão passa a ser a defesa da “sociedade contra o Estado e os partidos políticos”, como se existisse um “Partido Único da Sociedade Civil” que dispensaria tudo o que está institucionalizado.
Daí a “maldição” lançada contra conceitos e valores essenciais para a democracia: Estado, burocracia, nação, partidos políticos, representação. No lugar deles, formando uma espécie de discurso único, um outro léxico estruturado pela dupla mercado e sociedade civil. Como então esperar que a democratização se desenvolva “numa sociedade em que a opinião pública é levada a hostilizar toda uma série de elementos ideais, quadros institucionais e mecanismos operacionais” sem os quais a democracia não pode funcionar?
Carlos Estevam Martins foi um “pessimista da inteligência”, mas em nenhum momento deixou de acreditar que seria possível lutar por um futuro melhor, tarefa para a qual seria imprescindível a presença de uma esquerda “menos subdesenvolvida, que não deixe tanto a desejar”. Como escreveu em 2005, nunca teremos “um vigoroso pensamento de esquerda se cada linha de esquerda não tiver o direito de cumprir o seu dever, qual seja, o de explicitar sua identidade, definir seus antagonistas, cultivar sua tradição e criticar e atualizar sua trajetória no campo da teoria, assim como no da prática política”.

Dica do Gerddal : O centenário Roberto Martins, vigilante mal observado na circulação da MPB, tem obra evocada, nesta quarta, na ABL (grátis)


"Hoje não existe nada mais entre nós/somos duas almas que se devem separar/o meu coração vive chorando e a minha voz/já sofremos tanto que é melhor renunciar/a minha renúncia enche-me a alma e o coração de tédio/a tua renúncia dá-me um desgosto que não tem remédio/amar é viver/é um doce prazer, embriagador e vulgar/difícil no amor é saber renunciar."
 
    Tardou, mas não falhou. Enfim, neste 2009 do centenário do seu nascimento, uma homenagem, ao menos uma, muito merecida, a este vulto da MPB de discrição pessoal inversamente proporcional à projeção da sua música chamado Roberto Martins. Nos seus últimos anos de vida, ele foi amigo do meu pai e, na companhia do meu velho, tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente numa ida ao apartamento onde morava, na Rua Buarque de Macedo, no Flamengo, quando, em visita prolongada, pude saborear as histórias que ele nos contava, com cordialidade, fala mansa e algo gutural, da sua vivência no meio musical, num semblante de homem simples e aparentemente muito disciplinado. A exemplo de outro bamba, Haroldo Lobo, cujo centenário de nascimento ocorre no ano que vem (e quem se lembrará dele, mesmo com a importância que ele tem?), Roberto Martins foi guarda-civil - mais tarde, investigador, até desligar-se da polícia em 1939  - e, "circulando, circulando", no exercício da sua vigilância profissional, pôde conhecer intimamente a cidade e, especialmente à noite, aproximar-se das rodas boêmias, num então ameno Rio de Janeiro, e encontrar aqueles que se tornariam seus colegas em novo "métier", alguns deles seus parceiros. 
    Sucessos, teve-os a rodo, concentrados principalmente nos áureos antanhos dos anos 30 e 40 do século passado, dedicando-se com afinco, dos anos 50 em diante, à questão dos direitos autorais, já filiado à União Brasileira de Compositores (UBC), da qual foi sócio fundador. Além do fox "Renúncia", na epígrafe desta dica - com letra do petropolitano Mário Rossi e gravado em 1943 por um gaúcho, Nélson Gonçalves -, o ex-ritmista da orquestra de Simon Bountman, também com letra de Mário Rossi, mostraria a sua brejeirice no sincopado com "Beija-me", em registro de Cyro Monteiro. Antes disso, Roberto Martins se notabilizara, por exemplo, pelo primeiro êxito, "Favela" ("...dos sonhos de amor e do samba-canção"), de 1936, em parceria com Valdemar Silva, na voz de Francisco Alves, e por outro samba, "Meu Consolo É Você" (com Nássara), na voz de Orlando Silva, vencedor de certame carnavalesco da Prefeitura do Rio em 1939. Também no carnaval, na década seguinte, a serpentina da sorte o alcançaria no compasso de marchas imorredouras, como "O Cordão dos Puxa-Sacos" (com Frazão), em 1945, pelos Anjos do Inferno, e "Pedreiro Valdemar" (com Wilson Batista), em 1949, por Blecaute. Embora recentemente revivido em disco por Zélia Duncan e Moacyr Luz, é um compositor que precisa ser mais observado e considerado no eterno retorno das reminiscências, o que até inspiraria desejáveis regravações. "Lá na rua onde moro/ no 212/mora a mulher que eu adoro/que, quando eu passo, faz pose..." Quem sabe, um belo dia, o "212", mais uma dele com Mário Rossi?        
    Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
 
 ***
 A tempo: a homenagem a Roberto Martins, falecido em 1992, aos 83 anos, será prestada nesta quarta, 4 de novembro,  ao meio-dia e meia, por Cristina Buarque e pelo ótimo Samba de Fato, em mais uma atração da série MPB na ABL.

Um passeio pelo mundo de Lévi-Strauss

O sábio morreu no sábado e só hoje comunicaram que ele tinha pedido o boné. Em homenagem a esse homem que me obrigou a passar muitas noites em claro, tentando entender sua selva estrutural, amanhã procurarei botar no ar um texto que escrevi em 1992, no qual faço a resenha de um livro que ajudava a entender seu mundo e sua personalidade.
Até amanhã.

Meus cartuns pré-histéricos

3.11.09

Dica do Gerdal: Pedro Miranda lança "Pimenteira", nesta terça, no Rival, com a bênção de Caetano Veloso


Outro dia, voltando do trabalho, na Barra, salto do coletivo "via orla" no Leblon e caminho por boa extensão do calçadão da praia, na Av. Delfim Moreira. Atravessando o cruzamento desta com a Av. Bartolomeu Mitre, sou chamado pelo Pedrinho Miranda, doce figura, que, por seu turno, de bicicleta, concluía o ciclo das benfazejas pedaladas do dia em ciclovia próxima, morador novo no bairro após um tempo domiciliado em Copacabana, perto da estação Siqueira Campos do metrô. Era noite de uma sexta-feira, salvo engano, e, pouco depois, ele "bateria ponto" no Centro Cultural Carioca para mais uma sacudida noite de samba do Semente. Na nossa rápida conversa, a expectativa dele de "futur papa" de duas gêmeas, logo na primeira encomenda à cegonha. Sempre atencioso e gentil comigo, admiro no Pedrinho, além do talento, a simplicidade, a verve - é um cara engraçado no palco - e a humildade de, conhecedor do seu real valor como ritmista e intérprete de música popular, sobretudo o samba (numa progressão musical do pandeiro à voz que faz lembrar a do octogenário Miltinho), não fazer disso alarde para "marcar uma presença" na mídia. Ele não precisa disso e destaca-se, naturalmente, pela força do valor que tem.
          "Sementeira" é o novo CD solo do Pedrinho, lançamento do qual segue, abaixo, texto de divulgação que recebi da jornalista Monica Ramalho, com direito a elogio rasgado de ninguém menos que Caetano Veloso. 
          Um bom dia a todos. Grato pela atenção à dica.
 
       Pedro Miranda lança 'Pimenteira' neste 3 de novembro no Rival

Expoente da nova geração da Lapa, o cantor e pandeirista Pedro Miranda lança agora o segundo álbum individual, 'Pimenteira' (independente), com inéditas de Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros, Nei Lopes, Alfredo Del-Penho, Edu Krieger e Moyseis Marques, entre outros compositores de todos os tempos. O disco sucede 'Coisa com coisa', de 2006, quando Pedrinho fez sua estréia solo. Existem muitas maneiras de conhecer o timbre antigo do jovem cantor: há anos ele coloca o seu talento a serviço de conjuntos como Grupo Semente, conhecido por acompanhar a cantora e compositora Teresa Cristina, e Samba de Fato, responsável pelo lançamento de um elogiado tributo ao grande Mauro Duarte, ao lado de Cristina Buarque. Fundou e fez parte por mais de dez anos do Cordão do Boitatá, que arrasta multidões nos carnavais cariocas, e do Anjos da Lua, centrado no repertório dos primeiros sambistas.

No show de lançamento do CD 'Pimenteira', a ser realizado em 3 de novembro, às 19h30, no Teatro Rival Petrobras, Pedro Miranda será acompanhado por Luis Filipe de Lima no violão de 7 cordas e na direção musical, Pedro Amorim no cavaquinho e no bandolim, Edu Neves, Rui Alvim, Everson Moraes e Aquiles Moraes nos sopros e Paulinho Dias, Pretinho e Thiaguinho da Serrinha nas percussões. Com participações especiais de Teresa Cristina e do Trio Madeira Brasil.

"Uma coleção de obras-primas", nas palavras de Caetano Veloso
Há muito tempo não ouço um disco inteiro com tanto entusiasmo no coração quanto esse 'Pimenteira'. Acho que ouvi Pedro Miranda pela primeira vez numa faixa do CD de Teresa Cristina – e fiquei maravilhado com a musicalidade, a cultura entranhada, a naturalidade, o frescor. Comuniquei meu entusiasmo a Moreno e ele me disse que conhecia Pedro: logo eu estava com o primeiro CD de Pedro nas mãos. O CD confirmava a muito boa impressão causada pela faixa no disco de Teresa. De modo que, agora, quando ele me entregou uma cópia do seu novo disco, eu já me pus em alta expectativa. Mas não imaginava que estivesse diante de um trabalho de tamanho fôlego. Considero este um disco de grande artista. É um disco fácil de ouvir, maneiro, agradável, porém tem força histórica intensa e convida a reflexões complexas e tão profundas que nem a deliciosa paródia de texto acadêmico que vem no encarte (a respeito da alegoria deliberadamente ingênua de Edu Krieger, “Coluna Social”), poderia satirizar.

Para começar, o estilo despojado do cantor, sem afetação, sem tiques nenhuns, dá conta de toda a possível cultura crítica atual relativa ao canto popular brasileiro. Voz maleável, incrivelmente confortável nas regiões agudas, ele mostra destreza e agilidade sem que se perceba esforço de sua parte. E o fraseado revela reverência e familiaridade com a história do samba. Mas é a escolha do repertório que ilumina as virtudes do seu estilo. Esse repertório (para cuja feitura ele agradece a colaboração de Cristina Buarque e Paulão 7 Cordas) diz tudo sobre o que deve ser dito a respeito do que vem acontecendo com o samba, desde que este se tornou emblema da musicalidade brasileira (“O mito é o nada que é tudo”), passando pelo furacão camuflado que foi a bossa nova, e pela sua recolocação no ambiente que o forjou: a boemia que transita entre certos morros e certas áreas do asfalto carioca. Essa recolocação teve como marco inicial a virada que significou, no meio dos anos 1960, coincidirem as insatisfações de Nara Leão com o surgimento do Zicartola, o início das atividades de compositor de Chico Buarque em São Paulo e o estrelato conjunto de Paulinho da Viola e Clementina de Jesus no Rosa de Ouro. Todos os desdobramentos – de Beth Carvalho ao Art Popular, de Zeca Pagodinho ao Psirico, de Arlindo Cruz a Roberta Sá – estão homenageados nesse álbum coeso, sincero e de grande visão.

O arco de compositores vai de Nelson Cavaquinho a Rubinho Jacobina – e, no entanto, a unidade de visão faz de 'Pimenteira' uma obra autoral de Pedro Miranda. As melodias, em geral com sabor de choro a caminho da gafieira (mas sem deixar de fora nem a chula baiana nem o coco nordestino), sustentam um virtuosismo poético que, por força da perspectiva da escolha do material (e da ordem em que ele vem), sugere um gosto pessoal, a um tempo apurado, exigente e espontâneo, que atravessa todo o disco. Dos versos elegantes de Paulo César Pinheiro para a música rica de Mauricio Carrilho (com ecos de Bororó) ao fascinante jogo embaralhado de imagens atuais no samba de Moyseis Marques, passando pela “Imagem”, de Trambique e Wilson das Neves, e pelo show de bola de Elton Medeiros e Afonso Machado, tudo em 'Pimenteira' transpira grande talento guiado por grande inteligência. O disco fala de tudo o que fala como Nei Lopes fala (na única nota de encarte que não foi escrita por Pedro e Luís Filipe) da série de mulatos que compõem a figura de Compadre Bento: com admiração e intimidade.

Terminei citando muitos dos sambas do disco, mas não é por os achar menos interessantes que não citei alguns: todos são de alta extração, todos fazem o CD soar como uma coleção de obras-primas. O que faz com que esse disco ao mesmo tempo pareça o lançamento de um novo autor e uma antologia de clássicos. Na verdade é o disco que já nasce antológico. A colaboração de Luís Filipe de Lima é decisiva na definição dos arranjos e da sonoridade. Sobre ele (e os demais colaboradores musicais e técnicos) Pedro fala melhor do que eu poderia, nas palavras de agradecimento que escreveu. Quanto a mim, sou mais levado a considerar que a oportunidade foi uma dádiva que Pedro lhes fez.

Eu sempre sou citado como elogiador fácil de moças jovens bonitas que cantam samba. Nunca as elogiei sem que achasse justo fazê-lo. Dizer aqui que o CD de um marmanjo, que nem tipo gatinho é, é algo muito mais importante do que o que essas ninfas têm, em conjunto, alcançado deve dar uma ideia do quanto considero 'Pimenteira' um evento especial em nossa música. E, de quebra, pode dar mais credibilidade aos elogios que faço às moças.

(Caetano Veloso)

SHOW DE LANÇAMENTO
QUANDO: 3 de novembro, às 19h30
ONDE: Teatro Rival Petrobras (Rua Álvaro Alvim, 33 / 37, Cinelândia. Informações e reservas pelos telefones: (21) 2240.4469 / 2524.1666)
QUANTO: R$ 30 (inteira), R$ 20 (os 100 primeiros pagantes) e R$ 15 (meia-entrada)
ETCÉTERA: 472 lugares; Acesso para portadores de necessidades especiais; Bilheteria só aceita dinheiro e cheque; Censura 16 anos.

NR: A foto deste post é de divulgação (foi recortada) e é do grande fotógrafo Bruno Veiga

Anuário do Saci e seus amigos - Mitologia Brasílica do Mouzar Benedito e do Ohi está na praça


(clique em cima da imagem para ampliar e ler melhor)

2.11.09

Homenagem do Gerdal: Alberto Farah - missa de sétimo dia do pianista e shows beneficentes


 Perdeu a noite carioca esta semana um dos seus músicos mais atuantes. Brilhante pianista e arranjador, também compositor e produtor musical, o niteroiense Alberto Farah, nascido em 1948, estudou no Instituto Villa-Lobos e foi aluno de orquestração de Guerra-Peixe. Começou a carreira como pianista clássico, em vários concertos, até dar uma guinada para a música popular de sabor jazzístico, em 1972, integrando o quinteto do ainda mais prematuramente falecido Victor Assis Brasil (em 1981, aos 35 anos). Ao longo dos anos, acompanhou artistas renomados, como Pery Ribeiro, Leny Andrade, Elza Soares, Rosa Maria, Paulo Moura, Tito Madi e, mais recentemente, Eliana Pittman, Cecília Leite e Márcio Montserrat, de quem era compadre e arranjador em discos e shows. Fez-se presente, como solista, em alguns hotéis elegantes do Rio, como o Copacabana Palace, o Sofitel e o Marriott e, no teatro, tocou, entre outras peças, em "Brasileiro, Profissão Esperança", protagonizada por Bibi Ferreira e Gracindo Jr. 
         Nesta terça-feira, 3 de novembro de 2009, às 18h, na igreja de Santa Cecília, situada na Rua Álvaro Ramos, 385, em Botafogo, será realizada a missa de sétimo dia de Alberto Farah, passamento que também motivou a iniciativa abaixo retransmitida, com shows beneficentes no bar Otto, na Tijuca, em favor das filhas do músico, menores de idade.  
         
***
O Otto Restaurante promoverá, durante os próximos quatros domingos, shows beneficientes em prol das filhas menores do  pianista Alberto Luiz Farah, cujo falecimento ocorreu no dia 27 do mês corrente. O restaurante acima apresentará, a partir do dia 1 ao dia 29 (todos os domingos de novembro),
com início às 17 horas, jam sessions(encontros musicais) com couvert simbólico de R$ 5 reais, que serão doados às filhas menores do falecido pianista.
Rua Uruguai, 380 - esquina c/ Conde de Bonfim - Tijuca - tels.: 2268-1579 ou 8889-3684.

Dica do Gerdal : Chico Salles e Carlos Malta, nesta terça, no Sete em Ponto: nordestino carioca e carioca nordestino entre o sopro da tradição e o pif


Cordelista com vários títulos já lançados, como "Manel Xicote", "Matuto Apaixonado" e "A Saga do Cordel em Poesia", o engenheiro Chico Salles (foto acima), recém-empossado membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel,  na cadeira primeiramente ocupada por Catulo da Paixão Cearense, é grata aparição no Sete em Ponto (19h) desta terça, 3 de novembro, no Teatro Carlos Gomes (Praça Tiradentes, 19 - tel.: 2224-3602) , dividindo o palco com o multissoprista Carlos Malta. Natural de Sousa, no sertão da Paraíba, Chico reúne em seu trabalho o coco, o xote e o xaxado, por exemplo, da referência sonora original, com influências da música urbana carioca, sobretudo o samba. Vindo para o Rio de Janeiro nos anos 70, teve no humorista Mussum, além de amigo, vizinho em condomínio e parceiro - em vários sambas e num xote, "Pinto no Xerém" -, um cicerone cultural, que o levou a conhecer o Buraco Quente, na Mangueira, e a concorrida roda no Cacique de Ramos, apresentando a Chico, em lugares ritmicamente bem representativos, o internacional cartão de visita da cidade. Já o maestro Anselmo Mazzoni injetou nesse frequentador assíduo dos "happy hours" que animava na Casa de Cultura da Universidade Estácio de Sá ânimo para cantar as próprias músicas, a que Chico logo corresponderia com canjas que se transfigurariam em rematados shows.
         Juntos num palco, Chico Salles e Carlos Malta, de certo modo, encarnam duas expressões musicais que se afinam em sentidos geograficamente opostos, porém complementares no efeito de relevo e beleza.  Um "nordestino carioca", que alia no que canta e no que compõe a região de origem com a cidade de adoção, e um "carioca nordestino", cuja flauta não raro esculpe o vento nos ares do frevo e do baião. Um encontro que ainda pode promover outro tipo de sonora complementaridade: entre os conjuntos Chabocão, de Salles, e o Pife Muderno, de Malta. Tradição e renovação forrozando, num agarradinho só.
         Um bom feriado a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 *** 
 Pós-escrito: a jovem Joana Queiroz não só encanta - com seu clarinete e sua música -, como também canta. Disso eu já sabia, mas pensava que os trinados da moça fossem ouvidos apenas entre amigos. Outra jovem de valor, Clarice Magalhães, pandeirista do Choro na Feira e que prepara o seu primeiro CD solo, escreve-me para observar que é pra valer, ou seja, que Joana, em show bem recente de dica passada, soltaria a própria voz no repertório de "Canções". Feito o registro, agradeço à Clarice o oportuno e fundamental adendo ao que escrevi. 

Requiescant in pace(*)


Num dia de finados de alguns anos atrás, fiz uma pesquisa sobre a morte e vi que precisava mais de uma vida para reunir todas as coisas interessantes que disseram sobre esse tema Resolvi então republicar aqui parte do que apurei, já que não tinha nada de novo para botar no blogue, pois ainda não me recuperei de uma longa viagem que explicarei futuramente.

Ramón Gómez de la Serna disse uma coisa interessante:“Ninguém sabe o que é morrer,nem os mortos”.Mas,observei que apesar disso muitos querem deixar uma mensagem para distrair os visitantes dos cemitérios.Então acabei desenterrando alguns epitáfios. (**).

Diz um adágio popular que“o epitáfio é o último cartão de visitas de um homem”. Apesar de existir também aquele antigo ditado francês ,“ser embusteiro como um epitáfio”,esse costume foi se enraizando na nossa cultura mortuária e nem sempre elogia o cadáver,ao contrário,muitas vezes ironiza os viventes e o próprio defunto.É o caso do Bispo de Langres,Louis Barbier,que no seu testamento ofereceu cem escudos para quem fizesse um epitáfio bacana.Ganhou o seguinte texto:“Aqui jaz um grande personagem/Que foi de muito ilustre linhagem/Que possuiu mil virtudes/Que jamais enganou/Que sempre foi prudente/Não vou dizer mais nada/Seria mentir muito por cem escudos”.
Alexandre o Grande recebeu um,que fez juz à sua fama:“Uma tumba agora é o bastante para quem o mundo não era suficiente”.Molière,parece que escreveu seu próprio epitáfio:“Aqui jaz o rei dos atores.Agora se faz de morto e na verdade,o faz muito bem”.No seu túmulo,Passerat adverte:“Amigos, não encham minha tumba com maus versos”.O do filósofo Diógnes é muito sarcástico:“Ao morrer joguem-me aos lobos,já estou acostumado”.
O epitáfio do poeta Antonio Espina é uma pérola de embriaguez:“Aqui jaz de boca para cima aquele que caiu de bruços muitas vezes na vida”.

Também existem epitáfios inventados,um feito pelo escritor Max Aub para a tumba de D.Juan é de morrer de rir:“Matou quem ele quis”.Falando em humoristas, Grouxo-Marx mandou escrever no seu ‘apart-mortel’:“Desculpe-me por não me levantar, madame”.
Orson Welles mesmo depois de passar desta para melhor, manteve sua genialidade.No seu túmulo está gravado:“Não é que eu tenha sido superior.Os demais é que eram inferiores”.Miguel de Unamuno,por sua vez,fez também sua última gracinha:“Só peço a Deus que tenha piedade da alma deste ateu”.Na tumba do compositor Bach está escrita uma mensagem de duplo sentido:“Daqui não me ocorre nenhuma fuga”. O escritor H.L. Mencken sugeriu um texto final que tem todo o seu humor:“Se depois que eu partir deste vale,você se lembrar de mim e pensar em agradar meu fantasma,perdoe algum pecador e pisque seu olho para uma garota feia”.


Existem os epitáfios profissionais. Por exemplo,o de Benjamin Franklin,impressor é muito criativo,diz o seguinte:“ O meu corpo,como um velho livro,sem enfeites aqui jaz.Alimento para os vermes.Porém, acredito que aparecerei,em breve,numa nova edição,corrigida e melhorada pelo Autor”.Na tumba do transformista Fregoli, em Viareggio esta escrito:“Aqui ele realizou sua última transformação”.No de um apreciador do ócio:“Aqui Fray Diego repousa.Jamais fez outra coisa”.Outros celebram a guerra conjugal.Em Guadalajara,existe o verdadeiro epitáfio da viúva alegre:“A meu marido,falecido depois de um ano de matrimônio.Sua esposa com profundo agradecimento”.Em contrapartida,em outro cemitério encontra-se a vingança de um esposo insatisfeito:“aqui jaz minha mulher,fria como sempre”.Não podemos esquecer dos tipo‘procon’:“Voltarei para me vingar dos bancos”.Em Minnesota encontra-se outro que é genial:“Falecido pela vontade de Deus e mediante a ajuda de um médico imbecil”.Dizem que num cemitério do Rio de Janeiro existe um, que brinca com o caráter bélico de seu morador:“Aqui jaz o General Ferreira. Transeunte, passe tranquilo.Está morto!”.Mas,nada se compara à sinceridade da inscrição que se encontra num cemitério da Catalunha: “Levantem-se vagabundos,a terra é para quem trabalha”.O de Allan Poe, sem brincadeira, supera todos,é a citação do famoso poema “O Corvo”.Realmente é definitivo:“Nunca mais”.


(*)”Descansem em paz”.Palavras do Ofício dos Mortos,encontradas no portal de muitos cemitérios - retirado de ”Não perca o seu latim de Paulo Rónai(Editora Nova Fronteira)(**)Fiquei sabendo que nas suas orígens,o epitáfio se constituia num privilégio da nobreza.FONTES: “Diccionario Ilustrado de la Muerte” de Robert Sabatier (Gustavo Gilli- Barcelona)www:geocities.com/soHo/studios/72581/epitafio.html-8k , http://platea.pntic.mec.es/~jescuder/epitafio.htm,
Epitaph Index(A-Z).

1.11.09

Palmeiras e Botafogo - lutas desiguais



Um luta para não cair - o Botafogo foi raça acima de tudo no jogo em que venceu o Inter na casa deles. O Palmeiras luta para se manter na liderança, mesmo depois do pênalti e da expulsão do São Marcos também foi na base da raça, brigou com a aritimética e conseguiu um empate contra o Coringão que não se aproveitou do fato de ter um homem a mais em campo. Parabéns aos dois times do meu coração combalido.

Mais um brinde: Um Cartum de João Zero