4.10.09

Mercedes Sosa - Hasta la victoria, siempre


Mercedes Sosa viverá para sempre no nosso coração americano.
Tive o prazer e a honra de ver e ouvir "La Negra" cantar, uma vez no Maracanãzinho e depois, em data recente( 7/10/2008), no Teatro Municipal do Rio de Janeiro - no dia da solenidade da entrega da Ordem do Mérito Cultural.
Hasta siempre...

Dica do Gerdal:Telas de Nelson Sargento e o encanto de Marina Íris são destaques deste domingo em programação na Gamboa (grátis)


Numa simpática e eficiente produção de Didu Nogueira, realiza-se neste primeiro domingo de outubro mais um prazeroso e animado encontro no Centro Cultural José Bonifácio ("flyer" acima), na Gamboa. Diversos atrativos culturais, integrados, entre os quais se destacam a pintura de Nelson Sargento e o canto doce e brejeiro de Marina Íris, filha do compositor Celso Lima, acompanhada pelo Grupo Coisa e Tal. Bom de ver, bom de ouvir.
         Um ótimo domingo a todos. Muito grato pela atenção à dica.
(Clique no flyer para ampliar e ler melhor)

Do fundo do baú: Ilustração - "olho concreto no abstrato"


Na época em que explorava as possiblidades do programa "Painter"

3.10.09

Conto da Tinê: SEM SUZETTE (trecho)


Em surdina, num toca-discos longe da mesa, ouvia-se o final da “Marcha do Leão”, de Saint-Saëns. Com ares de quem vai encerrar o assunto, Adèle-Marie tomou a iniciativa ao anunciar o nome que escolhera enquanto dispunha papéis virados de cujos versos em branco entrevia-se linhas de espadachim contra o tampo rústico em jatobá.
-- “CRÊPERIE DE BERGERAC”.
A essa altura, do aparelho sonoro veio a faixa “Galinhas e Frangos”.
Três se entreolharam. Duas franziram a testa. Uma virou-se para o vazio ao reprimir o riso. Todos tiveram de levar por escrito ideias, se possível com esboço de letreiro – que decidissem de uma vez a marca do negócio!
-- Crap de quem?! – lascou Umbelina, a salgadeira.
-- Cre-pe – explicou, elegante. – Aquilo que todos adoram e chamam de panqueca embora não o seja, pois este não tem recheio, apenas leva calda ou manteiga, quando muito uma bola de sorvete por cima.
Em gestos suaves, Adélia transformou-se. Coincidência ou não, a obra musical estava em “Aquário”. Devo dizer que A.M. é assim desde o colégio Notre Dame, tem horror dos que mascam chicle ou palitam os dentes em público. Ao ir morar no interior, ela acreditava contribuir para o refino da cultura local, ainda que começasse pela ponta da língua até a beleza e a harmonia saírem por olhos e ouvidos. E que ela encontrou inspiração para sua atual proposta em Cyrano – ou melhor, no pasteleiro que definia o medalhão de carne bem feito como ode às papilas gustativas, a ponto de despertar desejos quase incontroláveis no poeta de Bergerac. Arrebatada, ela citou trecho do livro, releu-o como quem repete mais de uma vez o prato de entrada a fim de, como preliminar, revelar temperos escondidos. Havia em sua voz certa volúpia despercebida pelos ouvintes.
-- Adelinha, - ponderou Sinésio – o povo daqui só entende português. Estamos em terras de Guimarães Rosa...
-- T’aí, que tal “REGALOS DO MIGUILIM”? – cortou brusca Clarinda dos Pingos d’Ouro.
-- Podia ser uma cafeteria com nome em hai-kai: “DO VERMELHO FRUTO / AGRIDOCE / BOM CAFÉ AMANHECE”. Ou apetece. Serviriam os tais crepes com queijo e goiabada. Minissuflês de goiabada com queijo. Bota-de-mineiro com bastante queijo derretido na goiaba – sugeriu Iselda. – E o senhor, Seu Zé Barba, o que nos diz?
-- Olha, dona, eu entendo mesmo é de massaronga, biju e bobó. Gostei do café em versos no alto da porta. Donadélia falou bonito, mas o pessoal vai chamar o lugar de Birosca do Bergeraca...
-- Seu negócio é mandioca no ralo grosso, heim! – Gargalhadas. – Para essas suas especialidades, haja mandiocal! O senhor pode variar com baroa, inhame, cará...
-- Gente, - cochichou Iselda, - pela cara de Adelita, vamos acabar em “SUSIE Q’S PANCAKE”.
-- Ou “TORTILLAS DE SUZANITTA” carregadas na pimenta e flambadas na tequila em vez de conhaque francês. – pinicou Clarinda, ao som de “Fósseis”.

Tinê Soares (25/09/2009)

Dica do Gerdal:Zé Carlos Bigorna toca, neste sábado, com o seu quarteto, no Santo Scenarium


De Porangaba (SP) para o mundo: Zé Carlos Bigorna, saxofonista e flautista, um dos melhores do Brasil, que, em 1971, veio para o Rio de Janeiro, atendendo a convite de um primo, o pianista José Roberto Bertrami. Do amigo Bigorna, repasso o "flyer" acima, sobre uma apresentação, com o seu quarteto, neste sábado, 3 de outubro, às 21h30, no Santo Scenarium. Satisfação garantida: som de prima. 
          Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

Espírito de porco Olímpico


Entrei no espírito Olímplico! Arremessei a conta do condomínio aqui no play ground, e ele foi parar lá longe, acho que uns 200 metros de distãncia. Numa corrida de obstáculos, saltei sobre as contas de luz, gás e telefone. Ah, dei um mortal carpado em cima do plano de saúde que está na estratosfera! Corri feito louco dos credores e os venci nos 100 metros rasos, nos fundos e na maratona de juros sobre juros. Só perdi para uns pivetes que fugiam da polícia , mas isso mostra que nossa juventude está se preparando a todo vapor para as Olimpíadas de 20l6. Falando em pivetes, já estou pensando em investir uma grana em camisetas para turistas que virão assistir aos jogos . Nelas vai estar escrito bem em cima do peito: - Não sou seu tio, não tenho dinheiro, mas gostaria de ter.
Quanto às nossas possiblidades de êxito nos jogos, acredito que na modalidade “arrastão em túneis“, nós vamos arrebentar, e no quesito “tiro ao alvo com balas perdidas” , acho que não vai ter para ninguém.
Quando anunciaram que o Rio tinha vencido Madri, eu vi um velhinho gritar: - Iés uí cam! Ele não tinha um dente na boca feliz e olhe que estava há horas numa fila de um posto médico e saiu de lá com um pedido de exame que vai ser marcado só para fevereiro do ano que vem! . Sem dúvida, esta é outra modalidade de esporte que acrescentaremos aos jogos que se realizarão em nosso território pátrio: “Resistência em fila de Hospital“. Um rapazola que estava passando no local, em que o idoso gritou de felicidade , acrescentou que deveríamos também botar uma prova de “re- vazamento“, já que ele tinha gastado todas suas baterias etudando para o Enem , mas necas, a prova tinha vazado e tudo foi pro brejo. Ele disse que nunca viu tanto vazamento no país. Toda hora vaza alguma coisa para a imprensa…
De qualquer forma, estou feliz. Não sei porque, mas acho que todos os cariocas que vibraram também não sabem. A alegria aqui é uma pandemia! Também, não é qualquer prefeitura que decreta ponto facultativo numa sexta-feira só pro pessoal ir para Copacabana assistir à eleição do COI e ter um show “de grátis”.
Talvez possamos criar uma organização para controlar os gastos dos investimentos nas obras - um portal-transparência, para evitar a mão grande na hora das contas. Talvez até 2016 tenhamos uma campanha do tipo : Fora corrupa! Só espero que essas Olimpíadas ajudem o Rio a retomar sua autoestima, resolver a encrenca do transporte público, da saúde, o problema das comunidades carentes, da segurança do cidadão e que se reestabeleça a paz na cidade partida.
Só não entendi uma coisa: Por que a população de Chicago rejeitou sediar os jogos Olímpicos de 2016 e o pessoal de Tóquio não se interessou muito por essa parada?
Confesso que fiquei com a pulga atrás de orelha, e olha que ela é uma saltadora "medalhada"!(ou seria medalhista?)
Bem, vou parar por aqui, que já cansei dessas Olimpíadas…Ufa!!!

"Dulcinéia Catadora" no projeto O Autor na Praça - Lançamento de livros infanto-juvenis neste sábado em Sampa


Neste sábado, dia 3 de outubro, antecipamos o Dia das Crianças com lançamentos de dois livros infanto-juvenis pelo projeto Dulcinéia Catadora, são eles “Estrelíssima” de Tatiana Belinky e “O gato peludo e o rato de sobre-tudo” de Wilson Bueno, além de outros títulos infantis. Também haverá uma oficina de confecção de livros e leituras por integrantes do Dulcinéia e convidados. O cartunista Junior Lopes participa do evento realizando caricaturas.
 
O Autor na Praça – Lançamento de livros infanto-juvenis pelo Dulcinéia Catadora
Dia 03 de outubro, sábado, a partir das 14h.
Espaço Plínio Marcos - Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto - Pinheiros
.
 
Realização: Edson Lima e AAPBC – Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto.
Apoio: Max Design, Jornal da Praça, TV da PRAÇA, Pablo Orazi Webdesign, Restaurante Consulado Mineiro, Cantinho Português e Vozoteca LEK.
 
Sobre o Dulcinéia Catadora - é um coletivo que edita livros com capas de papelão; conta com a participação da artista plástica Lúcia Rosa, catadores e de filhos de catadores, entre eles Andréia Ribeiro, Marlon Emboava e Peterson, e escritores. Participam também das oficinas adolescentes recém-saídos da rua, temporariamente abrigados no Lar Harmonia e Arte. Colaboram com o coletivo Carlos P. Rosa, Rodrigo Ciríaco, Douglas Diegues e Flávio Amoreira.
 
O coletivo acredita que a convivência entre pessoas com origens, atividades, experiências e visões de mundo diversas, é benéfica e enriquecedora para todos. Visa à valorização dos catadores, à inclusão social, procura abrir novas possibilidades de atividades profissionais, desenvolver o potencial artístico dos participantes. Ressalte-se que, antes de gerar renda, essas atividades no atelier promovem a auto-estima, a troca de experiências, geram o prazer de criar. A oficina é um espaço aberto, um ponto de encontro. A divulgação de autores pouco conhecidos é outro objetivo fundamental do projeto.
 
O coletivo derivou do Eloísa Cartonera, um grupo que iniciou suas atividades na Argentina há quatro anos, reconhecido em vários países por sua atuação artística e social, e convidado para participar da 27ª Bienal de São Paulo. Apresentou-se no pavilhão como uma oficina em funcionamento permanente. Ao grupo argentino somou-se a participação de catadores, filhos de catadores e artistas brasileiros. Lúcia Rosa, que já trabalhava com catadores de papel, entrara em contato para conhecer o projeto Eloísa Cartonera no início de 2006. Por e-mail, a troca de idéias fluiu com um dos fundadores do projeto, Javier Barilaro, acerca das possibilidades da estética relacional, reforçando para ambos a validade dessa postura artística. Quando o Eloísa veio para a Bienal reproduzir sua oficina, tal como funcionava em Buenos Aires, foi solicitada a colaboração da artista brasileira pela curadoria da Bienal, por sugestão do grupo argentino. O contato e a parceria com o Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis tornaram possível a seleção de adolescentes filhos de catadores, das várias cooperativas existentes em São Paulo, para participarem da oficina. Após a Bienal surgiu seu projeto-irmão, Dulcinéia Catadora, que começou a funcionar no Brasil a partir de 2007, Já foram publicado textos de Plínio Marcos, Manoel de Barros, Alice Ruiz, Haroldo de Campos, Xico Sá, Eunice Arruda, Joça Reiners Terron, Jorge Mautner, entre outros. saiba mais: www.noticiasdacatadora.blogspot.com / www.dulcineiacatadora.110mb.com
Contato: dulcineia.catadora@gmail.com

2.10.09

Dica do Gerdal : Eliane Faria canta a música de Paulinho da Viola, hoje e amanhã, na Tijuca, comemorando aniversário de carreira


Primogênita de Paulinho da Viola, a cantora Eliane Faria dá o ar da sua graça nesta sexta e neste sábado, 2 e 3 de outubro, em shows no Centro Municipal de Referência da Música Carioca, na Tijuca, ambos às 19h ("flyer" acima). Do grupo vocal de nome curioso, Amassando a Camisola, no comecinho da carreira, até agora, são 15 anos de simpática e atraente defesa da nossa música popular, em particular do samba mais identificado com a tradição. De Anescarzinho, seu tio salgueirense, em parceria com Célio Khouri, gravou "Amor Poente", em 2002, para uma coletânea, "Conexão Carioca 3", produzida pelo poeta Euclides Amaral, um belo samba, embora pouco conhecido, mas gostoso aperitivo para o seu único CD integral como intérprete, "Alma Feminina", lançado no ano seguinte, no qual, em gravação ao vivo realizada em bar de Sampa, homenageou grandes cantoras do nosso estrelato, como Elizeth Cardoso, Ademilde Fonseca, Dona Ivone Lara e Odete Amaral. Ouvir Eliane é, em síntese, tomar contato com uma exteriorização "pra dentro", sincera e graciosa, sem rigor técnico, do samba na sua face mais lírica ou lamentosa (como em "Arvoredo", de Paulinho da Viola, com quem faz dobradinha na bela gravação disponível no "myspace" dela) e, em contraponto, com uma inflexão acalorada, típica da folia de bloco, naturalmente absorvida no seu canto, na face do samba mais alegre ou até mesmo dionisíaca a que ela também dá voz.
        Homenageado no carnaval deste ano pela União de Jacarepaguá com o enredo "A Toda Hora Rola um História", Paulinho da Viola deverá ser a espinha dorsal do roteiro nessas duas apresentações de Eliane, uma filha do samba de fato e de direito - está na disputa do samba-enredo da Portela para 2010 e, em recentes carnavais, sustentou no gogó de apoio, junto ao carro de som, desfiles na Sapucaí da Paraíso do Tuiuti. Tais shows representam boas oportunidades de, na voz dela, o coração se deixar levar pelo rio de inspiração paterna que passou em nossas vidas e marcou, sem brevidade, a história da MPB. Também por aquilo que, em Paulinho da Viola, hoje é pouco recordado, como essa outra joia do seu relicário autoral, "Nada de Novo": "Papéis sem conta sobre a minha mesa/o vento espalha as cinzas que deixei/em forma de poemas antigos, relidos/perdido, enfim, confesso até chorei.../mas a tristeza é tão grande no meu peito/não sei pra que a gente fica desse jeito."
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

Do fundo do baú : Caricatura de Bill Gates


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Dica do Gerdal : Otávio Garcia exercita sua bem cotada bateria nesta sexta, no Leblon, em show do grupo Cacau e os Meio Amargos


Repasso abaixo o recado lacônico, (com "flyer"acima) e em tom de exortação, que recebi do amigo Otávio Garcia, baterista de atuação constante na noite carioca, que, ainda na infância, iniciou-se na música ao teclado, por influência da mãe, pianista. Já acompanhou diversos cantores de renome e tocou com Johnny Alf, João de Aquino e Osmar Milito, entre outros expoentes da área instrumental; esteve em Montreux, na Suíça, com o conjunto Descendo a Rua, que integrava, e, como o seu negócio é batucar, está sempre com as baquetas em movimento. Desta vez, em mais uma boa apresentação de Cacau e os Meio Amargos, no qual à cantora e professora de musicalização infantil Cláudia (Cacau) Vargas junta-se ainda outro músico experiente, Augusto Mattoso, contrabaixista que, no início dos anos 90, formou com Luisinho Sobral (bateria) e Dalmo Mota (violão) o excelente Tríade. Bruno Sampaio, o quarto elemento do conjunto e o terceiro dos "meio amargos", é um guitarrista com gosto extra pela escrita não musical, já que também é roteirista, com participação recente e destacada em oficina literária do jornalista especializado em humor Márcio Paschoal - este, aliás, também colunista musical, biógrafo de João do Vale e parceiro do sumido sul-paraibano Ruy Maurity. 
           Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

Companhia Estadual de Jazz toca no Sábado na Urca


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1.10.09

O golpe e o pijama


É golpe. No início, eu não tinha dúvidas por instinto, depois veio a condenação da comunidade internacional. Mas até aí morreu Neves, a comunidade internacional demora demais nos discursos.

Porém se ainda alimentava alguma dúvida lá no meio da minha cachola destrambelhada , o artigo do Professor de direito constitucional Pedro Estevam Serrano esclareceu tudo e me cercou de certezas. Foi golpe, é golpe, será para sempre golpe e entrará para a História da América Latina como golpe de Estado, aquilo que aconteceu em Honduras. Da leitura desse artigo, publicado na Folha de São Paulo de ontem, a gente fica por dentro da carta constitucional hondurenha, onde não existe nenhuma linha que justifique, que dê uma base jurídica para essa trapalhada golpista de retirar um presidente da cama e mandá-lo de pijamas para fora do país. Na mesma Folha, Elio Gaspari aprova a atitude de Lula de aceitar Zelaya na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.
Não vamos entrar aqui na análise do presidente deposto, no fato dele usar o território “brasileiro” em solo hondurenho para fazer política com aquele chapelão folclórico. Nem das suas intenções de tentar mudar a lei que não permite reeleição em seu país - a Constituição lá deles não diz que deve-se tomar o poder na base da força em nenhuma hipótese e nem abre a possibilidade de um processo legal para a deposição do presidente no caso dele tentar fazer um plebiscito, ou coisa que o valha. Não vamos falar também da ambiguidade do governo dos EUA em relação ao caso e sua preguiça em tentar resolvê-lo. Se os EUA tivessem a intenção de dar um fim ao imbroglio , decerto ele nem teria existido - Chomsky em entevista para o site G1 mata a cobra e mostra o pau.

O que me deixa intrigado é o fato de quase todas as notícias e análises que procuram botar o fato em perspectiva utilizam a imagem do “presidente de pijamas“ ou (seria em pijamas?- não seria só pijama?).
Tudo leva a crer que um homem de pijama é um ser que está em grande desvantagem. Lembra a imagem ” trajes menores” que evoca uma certa fragilidade do ser humano. Talvez se estivesse só de cuecas a situação ficaria muito pior, se tornaria cômica. Pois, creio que devem existir presidentes que dormem de cuecas. Mas de pijama, de qualquer forma é uma situação que mostra uma certa pressa das forças depositoras nesse episódio lamentável. Uma urgência desmedida - não deixaram o homem nem botar um terno, ou um casaquinho e umas calças compridas. Deve ter saído da cama e procurado suas chinelas, ou será que foi só de meias, ou descalço? Seria cômico também se estivesse de bermudas pois aí se estabeleceria uma confusão dos diabos nas agências internacionais de notícias, pois existe um país chamado Bermudas e muita gente iria pensar que o golpe tinha sido lá e não em Honduras.
De qualquer forma, uma autoridade ser tocada pra fora de pijama é algo contraditório, se por um lado humilha o sujeito de pijama, ao mesmo tempo dá um tom sombrio de coisa feita na “calada da noite” , que mostra o caráter sujo da operação.

Mas agora a meleca está feita, o Tegucigolpe foi dado, o homem já está recomposto com roupas de vaqueiro, dormindo vestido na nossa Embaixada. Não cabe ao nosso presidente resolver esse problema. A encrenca é da América, da OEA, da ONU.
Mas se Lula quisesse resolver a querela, seria o caso de propor um jogo amistoso entre a Seleção brasileira e a hondurenha. Não fizeram um espetáculo semelhante no Haiti? Se a Seleção de Honduras perder, o Zelaya volta ao poder e promete ficar quietinho dentro do seu pijama, dormindo tranquilo na sua casa, até passar as próximas eleições. Se o selecionado canarinho perder, o Zelaya volta no mesmo avião para o Brasil e depois vai para a Venezuela onde poderia montar seu governo no exílio. (Nos anos 60 Paris comportou vários governos no exílio).
Tem gente que vai achar que não é uma solução justa, mas sabe como é que é: futebol é uma caixinha de surpresas, no entanto é uma instituição civilizada( veja ensaio de Norbert Elias e Eric Dunning), mesmo com zagueiros violentos, é muito melhor que certas “políticas” que se praticam no nosso continente.

Pensar a Imprensa pensa o encontro entre o literário e o jornalístico


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Mais um Haikai do Observatório Náutico de Guilherme Mansur

Mais um brinde: um cartum de João Zero


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30.9.09

Cabaré Caruso apresenta "Casablanca... & Senzala!" no Bar do Tom nos dias 1, 2 e 3 de outubro (quinta, sexta e sábado)




O Cabaré Caruso (com Paulo & Chico Caruso e grande elenco) retorna ao Bar do Tom (Plataforma), no Leblon, para uma curta temporada - de quinta a sábado - ou seja nos dias 1, 2 e 3 de outubro. O espetáculo agora se chama "Casablanca...& Senzala!
De acordo com o release, o espetáculo foi criado por Chico Caruso a partir de uma idéia de Ricardo Cravo Albim. Traça um paralelo entre o famoso filme americano, o Brasil de 1942 e o mundo de hoje, para os quais Chico compôs as paródias: "Yes, nós temos Obama" e "Sempre haverá Paris, mas o buraco é mais embaixo"...vai ter de tudo um pouco, mágica, romance, muita charge política e música no palco, com a animação do multinstrumentista e grande cartunista Paulo Caruso que junto com o mágico Ramade, o violinsita Bruno Descaves,o palhaço Dudu, os bailarinos Desiré de Oliveira e Antonio Carioca , mais o cartuista Aroeira e seu sax infernal, a cantora Eduarda Fadini e os músicos Roberto Bahal e Zelito Medeiros (piano), Humberto Toschi (percussão), Henrique Vilhena (baixo), Thiago Thomé (voz, cavaquinho e viola), Claudio Damatta (voz e violão) , Gustavo Pewreira (voz e violão), Rinaldo Gaudêncio Américo (Obama), Luiz Manoel Guimarães (gaita e voz) e Sérgio Magalhães (sax e flauta)...vão fazer você gargalhar até doer a barriga.
Ah! tem mais, Eliana Caruso interpreta Michele Obama e a participação especial do comediante em pé Fernando Caruso - Um nepotismo só , como vocês poderão conferir no Bar do Tom - que fica na Rua Adalberto Ferreira, nº 32, no Leblon - onde ficava a antiga Plataforma. O espetáculo (como já foi dito) rola dias 1, 2 e 3 de outubro, sendo que na quinta-feira começa às 21.30 horas e sexta e sábado às 22 horas.
Ingressos a 60, 50 e 40 reais. Classificação: 10, mas é para maiores de 18 anos.
Mais informações no site www.cabarecaruso.com.br

Dica do Gerdal: Sandra Duailibe solta a voz, nesta quarta, no Centro Cultural Carioca - uma presença bem-vinda ao sem-fim da melhor MPB


Ainda anteontem, curti no YouTube uma bonita interpretação de "Epitáfio" ("O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído"...), sensível balada do roqueiro Sérgio Britto, dos Titãs, por Sandra Duailibe. Com a decisão desta dentista de largar a profissão, após alguns anos de consultório, em favor de novo horizonte profissional, ganhou a MPB uma cantora muito interessante, de timbre igualmente grave e aveludado, dessas que, de primeira, sabem prender a atenção do ouvinte de bom gosto ao soltar a voz. Nesta e nas inflexões lembrando, não muito vagamente, a bossa-novista Wanda Sá, a são-luisense Sandra, de grande parte da infância e a adolescência vividas em Belém do Pará, revela-se, para além da referida semelhança, uma artista de "punch" próprio, encantadora, com repertório muito bem qualificado nos dois CDs já lançados, afora demos. Para o segundo dos CDs, o ótimo "A Bossa no Tempo", lançado no ano passado, ela, já morando em Brasília, encontrou curiosamente uma quase gêmea vocal, Cely Curado, também muito interessante e que consegue dividir com Sandra, nessa produção, por uma interação assentada na afinidade canora, um resultado de surpreendente atrativo - o que ainda se pode observar em outras imagens no YouTube, com as duas cantando "Onda do Ar", um gostoso balanço de Sandra em parceria com a irmã Márcia Forte.      
      "Epitáfio" é composição que integra o rol de músicas do primeiro CD, "Do Princípio ao Sem-Fim", com o qual Sandra Duailibe concorreu ao Grammy Latino de 2007 em três categorias (melhor álbum do ano, melhor álbum de MPB e melhor artista-revelação), a cuja faixa-título, composta pelo maestro Zé Américo Bastos com letra de Salgado Maranhão, juntam-se ainda, por exemplo, "Fruta Mulher", do baiano Vevé Calazans, "Verdadeira Estrada", da paulista Simone Guimarães com mais um maranhense, o diplomata Antenor Bogéa, e deliciosas regravações de "Lua Brasileira", de Fátima Guedes" e "Meiga Presença", de Paulo Valdez (filho de Elizeth Cardoso) e Otávio de Moraes. Recentemente, Sandra Duailibe teve aprovado um projeto de gravação de um CD só com autores paraenses por uma lei denominada Semear. Cantando como ela canta e com tanta gente inspirada e credenciada nesse torrão do Norte, só pode dar coisa muito boa, um disco e tanto. Sandra o merece, e o Brasil mais ainda.        
       Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 
A tempo: Sandra Duailibe apresenta-se, hoje, 30 de setembro, às 20h30, no Centro Cultural Carioca ("flyer" acima). Participação especial: Áurea Martins e Márcio Lott.
Quem quiser saber mais de Sandra Duailibe, veja no site www.sandraduailibe.com.br

Do funto do baú - Ilustração : Juntos até que a chave os separe

29.9.09

Charge: Honduras em transe

Mais um brinde: Um cartum de João Zero


(Clique em cima da imagem para ampliar e ler melhor a legenda do cartum)

Dica do Gerdal: Pagode Jazz Sardinha's Club de volta ao CCC nesta terça-feira - uma iguaria musical em brasa criativa de talentos


Do amigo Xande Figueiredo, um batera batuta, repasso o "flyer" (acima), relativo à segunda das apresentações neste mês do Pagode Jazz Sardinha`s Club, hoje, 29 de setembro, às 21h, no Centro Cultural Carioca. Tão apetitosa quanto a sardinha na brasa de conhecido reduto boêmio do Centro do Rio de Janeiro que lhe inspirou o nome, a suingueira inusitada do conjunto, mesclando samba, choro, jongo, funk, bossa, jazz, reggae e alguns outros ritmos em inventivos arranjos, tem conquistado adeptos entusiasmados desde quando surgiu, em 1997, tanto nas apresentações ao vivo quanto nos dois CDs já lançados. O belo e instigante "Chorinho Transgênico" (faixa do segundo disco, "Sardinhas"), por exemplo, é revelador da intenção inovadora dos músicos de, partindo da nossa tradição musical, experimentar fusões e explorar improvisos e contornos melódico-harmônicos com inteligência e vivacidade, de que resulta um som alegre, sinuoso, surpreendente e ainda tentador aos nascidos para bailar. Além de Xande, Rodrigo Lessa (bandolim), Eduardo Neves (sax e flauta), Roberto Marques (trombone), Bernardo Bosísio (violão), Marcos Esguleba (percussão) e Edson Menezes (baixo) também comparecem ao toque de reunir - pra tocar, naturalmente - do Pagode Jazz Sardinha`s Club, que, logo mais, à noite, de quebra, dá uma pala do que virá no próximo CD. Eles misturam e mandam, numa boa.
           Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

Dica do Gerdal: Adauto Guerra, com o Toque de Bossa, toca a sua apreciada guitarra, na terça e na sexta que vêm, em Ipanema e no Centro


Domingo desses, saindo do Centro Cultural José Bonifácio, onde Didu Nogueira comandava uma tarde musicalmente animada pelo Samba Urbano e Gisa Nogueira expunha telas de pincel próprio tão cativantes quanto as suas músicas, encontrei por acaso o guitarrista e compositor mineiro Adauto Guerra, há muito aqui radicado. Diante daquele velho casarão da Rua Pedro Ernesto, na Gamboa, estávamos num ponto de ônibus onde apanhamos o mesmo coletivo, o 180, em direção de Laranjeiras. Ao longo dos agradáveis dedos de prosa no trajeto, pude conhecer-lhe um pouco mais a lida artística, que é a de um cidadão simples e de trato cordial, ex-integrante da Orquestra Tupy, discípulo de Ian Guest e Célia Vaz, em harmonia e improvisação, e músico de reconhecido valor, em cuja página no MySpace conta com admiradores de prestígio entre os colegas nacionais, como o também guitarrista Ricardo Silveira e a flautista Lea Freire, e até mesmo estrangeiros, como John McLaughlin e George Benson.    
     Nesta terça-feira, 29 de setembro, no Vinicius, em Ipanema, às 22h30, e nesta quinta-feira, 1 de outubro, no Centro Cultural Memórias do Rio, no Centro, às 20h ("flyer acima) "  Adauto apresenta-se com o grupo Toque de Bossa, ainda constituído por Cynthia Lobato, cantora, violonista e ex-integrante do conjunto de samba Swing Baton; Marco Bachur, contrabaixista; e o baterista Riso Alcântara. Em suma, bossa de bom gosto com toque de bom tom.
     Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

Dica do Gerdal:Edu Krieger lança, nesta terça-feira, no Rival, o CD "Correnteza"- passo firme e bem marcado na ciranda do mundo fonográfico


Com o mesmo nome da clássica toada de Tom Jobim e Luiz Bonfá, o segundo e recém-saído do forno CD de Edu Krieger, o autoral "Correnteza", será lançado nesta terça-feira, 29 de setembro, às 19h30, em show no Teatro Rival ("flyer" acima). Nele, de faixa-título já gravada pelo conjunto Sururu na Roda, esse talentosíssimo carioca de ascendência alemã, filho e neto de maestros - Edino Krieger e  Aldo Krieger, pai e avô, respectivamente, catarinenses de Brusque -, apresenta novas parcerias, que constam em outras três faixas: Marcelo Caldi, em "Serpentina; Raphael Gemal, em "Feira Livre"; e Zé Paulo Becker, no bolero "Sobre as Mãos", com o chamado auxílio luxuoso do suingado João Donato ao piano. Aliás, uma outra ótima composição de Edu Krieger, "Arremate", em parceria com Joca Perpignan, também será lançada, em breve, em mais um CD desse craque da percussão, também carioca, comprovando que a MPB vai muito bem das pernas em matéria de criatividade e renovação, apesar da ciclópica e renitente barreira do jabá para que ela não ganhe as nossas emissoras de rádio e tevê, naturalmente, pelo mérito, e o público-alvo dessa veiculação, mais bem informado da nossa produção musical, não faça livremente as suas escolhas, sem "orientação" de cima para baixo. Considero a nossa música popular um orgulho nacional, que tem em Edu Krieger um exemplo robusto e bem formulado do vigor e do engenho da sua permanente recriação, lastreada no que nela há de mais pulsante e verdadeiro. Isso já se fazia notar sobejamente no primeiro disco dele, e no atual não será diferente. Parabéns, Edu, pela luminosa carreira que você vem cumprindo, "motu proprio", como violonista, compositor e letrista de verso exato e envolvente. Ciranda que vai, ciranda que vem, e você segue, na roda do mercado do disco e do show, com o passo firme na cadência de um reconhecimento sem facilitário nem favores.     
          Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

28.9.09

Novo Haikai da oficina náutica de Guilherme Mansur

Programa para terça-feira em Sampa: Aniversário de Plínio Marcos no teatro de Arena


Chegou por e-mail o seguinte convite para comemorar o aniversário de um gênio do nosso teatro:
Aniversário de Plínio Marcos no teatro de Arena, na próxima terça-feira, dia 29 de setembro
Plínio Marcos nasceu dia 29 de setembro de 1935, para celebrar seu aniversário, alguns amigos, atores e admiradores vão se reunir no Teatro de Arena na próxima terça-feira. Quem está agitando é o Carlão do Boné, o Carlos Costa, ator, carnavalesco e grande parceiro do Plínio. O Kiko Barros, filho do Plínio, e o Moisés da Rocha, também já confirmaram presença. Convidados: Marco Antonio Rodrigues, César Vieira, Chico de Assis, Graça Berman, Castor, César Vieira, Osvaldo Mendes, Emilio Fontana, Izaías Almada, Estér Góis, Sérgio Mamberti, Antonio Petrin, Walter Breda, José Renato, Júlio Calasso, Jair Alves, Jairo Mattos, Javier Contreras, Vinicius Pinheiro, Vera Artaxo, João Signorelli, Carlos Cortez, Edson Lima, Barão, Borbam Carlão do Peruche, Osvaldinho da Cuíca, Toniquinho Batuqueiro, a turma da Banda Redonda, entre tantos outros.
 
Será uma noite de bate papo, depoimentos e até uma roda de samba. Na verdade é um encontro simples de amigos e pessoas que admiram este grande dramaturgo. É só chegar, a partir das 19h. Também é um momento para começar as comemorações pelos 50 anos da primeira montagem de Barrela, em Santos em 1º de novembro de 1959 e lembrar os dez anos sem Plínio (19/09/99). www.pliniomarcos.com
 
Dia 29 de setembro, Terça Feira, a partir das 19h – è só chegar
Teatro de Arena Eugênio Kusnet
Rua Teodoro Baima, 94 – Tel. 3256 9463 - Metrô República
Organização: Amigos do Plínio. Apoio: O Autor na Praça

NR - Foto do sítio oficial do Plínio
 

26.9.09

Um brinde: Mais um Haikai marítimo de Guilherme Mansur

Crônica: O Senhor Embaixador


Confesso que sou distraído . Em geral me perco olhando bobagens, detalhes da arquitetura de um prédio, o desenho de uma árvore, borboletas a dançar na Candelária... Quando estou no meio de muita gente, como, por exemplo, numa vernissage, luto para não fugir dali, mas quando é invevitável ficar, sinto que ponho em perigo todos que estão em volta com minhas trapalhadas de homem tímido. Foi o que aconteceu num verão de 1992, por ocasião de uma exposição coletiva de cartuns, em Buenos Aires, mais precisamente no centro cultural que fica num antigo ex-mosteiro, no simpaticíssimo bairro de La Recoletta. Dizem que esse bairro é tão bacana, que até o cemitério não mete medo. Em todo caso não fui conferir.
Minha aventura começou logo na madrugada do dia da viagem. O despertador me acordou de um sono que eu não tinha dormido, de tão tenso que estava. Peguei um táxi e fui voando para o aeroporto onde embarquei, morto de medo num avião da Varig. Nessa hora já se descortinava uma manhã de sol lindo no Rio de Janeiro. Quando o avião levantou voo, olhei pela janelinha e vi um céu de brigadeiro que anunciava que tudo iria dar certo. Coitada da simpática mocinha que sentou ao meu lado, teve que ouvir minhas histórias em portunhol, já que tinha esquecido "Fenomenologia do Espirito" em casa. ( eu tenho um medo real de voar e compenso de várias formas, ou falando ou lendo Hegel)
A pobre garota, que no íntimo, deve ter me achado um chato de galocha, me perguntou no meio da conversa se eu era originário da Galícia, onde se fala um português misturado com espanhol, fingi não entender a ironia. Porém a garota foi generosa e me aturou, talvez compreendendo o pavor - que devia estar estampado em letras garrafais em meu rosto.
Minha aventura continuou no Aeroporto Ezeiza, onde com um pesado portafólio cheio de desenhos debaixo do braço e um blazer escocês de inverno, sob um sol de fritar ovo frito no asfalto, embarquei num ônibus de linha comum em direção ao centro da cidade. O referido coletivo fez um verdadeiro tour pelos bairros periféricos de Buenos Aires onde conheci uma avenida que é cortada por várias ruas com nomes de poetas. Um encanto!
Depois de horas saltei perto da calle Marcelo T. Alvear onde , uma amiga jornalista , corresponsal (como se fala por lá) do jornal onde eu trabalhava tinha feito a gentileza de reservar um quarto num Hotel por um preço módico.
Tomei um banho frio e afundei num sono justíssimo, para saldar o débito que tinha acumulado entre a minha cama do Rio e aquela de Buenos Aires. Fui acordado por Rrulio, meu querido amigo que organizou a exposição . Ele me convocava para comparecer a um programa de TV naquele exato momento. Eu, bêbado de sono, disse que não me encontrava em condições de pensar, que estava catatônico, que Tico no hablava com Teco naquela altura do campeonato. Ele foi compreensivo, e então combinamos que eu participaria de um encontro com os cartunistas-expositores num programa de uma rádio local. Em seguida participaríamos de um progama de TV onde faríamos a divulgação da nossa mostra de cartuns.
E foi o que aconteceu. Encontrei um time fabuloso de desenhistas de humor de nuestra América e nos divertimos a valer num progama de rádio muito descontraído. Num determinado momento me perguntaram o que eu achava do governo Collor (que já provocava polêmica e uma certa curiosidade pelo seu fraseado) e eu disse que responderia se eles me dissessem o que significava a expressão "Duela a quien duela" que nosso ex-presidente tinha usado naquela época - não me lembro em relação ao que. Como eles não souberam responder qual o sigificado dessa frase lapidar, eu disse que esse era o problema do governo collorido, ninguém conseguia entender o que ele hablava. Depois gastei meu portunhol num programa de TV - desses que fazem a delícia das tardes das donas-de-casa, onde se discutia o tema da "mulher separada" que era a última moda que chegava tardiamente ao território portenho. A mulher de um dos desenhistas argentinos, que estava no nosso time, disse mais tarde, que viu o programa na TV com muita atenção, mas não entendeu nada do que eu falei.
O que importa é que saimos vivos do estúdio, porém quase morremos afogados depois que uma tromba d'agua se abateu sobre a cidade. Nunca pensei viver uma enchente na Londres do Mercosul!
Voltei todo molhado para o hotel, tomei um banho quente para afastar o resfriado e botei minha fatiota para a noite de glória.
No centro cultural de La Recoletta tava uma animação danada, lá vi meu cartum com modura e tudo , pendurado ao lado dos meus companheiros de traço e entre eles, o do magnífico Quino, nosso herói, que ainda não tinha pintado por lá e era aguardado com grande expectativa por todos.
De repente Rrulio me pega pelo braço e diz , Bruno, você tem que conhecer o embaixador da Itália , venha comigo... e lá fomos para a porta de entrada . Eis que um homem meio calvo, de óculos de aros grandes , dentro de um terno bem cortado, com uma gravata esplendorosa vinha subindo a escada e eu sem mais nem menos cumprimentei:
- Seja benvindo Senhor embaixador!!!!
Riso geral....Rrulio recuperado da gargalhada me disse:
- Bruno , você acabou de saudar Quino....qua qua qua...
Tratei de me refazer rapidamente da gafe e mandei essa:
- E Quino não é nosso embaixador do humor?!
Confesso que essa saída foi meia boca, mas Quino foi muito simpático, disse que eu parecia com um dos personagens dele- e para minha surpresa, fez questão de conhecer meu cartum ...Pois é foi assim que paguei um belo mico na bela ciudad de las cupulas ao confundir o grande Quino , ou melhor o grande Joaquín Salvador Lavado com o embaixador da Itália.
***
Faz pouco tempo, soube que inauguraram uma estatueta de Mafalda em San Telmo , bairro onde Quino passou sua infância. Eu o vi numa foto ao lado de sua personagem. Fiquei imensamente feliz de ver que ele não tinha mudado em nada.

25.9.09

Mais um brinde: Um cartum de João Zero

Cora Coralina no coração do Brasil


No dia 29 de setembro começa uma exposição sobre Cora Coralina .
A mostra vai até o dia 13 de dezembro - das terças aos domingos , das 10 às 17 horas no Museu da Língua Portuguesa - Estação da Luz - sem número .
Talvez você encontre por lá o livro inédito dela intitulado "Doceira e Poeta"

24.9.09

micro teatro- ato único : Déjà vu


Uma mulher e um homem no palco - luz sobre eles, o resto é penumbra

Mulher - Como chegamos até aqui?

Homem - Pagando impostos, ora! Pelo menos é o que me parece.

Mulher - Já ouvi isto antes, não me lembro onde.

Homem- É uma falha de memória, sem dúvida.

Mulher- Conheço o senhor de algum lugar. É estranho, parece um déjà vu. A imagem que me vem à mente é a do senhor junto comigo num palco, sob luz de um refletor. Nesse momento eu pergunto como chegamos aqui e...

Homem- Decerto é um Déjà vu.
Mas nós não somos estranhos. Isto é, em essência.

Mulher- Como assim?

Homem- A senhora é uma mulher, eu sou um homem - isto é óbvio, mas o que importa é que conhecemos outras mulheres e outros homens no decorrer de nossas vidas e isso implica que conhecemos algo um do outro, sem no entanto, saber disso....Compreende agora?

Mulher- É uma filosofia meio barata, mas serve para passar o tempo. Muitas vezes creio que falamos para não perceber o tempo que passa, ou para suportar a angústia de que estamos sozinhos no mundo e sempre estaremos.

Homem- É, saberemos isso na hora da morte. Sempre morremos sozinhos. Woody Allen disse que não tem medo da morte, mas gostaria de não estar lá na hora que ela acontecesse. É uma boa piada, não concorda?

Mulher- Concordar hoje em dia não é tudo. Existem leis, regras, um sistema que funciona independente da nossa vontade. Como o senhor bem exemplicou a respeito do conhecimento entre homens e mulheres.

Homem- Agora é a senhora que filosofa, digamos, "baratamente".

Mulher- Melhor essa forma barata do que ser uma como George Samsa...

Homem- Agora a senhora está a exigir muito do público. De que ele conheça a obra Metamorfose de Franz Kafka!

Mulher- Desculpe, achei que esse personagem de Kafka fosse conhecido por todos...

Homem - Que nada! As pessoas não leem mais. Elas gostam de feiras de livros. A senhora não pode chegar assim e sem mais nem menos jogar Kafka na cara das pessoas.

Mulher- Pensei que este fosse um palco onde fosse possível um diálogo de idéias...

Homem- Não, na verdade isto é um ring e estamos travando um assalto. - (Ele soca a mulher, que cai desmaiada)

Diretor- Muito bem, mostraram as questões contemporâneas com bastante competência. Vamos começar de novo - agora trocando as falas, a mulher assume o papel do homem e o homem da mulher.
Esta inversão vai causar uma confusão saudável na cabeça do público.

Homem- Vai mostrar a instabilidade das coisas?

Diretor- Sim, agora só fale, não pense!

(Desce o pano)

Para você se programar: Rui de Carvalho no Sábado comemora 137 anos de Vila Isabel cantando Noel (até que rimou!)


No dia 26 de setembro às 20 horas (sábado), Rui de Carvalho, Zé Arnaldo Guima e o Grupo Samba na Cabeça, estarão cantando Noel Rosa, João Nogueira e outros bambas no Palco principal do Boulevard 28 de setembro (esquina com a rua visconde de Abaeté), com a participação da Escola Sindicato da Dança Vila Isabel. A classificação é livre . Mais informações no flyer acima.
Visite o www.myspace.com/ruidecarvalho e ouça Rui de Carvalho cantando o poeta da Vila.

Dica do Gerdal:Jorge Curuca mostra, nesta quinta, em Laranjeiras, o samba socialmente vigoroso do seu primeiro disco


"Por causa dela/eu acumulei função/de passista e de peão/mas fiz dela uma rainha/por causa dela/lustrei a penteadeira/onde arruma tão faceira/os frascos vazios de Avon/por causa dela/reformei toda a mobília/comprei um rádio de pilha/pra gente ouvir o Adelzon/eu e ela; Serrinha, Portela/almas gêmeas num desfile conjugal/eu num gongá esmeraldino/sigo a cor do meu destino/com a bênção da coroa imperial/e ela batizada de samba e de luz/no rio Ganges de Oswaldo Cruz/celestial." Esse samba, "Desfile Conjugal", com parceria de Jorge Presença (um nome muito considerado no partido-alto), é parte de uma obra que, só agora, após 40 anos de lida do compositor nessa atividade, chega ao disco por meio do CD independente "Raiz do Bem": a obra de Jorge Simão, o Jorge Curuca. Talvez nem seja, pelo curioso romantismo dos versos, o lado mais forte da sua memória autoral, pois Curuca herdou do pai, Miguel Simão, um operário comunista atuante na luta  partidária, o gosto pela mensagem sociopolítica enfaticamente expressa na música que faz e canta, como em "Miquimba", acerca da marginalização infanto-juvenil pelo narcotráfico e da banalização da morte nas favelas. Confrade e um dos responsáveis pela direção da Casa Lima Barreto - casalimabarreto.com -, ele é a atração de hoje, 24 de setembro, a partir das 21h, do Terapia Popular, no Severyna, em Laranjeiras. É do próprio Roberto Serrão, anfitrião e condutor desse projeto, o recado redirecionado abaixo.
         Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 
        PREZADOS AMIGOS,

Conto com suas presenças e/ou peço sua especial atenção e ajuda na divulgação do evento abaixo:
O cantor e compositor ROBERTO SERRÃO, durante o mes de setembro comemora 2 anos, no comando da sua tradicional roda de samba de raiz e chorinho, e, convida amigos, que, com certeza, irão fazer a chegada da primavera ainda mais agradável, pois, será recebida com talento e alegria, por dignos representantes do gênero, dando continuidade ao seu projeto TERAPIA POPULAR.


DIA 24/09 - JORGE CURUCA - O compositor, presidente da Confraria Casa Lima Barreto, lança o Cd - RAIZ DO BEM, (título da faixa que presta homenagem ao Mestre Monarco), com a participação de intérpretes do projeto, entre eles: CHAMON e Roberto Serrão.

O Grupo Cara da Gente será formado pelos músicos: AMENDOIM/SP - Cavaquinho; DIOGO CUNHA - Violão 7 Cordas; CIGANINHO - Percussão; ZÉ CARLOS - Percussão.

No repertório clássicos do choro e do samba, onde são lembrados compositores como: Cartola, João Nogueira, Paulo Vanzolini, Monsueto, Lupicínio Rodrigues, Paulinho da Viola, Silas de Oliveira, Monarco, Dona Ivone Lara, Nelson Cavaquinho, entre outros; as inéditas do seu CD - solo  - CARA DA GENTE, além de músicas de sua autoria gravadas por: Alcione, Martinho da Vila, Leci Brandão, Jorge Aragão, João Nogueira, Grupo Fundo de Quintal, entre outros.

Local: SEVERYNA DE LARANJEIRAS
Endereço: Rua Ipiranga, 54 - Laranjeiras
Dia/Horário:   TODA QUINTA-FEIRA - 21h
Couvert: R$10,00
Informações/Reservas: (21) 2556-9398
(NR- Na foto que ilustra este post aparecem Roberto Serrão e seu ilustre convidado Jorge Curuca)

Aviso aos Navegantes


Caos, caos! Na madrugada de hoje não consegui acesso , a internet ficou fora do ar aqui em casa e por este motivo não "postei" ( não gosto desta expressão , mas o que fazer), digo, não publiquei nada, Só agora de manhã, é que consegui o tal acesso. Estou portanto no grupo de acesso, nossa Escola vai começar a desfilar embaixo de chuva. E tome chuva! Segurem firme os adereços de mão! Cabrochas, o samba é no pé!

23.9.09

O Autor na Praça com o mineiro Mouzar Benedito, o muralista Eduardo Kobra e o ilustrador Ohi em Sampa no Sábado



Recebi por e-mail de Edson Lima, a notícia que meu amigo Mouzar e uma turma da pesada vão aprontar artes lá em Sampa. Segue abaixo o que vai acontecer neste próximo sábado.
O Autor na Praça com Mouzar Benedito, Ohi, Kobra e 20 anos do Museu da Voz
Continuando a comemoração dos dez anos no próximo sábado, dia 26 de setembro,  receberemos um dos fundadores do projeto, o jornalista e escritor Mouzar Benedito, autografando seu livro mais recente “João do Rio, 45” e outros títulos de sua autoria. O cartunista Ohi, também participa do evento, com seu livro “Roendo o osso. As máximas (e mínimas) do cachorrinho.” Ohi é co-autor (Ilustrador) do livro “Saci, o guardião da Floresta” junto com Mouzar Benedito. O Artista do Grafitti e Muralista Eduardo Kobra e sua equipe também participam do evento, O Studio Kobra presenteia o projeto pelos 10 anos, com um novo painel de cenário  de fundo da tenda do Espaço Plínio Marcos. Kobra também é considerado um dos fundadores do projeto e, junto com sua equipe vai finalizar (completar área em branco) o painel no muro da Associação dos Amigos da Praça, que reproduz uma caricatura de Paulo Caruso, entregue na ocasião dos 20 anos da Feira, em 2007. Caruso está preparando imagens de algumas pessoas importantes na história da Feira, que Kobra reproduzirá no Muro, é mais um presente deste artista para cidade. O cartunista Junior Lopes participa do evento realizando caricaturas. No mesmo dia também será comemorado os 20 anos do Museu da Voz, a Barraca foi inaugurada na Feira de Artes da Praça em junho de 1989. Os fundadores são Jorge Narciso Caleiro Filho e Luiz Ernesto Kawall. Na inauguração em 1989, estiverem presentes alguns amigos e personalidades como o jogador de futebol Leônidas da Silva e sua companheira Albertina, Carlito Maia, Padre Godinho, o radialista Tico-Tico, o artista plástico José Antonio da Silva e sua esposa Graciette, Julio Amaral de Oliveira (o “Julinho Boas maneiras”). O Jorge cuida da Banca na Feira e o Kawall criou a Vozoteca LEK, que reúne mais 4.000 vozes e funciona em seu apartamento na Praça. A comemoração começa às 11h na Barraca do Museu da Voz e no Espaço Plínio Marcos a partir das 14h, além da intervenção do artista Kobra e sua equipe no painel/muro da Associação, na Praça, nº 112. Para finalizar o dia de comemoração, haverá uma festa-show com músicas, leituras e performances no Espaço Cultural Alberico Rodrigues, a partir das 20h, na Praça Benedito Calixto, 159.
 
O Autor na Praça com Mouzar Benedito, Ohi, Kobra e 20 anos do Museu da Voz
Dia 26 de setembro, sábado, a partir das 14h. (Na Barraca do Museu da Voz começa as 11h)
Espaço Plínio Marcos - Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto - Pinheiros.
Informações: Edson Lima – 3739 0208 / 9586 5577 - edsonlima@oautornapraca.com.br  
Realização: Edson Lima e AAPBC – Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto.
Apoio: Gontof Comunicação, Max Design, Jornal da Praça, TV da PRAÇA, Pablo Orazi Webdesign, Restaurante Consulado Mineiro, Cantinho Português e Vozoteca LEK.
 
Sobre Mouzar Benedito, jornalista e geógrafo, é mineiro de Nova Resende. Quinto entre os dez filhos de um barbeiro e uma dona de casa ex-professora rural, nasceu em novembro de 1946. Foi engraxate, aprendiz de barbeiro e seleiro, caixeiro, caculista, técnico em contabilidade, pesquisador de cultura popular, tradutor de teatro e de livros etc. Trabalho ou colaborou com cerca de 30 jornais e trinta revistas. Participou da fundação dos jornais Versus e Em Tempo e colaborou em vários outros jornais alternativos. Tem 18 livros publicados e participou de três coletâneas. Casado com Célia Talavera, sem filhos, vive em São Paulo desde os 16 anos de idade.
Sobre o livro “João do Rio, 45”, romance folhetinesco de Mouzar Benedito, produzido com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo - Proac - Programa de Ação Cultural 2008. Tal qual um quebra-cabeça que se compõe à medida em que suas peças são colocadas, este livro se constrói de pequenas histórias, como bilhetes deixados na geladeira de uma república.  Aqui, vários amigos, tendo Valadares à frente, dividem o mesmo teto, algumas mulheres, problemas e sonhos em comum, formando um rico painel da Vila Madalena e do país nos anos que antecederam à redemocratização. É a época em que surge o PT, presos políticos são libertados, o Brasil joga, mas não ganha no futebol, os hippies envelheceram, mas um pouco de seu ideário resiste nas jovens cabeças revolucionárias. Valadares, jornalista de esquerda, bom bebedor de cachaça e militante por vocação, vive causos inusitados em companhia de seus companheiros e companheiras de militância, mesa de bar e farra. O dia-a-dia de uma típica casa da Vila Madalena vira cenário para situações burlescas neste folhetim bem humorado de Mouzar Benedito, autor que domina como poucos a arte de contar histórias curtas. Em João do Rio,45, essas histórias ganham vida pela narrativa de uma personagem inusitada: a própria casa, cujas paredes teimam em ouvir tudo o que fala e se cochicha. E ela tem cada história para contar...

Sobre Ohi – www.ohi.com.br - José Luiz Ohi é cartunista e ilustrador, começou na Revista Placar em meados da década de 70. Nestes tempos colaborou com vários jornais alternativos da época, entre eles o Movimento. Depois, na década seguinte passou a trabalhar com a equipe do Núcleo de Educação Popular 13 de Maio, colaborando com as antigas oposições sindicais e organizações populares. Mais recentemente ajudou a fundar a SOSACI (www.sosaci.org), Sociedade dos Observadores de Sacis. Uma ONC (Organização Não Capitalista), com o objetivo de resgatar alguns aspectos da cultura popular que estavam “esquecidos”, como a mitologia brasílica, por exemplo. Por conta destas atividades publicou dois livros: O Anuário do Saci (Editora Publisher), e Saci, o guardião da floresta (Editora Salesianas). E agora, acaba de lançar o livro “Roendo o osso. As máximas (e mínimas) do cachorrinho.” Uma coletânea de cartuns com o personagem do jornal Brasil Agora que circulou pelos anos 90. Os três livros em colaboração com o escritor e jornalista Mouzar Benedito. Atualmente colabora com as revistas Fórum, Revista do Brasil e A Rede.

Sobre Kobra: www.eduardokobra.com - É um expoente da neo-vanguarda paulista. Seu talento brota por volta de 1987, no bairro do Campo Limpo com o pixo e o graffiti, caros ao movimento Hip Hop, e se espalha pela cidade. Com os desdobramentos, que a arte urbana ganhou em São Paulo, ele derivou – com o Studio Kobra, criado nos anos 90 - para um muralismo original - inspirado em muitos artistas, especialmente os pintores mexicanos - beneficiando-se das características de artista experimentador, bom desenhista e hábil pintor realista. Suas criações são ricas em detalhes, que mesclam realidade e um certo “transformismo” grafiteiro. Kobra é autor do projeto “Muro das Memórias”, que busca transformar a paisagem urbana através da arte e resgatar a memória da cidade. Desde 2006 já foram entregues 19 murais, em avenidas e ruas de São Paulo, como a Paulista, a Morumbi, a Sumaré, a Belmiro Braga, Helio Pelegrino, Rangel Pestana e a Henrique Schaumann. Em janeiro de 2009, entregou para o aniversário de São Paulo um mural de 1000 metros quadrados na Av. 23 de Maio, que mostra cenas da década de 20. Paralelamente, Kobra desenvolve sua produção pessoal, que passa pela pesquisa de materiais reciclados e novas tecnologias, como a pintura em 3D sobre pavimentos (desenvolvida por nomes internacionais, como Julian Beever e Kurt Wenner), além de reciclar, recriar momentos e formatos das histórias da Arte e das cidades. Além do projeto “Muro das Memórias” e de vários outros grafites feitos em espaços da Cidade, Kobra já trabalhou para empresas como Playcenter, Beto Carrero World, Coca-Cola, Nestlé, Chevrolet, Ford, Roche, Johnnie Walker, Iodice e Carmim; e para as agências The Marketing Store, Diageo, Agnelo Pacheco, além de ter trabalhado com o arquiteto Sig Bergamin para a Lê Lis Blanc. Em alguns trabalhos conta com a parceria do arquiteto, urbanista e especialista em arte pública Márcio Rodrigues Luiz. Fundou em 95, o Studio Kobra, onde comanda uma equipe especializada em pintura de painéis artísticos. Eduardo Kobra tem sido muito procurado para decorar também para pintar muros e interiores de residências. Recentemente, participou da Casa Cor São Paulo 2009 em dois espaços. Fez na loja do MAM (Museu de Arte Moderna) um painel de 4,5 metros por 15 metros de altura, que ocupou o teto e a parede principal do local. O painel mostrou a fachada do MAM e seus vidros refletindo o Parque Ibirapuera, com suas esculturas, árvores e prédios. Durante a abertura da Casa Cor pintou um mini cooper dentro do espaço do arquiteto Toninho Noronha. Várias residências importantes da cidade trazem obras com a grife de Kobra. Segundo o artista, os temas são variados. Há desde pedidos para que a pintura remeta a uma cena da região de origem do estabelecimento a pedidos para que reproduza cenas do projeto “Muro das Memórias”. Kobra também tem realizado belos trabalhos em bares e restaurantes, como o sofisticado Trindade (onde, a convite do arquiteto Toninho Noronha, mostrou, sob uma lona de caminhão de 96m2 uma cena do bairro Lisboeta, em Portugal); o Bleecker St, onde pintou um mural de 10X4m, que traz uma cena do metrô de Nova York; o restaurante JK (5mX9m), onde há uma cena do Centro de São Paulo, no início do século (Largo do Tesouro, 1910); a tradicionalíssima Confeitaria Vera Cruz, onde pintou uma cena do Largo São Bento na década de 20; o Empório Santa Maria, na avenida Cidade Jardim, onde fez dois belos trabalhos: um no teto da área de presentes e o outro no restaurante japonês do local e a “Casa do Samba”, na Vila Olímpia, onde mostrou no Interior uma cena da Rocinha e, na fachada, caricaturas de sambistas famosos. Em outubro de 2008, fez na galeria Michelangelo, em São Paulo, a elogiada exposição “Lei da Cidade que Pinta”, onde placas, outdoors, luminosos e outros materiais de comunicação visual retirados pelos fiscais e funcionários da Prefeitura ressurgiram como suporte para as obras de arte. Em julho deste ano fez, também em São Paulo, na galeria Pró Arte, a exposição “Visitas”, sucesso de crítica e público. Em julho e agosto realizou algumas intervenções em 3D com o artista plástico Romero Brito, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Entusiasmado com o trabalho de Kobra, Brito anunciou para a imprensa que pretende levar Kobra para expor na Europa. O artista planeja agora uma viagem para Brasília, para preparar uma homenagem aos 50 anos da capital do País, além de realizar uma série de outras intervenções no Rio de Janeiro. Em novembro deste ano Kobra fará uma exposição na Galeria Romero Brito, em São Paulo e em dezembro participará com uma tela de uma exposição de artistas brasileiros no Museu do Louvre, em Paris. (Airton Gontow – Ass. Imprensa).

Sobre O Museu da Voz - é uma das barracas pioneiras da Feira de Artesanato, Lazer e Cultura da Praça Benedito Calixto, realizada, aos sábados. Foi inaugurada em junho de 1989, pelo administrador de empresas Jorge Narciso Caleiro Filho e o jornalista Luiz Ernesto Kawall. O Museu da Voz é especializado em Música Popular Brasileira e vozes célebres de personalidades. Paralelamente o Luiz Ernesto Kawall constituiu a Vozoteca Lek. No acervo com mais de 4.000 vozes, encontra-se depoimentos do pai da aviação Santos Dumont, do ex-presidente Juscelino Kubitschek, a poetisa Cora Coralina, o interntor americano Thoas Edison, a primeira-ministra indiana Indira Gandhi e uma pérola: a Atriz Marlene Dietricha cantando Luar do Sertão em Português, numa gravação de 1946, no Cassino da Urca, no Rio de Janeiro. A Vozoteca LEK pode ser visitada, mas é necessário agendar pelo Tel. 3062 0015, com o próprio Kawall. Saiba mais e ouça algumas das raridades.


Trecho de uma Crônica de Carlito Maia sobre a inauguração do Museu da Voz, publicada na imprensa em junho de 1989 e no livro “Vale o Escrito”, que reúne crônicas e histórias de Carlito:
 (...) Viva o Júlio (Júlio Amaral de Oliveira, o Julinho Boas-maneiras), com quem estive domingo passado, quando foi inaugurado o Museu da Voz (barraca 63 da Feira da Benedito Calixto). Parecia mais moço do que eu, além de muito mais elegante e charmoso. Lá estava também o maior craque de todos os tempos, isto é, dos tempos em que havia futebol, Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”. “Léo, meu ídolo, está enxutésimo, que inveja” Outra presença: padre Godinho, em ótima forma. E até o veterano repórter de tevê, “Tico-Tico”. Coroa tinindo nos cascos. Não envelhecem, continuam meninos. Mas eu voltarei a falar aqui do Museu da Voz, bela iniciativa do Luiz Ernesto Kawall, escoteiro sempre alerta, e do Jorge Narciso Caleiro Filho. Pinheiros é um bairro inteligente. (...)

Do fundo do baú: Ilustração automobile


(Clique na imagem para ampliar e ver melhor)

Mais um brinde: Um cartum de João Zero