15.8.10

Gerdal Indica: Alberto Rosenblit apresenta seu novo CD neste domingo em show no Teatro Café Pequeno - a inspiração de bem com a canção


Ouvindo um dos audiocassetes que Alberto Rosenblit (foto acima) fazia em casa e distribuía por aí, o músico Roger Henri, por causa do que lhe caiu nas mãos, chamou-o para trabalhar na TV Globo na composição de vinhetas. Foi o "abre-te sésamo" de cobiçada porta profissional para esse talentoso pianista, flautista, compositor e arranjador, também formado em engenharia pela PUC, que, passando ainda por uma etapa na emissora como assistente de Wagner Tiso nas minisséries "Meu Marido" e "O Sorriso do Lagarto", tornar-se-ia um dos mais laboriosos produtores musicais do país, atividade, de fato, iniciada - com trabalho todo próprio - na extinta TV Manchete, em "Floradas na Serra", baseada em clássico de Dinah Silveira de Queiroz. Até o convite do produtor niteroiense Roger Henri, em fins dos anos 80, Alberto já se fizera conhecido como músico acompanhante e diretor musical de Simone, Nara Leão, Joanna e Sá e Guarabyra, entre outros, e, em "rewind" ainda mais avançado, por sua participação em festivais estudantis e em grupos, como a Banda de Lá e o Desbundeto, logo rebatizado de Céu da Boca. Nessa ocasião, conheceu o igualmente talentoso Mario Adnet, cuja centelha autoral o fascinava, e, com a amizade e a afinidade melódico-harmônica, surgiu o primeiro disco de ambos (foto de capa abaixo), um dos melhores instrumentais de 1979 para a crítica especializada. Na TV Globo, a lida marcante de Alberto está presente, especialmente, entre tantas demandas consumadas, na abertura do "Você Decide", no tema do programa de Jô Soares, gravado com metais em estúdio, e, quanto a minisséries, inteiramente autorais, nas trilhas de "Incidente em Antares", com base em romance de Érico Veríssimo, e "Presença de Anita", com base em outro romance, escrito por Mário Donato.
        Alberto Rosenblit é filho da pianista Clara Rosenblit e, com ela, teve a sua primeira instrução musical, seguida de aulas com vários professores de nomeada, entre os quais Wilma Graça, Esther Scliar, Odette Ernest Dias, Ian Guest e Mário Tavares (este ministrando aulas de arranjo durante curso de verão em Teresópolis, na Pró-Arte). Como desdobramento natural da sua obra na tevê vestindo imagens com temas apropriados, à luz do, não raro, "lusco-fusco" da orientação de um diretor de novela, por exemplo, ele, em 2001, lançou um magnífico CD, "Trilhas Brasileiras", esteticamente delicado, autorreferenciado e sinfônico, com estro repousado em cama instrumental "king size" de grande orquestra, no qual se destacam temas seus, como "Vargem Grande" (para a Mata Atlântica, "uma paixão"); "Na Rua Sol Maior" (para Wilma Graça); "Os Meninos" (para os filhos); "Happy End" (tributo ao cinema, "outra paixão"); "Domingo" (para a mãe); "Gershwiniana" (para o amigo e excepcional trombonista Vittor Santos, produtor artístico do CD); e o jobiniano "De Bem com a Vida" (belíssimo e modestamente dedicado a si mesmo, em faixa de abertura com título sacado pela esposa, a quem dedicou "Blue Window").
        Neste domingo, 15 de agosto, no Teatro Municipal Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva, 269 - Leblon - tel.: 2294-4480), às 18h, o amigo Rosenblit, um rematado boa-praça, faz show que dá destaque ao recém-lançado "De Bem com a Vida" (pegando carona no anterior, agora com letra), que conta, entre outras, com parcerias de Costa Netto, Joyce, Luiz Fernando Gonçalves e Paulinho Tapajós) e com a voz de Ivan Lins, Leila Pinheiro, Lenine, Zélia Duncan e Mônica Vasconcelos, por exemplo. O show de hoje ("flyer" acima), como o de ontem, é abrilhantando pela participação especial de Marianna Leporace e Cláudio Nucci. Um disco recomendado, sobretudo, para quem, musicalmente, tem vida própria - isto é, autonomia de gosto - e está de bem com a própria vida. 
       

Flagras Literários

14.8.10

Gerdal indica: (dá tempo ainda): Bandeira Brasil reedita seu pagode de sucesso em Botafogo, a partir deste sábado, e chama pra roda Noca da Portela




 
Compositor surgido, como outros, da sombra de famosa tamarineira, na quadra do Cacique de Ramos, para o reconhecimento popular, Alcemir Gomes Bastos, o Bandeira Brasil (foto acima), inicia neste sábado, 14 de agosto, no Boteco Fala Sério (Rua Arnaldo Quintela, 87 - Botafogo - tel.: 2541-2442), das 12h às 20h, o Pagode do Bandeira, reeditando aquela série de rodas de samba que também comandava e ocorria, na década de 80, no mesmo bairro, ao lado do Canecão. Gravado com sucesso por Zeca Pagodinho e Beth Carvalho, o batalhador Bandeira também se destaca como um empreendedor pela valorização da cultura popular, em particular o chamado samba de raiz, por, ainda, outras iniciativas de relevo, como o Bonde do Samba, nesta com batucada itinerante no tradicional meio de transporte que liga o Centro do Rio às elevações de Santa Teresa, animação que tem continuidade no Largo das Neves.              
         Bandeira é parceiro de craques como Nelson Cavaquinho, Geraldo Babão, Delcio Carvalho, Arlindo Cruz, Wilson Moreira e Monarco, por exemplo, tem ótimo CD já lançado, "A Cor do Samba", e o seu pagode de agora ("espaço democrático em que os compositores da minha geração e os mais novos podem mostrar suas obras", como afirma), regularmente, além do sábado, será realizado na sexta, tendo o magnífico violão de João de Aquino como atração no próximo dia 20 no Fala Sério, quando a boa música instrumental também marcará presença, incluindo o choro. Acompanhado pelo conjunto Palpite Feliz, Bandeira lembra hoje sambas seus, como "Tamarineira", feito com Zeca Pagodinho e gravado por este, e, depois, Noca da Portela, convidado especial, canta sucessos da sua fieira autoral, como o belíssimo "Vendaval da Vida" ("Vou sorrindo/pelo meu interior, chorando..."), da parceria com Delcio Carvalho e de memorável gravação por Aroldo Santos. Aos comensais, além de itens costumeiros da gastronomia de boteco, um apetitoso cozido consta entre os pratos do dia.
         ***
Pós-escrito: nas fotos acima, Bandeira Brasil aparece ao lado de Beto sem Braço (também parceiro dele), já falecido e um dos autores (com Aluízio Machado) de "Bumbum-paticumbum-prugurundum", samba-enredo do campeonato do Império Serrano conquistado na passarela em 1982, e de Paulo Sete-Cordas (com barba), violonista, arranjador e produtor, nome de proa na atualidade fonográfica do samba.

Companhia Estadual de Jazz no Bar Horse's Neck neste sábado



A CEJ, Companhia Estadual de Jazz se apresenta neste sábado, dia 14, às 21 horas no Bar Horse's Neck (Hotel Sofitel).

A Companhia Estadual de Jazz (CEJ) é um quarteto que toca samba-jazz e que às vezes também atende pelo apelido de "Samba-Jazzificator System" . O grupo conta com a seguinte escalação:  Sergio Fayne no piano, Fernando Clark na guitarra, Chico Pessanha na bateria e Reinaldo no contrabaixo. Esta formação tem um repertório basicamente brasileiro (que até pode incluir algo de John Coltrane, mas desde que tenha um jeitão de João Donato).
Serviço:
Bar Horse's Neck - Av. Atlântica , 4240 - Hotel Sofitel .
Sábado 14 de agosto - 21h. - R$20,00.
Tel: 2525-1206

NR: foto de Alvaro Riveros

Micro Teatro : interpretação 1



Uma mulher e um homem no palco - luz sobre eles, o resto é penumbra

Mulher (no chão , caracterizada como mendiga, com um cobertor cinza sobre os ombros)
- Como chegamos até aqui?

Homem - Pagando impostos, ora! Pelo menos é o que me parece.

Mulher- Eu não paguei nada, não tenho um tostão furado. He He He...

Homem- A senhora é um exemplo de que a sociedade capitalista não deu certo.

Mulher- O senhor tem razão, me dá um dinheiro para eu comprar um pão?

Homem- Não, a senhora vai comprar bebida, solvente, crack, essas drogas de pobre!

Mulher- Não, meu senhor, eu falo sério, estou com fome, meu estômago ronca, parece uma cuíca, he he he...

Homem- Desculpe , mas é contra os meus princípios dar esmolas.

Mulher- Não é esmola, é um empréstimo...não é assim o ditado: - quem dá aos pobres, empresta a Deus?

Homem- Sou ateu!

Mulher- O que é ser ateu?

Homem- É não acreditar em Deus.

Mulher- Xi, é ruim, hein! Desse mato não sai cachorro. Mas pense uma coisa, o senhor não dá esmolas pois pensa que sou mendiga, porque pensa que sou marginal, que vou me drogar...mas se eu disser que sou ...bem, deixe para lá...

Homem- (mostrando algum interesse) - Agora fiquei curioso, conte sua história...

Mulher- Não, o senhor não compreenderia. Está frio, pelo menos conte o senhor, uma história para que eu possa dormir...faz muito tempo eu tive uma mãe que me contava histórias para dormir...

Homem- Era uma vez ...em algum rincão do universo cintilante que se derrama em um sem número de sistemas solares, havia um astro, em que animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi um minuto soberboe mais mentiroso da "história universal": mas também foi somente um minuto. Passados poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer..."

Mulher- Mas isso é Nietzsche, "Sobre a verdade e a mentira no sentido extra-moral" de 1873!

Homem- Como ousa, a senhora, uma maltrapilha, uma pedinte entender de Nietzsche?

Mulher- A ficção me permite isso. Sou agora uma maltrapilha, ontem fui uma doutoranda, amanhã serei a morta que ressuscitou. Vivo como o "Vigarista" de Melville...(digo The confidence-man)...

Homem- Tome o dinheiro!

Mulher- O que? Está me dando uma esmola?

Homem- Não, estou pagando o ingresso.


( Fecha o pano - Na platéia ouvem-se aplausos e vaias!)

Ao abrir o pano para os agradecimentos, a mulher vem vestida de homem e o homem vestido de mulher- mendiga

13.8.10

Gerdal Indica: Rosana Sabença e seu balanço diferente, nesta sexta, em show na Casa Julieta de Serpa - um outro Tom em Jobim


Cantora de excelente CD, "MPBossa", produzido pelo saudoso violonista e compositor Durval Ferreira, Rosana Sabença não é uma intérprete comum de bossa nova, muito menos mais uma a fazer número no gênero ou gênero no número musical. Em suas apresentações, avulta o "feeling" com que se lança ao exercício da canção, "body and soul" voltados à essência do suingue e da cadência da bossa. O amor, o sorriso e a flor expressos com vigor, da boca pra fora. 
           Desse modo, quem for ao show que essa canceriana de fibra e excepcional cantora, acompanhada pelo trio do amigo e grande pianista Paulo Midosi (mais Chumbinho Lima, ao baixo, e Rubinho, à bateria), fará nesta sexta-feira, 13 de agosto, no J. Club da Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa ("flyer" acima), no Flamengo, às 22h, terá chance de ouvir uma interpretação personalíssima e diferente da música de Antonio Carlos Jobim, o que não é fácil por ser ele um compositor superrevisitado. Cálida e rica em nuances, uma voz que o revela em fotografia de alta definição, em tom maior.
           Rosana, que também é compositora de valor, já encantou o público de diversas casas de prestígio da noite carioca, sendo admirada por músicos de primeira grandeza, como o ribeirão-pretano Filó Machado (no www.myspace.com/rosanasabenca). Com ela, abaixo, podem-se ouvir "Blues Verde-Amarelo", de Erineu Maranesi (pianista e cantor paulista nascido em São Bernardo do Campo); "Você", de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli; e, num "medley", os clássicos "Só Danço Samba", de Tom e Vinicius, "Risoleta", do também saudoso e esquecido ritmista Raul Marques e Moacyr Bernardino, e "Estamos Aí", de Durval Ferreira, Maurício Einhorn e Regina Werneck.      
             ***

     http://www.youtube.com/watch?v=i373DLBkVNk
 
     http://www.youtube.com/watch?v=2boh5hzwyr8

 
     http://www.youtube.com/watch?v=PCjtWZB4ymk&NR=1

Flagras Literários

Gerdal indica: Ceumar faz show único, nesta sexta, na Sala Funarte, do qual Jussara Silveira é convidada especial



Nascida em uma cidade rodeada de cachoeiras, muito aprazível, no sul de Minas, a cantora Ceumar (foto acima) colheu na sua pequenina Itanhandu (do tupi: "ita", pedra; "nhandu", corredeira, ema ou aranha), na Serra da Mantiqueira, o primeiro destaque musical como artista ao ganhar o prêmio de melhor intérprete em festival local, aos 16 anos. Todavia, foi em outro festival, anos depois, o de Avaré, no interior paulista, que, apenas como finalista, por iniciativa de um produtor integrante do júri, da Rádio Musical FM, chegou ao sucesso na cena alternativa. O CD dessa edição do festival, já na capital paulista,.passou a ser tocado por causa de "Dindinha", de Zeca Baleiro, defendida por Ceumar - no primeiro dos "links" abaixo; o segundo é´"Seu Olhar", de Paulo Tatit e Arnaldo Antunes -, canção que, pouco depois, batizou o primeiro disco de carreira da cantora que, mesmo sem badalação na mídia, tem público cativo em várias cidades do país. Morando há um ano em Amsterdã e casada com um saxofonista e produtor holandês, Ben Mendes, ela, após passar por São Luís e Recife, faz show único nesta sexta-feira, 13 de agosto, na Sala Funarte Sidney Miller (Rua da Imprensa, 16 - tel.: 2279-8065), às 19h. Como convidada especial, lá vem a "baiana" Jussara Silveira (foto acima), criada em Salvador, mas mineira de Nanuque e minha admirável "vizinha do lado" (por ser ótima cantora e morar perto, bem entendido), aqui em Laranjeiras, no Rio, a qual pode ser apreciada no recente e elogiado "Três Meninas do Brasil", juntamente com a carioca Teresa Cristina e a maranhense Rita Ribeiro, um DVD decorrente de show bem-sucedido com produção e direção musical de Jaime Alem. No terceiro "link", nós a vemos, em imagem de 1998, cantando de Dorival Caymmi uma das pérolas já sugeridas neste texto..   
      Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica. 
      Um abraço,
 
      Gerdal         
         
http://www.youtube.com/watch?v=xgKRbOuCgbI
 
http://www.youtube.com/watch?v=tYTP1JJqwkA&NR=1

http://www.youtube.com/watch?v=y9QycfG8dUc&feature=related

12.8.10

Gerdal indica: Du Basconça mostra sua boa música, nesta quinta-feira, em show no Espaço Cultural Maurice Valansi - há Bangu em Botafogo


Repasso, em linhas seguintes, o recado do amigo Rodrigo Moreira, um carioca de Bangu e autor de importante biografia do compositor capixaba Sérgio Sampaio. No palco, no entanto, Rodrigo, também violonista e compositor, torna-se o Du Basconça e, com essa curiosa identidade artística, "bota o seu bloco na rua", mostrando um bom trabalho musical hoje, 12 de agosto, no Espaço Cultural Maurice Valansi ("flyer" acima), uma casa em Botafogo que sempre dá acolhida a bons artistas e bons shows.
       ***
 
     Dando sequência ao trabalho de divulgação do cd "Ah, Bangu...", vou me apresentar junto com meu pessoal no Espaço Cultural Maurice Valansi, nesta quinta, 12/8, às 20:30 hs. No repertório, material autoral intercalado com arranjos nossos para músicas que citam bairros do Rio, como "Dodói" (Baleiro), "Meu barracão" (Noel) e o clássico "Gente humilde". Também apresentamos alguns instrumentais, como um raro baião de Jobim, "Deus e o diabo na terra do sol", e uma releitura nossa em samba-jazz para o standard "Django" (do pianista John Lewis).  Abaixo, um clipe para nossa versão de "Gente humilde".
 
 
http://www.youtube.com/watch?v=mNnpqVF3BgA

("Gente Humilde", com Du Basconça e conjunto)

Esse time do Palmeiras vai longe


Esse time vai longe mesmo.Vai ficar longe dos primeiros lugares na Copa Sul-Americana, na Libertadores e no Brasileirão. Esse time esculacha qualquer técnico. Ô fase! Ô pesadelo! Já passaram pelo Palestra, o Luxemburgo, o Muricy e agora o Felipão - e nenhum deles conseguiu fazer o conjunto de jogadores que formaram tocar a bola de maneira, vamos dizer, futebolística. Errar mais de 60 passes, (pela contagem do comentarista Neto da TV Bandeirantes até o momento em que mudei de canal no jogo no qual o Palmeiras perdeu de 2 a 0 para o Vitória) é brincadeira! Acho que até minha saudosa nonna erraria menos.
Caros amigos palestrinos e amantes do futebol, o passe é a coisa mais básica da profissão de jogador de futebol. Se os caras não conseguem acertar nem isso, é sinal que precisam tomar um "passe" de um pai de santo, tirar o "mau-olhado", a "a praga", lá sei eu que assombração ronda os jogadores que envergam a camisa alvi-verde. Sei que errar o gol é natural, bola na trave acontece (eu já disse em outra ocasião que deveria valer meio gol). Mas quase não chutar para o gol, é uma coisa muito estranha, num jogo, no qual o objetivo é colocar a bola no barbante. Durante a maior parte do jogo, o goleiro do Vitória até poderia tirar uma soneca, ou assistir a vitória do Internacional contra o Chivas lá em Guadalajara (que estava passando na Globo) que não faria diferença.
Meu caro Felipão, acho que está na hora de arregaçar as mangas e voltar ao beabá com esse pessoal. Esquecer os campeonatos e os torneios. Imagine que tudo, de agora em diante, vai ser um imenso treino - daqui um par de anos, acho que vai se ter um time bem treinado, para poder disputar alguma coisa. Eu prometo que volto a ligar a TV, para ver um jogo do Palestra só quando Tico falar com Teco. Vocês conseguiram fundir a minha cuca. Até breve, Palmeiras, boa sorte para vocês. Estarei orando para São Brandão - padroeiro dos técnicos.

Programe-se: Noel, o menino da Vila vem em livro e em show


O livro Noel, O menino da Vila de Clóvis Bulcão e Márcia Bulcão , com desenhos lindos de Iara Teixeira, vai ser lançado no Teatro Tablado, no dia 21 de agosto,(sábado) às 18 horas. (veja flyer acima)
Márcia Bulcão, que já participou da primeira formação da Blitz, vai cantar junto com Djambo Trio, a partir das 15,30 horas
Todos lá!

11.8.10

Gerdal indica:Galo Preto faz show pelos seus 35 anos de carreira, nesta quarta, no Cariocando: ele é o choro, ele é o rei do terreiro


"Eu sou o choro, a voz do choro sou eu mesmo, sim, senhor..." Assim, sem falsa modéstia, parafraseando Zé Kéti na clássica autoexaltação do samba, o Galo Preto (foto acima) poderia gabar-se da posição de supremacia que ocupa no tradicional e hospitaleiro quintal do choro, sendo referência para tantos conjuntos, congêneres especialmente, surgidos nos últimos 35 anos. Essa, aliás, a idade desse "galo de rinha", como já observou o letrista Aldir Blanc, espantado, certa feita, com a valentia demonstrada, ao longo dessa trajetória, ante "tanta raposa entrando e saindo feito cometa do galinheiro, afanando as galinhas que, em última análise, são a razão de ser do canto dele". Uma disposição notável, portanto, que, mesmo em face dos diversos embaraços encontrados para a atuação do músico no país, estampa-se na longevidade musical do conjunto, formado inicialmente por ex-peladeiros com proximidade domiciliar uns dos outros, que se reuniam, após o futebol, na casa do violonista Raul Machado, pai de um deles, Afonso Machado, onde começaram a lidar com música. O interesse pelo choro adveio, em 1973, após verem o Época de Ouro, Copinha, Paulinho da Viola e Elton Medeiros no show "Sarau", o que se fortaleceu quando conheceram o compositor e violonista Claudionor Cruz - recém-homenageado em CD pelo Terno Carioca -, que lhes forneceu régua e compasso, como noções iniciais de arranjo, para o noviciado profissional.  
        Formado atualmente por Afonso Machado (bandolim e arranjos), Alexandre Paiva (cavaquinho), Alexandre de la Peña (sete-cordas), José Maria Braga (flauta), Bartolomeu Wiese (violão) e Diego Zangado (percussão), o Galo Preto pode ser visto nos "links" abaixo tocando dois dos mais inspirados, entre tantos, momentos de Paulinho da Viola: "Tudo Se Transformou" e "Só o Tempo", em sequência. Do consagrado sambista, o conjunto pinçou-lhe a essência chorona da sua formação - filho que é do saudoso César Faria, violonista do citado grupo de Jacob do Bandolim - para homenageá-lo - como faria depois com Cartola e Nelson Cavaquinho - num magnífico disco, de 1994, em que, entre as composições de Paulinho, se inseriu um mimo autoral deste para a ocasião, o "Maxixe do Galo". "Galo grisalho", torna Aldir à sua observação, "que continua cantando de teimoso, tinhoso, com os pés fincados no subúrbio feito um galo de cata-vento, rindo das aves de arribação". Galo não só da "resistência", mas também da inovação e do exemplo para jovens instrumentistas seduzidos pelo fascínio atemporal do choro. O rei do terreiro nessa seara da MPB.
        ***
 
A tempo: 1) o Galo Preto apresenta-se hoje, 11 de agosto, e nas próximas quartas-feiras deste mês, às 20h, no bar e restaurante Cariocando, situado na Rua Silveira Martins, 139 - Catete - tel.: 2557-3646;
              2) uma boa notícia para os amantes do choro, na esteira da comemoração dos 35 anos do conjunto, é o documentário que será feito ainda este ano, sobre toda a sua trajetória artística, pelo cineasta Elano Baptista.                  
                       
http://www.youtube.com/watch?v=ZTRYk5sL82Y
 
       
http://www.youtube.com/watch?v=IPaPZ3_oYGU&NR=1
 
       
http://www.myspace.com/conjuntogalopreto

Flagras Literários

Programe-se: Samba na Cabeça e Rui de Carvalho voltam com tudo


O Samba na Cabeça e meu amigo Rui de Carvalho voltam a tocar um belo repertório de choros e sambas clássicos neste sábado, dia 14 de agosto, a partir das 22h, no Memórias do Rio, que fica na rua Gomes Freire, 289, quase na esquina com rua do Senado.
Esse show que vai rolar será gravado para um DVD do grupo que será lançado brevemente.
É isso aí! Todo mundo lá.
***
http://www.youtube.com/user/ruidecarvalho2#p/f

10.8.10

Reboliço no meu bairro


Num lamento anterior - quase croniqueta - eu mostrava minha tristeza ao saber que a lojinha que revelava filmes aqui na minha rua estava se transformando (a obra ainda não terminou) numa casa de sucos. Mas o negócio não parou aí, agora se trata de remoção de pessoa, logo em seguida fiquei sabendo que o senhor H. tinha vendido sua lanchonete - que continuou no ramo de lanches. Bem que eu já tinha percebido algumas alterações no panorama do estabelecimento, além da ausência do dono e a troca de uns funcionários que atendiam no balcão - a presença de uns bancos modernos deu na vista. Os fregueses, agora não precisam mais tomar o seu suco, ou cervejinha em pé. Apesar de conhecer o sr. H há mais de 30 anos, eu não era propriamente amigo dele, mas sempre trocava uma palavrinha com sua figura pitoresca, quando lá tomava meu café com leite e mastigava meu pão na chapa mergulhado na manteiga de latão. O sr. H tinha uma característica que era engraçada, sempre me oferecia um bolinho de bacalhau que acabara de sair da panela e não gostava de trocar dinheiro.
- Sr. H, podia me trocar esses 20 reais em duas de 10? Ele respondia:- Não mô filho, não tenho troco. Mas se você chegava lá e pedia duas balas de coco, ele trocava. Deixa pra lá, cada um com suas implicâncias! Mas, a gente sempre dava um desconto para ele que era uma espécie de patrimônio do bairro, boa gente, sempre sorrindo...E a modernidade continuou com seu rolo compressor a liquidar a tradição do bairro do meu coração, botando abaixo também a lojinha de doces - parada obrigatória, quando minha filha era uma garotinha-formiga e me obrigava a deixar alguns trocados lá, enquanto saboreava um brigadeiro, um quindim ou um "olho de sogra". Sinceramente não sei o que vai ficar no seu lugar, nem sei se é reforma, ou mudou de ramo. De repente estou aqui a dizer asneiras. Outra loja que também está em obras, é uma que vendia todo tipo de doces industrializados - pelo que vi no meio da poeira, não sobrou nem Cosme nem Damião. Também não sei se é reforma, dificilmente é.
Eu devia ter percebido os sinais da mudança quando uma padaria e um bar viraram bancos , faz uns dois anos, e aí a coisa parou. Mas agora o reboliço veio para valer e o comércio do bairro muda sua feição, o que quer dizer que sua memória vai para o brejo. Desculpe a nostalgia, é que acredito que esse pequeno comércio e mesmo pessoas que desaparecem, também estão na esfera da cultura - criam uma uma certa identidade, que vai sendo transformada por novidades que não sei se a outra face é, digamos, uma certa decadência. Nós que não temos lá muita tradição...Por outro lado, ao encarar esse movimento como uma perda, pode significar que estamos ficando velhos e que o negócio é ir para a frente, que atrás vem gente. Isso não impede de eu continuar achando que quando fecha uma lojinha, em qualquer lugar do mundo, a humanidade perde algo significativo se não se der conta. Isso dá um pano pra manga!

Gerdal indica: Clara Moreno lança CD nesta terça-feira no Ouro Verde Café - a morena bossa-nova agita a pista do sambalanço



"Morena bossa-nova aterrissou no baile/saltou de paraquedas/caiu no hully-gully/voou numa asa-delta/até pousar em Bali/subiu na passarela/e agora só dá ela no Rio..."
 

                        ***
 Há alguns anos, curti bastante essa gravação (dos versos acima) que Clara Moreno fez de "Morena Bossa-Nova",em que a autora, Joyce, reconfigura a famosa mulata da marcha de João Roberto Kelly (inspirado no passo e na beleza de ex-miss Renascença e Guanabara, Vera Lúcia Couto, a primeira negra a ganhar título de beleza no país) e a translada do carnaval de 1965 para a folia multicultural dos tempos pós-modernos. Clara, aliás, é filha de Joyce e Nelson Angelo, ambos talentosos, e da mãe, de herança artística, traz consigo, naturalmente, um fraco pela canção suingada que é forte aptidão e apelo de um sentido musical de aplauso e qualidade. Uma faixa especial, a dessa morena bossa-nova que dá título a CD de bossa eletrônica benfeito e bem produzido, resumidora de uma cadência dançante, envolvente, ainda mais tchã e mais solta agora na pista redescoberta do samba de balanço. "Miss Balanço"
é o interessante CD recém-lançado de Clara, que ela divulga nesta terça-feira, 10 de agosto, às 21h, no Ouro Verde Café ("flyer" acima), em Copacabana, cantando, muito à vontade, joias relapidadas dessa ourivesaria rítmica,como "Balanço Zona Sul", de Tito Madi, "Tamanco no Samba", de Orlandivo e Hélton Menezes, "Pourquoi" ("Nega sem Sandália"),de Jadir de Castro e Caco Velho, e "Deixa a Nega Gingar", de Luiz Cláudio.
                         ***    
 
                   A tempo: 1) o sambalanço também é praia enluarada de João Roberto Kelly, que, em breve, ao piano, poderá ser visto no cinema pelos simpatizantes do gênero. Trata-se de 'No Balanço de Kelly", documentário com direção de André Weller, também pianista, ex-integrante do conjunto Família Roitman e já conhecido nas nossas salas de projeção pelo anterior "No tempo de Miltinho";
2) Clara Moreno canta, no "link" abaixo, "Mais Valia Não Chorar", de Normando Santos e Ronaldo Bôscoli,com imagens feitas em estúdio.   
                                                                         
http://www.youtube.com/watch?v=mLaacuRc1GQ&feature=related
NR: O Ouro Verde Café fica na Avenida Atlântica, 1456 - Copacabana - Faça reservas pelo telefone discando 2275-4814 - Abertura da casa é às 20 horas
(Clique no flyer para ampliar e ler melhor)
 

Flagras literários

Programe-se: Moacir Bedê e Grupo se apresentam em Sampa


Recebi por e-mail do meu amigo Emiliano Castro, o convite para o show de Moacir Bedê e seu Grupo que apresentam música instrumental nordestina da melhor qualidade.
O Grupo é composto por:Moacir Bedê . compositor e multinstrumentista
Emiliano Castro . violão de 7 cordas e viola caipira
Peter Mesquita . contrabaixo
Rafael Mota Ceará . percuteria
O show vai rolar em Sampa, no Bar Kabul, na rua Pedro Taques, 124 - entre Bela Cintra e Consolação - para quem não têm paura, fica próximo ao cemitério. Para os que têm medo, o bacana é que podem já chegar ao show de cabelos em pé - menos os carecas, é claro!
Para evitar estas gracinhas e ter maiores informações clique no flyer acima.

Programe-se: Memórias de um tempo insano


Na série de palestras "Pensar Imprensa" que rola na Casa de Rui Barbosa, agora é hora das memórias do jornalista Francisco José Guimarães Padilha que foi testemunha dos principais fatos de um tempo que ele classificou como insano - os idos dos anos 50 quando foi repórter de destaque do jornal "A Tribuna da Imprensa". Padilha acabou de lançar um livro fundamental para a recuparação da memória daquela época: "Lacerda na era da insanidade". Vale a pena conferir sua palestra. Vai ser na quinta-feira, dia 12 de agosto, às 14.30h.(Clique no flyer acima para ampliar e ter maiores informações)

Homenagem do Gerdal: Hianto de Almeida: recordação de um lorde potiguar que também teve a sua influência na bossa nova


 
"Escute, vou dizer/como é que foi que aconteceu/eu fui ao prado para ver meu bem correr/meu bem largou de ponta/e já na curva do hospital/livrou dez corpos de vantagem/que legal!..."
 
Listado como um dos precursores da bossa nova, apesar de, como tal, menos citado do que deveria - também pelo conjunto da obra -, o "lorde" Hianto de Almeida (foto acima) - como seus colegas de balanço o chamavam, porque de fina estampa, elegante e educado - é desses nomes, como os coetâneos Antonio Maria e Dolores Duran, de curta, porém intensa e substancial passagem pela MPB. Nascido em Macau, onde também nasceu Gílson (coautor com Joran do sucesso "Casinha Branca"), Hianto começou cedo a estudar piano e, com apenas 9 anos, já esboçava as primeiras composições, mudando-se com a família para Natal, no mesmo Rio Grande do Norte, onde foi cantor da Rádio Educadora e aluno de um renomado professor local, Clementino Câmara, autor de "Geringonça do Nordeste", um dicionário de regionalismos censurado pelo Estado Novo de Getúlio Vargas. Chegando ao Rio em 1952, com 29 anos de idade, empregou-se na Companhia Comércio e Navegação, concluiu o curso de técnico em contabilidade e, no âmbito musical, foi gravado, ainda em 1952, por Vera Lúcia ("Amei Demais", composta com o irmão Haroldo de Almeida) - a primeira, entre os cantores, a levá-lo ao disco -, João Gilberto ("Meia Luz", em parceria com João Luiz) e Dalva de Oliveira ("Encontrei Afinal", também com o irmão mencionado). Elizeth Cardoso, Maysa, Dircinha Batista, Cyro Monteiro, Dora Lopes e Carlos Henrique (que, também surgido nos anos 50, trocaria o canto pela locução comercial, sendo por muitos anos exclusivo do supermercado Sendas) figuram entre os vários intérpretes de suas canções com vários parceiros, como Evaldo Rui (também morto prematuramente, por suicídio, em 1954), na "Marcha do Tambor" (ainda com Jurandir Prates na parceria: aquela do refrão "tão pequenino com um tambor tão grande") - sucesso de Marlene ainda em 1954; o publicitário Édson Borges, em "Amor de Mentira", por Elza Soares, em 1960; e o folclorista natalense Veríssimo de Melo, este na curiosa toada "Caju Nasceu pra Cachaça" ("caju nasceu pra cachaça/pirão pro peixe nasceu/mulher nasceu pro amor/e, se é bom, do amor também nasci eu..."), entoada por Cauby Peixoto em disco de 1956. 
       Segundo Chico Anysio, em entrevista à revista "Playboy", em 1987, uma música de Hianto de Almeida com letra sua, "Conversa de Sofá", possibilitou a Antonio Carlos Jobim o primeiro dos arranjos que assinou na vida artística, uma prestação de serviço, por assim escrever, que, ainda nesse período, em 1955, Tom exercitaria, mais uma vez, em disco que o próprio Hianto gravou como cantor. Foi esse potiguar, aliás, quem fez do humorista cearense o seu principal letrista, em grande número de registros no vinil - um deles, curiosamente, o fox "Cinema Bossa Nova", de 1955, pelo referido Carlos Henrique -, atividade que outro nome egresso do radioteatro, Macedo Neto (dos versos da epígrafe, no jocoso "Casa de Turfista, Cavalo de Pau", samba que Elza Soares gravou em 1960) seguiu de perto quanto à constância na parceria.. Além do pioneirismo, como autor, na discografia de João Gilberto, com a já lembrada pré-bossa "Meia Luz", Hianto, que virou nome de teatro em Macau e de rua em Natal, também chegou em primeiro na discografia de Nana Caymmi, em 1960, quando ela gravou "Nossos Beijos" (uma dessas tantas com Macedo Neto) num 78 rpm que teve "Adeus", do pai genial, no outro lado da bolacha. No mesmo ano, a meiga Elizeth traria vida, com sua voz, a "Sincopado Triste" (também da lavra com Macedo Neto), ainda mais triste, entretanto, com a morte de Hianto em 1964, na capital norte-rio-grandense, aos 41 anos, após longo e malsucedido tratamento contra câncer nos ossos. 
      ***
 
Pós-escrito: 1) a foto de Hianto de Almeida ora anexada está na capa de raro elepê produzido em 1983 pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com a cantora Sílvia Benigno (Silvinha), na concretização, então, do projeto Memória, da própria UFRN. É o disco de número 21 da série e intitula-se "Hianto Revivido", o qual tive a sorte de, há vários anos, adquirir de um camelô carioca, sem que jamais, mesmo em muitas idas posteriores a sebos, tivesse visto outra unidade;
       2) uma boa notícia sobre o compositor potiguar é o lançamento, aguardado para breve, do livro "A Bossa Nova de Hianto de Almeida", escrito por sua conterrânea Leide Câmara, pesquisadora de música popular e autora de relevante obra de referência e fôlego: o "Dicionário da Música do Rio Grande do Norte". São de Leide imagens do quarto "link", abaixo;
       3) nos demais "links", Hianto de Almeida é lembrado por outra conterrânea, a jovem cantora Tânia Soares, que, recentemente, em sua homenagem, participou, em Natal, de show da série Poticanto - Um Canto 100% Potiguar. Dele, na voz dela, na realização desse projeto, ouvem-se "Diga Adeus e Se Vá", de Hianto e Macedo Neto - gravado em 1959 por Lucienne Franco, outro nome de destaque do alunado do Colégio Mallet Soares, em Copacabana, e cantora da predileção de Ari Barroso; As Polegadas da Mulata", mais um samba jocoso de Hianto com Macedo, gravado em 1960 por Elza Soares; e "O Tema É Solidão", gravado em 1961 pelo octogenário Miltinho em elepê da RGE. Desta feita, um feito de Hianto com Édson Borges, também parceiro de Dolores Duran e chamado pelos amigos de "Passarinho";
        4) dedico este texto ao produtor musical potiguar José Dias, que há muito se empenha pela valorização da memória de Hianto de Almeida na MPB, especialmente como criador de harmonia avançada da qual a bossa nova também hauriu inspiração para o seu advento.
                       
        
http://www.youtube.com/watch?v=OZVT8nWip1w
        

http://www.youtube.com/watch?v=71YS0FV5O9U
 
       
http://www.youtube.com/watch?v=QuDGpPHzLgU&NR=1
 
       
http://www.youtube.com/watch?v=jLaIMio6HIY&NR=1
 

9.8.10

8.8.10

7.8.10

Vale a pena ver de novo: Um século de Adoniran


Jaçanã press - João Rubinato, vulgo Adoniran Barbosa, um gênio nascido em Valinhos completaria 100 anos no dia 6 de agosto. Parabéns para ele, e para nós que podemos escutar suas músicas (sua voz rouca) e nos deliciar com suas letras críticas e bem-humoradas, italianadas. Viva o "Charutinho"(uma de suas criações radiofônicas hilárias que me fizeram gargalhar, na minha cada vez mais longínqua infância, junto com minha mãe e meu pai, que eram fãs de carteirnha)

Gerdal Indica: Sidney Mattos retorna ao palco do CMRMC, na Tijuca, neste sábado, para dar asas instrumentais a encontro do forró com o jazz


 Curiosidade na nossa fonografia, pois, em 40 anos com os pés nessa estrada da música popular, concentra quase todos os seus discos nos últimos onze anos, lançando, nesse período, pelo menos, um CD por ano, Sidney Mattos (foto acima) foi integrante do MAU (Movimento Artístico Universitário) no início da carreira, juntamente com Luiz Gonzaga Jr., Ivan Lins (de cuja banda fez parte), Cláudio Cartier, Aldir Blanc, César Costa Filho e Tavynho Bonfá, entre outros, e, desde então, entre os diversos trabalhos em palco de que participaria, destacam-se, por exemplo, "O Velho e o Moço", ao lado do saudoso violonista baiano Codó, em 1976, no Teatro Gláucio Gil; a direção musical de "Zumbi", encenada por Gianfrancesco Guarnieri, e, em Paris, no mesmo ano, de show da dupla Les Étoiles, no Olympia; além de turnê, no ano seguinte, com a jazzística maranhense Tânia Maria pela Suíça. Na antiga TV Educativa do Rio de Janeiro, hoje TV Brasil, musicou programas como "República dos Bichos" e "Canta Conto", este uma excelente atração para a audiência mirim apresentada por Bia Bedran. Xico Chaves, Ana Terra, Tibério Gaspar, Euclides Amaral, Cacaso, Luiz Alfredo Milleco, Maurício Duboc e dois outros do MAU - os letristas "do bem" Ivan Wrigg e Marco Aurélio (com quem fez sua primeira composição gravada, "Antiga Voz", em 1971, pelo Quarteto Forma) - figuram entre os parceiros desse nome consistente e gabaritado da MPB, primo do pianista e arranjador Luiz Avellar (vivendo há anos em Portugal) e ex-integrante do conjunto de baile Som Maior. Sidney também é musicoterapeuta, com formação primeiramente feita no Conservatório Brasileiro de Música e, por muitos anos, diretor do NEAE (Núcleo Experimental de Arte-Educação).  
       Conhecido pela tendência acentuada ao improviso no seu trabalho de expressão musical, o que, aliás, faz reconhecidamente bem, sem "embromation", Sidney (teclado e voz), ao lado do baixista Rubens Leite e do baterista Elly Werneck, exercita o talento em show neste sábado, 7 de agosto, às 19h, no Centro Municipal de Referência da Música Carioca (Rua Conde de Bonfim, 842 - Tijuca - tel.: 3238-3831), no qual promove uma estimulante interseção do jazz com o forró - e suas fontes legítimas, como o xote e o baião - em voo de livre execução, particularmente ligado, como sempre esteve ao longo da carreira, nas ricas possibilidades de manifestação rítmica do país, inclusive folclóricas. Ainda com suas asas instrumentais (além do piano, toca flauta e violão), revisita a própria inspiração autoral e, previsto no roteiro da função, faz uma leitura moderna e especial de gemas de Villa-Lobos, Gonzagão e Hermeto Pascoal.   
      ***
      
Pós-escrito: no primeiro dos "links" abaixo, 1) Sidney Mattos aparece em curta entrevista sobre o seu trabalho, quando de show feito no Conservatório de Tatuí (SP). Em sequência descendente, 2) canta e toca, em quarteto, "Rapaz de Bem", de Johnny Alf; 3) em "Eu Sou Assim", com letra de Luiz Alfredo Milleco; 4) na belíssima "Maison du Brésil", esta de 1978 e inspirada na casa homônima, situada na Cité Universitaire, na Cidade Luz, que acolhia estudantes brasileiros lá chegados; 5) em mais uma das suas, "Os Mares", novamente com letra de Luiz Alfredo Milleco; 6) em outra curta entrevista, discorre sobre a sua longa experiência, como arte-educador, com crianças, visando despertá-las para possibilidades bem mais amplas de percepção e expressão musical do que a grande mídia, reducionista e banal, o mais das vezes, lhes oferece. Também destaca festivais de que elas participam, como uma extensão benfazeja desse vínculo inicial com a música. Afinal, de pequenino se torce o pepino.   
 
 http://www.youtube.com/watch?v=YKqVcCiEqAk&feature=related
  
 http://www.youtube.com/watch?v=oHtbkQd1FU0&feature=related
 
 http://www.youtube.com/watch?v=_lEOp2aqcJM&feature=related

 
  http://www.youtube.com/watch?v=rLa4YGsgf2E&feature=related

 
  http://www.youtube.com/watch?v=lt9O9LtZpuo
 
  http://www.youtube.com/watch?v=C5vyw3P-yAc&feature=related

Crumb veio e eu não fui


Pôxa vida, não vai ser nesta vida que verei o grande Crumb de perto...É uma pena, uma caneta, um lápis, sei lá!? Mas acho que até que foi bom estar aqui, no mesmo litoral, vendo a onda bater no rochedo, bem distante do turbilhão em que ele está perdido. Não iria poder bater um papo tranquilo com ele mesmo. Sinceramente, estou curtindo muito catar notícias dele na internet e saber de suas aventuras em terras brasileiras. Interessante tomar ciência de que ele acha este mundo uma merda, ( e olhe que ele tem lá suas razões), que acha que os EUA não têm jeito, mesmo com Obama e que prefere ficar tranquilo lá na França ouvindo seus bolachões de 78 rotações. Acho curioso, quando ele diz que não sabe o que está fazendo em Parati. Parece coisa de doidão, mas não é, nem é pose, é ironia mesmo. Sempre admirei o desenho dele, suas histórias aparentemente malucas. Sofri vendo o documentário sobre a família dele. Sou fã de carteirinha desse senhor excêntrico, imaginem, tenho até um exemplar de uma ZapComix lá do comecinho e guardo muitos livros desse monstro sagrado do humor gráfico. Meus filhos sempre que podem, compram para mim alguma coisa que ele publicou pelo mundo. Gosto mais daquela fase em que ele entortava tudo, em que os pés dos personagens eram compridos, da época do Mr. Natural, lembram? Atualmente, por algum motivo que desconheço, seu traço está cada vez mais "realista", mas tudo bem, temos que considerar que sua obra é um verdadeiro monumento ao desenho, e seu valor vai muito além do "culto underground". Isto quer dizer que ele pode enveredar até para a garatuja (se é que isso é possível) que sempre vai ser o grande Crumb. Muita gente ganhou dinheiro às suas custas - imprimindo coisas suas em gibis, camisetas, cartazes etc...Mas ele nem ligou, e continuou a com sua palheta a arranhar seu banjo, tocando músicas dos anos 30/40, desenhando com pena e nanquim e achando que não deve ser levado a sério. Falou e disse! (como se dizia naqueles tempos em que a roda de Aquarius girava para um lado e aqui no "patropi" imperava a lei da "dietadura"- Mr. Crumb, com suas historietas sacanas ajudou a formar uma geração de desenhistas e contribuiu para suportar o sufoco daqueles tempos cinzentos).
Não sei não, mas acho que desse mato da Flip vai sair mais do que coelhos, creio que Crumb vai acabar morando por aqui, dada sua admiração irrestrita pela preferência nacional - o derrière bem formatado que ele já deve ter notado circulando pelas ruas daquele brinco de cidade que é Parati. Como dizia o sábio Benito de Paula: "Agora chegou a vez, vou cantar, mulher brasileira em primeiro lugar".
Xi, acho que o final deste "post" saiu meio machista, o que hacer?

Dica do Gerdal: Miramar Mangabeira e Marcelus Villaça iniciam temporada de "Kolofé, Bahia", neste sábado, no Teatro Ipanema: a Boa Terra nos espera em



"Oi, Bahia!/umbu, vatapá e azeite de dendê/tem muamba/pra nego bamba fazer canjerê..." ("Exaltação à Bahia", de Vicente Paiva e Chianca de Garcia, samba gravado por Heleninha Costa em 1943)
   
  ***

       Quindim em forma de gente, dona de sorriso e simpatia cativantes, Miramar Mangabeira (foto acima, recebendo o abraço de Ricardo Cravo Albin), nascida na Bahia de São Salvador e moradora de Copacabana, inicia, no Teatro Ipanema (Rua Prudente de Moraes,  842 - tel.: 2523-9794), às 18h deste sábado, 7 de agosto, prosseguindo nos demais sábados do mês, a temporada de "Kolofé, Bahia" ("flyer" acima) - um show de canções alusivas à Boa Terra -, em companhia de Marcelus Villaça. Da aparição no "MPB 80", na TV Globo, e das primeiras gravações, como "Falabá", do conterrâneo Walter Queiroz, também no início dos anos 80, até agora, Miramar destaca-se por uma trajetória de numerosos shows em defesa da nossa boa música popular, sobretudo nos EUA, onde morou por alguns anos. Em 2003, no Rival, fez show bastante apreciado de homenagem ao centenário de nascimento do compositor de "Aquarela do Brasil", "Festejando Ary", e, um ano antes, gravara, pelo selo Atração, o CD "Os Grandes Sucessos de Carmen Miranda", também lembrando em outro show apreciável a famosa e internacional "carioca" de Marco de Canaveses.
       Alma sensível e igualmente cativante no seu característico canto solto, alegre e brejeiro, vale a pena ouvir Miramar nos "links" infradestacados, interpretando, com muita vivacidade, o delicioso "nonsense" do samba "Prêt-à-Porter de Tafetá", de João Bosco e Aldir Blanc, além de "Adeus, Batucada", de Synval Silva, um juiz-de-forano que foi chofer particular da Pequena Notável. Nos "links" seguintes, Marcelus Villaça, carioca de Jacarepaguá, lembra duas composições de sucesso de Zé Kéti, nesta ordem: "Mascarada" - um primor de samba feito em parceria com um dos mais novos octogenários da praça, Elton Medeiros - e "Opinião". Portador de voz bonita e marcante, bem projetada no palco, Marcelus, após passar pelo teatro como ator e pelas orquestras Guarany e Cuba Libre como "crooner" - afora os anos de show em Portugal como cantor -, fez, há dois anos, ainda a propósito de Zé Kéti, um CD-tributo bastante elogiado, que muitos gostariam de ter feito. Tem por título "Zé da Madrugada", só com inéditas do saudoso portelense, fornecidas pela filha dele, a jornalista Geisa Kéti. Ô sorte!     
     *** 
      http://www.youtube.com/watch?v=VTlYW9OTh3M
 
      http://www.youtube.com/watch?v=TyicN5ZKPEA&feature=related
 
      http://www.youtube.com/watch?v=yF51j9YyQpg&NR=1
 
       http://www.youtube.com/watch?v=N7Avx_U-AiU&NR=1
              

6.8.10

Gerdal indica: Arranco de Varsóvia chega "devagar, devagarinho" ao Lapinha, nesta sexta, e deixa a tristeza pra lá com o samba de Martinho da Vila


Aviso aos navegantes da folia: não se trata, naturalmente, com outro nome, do Arranco do Engenho de Dentro, empolgado bloco de enredo que virou escola de samba, com seus passistas, destaques, ritmistas e mulatas, nem o show será realizado na quadra da Rua Adolfo Bergamini. Embora a força propulsora seja a mesma, inspirando requebros e maneiras numa cadência bem marcada, o contingente em desfile é bem compacto - apenas cinco componentes -, que não perde pontos em harmonia - pelo contrário, só os ganha - e, a seu modo, inovador no gênero, vem atravessando a passarela da MPB com a bandeira do samba sustentada em grande evolução. Recriando a criação, com base no tipo de vocalização com solos feita nos anos 30 e 40 pelo Bando da Lua, o inovador Arranco de Varsóvia (foto abaixo) adentra "devagar, devagarinho" essa casa de bamba que é o Lapinha, nesta sexta-feira, 6 de agosto, às 22h30, para saudar Martinho da Vila e o seu "laiaraiá" famoso, que motivou o mais recente CD/DVD do conjunto, "Pãozinho de Açúcar". Em sua lavra alongada, o compositor bibarrense revela-se síntese do encontro entre a tradição e a modernidade, essa esquina estético-experimental muito bem frequentada por Paulo Malaguti, Muri Costa, Andrea Dutra, Cacala Carvalho e Elisa Queirós, que, a partir dela, sabem tomar partido - e partido alto - das amplas possibilidades harmônicas e de efeitos vocais que surgem ao trazer à mensagem do samba um envelope novo e bem apresentado, mesmo para um recado - como os lindos sambas de Cartola, em disco anterior - muitas vezes dado. Quem é do mar não enjoa.                   
       Numa boa, pra quem quiser se distrair sem ligar a televisão, uma geral da história do Arranco de Varsóvia pode ser conhecida pelo vídeo-release no primeiro dos "links" abaixo, ao qual se seguem, nos demais, belas e diferenciadas interpretações de "Lá Vem a Baiana", de Dorival Caymmi, "Força da Imaginação", de Caetano Veloso e Dona Ivone Lara, e "Amor Não É Brinquedo", de Martinho da Vila e Candeia. "O que a mão ainda não toca, coração um dia alcança..." O Arranco de Varsóvia "vai lá...chega lá". 
       ***l   
 
A tempo: o Lapinha está localizado na Av. Mem de Sá,
82 - sobrado - Lapa - tel.: 2507-3435.
  

http://www.youtube.com/watch?v=K5fU7fNVihI

  
http://www.youtube.com/watch?v=HsI-cQKbsD0
   
http://www.youtube.com/watch?v=V1sdxoQy5p0    
 
http://www.youtube.com/watch?v=jN-W1npX9bE&feature=related

Flagras literários

5.8.10

4.8.10

Flagras Literários

Dica do Gerdal: Carlos Lyra relembra o parceirinho Vinicius de Moraes, nesta quarta, na ABL - 30 anos de saudade do Poetinha (grátis)



Em 1960, um telefonema de Carlos Lyra a Vinicius de Moraes (fotos acima) foi a senha acertada para uma aproximação musicalmente fértil, de sambas de doce balanço, como "Broto Maroto", a clássicos, como "Minha Namorada", "Primavera", "Sabe Você" e "Samba do Carioca". Um alô que surgiu da determinação de Lyra de ser um dos "parceirinhos" do Poetinha, a que logo sucederam encontros no Parque Guinle, onde morava Vinicius, que, pelo vezo dos diminutivos, pôs "letrinhas" nas "musiquinhas" trazidas por Lyra, da primeira vez, e postas à sua audição num "gravadorzinho". Dois anos depois, em mais uma das muitas idas de Lyra a esse mesmo endereço de Vinicius, para que letrasse outras "musiquinhas" inéditas deixadas com ele, fez-se a luz de "Pobre Menina Rica", de ambos, em que Nara Leão debutou como cantora profissional, já em 1963. Desse musical, fazem parte a primeira e a terceira canções entre os "links" abaixo: "Maria Moita", por Rosália de Souza (que aparece também como personagem no clipe), cantora nilopolitana radicada na Itália; e "Pau-de-Arara" ("O Comedor de Gilete"), que então projetou para o sucesso o humorista paulista Ari Toledo; Kay Lyra, filha de Carlos Lyra e Kate Lyra, exercita-se, na voz e no violão, para mostrar "Você e Eu", num ambiente em que, além do pai dela, ainda aparecem o jornalista Chico Pinheiro, Wanda  Sá, Leny Andrade e o pianista Fernando Merlino. por fim, uma colagem com imagens de artistas embalada pela "Marcha da Quarta-feira de Cinzas", cantada por Clara Nunes e Vinicius de Moraes - excerto de "Poeta, Moça e Violão", este o instrumento de Toquinho no show originário do disco. 
      Há trinta anos, sem mais adeus, Vinicius partia para o reino dos esplendores. E por falar em saudade, é lembrado por Carlos Lyra em show-homenagem na Academia Brasileira de Letras, no Castelo, nesta quarta, 4 de agosto, ao meio-dia, com entrada franca, segundo o informe abaixo, que recebi do amigo Antonio Carlos Athayde, intelectual de boa cepa e assessor de imprensa da referida Casa de Machado de Assis.
    *** 
Corrigenda: numa dica anterior, houve um equívoco de informação. Antes do CD recém-lançado "Breque Moderno", o samba "Águia de Haia", de Nei Lopes e Luiz Filipe de Lima, teve gravação, feita pelo próprio Nei, no ano passado, no CD "Chutando o Balde". Uma produção da Fina Flor, selo do violonista, compositor e arranjador Ruy Quaresma.  
    
 
    http://il.youtube.com/watch?v=KH0ynbnognA&feature=related
 
    http://www.youtube.com/watch?v=DF4j8zEE-mY
 
    http://www.youtube.com/watch?v=c9RD8rmow1s
 
    http://www.youtube.com/watch?v=aW63eDQDcU0 
 ***
ACADEMIA RETOMA SÉRIE ‘MPB NA ABL’ E HOMENAGEIA O POETA VINICIUS DE MORAES COM  SHOW DE CARLOS LYRA
 
A apresentação coincide com as comemorações, a partir do mês de julho de 2010, dos exatos trinta anos de morte do compositor e a promoção “post mortem” do  poeta diplomata a Embaixador do Brasil, em ato solene no Palácio Itamaraty de Brasília dia 16 de agosto
 
      A Academia Brasileira de Letras (ABL) retomará a série “MPB na ABL” com o show do cantor e compositor Carlos Lyra em homenagem a Vinicius de Moraes, dia 04 de agosto, quarta-feira, às 12:00 horas, no Teatro R. Magalhães Jr., em sua sede, na Avenida Presidente Wilson 203, Castelo. A entrada é franca.  
     A apresentação do espetáculo estará a cargo do jornalista e escritor Ricardo Cravo Albin.
 
Com patrocínio da Petrobras, o espetáculo terá roteiro exclusivo e original, elaborado especialmente para a ABL por Carlos Lyra, em parceria com o Instituto Cultural Cravo Albin. A homenagem incidirá sobre os exatos trinta anos de morte do poeta diplomata, ocorrida no dia 09 de julho de 1980, e por sua promoção “post mortem” a Embaixador do Brasil, com ato solene no Palácio Itamaraty de Brasília, dia 16 de agosto. 
"A riqueza da poesia brasileira sempre se exprimiu também com muito vigor nas composições de música popular. Noel Rosa, Mário Palmério,  Chico Buarque, Manuel Bandeira, Vinicius e os tropicalistas são bons  exemplos, entre muitos outros . O projeto "MPB na ABL" que agora se  reinicia quer ressaltar esse importante aspecto da cultura  brasileira", afirma o presidente da ABL, acadêmico Marcos Vinicios Vilaça. 
 
O compositor, violonista e intérprete carioca Carlos Lyra, grande amigo e parceiro do homenageado, foi um dos mais importantes músicos da bossa nova. Autor de melodias que retratavam exatamente o clima vivido pelo Brasil naquele período, décadas de 50 e 60, compôs ‘Maria Ninguém”, “Minha namorada”, “Ciúme”, “Lobo bobo”, “ Se é tarde me perdoa”, entre outras. Lançou em 2005, com Roberto Menescal, um documentário sobre a bossa nova chamado “Coisa mais linda”. Foi o período mais fértil da dupla Vinicius de Moraes e Carlos Lyra.
  
Vinicius de Moraes começou a se tornar mais conhecido no cenário musical brasileiro com sua peça de teatro "Orfeu da Conceição", que estreou em 25 de setembro de 1956. Além da diplomacia, do teatro e dos livros, sua carreira musical já vinha deslanchando em meados da década de 50 – época em que conheceu Tom Jobim (um de seus grandes parceiros) –  quando diversas de suas composições foram gravadas por muitos artistas. Nos anos seguintes, viveu um período áureo na MPB, no qual foram gravadas cerca de 60 composições de sua autoria e firmadas parcerias com compositores como Baden Powell, Carlos Lyra e Francis Hime.
 
Serviço:
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS
MPB na ABL
Homenagem ao poeta, compositor e diplomata Vinicius de Moraes
Com o compositor, violonista e intérprete Carlos Lyra
Data: 04/08/2010, quarta-feira, às 12:00 horas
Teatro R. Magalhães Jr., 280 lugares
Avenida Presidente Wilson 203 – Castelo
Entrada franca
www.academia.org.br
Telefone: 3974-2500

 
 

3.8.10

Dica do Gerdal: Ilessi leva o seu "Brigador" ao Lapinha, nesta terça, e canta a parceria Pedro Amorim e Paulo Cesar Pinheiro



Quantas cantoras brasileiras não gostariam de estrear no disco com repertório todo inédito do letrista Paulo César Pinheiro com o bandolinista e cavaquinhista Pedro Amorim? Muitas, não? Coube a primazia a uma moça carioca de virtude e determinação, aluna de Amélia Rabello na Escola Portátil de Música, na Urca, e que tem o seu nome associado a projetos e iniciativas de alto relevo, como bela e recente homenagem prestada em show, juntamente com Beatriz Faria, a Clementina de Jesus. O samba é seu dom, sabe Ilessi (em fotos, acima, de capa de CD e ao lado de Paulo Cesar Pinheiro e Pedro Amorim), nascida em Campo Grande, e com ele segue em frente, abrilhantando um amplo cenário de reaproximação com o gênero, com base na Lapa, por gente da sua geração, jovens que enchem bares e casas de show tanto para evocar mestres referenciais, como Cartola e Nélson Cavaquinho, quanto para externar a própria sensibilidade e ânimo autoral em compasso binário. Da massificação inconsequente e culturalmente deletéria no mercado fonográfico, Ilessi parte pra cima com o seu "Brigador", porém no sentido de um gesto em elevação ou de um salto de qualidade, fazendo um registro, que já tardava, de composições de cariz variado - até mesmo naquela linha afro que celebrizou Baden e Vinicius -, de cuja excelência o aplicado e inspirado Pedro Amorim, também bom de canto e integrante do Samba de Fato, já dava mostras nas rodas de todas as quartas de que o conjunto é atração no Trapiche Gamboa. Ilessi, portanto, com a força desse disco inaugural de carreira, da CPC-UMES, canta nesta terça-feira, 3 de agosto, a partir das 21h, no Lapinha (Av. Mem de Sá, 82 - sobrado - tel.: 2507-3435), atendendo a convite dos talentosos irmãos Caldi, Marcelo e Alexandre: este, no sopro (sax e flauta); aquele, no teclado (piano e sanfona).  Na relação direta entre Ilessi e o seu disco, há um encontro marcado entre o frescor da sua voz afortunada e o encantamento de um feixe de canções, sambas em particular, do melhor quilate. Um CD que "tá na briga" por merecido reconhecimento, em sentido amplo, no qual ainda se destacam os arranjos de outro rapaz talentoso, Luiz Barcelos, revelação gaúcha no bandolim, em quase todas as faixas - uma ainda por Cristóvão Bastos.
      Um pouco do "Brigador" pode ser apreciado, abaixo, no segundo e no terceiro "links": Ilessi canta, com Pedro Amorim, "Baraúna" e "Julgamento". No primeiro "link", com Beatriz Faria, filha de Paulinho da Viola, canta "Olhar Assim", de Paulo da Portela; no quarto "link", o Quinteto Sivuca, do qual Marcelo Caldi faz parte, executa, de João Lyra e Maurício Carrilho, "Riacho Seco". No último "link", muito bem arranjado, o Sembatuta, com Alexandre Caldi ao sax, relê "Na Baixa do Sapateiro", de Ari Barroso. 
      ***
www.myspace.com/ilessi
   
   http://www.youtube.com/watch?v=-vDb6DaSoNY&feature=related
 
   http://www.youtube.com/watch?v=KjY6zRg5qXM&feature=related
 
   http://www.youtube.com/watch?v=UVWAprQyvs0
 
   http://www.youtube.com/watch?v=gsYfNAcMfMo
 
   http://www.youtube.com/watch?v=8_n79TQTVZ8

Flagras Literários

Homenagem do Gerdal: Toniquinho Batuqueiro - um sambador de valia no mundaréu paulistano das quebradas


Influenciado pelas zonas batuqueiras do interior de São Paulo, sobretudo do Oeste do estado, o samba paulistano revela-se, pois, como manifestação cultural de expressão peculiar, em que até mesmo a sonoridade da viola está presente. Samba de fundamento rural, com reflexo histórico no extinto Largo da Banana - onde hoje se localiza o Memorial da América Latina e para onde convergiam carregadores e ensacadores que abasteciam os armazéns de estação da São Paulo Railway com produtos agrícolas e improvisavam rodas de samba e tiririca (capoeira) - de que, por exemplo, o saudoso Geraldo Filme foi propagador, nascido em São João da Boa Vista, e de que é portador Antônio Messias dos Campos, o Toniquinho Batuqueiro, a caminho dos seus 81 anos e grande ritmista nascido na mesma Piracicaba de um jovem e extraordinário violonista da atualidade, Alessandro Penezzi. Menino ainda, órfão de pai e mãe, deslocou-se para o Parque Peruche, na capital paulista, levando na lembrança a prática em família do cururu - uma forma de desafio em versos acompanhado por viola caipira -, além do tambu ou batuque de umbigada, tocado e dançado pelos avós nas "festas de negros", atrás da igreja, onde sempre havia samba. Passando a conhecer a chamada terra da garoa como a palma da mão ou a sola do pé, tantas foram as andanças por seu traçado urbano, Toniquinho foi engraxate na Praça da Sé, onde, no final do expediente, juntamente com outros colegas de labuta, além de participar de rodas de samba batendo na própria caixa, conheceu Germano Mathias, a quem ensinou a fazer tiririca e dar pernada e estimulou, "por cantar direitinho", a ingressar na carreira artística. Sensível à sugestão do amigo, Germano não só ganhou um concurso de calouros da ocasião, À Procura de um Astro, promovido em meados dos anos 50 pela Rádio Tupi de lá e motivado pela descoberta de um artista que pudesse substituir uma atração da emissora, o sui-generis sambista gaúcho Caco Velho, como também foi prontamente contratado. 
      Amigo de um controvertido dramaturgo, Plínio Marcos, autor das peças "Navalha na Carne", "Dois Perdidos numa Noite Suja" e "Barrela", Toniquinho, juntamente com Geraldo Filme e Zeca da Casa Verde, inscreveu o seu nome em espetáculo memorável, "Nas Quebradas do Mundaréu", também apresentado com o subtítulo "Deixa pra Mim Que Eu Engrosso", a respeito da evolução do samba de Sampa pela atuação, por exemplo, dos seus engraxates, que também se serviam da tampa da lata de graxa para o ritmo, e poetas de rua. Esse show teve desdobramento em seguida com o elepê "Plínio Marcos em Prosa e Samba - Nas Quebradas do Mundaréu", hoje considerado uma mosca-branca entre os colecionadores de vinil. Toniquinho, que, no Rio de Janeiro, trabalhou na Lapa por curto período como entregador de pão, ainda em São Paulo ajudou a fundar a sua escola de coração, a Unidos do Peruche, além de ter colaborado com o desenvolvimento de outras, como a Unidos de Vila Maria e Império do Cambuci, sendo dele o primeiro samba de enredo da história da Rosas de Ouro, em 1971. Infelizmente cego há quatro anos por causa de um glaucoma, é, apesar disso, um sambista atuante, componente do grupo paulista de veteranos Embaixada do Samba, um compositor que, vez por outra, faz seus shows, "para engrossar a sopa", e, com a sua autoridade no assunto, teve homenagem recente e tardia em ótimo CD (capa acima) da série Memória do Samba Paulista, dirigida por T. Kaçula e Renato Dias, a qual se insere em projeto mais amplo das entidades Kolombolo e Sambatá, de valorização da cultura popular na capital paulista. "No dizer de minha avó/sambador não tem valia/samba nunca deu camisa/minha avó sempre dizia/sambador não vale nada/dorme na calçada/não cuida da família..." Para quem ainda não o conhece, vale a pena conhecer esse manancial encarnado da vivência popular em São Paulo: Toniquinho Batuqueiro, um sambador de valia.

2.8.10

Flagras Literários

Homenagem do Gerdal: Nilson Chaves - o sabor de açaí na canção universal de um cantador da Amazônia


Conhecendo, na Belém natal de ambos, o maestro Waldemar Henrique quando da apresentação de uma peça toda musicada por este, "Coronel de Macambeira" - para a qual, também por Waldemar, fora convidado a atuar como ator e cantor -, Nilson Chaves (foto acima) recebeu um importante incentivo para prosseguir numa carreira que o tornaria conhecido, no país e no exterior, como compositor e cantador-referência da sua região de origem. Pouco depois, amiudando o contato com o autor de "Minha Terra", quando este já ocupava o cargo de diretor do Theatro da Paz, Nilson faria, a conselho dele, o mesmo movimento de mudança em direção ao Rio de Janeiro, aqui vivendo por muitos anos, como o fizera Waldemar, e trazendo consigo, escrita por ele, carta de recomendação a outro maestro e professor respeitado, Guerra-Peixe. Era 1968 e, em atenção ao velho amigo do Norte do Brasil, Guerra-Peixe daria, por seis meses e de graça, aulas que aprimoraram o conhecimento teórico-instrumental do violonista Nilson Chaves, que, na mesma época, também no Rio de Janeiro, conheceria outro músico paraense de alto quilate, nascido em Santarém, Sebastião Tapajós, do qual se tornaria parceiro e, por um selo alemão, Tupirama Music, lançaria, em 1997, o CD "Amazônia Brasileira", que lhes possibilitou uma turnê nacional por diversas capitais e outra viagem à Alemanha para a apresentação desse album durante semana dedicada à MPB. Viagens que se tornariam uma tônica na trajetória artística de Nilson, que, embora componha joias românticas como "Canção Ausente", gravada em 1978 por Walesca e com arranjo de Sivuca, orientou-se, sobretudo, pelo princípio da universalização do seu som pela navegação cultural nas águas caudalosas do reduto de nascença.       
      Quando conheceu Waldemar Henrique, a quem dedicaria, por sugestão dele (que queria ouvir a sua música, de fundamento folclórico, com sonoridade moderna, incluindo guitarra, baixo e bateria), um belo CD, "Waldemar" - juntamente com mais um paraense de valor, Vital Lima -, Nilson já compunha para peças teatrais, iniciando-se cedo, aos 14 anos, nessa atividade (também como ator). A sua familiaridade com o escol da nossa música popular vinha da infância, especialmente acompanhando o ganha-pão do pai, que, além de fornecer aparelhagem de som para animação de bailes, divulgava em Belém, por meio dela, discos que recebia de gravadoras, como os de João Gilberto, Tito Madi, Maysa e Dolores Duran. Ao longo de mais de 30 anos de lida em estúdio e palco, como um artista coerente e genuinamente amazônico, voltado ainda para a questão ambiental e de melodia com o sabor peculiar do açaí, Nilson, além dos retrocitados, enriqueceu a sua discografia com muitos títulos - alguns por selo independente e próprio, Outros Brasis -; fez parceria relevante com Celso Viáfora, Vital Lima, Joãozinho Gomes e Thereza Tinoco, entre outros; foi diretor musical do projeto "Cantorias Amazônicas", em 2000, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), com vários nomes de peso do Norte revelados ao público carioca, e esteve ou está à frente de outras iniciativas de igual relevo, como o projeto Acorde Brasileiro - Encontro Nacional das Músicas Regionais, em Porto Alegre, tocando, entre outros, com o grande acordeonista e compositor Luiz Carlos Borges, gaúcho de Santo Ângelo.
      Solidário com seus colegas de ofício, em particular gente da sua floresta cultural, por entender que "o sonho coletivo é muito mais fantástico que a vitória solitária", a Nilson Chaves, sem conhecê-lo pessoalmente, dedico nestas linhas singela homenagem pessoal, que encerra apreço de longa data pelo que fez e faz na nossa tão amazônica, também em extensão de beleza e variedade, música popular. E a todos agradeço a generosa atenção dispensada, desejando-lhes um dia feliz.
        
    *** 
Pós-escrito: 1) no primeiro e no último "links" abaixo, em colagens de imagens, "Flor do Destino", de Nílson Chaves e Vital Lima, cantada por ambos, e "Sabor Açaí", de Nilson Chaves e Joãozinho Gomes, cantada por Nilson; no segundo "link", feita em parceria com o maranhense Jamil Damous, Nilson canta "Da Minha Terra"; no terceiro "link", com a amapaense Juliele, canta "Não Vou Sair", de Celso Viáfora; e, no quarto "link", "Flor do Grão Pará, de Chico Senna e Marcos Monteiro;    
                   2) destaco, por fim, uma belíssima composição do cearense Eudes Fraga (hoje vivendo em Belém), "Urubu Mestre do Voo", com letra de Joãozinho Gomes, a qual conta, no duo interpretativo com Eudes, com o realce da voz de Nilson Chaves. Um CD independente do Eudes, de 2002, com produção dele e do baterista e percussionista Pantico Rocha, simplesmente encantador: "Tudo Que Me Nordestes".

 
        http://www.youtube.com/watch?v=Z34yD4o9Rkg&feature=related
 
        http://www.youtube.com/watch?v=Caz-35MM6Nk&feature=related
 
        http://www.youtube.com/watch?v=z-fAGCjg9MI&feature=related
 
        http://www.youtube.com/watch?v=V8i77kzoWas
 
        http://www.youtube.com/watch?v=UgO5bXXsE70 

1.8.10