12.4.10
Dica do Gerdal: Claudette Soares nesta segunda na Sala Baden Powell - feitinha para o canto e a interpretação da bossa

"Ah, quem me dera ter agora a namorada/que fosse para mim a madrugada/de um dia que seria a minha vida/que a vida que se leva é uma parada...../que seja na medida e nada mais/feitinha pro Vinicius de Morais/que venha logo e ao chegar/vá logo me deixando descansar"
Prezados amigos,
Feitinha pro sucesso, no seu metro e meio de altura sob medida para o aplauso popular, a carioca Claudette Soares (foto acima) tem na história da MPB a marca de uma presença inconfundível, com o seu canto sorridente e sensual, como que sussurrado, e a interpretação o mais das vezes amena e graciosa - como em "Barquinho Diferente", de Sérgio Augusto Sarapo, e "Psiu", de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar -, mas ainda densa e vigorosa - como em "Hoje", de Taiguara, e "De Tanto Amor", de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Apresentando-se, no início da carreira, na segunda metade dos anos 50, com Luiz Gonzaga, ganhou deste o cognome Princesinha do Baião, honraria artística de que logo abriria mão em favor da identificação, em cheio, com a incipiente bossa nova e aquele suingue feitinho para o aveludado da sua voz. Claudette está há muito radicada em Sampa, onde se tornou conhecida como a melhor intérprete de bossa nova de lá, cantando em várias casas noturnas, sobretudo uma, muito especial, já nos anos 60, a João Sabastião Bar, criada pelo jornalista Paulo Cotrim e inaugurada por ela e Pedrinho Mattar. Com esse saudoso e refinado pianista paulista, pôde matar saudade do Rio de Janeiro, em 1971, participando ambos do show "Fica Combinado Assim", no Teatro Princesa Isabel, ao lado do comediante Agildo Ribeiro; o mesmo teatro do Rio, aliás, em que, cinco anos antes, fizera sucesso no "pocket show" "Primeiro Tempo 5x0", produzido por Luiz Carlos Miele e Ronaldo Bôscoli (com desdobramento em raro elepê), no qual tomaram parte Taiguara e o Jongo Trio, liderado por outro pianista, Cido Bianchi (autor do belo "Noturno em São Paulo", com letra de Sérgio Lima, muito bem gravado por Dick Farney). Também aqui essa "pequena notada" revelaria, em 1969, o compositor Luiz Gonzaga Júnior, interpretando deste a balada "Mundo Novo, Vida Nova", no II Festival Universitário da Canção.
Tal Claudette da bossa - entre outras "bossas" - apresenta-se nesta segunda-feira, 12 de abril, às 19h 30, na Sala Baden Powell (Av. Nossa Senhora de Copacabana, 360 - Copacabana), em mais uma etapa do Circuito da Bossa Nova. Nos "links" abaixo, ela, ainda mocinha, canta "Vivo Sonhando", de Tom Jobim; "Você", de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli (com Dick Farney, em que a voz dela e a dele são aplicadas na imagem reproduzida de um dos elepês desse duo; por último, "Feitinha pro Poeta", a composição dos versos supradestacados, de autoria de Baden Powell e Lula Freire.
http://www.youtube.com/watch?v=CpkiDtv3Lxw
http://www.youtube.com/watch?v=ZLTzBTHXGaM
http://www.youtube.com/watch?gl=JP&hl=ja&v=crK2umoSweY
10.4.10
Elias Canetti contra a morte

Saiu no El País mais precisamente no blog Babelia desse fabuloso jornal, uma resenha de José Andrés Rojo sobre um livro que Canetti deixou por concluir. O nome do livro é Libro de los muertos e só foi publicado em espanhol. Correi editores brasileiros! Agitai uma tradução! Para acessar essa resenha, clique no seguinte link http://www.elpais.com/suple/babelia/
Só para dar água na boca do leitorado lá vai uma frase daquelas lapidares do autor da obra-prima Auto-de-fé : Morre-se com demasiada facilidade.
NR: Se os navegantes tiverem a paciência de procurar nos arquivos deste blogue verão que já publiquei uma frase de Canetti, que fala justamente da morte, uma de suas obsessões.
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Caricaturas que eu fiz: Alexis de Tocqueville
Zélio grava seu depoimento no Projeto Sábados da Memória das Artes Gráficas

(Recebi por e-mail o convite (flyer acima), cujo texto publico aqui embaixo)
A BIBLIOTECA DE SÃO PAULO TEM A HONRA DE CONVIDAR PARA A GRAVAÇÃO DE DEPOIMENTO DO PROJETO SÁBADOS DA MÉMORIA DAS ARTES GRÁFICAS
DIA 10
ABRIL
SÁBADO
14:00
COM O RENOMADO ARTISTA:
ZÉLIO ALVES PINTO
Serviço:
BIBLIOTECA DE SÃO PAULO
NO PARQUE DA JUVENTUDE
AVENIDA CRUZEIRO DO SUL Nº 2630
METRÔ CARANDIRU
São Paulo - SP
TEL (11) 2089 0800
Não deixe de prestigiar!!
SÁBADOS DA MEMÓRIA DAS ARTES GRÁFICAS
NA BIBLIOTECA DE SÃO PAULO
Um projeto inédito de resgate da memória dos artistas gráficos brasileiros.
Todo sábado no auditório da Biblioteca de São Paulo, um renomado artista gráfico prestará um depoimento sobre sua vida, sua obra e sua técnica para o público presente. Este depoimento será gravado e transcrito, gerando cadernos biográficos que serão vendidos a preço de custo na Biblioteca, e disponível ao público em geral.
Esta homenagem não para por aí, após a sessão de depoimento o homenageado deixará a marca de sua mão em uma lajota de concreto, que será aplicada num totem da fama dentro da Biblioteca.
Em pouco tempo o Brasil terá um abrangente histórico dessa importante arte, que pouco foi preservada. Seus protagonistas serão os artistas e todos aqueles que de alguma forma colaboraram pro crescimento dessa arte no Brasil.
Certamente Sábados da Memória das Artes Gráficas será um presente para a atual e futuras gerações.
Contamos com a sua presença!
Homenagem do Gerdal: Irinéa Maria- MPB com qualidade e discrição em contínua afirmação nos festivais

"Tiriê pintassilgo, voador e cantador/vem me dizer onde é que eu perdi meu amor..."
Cria dos festivais de MPB em fins dos anos 60, Irinéa Maria - que já foi garota de Ipanema, porque lá nascida, criada e vivida na mocidade, e agora é uma jovial senhora moradora no bairro de Noel - é dessas artistas de trato delicado cuja lida instrumental e autoral se impõe com naturalidade, pelo talento avesso ao estardalhaço. Irmã do falecido cantor Sílvio Ribeiro e viúva do baterista Luís Moreno, do grupo de rock progressivo O Terço, ela é violonista, compositora e arranjadora das melhores e tem obra espalhada por discos de Rosa Maria, Tim Maia, Maria Creuza, Zezé Motta, Jane Duboc, Olívia Hime e Fabíola, entre outros intérpretes. "Tiriê Pintassilgo", de voo altaneiro na sua inspiração, teve registro visceral da pernambucana Adryana BB no ótimo e recém-lançado CD "Do Barro ao Ouro", um "baiãozaço" que, além de sedutora levada e confecção, também chama atenção por ter letra de Irinéa, habitualmente cercada de parceiros de fôlego criativo, como a constante Sueli Correa e Paulo César Feital, Sergio Natureza, Cláudio Cartier, a saudosa Eliane Stoducto, Jota Maranhão, Fhernanda e Olga Savary (de quem musicou poemas), entre outros.
Com Neville Jordan na coautoria de "Vida Breve", interpretação de Claudette Soares e arranjo de Lindolfo Gaya, ela chegou em segundo lugar no I Festival Universitário de Música Popular Brasileira, promovido, em 1968, pela extinta TV Tupi e pela Secretaria de Turismo da Guanabara. Na carreira de Irinéa, os festivais se tornariam um traço bem-sucedido e marcante - só nos anos 80, participou de 50 -, e nisso louvo o empenho dela por levar a eles o brilho intenso da sua criação e ajudar a manter, com concorrentes de peso, pelo país afora, uma instituição que, por definição, aponta para a variedade, a renovação e o acendramento do nosso cancioneiro. No mês passado, em Miraí, no I Festival Ataulfo Alves de Samba e Culinária de Botequim, Clarisse Grova abiscoitou o prêmio de melhor interpretação ao defender, de Irinéa e Paulo César Feital, "Cem Anos da Minha Portela", a mesma Clarisse Grova, fabulosa, que já lhe propiciara outro alumbramento com a vitória de "Meias Partes" - parceria de Irinéa Maria com Sueli Correa - no I Festival da Mulher nas Artes, em 1982, em Sampa, organizado por Ruth Escobar. Também presente como compositora em trilhas para publicidade, curtas-metragens e teatro e mãe da cantora e compositora Luanda Jones, radicada no Canadá, a Irinéa Maria rendo a minha singela homenagem nestas linhas pelo matizado e belo da sua produção musical. Qualidade e discrição em MPB sempre com um toque de prima.
9.4.10
Dica do Gerdal:Homenagem a Cacaso, nesta sexta-feira, em casarão no Cosme Velho - um anjo travesso reside na MPB

"Cuidar de um pé de milho/que demora na semente/meu pai disse: "meu filho,/noite fria, tempo quente"/lambada de
serpente/a traição me enfeitiçou/quem tem amor ausente/já viveu a minha dor/no chão da minha terra/um lamento
de corrente/um grão de pé de guerra/pra colher dente por dente."
***
Nome de proa da chamada poesia marginal nos plúmbeos anos 70, a qual exercitava a contracultura pelo uso do mimeógrafo
e teve importância consubstanciada em um volume, "26 Poetas Hoje", organizado em 1976 por Heloísa Buarque de Holanda, o uberabense Antônio Carlos Ferreira de Brito, o Cacaso, foi bacharel em Filosofia pela UFRJ e professor de Teoria Literária e
Literatura Brasileira na PUC - um de seus alunos foi o também poeta Geraldo Carneiro. Cacaso também cursou Direito e, além da atividade acadêmica exercida com informalidade, estudou violão clássico e, com jeito para o traço e a troça, aos 12 anos, já se salientava fazendo caricaturas de políticos e personalidades da vida pública. "Beijo na Boca", em 1975, e "Mar de Mineiro", em 1978, são livros de destaque resultantes de sua veia poética, que, no entanto, encontraria na letra de canção um campo fértil para se expandir e torná-lo conhecido em faixa mais ampla de admiradores.
Toninho Horta, Nelson Angelo, Joyce, Lourenço Baeta, Sidney Mattos, David Tygel, Élton Medeiros, Toquinho e Novelli, por exemplo, são alguns dos diversos e gabaritados parceiros de Cacaso na composição, entre os quais ainda sobressaem, com músicas bastante executadas, Edu Lobo ("Angu de Caroço" e "Lero-Lero"), Francis Hime ("Baião de Jeito"), Sueli Costa ("Dentro de Mim Mora um Anjo") e Djavan ("Lambada de Serpente", dos versos acima e de um dos "links" abaixo). Em 1987, prematuramente, aos 43 anos, Cacaso faleceu, vítima de infarto do miocárdio, quando do trabalho, com Edu Lobo e Ruy Guerra, num roteiro sobre Canudos, filme mais tarde levado à tela grande com o título "Guerra de Canudos" e sob a direção de Sérgio Rezende. Na época, vivia com a cantora e compositora baiana Rosa Emília, que foi para a Itália, onde se radicou, mas vai homenageá-lo nesta sexta, 9 de abril, no Cosme Velho, juntamente com Sueli Costa e Sérgio Santos ("flyer" acima). "Angu de Caroço" é frevo cantado por ela em outro dos "links" citados. Se portanto fosse porém, Cacaso não teria partido tão cedo. Irônico e sedutoramente crítico, dentro da MPB mora um anjo travesso.
***
Release:
Radicada na Itália, com sua carreira consolidada em turnês pela Europa, a cantora e compositora Rosa Emília volta ao Rio para fazer uma homenagem ao poeta e compositor Cacaso que conta com as participações afetivas de parceiros e amigos: os compositores e instrumentistas Sérgio Santos e Sueli Costa, e com a leitura de poemas do escritor e ator Pedro Lage. Acompanhada pela violão de Sérgio e o piano de Sueli, Rosa Emilia explora e apresenta ao público as nuances de sua interpretação peculiar, de tamanho reconhecimento fora do Brasil – é a oportunidade de vermos e sentirmos Rosa novamente em nossa terra brasilis, especialmente a alma brasileira que Cacaso tanto enfatizara em sua poesia e canção.
No repertório, pérolas como Dentro de mim mora um anjo e Face a Face (com Sueli Costa), Sem fim e Triste Baía da Guanabara (ambas com Novelli), Tristorosa (com Villa-Lobos), Angu de Caroço (com Edu Lobo), além de inéditas também presentes no CD e poemas de Cacaso.
A homenagem contará também com exposição de fotos, desenhos, livros e cds de Cacaso.
Serviço:
Homenagem a Cacaso - com Sueli Costa, Sérgio Santos e Pedro Lage
Onde: Casarão de Austregésilo de Athayde
Rua Cosme Velho, nº 599 – RJ
Dia: 9 de abril
Horário: 20h
Entrada: Ingressos 15 (inteira) e 10 (estudantes e idosos)
Lotação: 70 pessoas
Saiba mais em: www.casaraoaa.blogspot.com
Siga - nos no Twitter: www.twitter.com/casarao_a
Links:
http://www.youtube.com/watch?v=5ltZwr_YOg8&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=foKnk7YD1mk
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8.4.10
Caricaturas que eu fiz: Gustave Flaubert
7.4.10
Dica do Gerdal: Toque de Bossa ainda em temporada nesta quarta no Vinicius - som de bom tom na batida diferente

Nesta quarta, 7 de abril, e na próxima, 14 de abril, às 22h30, prossegue a temporada do Toque de Bossa no Vinicius Show Bar (Rua Vinicius de Morais, 39 - Ipanema - tel.: 2287-1497). No conjunto ("flyer" acima), toca o amigo mineiro Adauto Guerra - um guitarrista firme e forte, que já foi integrante da Orquestra Tupy, ex-discípulo de Célia Vaz e Ian Guest -, acompanhado à altura pelo violão e pela voz de Cynthia Lobato (dona de atraente grave), pelo contrabaixo de Marco Bashur e pela bateria de Riso Alcãntara. Bossa de bom gosto com toque de bom tom, como se pode verificar nos "links" em seguida, em que relembram "`S Wonderful", clássico dos irmãos Gershwin, e "O Pato", de Neuza Teixeira e Jaime Silva, um "must" da batida diferente.
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Caricaturas que eu fiz: Rita Lee
Dica do Gerdal : Jaime Alem, nesta quarta, no Sesc Ginástico - atrativos de infância em dez cordas de imagens violadas

No ano passado, durante noite de lançamento do livro "Minimal Necessário", de Sergio Natureza, tive a satisfação de, ainda na fila das dedicatórias, cumprimentar Jaime Alem, que ainda não conhecia em pessoa e já voltava, em sentido contrário ao meu, com o seu exemplar autografado. Grande instrumentista, conhecido na informalidade da MPB como o "maestro de Bethânia", pelos seus 25 anos de trabalho como arranjador e produtor musical de discos e shows da cantora baiana, é mineiro de Ouro Fino, mas foi em uma cidade do interior paulista, onde viveu na adolescência, Jacareí, que conheceu outra cantora especial em sua vida - bastante atuante em coros - Nair Cândia, sua esposa. Com o seu violão muito bem tocado, lá ele se iniciou na profissão, juntamente com Jurim Moreira, Elber Bedaque, Jorjão Cavalho e Jota Morais, músicos que depois, como ele, migrariam para o Rio de Janeiro. "Jaime e Nair", em 1974, e "Amanheceremos", em 1979, são dois elepês lançados com a cara metade, para a qual produziria, em 1997, o CD "Canção de um Outro Dia", além de outros, por exemplo, gravados pela cantora e compositora Sueli Costa, pelo flautista Estêvão Teixeira (irmão de Bilinho Teixeira) e pelo trio Dicró, Moreira da Silva e Bezerra da Silva (o CD "Os Três Malandros in Concert"). Logo após o nosso aperto de mão, pude manifestar-lhe o meu forte apreço por outro disco, bem mais recente, que contou com a sua produção musical: o do ótimo Trem da Viração, de São José dos Campos, liderado por Deo Lopes, uma interessante figura de cantor e compositor, já revelado para o país, juntamente com o conjunto, por Rolando Boldrin em seu imperdível programa na TV Cultura. Em outra data na mesma atração, o próprio Jaime, com Nair, teve há pouco bela participação e, nessa ocasião, ele mostrou músicas do elogiado "Dez Cordas do Brasil", em que translada a motivação autoral, em parte haurida em imagens da infância, para a sonoridade da viola.
Nesta quarta-feira, 7 de abril, às 19h, no Teatro Sec Ginástico (Av. Graça Aranha, 187 - Centro), faz mais uma apresentação de lançamento do seu primeiro CD solo em show ("flyer" acima) com participação especial do percussionista Marco Lobo e apoio vocal de Nair Cândia. Será uma boa oportunidade para conhecê-lo na familiaridade de todas essas cordas - que numa canção ou outra podem reduzir-se a oito ou elevar-se a doze - e da sua criação musical, sobretudo para quem apenas o associa à mana do Caetano. Estes verão que Alem vai além, com a naturalidade de quem nasceu com talento e, portanto, faz bem o que faz.
Dica do Gerdal: Gladston Galliza retorna a palco carioca esta semana e solta a voz na intimidade do novo CD

Ouro-pretano de sensibilidade musical à flor da pele, influenciado por Toninho Horta e Mílton Nascimento, Gladston do Espírito Santo Galliza, ou simplesmente Gladston Galliza (foto acima), estudou no Conservatório de Música da Universidade de Minas Gerais e há 12 anos reside em Madri, onde faz shows com regularidade. Cantor portentoso e talentoso compositor e violonista, Gladston apresentou-se há pouco, no Japão e em giro pela Espanha, na excelente companhia do trio do pianista Hugo Fattoruso - uruguaio que, em 1990, lançou um ótimo elepê, "Oriental", pelo saudoso selo instrumental paulista Som da Gente. É sobre show de Gladston, nesta quarta e nesta quinta, 7 e 8 de abril, em Laranjeiras, o recado infrarrepassado
***
Pós-escrito: nos "links" abaixo, Gladston canta acompanhado pelo trio de Hugo Fattoruso, e, sozinho, à guitarra, "Bye, Bye, Brasil", de Chico Buarque e Roberto Menescal.
***
O cantor e compositor brasileiro Gladston Galliza lança no Rio seu sexto disco de carreira, intitulado "Íntimo".
O disco tem participação de grandes músicos do Brasil e da Espanha, como o baixista Rômulo Gomes, os irmãos uruguaios José e Juan San Martín e a cantora flamenca Eva Durán..
No show, Gladston estará acompanhado por Xande Figueiredo (bateria), Adriano Souza (teclados) e Rômulo Gomes (baixo).
ESPAÇO RIO CARIOCA
Rua Leite Leal, 45
Laranjeiras
Estacionamento:
Rua das Laranjeiras, 304.
valor: R$ 5,00
dias 7 e 8 de abril
quarta e quinta
20h30
couvert artístico: R$ 15,00
http://www.youtube.com/watch?v=hBvl6hjtjbE&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=IgJR9cbe3dY&feature=related
6.4.10
Dica do Gerdal: O excepcional Alessandro Penezzi nesta terça na Sala Cecília Meireles: um violão de Piracicaba surge para o mundo


Multi-instrumentista virtuoso, mas apartado daquele exibicionismo ocioso que infla o ego de alguns artistas sem nada ou quase nada acrescentar-lhes, como valor, ao que realizam, Alessandro Penezzi (fotos acima) é um músico que, aos poucos, de grão em grão - como a galinha do provérbio -, enche o papo de merecido e consistente reconhecimento para o seu trabalho, de novo revelado ao público do Rio com o lançamento aqui de recente CD, "Sentindo", nesta terça-feira, 6 de abril, às 20h, na Sala Cecília Meireles. Ele é piracicabano como seu professor Sérgio Belucco (violonista e compositor de "Buliçoso", recém-gravado em ótimo CD do conjunto 4x0 sobre a memória do choro paulista) e, na sua cidade natal, graduou-se em violão erudito, em 1997, estudou no Conservatório Dramático e Musical de Tatuí e, pela Unicamp, em 2005, bacharelou-se em música popular. Embora toque muito bem cavaquinho, bandolim, flauta e pandeiro - e, entre os violões, o de sete e o tenor -, é empunhando o violão de seis cordas que ele é mais visto e admirado, tocando e exercitando sua mestria, por exemplo, no Ó do Borogodó, na Vila Madalena, como integrante do Choro Rasgado, ao lado do sete-cordas Zé Barbeiro, do flautista Rodrigo y Castro e da pandeirista Roberta Cunha Valente, o qual lançou, também em 2005, o CD "Baba de Calango". Antes disso, já se destacara, em 2002, no Quintessência, ao lado do bandolinista Aleh Ferreira e do violoncelista Julio Ortiz, um trio que gravou o CD "Quintessência da Música" e excursionou por Rússia, EUA, Itália e África, um ano após ser finalista da quarta edição do Prêmio Visa.
Comparado pelo jornalista e chorão Luís Nassif ao gênio do passo-fundense Yamandu Costa - que, juntamente com o carioca Maurício Carrilho, terá participação especial no supracitado concerto -, Alessandro Penezzi ainda suscita, entre os seus numerosos admiradores, palavras lisonjeiras e estimulantes do experiente Aquiles Rique Reis, do MPB4, quanto à intimidade demonstrada com as cordas: "Alessandro Penezzi é um violonista com asas de borboleta, e não dedos, nas mãos, tamanha a delicadeza com que preme as cordas do seu instrumento...., com graves "gordos" e agudos "leves", tudo tocado em nome do amor ao violão e à música." Tal observação de Aquiles volta-se para "Sentindo", disco autoral e de ar camerístico feito pelo músico em meio a "down" emocional já superado, que nada lhe subtraiu em agilidade e improviso, outras características comumente notadas nas suas apresentações, de entrega visceral ao seu instrumento. "Sentindo", além de frevo, baião, choro e valsa, contém uma suíte, da qual o título do CD foi extraído, com que o violão do excepcional solista homenageia Sérgio Belucco, motivando outro elogio procedente, tecido pela jornalista e musicóloga Maria Luíza Kfouri: "Quem não conhece Alessandro Penezzi não sabe o que está perdendo."
***
Pós-escrito: nos "links" abaixo, vemos Alessandro Penezzi, em março de 2005, no Teatro Municipal de Batatais, em São Paulo, interpretando "Abismo de Rosas", de Americo Jacomino (Canhoto) e "Graúna ", de João Pernambuco. Ao lado do também violonista Caio Oliveira, toca "Xodó da Baiana", de Dilermando Reis.
http://www.violaopro.com.br/video.asp?dYMiXOdnVVIvVsFTASEI
http://www.youtube.com/watch?v=4z-NAgVBH5Y&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=wb2p1fzrGIU&feature=related
Um novo encontro com Joaquim Nabuco

O professor Marco Aurélio Nogueira lançou a segunda edição de seu livro sobre Joaquim Nabuco, agora com o título : O Encontro de Joaquim Nabuco com a Política- As desventuras do liberalismo.
A editora é a Paz e Terra. O livro traz o prefácio de Raymundo Faoro para a primeira edição, um novo prefácio escrito por Cristovam Buarque, uma nota de apresentação de Carlos Eduardo Lins da Silva e uma nova introdução feita pelo autor e um apêndice.
Mais informações no blogue do Marco Aurélio - é só clicar no seguinte link: http://marcoanogueira.blogspot.com
Programe-se: O jornalista e escritor Mouzar Benedito autografa "Meneghetti, o gato dos telhados" no projeto O Autor na Praça no sábado. dia 10


(Recebi por e-mail o lançamento do livro do meu amigo Mouzar Benedito e soube que o Luiz Gê também vai estar na dita praça com a HQ dele sobre a figuraça que foi Meneghetti - botei no ar o release inteiro)
Nosso convidado no próximo sábado, dia 10 de abril é o jornalista e escritor Mouzar Benedito, um dos fundadores do projeto O Autor na Praça, autografando seu livro mais recente “Meneghetti, o Gato dos Telhados”, publicado pela Boitempo Editorial. Contaremos também com a presença do quadrinista Luiz Gê. Já no século passado, sobre políticos corruptos, dizia Meneghetti uma frase muito apropriada para os dias de hoje: “Sempre detestei homens que malbaratam o dinheiro público”, embora tenha sido considerado "o maior ladrão" da Pauliceia, Meneghetti nunca usou de violência ou roubou dinheiro público. O livro traz ainda a história em quadrinhos, criada em 1976 por Luiz Gê para o jornal Versus, que inspirou argumento e roteiro do curta metragem de Beto Brant sobre a história do italiano. Mais informações sobre o livro e o autor abaixo.
Serviço
O Autor na Praça com Mouzar Benedito autografando “Meneghetti, o Gato dos Telhados”.
Dia 10 de abril, sábado, a partir das 11h.
Espaço Plínio Marcos - Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto - Pinheiros.
Informações: Edson Lima – 9586 5577 - edsonlima@oautornapraca.com.br
Realização: Edson Lima e AAPBC – Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto.
Apoio: Max Design, Cantinho Português, Jornal da Praça, TV da PRAÇA, Enlace-media.com, Restaurante Consulado Mineiro e Bar do Jeová
Sobre o livro “Meneghetti, o Gato dos telhados” - Boitempo Editorial, 136 págs. R$ 29,00. - "Minha primeira visão do mundo foi a cidade de Pisa, com sua torre inclinada. Tal como a torre, também o meu destino estaria sempre inclinado, cai-não-cai". (Gino Amleto Meneghetti).
Na Pauliceia de meados do século XX, Gino Meneghetti era um artista - um artista na arte de roubar. Ele chegou em São Paulo pela onda de migração dos muitos italianos que vieram ao Brasil em busca de trabalho. Mas logo ficou claro que sua trajetória teria pouco de comum com a de maior parte de seus conterrâneos. Esta obra apresenta o perfil desse anti-herói italiano que ganhou notoriedade por seus roubos e fugas espetaculares. Com uma linguagem irreverente, o jornalista Mouzar Benedito resgata a lendária "carreira" de Meneghetti, que foi avidamente acompanhada pela sociedade da época e gerou muitas histórias transmitidas até hoje na capital. Conhecido por roubar somente dos ricos e sua politização contestadora, Meneghetti fez sua fama ao empreender assaltos, fugas da polícia, por suas passagens pela prisão e protagonizar muitos "causos" na cidade no início do século XX. A pesquisa biográfica de Marcel Gomes e Antonio Biondi complementa o retrato de um dos maiores larápios que São Paulo já conheceu. Saiba mais
Trecho da orelha por Heródoto Barbeiro - Por causa do “gato dos telhados” levei muitos tapas da minha mãe. Não me lembro se a primeira vez que o vi foi antes ou depois do IV Centenário de São Paulo, mas nenhum menino que ouvia suas histórias era capaz de esquecer ou deixar de admirar o velhinho baixinho, com forte sotaque italiano e uma boina de aba. Meus olhos brilhavam quando Gino Meneghetti vinha ao bar do meu pai, na baixada do Glicério. Ficava no balcão e contava como pulava muros, saltava telhados, enganava a polícia e descobria onde os ricos guardavam suas joias. Era como um personagem que tinha saído do gibi e ali estava em carne e osso.
Sobre o autor - Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros - MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais destacamos “João do Rio, 45” (2009, Limiar Editora), “O anuário do Saci” (2009, Publisher Brasil), “O tropeiro que não era aranha nem caranguejo” (2008, co-autoria com Bira Dantas pela Limiar Editora), “1968, Por ai... Memórias Burlescas da Ditadura” (2008, Publisher Brasil), “Saci, o Guardião da Floresta” (2007, co-autoria com Ohi pela Editora Salesianas), “Barão de Itararé” (2007, Expressão Popular), “Luiz Gama” (2006, Expressão Popular), “Ousar Lutar” (2000, Boitempo), em co-autoria com José Roberto Rezende, e “Pequena enciclopédia sanitária” (1996, Boitempo).
Sobre Luiz Gê: http://oglobo.globo.com/blogs/Gibizada/posts/2009/11/14/o-aguardado-retorno-de-luiz-ge-hq-perfis-4-241233.asp
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5.4.10
Dica do Gerdal: Pascoal Meirelles faz lançamento do CD "Ostinato" nesta segunda na Modern Sound (grátis)

Baterista-referência que gosta de compor ao piano e de livro didático, "A Bateria Musical", já lançado em 2000 pela editora Irmãos Vilate, o mineiro Pascoal Meirelles, cujo nome se inclui, entre tantos itens relevantes da nossa fonografia, na gravação do álbum duplo "Terra Brasilis", de Tom Jobim, lança nesta segunda-feira, 5 de abril, às 19h, em show na Modern Sound ("flyer" acima), mais um CD próprio, "Ostinato". É desse amigo (autodidata a princípio, mas depois detentor do cobiçado canudo da famosa Berklee College of Music, de Boston, o qual comemora, neste 2010, 30 anos de atuação no Cama de Gato) o recado repassado em linhas seguintes, com destaque para os grandes músicos participantes do CD e do show. No final da apresentação de Pascoal em Copacabana, com entrada franca, a lembrança do pianista Helvius Vilela, recentemente falecido e seu companheiro e do baixista Paulo Horta (irmão mais velho de Lena e Toninho Horta), no início da carreira, entre 1964 e 1967, do Tempo Trio, formado ainda em BH e com elepê lançado nesse período pela Odeon.
AMIGOS,
Gostaria de contar com a presença de vocês nesse meu oitavo trabalho, OSTINATO. Tive a honra de ter a participação de André Neiva, Mingo Araujo, Mauro Senise e Jota Moraes( CAMA de GATO), Idriss Boudrioua, Daniel Garcia, Jessé Sadoc, Sergio Barrozo e Dario Galante (Pascoal Meirelles SEXTETO).
Nas gravações, estiveram presentes também Paulo Russo, Osmar Milito, Ugo Marotta, Altair Martins, Guilherme Dias Gomes, Marcio Montarroyos (in memorian),Ary Piassarollo e Alex Carvalho.
Todos irão tocar no show do dia 5 de abril na Modern Sound, com exceção dos maravilhosos pianistas Osmar Milito e Dario Galante e ainda dos grandes guitarristas Ary Piassarollo e Alex Carvalho.
Para este show, foram especialmene convidados Vitor Gonçalves (piano) , Marcos Nimirichter(piano) e Nivaldo Ornellas (sax-tenor). No encerramento, uma música composta por Pascoal para homenagear Helvius Vilela, pianista e arranjador, grande amigo, falecido recentemente, será tocada por todos.
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4.4.10
Crônica da Tinê : Coelhada à moda de “João Patú” (trecho)

“O relógio atira-se ao chão e abre-se em gargalhadas.”
Érik Satie (*)
(“Run rabbit run, as fast as you can. Don’t look back”; Corra, coelho, corra o mais rápido que puder sem olhar para trás. – canta o coro no jukebox)
Falar para a menina de cinco anos sobre ressurreição, passagem desta para outra ou o significado da morte como extensão da vida faz tanto sentido quanto tentar convencê-la de que os ovos enfeitados vieram da galinha e não do coelho em seu ritual pagão perdido nas eras. A menina olha curiosa para a caixa-cenário em forma de livro aberto, mas reclama zangada, a choramingar, “Roubaram o meu coelho!”
(“I saw a cat by the rabbit hole / you saw a prince from a fairy tale”; Vi um gato a rondar a toca do coelho enquanto você via um príncipe encantado. – canta o coro no jukebox)
As páginas mágicas abertas em par – à esquerda, o Gato de riso safado, à direita, o Coelho escravo das horas – não apontaram o ladrão da guloseima festiva, um coelho de chocolate retirado do cestinho que a menina levara dias para colorir e montar. Pela posição da menina dentro da sala, a atração (o livro) veio pela direita e a traição (o roubo), pela esquerda. Se o livro-cenário era um espelho, os lados se inverteriam: o Coelho fugiria pela esquerda, o Gato chacotearia na direita, a menina teria mentido para ganhar um doce a mais, dramatizaria a própria invenção ao verter lágrimas. Em sua percepção fictícia a menina se via como reflexo de Alice que, por um desses conceitos modernos dos físicos rodeados por lentes-fórmulas-relógios digitais relativos às dobras do tempo, também ela seria a Rainha. Não sei mais em que lado estou desse espelho! Sei apenas que a menina falou a verdade, eu-Rainha-menina-Alice fomos as únicas dentre as crianças a não devorar um coelho, que estou bem aqui mas boa parte de mim permanece lá, e que nada no mundo é absoluto – o melhor espelho, inclusive, pode quebrar-se.
(“Run rabbit run / but what’s that you’re runnin’ stand for?/ You ain’t gonna run no more”; Corra, coelho, corra, mas para quê se não há para onde ir?– canta o coro no jukebox) (...)
Tinê Soares – 31/03/2010
(*) a respeito das regras de composição
3.4.10
Meu Judas Jeca Tatu

No texto do "Novo Testamento" Judas Iscariotes aparece como o grande vilão, o dedo-duro que entregou Jesus por 30 dinheiros. Não dá para aquilatar o que significava essa quantia- se era muita grana ou se era mixaria. Tem gente que diz que foram 30 moedas de prata- quer dizer, nem tudo que reluz é ouro. Jesus teria sido trocado pelo preço de um escravo - uma merreca avaliada pela elite do templo.
O que importa é que Judas então, antes de perder as botas, passou para história como um traidor - e mais do que isso, um traidor barato. Nas pinturas da Santa Ceia é representado com cara de mau, segurando uma sacolinha onde estaria o fruto monetário de sua infidelidade. Aí vem um "expert" e diz que ele carregava essa tal sacolinha porque era o encarregado das finanças do grupo apostólico, uma espécie de contador, e que já tinha mostrado uma certa má conduta, ao desviar um tutuzinho para uso próprio - o que mostrava o seu caráter vil, muito apropriado para o papel que lhe seria destinado.
Exegeses à parte, parece existir uma certa polêmica em torno dessa narrativa. Sempre existe um incréu que insiste em afirmar, que ao contrário do que se fala, Judas era um inocente útil, que participou como um fantoche do "plano divino". Sem sua ação maléfica, não haveria sexta-feira Santa nem sábado de aleluia, nem coelhinho da páscoa. Sem seu dedinho indicador, Jesus iria passar incógnito no meio dos barbudinhos que o acompanhavam na sua infinita peregrinação. Dão por estabelecido que Judas foi "escolhido" para a cruel tarefa dedodurante, não passou de uma peça de um roteiro que já estava escrito desde o nascimento do filho do Hômi - ou seja desde que o Big Boss, também chamado de Deus, concebeu o projeto de mandar seu querido rebento para remir os pecados dos homens. Os que se posicionam mais à esquerda dizem que Judas era um guerrilheiro da seita zelote, que viu no nazareno um líder carismático com potencial para provocar uma rebelião contra o poder dos romanos. Quando entregou Jesus, na verdade visava provocar a ira do povo judeu contra os dignitários ligados a Roma , suas forças de ocupação e os colaboracionistas. Em termos modernos, seria um nacionalista. Nessa formulação, Judas não seria o traidor, mas um estrategista que não deu certo.
De qualquer forma venceu a narrativa que confere culpabilidade - ainda que de modo confuso à sua figura, e que permaneceu ainda polêmica quando tratou de relatar sua morte - ocasionada segundo uns, por enforcamento( ele se suicidou), depois dele jogar as tais 30 moedas no templo - segundo outros, por uma queda violenta, em que ele se estabacou nos rochedos de um terreno que havia comprado com o fruto de sua vilania. A coisa foi de tal monta que deixou as vísceras do infeliz expostas aos corvos.
Com essas e outras, ele é malhado no sábado de aleluia, e aí que entra a segunda parte da minha croniqueta.
A semana santa era muito movimentada lá em casa, no final dos anos 50 do século passado. Minha nonna Thereza mobilizava minha mamma Mathilde logo na segunda-feira, para ela ir juntando roupas velhas com o intuito de confeccionar o nosso tradicional Judas. Lá ia Dona Mathilde atrás das roupas que meu pai não usava mais: um paletó surrado que mofava no guarda-roupa , uma camisa social que tinha sido manchada por tintura de cabelo (meu pai era barbeiro). E sempre tinha umas calças compridas que acabavam sacrificadas. Interessante é que o Judas da minha nonna não tinha roupa de baixo. Seu corpo era feito com jornais populares amassados, que iam fazendo o recheio das roupas. Curioso é que sempre surgia um sapato velho para compor sua figura. Onde já se viu, um Judas sem pé? Já a cabeça era construída com mais apuro- um pano branco, em geral um retalho de lençol era cuidadosamente costurado em torno de um saco de papel, como se fosse um envelope. Sua careta era desenhada a carvão, cabelo e barba e no fim se botava um chapéu de palha nele, cuja utilidade não consigo avaliar até hoje. Nosso Judas sempre acabava parecendo um Jeca Tatu, que até dava pena bater nele.
Juntadas as partes do boneco, ele era empalado com um cabo de vassoura para ficar ereto, só aí é que deixavam o coitado em paz, num canto da cozinha a esperar o glorioso dia de sua malhação.
Nesse tempo não se penduravam nomes de políticos no seu corpo, embora houvesse gente que gritasse o nome de algum da "figurão" na hora H, quando a molecada se preparava para tascar o porrete no bicho.
Na manhã do sábado de aleluia o pessoal de casa acordava sempre alegre, o rádio que ficava mudo na sexta-feira da paixão era ligado a todo volume. A vizinhança se reunia perto do portão da frente e se percebia uma certa agitação, quando eu, munido de cordas, arrastava o Judas escada abaixo e o levava até o poste mais próximo, onde já havia uma cadeira, para o mais alto subir e amarrar o danado. Quando ele estava bem preso ao poste, a gente esperava a ordem dos adultos para começar a malhação - feita com pedaços de madeira de vários tipos, sendo que predominavam os cabos de vassoura ou as próprias vassouras em pessoa mesmo. Recordo de uma vez em que rolou sangue. A sanha foi tanta, que teve gente que em vez de malhar, acabou malhado, pois sobrou porretada para todos os lados. Confesso que não me lembro quem levou a pior. Foi o Durva? O Quinho,? O Mido? O Bacalhau? O Feu? Ou será que fui eu?
A parte mais difícil era a de atear fogo no Judas, que coitado, já estava meio desfigurado quando caia do poste. Todo mundo gritava : - Cuidado! Pois sempre tinha um menino que saia chamuscado. No fim da festa, sobravam pedaços de pano e jornal queimados pela rua de terra - umas fumacinhas tristes insistiam solenemente em marcar sua presença no meio da poeira. Era o momento em que as mães vinham varrer e recolher os restos mortais do finado Judas que voltaria a viver , trair e morrer no próximo ano.
Diacho, a saudade mata a gente, morena!
2.4.10
Dica do Gerdal:Canções de Dolores Duran por Ithamara Koorax neste fim de semana no Rio - noturna dor-de-cotovelo na claridade de um cristal

Sempre que me ocorre o nome de Ithamara Koorax (foto acima), junto vem a lembrança de um número fantástico que ela, na alvorada da carreira, apresentou, na década passada, no Teatro João Theotônio, no Centro do Rio, em show compartilhado com Guinga. Fiquei abismado ao vê-la cantar lentamente e "a cappella", com ênfase dramática, um samba de sucesso de Martinho da Vila, "Disritmia", e não tive dúvida de que naquele momento uma estrela nascia no firmamento da MPB, ainda para a luneta dos poucos na plateia de então, e seria de primeira grandeza, como hoje o é cabalmente, uma das principais referências do nosso canto no exterior, sobretudo nos EUA, com um grau de reconhecimento que, ironicamente, apesar do seu mérito, ainda não alcança aqui. Escolhida, mais uma vez, no ano passado, pela "Down Beat", bíblia norte-americana do jazz, uma das três maiores cantoras do gênero em todo o planeta na atualidade - perdendo apenas para a canadense Diana Krall e a norte-americana Cassandra Wilson -, Ithamara, ainda com tantas "tournées" a rechear-lhe a agenda de apresentações, desfruta, por valor próprio, com amplo domínio técnico e voz de grande extensão e emissão cristalina, da satisfação de, nestes 20 anos de carreira, ver materializado o sonho da adolescente que, em Niteroi, optou pela profissão de cantar ao integrar um coral bem-sucedido e viajado, o do Centro Educacional de Niterói, regido pelo professor Ermano Soares de Sá. Aliás, filha de cantora lírica e com aulas de música clássica na infância, sobre ela, em 2003, escreveu o recém-falecido jornalista Armando Nogueira: "Se é verdade que cada música tem a sua alma, essa admirável cantora tem o dom de criar uma voz que parece ter nascido com a alma da própria canção" e, sem disfarçar o entusiasmo, foi ainda mais adiante no elogio: "Cinco são os elementos essenciais da vida: o Ar, a Terra, a Água, o Fogo e a Voz de Ithamara Koorax."
Neste fim de semana, nos dias 3 e 4 de abril, às 19h30, no Teatro Nelson Rodrigues - Caixa Cultural RJ (Av. República do Chile, 230 - Centro), ela presta a sua homenagem a Dolores Duran, que completaria 80 anos de idade no próximo 7 de junho. Muito cedo partiu para o reino dos esplendores, em 1959, motivando, no ano passado, pela mesma razão de efeméride redonda, outras homenagens, como a de dois shows na Sala Baden Powell, um com a carioca Juli Mariano e o outro com a mineira Marcê Porena. Dolores gravou com sucesso gêneros diversos de composição, como o baião "A Fia de Chico Brito", de Chico Anísio, mas foi no campo minado do samba-canção e de suas ciladas de amor que deixou a marca do seu melhor sentimento de intérprete. Isso valia tanto para as suas joias autorais, como "Castigo" e "Ternura Antiga" (esta com melodia do pianista Ribamar), quanto para a ourivesaria alheia, de que é exemplo "Um Amor Assim", gema criada e lapidada por uma amiga do peito e igualmente bem estabelecida no ramo da dor-de-cotovelo, Dora Lopes.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
***
Pós-escrito: no primeiro dos "links" abaixo, acompanhada por José Roberto Bertrami, Ithamara canta "Meditação", de Tom Jobim e Newton Mendonça, em trecho do programa "Sarau", da Globo News, apresentado por Chico Pinheiro; no segundo, ainda com Bertrami ao teclado, canta a versão do paulista Zé Fortuna para "Índia", famosa guarânia paraguaia lançada entre nós, em 1952, pela dupla Cascatinha e Inhana.
http://www.youtube.com/watch?v=8hiwDHUFesY
http://www.youtube.com/watch?v=R2X4_e2aSBc&feature=related
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Dica do Gerdal: Sanny Alves canta nesta sexta no Lapinha em show inspirado por joias de Ary Barroso

Destacando, no último domingo, 28 de março, como gosto de fazer em relação aos nossos músicos - do passado e do presente -, parte da trajetória do violonista, compositor, arranjador e produtor musical Ruy Quaresma, esqueci-me de informar aos interessados onde se situa o Lapinha, promissora casa noturna no Centro, também talhada para piano-bar, da qual esse talentoso carioca é um dos sócios. Tal informação consta do "flyer" acima, que já inspira uma incursão boêmia no lugar, onde a amiga Sanny Alves, admirada por ouvintes ilustrados e exigentes, faz a sua reverência interpretativa a um patrimônio da nossa canção popular, Ary Barroso.
Não será, é claro, a lembrança de um compositor interiorano, recortado pela observação rural e até mesmo exaltação dos fatos e das vissicitudes da sua terra e da sua gente de origem, como fizeram, em 1998, em gracioso CD da Revivendo, "Ary Mineiro", as cantoras gêmeas Célia e Celma, igualmente ubaenses. O Ary de Sanny, creio, será aquele consagrado por tantas músicas de sucesso e regravações, "à la carte" para o paladar sentimental urbano, um Ary já muito bem aquarelado por uma toda mel Gal Costa, em 1980, em elepê da Philips que contou com belos arranjos do pianista Perna Froes - seu conterrâneo e ainda médico como outros dois, Tuzé de Abreu e José Carlos Capinam - e do violonista Roberto Menescal. Um Ary de todos, do agrado geral, que nunca é demais ouvir, aquele dos clássicos que também reservam, no show desta sexta-feira, 2 de abril, um momento de visitação ao "luxo só" da voz de Sanny. Já era tempo.
1.4.10
"Quebradeiras" ganha prêmio em Toulouse

O filme - documentário Quebradeiras de Evaldo Mocarzel foi premiado em Toulouse (França). A trilha sonora é assinada por Marcus Siqueira e Thiago Cury. Para não deixar ninguém de fora, publicamos a ficha técnica da obra:
título original:Quebradeiras
gênero:Documentário
duração:01 hs 11 min
ano de lançamento:2010
estúdio:Casa Azul Produções Artísticas Ltda.
direção: Evaldo Mocarzel
roteiro:Evaldo Mocarzel e Marcelo Moraes
produção:Leonardo Mecchi
música:Thiago Cury e Marcus Siqueira
fotografia:Gustavo Hadba
edição:Marcelo Moraes
Para ter o gostinho do filme clique no link http://www.youtube.com/watch?v=nbrLre32nAE
Bravo, pessoal! Bravo!
Um dia uma gata

Leiam a bela história da gatinha Miou-Miou no blog bonito e sensível de Maysa "O ninho e a tempestade". É só clicar no link
http://oninhoeatempestade.blogspot.com/2010/03/blog-post.html
31.3.10
Mariana Baltar em pocket show na FNAC nesta quarta
30.3.10
Dica do Gerdal: Pedro Amorim, Caio Cezar e Alessandro Valente evocam Canhoto da Paraíba, nesta terça, em rebuscado de saudade encantada



Como que às canhas na aparência, mas com exatidão de toque distanciada do alcance de muitos destros, o violão do saudoso Chico Soares, o Canhoto da Paraíba (foto acima), trouxe encantamento a tantos quantos o viram tocar, em 1959, em famoso encontro na casa de Jacob do Bandolim, em Jacarepaguá. Nessa ocasião, o próprio Jacob, Radamés Gnattali, Dilermando Reis e Tia Amélia, entre outros, constataram a excelência de dedilhado desse filho de Princesa Isabel, cidade situada no sertão paraibano, com jeito peculiar de portar o seu instrumento para execução, invertido, com as graves embaixo e as agudas levantadas. Em especial exibido, em 1980, pela TV Globo, no qual se apresentou com Canhoto, Paulinho da Viola revelou a injeção de ânimo que recebeu do convidado, sem que este a princípio soubesse, para que perseverasse no caminho do choro, apenas por vê-lo tocar na sua modéstia e mestria. Três anos antes, pela Discos Marcus Pereira, por sua iniciativa e produção, possibilitara a Canhoto a gravação de "O Violão Brasileiro Tocado pelo Avesso", um dos poucos discos reservados à posteridade por esse seu colega de palcos nacionais pelo Projeto Pixinguinha.
De modo distinto ao das flores em vida que o saudoso isabelense colheu, pela Deck Disk, em belo e expressivo CD de Fernando Caneca, em 2004 - "Visitando Canhoto da Paraíba", com cordas de sonoridade percussiva realçando a nordestinidade do choro do homenageado -, o bandolinista Pedro Amorim, o violonista Caio Cezar e o cavaquinhista Alessandro Valente, compondo o Trio de Câmara Brasileiro, fazem, em outro e primoroso CD, "Saudades de Princesa", ora lançado pela Crioula Records, o seu "rebuscado" de um artista brasileiro, morto há dois anos, "dos mais regionais e universais", como o aprecia Caio, também o arranjador e diretor musical da obra. Um doutor de alpercatas em seu universo fantástico de sons e significados, observou ainda no encarte do disco, de faixas hoje, 30 de março, apresentadas em show realizado, a partir das 19h, na Modern Sound - Rua Barata Ribeiro, 502 - Copacabana.
No primeiro dos "links" abaixo, um trecho de documentário (8 minutos) sobre Princesa Isabel (PE) e depoimentos sobre Canhoto; no segundo, Canhoto, em 1994, tocando "Mulher Rendeira"; "Disparada", de outro paraibano (da capital), Geraldo Vandré, e Theo de Barros, e "Procurando Tu", de mais um paraibano bem conhecido, Antônio Barros (de Queimadas, perto de Campina Grande), em parceria com J. Luna.
http://www.youtube.com/watch?v=MDQhoO2zPxI
http://www.youtube.com/watch?v=SAHuz0iWu9k&feature=related
29.3.10
Todos contra a Dengue!

Comecem hoje, não deixem para amanhã. Limpem seus quintais, evitem plantas que ficam com água depositada- esvaziem garrafas, pneus e outros recipientes que podem armazenar a água da chuva. Todos temos responsabilidade diante desta doença. O que fazemos em nossa casa pode evitar que nosso vizinho fique doente. A dengue, mais do que as outras, é uma doença "social". Devemos ser solidários nessa luta. Eu pergunto:- um mosquito vai nos derrotar? Esse mosquito tem que ser combatido de todas as formas.
Caricaturas que eu fiz: Chuck Berry e Little Richard
Dica do Gerdal: Paulinho de Castro é atração de documentário na UTV- o bom samba carioca feito por quem tem a cabeça no lugar

"Perdi na linha do trem/a minha cabeça decepada/e compreendi, meu amor/que a minha cabeça não valia nada/
minha cabeça gritava, rolava/meu Deus, que horror/desesperada, ela gritava "me chame o doutor"/ao lado, o corpo
morria de rir/"ninguém se mete/porque está tudo legal/esta cabeça é que sempre foi o meu mal"
Prezados amigos,
Professor de português e literatura na Faculdade Hélio Alonso (Facha), em Botafogo, onde, no ano passado, no bar Belmiro, esteve à frente, com o seu conjunto, de importante série de encontros com destacados compositores de samba do bairro - como Niltinho Tristeza, Zorba Devagar, Walter Alfaiate e Mical -, Paulinho de Castro, ou Paulinho do Cavaco, é, ele próprio, um compositor notável, de verve popular e até irônica, de que são exemplo os versos acima de "A Cabeça". Gravado tanto pelo finado Nadinho da Ilha quanto pelo conjunto Família Roitman, esse achado musical também pode ser ouvido, na voz de Nelson Sargento, na trilha do curta-metragem "Perdi a Cabeça na Linha do Trem", dirigido em 1992 por Estêvão Pantoja. É samba de lembrança instantânea nas boas rodas cariocas em relação ao Paulinho, cuja linha autoral, embora contemple o veio romântico, tem na observação espirituosa dos fatos o "leitmotiv" da sua inspiração, como ainda, entre muitos, "Reunião de Condomínio" e "Sine Qua Non", em que se vale, naturalmente, do latim para o chiste na letra.
Há pouco, pelo canal 11 da NET, tive a satisfação de ver esse amigo num programa em que, além de um registro merecido da sua trajetória de compositor, é, pela sua palavra, uma simpática reverência a Botafogo e seus foliões, cenário e personagens históricos que ora merecem o cuidado retrospectivo da pesquisadora Ivy Zelaya para próximo volume a enriquecer a bibliografia em torno da cultura do samba na topografia da Velhacap. Essa atração da TV Universitária, "Gente de Samba", tem reprises indicadas no "flyer" acima. Parafraseando um baiano monumental, não deve deixar de ser vista por quem é bom da cabeça ou saudável do pé. Em particular, um carioca de fato e bom sujeito.
( NR:Clique no flyer para ampliar e ler melhor. De qualquer forma adiantamos que o programa será reprisado na quinta-feira, dia 1 de abril às 18.30 h e na sexta-feira, dia 2 de abril às 23.30 h)
http://sambadebotafogo.zip.net/arch2009-06-07_2009-06-13.html (Samba de Botafogo, blogue do Paulinho)
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28.3.10
Dica do Gerdal: Ruy Quaresma: violonista dá corda ao arranjo musical da Lapa com shows de primeira


Amigo íntimo de um violão que o acompanha na carreira, nada vadio, mas boêmio, e camarada de um cavaquinho chorão pelo qual se fez entender para o sucesso na voz de Beth Carvalho, o carioca Ruy Quaresma (foto acima), também arranjador conceituado nas lides do samba, começou cedo no ramo, estimulado pelo espelho caseiro de pai e avô, músicos amadores, e de Lindaura Rosa, viúva de Noel, a quem, menino ainda, acompanhava em festas familiares. No palco de um clube da mesma Vila Isabel exaltada em "Flor dos Tempos" por Nei Lopes, ex-morador do bairro, sobre melodia nascida em suas cordas, Ruy teve estreia ao violão, com 14 anos de idade, em companhia dos excelentes integrantes do Fórmula 7 (no qual já tocavam, por exemplo, Hélio Delmiro, Luizão Maia, Márcio Montarroyos e Hélio Celso). De Paulinho Nogueira, guarda lembrança significativa de um método do saudoso campineiro que lhe foi presenteado por um tio, com noções fundamentais à sua formação, a qual, tempos depois, ainda se enriqueceria por meio de estreito contato com nomes exponenciais, como K-Ximbinho, Laércio de Freitas, Paulo Moura, Lyrio Panicali e Radamés Gnattali, os dois últimos, em 1969, quando de estágio na Rádio MEC e como arranjador principiante da orquestra da TV Globo. Recentemente, pela sua Fina Flor, é responsável por arranjos, produção musical e lançamento de CDs de ótima realização, como os do Sururu na Roda e solos das expressivas mulheres desse quarteto, Nilze Carvalho e Camila Costa, do Quarteto em Cy, de Sanny Alves e do já citado Nei, seu polissilábico parceiro em outro samba,"Saracuruna-Seropédica".
Juntamente com a flautista Tereza Quaresma, o jornalista Hugo Sukman e um querido amigo meu de vários anos, Luís Carlos Pimenta, Ruy Quaresma desbrava um espaço do entretenimento musical na Lapa para uma MPB de qualidade, sem rótulo ou segmentação rígida, antenado com a lira dos novos talentos e com foco ainda dirigido a shows inusitados e surpreendentes. Chama-se Lapinha a bem montada casa noturna de que é proprietário e anfitrião, com piano mesmo no palco - muito bem tratado artisticamente pela competência de Fernando Merlino, do conjunto fixo de lá -, apreciável atendimento e ótimo sistema de som. Como em todas as minhas dicas, por extremo apreço pela boa MPB - "avis rara", ironicamente, na mídia de massa -, faço aqui, de modo espontâneo e desinteressado, a recomendação do lugar, torcendo para que, em outros endereços da nossa cidade, surjam mais casas de objetivos afins e relação respeitosa com o músico, em particular, que saibam valorizá-lo na extensão da sua importância. Boa sorte, Ruy! Que o Lapinha siga o exemplo de longevidade do Village Vanguard em Nova York, há tantos anos emblemático do jazz, no que este tem de melhor na sua inspiração e produção.
***
Pós-escrito: na segunda foto - de conjunto, da esquerda para a direita, Marcelo Menezes (Macarrão), Delcio Carvalho, Nei Lopes e Ruy Quaresma.
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Desenho Inédito - Figura 1

Este desenho é da fase em que resolvi entrar no sagrado território das Artes Plásticas.
Quando mostrei para um galerista, ele me disse: Faça isso numa tela grande e eu farei uma exposição de arrebentar a boca do balão!. (Nesta época ainda se imaginava arrebentar a boca do balão com uma exposição). Eu não fiz as telas, insisti no suporte papel e claro que não cheguei a lugar algum. Agora com o blogue posso ir mostrando esse lado de artista plástico ávido por dinheiro. (Como naquele anagrama cunhado, acho que por Buñuel, para e com o nome de Salvador Dali - ou citado por ele no livro "Meu último suspiro" : - "Avidollars").
O desenho foi feito com nanquim (pincel e pena) sobre papel Schoeler Hammer rústico.
(Clique na imagem para amplar e ver melhor os detalhes)
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