8.2.09

Aviso aos Navegantes


Não é que eu não goste de Carnaval. Quando menino fazia "sangue de diabo" amassando flores e frutos vermelhos que depois de coados iam para uma bisnaga plástica (que imitava lança perfume de rodo metálico) e tome jato! Manchei muita roupa de gente e depois corri feito louco para não ser apanhado. Já pulei quase em todos os blocos do Rio de Janeiro fanstasiado de "sheik de araque". Desfilei na Vizinha Faladeira em homenagem ao grande Lan. Já vi minha escola (a Mangueira) desfilar e ganhar. Torci pela minha segunda escola - que é a de minha mulher - a Mocidade Independente de Padre Miguel.
Simplesmente gostaria de pertencer a um planeta em que o carnaval não existisse como obrigação uma vez por ano. Não sei porque um dia essa folia toda, me encheu as medidas. Uma vez passei o carnaval no sul, em Santa Catarina. Parecia que estava na Alemanha, todo mundo trabalhou no período momesco. Nenhuma serpentina ou confete. Acho que foi aí que começou essa onda de me desligar da festa da carne. Em Laranjeiras , como Gerdal indicou, já está repleta de blocos. São meus vizinhos, barulhentos, cheios de gente encharcada de cerveja a mijar pelos muros e postes. Esse ano declinei desse delírio de massa e me concentrei no mundo de minha mãe, que agora é minha grande companheira de histórias. Aprendo com ela o valor do respeito à vida, a indignação diante da falência desse mundo, e recordo tempos que não vivi. Um dia falarei dela, de sua imensa força anônima, de sua teimosia, de sua fúria glauberiana. A minha costureira preferida. Com essas palavras quero dizer que esse blogue continua de férias, tocando o bonde conforme a música que anima a minha casa, intra muros. De fora, só os ecos dos tambores que um dia vão calar.

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