7.11.09

Do fundo do baú: Ilustração "A sombra do livro"


Com o calor que está aqui no Rio, juntar uma idéia com outra é quase impossível, digitar então... Por enquanto boto no ar uma ilustra antiga.

6.11.09

Feliz explicação


Acho que está na hora de explicar aos amigos navegantes a razão do meu recesso. A procura das palavras certas e a emoção me travaram, mas agora acho que vai :
Fui até Paris para participar da cerimônia de casamento de meu querido filho. Ele casou com uma linda, doce e corajosa mulher. Espero que sejam felizes nesse novo caminho que escolheram. El camino se hace caminando... pelo menos me parece que eles pensam assim...
Tudo foi muito bacana nesse tempo que entrei como que flutuando: a solenidade na Prefeitura ( lá eles casam na sede da Prefeitura do bairro onde moram), a surpreendente festa numa cidade próxima de Paris, o nosso curto e agitado convívio desses dias. Fiquei muito emocionado e feliz por poder estar junto de meu filho nesse momento, nós que habitamos continentes separados por um Atlântico, esse mar grande que foi atravessado por nossos ancenstrais para buscar a sobrevivência que uma Europa( naquele tempo) famélica não conseguia dar. Sempre tive muita dificuldade de me despedir desse meu filho, o "meu garouto", mas agora, meu coração se tranquilizou apesar da diferença do fuso horário.
Voltei muito cansado e não consegui botar ordem na bagunça deste blogue.
Do reencontro com a cidade Luz acho que vai brotar uma série de croniquetas, só preciso superar o calor brutal desse trópico que me derrubou logo que cheguei e me entristece a cada dia que passa.

Dica do Gerdal: Fernando Caneca é o convidado de hoje do Música & Prosa, show com bate-papo conduzido por Amaury Santos em Niterói


Muito bem conceituado na praça, acompanhando em gravações e turnês nacionais e internacionais atrações de massa, como Gal Costa, Emílio Santiago, Simone, Ivan Lins, Marisa Monte e Vanessa da Mata, o guitarrista, violonista e compositor Fernando Caneca é um pernambucano que, ainda adolescente, veio morar em Niterói, onde principiou o seu contato com a música por meio do choro. Admirador dos solos de Wes Montgomery, ainda em 1984 participou da Orquestra de Violões da UFF, regida por Francisco Frias, destacando-se na carreira por tocar com desenvoltura ritmos bem diferenciados entre si. Com Cesinha, à bateria, e Fernando Nunes, ao baixo, integrou o trio instrumental Flenks, com CD lançado em 2000, e, quatro anos depois, fez um excelente CD solo, "Visitando Canhoto da Paraíba", pela Deck Disc, bem clareado por luz própria na releitura de composições desse mestre paraibano do "violão pelo avesso". Mais recentemente, vem abrilhantando os "shimbalaiês" da talentosa Maria Gadu em shows diversos da cantora e compositora paulistana. Ele é o convidado desta sexta, 6 de novembro, às 22h, do Música & Prosa, um show com bate-papo comandado pelo radialista Amaury Santos, em Niterói ("flyer" acima).
         Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 

Mais um brinde: Um cartum de João Zero


(Clique na imagem para ampliar e ler melhor a legenda do cartum)

5.11.09

Dica do Gerdal: Livro sobre Victor Biglione, escrito por Euclides Amaral, é lançado nesta quinta em Copacabana


Escrevo esta dica sobre Victor Biglione "no clima", pois ouço o magnífico CD "Uma Guitarra no Tom", em que ele extrai do seu instrumento desenhos harmônicos de intensa beleza para prestar o seu tributo - este, sim, não oportunista, mas agregador de valor e inventiva - à obra de Antonio Carlos Jobim, o nosso maestro soberano. Muito bem secundado, por exemplo, por Sérgio Barrozo, ao baixo, e André Tandeta, à bateria, na recriação personalíssima, quase "coautoral", de temas como "Mojave", "Chovendo na Roseira" e "Fotografia", Victor faz um disco resumidor de toda a sua sensibilidade, à flor das cordas, e enorme capacidade de execução. 
        Nascido em Buenos Aires, mas entre nós desde os seis anos de idade e aqui naturalizado, Victor é o músico estrangeiro que mais tocou, na história da MPB, em gravações e shows de artistas nacionais ("flyer" acima). Teve a carreira revisitada pelo poeta Euclides Amaral no livro "O Guitarrista Victor Biglione & a MPB", lançado nesta quinta-feira, 5 de novembro, na Livraria Bolívar - Rua Bolívar, 42 (tel.: 3208-3600), em Copacabana -, a partir das 19h. Uma boa pra logo mais.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

Do fundo do baú -Caricaturas que eu fiz: Indira Gandhi


Enquanto eu não escrevo sobre o que provocou o meu recesso e não digito o texto sobre Lévi-Strauss que eu prometi, deixo aqui uma caricatura que retirei do fundo do baú - a de Indira Gandhi depois do atentado.
NR: Gripe, Rio 40 Graus...ninguém é de ferro!!!
(Clique na imagem para ampliar e ver melhor)

4.11.09

Crônica da Tinê - Bandeirada (ou Cada um tem o deserto que merece)



A mais, ou a menos,
quando o cavalo é muito grande,
desconfio ser o jóquei muito pequeno.


Se minha cidade fosse toda para dentro e nela chegasse um estrangeiro a apontar na direção do rio, “Ali em frente fica o mar” diante da câmera, eu calada deixaria passar com a cara mais lavada do mundo.
Sem falso orgulho, diria às caras amarradas por tal erro que se o visitante confundiu água ribeira com quebramar, sinal de que nosso rio neste Matão é de bom tamanho, deixem-no falar, alegremo-nos. Pois não sucedeu o contrário naquele Matão de fora, caraveleiros deram com os costados numa enseada em certo janeiro e, na pressa em fincar bandeira d’El-Rey e despachar o carteiro, lhe chamaram de Rio de Janeiro? Nem por pouco os caras-pintadas da época (muito menos os que os sucederiam com aerofotometrias) arrancaram as penas da tanga com grito de guerra ou foram em desagravo pichar as naus com seiva de jenipapo. Ao contrário, mantiveram o nome de batismo apadroado pelo santo flechado, Sebastião. Do outro lado de sucessivas montanhas e séculos, perto do rio corrente, eu rio dos destemperados. Arrisco a dizer que entre a marujada quinhentista houve quem amiúde dobrasse a espinha de tanto rir, “Esse gajo Estácio anda nos cascos!”, seja eu Calpúrnia, Benedita ou Índia-Sentada.
Céus, por quê? Por que Nicolas Villegagnon não vingou?! – “Riôôô? Mais où est le rivière ici? C’est ça?! (o fidalgo à procura do tal rio na Baía de Guanabara) -
Quelle merde est Brèsil! Je detèste mon roi!!!” (pragueja de seu cargo). Ou eu carioca desterrada estaria a escrever este arremedo crônico em franco-banzo-tupinambá.
Desliguei monitor, liguei tevê. Assisti a um documentário. Um saudita levara um novaiorquino para passar dois dias no meio do deserto. No início, o convidado ficou maravilhado com o ar dourado, com a vida resistente que pulsava sob o areal, adivinhava (e depois comeu) cobras, escorpiões e lagartos até seus olhos se embaçarem com o tédio escaldante. Foi aí que o anfitrião aos sorrisos caminhou até ele, e num gesto panorâmico disse-lhe “Isso ninguém pintou, ninguém desenhou, foi a natureza quem fez. E nele sobrevive o homem há milênios.” O turista comoveu-se, chegou a esquecer os grãos de areia a entupir-lhe os buracos do corpo e o desejo por nevascas. Ficou agradecido ao outro por mostrar-lhe a beleza no impensável – “Discordar de você não me impede de gostar de você, de respeitá-lo”.
Fui caminhar. Ao passar pela rodoviária velha, ouvi. Não a cacofonia de metrópole, ou o assovio de areias, mas o povo murmurejante de uma cidadezinha avolumado por vozes infantis sobre bicicletas em torno de algo no meio da praça. Juntou gente. Quis ver. Boné, luvas e meias pretas, rosto pintado de prata, o corpo enrolado na bandeira brasileira estava imóvel sobre um caixote. Lastimei não ter a máquina comigo para registrar as caras ao redor. Não entendiam. Fui até lá, disse para o alto “Dura é a vida de artista” e depositei moedas na garrafa ao chão. Diante da plateia arregalada, a estátua-viva moveu-se lenta, cumprimentou-me e, quando eu esperava ganhar balas, recebi um cartão da sorte, que pelo caminho fui lendo.
Uns acertam no casco, outros, na ferradura. Pode ser um comentário generoso a um blogueiro ultramar que desancou uma brasileira, só por ela ter cometido erros topo-ecológicos enquanto falava sobre as belezas de Portugal – pior, se referiu a ditadura de lá por “mais de vinte anos”. Vejamos: do comandante Mendes Cabeçadas a Marcello Caetano, foram 48 anos cravados nos lusos, uma geração perdida junto a colônias em África. Eu diria que o português ofendido, que ilustrou sua crítica com uma pichação lisboeta pouco gentil, subiu nos tamancos. Os brasileiros conhecemos bem a altura de antigos tamancos: uma única tamancada avaria várias cabeças num só golpe.
Da estátua-viva estreante no lado de cá do rio mixuruca - mais que um artista de rua, menos que um artista da fome, um artista do Sétimo Dia - ficou a minha sorte: “Leia 1Jo 2:15”. Agora, se me dão licença, vou catar uma bíblia.
Tinê Soares (15/10/2009)

Homenagem a um grande intelectual público


(Artigo escrito pelo Professor Marco Aurélio Nogueira em homenagem ao cientista social Carlos Estevam Martins, que faleceu no dia 9 de outubro - foi publicado no jornal O Estado de São Paulo no dia 24 de outubro))
A morte do cientista social Carlos Estevam Martins, aos 74 anos, ocorrida duas semanas atrás em São Paulo, privou a intelectualidade brasileira de uma de suas aves raras.
Carlos Estevam foi daqueles intelectuais de visão abrangente, refinada, avessa a modas, especializações e formalidades. Não atuou somente como professor, ainda que sua carreira docente tenha sido brilhante, tanto na USP quanto na Unicamp. Recusou-se a seguir passivamente os cânones da academia, escapando de suas armadilhas e de sua arrogância. Mergulhou no mundo da gestão e da política, atuando durante anos como diretor de projetos da FUNDAP e sendo Secretário de Estado da Educação por duas vezes, na primeira metade da década de 90, durante os governos do PMDB. Nascido no Rio de Janeiro, trabalhou no ISEB e foi um dos fundadores, o primeiro diretor e o autor do manifesto do Centro Popular de Cultura, da UNE, criado em 1962. Ali, ao lado de Vianinha, Leon Hirszman e Ferreira Gullar, dentre outros, experimentou os caminhos da arte popular. Depois do golpe de 64 e do fechamento do CPC, mudou-se para São Paulo e participou da formação do CEBRAP em 1969, juntamente com Fernando H. Cardoso, Francisco Weffort, José A. Giannotti e Francisco de Oliveira.
Carlos Estevam rejeitou a torre de marfim da especialização e dos princípios abstratos sem se converter em mero operador tecnopolítico. Foi um intelectual público, bem próximo daquela figura que o marxista italiano Antonio Gramsci tornou famosa: um agente de atividades gerais que é portador de conhecimentos específicos, um especialista que também é político e que sabe não só superar a divisão intelectual do trabalho como também combinar “o pessimismo da inteligência e o otimismo da vontade”. Ave rara.
Foi também escritor talentoso, que escrevia para ser lido por todos, não somente pelos pares ou iniciados. Publicou dezenas de ensaios sobre história das idéias, política externa brasileira, redemocratização, sistema político, Estado e capitalismo no Brasil. Alguns de seus livros são preciosos, como A tecnocracia na história (1975), Capitalismo de Estado e modelo político no Brasil (1977), O circuito do poder (1994).
A polêmica foi sua marca registrada, impulsionada por uma inventividade exuberante.
Quando, em 1977, saiu Capitalismo de Estado e modelo político no Brasil, a discussão correu solta. Choveram aplausos e questionamentos. Passado o primeiro temporal, Carlos Estevam escreveu um artigo em resposta às críticas, “A democratização como problemática pós-liberal”, publicado pelo Cebrap. Queria ampliar a discussão, explicitar as “alegrias e dores de cabeça” trazidas pelo livro. Elaborou um texto sintomático do seu modo de ser, saudando os “intelectuais capazes de dar o devido valor ao debate de idéias, audazes trapezistas dispostos a passar por cima das divergências de opinião, que sempre existem, para ir buscar a compreensão empática do ponto de vista alheio”. Nele, declarava sua disposição de dialogar com a sociedade. “Os mandarins são misantropos, comunicam-se com o público impessoalizado ou com os discípulos, jamais com o próximo”.
Foi uma oportunidade de ouro para que se clareassem posicionamentos e estilos: “Nunca consigo fugir à tentação de imaginar que há outros fatos além dos dados disponíveis, assim como não resisto à propensão de supor que qualquer teorização pode ser refeita por meio de mudanças de ênfase, graças à introdução de novos elementos conceituais até então não incluídos na estrutura do marco teórico”. Não duvidava do valor e da utilidade das pesquisas empíricas, mas não admitia que seus resultados pudessem resolver questões e pendências que se alojavam em outras dimensões da vida real. Para ele, o mais importante era interrogar o “presente como fluxo”, buscando as “oportunidades, promessas e ameaças que ele encerra para o futuro dos diferentes grupos e classes sociais”.
O rigor com palavras e conceitos foi outra de suas preocupações. Numa das últimas intervenções, em 2005, na revista Lua Nova, manifestou sua perplexidade “face ao que se diz e se prega a respeito de democracia, cidadania e temas conexos”. A situação derivada da hegemonia neoliberal e da emergência de uma “nova esquerda romântica” degradara o vocabulário. Em tempos de despolitização, tudo tenderia à diluição. “Nova esquerda” e direita neoliberal se confundem sempre mais e estabelecem “relações homólogas” (isto é, de equivalência, ainda que não de identidade), que ajudam a despojar a política de critérios razoáveis de embate e compreensão. A questão passa a ser a defesa da “sociedade contra o Estado e os partidos políticos”, como se existisse um “Partido Único da Sociedade Civil” que dispensaria tudo o que está institucionalizado.
Daí a “maldição” lançada contra conceitos e valores essenciais para a democracia: Estado, burocracia, nação, partidos políticos, representação. No lugar deles, formando uma espécie de discurso único, um outro léxico estruturado pela dupla mercado e sociedade civil. Como então esperar que a democratização se desenvolva “numa sociedade em que a opinião pública é levada a hostilizar toda uma série de elementos ideais, quadros institucionais e mecanismos operacionais” sem os quais a democracia não pode funcionar?
Carlos Estevam Martins foi um “pessimista da inteligência”, mas em nenhum momento deixou de acreditar que seria possível lutar por um futuro melhor, tarefa para a qual seria imprescindível a presença de uma esquerda “menos subdesenvolvida, que não deixe tanto a desejar”. Como escreveu em 2005, nunca teremos “um vigoroso pensamento de esquerda se cada linha de esquerda não tiver o direito de cumprir o seu dever, qual seja, o de explicitar sua identidade, definir seus antagonistas, cultivar sua tradição e criticar e atualizar sua trajetória no campo da teoria, assim como no da prática política”.

Dica do Gerddal : O centenário Roberto Martins, vigilante mal observado na circulação da MPB, tem obra evocada, nesta quarta, na ABL (grátis)


"Hoje não existe nada mais entre nós/somos duas almas que se devem separar/o meu coração vive chorando e a minha voz/já sofremos tanto que é melhor renunciar/a minha renúncia enche-me a alma e o coração de tédio/a tua renúncia dá-me um desgosto que não tem remédio/amar é viver/é um doce prazer, embriagador e vulgar/difícil no amor é saber renunciar."
 
    Tardou, mas não falhou. Enfim, neste 2009 do centenário do seu nascimento, uma homenagem, ao menos uma, muito merecida, a este vulto da MPB de discrição pessoal inversamente proporcional à projeção da sua música chamado Roberto Martins. Nos seus últimos anos de vida, ele foi amigo do meu pai e, na companhia do meu velho, tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente numa ida ao apartamento onde morava, na Rua Buarque de Macedo, no Flamengo, quando, em visita prolongada, pude saborear as histórias que ele nos contava, com cordialidade, fala mansa e algo gutural, da sua vivência no meio musical, num semblante de homem simples e aparentemente muito disciplinado. A exemplo de outro bamba, Haroldo Lobo, cujo centenário de nascimento ocorre no ano que vem (e quem se lembrará dele, mesmo com a importância que ele tem?), Roberto Martins foi guarda-civil - mais tarde, investigador, até desligar-se da polícia em 1939  - e, "circulando, circulando", no exercício da sua vigilância profissional, pôde conhecer intimamente a cidade e, especialmente à noite, aproximar-se das rodas boêmias, num então ameno Rio de Janeiro, e encontrar aqueles que se tornariam seus colegas em novo "métier", alguns deles seus parceiros. 
    Sucessos, teve-os a rodo, concentrados principalmente nos áureos antanhos dos anos 30 e 40 do século passado, dedicando-se com afinco, dos anos 50 em diante, à questão dos direitos autorais, já filiado à União Brasileira de Compositores (UBC), da qual foi sócio fundador. Além do fox "Renúncia", na epígrafe desta dica - com letra do petropolitano Mário Rossi e gravado em 1943 por um gaúcho, Nélson Gonçalves -, o ex-ritmista da orquestra de Simon Bountman, também com letra de Mário Rossi, mostraria a sua brejeirice no sincopado com "Beija-me", em registro de Cyro Monteiro. Antes disso, Roberto Martins se notabilizara, por exemplo, pelo primeiro êxito, "Favela" ("...dos sonhos de amor e do samba-canção"), de 1936, em parceria com Valdemar Silva, na voz de Francisco Alves, e por outro samba, "Meu Consolo É Você" (com Nássara), na voz de Orlando Silva, vencedor de certame carnavalesco da Prefeitura do Rio em 1939. Também no carnaval, na década seguinte, a serpentina da sorte o alcançaria no compasso de marchas imorredouras, como "O Cordão dos Puxa-Sacos" (com Frazão), em 1945, pelos Anjos do Inferno, e "Pedreiro Valdemar" (com Wilson Batista), em 1949, por Blecaute. Embora recentemente revivido em disco por Zélia Duncan e Moacyr Luz, é um compositor que precisa ser mais observado e considerado no eterno retorno das reminiscências, o que até inspiraria desejáveis regravações. "Lá na rua onde moro/ no 212/mora a mulher que eu adoro/que, quando eu passo, faz pose..." Quem sabe, um belo dia, o "212", mais uma dele com Mário Rossi?        
    Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
 
 ***
 A tempo: a homenagem a Roberto Martins, falecido em 1992, aos 83 anos, será prestada nesta quarta, 4 de novembro,  ao meio-dia e meia, por Cristina Buarque e pelo ótimo Samba de Fato, em mais uma atração da série MPB na ABL.

Um passeio pelo mundo de Lévi-Strauss

O sábio morreu no sábado e só hoje comunicaram que ele tinha pedido o boné. Em homenagem a esse homem que me obrigou a passar muitas noites em claro, tentando entender sua selva estrutural, amanhã procurarei botar no ar um texto que escrevi em 1992, no qual faço a resenha de um livro que ajudava a entender seu mundo e sua personalidade.
Até amanhã.

Meus cartuns pré-histéricos

3.11.09

Dica do Gerdal: Pedro Miranda lança "Pimenteira", nesta terça, no Rival, com a bênção de Caetano Veloso


Outro dia, voltando do trabalho, na Barra, salto do coletivo "via orla" no Leblon e caminho por boa extensão do calçadão da praia, na Av. Delfim Moreira. Atravessando o cruzamento desta com a Av. Bartolomeu Mitre, sou chamado pelo Pedrinho Miranda, doce figura, que, por seu turno, de bicicleta, concluía o ciclo das benfazejas pedaladas do dia em ciclovia próxima, morador novo no bairro após um tempo domiciliado em Copacabana, perto da estação Siqueira Campos do metrô. Era noite de uma sexta-feira, salvo engano, e, pouco depois, ele "bateria ponto" no Centro Cultural Carioca para mais uma sacudida noite de samba do Semente. Na nossa rápida conversa, a expectativa dele de "futur papa" de duas gêmeas, logo na primeira encomenda à cegonha. Sempre atencioso e gentil comigo, admiro no Pedrinho, além do talento, a simplicidade, a verve - é um cara engraçado no palco - e a humildade de, conhecedor do seu real valor como ritmista e intérprete de música popular, sobretudo o samba (numa progressão musical do pandeiro à voz que faz lembrar a do octogenário Miltinho), não fazer disso alarde para "marcar uma presença" na mídia. Ele não precisa disso e destaca-se, naturalmente, pela força do valor que tem.
          "Sementeira" é o novo CD solo do Pedrinho, lançamento do qual segue, abaixo, texto de divulgação que recebi da jornalista Monica Ramalho, com direito a elogio rasgado de ninguém menos que Caetano Veloso. 
          Um bom dia a todos. Grato pela atenção à dica.
 
       Pedro Miranda lança 'Pimenteira' neste 3 de novembro no Rival

Expoente da nova geração da Lapa, o cantor e pandeirista Pedro Miranda lança agora o segundo álbum individual, 'Pimenteira' (independente), com inéditas de Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros, Nei Lopes, Alfredo Del-Penho, Edu Krieger e Moyseis Marques, entre outros compositores de todos os tempos. O disco sucede 'Coisa com coisa', de 2006, quando Pedrinho fez sua estréia solo. Existem muitas maneiras de conhecer o timbre antigo do jovem cantor: há anos ele coloca o seu talento a serviço de conjuntos como Grupo Semente, conhecido por acompanhar a cantora e compositora Teresa Cristina, e Samba de Fato, responsável pelo lançamento de um elogiado tributo ao grande Mauro Duarte, ao lado de Cristina Buarque. Fundou e fez parte por mais de dez anos do Cordão do Boitatá, que arrasta multidões nos carnavais cariocas, e do Anjos da Lua, centrado no repertório dos primeiros sambistas.

No show de lançamento do CD 'Pimenteira', a ser realizado em 3 de novembro, às 19h30, no Teatro Rival Petrobras, Pedro Miranda será acompanhado por Luis Filipe de Lima no violão de 7 cordas e na direção musical, Pedro Amorim no cavaquinho e no bandolim, Edu Neves, Rui Alvim, Everson Moraes e Aquiles Moraes nos sopros e Paulinho Dias, Pretinho e Thiaguinho da Serrinha nas percussões. Com participações especiais de Teresa Cristina e do Trio Madeira Brasil.

"Uma coleção de obras-primas", nas palavras de Caetano Veloso
Há muito tempo não ouço um disco inteiro com tanto entusiasmo no coração quanto esse 'Pimenteira'. Acho que ouvi Pedro Miranda pela primeira vez numa faixa do CD de Teresa Cristina – e fiquei maravilhado com a musicalidade, a cultura entranhada, a naturalidade, o frescor. Comuniquei meu entusiasmo a Moreno e ele me disse que conhecia Pedro: logo eu estava com o primeiro CD de Pedro nas mãos. O CD confirmava a muito boa impressão causada pela faixa no disco de Teresa. De modo que, agora, quando ele me entregou uma cópia do seu novo disco, eu já me pus em alta expectativa. Mas não imaginava que estivesse diante de um trabalho de tamanho fôlego. Considero este um disco de grande artista. É um disco fácil de ouvir, maneiro, agradável, porém tem força histórica intensa e convida a reflexões complexas e tão profundas que nem a deliciosa paródia de texto acadêmico que vem no encarte (a respeito da alegoria deliberadamente ingênua de Edu Krieger, “Coluna Social”), poderia satirizar.

Para começar, o estilo despojado do cantor, sem afetação, sem tiques nenhuns, dá conta de toda a possível cultura crítica atual relativa ao canto popular brasileiro. Voz maleável, incrivelmente confortável nas regiões agudas, ele mostra destreza e agilidade sem que se perceba esforço de sua parte. E o fraseado revela reverência e familiaridade com a história do samba. Mas é a escolha do repertório que ilumina as virtudes do seu estilo. Esse repertório (para cuja feitura ele agradece a colaboração de Cristina Buarque e Paulão 7 Cordas) diz tudo sobre o que deve ser dito a respeito do que vem acontecendo com o samba, desde que este se tornou emblema da musicalidade brasileira (“O mito é o nada que é tudo”), passando pelo furacão camuflado que foi a bossa nova, e pela sua recolocação no ambiente que o forjou: a boemia que transita entre certos morros e certas áreas do asfalto carioca. Essa recolocação teve como marco inicial a virada que significou, no meio dos anos 1960, coincidirem as insatisfações de Nara Leão com o surgimento do Zicartola, o início das atividades de compositor de Chico Buarque em São Paulo e o estrelato conjunto de Paulinho da Viola e Clementina de Jesus no Rosa de Ouro. Todos os desdobramentos – de Beth Carvalho ao Art Popular, de Zeca Pagodinho ao Psirico, de Arlindo Cruz a Roberta Sá – estão homenageados nesse álbum coeso, sincero e de grande visão.

O arco de compositores vai de Nelson Cavaquinho a Rubinho Jacobina – e, no entanto, a unidade de visão faz de 'Pimenteira' uma obra autoral de Pedro Miranda. As melodias, em geral com sabor de choro a caminho da gafieira (mas sem deixar de fora nem a chula baiana nem o coco nordestino), sustentam um virtuosismo poético que, por força da perspectiva da escolha do material (e da ordem em que ele vem), sugere um gosto pessoal, a um tempo apurado, exigente e espontâneo, que atravessa todo o disco. Dos versos elegantes de Paulo César Pinheiro para a música rica de Mauricio Carrilho (com ecos de Bororó) ao fascinante jogo embaralhado de imagens atuais no samba de Moyseis Marques, passando pela “Imagem”, de Trambique e Wilson das Neves, e pelo show de bola de Elton Medeiros e Afonso Machado, tudo em 'Pimenteira' transpira grande talento guiado por grande inteligência. O disco fala de tudo o que fala como Nei Lopes fala (na única nota de encarte que não foi escrita por Pedro e Luís Filipe) da série de mulatos que compõem a figura de Compadre Bento: com admiração e intimidade.

Terminei citando muitos dos sambas do disco, mas não é por os achar menos interessantes que não citei alguns: todos são de alta extração, todos fazem o CD soar como uma coleção de obras-primas. O que faz com que esse disco ao mesmo tempo pareça o lançamento de um novo autor e uma antologia de clássicos. Na verdade é o disco que já nasce antológico. A colaboração de Luís Filipe de Lima é decisiva na definição dos arranjos e da sonoridade. Sobre ele (e os demais colaboradores musicais e técnicos) Pedro fala melhor do que eu poderia, nas palavras de agradecimento que escreveu. Quanto a mim, sou mais levado a considerar que a oportunidade foi uma dádiva que Pedro lhes fez.

Eu sempre sou citado como elogiador fácil de moças jovens bonitas que cantam samba. Nunca as elogiei sem que achasse justo fazê-lo. Dizer aqui que o CD de um marmanjo, que nem tipo gatinho é, é algo muito mais importante do que o que essas ninfas têm, em conjunto, alcançado deve dar uma ideia do quanto considero 'Pimenteira' um evento especial em nossa música. E, de quebra, pode dar mais credibilidade aos elogios que faço às moças.

(Caetano Veloso)

SHOW DE LANÇAMENTO
QUANDO: 3 de novembro, às 19h30
ONDE: Teatro Rival Petrobras (Rua Álvaro Alvim, 33 / 37, Cinelândia. Informações e reservas pelos telefones: (21) 2240.4469 / 2524.1666)
QUANTO: R$ 30 (inteira), R$ 20 (os 100 primeiros pagantes) e R$ 15 (meia-entrada)
ETCÉTERA: 472 lugares; Acesso para portadores de necessidades especiais; Bilheteria só aceita dinheiro e cheque; Censura 16 anos.

NR: A foto deste post é de divulgação (foi recortada) e é do grande fotógrafo Bruno Veiga

Anuário do Saci e seus amigos - Mitologia Brasílica do Mouzar Benedito e do Ohi está na praça


(clique em cima da imagem para ampliar e ler melhor)

2.11.09

Homenagem do Gerdal: Alberto Farah - missa de sétimo dia do pianista e shows beneficentes


 Perdeu a noite carioca esta semana um dos seus músicos mais atuantes. Brilhante pianista e arranjador, também compositor e produtor musical, o niteroiense Alberto Farah, nascido em 1948, estudou no Instituto Villa-Lobos e foi aluno de orquestração de Guerra-Peixe. Começou a carreira como pianista clássico, em vários concertos, até dar uma guinada para a música popular de sabor jazzístico, em 1972, integrando o quinteto do ainda mais prematuramente falecido Victor Assis Brasil (em 1981, aos 35 anos). Ao longo dos anos, acompanhou artistas renomados, como Pery Ribeiro, Leny Andrade, Elza Soares, Rosa Maria, Paulo Moura, Tito Madi e, mais recentemente, Eliana Pittman, Cecília Leite e Márcio Montserrat, de quem era compadre e arranjador em discos e shows. Fez-se presente, como solista, em alguns hotéis elegantes do Rio, como o Copacabana Palace, o Sofitel e o Marriott e, no teatro, tocou, entre outras peças, em "Brasileiro, Profissão Esperança", protagonizada por Bibi Ferreira e Gracindo Jr. 
         Nesta terça-feira, 3 de novembro de 2009, às 18h, na igreja de Santa Cecília, situada na Rua Álvaro Ramos, 385, em Botafogo, será realizada a missa de sétimo dia de Alberto Farah, passamento que também motivou a iniciativa abaixo retransmitida, com shows beneficentes no bar Otto, na Tijuca, em favor das filhas do músico, menores de idade.  
         
***
O Otto Restaurante promoverá, durante os próximos quatros domingos, shows beneficientes em prol das filhas menores do  pianista Alberto Luiz Farah, cujo falecimento ocorreu no dia 27 do mês corrente. O restaurante acima apresentará, a partir do dia 1 ao dia 29 (todos os domingos de novembro),
com início às 17 horas, jam sessions(encontros musicais) com couvert simbólico de R$ 5 reais, que serão doados às filhas menores do falecido pianista.
Rua Uruguai, 380 - esquina c/ Conde de Bonfim - Tijuca - tels.: 2268-1579 ou 8889-3684.

Dica do Gerdal : Chico Salles e Carlos Malta, nesta terça, no Sete em Ponto: nordestino carioca e carioca nordestino entre o sopro da tradição e o pif


Cordelista com vários títulos já lançados, como "Manel Xicote", "Matuto Apaixonado" e "A Saga do Cordel em Poesia", o engenheiro Chico Salles (foto acima), recém-empossado membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel,  na cadeira primeiramente ocupada por Catulo da Paixão Cearense, é grata aparição no Sete em Ponto (19h) desta terça, 3 de novembro, no Teatro Carlos Gomes (Praça Tiradentes, 19 - tel.: 2224-3602) , dividindo o palco com o multissoprista Carlos Malta. Natural de Sousa, no sertão da Paraíba, Chico reúne em seu trabalho o coco, o xote e o xaxado, por exemplo, da referência sonora original, com influências da música urbana carioca, sobretudo o samba. Vindo para o Rio de Janeiro nos anos 70, teve no humorista Mussum, além de amigo, vizinho em condomínio e parceiro - em vários sambas e num xote, "Pinto no Xerém" -, um cicerone cultural, que o levou a conhecer o Buraco Quente, na Mangueira, e a concorrida roda no Cacique de Ramos, apresentando a Chico, em lugares ritmicamente bem representativos, o internacional cartão de visita da cidade. Já o maestro Anselmo Mazzoni injetou nesse frequentador assíduo dos "happy hours" que animava na Casa de Cultura da Universidade Estácio de Sá ânimo para cantar as próprias músicas, a que Chico logo corresponderia com canjas que se transfigurariam em rematados shows.
         Juntos num palco, Chico Salles e Carlos Malta, de certo modo, encarnam duas expressões musicais que se afinam em sentidos geograficamente opostos, porém complementares no efeito de relevo e beleza.  Um "nordestino carioca", que alia no que canta e no que compõe a região de origem com a cidade de adoção, e um "carioca nordestino", cuja flauta não raro esculpe o vento nos ares do frevo e do baião. Um encontro que ainda pode promover outro tipo de sonora complementaridade: entre os conjuntos Chabocão, de Salles, e o Pife Muderno, de Malta. Tradição e renovação forrozando, num agarradinho só.
         Um bom feriado a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 *** 
 Pós-escrito: a jovem Joana Queiroz não só encanta - com seu clarinete e sua música -, como também canta. Disso eu já sabia, mas pensava que os trinados da moça fossem ouvidos apenas entre amigos. Outra jovem de valor, Clarice Magalhães, pandeirista do Choro na Feira e que prepara o seu primeiro CD solo, escreve-me para observar que é pra valer, ou seja, que Joana, em show bem recente de dica passada, soltaria a própria voz no repertório de "Canções". Feito o registro, agradeço à Clarice o oportuno e fundamental adendo ao que escrevi. 

Requiescant in pace(*)


Num dia de finados de alguns anos atrás, fiz uma pesquisa sobre a morte e vi que precisava mais de uma vida para reunir todas as coisas interessantes que disseram sobre esse tema Resolvi então republicar aqui parte do que apurei, já que não tinha nada de novo para botar no blogue, pois ainda não me recuperei de uma longa viagem que explicarei futuramente.

Ramón Gómez de la Serna disse uma coisa interessante:“Ninguém sabe o que é morrer,nem os mortos”.Mas,observei que apesar disso muitos querem deixar uma mensagem para distrair os visitantes dos cemitérios.Então acabei desenterrando alguns epitáfios. (**).
Diz um adágio popular que“o epitáfio é o último cartão de visitas de um homem”. Apesar de existir também aquele antigo ditado francês ,“ser embusteiro como um epitáfio”,esse costume foi se enraizando na nossa cultura mortuária e nem sempre elogia o cadáver,ao contrário,muitas vezes ironiza os viventes e o próprio defunto.É o caso do Bispo de Langres,Louis Barbier,que no seu testamento ofereceu cem escudos para quem fizesse um epitáfio bacana.Ganhou o seguinte texto:“Aqui jaz um grande personagem/Que foi de muito ilustre linhagem/Que possuiu mil virtudes/Que jamais enganou/Que sempre foi prudente/Não vou dizer mais nada/Seria mentir muito por cem escudos”.
Alexandre o Grande recebeu um,que fez juz à sua fama:“Uma tumba agora é o bastante para quem o mundo não era suficiente”.Molière,parece que escreveu seu próprio epitáfio:“Aqui jaz o rei dos atores.Agora se faz de morto e na verdade,o faz muito bem”.No seu túmulo,Passerat adverte:“Amigos, não encham minha tumba com maus versos”.O do filósofo Diógnes é muito sarcástico:“Ao morrer jogem-me aos lobos,já estou acostumado”.
O epitáfio do poeta Antonio Espina é uma pérola de embriaguez:“Aqui jaz de boca para cima aquele que caiu de bruços muitas vezes na vida”.Também existem epitáfios inventados,um feito pelo escritor Max Aub para a tumba de D.Juan é de morrer de rir:“Matou quem ele quis”.Falando em humoristas, Grouxo-Marx mandou escrever no seu ‘apart-mortel’:“Desculpe-me por não me levantar, madame”.
Orson Welles mesmo depois de passar desta para melhor, manteve sua genialidade.No seu túmulo está gravado:“Não é que eu tenha sido superior.Os demais é que eram inferiores”.Miguel de Unamuno,por sua vez,fez também sua última gracinha:“Só peço a Deus que tenha piedade da alma deste ateu”.Na tumba do compositor Bach está escrita uma mensagem de duplo sentido:“Daqui não me ocorre nenhuma fuga”. O escritor H.L. Mencken sugeriu um texto final que tem todo o seu humor:“Se depois que eu partir deste vale,você se lembrar de mim e pensar em agradar meu fantasma,perdoe algum pecador e pisque seu olho para uma garota feia”.Existem os epitáfios profissionais. Por exemplo,o de Benjamin Franklin,impressor é muito criativo,diz o seguinte:“ O meu corpo,como um velho livro,sem enfeites aqui jaz.Alimento para os vermes.Porém, acredito que aparecerei,em breve,numa nova edição,corrigida e melhorada pelo Autor”.Na tumba do transformista Fregoli, em Viareggio esta escrito:“Aqui ele realizou sua última transformação”.No de um apreciador do ócio:“Aqui Fray Diego repousa.Jamais fez outra coisa”.Outros celebram a guerra conjugal.Em Guadalajara,existe o verdadeiro epitáfio da viúva alegre:“A meu marido,falecido depois de um ano de matrimônio.Sua esposa com profundo agradecimento”.Em contrapartida,em outro cemitério encontra-se a vingança de um esposo insatisfeito:“aqui jaz minha mulher,fria como sempre”.Não podemos esquecer dos tipo‘procon’:“Voltarei para me vingar dos bancos”.Em Minnesota encontra-se outro que é genial:“Falecido pela vontade de Deus e mediante a ajuda de um médico imbecil”.Dizem que num cemitério do Rio de Janeiro existe um, que brinca com o caráter bélico de seu morador:“Aqui jaz o General Ferreira. Transeunte, passe tranquilo.Está morto!”.Mas,nada se compara à sinceridade da inscrição que se encontra num cemitério da Catalunha: “Levantem-se vagabundos,a terra é para quem trabalha”.O de Allan Poe, sem brincadeira, supera todos,é a citação do famoso poema “O Corvo”.Realmente é definitivo:“Nunca mais”.
(*)”Descansem em paz”.Palavras do Ofício dos Mortos,encontradas no portal de muitos cemitérios - retirado de ”Não perca o seu latim de Paulo Rónai(Editora Nova Fronteira)(**)Fiquei sabendo que nas suas orígens,o epitáfio se constituia num privilégio da nobreza.FONTES: “Diccionario Ilustrado de la Muerte” de Robert Sabatier (Gustavo Gilli- Barcelona)www:geocities.com/soHo/studios/72581/epitafio.html-8k , http://platea.pntic.mec.es/~jescuder/epitafio.htm,
Epitaph Index(A-Z).

1.11.09

Palmeiras e Botafogo - lutas desiguais



Um luta para não cair - o Botafogo foi raça acima de tudo no jogo em que venceu o Inter na casa deles. O Palmeiras luta para se manter na liderança, mesmo depois do pênalti e da expulsão do São Marcos também foi na base da raça, brigou com a aritimética e conseguiu um empate contra o Coringão que não se aproveitou do fato de ter um homem a mais em campo. Parabéns aos dois times do meu coração combalido.

Mais um brinde: Um Cartum de João Zero

31.10.09

Dica do Gerdal: Karla da Silva, neste sábado, no Rio Scenarium - samba e simpatia na cadência bonita dos bambas


Dona de um dos sorrisos mais bonitos e iluminados entre os novatos da MPB - do tipo "não resta a menor dúvida", no dizer saudoso de Aracy de Almeida, vendo-se o "flyer" acima -, Karla da Silva faz do palco do Rio Scenarium neste sábado, às 20h, um espaço de celebração do samba, sobretudo o advindo da lira dos maiorais, para fechar a tampa de outubro, no Rio, com muita descontração e alegria. Se o sorriso dela ajuda muito na conquista da atenção do público, a voz e a interpretação são decisivas na constatação de que se trata de mais um valor bem-vindo e bem agregado ao valor individual e conjunto de outras vozes e interpretações - Manu Santos, Aline Calixto, Simone Lial, Elisa Addor, Luíza Dionízio e Ilessi, por exemplo, entre as reveladas aqui - numa geração capaz e bem credenciada para a defesa da nossa boa música popular, apesar dos midiáticos pesares. A carioca Karla, formada em Letras (Português-Literatura) e também violinista, foi criada em Pilares numa casa de quintal acolhedor do melhor do nosso cancioneiro, vibrado habitualmente no sete-cordas do avô "chorão" em reuniões das quais participava uma tia dela, Irene Kendal, ensaiando de dia o repertório escolhido para apresentar à noite carioca nas diversas casas onde atuou como "crooner". Com tal "background" e expressiva aptidão para cantar coisas nossas, Karla da Silva é tudo de bom para curtir neste princípio de feriadão: pelo sorriso, pela simpatia, pelo borogodó, pelo mérito.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 
A tempo: entre os músicos do show, a pianista Maíra Freitas, de formação erudita e filha de Martinho da Vila.                

Mais um brinde: Um Cartum de João Zero

30.10.09

Aviso aos navegantes


Amigos navegantes, voltei, mas tô cansado. Depois conto mais, ou melhor, explico a parada. Ah, queria apenas manifestar meu agradecimento ao desempenho de Obina no último jogo do Palmeiras no qual ele só faltou fazer chover. Grande Obina! Passe de calcanhar e tudo.

19.10.09

Maquinas de Luz : mudaram os nomes

MÁQUINAS DE LUZ | 1º Fórum das Imagens Técnicas

De 26 a 29 de outubro de 2009

Cine Glória

Entrada franca

Comemoração de 10 anos do Ateliê da Imagem

O Rio de Janeiro vai sediar de 26 a 29 de outubro MÁQUINAS DE LUZ | 1º Fórum das Imagens Técnicas, um projeto que marca os 10 anos do Ateliê da Imagem e, que será realizado no Cine Glória com atividades múltiplas: debates, mostras audiovisuais e uma oficina de sensibilização e criatividade fotográfica. Entrada franca em toda a programação.



O público terá a oportunidade de conhecer e trocar experiências com os mais importantes profissionais (fotógrafos, cineastas, artistas e pensadores da imagem contemporânea nacionais e internacionais), promovendo uma expansão de horizontes e um mergulho no mundo das imagens tecnológicas.



MÁQUINAS DE LUZ | 1º Fórum das imagens técnicas começou a ser gestado em 1999, quando o cenário híbrido ainda era uma novidade para os fotógrafos. Sua realização marca uma década de trabalho contínuo do Ateliê da Imagem tanto na promoção e ensino da fotografia quanto na reflexão que vai além do discurso em torno do meio fotográfico, incorporando o diálogo com as outras imagens técnicas e as demais artes visuais e cênicas.



O projeto propõe discutir a cena atual e trará como convidados, Mauricio Dias, Eduardo Brandão, Cao Guimarães, Maria Iovino (Colômbia), Ivana Bentes, Muti Randolph, Maria Helena Franco Ferraz, Walter Carvalho, Daniela Labra, Claudia Buzzetti (Itália), Sergio Cohn, Frederico Coelho, Cezar Migliorin, Paola Barreto, Claudia Linhares Sanz, Pio Figueiroa e Marcos Bonisson.



A idealização e coordenação geral do projeto é de Patricia Gouvêa, a coordenação dos debates é de Claudia Tavares e Patricia Gouvêa e a produção é de Andrea Cals e Maria Continentino.



PROGRAMAÇÃO



DIA 26 – Tema: “Imagens ou Clichês?”

As imagens estão por toda parte, no espaço virtual e no real. Quando tudo já foi feito em termos de imagens, como escapar do desgaste de linguagem que caracteriza o clichê e enfraquece o pensamento? O clichê faz da imagem uma superfície sem sentido, oca; produz a impotência do pensamento. É possível vitalizar as imagens contemporâneas?



Às 16h,

Mostra Audiovisual: exibição de “Janela da Alma”

Direção: Walter Carvalho e João Jardim (Documentário, 73 min., 2002)

Dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, falam como se vêem, como vêem os outros e como percebem o mundo, fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão: o funcionamento fisiológico do olho, o uso de óculos e o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens.



Às 19h,

Debate: “Imagens ou Clichês?”

Participação de Claudia Buzzetti, Maria Cristina Franco Ferraz e Pio Figueiroa / Cia. de Foto.

Mediação de Cláudia Linhares Sanz.



DIA 27 – Tema: “Autoria em Questão”

Na era da cultura digital, em que a Internet assume um papel inquestionável e transgressor, e tudo se copia, sendo a originalidade um conceito discutível, e as redes e interfaces colaborativas potencializam as trocas e a criação coletiva, como fica a questão da autoria? Desde então há um questionamento para saber quais são os novos parâmetros, inclusive os legais, para avaliar o que é plágio e o que é autoral.



Às 16h

Mostra Audiovisual: “O Curta-Metragem, Exercício do Autor”

Curadoria e apresentação: Andrea Cals



O cinema autoral brasileiro é mais reconhecido internacionalmente do que o nosso cinema comercial. Desde “Limite”, de Mário Peixoto, a famosa criatividade brasileira está fortemente representada no cinema. O curta-metragem é utilizado como o principal meio de exercício da linguagem cinematográfica como forma livre de expressão.



Às 19h

Debate: “Autoria em Questão”

Participações de Ivana Bentes, Sergio Cohn e Walter Carvalho.

Mediação de Frederico Coelho.



DIA 28 – Tema: “Rumos de Linguagens e Interação de Suportes”

O advento da tecnologia digital possibilitou o rompimento de limites de linguagem antes impostos pelo mundo ótico, libertando a criatividade. Pensar em arte, hoje, significa passear livremente por um terreno híbrido de possibilidades, criar novas e bem-sucedidas parcerias e extrapolar os limites até então estabelecidos na arte moderna.



Às 16h

Mostra Audiovisual: “Filmes Dispositivos”

Curadoria e apresentação de Cezar Migliorin.

O dispositivo pressupõe duas linhas complementares: uma de extremo controle, regras e limites e a outra de absoluta abertura, dependente da ação dos atores e de suas interconexões. Como lidar com as forças do acaso? Serão apresentados obras fundadoras da experiência com a estrutura da forma, como “Serene Velocity” (1970), de Ernie Gehr e “Walking in a Exaggerated Manner” (1967-68), de Bruce Nauman até o contemporâneo “Rua de Mão Dupla”, de Cao Guimarães.



Às 19h

Debate: “Rumos de Linguagens e Interação de Suportes”

Participação de Muti Randolph, Paola Barreto e Cao Guimarães.

Mediação de Cezar Migliorin.



DIA 29 – Tema: “Pesquisas Curatoriais e Artísticas com Imagens Técnicas”

O que é ser artista e o que é ser curador? Qual o papel de cada um no sistema da arte? Quando o artista pode atuar também como curador? Como é a pesquisa de um curador para selecionar os artistas? Este debate fecha o projeto MÁQUINAS DE LUZ e busca o diálogo corajoso para essa reflexão necessária que envolve todos os que trabalham com imagem na contemporaneidade.



Às 16h

Mostra Audiovisual: “A Vídeo-arte”

Curadoria e apresentação de Marcos Bonisson.

A mostra tem como objetivo apresentar uma breve introdução a trabalhos significantes no campo da vídeo-arte.



Às 19h

Debate: “Pesquisas Curatoriais e Artísticas com Imagens Técnicas”

Participação de Eduardo Brandão, Mauricio Dias, Daniela Labra e Maria Iovino.

Mediação de Marcos Bonisson.



FICHA TÉCNICA



Patrocínio: BNDES

Apoio: Cine Glória e Hotéis Othon

Idealização e Coordenação Geral: Patricia Gouvêa | Ateliê da Imagem

Realização: Ateliê da Imagem

Coordenação de palestras: Patricia Gouvêa e Claudia Tavares

Produção: Andrea Cals

Assistente de Produção: Maria Continentino

Design: Elisa v. Randow



PARTICIPANTES



ANDREA CALS

Há sete anos é a coordenadora da Mostra Première Brasil do Festival do Rio, mostra de filmes nacionais do principal festival de cinema da América Latina, sendo responsável pela seleção, atendimento, produção e apresentação da maior mostra de filmes do FestRio. Desde 2005 é produtora e integrante do comitê de seleção do Festival de Cinema Brasileiro em Israel.



CAO GUIMARÃES

Premiado cineasta e conceituado artista plástico, desde o fim dos anos 80 exibe seus trabalhos em diferentes museus e galerias nacionais e internacionais. Participou de bienais em SP e no México, tem obras adquiridas por importantes coleções como Tate Modern, Guggenheim Museum, MoMa-NY, entre outros.



CEZAR MIGLIORIN

Pesquisador e ensaísta. Professor adjunto do Departamento de Cinema e Vídeo da UFF. Membro do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFF. Doutor pela ECO-UFRJ / Sorbonne Nouvelle, Paris III.



CLAUDIA BUZZETTI

Formada em História do Jornalismo pela Università degli Studi di Bologna, trabalhou como editora assistente de imagens no Specchio de La Stampa, participou do Work Scholar Program na Aperture em Nova Iorque e colaborou na realização do festival Foto&Photo em Milão e de várias exposições itinerantes. Atua como pesquisadora e curadora e escreve sobre fotografia para diversas publicações.



CLÁUDIA LINHARES SANZ

Fotógrafa e pesquisadora na área da Imagem, com ênfase em fotografia, subjetividade e temporalidade. Doutoranda em Comunicação na UFF, com estágio no Instituto Max Plank de História da Ciência, em Berlim. Mestre em Comunicação pela UFF e pós-graduada em Fotografia pela UCAM.



CLAUDIA TAVARES

Claudia Tavares é mestre em Artes pela Goldsmiths College e em Linguagens Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Artista, curadora, fotógrafa e professora. Dirige o Espaço Figura.



DANIELA LABRA

É curadora independente graduada em Teoria do Teatro na UNIRIO, especializada em Comunicação e Arte pela Universidad Complutense de Madrid e mestre em Artes pela Unicamp. Foi curadora-residente na FRAME (Helsinki, Finlândia) em 2005 e no IASPIS - International Artists Studio Program in Sweden (Estocolmo) em 2007.



EDUARDO BRANDÃO

Cursou fotografia no Brooks Institute of Photography, na Califórnia (EUA). Trabalhou como editor de fotografia e arte das revistas da Folha de São Paulo de 1991 a 2004 e professor de fotografia no curso de Artes Plásticas da FAAP de 1995 a 2007. Atua como curador independente e é sócio-proprietário da Galeria Vermelho, em São Paulo desde 2002.



FREDERICO COELHO

É ensaísta e pesquisador. Doutor em Literatura Brasileira pela PUC-RJ com a Tese Livro ou Livro-me - os escritos babilônicos de Hélio Oiticica, é curador-assistente do MAM-RJ e um dos editores do tabloide Atual – o último jornal da Terra.



IVANA BENTES

Professora e pesquisadora da linha de Tecnologias da Comunicação e Estéticas do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ, pesquisadora do CNPQ, coordenadora do projeto Midiarte e coordenadora do Pontão de Cultura Digital da ECO-UFRJ. É doutora em Comunicação pela UFRJ, ensaísta do campo da Comunicação, Cultura e Novas Mídias. É diretora da ECO-UFRJ.



MARCO ANTONIO PORTELA

Formado em História e mestrando em Ciência da Arte na UFF. Artista visual, fotógrafo e laboratorista p&b. Curador independente e coordenador da Galeria Meninos de Luz, no Pavão-Pavãozinho (Rio de Janeiro), é membro dos coletivos Grupo DOC e Buraco. Professor de fotografia básica, pinhole e lab p&b no Ateliê da Imagem.



MARCOS BONISSON

Artista, trabalha com fotografia, super 8 e vídeo desde 1978. Estudou gravura, desenho e fotografia na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (1977-1981). Participou da 27a. Bienal Internacional de São Paulo (2007) e tem seu trabalho representado pela Galeria Artur Fidalgo, no Rio de Janeiro.



MARIA CRISTINA FRANCO FERRAZ

Doutora e mestre em Filosofia pela Université de Paris I e mestre em Letras pela PUC-RJ. Pós-doutorados no Instituto Max-Planck de História da Ciência e no Centro de Pesquisa em Literatura e Cultura de Berlim. Professora titular da UFF, coordena, junto à mesma universidade, o programa de Doutorado Internacional Erasmus Mundus, Cultural Studies in Literary Interzones.



MARIA IOVINO

Curadora e pesquisadora colombiana, atualmente desenvolve projetos independentes com instituições em diversos países da América Latina, Europa e Estados Unidos. De suas publicações recentes destacam-se Contratextos, Antes de que el mundo fuera, Fernell Franco, Otro Documento e Volverse aire.



MAURICIO DIAS

Trabalha em dupla com Walter Riedweg desde 1993 em projetos de arte contemporânea que caracterizam-se pela inserção do público na elaboração de cada obra, notadamente através da videoinstalação e da fotografia. Participaram em importantes exposições como a última Documenta de Kassel (2007), a Bienal de Veneza (1999) e as Bienais de São Paulo de 1998, 2000 e 2002. Suas obras fazem parte de diversos acervos e museus no Brasil e no exterior. Dias & Riedweg integram a Galeria Vermelho, em SP.



MUTI RANDOLPH

Pioneiro no Brasil na utilização de computadores como ferramenta (e suporte) para artes visuais, trabalha desde 1989 com produção de imagens para publicidade, projetos comerciais de design, ilustração, cenografia e mais recentemente arquitetura de ambientes e design 3D. Tem grande interesse em musica e tecnologia e explora em seus trabalhos a relação entre música, luz e espaço. (www.muti.cx)



PAOLA BARRETO

Cineasta, pesquisadora e professora. Premiada no Brasil, Alemanha e Argentina, exibiu seus filmes no ICA de Londres, na Cinemateca alemã de Berlim, e em Festivais no Japão, Canadá e Cuba. Mestre em Comunicação pela UFRJ, vive e trabalha no Rio de Janeiro.



PATRICIA GOUVÊA

Graduada pela ECO-UFRJ, por onde também é Mestre em Tecnologias da Comunicação e Estéticas da Imagem, com pesquisa sobre o tempo e a imagem contemporânea. É fotógrafa e artista visual, diretora artística do Ateliê da Imagem desde sua fundação e integrante do coletivo Grupo DOC. (www.patriciagouvea.com)



PIO FIGUEIROA / CIA DE FOTO

A CIA surgiu em 2003 com a proposta de criar um ambiente de produção fotográfica dinâmico, criativo e sustentável, onde o maior objetivo é garantir uma produção documental coletiva e ensaios para fins comerciais e de entretenimento. Possui um acervo de 150 mil imagens.



SERGIO COHN

Editou, entre 1994 e 2008, a revista literária Azougue e criou, em 2001, a Azougue Editorial. Atualmente coedita, também, o tabloide Atual – o último jornal da Terra. É autor de três livros de poesia: Lábio dos afogados (Nankin, 1999); Horizonte de eventos (Azougue, 2002) e O sonhador insone (Azougue, 2006). Organizou com Rodrigo Savazoni o livro Cultura Digital.br, recém-lançado pela Azougue.



WALTER CARVALHO

Fotógrafo e um dos mais premiados e reconhecidos diretores de fotografia do Brasil, tornou-se também um conceituado diretor de cinema. São de sua autoria: Janela da alma, em parceria com João Jardim, Cazuza – O tempo não pára, em parceria com Sandra Werneck, o documentário Moacir arte bruta. Recentemente dirigiu Budapeste, baseado no livro homônimo de Chico Buarque.



FICHA TÉCNICA



Patrocínio: BNDES

Apoio: Cine Glória e Hotéis Othon

Idealização e Coordenação Geral: Patricia Gouvêa | Ateliê da Imagem

Realização: Ateliê da Imagem

Coordenação de palestras: Patricia Gouvêa e Claudia Tavares

Produção: Andrea Cals

Assistente de Produção: Maria Continentino

Design: Elisa v. Randow



SERVIÇO



MÁQUINAS DE LUZ | 1º Fórum das imagens técnicas

Mostra audiovisual e debates

Cine Glória,

Memorial Getúlio Vargas, Praça Luís de Camões, subsolo

De 26 a 29 de outubro de 2009, às 16h e 19h.

Lugares: 116

Metrô: Glória e Catete

Mais informações pelos telefones: 2541-6930 | 22445-660

www.ateliedaimagem.com.br/maquinasdeluz

Entrada franca em todos os evento

18.10.09

Mais um brinde um cartum de Joao Zero

17.10.09

Dica do Gerdal: A música de Sidney Mattos, em retrospecto de 40 anos de carreira, é oportuna atração, neste sábado, na Tijuca


Embora completando 40 anos de carreira, motivação que orienta o show apresentado hoje, 17 de outubro, às 19h, no Centro Municipal de Referência da Música Carioca ("flyer" acima), na Tijuca, Sidney Mattos, que, sem ser propriamente do samba, é natural aqui do Rio de Janeiro, concentra a sua discografia, quase toda, nos últimos onze anos, lançando, pelo menos, um CD por ano de 1999 para cá. Juntamente com Gonzaguinha, Ivan Lins, César Costa Filho, Cláudio Cartier, Aldir Blanc e Tavynho Bonfá, entre outros, foi integrante do MAU (Movimento Artístico Universitário) no início da carreira e, desde então, entre os diversos trabalhos em palco de que participaria, destacam-se, por exemplo, "O Velho e o Moço", ao lado do saudoso violonista baiano Codó, em 1976, no Teatro Gláucio Gil; a direção musical de "Zumbi", encenada por Gianfrancesco Guarnieri, e, em Paris, no mesmo ano, de show da dupla Les Étoiles, no Olympia; além de turnê, no ano seguinte, com a jazzística maranhense Tânia Maria pela Suíça. Na antiga TV Educativa do Rio de Janeiro, musicou programas como "República dos Bichos" e "Canta Conto", este uma atração para a audiência mirim apresentada por Bia Bedran. Xico Chaves, Ana Terra, Tibério Gaspar, Euclides Amaral, Cacaso, Luiz Alfredo Milleco, Maurício Duboc e dois outros do MAU - os letristas "do bem" Ivan Wrigg  e Marco Aurélio (com quem fez sua primeira composição gravada, "Antiga Voz, em 1971, pelo Quarteto Forma) - figuram entre os parceiros desse nome consistente e gabaritado da MPB, ex-integrante do conjunto de baile Som Maior, e que também é musicoterapeuta, com formação inicialmente feita no Conservatório Brasileiro de Música e, por muitos anos, diretor do NEAE (Núcleo Experimental de Arte-Educação). Sidney Mattos é uma grande recomendação instrumental para este sábado de manhã meio barro meio tijolo, com céu parcialmente encoberto.
           Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 NR: Ainda deu tempo de botar no ar a dica do Gerdal antes de entrar no recesso "pra não lamentar".

Aviso Aos Navegantes


Caríssimos amigos, talvez este blogue entre em recesso amanhã por motivos técnicos, afetivos e familiares. Enquanto isso pensarei muito seriamente na morte da bezerra. Se tudo der certo, volto logo com novidades.
Hasta siempre

Mais um brinde: Um cartum de João Zero

16.10.09

Dica do Gerdal: Chamon e Marvio Ciribelli, neste sábado, em show na Serra da Tiririca - favas contadas de boa música em toque e verso


Egresso do Garganta Profunda, orquestra de vozes na qual se salientou como um dos principais solistas, Elias Chamon Filho, ou simplesmente Chamon, capixaba de Castelo, apresenta-se neste sábado, 17 de outubro, às 21h30, no restaurante Cantarel (Av. Serra Mar, 20 - Itaipuaçu - Serra da Tiririca - Niterói - tel.: 2638-4359), muito bem acompanhado pelo piano "che va lontano", sobretudo na qualidade da execução, de Marvio Ciribelli. Chamon é um artista multifuncional - canta, compõe, representa, dubla desenhos animados...-, e da voz do rapaz o saudoso Mario Lago (com quem ele trabalhou por muitos anos em musical de sucesso pelo país) dizia ser a voz que os anjos imitam quando querem cantar. Além de clássicos da MPB, como o samba "Beija-me", de Roberto Martins e Mário Rossi, Chamon vai cantar, entre as atuais, um primor de composição de Mário Sève com letra de Geraldinho Carneiro, "Passado Descomposto". Uma canção que, por si só, com participação especial do próprio Chamon, já vale a aquisição do CD "Minha Estação", de Thaís  Motta, todo ele, "en passant", de muito bom gosto. Ainda não conheço o lugar do show, mas dizem que é encantador. Com boa música, um grande cantor e um grande pianista, então,...hum! Noite agradável em favas já contadas.
       Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

Do fundo do baú- Ilustração "Casario"

15.10.09

Moda Jeans, um livro de Lu Catoira vai ser lançado no dia 22 - quinta-feira no Rio


A jornalista Lu Catoira lança seu livro Moda Jeans no dia 22 de outubro, quinta-feira, às 19horas e trinta minutos na Livaria da Travessa - Rua Visconde do Pirajá, 572 - Ipanema. Todos lá!

Do fundo do baú : Mais uma ilustração de um Conto Mínimo de Heloisa Seixas

Dica do Gerdal: Elisa Addor canta nesta quinta-feira no CCC - um passarinho livre em voo para o primeiro disco


Estivesse se apresentando em Paris no bar Favela Chic, voltado para a música popular brasileira, por Elisa Addor um "j`adore Elisá" certamente sairia, espontâneo e entusiástico, da boca de algum francês que constatasse estar diante "d` une chanteuse très intéressante". Felizmente, para nós, não é necessário ir tão longe para vê-la, já que essa admiração ela desperta aqui e despertará, mais uma vez, nesta quinta-feira, 15 de outubro, em show no Centro Cultural Carioca ("flyer" acima), a partir das 21h30, tendo um francês adorável, o violinista Nikolas Krassik, como convidado. Mais um show que ela empreende ao longo das quintas deste outubro para marcar a transição da cantora de eficiente presença no coro de CDs e DVDs, como os do Samba Social Clube, e plenamente identificada com o renascimento musical da Lapa - onde, no Carioca da Gema, do qual se tornou atração fixa, foi vencedora do I concurso Jovens Bambas do Velho Samba, bem amparada ritmicamente pelo Cana de Litro - para a artista que contempla um horizonte mais amplo, já a partir do seu disco de estreia, com direção musical de Edu Krieger, previsto para lançamento no final do ano.
          Em maio de 2007, juntamente com Ana Costa, Dorina, Aninha Portal, Verônica Ferriani, Camila Costa e Vika Barcellos, por exemplo, participou do CD "As Cantoras da Lapa - Encantos do Samba", só com composições de Ricardo Brito e parceiros variados, abrilhantando a faixa "O Longe Não Existe", um bom samba-canção feito por esse especialista em marketing cultural em companhia de Alceu Maia. Afinal, Elisa "canta feito passarinho livre", observou uma colega de palco e função, Janaína Moreno, no seu blogue Dobalacobaco, com toda a procedência. Ao microfone, a voz doce e melodiosa de Elisa faz todo o sentido da comparação.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.

14.10.09

Lançamento do livro Comunicação, Narrativas e Culturas Urbanas na Casa de Rui , hoje


Hoje, dia 14 de outubro, às 18 horas rola na casa de Rui, (na Rua São Clemente, nº 134 - Botafogo), o lançamento do livro Comunicação, Narrativas e Culturas Urbanas organizado por Silvia H.S. Borelli e Ricardo Ferreira Freitas.Antes vai rolar uma palestra dos autores.
(Clique no flyer para ampliar e ler melhor)

Do fundo do baú - Ilustração de um conto mínimo de Heloisa Seixas


Gosto muito desta ilustração. Gostei de desenhar o mar, a praia,o casario, os barcos, a igrejinha.

13.10.09

Emiliano Castro se apresenta no Show Kanimambo no dia 14 - Quarta-feira


Recebi o seguinte e-mail do meu amigo Emiliano Castro que está mostrando toda sua arte nas cordas da guitarra, da viola e do violão em Sampa:
"4a feira será o show de estréia do meu quarteto!!!
Minhas composições pouco ou nada conhecidas serão defendidas por um time feroz no show Kanimambo.
(Depois das deliciosas experiências de câmara em duo, chegou a hora de dar à percussão e ao baixo o que lhes era de direito.)

E para coroar a noite subirá ao palco como convidado especial um dos cantores / ritmistas mais potentes que conheço, Marcelo Pretto."

NR: Então para conferir : Emiliano Castro apresenta o show KANIMAMBO
Emiliano Castro . violão de 7 cordas e voz
João Poleto . sax soprano, sax tenor e flauta
Marcelo Cabral . contrabaixo acústico
Douglas Alonso . bateria
e o convidado federal
Marcelo Pretto . voz


4a feira, dia 14 de outubro
no projeto Caldeira Acústica da
Casa das Caldeiras,
Av. Francisco Matarazo, 2000 (quase com o fim da Av. Pompéia)
às 21:30h (a casa abre às 21h)

R$ 20,00
estacionamento no local
acesso para deficientes físicos
não aceitam cartões

Emiliano acrescenta:"Kanimambo ("obrigado") é minha maneira de celebrar e agradecer aos mestres e às tradições que me orientam.
Àqueles que vêm me declarando a vontade de aparecer em algum show: esta é uma oportunidade das melhores!
Queria poder dizer isso a cada um dos amigos músicos e não músicos. Falei?"
NR: Falou, Emiliano, sucesso aí em Sampa!

Pro pessoal ir se programando: Flávio Pereira em Eletric Life no dia 22 de Outubro


Recebi esta dica por e-mail do meu amigo Rui de Carvalho que diz :Recomendo este show. Flávio Pereira é um grande músico. Além de parceiro,  ele é uma peça importante em meu Cd NOEL ROSA POR RUI DE CARVALHO.
NR: Então, o negócio é o seguinte, o Baixista Flávio Pereira apresentará o show ELECTRIC LIFE com composições autorais e temas conhecidos da MPB. O repertório é formado por samba funk,  samba jazz,  partido alto, baladas e muita improvização. O trio é formado por Amaro Jr. (Bateria), Bosco (Teclados) e Flávio Pereira (Baixo), tendo como convidado especial o saxofonista Roberto Stepheson.
O show vai rolar no dia 22 de outubro (vai ser numa quinta-feira) às 19 horas, no Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola, na Rua Conde de Bonfim, 824 (esquina com rua Garibaldi).

Dica do Gerdal : O milanês Stefano Bollani mostra o lado carioca do seu piano em concertos, nesta terça e quarta, no Sesc Ginástico


Repasso abaixo, com "flyer" acima, informação trazida pelo amigo Euclides Amaral sobre concertos do virtuoso e carismático pianista milanês Stefano Bollani no Sesc Ginástico (Av. Graça Aranha, 187 - Centro), hoje e amanhã, 13 e 14 de outubro, às 19h, divulgando o seu recente CD com repertório de MPB. Mais uma das criteriosas e bem-vindas produções do poeta Sergio Natureza, com participação especial de Marcos Sacramento e Casuarina, nesta terça, e de Marco Pereira, Jorge Helder, Jurim Moreira, Zé Nogueira e Marçalzinho, nesta quarta. 
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 
A nova sensação da música instrumental da Itália no Brasil.
Em sua primeira visita ao Brasil, em 2006, o pianista milanês Stefano Bollani (Itália 1972) abriu com seu grupo I visionari os shows de Ahmad Jamal e Herbie Hancock no “Tim Jazz Festival”. No ano seguinte, com apoio do Ministério da Cultura do Brasil e do Governo da região da Úmbria na Itália, apresentou-se em comunidade carente no Rio de Janeiro.
 
Em 2008 encerrou o “Projeto Interseções” (Sala Cecília Meireles), produzido pelo poeta Sergio Natureza, no qual recebeu os convidados Ná Ozzetti, Zé Renato, Marcos Sacramento, Zé Nogueira e Nilze Carvalho.
 
Em 2009, dias 13 e 14 de outubro, lançará, no SESC GINÁSTICO, o CD “Bollani carioca” (selo MP.B) que gravou acompanhado por músicos italianos e brasileiros como Marco Pereira (violão), Jorge Helder (baixo), Zé Nogueira (sax soprano), Jurim Moreira (bateria) e Armando Marçal (percussões). No disco foram incluídas “Luz Negra” (Nelson Cavaquinho e José Amâncio), “Valsa brasileira” (Edu Lobo e Chico Buarque), “A voz do morro” (Zé Kéti), “Segura ele” (Pixinguinha), “Doce de coco” (Jacob do Bandolim), “Folhas secas” (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito) e “Tico-tico no fubá” (Zequinha de Abreu), entre outras.
 
SERVIÇO:
 
Show Bollani carioca (e convidados)
Teatro Sesc Ginástico
Dias 13 e 14 de outubro às 19H
Av. Graça Aranha, 187 centro tel: 2279-4027
Preços: R$ 7,00 – R$ 15,00 e R$ 30,00
Produção: Sergio Natureza

 

Dica do Gerdal: Milton Nascimento é recebido, nesta terça, na Sala Baden Powell, por Marco Lobo em mais um show da série bRatuques


Dos seus tempos de contrabaixista em BH, na primeira metade dos anos 60, animando bailes num conjunto de que ainda participavam o pianista Wagner Tiso, o baterista Pascoal Meirelles e o "crooner" Sílvio Aleixo (que, como os demais, pouco depois viria para o Rio de Janeiro, destacando-se como o primeiro, em 1966, a gravar "Apelo", de Baden e Vinicius, pela Philips), até agora, o tijucano Milton Nascimento, criado na mineira Três Pontas, vem cumprindo uma trajetória muito bem-sucedida, com reflexo internacional, mercê do seu inegável talento como compositor - o seu lindíssimo "Cata-vento", presente no elepê "Travessia", de 1967, é um dos temas instrumentais que mais me sensibilizam na MPB - e ainda um cantor de voz forte e inequívoca, como se tivesse uma impressão digital na garganta. Nesta terça-feira, 13 de outubro, às 20h30, na Sala Baden Powell (Av. Nossa Sra. de Copacabana, 360), ele é o convidado muito especial da série bRatuques, que tem como anfitrião o sensacional percussionista baiano Marco Lobo, radicado no Rio de Janeiro. Do amigo Marco, guardo uma lembrança de excelente show, no ano passado, no Espaço Rio Carioca, com outra fera - o pianista e acordeonista niteroiense Marcos Nimrichter -, em que ele só faltou fazer chover, já que teve, sem exibicionismo, pela imposição natural do seu talento, uma performance mágica naquela noite. Um digno representante da excelência do músico brasileiro que, hoje e nas demais terças previstas pelo projeto, além das já desenroladas, está muito bem acompanhado por Kiko Continentino (piano), Widor Santiago (sax e flauta), Gastão Villeroy (baixo) e Erivelton Silva (bateria).
       Concebido e produzido pela Delira Música, todos esses shows têm por fito unir a percussão a variados estilos da nossa música popular, agregando artistas de diferentes regiões e culturas. Próximos convidados : 20/10: Antônio (Totonho) Villeroy, irmão mais moço do também gaúcho Gastão Villeroy, e Arthur Maia; 27/10: Maria Gadu e Gabriel Grossi; 3/11: Moraes Moreira e Armandinho; 10/11: Rita Ribeiro e Carlos Malta; 17/11: Chico César e GisBranco; 24/11: Margareth Menezes e Saul Barbosa.
       Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
http://www.myspace.com/marcolobopercussion
 

Do fundo do baú: Ilustração: Colagem com olhos e alcova