10.4.10

Homenagem do Gerdal: Irinéa Maria- MPB com qualidade e discrição em contínua afirmação nos festivais


"Tiriê pintassilgo, voador e cantador/vem me dizer onde é que eu perdi meu amor..."
 

         Cria dos festivais de MPB em fins dos anos 60, Irinéa Maria - que já foi garota de Ipanema, porque lá nascida, criada e vivida na mocidade, e agora é uma jovial senhora moradora no bairro de Noel - é dessas artistas de trato delicado cuja lida instrumental e autoral se impõe com naturalidade, pelo talento avesso ao estardalhaço. Irmã do falecido cantor Sílvio Ribeiro e viúva do baterista Luís Moreno, do grupo de rock progressivo O Terço, ela é violonista, compositora e arranjadora das melhores e tem obra espalhada por discos de Rosa Maria, Tim Maia, Maria Creuza, Zezé Motta, Jane Duboc, Olívia Hime e Fabíola, entre outros intérpretes. "Tiriê Pintassilgo", de voo altaneiro na sua inspiração, teve registro visceral da pernambucana Adryana BB no ótimo e recém-lançado CD "Do Barro ao Ouro", um "baiãozaço" que, além de sedutora levada e confecção, também chama atenção por ter letra de Irinéa, habitualmente cercada de parceiros de fôlego criativo, como a constante Sueli Correa e Paulo César Feital, Sergio Natureza, Cláudio Cartier, a saudosa Eliane Stoducto, Jota Maranhão, Fhernanda e Olga Savary (de quem musicou poemas), entre outros.
        Com Neville Jordan na coautoria de "Vida Breve", interpretação de Claudette Soares e arranjo de Lindolfo Gaya, ela chegou em segundo lugar no I Festival Universitário de Música Popular Brasileira, promovido, em 1968, pela extinta TV Tupi e pela Secretaria de Turismo da Guanabara. Na carreira de Irinéa, os festivais se tornariam um traço bem-sucedido e marcante - só nos anos 80, participou de 50 -, e nisso louvo o empenho dela por levar a eles o brilho intenso da sua criação e ajudar a manter, com concorrentes de peso, pelo país afora, uma instituição que, por definição, aponta para a variedade, a renovação e o acendramento do nosso cancioneiro. No mês passado, em Miraí, no I Festival Ataulfo Alves de Samba e Culinária de Botequim, Clarisse Grova abiscoitou o prêmio de melhor interpretação ao defender, de Irinéa e Paulo César Feital, "Cem Anos da Minha Portela", a mesma Clarisse Grova, fabulosa, que já lhe propiciara outro alumbramento com a vitória de "Meias Partes" - parceria de Irinéa Maria com Sueli Correa - no I Festival da Mulher nas Artes, em 1982, em Sampa, organizado por Ruth Escobar. Também presente como compositora em trilhas para publicidade, curtas-metragens e teatro e mãe da cantora e compositora Luanda Jones, radicada no Canadá, a Irinéa Maria rendo a minha singela homenagem nestas linhas pelo matizado e belo da sua produção musical. Qualidade e discrição em MPB sempre com um toque de prima.

Um comentário:

Adryana BB disse...

Pessoa linda! Compositora das boas!
Matéria super bonita e merecedora!
Tenho a honra de tê-la interpretado.
Saudações ao autor!!!