4.5.10

Dica do Gerdal: Jadir de Castro - um gênio da nossa batucada e do samba bem temperado com ziriguidum e telecoteco




"A onda vai, vai,vai/e balança e balança, mas não cai..." E na crista dessa onda, coetânea à bossa nova e conhecida como samba de balanço, na companhia de Ed Lincoln, João Roberto Kelly, Orlandivo, Luiz Bandeira e até mesmo de um cantor e ritmista uruguaio, Humberto Garín, entre outros, estava o hoje já bem "surfado" baterista e percussionista Jadir de Castro (fotos acima), nascido em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, criador desse famoso "Samba do Ziriguidum", apreciado por artistas diversos, como Osvaldinho do Acordeom e Baby do Brasil (ex-Baby Consuelo) - esta em "link"  abaixo. A exemplo de outra inspirada e curiosa figura da polirritmia nacional com a sua tamba, Pedro Sorongo (que, na minha adolescência, vi várias vezes lá em casa, no Bairro de Fátima, visitando o meu pai, um velho amigo que conhecera o autor de "Sorongaio" ainda porteiro da Rádio Tamoio (PRB-7), nos anos 40), Jadir de Castro criou batidas, como o samba cruzado e a macumbossa, e instrumentos, como o "katriburim" (híbrido de bongô e tamborim) e o tumbombo (tumbadora disposta na vertical e acionada por pedal gêmeo), ao qual deu grande destaque no raríssimo e interessantíssimo elepê "Gênio da Batucada" (capa reproduzida acima), de 1965, da etiqueta Caravelle. Com carreira iniciada aos 14 anos, em orquestra radiofônica, Jadir de Castro, antes de se notabilizar por sua injeção de telecoteco no samba tradicional, morou muitos anos no exterior, atuando nos EUA, na Europa e na Ásia, sendo o homem que, em 1956, toca bongô em cena em que Brigitte Bardot aparece dançando no então polêmico "E Deus Criou a Mulher", filme de Roger Vadim, marido da estrela na ocasião e dela descobridor (em mais de um sentido). 
        "Essa nega sem sandália quer sambar...", no samba "Pourquoi?", com coautoria de outra figura curiosa da MPB, o gaúcho Caco Velho, e recentemente regravado no CD "Miss Balanço" por Clara Moreno, é mais um sucesso da batucada fantástica de Jadir de Castro, cujos sambas apresentam amiúde um quê afrancesado nas letras ou nos títulos, como "Venez Ici, Mademoiselle", "Baratin", "Belisket" e "Arrive le Batuque", este feito com João Melo, recém-falecido, o mesmo baiano criado em Sergipe e da parceria de "Sambou, Sambou", com João Donato. Sob o heterônimo Adriana Partimpim, usado na sua lida fonográfica com o público infantil, a gaúcha Adriana Calcanhoto gravou "Lição de Baião", também conhecida por "Leçon de Baion" ("link" abaixo), outra composição de Jadir, um mago da expressão timbrística que, em janeiro deste ano, lançou, no auditório da Rádio Nacional, o livro "Ciências Rítmicas e Memórias de Jadir Teixeira de Castro", importante registro pessoal da sua vivência no meio musical e, em particular, do seu envolvimento criativo e inovador na seara do som e do ritmo. Esse livro pode ser encontrado no SindiMusi (Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado do Rio de Janeiro) pelo telefone 2532-1219.   
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção a esta modesta lembrança que faço da importância do Jadir.
 

http://www.univision.com/uv/video/Baby-do-Brasil---Samba-do-Ziriguidum/id/3477221456

 
    

http://www.youtube.com/watch?v=wnHsJ6xjQ_s

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