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17.11.11

Elton Medeiros marca presença, nesta quinta, no Cariocando, em show da cantora Eliane Faria




"...hoje ele mudou/já não é mais aquele sujeito pacato/é mais conhecido por Unha de Gato/que ao morro voltou/é mais um marginal."

       
 
        Grande samba, esse dos versos acima, em que o personagem Benedito Pereira perfaz uma trajetória oposta à de Pedro dos Santos em "Pedro do Pedregulho", de Geraldo Pereira, em outro samba magistral: Pedro indo da delinquência à regeneração; Benedito, da pacatez à transgressão. Composto com Antônio Valente, "Unha de Gato" - que inspirou a criação de um grupo de samba e choro de Niterói, do cavaquinhista Daniel Scisinio - é uma das maravilhas da lavra de Elton Medeiros (foto acima). Filho de ranchista e um raro torcedor do Olaria, nasceu na Glória, criou-se em Brás de Pina, onde fundou o bloco - depois escola de samba já extinta - Tupi de Brás de Pina -, e, até notabilizar-se pelo uso rítmico da caixa de fósforos (que "afinava" pela retirada de três ou quatro palitos, deixando-a minimamente aberta para bater, num tipo de execução diferente da de Cyro Monteiro), já havia tocado diversos instrumentos, como o sax e o trombone (aprendidos no colégio interno João Alfredo, em Vila Isabel), este um instrumento que exercitou animando bailes de gafieira. Em 1963, no Zicartola, famoso restaurante de Cartola e Dona Zica, de curta mas intensa existência, conheceu Paulinho da Viola, seu parceiro mais constante, com quem, entre outros sambistas, dois anos depois, se projetaria, para público amplo, no musical "Rosa de Ouro", vindo da ala de compositores da escola de samba Aprendizes de Lucas, que, mais tarde, no mesmo bairro, agregada à Unidos do Capela, contou com ele na formação de uma nova escola e sua de coração, a Unidos de Lucas. 
        "...vou buscar aquele amor tão meu/sair andando a perguntar/qual o caminho por onde ele foi/e por onde foi irei também/até o coração achar/que simplesmente não achou/e aí, então, vou entender/ que, ao buscar, eu me perdi/de tudo aquilo que eu sou". Outro grande samba, com letra excepcional de Hermínio Bello de Carvalho para outro traço marcante do pendor musical de Elton Medeiros: a sua capacidade de criar lindas e envolventes melodias, sobretudo as de expansão mais intimista no disco, como nessa "Folhas no Ar". Formado em administração de empresas pela Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro e homem de convicção, contrário ao que entende como folclorização do sambista - "tem gente que imagina que, para fazer samba, é preciso frequentar botequim", afirma -, Elton Medeiros comparece, nesta quinta, 17 de novembro, ao Cariocando (Rua Silveira Martins, 139 - Catete - tel.: 2557-3646) como convidado da cantora Eliane Faria (foto acima), filha de Paulinho da Viola (69 anos recém-completados), em série na qual ela destaca a obra de grandes compositores. O show começa às 21h.
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
 
        Um abraço,
 
        Gerdal
 
Pós-escrito: nos "links" abaixo, 1) Zé Kéti, em imagens do programa "Ensaio", da TV Cultura, da capital paulista, recorda o primoroso samba "Mascarada", dele com Elton Medeiros; 2) o próprio Elton, acompanhado de Alcione, canta "Pressentimento" (outra linda parceria com Hermínio Bello de Carvalho); 3) a cantora Verônica Sabino, ex-Céu da Boca, dá o seu recado em "Peito Vazio", na tabelinha autoral de Elton com Cartola; 4) irmã de Beth Carvalho, Vânia Carvalho lembra o suprarreferido "Unha de Gato"; 5) Eliane Faria, com informalidade, canta "Timoneiro", de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, em programa da Rádio Nacional.                

  
http://www.youtube.com/watch?v=X_BYC1opLhI ("Mascarada")

  
http://www.youtube.com/watch?v=SLglXm6vjzQ&feature=related
("Pressentimento")    

 
http://www.youtube.com/watch?v=eOOYwegFJr4
("Peito Vazio")  
   

http://www.youtube.com/watch?v=zcxol8I8Lrk ("Unha de Gato") 
  

http://www.youtube.com/watch?v=m78iP_V2XAM
("Timoneiro")

22.6.10

Dica do Gerdal: Eliane Faria canta nesta terça e quarta em Ipanema - a bossa nova no recado de uma filha do samba


Primogênita de Paulinho da Viola, a cantora Eliane Faria (foto acima) dá o ar de sua graça nesta terça e quarta, 22 e 23 de junho, no Vinicius Piano-Bar - Rua Vinicius de Moraes, 39 -, a partir das 22h. Do grupo vocal de nome curioso, Amassando a Camisola, no comecinho da carreira, até agora, são 15 anos de simpática e atraente defesa da nossa música popular, em particular do samba mais identificado com a tradição. De Anescarzinho, seu tio salgueirense, em parceria com Célio Cruz, gravou "Amor Poente", em 2002, para uma coletânea, "Conexão Carioca 3", produzida pelo poeta Euclides Amaral, um belo samba, embora pouco conhecido, mas gostoso aperitivo para o seu único CD integral como intérprete, "Alma Feminina", lançado no ano seguinte, no qual, em gravação ao vivo realizada em bar de Sampa, homenageou grandes cantoras do nosso estrelato, como Elizeth Cardoso, Ademilde Fonseca, Dona Ivone Lara e Odete Amaral. Ouvir Eliane é, em síntese, tomar contato com uma exteriorização "pra dentro", sincera e graciosa, sem rigor técnico, do samba na sua face mais lírica e lamentosa e, em contraponto, com inflexão acalorada, típica da folia de bloco, naturalmente absorvida no seu canto, da face do samba mais alegre ou até mesmo dionisíaca a que ela também dá voz.   
        Lembrando que, no início da carreira, além de mestres do samba popular, como Cartola e Zé Kéti, bebeu do manancial bossa-novista para exercer a virtude do seu "recado", levado no encanto das águas jobinianas e de afluentes afins, Eliane se apresenta nesses shows em Ipanema, intitulados "Sambossa", acompanhada pelo violão de André Gonçalves, pelo sopro de Marcelo Moreno e pela percussão de Marcos Trança  Em particular, no roteiro do shows, uma homenagem ao paulistano Agostinho dos Santos, mavioso intérprete de joias como "Samba de Orfeu", de Antônio Maria e Luiz Bonfá ("Quero viver, quero sambar, até sentir a essência da vida me faltar/quero sambar, quero viver/depois do samba, tá bom, meu amor, posso morrer..."). Ele faleceu tragicamente, aos 41 anos, em acidente aéreo nas imediações do aeroporto de Orly, em Paris, em 1973, e foi casado com a também saudosa, esquecida e maviosa cantora Elza Laranjeira, nascida em Bauru e que gravou, entre os seus elepês, um todo dedicado à obra de Tom e Vinicius, pela RGE, em 1962. 
        Um bom domingo de sol a todos, de bola rolando, "redonda", em gramado sul-africano e nascido, quem sabe, sob o signo de "vuvuzeladas" verde-amarelas. Muito grato pela atenção à dica.
 *** 
Pós-escrito: nos "links" abaixo, Eliane Faria, em momentos de gala, acompanhada de orquestra e da Velha Guarda da sua Portela, canta "Esta Melodia", de Babu e Jamelão, e "Ilu-Ayê", de Cabana e Norival Reis; por último, na informalidade de um bar carioca, lembra o samba "De Conversa em Conversa", de Lúcio Alves e Haroldo Barbosa, gravado com muito sucesso, em 1947, por Isaurinha Garcia, tendo a acompanhá-la Os Namorados da Lua, grupo vocal desfeito, aliás, nesse ano e de cuja formação os então novatos Miltinho, cantor, e Nanai, violonista, além do próprio Lúcio, entre outros, fizeram parte.

     http://www.youtube.com/watch?v=JQsNppU8UOQ&NR=1
 
     http://www.youtube.com/watch?v=Qanpjv-CFmA&feature=related
 
     http://www.youtube.com/watch?v=HrhH_sj6LfU&feature=related

2.10.09

Dica do Gerdal : Eliane Faria canta a música de Paulinho da Viola, hoje e amanhã, na Tijuca, comemorando aniversário de carreira


Primogênita de Paulinho da Viola, a cantora Eliane Faria dá o ar da sua graça nesta sexta e neste sábado, 2 e 3 de outubro, em shows no Centro Municipal de Referência da Música Carioca, na Tijuca, ambos às 19h ("flyer" acima). Do grupo vocal de nome curioso, Amassando a Camisola, no comecinho da carreira, até agora, são 15 anos de simpática e atraente defesa da nossa música popular, em particular do samba mais identificado com a tradição. De Anescarzinho, seu tio salgueirense, em parceria com Célio Khouri, gravou "Amor Poente", em 2002, para uma coletânea, "Conexão Carioca 3", produzida pelo poeta Euclides Amaral, um belo samba, embora pouco conhecido, mas gostoso aperitivo para o seu único CD integral como intérprete, "Alma Feminina", lançado no ano seguinte, no qual, em gravação ao vivo realizada em bar de Sampa, homenageou grandes cantoras do nosso estrelato, como Elizeth Cardoso, Ademilde Fonseca, Dona Ivone Lara e Odete Amaral. Ouvir Eliane é, em síntese, tomar contato com uma exteriorização "pra dentro", sincera e graciosa, sem rigor técnico, do samba na sua face mais lírica ou lamentosa (como em "Arvoredo", de Paulinho da Viola, com quem faz dobradinha na bela gravação disponível no "myspace" dela) e, em contraponto, com uma inflexão acalorada, típica da folia de bloco, naturalmente absorvida no seu canto, na face do samba mais alegre ou até mesmo dionisíaca a que ela também dá voz.
        Homenageado no carnaval deste ano pela União de Jacarepaguá com o enredo "A Toda Hora Rola um História", Paulinho da Viola deverá ser a espinha dorsal do roteiro nessas duas apresentações de Eliane, uma filha do samba de fato e de direito - está na disputa do samba-enredo da Portela para 2010 e, em recentes carnavais, sustentou no gogó de apoio, junto ao carro de som, desfiles na Sapucaí da Paraíso do Tuiuti. Tais shows representam boas oportunidades de, na voz dela, o coração se deixar levar pelo rio de inspiração paterna que passou em nossas vidas e marcou, sem brevidade, a história da MPB. Também por aquilo que, em Paulinho da Viola, hoje é pouco recordado, como essa outra joia do seu relicário autoral, "Nada de Novo": "Papéis sem conta sobre a minha mesa/o vento espalha as cinzas que deixei/em forma de poemas antigos, relidos/perdido, enfim, confesso até chorei.../mas a tristeza é tão grande no meu peito/não sei pra que a gente fica desse jeito."
        Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.