
Amigo de Pancetti - tio da cantora Isaurinha Garcia e renomado pintor de marinas, que o homenageou com duas telas, "Pois É" e "Lagoa Serena", títulos de sambas seus -, o elegante Ataulfo Alves é oportunamente lembrado, hoje, 26 de agosto, às 12h30, pela Academia Brasileira de Letras para um homenagem que retoma, sob os auspícios da Petrobras, a viabilização de projeto musical de relevo nessa instituição. O ano corrente marca o centenário de nascença desse doutor em samba, a cuja cadência, sempre bonita, dava feitio não raro ralentado, muito influenciado pela toada rural da sua região mineira de origem, a Zona da Mata. Isso diferençava Ataulfo, filho de Severino violeiro, sanfoneiro e cantador, de outros vultos do samba na sua época, já no Rio de Janeiro, os quais o faziam de outro jeito, com ritmo mais marcado, talvez por vivência e interação mais prolongadas no Rio de Janeiro, como o campista Wilson Batista.
Contando com estátua e memorial em atividade no seu grandioso Miraí (ao menos numa hipotética reconfiguração geográfico-urbana do país à luz da importância dos seus rebentos na arte), Ataulfo é tema de livro biográfico escrito pelo jornalista Sergio Cabral, de lançamento bem próximo. Este é ainda apresentador do show de logo mais, na hora do almoço, na ABL, do qual participa Ataulfo Alves Jr. Entre as músicas do seu pai escolhidas para o roteiro (abaixo), consta "Você Passa, Eu Acho Graça", com coautoria de Carlos Imperial, numa das mais curiosas e insólitas parcerias da nossa discografia. Vale a pena recordar esse sucesso nacional gravado em 1968 por Clara Nunes - e bem relido há pouco na voz de Teresa Cristina -, assim como os demais previstos para o aplauso do respeitável público.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
ACADEMIA RETOMA SÉRIE 'MPB NA ABL"
COM SHOW EM H0MENAGEM AO
CENTENÁRIO DE ATAULFO ALVES
Jornalista, escritor e pesquisador Sérgio Cabral- que vai lançar no final deste mês a biografia de Ataulfo- apresentará o espetáculo, dia 26.8, com entrada franca .
Cantor Ataulfo Alves Jr. (Ataulfinho), filho do mestre, estará no palco do Teatro R. Magalhães Jr. mostrando os grandes sucessos do autor de “Ai, que saudades da Amélia” e “Atire a primeira pedra”
Mineiro de Miraí, autor de muitos sambas e marchas, obras- primas que ele, como poucos, tão bem interpretou ao lado de suas pastoras - Ataulfo Alves teria completado, no dia 2 de maio último, 100 anos de nascimento e de inúmeros sucessos. Um vasto repertório que o coloca na galeria dos grandes artistas brasileiros. E ,na retomada da série "MPB na ABL", a Academia Brasileira de Letras entendeu que para esta homenagem, ninguém mais apropriado, e comovente, do que o filho do mestre - Ataulfo Alves Jr.
O jornalista e pesquisador Sérgio Cabral- autor de “Meninos da Mangueira”, com Rildo Hora, que concluiu e lançará no final deste mês a biografia de Ataulfo- fará a apresentação do show, que será encerrado justamente com esse sucesso da dupla Cabral-Hora.
O evento conta com o patrocínio da PETROBRAS.
TRAJETÓRIA
Ataulfinho, como é conhecido, estreou profissionalmente no programa Bossaudade, da TV Rcord, , que tinha como condutora Elizeth Cardoso. Levado pelo pai, a partir dali sua carreira tomou fôlego. Logo gravou na Continental um compacto simples com dois sambas "feitos em casa": Ilusão de Carnaval, do irmão Adelino, já falecido, em parceria com Vargas Junior, e O mais triste dos mortais, de Ataulfo Alves.
Ataulfinho é todo sentimento ao lembrar do velho Ataulfo, que, além de genial compositor, destacava-se pela elegância no porte e na roupa - " Alinhadíssimo, sempre de terno, acentua, "não dispensava o colete e um lenço branco. Foi um grande amigo que perdi, um exemplo como homem e como pai".
Para o show, Ataulfinho estará acompanhado de Patrick ao violão. Quanto ao repertório, ele assegura, com indisfarçável orgulho, que a escolha não é das mais fáceis refere:
-Entre tanta coisa bonita que meu pai compôs, não é tarefa das mais fáceis escolher o repertório, até porque sempre sobrará alguma música. E para esse show alguns clássicos foram selecionados, valendo citar Ai, que saudades da Amélia e Atire a primeira pedra, em parceria com Mário Lago, Oh!, seu Oscar e O bonde São Januário, ambas com Wilson Baista, e Meus tempos de criança, só dele.
SÉRIE “MPB NA ABL”
Em abril de 2008, a Academia Brasileira de Letras dava nova dimensão à palavra, levando-a além do livro. Passava então, a palavra cantada a ser também característica da entidade ao incluir entre suas ofertas culturais a Música Brasileira. Ao lado do cinema, do teatro e dos seminários vários, a canção brasileira inspirou a série MPB na ABL.
Desde então, formou-se um público cativo das quartas-feiras que, até dezembro daquele ano, conviveu com artistas dos mais diferentes estilos e gêneros musicais. Foi determinante para o sucesso de público e de mídia, o patrocínio da PETROBRAS, que, num limite, viabilizou a presença, no palco do Teatro Raymundo Magalhães Junior, de artistas do porte de João Bosco, Quadro Cervantes, Clara Sandroni, Marcos Sacramento, Moacyr Luz, Nilze Carvalho, Maria Teresa Madeira, NelsonSargento, Cristina Buarque e Os Cariocas.
SERVIÇO
Academia Brasileira de Letras
Teatro R. Magalhães Jr.
Av. Presidente Wilson, 203-Castelo- 1º andar
Série MPB na ABL- 2009-
Homenagem ao centenário de Ataulfo Alves
Quarta-feira, 26 de agosto, às 12h30min
Show com Ataulfo Alves Jr. (Ataulfinho)
Apresentação de Sérgio Cabral
(O TRMJ conta com o patrocínio da PETROBRAS)
ENTRADA FRANCA
www.academia.org.br
“MPB na ABL”
Homenagem ao centenário de Ataulfo Alves
(Quarta-feira, dia 26.8.2009)
Roteiro do espetáculo
1 - Laranja madura / Ataulfo Alves
2 - Mulata assanhada / Ataulfo Alves
3 - Ai, que saudades da Amelia / Ataulfo Alves - Mario Lago
4 - Solitario / Ataulfo Alves
5 - Amor de outono / Ataulfo Alves - Artur Vargas Jr.
6 - Oh!, seu Oscar / Ataulfo Alves - Wilson Batista
7 - O bonde Sao Januario / Ataulfo Alves - Wilson Batista
8 - Meus tempos de crianca / Ataulfo Alves
9 - Leva meu samba / Ataulfo Alves
10 - Atire a primeira pedra / Ataulfo Alves - Mario Lago
11 - Vai, mas vai mesmo / Ataulfo Alves
12 - Pois e / Ataulfo Alves
13 - Na cadencia do samba Ataulfo Alves
14 - Voce passa, eu acho gra;a / Ataulfo Alves - Carlos Imperial
15 - Os meninos da Mangueira / Rildo Hora - Sergio Cabral
2 comentários:
Eu, p.ex., ando feito laranja madura na beira da estrada, mas ainda não tô bichada, Zé, nem tenho marimbondo no pé.
Minha vovó adorava Ataulfo. Cantarolava o "Bonde São Januário" enquanto cozinhava, e lembrava Amélia - a mulher de verdade - ao lavar roupa (chorava e disfarçava com as bolhas de sabão).
Minha mamma também curtia o Ataulfo. Boas músicas, pegava o espírito popular. 100 anos de Ataulfo, pôxa o tempo passa rápido demais.
bjs
Postar um comentário