

"Eu gostava de uma moça. Então, ela me convidou para ir ao batuque que eu nunca tinha visto. Umas certas horas da madrugada, o pai de santo cantou: "Chama Verequete." Eu era capataz da Base Aérea de Belém, na época da construção, cheguei na hora do almoço e contei a história do batuque. Quando acabei de contar, me chamaram de Verequete." E assim, com esse pseudônimo artístico, tornou-se conhecido como o rei do carimbó o paraense Augusto Gomes Rodrigues (foto acima), homenageado, com outros dois expoentes do gênero, Pinduca (este na linha da modernidade) e Cupijó, pelo compositor conterrâneo Ivan Cardoso em "Rodopiou", que mereceu expressivo registro em disco de Nazaré Pereira. A cantora, acreana, foi criada em Icoaraci, distrito de Belém, onde morou e trabalhou Verequete por muitos anos (lá chegado em 1940, ainda Vila de Pinheiro), como dono de bar e venda e funcionário de matadouro, vindo do interior do estado, primeiramente da Bragança natal e, depois, de Ourém. Apesar de provir de família de cantadores e tocadores, só em Icoaraci, já rapaz nos seus vinte e poucos anos, é que Verequete tomou contato com o afro-indígena carimbó (nome associado a instrumento - tambor -, ritmo e dança) e passou, acompanhado do grupo Uiarapuri da Amazônia, a encarná-lo na sua autenticidade ou nos seus "pontos cantados", com instrumentação característica de pau e corda, em oposição à variante posterior, eletrônica, com uso de "bate-estacas" e guitarra.
A esse homem simples, icônico, também vendedor de churrasquinho para sobreviver em certa fase da vida, que sempre teve a escassez e a pobreza à sua volta e reclamava nunca ter recebido direitos autorais, presto esta pequena homenagem, valorizada abaixo pelo documentário "Chama Verequete" (18 min), realizado por Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira e lançado em 2002 - exibido nos dois primeiros "links". No terceiro, gravação com carimbó de sua lavra em "Mandei Fazer uma Camisa"; no quarto, lembrado, no Teatro da Paz, em Belém, pelo cantor Edias; no quinto, nova lembrança do mestre, com o vigor dos tambores do Trio Manari e do internacional pernambucano Naná Vasconcelos. Todos chamando Verequete, falecido, aos 93 anos, em 3 de novembro de 2009, cuja obra, aos interessados, é significativamente apresentada por ele mesmo e coro no CD "Verequete É o Rei" (Projeto Cultura Pará), de 2007.(capa acima).
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
Um abraço,
Gerdal
http://www.youtube.com/watch?v=qV4a4JJNZPw ("Chama Verequete", primeira parte)
http://www.youtube.com/watch?v=iXfjfxeBqSE&feature=related ("Chama Verequete", segunda parte)
http://www.youtube.com/watch?v=azaOEsCPC6M&feature=related ("Mandei Fazer uma Camisa")
http://www.youtube.com/watch?v=hE3GX7EznDo&feature=related (Edias canta Verequete)
http://www.youtube.com/watch?v=nL4iEB2dkuY (Trio Manari e Naná Vasconcelos)
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