7.2.10
A paralisia da guerra e seu distante fim

Quando vi o filme, ele não estava nem nos cinemas, foi lançado aqui no Brasil em forma de DVD. Repousava na locadora do bairro, no meio de um monte de porcarias, me esperando imapacientemente. Na árdua tarefa de garimpar alguma coisa para ver no final de semana, me deparei com aquele título (em português off-course) , gasto e apelativo : "Guerra ao Terror"(The hurt locker). Pensei : - Mais um filme chinfrim sobre essa guerra infame.Gastei dois adjetivos e peguei a embalagem para ler os créditos - confesso que só levei para casa porque no elenco aparecia o nome de Ralph Fiennes . Explico, não sou fã desse ator, mas tinha visto um par de filmes em que ele atuava, e não eram propriamente"lixos" culturais como é a grande parta da produção hollywoodiana - é claro que seu nome funciona como uma grife que confere status a alguns produtos da indústria cultural. Foi mesmo na contramão que me vi levando esse produto duvidoso naquele saquinho preto junto com um filme francês antigo. É que ando como maluco atrás dos filmes comentados por François Truffaut no livro (que comprei num sebo) "Os Filmes de Minha Vida" - que reúne uma seleta dos artigos que ele escreveu entre 1954 e 1975. Nada como uma boa viagem ao passado para refrescar a cuca e ver o cinema que se faz hoje com outros olhos, mas isso é assunto para uma tese. Portanto, foi dentro desse paradoxo subjetivo, que comecei a assistir "Gerra ao Terror". O filme tem (desculpe a piada) pavio curto - não demorou muito tempo para ser capturado pela tensão, e sensação de asfixia que essa fita transmite. Um de seus méritos (pois é, decobri depois que ele tinha muitos méritos) é ter uma direção que trabalha a câmera de um modo que te joga dentro da ação, que não é feita do movimento de grandes combates, de cenas espetaculares, da corrida de gato e rato, mas , por incrível que pareça, extrai sua força da paralisia, do pântano em que se transformou aquela guerra equivocada,- em contraposição a pequenos movimentos, que se não forem feitos com precisão, provocarão curtos-circuitos que vão explodir tudo.
Nessa altura do campeonato, todo mundo deve estar por dentro do roteiro: Um grupo de soldados está com os dias contados para deixar o Iraque - mais particularmente um grupo que tem por função limpar os furúnculos da guerra, ou melhor, identificar e desarmar artefatos complicados que detonam explosivos - desde minas até homens-bombas. A perspectiva de sair daquele atoleiro em poucos dias se vê complicada por um aumento na escalada dos atentados - o que leva o pessoal à beira da insanidade.
O filme é adrenalida pura junto com a nitroglicerina ficcional. Quase que está além do bem e do mal, pois a obra procura não julgar, foge do maniqueísmo, embora esbarre com um ou outro lance de preconceito em relação ao inimigo. É evidente que não pode haver neutralidade, quando se vê o filme com os olhos do invasor. Não tem jeito, os insurgentes sempre serão vistos como os "terroristas" . Mas o filme não pesa a mão nesse aspecto. É claro que não se questiona o discurso do Estado que instaurou conceitos tais como esse de "terror", de "eixo do mal" etc.- do qual essa guerra resultou - uma mistura de mentiras e decisões da administração Bush que contrariram posições da ONU e lançaram os EUA numa aventura à la John Wayne. O problema daqueles caras do filme é achar a bomba, desativar a bomba. Uma boa metáfora para a era Obama. Apesar de não ser um filme de reflexão, no geral, ele procura encarar a circunstância e o evento da guerra como uma tragédia - uma infelicidade que atinge a todos e que parece não ter fim. Mas há um prazer mórbido nisso quando se vê mais de perto a figura do herói, que é questionada- de forma a pensá-lo no contexto da loucura que a tudo preside num cenário totalmente estranho, cheio de arestas, onde cada cidadão "nativo", pode representar o seu fim. Existe até uma certa visão que mostra o herói como um viciado em adrenalina...mas essa é outra história.
Pode-se dizer que Kathryn Bigelow fez um bom filme. Nada que se compare à visão dos filmes que Clint Eastwood fez sobre a segunda guerra, nem a profundidade do melhor filme sobre a questão da "Guerra do Iraque"(que se passa todo em território americano e que é potente na sua crítica ao sistema todo que envolve essa longa marcha da insensatez), que é o fabuloso No Vale das Sombras (In the Valley of Elah) de Paul Haggis.
Curioso saber que ela concorre com Cameron, seu ex, que também fez em "Avatar" - ao que parece - também um filme de guerra. (Ainda não vi o filme).
Suspeito que inconscientemente, ou muito conscientemente Cameron usou o recursos brechtiano do distanciamento para falar de um problema que nós vivemos aqui e agora - o que não é o caso desse fragmento que Bigelow dirigiu com maestria. "Guerra ao Terror" é uma porrada! E como em "Avatar", lá no Iraque, tudo é estranho, inclusive a armadura (quase medieval) que o "especialista" usa para se proteger das explosões. Mesmo assim não consideraria essa obra como um forte candidato ao Oscar de melhor filme. Talvez de melhor direção e de economia, pois foi feito com muito capricho, contou com uma câmera preciosa e uma edição de deixar o espectador sem fôlego- isso tudo feito com baixo orçamento - pelo que soube- foi filmado em Los Angeles mesmo. De qualquer forma, se constituiu numa boa uma surpresa. Só não concordei com um lance do filme, mas não vou contar para não estragar a sessão pipoca.(Só volta a falar desse filme depois de ver Avatar)
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6.2.10
Fao Miranda primeiro lugar em acessos no Site Palco Mp3

Minha querida amiga Fao Miranda está botando para quebrar lá na maravilhosa cidade de Salvador. Ela me informou que o seu EP "Polpa", atingiu o primeiro lugar em acessos no site PalcoMp3.
Para ver e ouvir o trabalho de Fao clique nos seguintes endereços:
http://www.myspace.com/faomiranda
http://www.youtube.com/watch?v=lvIg5O4IqMI
http://palcomp3.com/faomiranda
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=97240
Agenda de boa música em Sampa

Recebi por e-mail as seguintes dicas do meu amigo Emiliano de Castro e Caccia-Bava:
Amigos,
Passagem rápida pela agenda de vocês pra convidar para duas noites bem gostosas e outros beliscos:
As manchetes dos assuntos abaixo são:
* Tem estréia do samba com Carlos Walker e Candongueiro Fino no sábado à noite.
* Tem o show Outros Sambas do compositor e multinstrumentista cearense Moacir Bedê este domingo fim de tarde.
* Todos os sábados tem chorinho fazendo tradição na tradicionalíssima feijoada do Bolinha das 13h às 16:30.
*E tem o link pra quem quiser ver o lindo video que gravamos no Senegal em viagem com a cantora Ligiana.
Tenho aprendido e desfrutado demais com tudo isso.
Lá vai:
Carlos Walker e grupo Candongueiro Fino
no show
LAPASAMPA
Dia 6/sábado as 22 hs na SERRALHERIA - Lapa/SP
O samba e o choro vão baixar no terreiro chic da SERRALHERIA, no bairro da Lapa sob o comando do cantor e compositor Carlos Walker e do grupo Candongueiro Fino.
A ponte Rio-Sampa feita da fina nata do samba e do choro vai soltar suas cabrochas musicais desfiando um repertório de sambas, choros e ritmos da MPB de melhor qualidade do momento e de outras épocas memoráveis.
Carlos Walker aproveita para lançar seu recente CD, Fio da Canção todo ele tocado e orquestrado pelo mestre Laércio de Freitas e o grupo Candongueiro Fino, sob a regência do violão 7 cordas de Emiliano Castro e a cozinha de ervas finas de Marcel Martins, no cavaco, Renato Consorte no baixo e Douglas Alonso, na percussão, completam o cardápio para todas as levadas da cadencia cardíaca e bonita do samba.
No repertório-degustação, o público vai provar de Paulo Vanzolini, Adoniran Barbosa, Chico Buarque, Baden Powell, Paulinho da Viola, Cartola, Nelson Cavaquinho, Gilbeto Gil, Tom Jobim, Lúcio Gregori a um elenco de músicas da nova geração, além dos já citados grandes nomes da culinária musical e internacional do Brasil.
SERVIÇO:
SERRALHERIA
Rua Guaicurus nº 857 – Lapa- SP
Hora: 22 hs
Entrada: 10 reais
Site da Serralheria: www.escapeserralheria.org
Tels para reservas: 11- 8272-5978
Sobre o domingo com o Moacir Bedê Quarteto
Acesse o site do Espaço Cultural Alberico Rodrigues que está bem completo, com fotos e tudo o mais.
www.albericorodrigues.com.br
Moacir Bedê Quarteto
música instrumental nordestina
show do disco OUTROS SAMBAS
Moacir Bedê . bandolim, flauta, violão, guitarra, guitarrinha baiana e suas composições
Emiliano Castro . violão 7 cordas e viola caipira
Peter Mesquita . baixo frethless
Rafael Mota Ceará . percuteria
dia: 07/2 (Domingo), às 19 h
R$ 20,00
Espaço Cultural Alberico Rodrigues, Praça Benedito Calixto
Sobre a feijoada do Bolinha, célebre Bolinha, vale lembrar que o rodízio aos sábados custa R$ 82,00 por pessoa. Quem vier que não venha desprevenido, né?
O Bolinha fica na Av. Europa, 53. Mas se não souber onde é, é só chegar em São Paulo e perguntar. rsrs
(pra isso estão as tradições...)
E assistam ao lindo vídeo gravado no Senegal, África, com a cantora Ligiana em novembro do ano passado.
Obrigado e parabéns, Ligi!
http://www.youtube.com/watch?v=H2rrozWUS3E
***
http://myspace.com/emiliano7cordas
http://myspace.com/candongueirofino
Da Série Tipogradis : Homenagem a Mary Del Priore

Guilherme Mansur andou pelas terras de Gaudí e agora retorna com a sua Série "Tipogradis" forjada na sua oficina imaginaria na qual tipografa no gradil ouropretano o nome da importante historiadora brasileira MARY DEL PRIORE, autora de vários trabalhos, entre os quais, ANCESTRAIS: UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA ÁFRICA; HISTÓRIA DAS MULHERES NO BRASIL; RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE DO BRASIL COLONIAL; ESQUECIDOS POR DEUS (MONSTROS NO IMAGINÁRIO POPULAR); MAL SOBRE A TERRA: UMA HISTÓRIA DO TERREMOTO DE LISBOA
5.2.10
Dica do Gerdal: "Olha aí, Monsieur Binot!"- Joyce, essa mulher da cor brasileira, faz show, nesta sexta, ao pôr do sol em Ipanema

"Pula do muro/cai do cavalo/pula que eu quero ver/sombra no escuro/verde maduro/corre que eu quero ver/salta de lado/tiro cruzado/dança que eu quero ver..."
.
Vivia o Brasil um dos seus anos de chumbo, 1973, e a música, recém-lançada, nem era dela, "Tiro Cruzado" - do então marido, Nelson Angelo (o mesmo autor de uma formidável letra para o clássico "Um a Zero", de Pixinguinha e Benedito Lacerda, e pai das hoje cantoras Ana Martins e Clara Moreno), com outro mineiro, Márcio Borges -, mas a participação de Joyce nessa faixa de um elepê da Odeon, a qual ouvi muito na ocasião, me chamou a atenção de adolescente para uma cantora diferente, que passei a curtir, desde então, nos bons idos de duradoura sintonia na extinta e saudosa JB-AM. Também diferente de muitos, com estilo todo seu e inconfundível, seria para mim, no decorrer dos anos e nos discos seguintes e precedentes (estes redescobertos depois), a compositora Joyce, de cujo talento são valores agregados a inteligência, a sagacidade e a observação refinadamente crítica dos fatos, não raro espirituosa e culturalmente referenciada. Ela que, apesar do apuro harmônico e dos arranjos bem elaborados em seu trabalho, nem é de complicar nas canções que faz, transmitindo o seu recado com simplicidade e objetividade e envolvendo o ouvinte - no meu caso, um antigo admirador - com a "hard bossa" do seu violão e o charme da sua voz guia, drapejada de "scats" e improvisos. "Banana", "Mistérios" (em parceria com Maurício Maestro"), "Clareana" (uma canção de ninar, feita na Itália, para as citadas filhas Clara e Ana), "Nacional Kid", "Guardados" (da lavra com Ana Terra) "Feminina" e a dançante "Morena Bossa-Nova" (repaginando Vera Lúcia Couto dos Santos, primeira miss Brasil negra e musa inspiradora da famosa marcha carnavalesca de João Roberto Kelly) são exemplos significativos desse jeito peculiar que Joyce tem de criar e de mostrar a sua intensa musicalidade, que até, por força dessa singularidade artística no trato com a canção, faz parecer sua obra de outrem, como nas expressivas "Vida Jogada Fora", de Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, e "Sonora Garoa", do "neomatuto" santista Passoca.
Fazendo temporada, em 1977, em Nova York, Joyce conheceu o soteropolitano Emmanuel Alves Moreno, o Tutty Moreno, baterista e ex-saxofonista na sua cidade natal, que vivia, então, na Big Apple. Casada com Tutty pouco depois, a ele dedicaria uma de suas mais atraentes e suingadas composições, "Fã da Bahia", também bastante executada na retrocitada JB-AM. Ambos, no segundo semestre deste ano, terão lançado no Brasil um CD a dois - com a foto do casal, sorridente, na capa -, intitulado "Jazz-Samba & Outras Bossas", que pude comprar, há dois anos, em Paris, numa viagem de férias. Produção naturalmente feita no capricho, que já vale, entre outras virtudes, pela lembrança de Haroldo Barbosa e Luiz Reis e pela regravação de um "hit" da dupla, o samba "Devagar com a Louça", conhecido primeiramente em registro primoroso do conjunto Os Cariocas. Nesta sexta, 5 de fevereiro, às 18h ("flyer" acima), essa nativa de Copacabana, de tardes cariocas, tantas, vividas no Posto 6, faz show informal em outro pedaço de areia e mar bastante visitado na sua juventude, o Posto 9, na contígua Ipanema, acompanhada apenas do próprio violão. Cantora e paisagem mais uma vez interagindo e se combinando, como o chinês e a bicicleta.
Do fundo do baú- Ilustração sobre Nova York
Dica do Gerdal: O baterista Cesar Machado sopra velas de carreira nesta sexta e neste sábado na Sala Baden Powell

Na linha de frente dos nossos bateristas, o fluminense Cesar Machado, natural de Barra do Piraí, faz shows nesta sexta e neste sábado, 5 e 6 de fevereiro, na Sala Baden Powell ("flyer" acima), motivado pela chegada do seu trigésimo ano de carreira. Bem considerado ainda como compositor e arranjador, é dele a produção musical - incluindo arranjos - de um importante CD, com lançamento para breve, da cantora Christina Paz, carioca residente em Sampa, no qual ela interpretará um repertório muito bonito do seu tio, falecido em 2003, Guadalupe da Vila, grande compositor da Unidos de Vila Isabel.
Pai do também baterista Helbe Machado, Cesar é da escola do conjunto de baile ("que já deu muito músico bom", de acordo com a letra de Paulo César Pinheiro, sobre melodia de Eduardo Gudin, num samba gostoso e muito bem gravado por Vânia Bastos), vivida ainda na sua cidade natal, e tem, por exemplo, na sua experiência profissional a animação de várias revistas musicais, como músico, compositor e arranjador, no Teatro Brigite Blair, em Copacabana, no final dos anos 70, a participação no show de inauguração da árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, em 1999, além do acompanhamento de numerosos artistas de renome da MPB, como Elizeth Cardoso, Maria Bethânia, Angela Maria, Emílio Santiago e Tito Madi, entre os cantores, e Hermeto Pascoal, Antonio Adolfo e Francis Hime, entre os instrumentistas. Versátil na baqueta, é também bastante respeitado e procurado pelos seus "workshops", já ministrados na Universidade de Música de Berlim.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção à dica.
www.myspace.com/cesarmachado
www.myspace.com/helbemachado
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4.2.10
Dona Joana comemora 1 ano de vida hoje no Circo Voador

Recebi uma notícia muito feliz, foi minha amiga Stephania que me mandou por e-mail, ela diz o seguinte" QUERIDOS,
COMEMORANDO O PRIMEIRO ANO DE EXISTÊNCIA, A BANDA DONA JOANA PREPAROU UM SHOW INCRÍVEL!DIA 04 DE FEVEREIRO, NO CIRCO VOADOR!
VAMOS FAZER O ESQUENTA DO CARNAVAL, ABRINDO O SHOW DA ORQUESTRA VOADORA, NOSSOS QUERIDOS PARCEIROS... ENTÃO, TODO MUNDO FANTASIADO, HEIN!
A CASA ABRE AS 21 HORAS, E NÓS COMEÇAMOS PONTUALMENTE ÀS 22H (MESMO!).
VENHAM E DIVIRTAM-SE!
Beijo! Stephania.
www.myspace.com/bandadonajoana
Dica do Gerdal: Dalmo Castello e sua música, nesta quinta, a convite de Roberto Serrão- faz-se a alegria e o triste se ausenta do Severyna


Nesta quinta, logo após o despertar, corram e olhem o céu que o sol vem trazer, além de bom dia, a boa notícia da presença do cantor e compositor Dalmo Castello (foto acima) no Severyna (Rua Ipiranga, 54 - Laranjeiras - tel.: 2556-9398), para show a partir das 21h. Tal qual o violonista Roberto Nascimento ("Inverno do Meu Tempo"), Dalmo Castello é parceiro pouco rememorado de Cartola, apesar do sucesso de "Corra e Olhe o Céu". Em 2004, esse carioca da Gamboa lançou o CD/DVD "Passeador de Palavras", no qual reconstitui parte de sua obra de tons suaves e acordes românticos. Na faixa-título, com ênfase no polissílabo proparoxítono, manda um recado naquele "idioma esquisito" de Nelson Sargento, e, com Ederaldo Gentil, em "Passarela da Vida"", ainda inspirado pela razão soberana do amor, homenageia escolas de samba do Rio em letra alinhavada por nomes delas. Ora sozinho, ora com a co-autoria de outros craques, como João Nogueira e Edil Pacheco ("Se Segura, Segurança") e Cláudio Jorge ("Na Boca do Vento"), o peripatético Dalmo, como se anuncia, exercita-se no samba de recorte clássico, bem cadenciado, curtido em bar e subúrbio, para presentear a MPB com um trabalho notável, de que são exemplos altaneiros, ainda na companhia de mestre Cartola, "Motivação" e "Disfarça e Chora".
Dalmo Castello é o convidado, neste 4 de fevereiro, de Roberto Serrão (foto acima), que dá sequência a mais uma apresentação do seu Terapia Popular, uma iniciativa bem-sucedida de alegrar as noites de quinta em Laranjeiras com bom samba. O mesmo bom samba, aliás, de sabor bem popular, que o próprio Serrão canta "nos pagodes da vida", especialmente os feitos com o parceiro constante Guilherme Nascimento, aliando beleza a simplicidade, sentimento a expressão.
www.myspace.com/robertoserraooficial
www.myspace.com/dalmocastello
http://www.sambaderaiz.net/?p=1939
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3.2.10
Noel Rosa, a Vila e o Brasil - a universidade vai à escola

Vai rolar uma mesa redonda sobre o tema Noel Rosa, a Vila e o Brasil, com a mediação de Wilson Vieira Alves, o Moisés, que é presidente da Unidos de Vila Isabel.
O evento vai contar com a participação de gente que entende e explica o fenômeno Noel Rosa, sua época e a grande Vilsa Isabel:
Carlos Lessa (Brasil da mistura de classes),
Raul Milliet Filho (futebol e samba de Noel),
Nelson Moreira (Vila na vanguarda da cidadania),
Rodrigo Lessa (eternidade musical de Noel)
e Carlos Didier (Noel e a formação do samba)
3 de fevereiro, 20 horas, antes do ensaio,
na quadra da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel,
Boulevard 28 de Setembro, 382
2.2.10
Marcus Siqueira no myspace e outras dicas de música erudita

O compositor de Música Erudita Marcus Siqueira nos brinda com alguns trabalhos para serem ouvidos no myspace (veja link abaixo)
Gilson Antunes acabou de lançar um CD todo voltado para a obras de Marcus feitas para violão-solo.
Mais uma dica: No final do ano passado ficou pronto um CD intitulado Música Plural onde se pode ouvir 25 jovens compositores de música erudita contemporânea. Esse pessoal fez um site onde se pode ver as partituras das peças e baixar gratuitamente as músicas - esse material está no seguinte endereço www.musicaplural.art.br
Os sites de Marcus Siqueira estão nos seguintes endereços
www.marcussiqueira.com
www.myspace.com/marcussiqueira
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Ilustração Inédita para Alabê de Jerusalém

Ilustração inédita que seria para uma capa de segundo caderno cujo tema era a Ópera Alabê de Jerusalém, composta por Altahy Veloso que na época estava ainda no papel. Vi que ela rolou tempos depois com grande sucesso em 2007 no Theatro Municipal do Rio.
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Homenagem ao Professor Wilson Martins

Este é um esboço para caricatura do professor Wilson Martins, que faleceu no sábado, aos 88 anos. Foi feita faz algum tempo, para ilustrar um artigo sobre um livro dele, se não me engano.
Wilson Martins exerceu também o jornalismo literário em diversos jornais do país - inclusive no que eu trabalhei. Tive o prazer de ilustrar algumas colunas de sua autoria.
1.2.10
Homenagem do Gerdal: Luiz Reis- 30 anos de lâmpada apagada na memória midiática nacional

A uma semana do carnaval, em 9 de fevereiro de 1980, morria o pianista e compositor Luiz Reis. Há quase 30 anos, portanto, a cidade do Rio de Janeiro amarga o desaparecimento de uma das suas figuras mais alegres e genuinamente representativas, apesar de nascido na capital do Maranhão, em 1926. Um artista de vulto, mormente nos anos 60, década de maior execução e êxito dos seus sambas ora românticos, ora engraçados, em parceria com o craque do humor e das versões Haroldo Barbosa. Boêmio incorrigível, aficionado do turfe e do futebol, searas em que atuou como comentarista de rádio, Luiz Reis, o "Cabeleira", apelido dado por Nássara, é desses nomes da nossa música popular aos quais a posteridade ainda não estendeu a mão com o reconhecimento devido.
Foi no mesmo bar Vilarinho do celebérrimo encontro de Tom com Vinicius, no Centro do Rio, que Luiz Reis e Haroldo Barbosa também fizeram história, iniciando, assim, a sua ligação musical. Lá, Haroldo, admirador da rítmica mão esquerda do amigo no teclado, desafiou-o a pôr música em versos que lhe mostrara, surgindo, então, já na casa de Luíz, o primeiro dos sambas da lavra comum, "Projeção", gravado por Elizeth Cardoso. Um samba de título profético, pois, daí em diante, a dupla ganharia notoriedade por causa de sucessos em cascata lançados, além da Divina, por Miltinho e Elza Soares. A afinidade na canção foi precedida pela afinidade no prado, pois a corrida de cavalos, paixão declarada de ambos, levou-os a se conhecerem quando Luiz Reis cobriu férias de Haroldo, titular da coluna O Pangaré, no jornal "O Globo". Em outro periódico, "Diretrizes", diagramado por Nássara, Luiz Reis assinou uma curiosa coluna, Conselho Cavalar, na qual, além de dar palpites, "entrevistava" puros-sangues. E ainda batia um fio para os afins, como o Paulo Soledade de "Estão Voltando as Flores", atrás de uma barbada.
Mais conhecido como "Cara de Palhaço", o samba "Palhaçada", na voz de Miltinho, foi pule de dez da dupla, o seu cartão de visita. A exemplo de "Cara de Pau", "Devagar com a Louça" e "Só Vou de Mulher", este regravado pelo conjunto Família Roitman, trata-se de um samba de sabor bem carioca, na linha da sátira dos costumes, com um molho na batida do teclado que evoca o toque buliçoso de pioneiros como Nonô. "Palhaçada" é uma composição emblemática do que, na época - início dos anos 60 -, se chamou "samba de balanço' ou "sambalanço", uma corrente entre a bossa nova e o samba tradicional da qual Luiz Reis, João Roberto Kelly, Ed Lincoln, Orlandivo, Luiz Bandeira, Sílvio César, Miltinho, Dóris Monteiro e o baterista Jadir de Castro, por exemplo, foram rematados cultores. Fruto de uma brincadeira que ambos faziam, entre amigos, nas horas vagas, o elepê "Samba a Quatro Mãos" (reprodução de capa, acima), da RCA, Victor, gravado por Luiz Reis e Kelly em 1964, com os dois em um mesmo piano, é bastante ilustrativo desse ramal da MPB e de um tempo em que, segundo Luiz Reis, ele e os colegas de ofício "saíam como cachorros" por Copacabana, parando em qualquer canto onde houvesse um piano, pelo simples prazer de tocar.
"Luminosa manhã/pra que tanta luz/dá-me um pouco de céu/mas não tanto azul..." Assim começa o samba lento "Canção da Manhã Feliz", dos mesmos Luiz e Haroldo, que Nana Caymmi regravou com a densidade habitual da sua interpretação e integra a vertente romântica da dupla, na qual ainda pontificam "Nossos Momentos", "Fiz o Bobão", "Notícia de Jornal", "Meu Nome É Ninguém" (do famoso "foi assim/a lãmpada apagou/a vista escureceu/um beijo então se deu...") e "Moeda Quebrada", entre outros. No carnaval, Luiz Reis também deixou a sua marca, compondo com Pedro Caetano "O Leite das Crianças", gravado por Marlene, que canta " ...não se come poesia/não se vive de esperanças/acorda, nego, que é dia/olha o leite das crianças"; "O Bloco de Sujos" (com Luiz Antônio), pelo conjunto vocal As Gatas, e "Salve a Mocidade", em que a bateria nota dez de Mestre André é exaltada na voz de Elza Soares.
Visceralmente rubro-negro, Luiz Reis era um tipo agitado, que dormia tarde e acordava cedo, para o qual o chamado da noite era imperativo, sempre indo ao encontro dos amigos nos bares do Rio, atleta social do "halterocopismo etílico". Distraído, certa vez, no Leblon, num"lapso freudiano", como dizia, pediu licença ao parceiro Luiz Antônio, com quem bebericava no Degrau, para usar o telefone do estabelecimento, a poucos metros da mesa que ocupavam, e dar um recado urgente a um amigo, surpreendendo-se, em seguida, ligando para o mesmo Luiz Antônio que aguardava o seu retorno. De outra feita, na única vez em que a parceria de Luiz com Haroldo emperrou, o carro do primeiro, freado à frente do carro do segundo no estacionamento do Jockey Club, impediu que Haroldo pudesse deixar o local com as próprias rodas, e tal inadvertência do circunstancialmente ausente Luiz levou o amigo a pegar um táxi para sair dali. Muitas histórias curiosas e algo anedóticas deixou Luiz Reis na memória dos mais chegados, mas, acima de tudo, um estilo inovador sem seguidores, de outra feição pianística à batida do samba, num tempo em que as forças do grande mercado do disco ainda "bombavam" no seu negócio com o talento e a criatividade.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção a esta homenagem pessoal ao esquecido Luiz Reis.
31.1.10
Dica do Gerdal: O samba bem rodado de Ernesto Pires marca presença, neste domingo, na Gamboa, pelos 90 anos de Dodô da Portela (grátis)


Quem vê Ernesto Pires (fotos acima), assíduo nas rodas da cidade, com o seu indefectível chapéu, jeito algo amalandrado e informalidade aflorada de trato, dificilmente, creio, divisará nele, por força, é claro, de estereótipos de composição sociovisual, a figura do engenheiro químico e professor universitário que é. Nascido na Princesinha do Mar, mas criado em Brasília até os 13 anos, quando retornou com a família ao Rio de Janeiro para morar no Rio Comprido, Ernesto, ao ingressar na Escola Técnica Federal de Química, lá encontrou entre os colegas futuros músicos como ele - Paulão Sete Cordas, Henrique Cazes e Mongol. Um convívio que, naturalmente, acentuou-lhe uma motivação que já vinha, forte, desde a infância, quando, brincando de carrinho, gostava de ouvir bolachas de MPB, especialmente a música dos famosos festivais de fins dos anos 60. De Mongol, ainda nos tempos da escola técnica, defenderia um samba em apresentação no Colégio Coração de Maria e, até reconhecer-se como cantor e compositor nessa praia tropical da música popular, para o que foi determinante terapia anarquista feita com o psiquiatra já falecido Roberto Freire (pai do excepcional violeiro Paulo Freire), fez de tudo em matéria de interpretação da música, cantando em ritmos e até idiomas diversos, tendo a própria voz por companhia, em muitas ocasiões, apenas o violão empunhado. Desse modo, autossuficiente, também fez, para Ivon Cury, abertura em shows de karaokê apresentados pelo saudoso "chansonnier" de Caxambu, até, após longos períodos em Sampa e BH (nesta estudando na Escola de Música Livre), retornar, em 1997 ao Rio, atendendo à sirene do chamado do samba em si mesmo e já abraçado ao cavaquinho, instrumento em que teve como orientador o também saudoso Mestre Zé Paulo. É de 2000 o único CD gravado por Ernesto Pires, "Novos Quilombos", bastante elogiado por especialistas na matéria, em que, particularmente, agradou geral, nas recorrentes rodas, com o samba "Terreiro de Iaiá", de sua autoria. "É do ramo", como já certificou o crítico musical Tárik de Souza, destacando-lhe ainda uma divisão rítmica própria.
O aniversariante Ernesto pode ser visto e ouvido neste domingo, 31 de janeiro, no Centro Cultural José Bonifácio, na Gamboa, numa programação, abaixo, dedicada à também aniversariante Dodô, agora nonagenária, porta-bandeira da Portela, na passarela do tempo, em tantos e históricos carnavais.
Centro Cultural José Bonifácio
Rua Pedro Ernesto, 80 - Gamboa. Grátis - (vc só paga o que for consumir) Tel.: 2233-7754.
12:00 - Feijoada
14:30 - Roda de Samba com a participação dos sambistas:
Efson; Toninho Geraes; Dunga, Gabrielzinho do Iraja e Ernesto Pires
15:00 - Inauguração da exposição de fotografias e fantasias de Dodô da Portela
16:00 - Lançamento da cartilha s/vida de Dodô da Portela escrita por
Luis Carlos Magalhães
16:30 - Show com o grupo Tempero Carioca e a participação de integrantes da Velha Guarda da Portela (Monarco,Tia Surica, Mauro Diniz e Serginho Procópio)
19:00 - Baile com a Banda Bossa Seis
30.1.10
Dica do Gerdal :Roberto Silva é presença nobre do samba, neste sábado, no Rival, cantando na concorrida feijoada da portelense Surica


"Você partiu de madrugada/não me disse nada/isso não se faz/me deixou cheio de saudade..." Nesses versos da segunda parte de "Agora É Cinza", de Bide e Marçal, uma recordação de 1958 ao mesmo tempo amarga e doce para o cantor Roberto Silva (foto acima), nascido na Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana, numa casa onde hoje se situa a estação do metrô. Varando uma das madrugadas daquele ano no estúdio da Copacabana, por causa da gravação de músicas do primeiro dos quatro elepês da ótima série "Descendo o Morro", com produção de Altamiro Carrilho, um dos momentos mais altos da sua carreira, Roberto passou pelo extremo dissabor de, chegando em casa, receber a notícia da morte de dona Belarmina Adolfo, sua mãe, ocorrida durante a mesma noite. Ele voltando, ela partindo, ironicamente, como a sugerir o samba de que ela tanto gostava - e gravado nesse elepê -, quando Roberto Silva já firmara o seu nome como intérprete do gênero e, em particular, um estilo elegante, plácido e sincopado de cantar que lhe valeu o epíteto de Príncipe do Samba, dado, em seus idos de Rádio Tupi, pelo apresentador Carlos Frias (o próprio Silva do sobrenome artístico - Roberto Napoleão, simplesmente, no RG - foi-lhe dado pelo compositor Evaldo Rui, provavemente pela admiração deste por Orlando Silva). Referência de expressão vocal na MPB para figuras do tope de João Gilberto e Caetano Veloso, é bastante lembrado como um intérprete-modelo de Wilson Batista, por causa da gravação de "Mão Solteira", em 1954, e "Samba Rubro-Negro" - logo ele, Roberto, um botafoguense -, em 1955, embora, antes disso, já se impusesse entre os mais ouvidos do rádio, graças a um samba que um potiguar recém-chegado ao Rio, em 1946, Raimundo Olavo, lhe mostrara, "Normélia", de lembrança instantânea entre os admiradores do cantor carioca.
Neste sábado, 30 de janeiro, no Rival, segundo a informação abaixo da amiga Régia Macêdo, esse nobre do samba, de quase 90 anos, apresenta-se, com a simpatia habitual, animando a feijoada de Surica, a Tia Surica (foto acima), como é carinhosamente tratada. Nascida em Madureira, tornou-se figura de relevo histórico na Portela, puxadora do samba-enredo "Memórias de um Sargento de Milícias", de Paulinho da Viola, Catoni e Maninho, em 1966. Fidelíssima ao azul-e-branco do seu coração, reside até hoje numa vila próxima à quadra da escola, onde se situa o seu famoso "cafofo", cenário de festas inesquecíveis entre as boas figuras do ramo.
FEIJOADA DA TIA SURICA - 30 de janeiro - 1º edição do ano!
Neste mês, a tradicional feijoada da TIA SURICA trará uma roda de samba com o Grupo SAMBA COM ATITUDE e a participação especialissima do maravilhoso : R O B E R T O S I L V A .
SERVIÇO:
30 de janeiro - sábado - das 13h às 17h30.
Teatro Rival Petrobras
R. Alvaro Alvim, 33/37 - Cinelândia - RJ.
Preço: R$ 35,00 (feijoada + roda de samba)
Nos intervalos, o DJ Alex Correia.
www.rivalpetrobras.com.br
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Dica do Gerdal: Tributo a Durval Ferreira, neste sábado, no Catete, em show de Amanda Bravo aberto a canjas

"Um sambinha é bom/quando ele é fácil de cantar/e quando vem a inspiração/é natural uma canção.../e toda história viverá/quem com carinho só cantar/e toda a gente há de ver/e, facilmente, compreender/que o que se quer é mesmo paz/e nada mais."
E nada mais, infelizmente, pôde fazer Durval Ferreira (foto acima) depois do dia 17 de junho de 2007, quando faleceu, vitimado por um câncer. Nenhuma de suas apreciadas composições pôde mais ser criada e ouvida, como o terna "E Nada Mais", feito com um dos mais recorrentes letristas da bossa nova, Luiz Fernando Freire, cujo pai, já falecido, Victorino Freire, político atuante no final dos anos 50 e limiar dos anos 60, foi dono de um outro apartamento-referência em matéria de encontros musicais da rapaziada dissonante, na Rua Tonelero, em Copacabana.
Nascido caprichosamente em Pilares, bairro da Zona Norte carioca bem distanciado da orla e origem atípica de um músico bossa-novista, Durval foi criado na mesma ambivalente Vila Isabel de Noel Rosa e Johnny Alf, onde, nos anos 50, teve contato com o acreano João Donato, então um acordeonista avançado que tocava na orquestra de Valdemar Spilmann. Já morando na Praça São Salvador, em Laranjeiras, conheceu o gaitista Maurício Einhorn, que o introduziu no mundo do jazz e com ele assinou clássicos como "Tristeza de Nós Dois" (também com Bebeto Castilho), "Estamos Aí" (também com Regina Werneck) e "Batida Diferente. Liderou o conjunto Os Gatos - tocando com Eumir Deodato, Wilson das Neves, Neco, Paulo Moura, Norato, Ed Maciel, Meirelles e Copinha - e, depois, a partir dos seguintes anos 70, por três decênios, abraçaria a atividade de produtor e diretor artístico em várias gravadoras, como a CID. "Chuva", tão suavemente gotejada na interpretação de Claudette Soares, é uma das suas músicas mais cativantes, em parceria com o cineasta Pedro Camargo, num rosário de pérolas autorais de que se podem lembrar, entre outras, "Registro", com o publicitário Marcello Silva, "São Salvador" (belíssimo tema instrumental para a citada praça da Zona Sul carioca) e, mais recentemente, "Antônio Brasileiro", com letra de Tibério Gaspar, vencedora, em 2005, de um festival de música em Jacareí, no interior de São Paulo.
Abaixo, retransmito o recado que recebi da amiga Amanda Bravo, cantora, filha de Durval Ferreira, sobre homenagem inspirada pela data de aniversário de seu pai. Canjas são bem-vindas.
***
Amigos amados,
Neste sábado, dia 30/1, farei um tributo ao meu pai, que estaria fazendo 75 anos no dia 26/1, no meu show no Cariocando.
Convido a quem quiser prestar sua homenagem em lembrança ao GATO pintar por lá, com muita alegria e boas vibrações para meu paizão! Leve a música e o tom, ou adiante por aqui para eu falar ao Midosi.
A passagem de som é 19h. É só aparecer que a gente organiza na hora, ok?
Um beijo,
Amanda.
IMPORTANTE: FAÇAM SUAS RESERVAS DESDE JÁ!
SÁBADO - 30/1 - 21h
SHOW: AMANDA BRAVO, ORLANDIVO, PAULINHO TROMPETE E DURVAL FERREIRA TRIO - Baile de Bossa e Sambalanço
CARIOCANDO: RUA SILVEIRA MARTINS, 139 - CATETE (a 100 m do metrô)
TEL: 2557-3646
R$ 14,00
www.amandabravo.com
www.amandabravoproducoes.blogspot.com
www.myspace.com/amandabravobrasil
29.1.10
Meneghetti nos telhados de Sampa de novo

O lançamento foi ontem, mas por uma série de trapalhadas deste blogueiro, só consegui noticiar hoje. O que importa é que Mouzar Benedito nos brinda com mais uma obra, e desta vez escreve sobre as aventuras do fabuloso ladrão que aterrorizou Sampa na meiuca do século XX.
Vai para o ar então o e-mail que recebi sobre o livro Meneghetti - o gato dos telhados
Ele chegou em São Paulo pela onda de migração dos muitos italianos que vieram ao Brasil em busca de trabalho. Mas logo ficou claro que sua trajetória teria pouco de comum com a de maior parte de seus conterrâneos. Na Pauliceia de meados do século XX, Gino Meneghetti era um artista, mas um artista na arte de roubar. Esta obra apresenta o perfil desse anti-herói italiano que ganhou notoriedade por seus roubos e fugas espetaculares.
Com uma linguagem irreverente, o jornalista Mouzar Benedito resgata a lendária “carreira” de Meneghetti, que foi avidamente acompanhada pela sociedade da época e gerou muitas histórias transmitidas até hoje na capital. Conhecido por roubar somente dos ricos e por sua politização contestadora, Meneghetti fez sua fama por empreender assaltos, fugas da polícia, por suas passagens pela prisão e por protagonizar muitos ‘causos’ na cidade no início do século XX.
A pesquisa biográfica de Marcel Gomes e Antonio Biondi complementa o retrato de um dos maiores larápios que São Paulo já conheceu. O resgate desta história é completado ainda por frases extraídas de entrevistas publicadas e de cartas enviadas por Gino aos jornais. O livro traz também a história em quadrinhos, criada em 1976 por Luiz Gê para o jornal Versus, que inspirou o curta metragem de Beto Brant sobre a história do italiano.
Trecho da obra Meneghetti era isso: uma lenda, até então viva. Seu nome virou sinônimo de ladrão em boa parte do Brasil. Na minha infância no sul de Minas, por exemplo, eu me lembro que, para xingar alguém de ladrão, chamava-se a pessoa de Meneghetti ou de Sete Dedos. Eram os ladrões mais famosos da história de São Paulo. Os dois chegaram a conviver na prisão, numa das passagens de Meneghetti. Sete Dedos era um mulato bem falante, que tinha mesmo apenas sete dedos. Era famoso também. Mas aqui na Pauliceia, embora Meneghetti e Sete Dedos fossem sinônimos de ladrão, os dois xingamentos tinham sentidos diferentes. Chamar alguém de Sete Dedos equivalia a xingá-lo de ladrão. Mas de Meneghetti era diferente. Era ladrão, mas não um ladrão ruim. Era esperto, humano, adepto da não violência, anarquista, contestador da sociedade capitalista, da burguesia e da aristocracia... Enfim, um herói popular. Um sujeito que fazia com a burguesia o que muita gente tinha vontade de fazer: roubá-la e gozá-la. O mesmo em relação à polícia, que ele provocava pelos jornais. Era uma polícia violenta e extremamente preconceituosa contra imigrantes pobres, como a maioria dos italianos. Meneghetti, enfim, “era isso”, “era aquilo”... Parecia uma figura da literatura, resultado da imaginação de um escritor policial e incorporado ao imaginário popular.
Sobre o autor Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros - MG, Brasil Mulher) e publicou diversos livros, entre eles Pobres, porém perversos (Scritta) e Pequena Enciclopédia Sanitária pela Boitempo. Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo , e também um pouquinho de chinês e de tupi. É um exímio observador de sacis e valoriza a cultura nacional.
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28.1.10
Encontre Salinger e descubra o que são os Peixes-Banana

Morreu um dos meus heróis - o magnífico J.D.Salinger . Publiquei aqui uma longa resenha de uma biografia não autorizada que Ian Hamilton escreveu sobre ele. Está nos arquivos, dividida em vários capítulos. Começa no dia 30/9/2007 e vai acho que até o dia 25/10/2007.
Mais detalhes sobre ele e suas obras, você pode encontrar no site da Editora do Autor no seguinte endereço http://www.editoradoautor.com.br/. Este modesto blogueiro escreveu os textos desse site e teve a sorte de vê-los parcialmente repetidos na web , o que me deixou contente, pois significa que colaborei para divulgar os trabalhos deste grande mestre da literatura americana.
Detalhe: Tive o prazer de fazer as capas da maioria de seus livros, menos de "Pra cima com a viga, moçada!" Como ele não gostava de imagens nas capas , nem fotografias suas, a gente teve que se contentar em trabalhar com a tipologia num lay-out simples - sem grandes elaborações gráficas. Ele, acho eu, queria que tudo fosse apenas texto. Suponho que deve ter alguma coisa a ver com o pensamento zen. Ele acompanhava pessoalmente a feitura destas capas. Foi muito engraçado, um dia receber um e-mail do escritório que o representava nos EUA, dizendo que Mr. Salinger havia gostado da capa prateada de "O Apanhador no Campo de Centeio".
Existem boatos de que ele deixou um tesouro de escritos trancados num cofre em sua casa. Creio que seus herdeiros ficarão diante de um beco sem saída: O de trair ou não os desejos do pai de ocultar esses textos. De minha parte, acredito que o que ele já escreveu está de bom tamanho. E se não publicou esses trablhos em vida, deve ser por alguma boa razão. Viva Salinger!
Dica do Gerdal : Simone Lial e Mulato Velho nesta quinta no Trapiche Gamboa: ô, que samba bom!

Que samba bom! Cria de Ramos, chão venerado do batuque carioca, onde morou Pixinguinha e onde um Cacique, à sombra de uma tamarineira, ainda exerce autoridade na seção rítmica da MPB, a cantora Simone Lial ("flyer" acima), ex-integrante do Goiabada Cascão - grupo criado em 1999 e importante, no extinto Empório 100, para a retomada da tradição boêmio-musical da Lapa -, é atração desta quinta, 28 de janeiro, a partir das 21h, no Trapiche Gamboa, como o foi nas quintas precedentes do mês, na companhia de uma moçada reza-forte de Niterói, formadora do Mulato Velho. Admiradora de Clara Nunes, Simone brilhou, no ano passado, no palco do Centro Cultural Carioca, ao lado de outro conjunto da antiga capital fluminense, o Tio Samba, no belo "É Batata!", dedicado a Carmen Miranda, por inspiração do centenário de nascimento dela. Cresce de show para show, firmando em cena um estilo marcante, nuançado e de substância própria na interpretação, que, em parte, remete a outra de suas admirações no palco e no vinil, Elis Regina, nas inflexões. Antes do show de logo mais, vale a pena curti-la, por exemplo, pelo YouTube, acompanhada do violão de Antenor Luz, cantando "Opinião" e, em seu "myspace", ouvir, por exemplo, na voz dela dois clássicos: "Beijo na Boca", de Ciro de Souza e Augusto Garcez, um sucesso de carreira que Cyro Monteiro conheceu em 1940, e "Enlouqueci", de Luís Soberano, João Sales e Valdomiro Pereira, gravado por Linda Baptista em 1948. Quanto ao Mulato Velho, satisfação garantida, também pelo MySpace, na execução de "Bole-Bole", samba do chorão-mor Jacob do Bandolim, com destaque para o trombone de Fabiano Segalote.
www.myspace.com/simonelial
www.myspace.com/mulatovelho
27.1.10
Dica do Gerdal : Sáloa Farah troca a quadra de vôlei pelo palco e lança disco, nesta quarta, no Rival - ponto para a MPB

Fazendo, como a soteropolitana Simone, o traslado vocacional da quadra desportiva (ela, do vôlei; aquela, do basquete) para o estúdio de gravação e o palco - em ambos os casos, com vantagem no placar para a MPB -, a carioca Sáloa Farah, da Ilha do Governador, lança nesta quarta, 27 de janeiro, às 19h30, o segundo CD da carreira, "De Cartola e de Tamanco", com produção do poeta Paulo César Feital. Embora com trajetória promissora no universo dos saques, das manchetes e das cortadas, campeã estadual que foi, em 2002, pelo Fluminense, ela, de apenas 21 anos, sentiu que um lance mais emocionante da sua atuação no jogo da vida estava fora daquelas tão familiares quatro linhas: uma "jornada de estrela" na música popular, à qual se apresenta, bem credenciada, com seu timbre grave, vigoroso e diferenciado, um canto de sereia não enganador e já arregimentador de grande número de admiradores. Muito importante para Sáloa, também ex-estudante de odontologia, foi a observação atenta e encantada desse canto pelo contrabaixista e compositor Halsey Mendes - jurado de um festival de que ela participou, no Fundão, patrocinado pela Petrobras -, o que, pouco depois, abriu-lhe caminho para o encontro com Roberto Menescal e alguns trabalhos de interpretação pelo selo dele, Albatroz, como o primeiro CD que gravou, "Delicadeza", com faixa-título de Paulo César Feital e Altay Veloso.
No show de logo mais, em que mostrará ainda sua versatilidade e bom gosto, destaque para regravações incluídas no novo disco, como "Vela no Breu", de Paulinho da Viola e Sergio Natureza, "Onze Fitas", de Fátima Guedes", "Injuriado", de Chico Buarque, e um partido-alto, "Cadê Ioiô?", de César Veneno, do Salgueiro, compositor que marca, assim, sua presença na produção. Com o perdão do trocadilho, não procede dizer Sáloa Farah, pois ela já está fazendo - com competência e bem acompanhada, em passos artísticos dotados de boa direção.
Seu Ribeiro e Paulo Mourão no Teatro Isabela Hendrix

(Recebi por e-mail a dica que segue abaixo)
NA IMENSIDÃO DOS GERAIS
Após dois anos sem se apresentar em Belo Horizonte, o violeiro, compositor e cantor Paulo Mourão divide o palco do Teatro Isabela Hendrix com o cantador do Vale do Rio das Velhas Seu Ribeiro num show intitulado "NA IMENSIDÃO DOS GERAIS" de aspecto essencialmente acústico. A idéia da dupla é abordar a grandeza de Minas Gerais tanto em sua extensão geográfica quanto em sua diversidade cultural.
Paulo Mourão, desde 2008 vive na Bahia onde se apresentou ao lado de expressões do teatro e da música da estirpe do ator Jackson Costa, da TV Globo, e do cantor Jerônimo. Em Salvador obteve destaque em vários projetos e foi convidado por Jackson Costa, para uma apresentação conjunta na Casa da Música de Itapoã e no especial da TVE. Em Ilhéus, fez o show de abertura da Segunda Conferência Estadual de Cultura da Bahia em novembro passado. Na bagagem, Paulo Mourão, que já comemora doze anos de carreira, traz quatro cds gravados, uma classificação nacional na Segunda Mostra de Música Instrumental de Viola da Syngenta (2005), selecionado entre 178 violeiros de todo País, e uma série de 16 shows, patrocinados pela Lei Rouanet, com exibição final em rede Nacional pela TV Cultura de São Paulo, no Programa Imagem do Som. Já em Minas, participou de vários programas de TV, tais como o "Globo Horizonte" da TV Globo, o "Palco Brasil" da TV Minas, o "Viola Brasil" da TV Horizonte, e o "Viação Cipó" da TV Alterosa, dentre outros. Neste ano, aprovou uma turnê em Minas, via Lei Estadual de Incentivo à Cultura, e pretende para o show, ao lado de Seu Ribeiro, priorizar suas músicas instrumentais prometendo levar o público um passeio místico através da sonoridade translúcida de sua viola encantada que plaina entre o silêncio das estrelas.
"Seu Ribeiro tem um trabalho denso, muito bonito e pessoal. Não esqueço uma cantoria que fez no Grande Teatro do Palácio das Artes em que, sozinho, prendeu a atenção de todos e encheu de mistério e beleza os ouvidos de uma platéia lotada num show de abertura para Elomar e Xangai. Foram 60 minutos de pura arte e música brasileira. Por isso é uma honra estar a seu lado tanto como músico quanto como amigo".
(Paulo Mourão)
Seu Ribeiro, cuja carreira vem se consolidando no cenário da MPB por ter sido apadrinhado pelo cantador baiano Elomar Figueira Melo, tem sido constantemente convidado a se apresentar ao lado de grandes artistas, tais como Xangai, Saulo Laranjeira, Chico Lobo e Rolando Boldrin. Além de estar comemorando dez anos de cantoria de cabeceira, Seu Ribeiro prepara para lançar em abriu deste ano, com o patrocínio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de BH, o cd "VIELAS LÍRICAS" que conta com a participação de Xangai, Chico Lobo, Betinho Macedo e Babilak Bah, dentre outros. O cd já está sendo mixado no Estúdio Abre Alas em Santa Luzia e será apresentado ao público mineiro através de uma turnê, patrocinada pela Lei Estadual de Incentivo a Cultura, que envolve vinte cidades mineiras. Para o show, ao lado do violeiro Paulo Mourão, ele promete mostrar seus cantos serranos, onde busca traduzir a beleza bruta da musa matuta de Minas Gerais, a Serra do Espinhaço, cordilheira do Brasil.
"Tocar ao lado de Paulo Mourão é um desejo antigo. Poucos artistas brasileiros conseguem construir uma obra tão representativa da nossa cultura popular e ao mesmo tempo tão pessoal. Quando ouvi seu cd 'GRANDE VIAGEM DE LUZ', reconheci, de pronto, a grandeza e singularidade desse violeiro que outra vez me surpreendeu ao gravar o cd 'OS CABOCLOS DAS MATAS', lançado pela Kuarup. Paulo Mourão é maestro no que faz e muito me honra com este convite".
(Seu Ribeiro)
O show "NA IMENSIDÃO DOS GERAIS" será apresentado dia 27 de janeiro de 2010, às 21 horas, no Teatro Isabela Hendrix. O Valor do ingresso é R$ 10,00.
A foto acima é de Grace Alves
Dica do Gerdal: Márcio Faraco em única apresentação nesta quarta no Rio - santo de casa milagreiro em Paris

"Jogando uma pedra no espelho/não vou deixar de ser o que sou/um violeiro é um violeiro/ e o baião não é rock`n`roll."
Diz o provérbio que santo de casa não faz milagre, o que remete, no campo da música popular, ao artista que, embora virtuoso, não consegue no próprio país de origem reconhecimento à altura do seu mérito. Naturalmente, isso não ocorre sempre, mas, na história da MPB, os finados guitarristas Bola Sete e Laurindo de Almeida e a atuante Rosa Passos, entre outros, são exemplos que dão sustentação ao dito popular, logrando aplauso mais frequente e, por vezes, mais caloroso no exterior do que no Brasil. "Milagreiro" na França e, por extensão, em outros pontos da Europa - residindo em Paris desde 1991 -, o alegretense Márcio Faraco, compositor de sensibilidade e estro apurados, faz - o que é uma pena - uma única apresentação no Rio de Janeiro, nesta quarta, 27 de janeiro, no Cinémathèque, em Botafogo, às 21h, em duo com o ótimo violonista Daniel Santiago (foto acima). Sobrinho de um contista premiado, Sérgio Faraco, e ainda conterrâneo, por exemplo, de Mário Quintana e João Saldanha, Márcio Faraco lança aqui o seu mais recente CD, "Um Rio", que no ano passado comprei numa megaloja de produtos culturais da Av. Champs-Élysées, juntamente com outro dele, igualmente sedutor, "Com Tradição", do qual extraí os versos acima - do eletrizante baião "Chuva de Vidro" -, torcendo para que seja, quem sabe pela Biscoito Fino, distribuído no Brasil, como ocorreu com um CD mais intimista, "Interior", de 2003.
Hábil no jogo de contrastes em suas letras não raro descritivas, também no cerzido lírico e metafórico de cenários em que algum tipo de frustração, assombro ou insuficiência está presente, como nas envolventes "Ciranda" ("eu vi uma luz no fim do túnel/enchi de esperança o coração/a luz que lá estava foi chegando/era um trem carregado de ilusão..."), cantada em duo com Chico Buarque, "Efêmera" e "Sumidouro", o inteligente Márcio é ainda afiado na crítica sociopolítica, como em "Vida ou Game", "Kanoê" ou em "Sarapatel Humano" ("enquanto o menino come calango, erva daninha/o governo troca voto/por um quilo de farinha/sarapatel humano/feito do sangue da gente/entra ano, sai ano/só muda de presidente/muda também o menino/que morreu no esquecimento/assim como este lamento/nem vai ser considerado/aqui nada se mexe/nem notícia do passado/o futuro é muito longe/e o presente tão atrasado..."). Bom de violão (aprimorado, na Brasília de sua adolescência, como o de Daniel Santiago, pelas lições do "sui-generis" mestre autodidata Gamela), o seu recado é dado com a fala mansa que o caracteriza, irmanada aos arranjos estimulantes que cria, especialmente quando servidos do suingue bossa-novista de "No Balanço do Mar" e, curiosamente, de uma canção do repertório da dramática Édith Piaf, "À Quoi Ça Sert L`Amour", estas duas entre as faixas do CD que divulga desta vez no Rio. Entre outros destaques desse disco, podem-se apontar, por exemplo, a participação especial de Mílton Nascimento em "Cidade Miniatura", de Márcio Faraco, e a parceria revelada deste com Baden Powell em "Berceuse", dois registros de introspecção e encantamento. Mirando-se no espelho da carreira, a refletir, no seu caso, com nitidez, uma imagem inquebrável de artista, Márcio Faraco, apesar das portas fechadas ao seu talento por aqui, sabe que um violeiro é um violeiro aonde quer que vá, esteja onde estiver. E é essa a verdade maior, a da autenticidade, que conta no que produz e no que canta, da qual resulta essa música tão relevante, tão bem moldada, que, como não poderia deixar de ser, mesmo a longa distância, faz parte "do ouro do povo do Brasil".
26.1.10
Dica do Gerdal : Ary do Cavaco toda terça no botequim Vaca Atolada - a poeira do samba em novo tempo da Lapa

"Abre a janela, formosa mulher/cantava o poeta trovador/abre a janela, formosa mulher/da velha Lapa que passou..."
Prezados amigos,
Em 1971, na avenida colorida e engalanada, a Portela fazia seu carnaval pelo Grupo I - segundo lugar na apuração -, entoando esse inesquecível samba, "Lapa em Três Tempos", que alçava Ary Alves de Souza, o Ary do Cavaco (foto acima) - seu autor, juntamente com o irmão Rubens Alves de Souza - à condição de bamba do samba de enredo no Rio de Janeiro. Uma composição de beleza realçada em disco da Odeon gravado por Paulinho da Viola, em que o verso inicial evoca um grande sucesso do carnaval de 1938, o samba "Abre a Janela", composto por Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr. e lançado por Orlando Silva. Ex-torneiro mecânico que, na meninice pobre vivida em Coelho da Rocha (bairro de São João de Meriti), trabalhou como engraxate e vendedor de pães para ajudar a mãe, viúva, Ary do Cavaco chegou à Portela em 1962, aos 20 anos, quando já morava em Madureira. Teve o prazer de ver a sua escola do coração atravessar a passarela no desfile principal com outros cinco sambas seus e, fora do carnaval, também se fez notar com sucessos de ampla aceitação popular, como "Na Beira do Mangue" (com Otacílio da Mangueira), de 1976, "Reunião de Bacana" ("se gritar pela ladrão/não fica um, meu irmão...", com Bebeto di São João), em 1981, e "Mordomia" (com Gracinha), em 1982, gravados, respectivamente, por Jair Rodrigues, Exporta Samba e Almir Guineto
O autodidata Ary do Cavaco, toda terça, incluindo o mês de fevereiro, lembra essas e outras músicas do seu repertório num botequim simpático, recém-aberto - do amigo portelense Cláudio Cruz, presidente dos Embaixadores da Folia -, o já bastante e bem frequentado Vaca Atolada. Estive lá há dois sábados e o recomendo especialmente aos amantes da chamada raiz do samba, que lá também encontrará em outros dias, com os instrumentistas atuantes na casa, uma programação muito atraente, animada até mesmo por sambas inéditos ou "lados B" pinçados do insconsciente coletivo da megacomunidade afinada com esse setor vital da discografia da MPB. O Vaca Atolada situa-se na Av. Gomes Freire, 533 - Centro (tel.: 2221-0515) - região da Lapa -, e o "chora, cavaco!" já é ouvido no botequim às 21h, quando começa o show informal do Ary: "....A Lapa de ontem, a Lapa de outrora, que revivemos agora/a seresta/quantas saudades nos traz.../poeira, ô, poeira, o samba vai levantar poeira..."
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25.1.10
Vale a pena ler de novo : Essepê

(Minha imodesta homenagem - Feliz aniverário SP!)
ESSEPÊ
São Paulo, cidade de
São Paulo, essepê
Semáforos em transe...
Primeira geração digital e pré-história na 23 de maio engarrafados/
Cemitério do Araçá guarda meus mortos, benza Deus!
Cidade,metróple,megalópole,
Abrigo e túmulo de migrantes
Mistura terminal e casa modernista/
Presídio que vira praça
Praça que vira presídio...
Paradoxos, xerox, compro ouro!
Massas e I pod, café expresso na galeria Olido
Avenida Paulista, rolex que brilha sob a chuva ácida
Cine Vera virou casa de forró
Mendigos embaixo do viaduto celebram com CO2 o sucesso do novo plano urbanístico
Miséria high tech?
Luz, Tiradentes...Onde andará a menina linda da avenida Água Fria?
Cidade mãe com nome de santo - cidade travesti ou...
...Medéia ensandecida que mata seus filhos com hamburgers
Aristocracia de 450 anos em banheiras J'Accuse!
Zola nunca te imaginaria assim tão germinal
Burguesia de Caras maquiadas, sorry dentes no programa de TV
Periferia mardita, fossa, poço artesiano onde falta cano
Well then what can a poor boy do
Except to sing for a rock 'n' roll band
Serra da Cantareira, horto florestal, domingueira subalterna
Operário dormindo no vagão, 19 horas em ponto/
Pichação no monumento das Bandeiras: - Empurra que vai!
Movimento CON CRE TO
Reconhecimento de gêmeos pichadores globalizados
London Calling...motoboys em ação, zig,zag...movimento abstrato
Cada um por sí e Deus contra!
Cadê o chá das 5 do Mappim?
e a Barão de Hip Tapete ...Ninja? - Quero um calçado de cromo alemão!
Uma anta no vale do Anhangabau pergunta por Macunaíma...
- Cadê o coração dos outros?
Cinema boca do lixo, Bandido da luz vermelha/ O grande momento!
Onde antigamente tinha erva mate e hoje corre um rio sufocado,
achei o Buraco do Adhemar!
Viaduto Santa Efigênia dourado? São Bento corado? Angelus e sino tocando
Meio dia macacada! Uma hora para o almoço, cartão de ponto...
Mário, arrebenta tua lira! Arlequinal, arlequinal... escarra no Minhocão
Desvia as águas espraiadas para o Tietê, marginal!
Paca, tatu, cotia não...Paca, tatu, cotia não!
Perderam meu nonno Gaetano na revolução de 32
Punk e Emos fora de lugar, Tarsila cadê meu "Estadão"?
Tá com o Lobato lá no Sítio!
Estatuto do coração, Raízes do Brasil, Rua Cuba, anime, mangá
- Mano me dá uma mano, che!
Bolivianos escravos costuram o bom retiro
Guevara se perdeu na mata hermano, ahora ninguém é de ninguém na vida todo passa
Coreanos enjaulados à espreita no container - Haverá um mundo lá fora?
O Torá, onde está, amici miei?...
Lá sei eu! Eu não sou daqui, tô de passagem...
Espanca o cara meus! Mói os ossos do tapuia , depois joga no Museu do Ipiranga,
Proclama a independência! /
Faz uma tatuagem, e o perito que não chega!
Arigatô, Sharihotsu!
Cidade provisória, casas de pedra só em Santos!
Tudo a ver na Sloper, Dalu, fashion Week, Bienal, Anhembi, Galerias, Shopping Centers/
Rua Alasca
- Nada vejo, a não ser neblina, vou bater o coco...
Crack! Boa Vista, Largo São Francisco, Ladeira da Memória
Cidade fantasmagórica, lume móbile na cracolândia
Teatro Municipal leva ópera que barra funda! Que barafunda!
O tenor canta a soprano...o rei da vela pede smoke
Arquitetura em transe...Copan e Morumbi,
FAU, vão central, Masp, cadeiras de Lina Bo...
Ladrões de Picasso e Portinari correm para o Embu
E eu com isso, Guaçú!?
Pizzas e sábados todos iguais...Padaria cheia
Casa Verde , Mandaqui, manda ali...Mercadão, mortadela!
Me dá um bauru, mas sem picles!
E aqueles ojos verdes? Eu os comeria a vinagrete.
Chaminé sozinha em Santana observa um templo
fiéis às pencas...
O padre en-canta o Ibirapoeira
Mooca imortal, rua dos Italianos...
Vila Galvão, Trem das Onze/ Arnesto nos convidou prum samba, ele mora do Brás/
Nóis fumo e não encontremo ninguém...
O Bexiga canta numa cantina
Pão quentinho , inigualável, macarronada da mamma
Homenagem aos mortos do massacre da Armênia ao lado do Tamanduá-teí
Baladas, xavecos, playboys, hip hop...
Putas na Augusta e o movimento perpétuo
Na Aurora mulheres da vida sonolentas sacodem os quadris nos inferninhos
- Manda um "Fogo Paulista" goela abaixo e esquece...
Meu pai remando no Tietê. Sai daí véio!
Priscila rainha do deserto do Tucuruvi abre o casaco em frente ao Belas Artes
Nos subterrênos da Consolação o Primo Basílio conversa com Elias Canetti
Enquanto na Baixada do Glicério, no Paulistano da Glória homens negros elegantes esquentam os tamborins, Vinicius se enganou redonda-mente
Liberdade e Paraíso viraram estações, meu Deus, onde está a Sé nisso tudo?
Marco Zero da civilização! Capital monopolista, pirâmide da indústria , topo panóptico da America Latina!
Borba Gato tá se achando!
Cidade sem outdoors...tem cimento no meu capuccino!
Helicópteros levam a nova classe
por cima dos edifícios e antenas
captam o som da nova era : Não é o Som de Cristal. - Já era! - Qual a cotação da Bolsa de Valores, primo? Te liga no Mercado Futuro, tá ligado?
Ruído...- Desce um Pignatari!...
- Me serve um "Baião de dois"!...
Artigo do professor da USP explica o nacional-popular
A Gazeta é esportiva ...escadarias/ Cásper Líbero
Ao fundo ouço um gol...-Foi do Curintia ou do Parmera?...- Foi do Sumpaulo?
- Não , foi do Juventus...da rua Bariri. Você se alembra? É rua Javari, seu stronzo!
A mardita pinga que me atrapaia/
Veloz passa a noite e um novo sol nascerá violeta
atrás da nuvem cigana, milhões de carros como gafanhotos virão para o apocalipse
e novos baianos te curtem numa boa/ na Vila Madalena/
A espanhola perdeu o gato, seo Rubinato!
Praça da Res-púbica abrigava patinhos
A do Patriarca patrões...fascismus architetonicus no Anhangabau da felicidade
Cavo e no fundo do quintal, acho um cachorro morto,
É um lobo! É um lobo? É cachorro, meu pai jogou no bicho/
E esse livro do Engels embaixo das tábuas do assoalho? Isso é conto da carochinha...Vire a página! -Quem hoje quer saber a história da Família e da Propriedade Privada? Sem essa...
Esqueci de chorar na rua Barão de Limeira.
Lá passei minha adolescência. Quando fiz 18 anos me mandei pra São Miguel Paulista...
Fui ser químico, zio Vincenzino...encher de mata-baratas latas de aerosol. Mas isso foi em Santo Amaro...fazia um frrrrio!!! Como tem santo nessa terra de Piratininga!
-Matou alguma barata figlio mio? - Necas, mas nunca mais peguei pulga. Kafka aqui ia se dar bem.- Ciao bambino, ciao...
Onde é a saída, zio?
-Pega a marginal Pinheiros e dobra à direita, sempre à direita...
-Eu volto, um dia eu volto, Voltolino!...
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